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Parte integrante da obra Geografia Homem & Espaço, Editora Saraiva

Adilson Moralez

Processo artesanal de confecção de couro ecológico


desenvolvido pela comunidade do Maguary, na Floresta
Nacional do Tapajós, em Alter do Chão, PA.
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Conversa
 Qual é a região destacada no cartaz. O que
você sabe sobre ela?

 Como podemos interpretar a expressão


“Chega de lendas” na frase em destaque
no cartaz?
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 Qual mensagem sobre a Amazônia os criadores
do cartaz quiseram transmitir? Quais os
objetivos do governo federal em relação a essa
região?

 Se você fosse elaborar um cartaz para atrair


pessoas que desejassem investir na Amazônia,
quais aspectos destacaria? Explique.
Amazônia Legal e o domínio

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amazônico
Onde vivem cerca de 18 milhões de habitantes.

Complexo regional amazônico


Abrange uma área de aproximadamente
41,8 milhões de km².

Atualmente a Amazônia Legal

É área de atuação da Agência de


Desenvolvimento da Amazônia.
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Complexo Regional da Amazônia
Mário Yoshida

Fonte: Pedro Pinchas Geiger. Organização regional do Brasil. Revista Geográfica. Rio de
Janeiro, n. 61. jul./dez. 1964. p.51. In: Angélica Alves Magnano. Revista Brasileira de Geografia.
Rio de Janeiro, v. 57, n.4, out./dez. 1995. p. 77 (adaptado).
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Domínio Amazônico Trecho da América do Sul com
cerca de 7,8 milhões de km².
ABRANGE

Territórios da Bolívia,
do Peru, do Equador,
Foi delimitado
da Colômbia, da
com base nos
Venezuela, da Guiana,
do Suriname, da aspectos naturais.
Guiana Francesa e do
Brasil.

Essa área é também chamada de


Amazônia Internacional.
Brasil – Amazônia Legal

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Mário Yoshida

Fonte: ADA (Agência de Desenvolvimento da Amazônia), 2002.


Amazônia Internacional

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Mário Yoshida

Fonte: ADA (Agência de Desenvolvimento da Amazônia), 2002.


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O Domínio Amazônico:
• compreende cerca de um terço das florestas tropicais;
• um quinto da água doce disponível no globo;
• apresenta grande variedade e diversidade de espécies
vegetais e animais.

Por isso, afirma-se que a Amazônia


apresenta uma grande biodiversidade.

Como mais da metade da Amazônia faz parte do Brasil

Boa parte dessa biodiversidade


encontra-se no país.
Muitas de suas plantas e animais

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São utilizadas pela indústria farmacêutica de
perfumaria e cosméticos, de alimentos etc.

Outras tantas são analisadas pelos institutos


de pesquisa dos países desenvolvidos.

A partir de Podem ser fabricados


substâncias medicamentos e outros
encontradas nessas produtos. Bases de
plantas e animais: novas matérias-primas
podem ser descobertas.
Fabio Colombini

Floresta Amazônica, AM (2002).

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A organização espacial da Amazônia

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A porção norte do território brasileiro não despertou grande
interesse da metrópole portuguesa na época da colonização.

Pois nela não foram encontradas riquezas minerais,


ou solos favoráveis para a prática agrícola.

Também foram instalados


Durante o período fortes, com o objetivo de
colonial, a sua defender o território de
ocupação limitou-se invasões. Muitos desses
à instalação de fortes acabaram se
missões religiosas. tornando vilas.
Final do século XIX - início do século XX

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Provocando
Ocorreu um surto de povoamento uma sensível
Proporcionado diminuição no
fluxo
Pela extração do látex populacional
para a região.
da seringueira.

Nesse período, a Década de 1920


região atraiu A atividade
milhares de econômica de
pessoas, que se extração do látex
estabeleceram para entrou em
trabalhar como decadência
seringueiros.
Ricardo Azoury/ Olhar Imagem

Teatro da Paz, em Belém, PA (2008).

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Um desafio amazônico: desenvolver

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sem destruir
Geógrafa Bertha Becker
A natureza da Amazônia é “reavaliada e revalorizada
a partir de duas lógicas muito diferentes”.

A preocupação em E a visão da região como


conservar os estoque de recursos
ecossistemas e naturais a serem
possibilitar a explorados sem
sobrevivência e o preocupação com a
desenvolvimento sustentabilidade e como
dos povos que área de expansão para a
vivem na região. pecuária e para a
agricultura.
Pensar nessas duas lógicas significa pensar

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no futuro da Amazônia.

