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RESPONSABILIDADE CIVIL:

• Ato ilícito e abuso de direito


• Elementos da Responsabilidade Civil;
• Conduta humana;
• Culpa;
• Dano e indenização;
• Nexo Causal.
RESPONSABILIDADE CIVIL:

• Ato Ilícito
Ato ilícito
O ato ilícito é o ato praticado em desacordo com a ordem jurídica, violando direitos e causando prejuízos a outrem. É
considerado como fato jurídico em sentido amplo, uma vez que produz efeitos jurídicos não desejados pelo agente, mas
somente aqueles impostos pela lei.

Ato ilícito pode ser:

ATENÇÃO !
CIVIL Responsabilidade dupla

Civil + Penal. O disposto no art.


Ex.: acidente de trânsito. 935 do CC,
PENAL
determina que a
Responsabilidade tripla responsabilidade
civil independe da
Civil + Penal + Administrativo.
ADMINISTRATIVO criminal.
Ex.: Brumadinho.
Ato ilícito
Ato ilícito indenizatório é a conduta humana que fere direitos subjetivos privados, estando em desacordo com a ordem jurídica e
causando danos a alguém. Vejamos:

Art. 186 CC. Aquele que, por ação ou omissão


ATENÇÃO ! Art. 186 CC/2002 x art. 159 CC/1916:
voluntária, negligência ou imprudência, violar
direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.
 Atualmente há uma tendência de se reconhecer a responsabilidade
sem dano, ainda que a exata dicção legal seja elemento fundamental
para o ato ilícito e o dever de reparar – art. 927 CC.
Assim, tem-se a seguinte fórmula:
 O art. 186 admite dano exclusivamente moral.

Ato ilícito = lesão de direitos + dano.


Abuso de direito
“Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu
fim econômico e social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”.

O art. 187 do CC traz uma nova dimensão de ilícito, consagrando a teoria do abuso de direito como ato ilícito, também
conhecida por teoria dos atos emulativos. Assim, o ato é originariamente lícito, mas foi exercido fora dos limites impostos pelo:

• Abuso de direito é um ato lícito pelo conteúdo, ilícito pelas consequências, tendo natureza
jurídica mista;
FIM SOCIAL
• I Jornada de Direito Civil – Enunciado 37: A responsabilidade civil decorrente do abuso do
FIM ECONÔMICO
direito independe de culpa e fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico. -
BOA-FÉ entendimento majoritário da doutrina.

BONS COSTUMES • V Jornada de Direito Civil – Enunciado 413: Os bons costumes previstos no art. 187 do CC
possuem natureza subjetiva, destinada ao controle da moralidade social de determinada época,
e objetiva, para permitir a sindicância da violação dos negócios jurídicos em questões não
abrangidas pela função social e pela boa-fé objetiva.
Abuso de direito
Como se concluiu na V Jornada de Direito Civil, o abuso de direito tem fundamento constitucional nos princípios da solidariedade,
devido processo legal e proteção da confiança, aplicando-se aos ramos do direito (Enunciado nº 414: A cláusula geral do art. 187
do Código Civil tem fundamento constitucional nos princípios da solidariedade, devido processo legal e proteção da confiança, e
aplica-se a todos os ramos do direito.

a) CDC, art. 37, §2º: Publicidade abusiva como abuso de direito;


b) Direito do Trabalho: greve abusiva e o abuso de direito do empregador;
c) CPC, art. 14 e 16: abuso no processo, a lide temerária e o assédio judicial;
d) CC, art. 1.228: abuso no exercício da propriedade
RESPONSABILIDADE CIVIL:

• Elementos da Responsabilidade Civil


Elementos da Responsabilidade Civil
Não há unanimidade doutrinária em relação aos elementos estruturais da responsabilidade civil ou pressupostos do dever de
indenizar. Vejamos:

Maria Helena Diniz Sílvio de Salvo Venosa Carlos Roberto Gonçalves Sérgio Cavalieri Filho

a) Ação, comissiva ou omissiva; a) Ação ou omissão voluntária; a) Ação ou omissão;


a) Conduta culposa;
b) Dano moral ou patrimonial; b) Nexo causal; b) Culpa ou dolo;
b) Nexo causal;
c) Nexo causal entre dano e ação. c) Dano; c) Relação de causalidade;
c) Dano.
d) Culpa. d) Dano.

