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O meu livro Mensagem chamava-se primitivamente Portugal. (...

)
Pus-lhe instintivamente esse título abstracto. Substituí-o por um
título concreto por uma razão...
E o curioso é que o título Mensagem está mais certo – à parte a
razão que me levou a pô-lo – de que o título primitivo.

Fernando Pessoa, Obra Poética e em Prosa, vol.III, Lello e Irmão


Editores, Porto, 1986.
No intuito de lutar contra a estagnação de
Portugal, promovendo o restabelecimento de
uma identidade e de uma missão humana
perdidas no tempo, Pessoa canta o passado
histórico da nação que se transforma num mito
e profetiza o renascimento da prosperidade
espiritual da pátria.
Anuncia o
sentido
A estrutura tripartida da obra e o seu significado
simbólico e MENSAGEM ( 44 poemas)
messiânico da
obra Benedictus dominus deus noster quidedit nobis
signum
(Bendito senhor nosso deus que nos deu sinal)
BRASÃO O
MAR
ENCOBERTO
Bellum sine bello PORTUGUÊS
Possessio maris Pax in excelsis
( guerra sem guerra)
( a posse do mar) ( paz nos céus)
Sugere a A paz deverá ser
existência de um o elemento
Remete para a
espaço que estava universal que
expansão
destinado a ser caracterizará o 5º
marítima
conquistado império
Os símbolos numéricos
O conjunto de poemas de Mensagem está intencionalmente
agrupado em blocos de 1, 2, 3, 5, 7 e 12, num total de 44 poemas.
Primeira parte - Brasão
A primeira parte de
Mensagem é baseada
numa versão do
brasão real português
utilizado no século
XV; Cada uma das
suas partes relevantes
vai constituir um
bloco de poemas na
Mensagem.
2ª parte – mar português
 Os poemas de "Mar Português" seguem uma ordem aproximadamente cronológica
referindo (directa ou indirectamente) o Infante, Diogo Cão, D.JoãoII, até ao
antepenúltimo poema, que dá o nome ao conjunto, "Mar Português" (geralmente
considerado o melhor de Mensagem) que olha em retrospectiva a época das
Descobertas e pergunta "Valeu a pena?" oferecendo, como resposta, duas das
frases mais célebres de toda a literatura portuguesa; "tudo vale a pena se a alma
não é pequena" e "quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor".

 No penúltimo poema do ciclo (A Última Nau) a época de ouro é encerrada com o


desaparecimento de D.Sebastião que, qual Rei Artur embarca para uma ilha
desconhecida, e o poeta transporta-nos subitamente à actualidade em que escreve,
interrompendo a narrativa para confiar ao leitor o seu pensamento. Mas a visão de
Pessoa atira-nos imediatamente para o futuro, um futuro em que O Desejado
regressa para retomar o sonho interrompido de um império universal. A intimidade
entre poeta e leitor transforma-se no derradeiro poema do ciclo (Prece) em súplica
a Deus a quem pede que reacenda a Alma Lusitana para que de novo
"conquistemos a Distância".
3ª parte – o encoberto
A terceira parte de Mensagem tem como tema o Quinto
Império e O Desejado que há-de vir para torná-lo realidade. É
constituída por 3 blocos de poemas:
Caracterização da obra
 “E a nossa grande Raça partirá em busca de uma Índia nova, que não existe no espaço, em naus que
são construídas ‘daquilo de que os sonhos são feitos’. E o seu verdadeiro e supremo destino, de que a
obra dos navegadores foi o obscuro e carnal antearremedo realizar-se-á divinamente.”
Fernando Pessoa, in A Águia

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