O próprio debate sobre a necessidade de encontrarmos


modelos de desenvolvimento que priorizem:
• a redução das desigualdades sociais;
• a eliminação da pobreza;
• a conservação dos ecossistemas naturais;

Deve servir de exemplo para a elaboração de


propostas de desenvolvimento
socioeconômico na Amazônia.
Carlos Penteado/ Documentária

Saracusa, Santarém, PA (2005).


Comunidade quilombola que vive na floresta, em

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A Amazônia é uma reserva

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fundamental de: Tem um papel
expressivo no volume
• biodiversidade;
de gases que podem
• água; ou não intensificar o
efeito estufa.
• carbono fixado.

Brasil:
• considerado o 5º maior emissor mundial de gases do
efeito estufa;
• 75% das emissões são resultado dos desmatamentos e
das queimadas;
• apenas 25% das emissões do Brasil são fruto da
queima de combustíveis fósseis.
Considerando:

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• a grande diversidade sociocultural da região amazônica;
• a importância que tem para a estabilidade climática
regional e continental;
• a influência que tem na intensificação do efeito estufa;
• o estoque de água;
• a biodiversidade;

Não há como realizar projetos que não tenham


como ponto de partida estudos aprofundados sobre
as peculiaridades sociais, ambientais e econômicas
da Amazônia.
O governo precisa atuar mais diretamente na região

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Inclusive

Criando condições para que a pesquisa seja intensificada


e a fiscalização, mais atuante.

É fundamental estabelecer projetos que não


colaborem para a expansão das áreas desmatadas.

Há também a preocupação com a expansão da


agricultura voltada para a produção de biocombustíveis.

É provável que venha a ocorrer uma expansão


significativa da produção de cana no Brasil.
Kim-Ir-Sem

Sinop, MT (2005).
Cultivo de cana-de-açúcar nas proximidades de

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A ocupação da Amazônia
Governos anteriores à década de 1970 já davam sinais de
preocupação com o povoamento da Amazônia.

Porque a consideravam um espaço com um vazio


demográfico que deveria ser ocupado.

Em 1953, no governo
Getulio Vargas, foi Em 1958, no governo
criada a Juscelino Kubitschek,
Superintendência do iniciava-se a
Plano de Valorização construção da rodovia
Econômica da Belém-Brasília.
Amazônia.
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As estratégias do Estado brasileiro
Período da ditadura militar
Os governantes do Estado brasileiro pretendiam
levar adiante planos, programas e projetos
diversos com o objetivo de ocupar e explorar
economicamente a região amazônica.

O governo entendia que a região desocupada


poderia ser facilmente invadida e ter suas riquezas
exploradas por estrangeiros.

Além disso, nessa imensa área poderiam ser


organizadas forças contrárias ao governo militar.
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Foram criados órgãos como:
• a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia,
que substituiu a SPVEA, para planejar, coordenar e
controlar o desenvolvimento.

Também foram criados:


• projetos de pesquisa;
• outras rodovias;
• o polo industrial — a Zona Franca de Manaus;
• diversos projetos agropecuários e minerais.
As rodovias e as agrovilas

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O governo brasileiro aplicou
Início de 1970 recursos para a abertura de 15 mil
km de estradas.

Rodovia Transamazônica Grande símbolo da


integração nacional.

Revelou-se, em pouco
tempo, um exemplo de Apenas um trecho ainda
má administração de funciona como estrada.
recursos e de projetos
na região.
Zaida Siqueira/ Olhar Imagem

Rodovia Transamazônica em Altamira, PA (2006).

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Ao implantar os projetos de colonização, por meio do Incra

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O governo estabeleceu uma rede de agrovilas
ao longo dessas diversas rodovias.

Elas eram formadas por lotes de terra doados às


famílias de agricultores.
Em função de uma série de fatores,
como:
• a distância de centros urbanos
maiores;
O projeto das
• terras de baixíssima fertilidade; agrovilas fracassou.
• falta de assistência escolar e de
assistência médica;
• uma grande incidência de
doenças.
Observe o mapa a seguir.

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Estradas - Amazônia
Carlos Tadeu de Carvalho Gamba

Fonte: Disponível em: http://www.imazon.org.br/upload/m_estradas2003.jpg. Acesso em: 7 mai 2008.


Polamazônia e os grandes projetos

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A partir de 1974
O governo redirecionou a ocupação e a exploração
econômica.