A doutrina continua considerando a culpa genérica ou lato sensu como pressuposto do dever de indenizar, em regra. Mas há
doutrinadores que defendem a culpa genérica como elemento acidental da responsabilidade.
Elementos da Responsabilidade Civil

De qualquer forma, ainda prevalece o entendimento de que a culpa em sentido amplo ou genérico é sim elemento essencial da
responsabilidade civil. Desse modo, pode ser apontada a existência de quatro pressupostos do dever de indenizar, reunindo os
doutrinadores aqui destacados:

1. CONDUTA HUMANA

2. CULPA

3. NEXO DE CAUSALIDADE

4. DANO OU PREJUÍZO
RESPONSABILIDADE CIVIL:

• Conduta humana
1. Conduta humana
A conduta humana pode ser causada por:

AÇÃO Contratual ou Extracontratual, com dolo ou culpa.

Para a configuração da omissão é necessário que exista o dever jurídico de praticar determinado ato. É necessária ainda a
OMISSÃO
demonstração de que, caso a conduta fosse praticada, o dano poderia ter sido evitado.

Conduta sempre positiva caracterizada pelo


NEGLIGÊNCIA
apressamento.

IMPRUDÊNCIA Conduta omissiva, caracterizada pela


falta de cuidado

IMPERÍCIA Falta de habilidade técnica, sendo


necessário capacidade profissional.
1. Conduta humana

Há situações em que além de responder por ato próprio, a pessoa pode responder por ato:

a) De terceiro – art. 932;


b) De animal – art. 936;
c) Coisa inanimada – art. 937 e 938;
d) Produto no mercado de consumo – art. 12, 13, 14, 18 e 19 CDC.
RESPONSABILIDADE CIVIL:

• Culpa
2. Culpa genérica ou lato sensu
Esclareça-se que, quando se fala em responsabilidade com ou sem culpa, leva-se em conta a culpa em sentido amplo ou a culpa
genérica (culpa lato sensu), que engloba o dolo e a culpa estrita (stricto sensu).

DOLO Ação ou omissão voluntária com o objetivo Mas pode a vítima pode concorrer culposamente, e assim
de prejudicar outrem. Presente o dolo, não há a indenização será fixada conforme gravidade de culpa –
o que se falar em culpa concorrente da vítima art. 945 CC.
CULPA ou de terceiro.

CULPA ESTRITA Elementos da culpa:


a) Conduta voluntária com resultado involuntário;
b) Previsão ou previsibilidade;
c) Falta de cuidado, cautela, diligência e atenção.
2. Culpa genérica ou lato sensu

Conclui-se que para o Direito Civil não importa se o autor agiu com dolo ou culpa, indenização é a consequência. Contudo, no
caso de culpa ocorre a chamada redução equitativa da indenização – art. 944 e 945. Por isso, segue estudo aprofundado sobre a
culpa estrita:
2. Culpa genérica ou lato sensu
Quanto à origem • Contratual
• Extracontratual

Atuação do agente • Culpa in comittendo: ação relacionada a imprudência.


• Culpa in omittendo: omissão relacionada à negligência.
CULPA
ESTRITA

• In concreto: caso concreto, regra do CC.


Análise do aplicador de direito
• In abstrato: considera-se a pessoa natural.