Implantou a Polamazônia, por meio do qual


estabeleceu 15 “polos de desenvolvimento”.
Esse novo programa
caracterizou-se:
• pela implantação de
Essas atividades foram
extensas áreas agrícolas, de
grandes responsáveis
criação de gado e de
pela maior parte das áreas
exploração da madeira.
devastadas na Amazônia.
Além de contribuir para o desmatamento, esse programa:

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• levou à formação de grandes propriedades rurais;
• estimulou os conflitos pela posse de terras;
• colaborou para a invasão de terras indígenas.

O governo acabou
contribuindo para o
aumento dos problemas Os maiores latifúndios
sociais e para a criação improdutivos do Brasil
de permanentes focos estão na região
de conflitos envolvendo
amazônica.
latifundiários, empresas
madeireiras, índios e
posseiros.
O projeto grande Carajás

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Foi o de maior destaque, pela sua área de
atuação e pelas atividades e obras envolvidas.

• Extração de riquezas minerais;


• Construção da hidrelétrica de Tucuruí;
• Construção da Estrada de Ferro Carajás,
ligando a região de extração mineral aos portos
de Itaqui e Ponta da Madeira, em São Luís, no
Maranhão.
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Projeto Grande Carajás
Mário Yoshida

Fonte: Bertha Becker. Amazônia. São Paulo: Ática, 1990. p. 66 (Série Princípios).
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Fazem parte também do projeto Grande Carajás os
projetos:
• Trombetas, de onde se extrai a bauxita;
• Alumar e Alunorte, que transformam a bauxita em
alumina;
• Albrás, onde a alumina é então transformada em
alumínio.
Cláudio Pinheiro/ Ma/ Futura Press

Fábrica da Alunorte (2006).

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Um modelo de desenvolvimento sem futuro

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O governo brasileiro esperava que esses projetos
atraíssem as empresas transformadoras de alumínio e,
com isso, houvesse geração de muitos empregos.

Entretanto, não foi o que ocorreu.

Acabou favorecendo
os grandes grupos Para poder investir, o
empresariais governo brasileiro fez
estrangeiros e mais empréstimos no
nacionais e exigiu exterior, tornando a dívida
grandes gastos do externa ainda maior.
governo brasileiro.
Jefferson Rudy/MMA

Desmatamento na floresta Amazônica, AM (2008).

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Em termos sociais e ambientais, o saldo do modelo de
ocupação e desenvolvimento colocado em prática é
bastante negativo:
• parte considerável da floresta foi devastada;
• muitas riquezas foram retiradas da região, com pouco
benefício à população local;
• os conflitos pela posse de terras se agravaram com a
concentração da propriedade rural;
• terras indígenas foram invadidas e muitos confrontos
entre não-índios e grupos indígenas continuam a ocorrer.
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Celso Junior/AE

Representante de etnias indígenas manifestando-se


pelos seus direitos em Brasília (2004).
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O extrativismo sustentável e o ecoturismo
Um novo modelo de desenvolvimento precisa ser
posto em prática na Amazônia

Que combine a conservação e a


preservação ambiental e a melhoria
nas condições de vida.

Na década de 1970,
uma enorme quantia Essa quantia, além de
foi oferecida pelo favorecer quem já
governo, por meio de dispunha de muitos
subsídios, a grandes recursos, contribuiu para
e médios empresários a devastação da floresta.
e produtores rurais.
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Uma quantidade menor
de recursos, que fosse
investida na região
para desenvolver Dentre essas
outras atividades atividades, destaca-se
geradoras de o extrativismo
empregos e renda, sustentável, que não
teria bons resultados causa prejuízos à
na melhoria das floresta.
condições de vida da
população.
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Para subsidiar as empresas interessadas e os
planejamentos dos governos municipais e estaduais,
a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária está
realizando o Zoneamento Agroecológico da região.

O estudo compreende:
• o mapeamento dos recursos naturais;
• a indicação de áreas aptas para o uso sustentável;
• potencialidades e limitações quanto ao uso do solo;
• conservação e preservação ambiental;
• potencialidades sociais.
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Outra atividade que poderia ser uma grande fonte
de renda para a região:

O ecoturismo

Pode-se dizer que o potencial da Amazônia para o


desenvolvimento dessa atividade é o maior do mundo

Em razão da riqueza do ecossistema amazônico.


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Mauricio Simonetti/ Pulsar Imagens

O turismo verde na Amazônia está apenas engatinhando.


Barcos de turismo no encontro do rio Solimões (de águas
claras) e do rio Negro (de águas escuras).