• In vigilando: quebra do dever legal de vigilância (pai e filho)


Presunção • In elegendo: escolha ou eleição (patrão e empregado)
• In custodiendo: falta de cuidado em guardar uma coisa ou animal.
2. Culpa genérica ou lato sensu

Deve-se concluir, como parcela majoritária da doutrina, que não se pode


falar mais nessas modalidades de culpa presumida, hipóteses anteriores de
responsabilidade subjetiva. Essa conclusão se dá porque as hipóteses de
culpa in vigilando e culpa in eligendo estão regulamentadas pelo art. 932
do CC, consagrando o art. 933 a adoção da teoria do risco, ou seja, que tais
casos são de responsabilidade objetiva, não se discutindo culpa. O mesmo
ocorre com a culpa in custodiendo. Todas estão devidamente codificadas,
não sendo portanto, culpa presumida, mas sim, responsabilidade objetiva.

V Jornada de Direito Civil – Enunciado 451


2. Culpa genérica ou lato sensu
GRAUS DE CULPA

O autor não quer o resultado, mas parece que quer. Por isso,
Culpa lata ou culpa grave
responde integralmente como se houvesse dolo.

A conduta se desenvolve sem a atenção devida. Havendo culpa


Culpa leve ou culpa média intermediária e concorrente com terceiro ou a vítima, aplica-se
os arts. 944 e 945.

O fato só seria evitado mediante o emprego de cautelas


Culpa levíssima extraordinárias ou habilitado especial. Responderá nos termos
do art. 944.
2. Culpa genérica ou lato sensu
Aplicam-se as regras previstas nos arts. 944 e 945 do CC para a responsabilidade objetiva ?

I Jornada de Direito Civil do CJF e do IV Jornada de Direito Civil – Enunciado


STJ – Enunciado 46 380

Previa que não era possível aplicar redução à indenização em Suprimiu a parte final do enunciado 46 que determinava o não

face das hipóteses de responsabilidade civil objetiva. cabimento.

Quem pode o mais, pode o menos ?

Lembre-se que em casos de responsabilidade objetiva, poderá o réu alegar a culpa exclusiva da vítima ou de terceiro, visando afastar totalmente a
sua responsabilidade. Assim, a ideia é alegar a conduta concorrente e diminuir o quantum indenizatório, ocorrendo a chamada Teoria do Risco
Concorrente.
2. Culpa genérica ou lato sensu
Critérios para a redução da indenização

 Conduta do lesante + ação ou omissão do lesado = dano;


 Ambas as condutas reportadas ao mesmo fato;
 Analisar o dever de evitar o agravamento do próprio prejuízo.

“a indenização não inclui os prejuízos agravados, nem os que poderiam


V Jornada de Direito Civil – Enunciado ser evitados ou reduzidos mediante esforço razoável da vítima. Os
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custos da mitigação devem ser considerados no cálculo da
indenização”.
RESPONSABILIDADE CIVIL:

• Excludentes
Excludentes do Nexo de causalidade
Essas excludentes mantêm relação com a teoria do dano direto e imediato, segundo a doutrina que adota essa corrente. De qualquer
forma, deve-se dizer que tais excludentes também não afastam a teoria da causalidade adequada. São elas:

Culpa exclusiva ou o fato exclusivo da vítima


Percebe-se que foram destacadas as expressões exclusiva e exclusivo, pois,
havendo culpa ou fato concorrente, seja da vítima ou de terceiro, o dever de

Culpa exclusiva ou o fato exclusivo de terceiro indenizar subsistirá.

O caso fortuito é o evento totalmente imprevisível decorrente de ato humano ou de evento


Caso fortuito e a força maior natural.
Já a força maior constitui um evento previsível, mas inevitável ou irresistível, decorrente de
uma ou outra causa.
Excludentes do Nexo de causalidade
As excludentes de nexo de causalidade servem, em regra, tanto para a responsabilidade subjetiva quanto para a objetiva. Mas é
necessário observar as exceções:

 A culpa exclusiva de terceiro não é admitida como


excludente nos transporte de pessoas, respondendo o
transportador perante o passageiro vitimado e assegurado o
seu direito de regresso contra o real culpado (art. 735 do
CC).
Excludentes do Nexo de causalidade

Transportador rodoviário ou municipal responde por assalto ao passageiro ?


Excludentes do Nexo de causalidade
Resposta:

V Jornada de Direito Civil aprovou-se enunciado interessante prevendo que “o caso fortuito e a força maior somente serão
considerados como excludentes da responsabilidade civil quando o fato gerador do dano não for conexo à atividade
desenvolvida” (Enunciado n. 443).

Sendo assim, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que o transportador rodoviário ou
municipal não responde pelo assalto ao passageiro, pois a segurança não é essencial ao serviço prestado.

(STJ, REsp 783.743/RJ; REsp 435.865/RJ; Resp 402.227/RJ; REsp 331.801/RJ; REsp 468.900/RJ; REsp 268.110/RJ; e Resp
714.728/MT).
Excludentes do Nexo de causalidade

“o roubo mediante uso de arma de fogo é fato de terceiro equiparável à força maior, que deve excluir o dever de indenizar,
mesmo no sistema de responsabilidade civil objetiva, por se tratar de fato inevitável e irresistível que gera uma impossibilidade
absoluta de não ocorrência do dano”.
Excludentes do Nexo de causalidade

Vítima de “saidinha de banco” pode ser indenizada pela instituição financeira ?


Excludentes do Nexo de causalidade
Resposta:

O assalto ocorrido em via pública afasta o dever da instituição financeira de indenizar, pois o evento foge do risco do
empreendimento, constituindo fato externo.

No entanto, se o assalto ocorrer dentro do estabelecimento bancário, o STJ tem afastado a sua caracterização como caso
fortuito ou força maior , mantendo o dever de indenizar, pois a segurança é essencial ao serviço prestado.
Excludentes do Nexo de causalidade

Shopping Center é responsável por roubos ou furtos ocorridos em seu interior ?


Excludentes do Nexo de causalidade
Resposta:

O mesmo raciocínio é desenvolvido pelo Superior Tribunal de Justiça no que concerne ao assalto praticado no interior de um
shopping center, respondendo a empresa, pois o fato entra no risco do empreendimento, não se
cogitando o caso fortuito ou a força maior – evento interno - (por todos, de épocas distintas: Ag. Int. no AREsp 1.027.025/SP,
4.a Turma, Rel. Min. Raul Araújo, j. 18.06.2019, DJe 28.06.2019; e STJ, REsp 582.047/RS, 3.a Turma, Rel. Min. Massami
Uyeda, j. 17.02.2009, DJe 04.08.2009).

Entretanto, assim como ocorre com o banco, se o assalto ocorrer na via pública, não há que se reconhecer o dever de indenizar
do shopping ou do supermercado. Nos termos de aresto mais recente do STJ súmula 130.
Excludentes do Nexo de causalidade

Como se pode notar, as excludentes de nexo,


especialmente o caso fortuito e a força maior, merecem
análise casuística pelo aplicador do Direito,
aprofundando-se o estudo na verificação da atividade
desenvolvida pelo eventual responsável, o que mantém
relação com a ideia de risco do empreendimento.
RESPONSABILIDADE CIVIL:

• Dano
3. Dano

Como é notório, para que haja pagamento de indenização,


além da prova de culpa ou dolo na conduta é necessário
comprovar o dano patrimonial ou extrapatrimonial
suportado por alguém.
3. Dano
REGRA Ônus da prova EXCEÇÃO

Cabe o ônus de sua prova ao autor da demanda, conforme art.


Em alguns casos, se admite a inversão do ônus da prova do dano ou
373, inc. I, do CPC/2015.
prejuízo, como nas hipóteses envolvendo as relações de consumo,
presente a hipossuficiência do consumidor ou a verossimilhança de
suas alegações (art. 6.o, inc. VIII, da Lei 8.078/1990).
O mesmo se diga em relação ao dano ambiental, prevendo a Súmula
618 do STJ, editada em 2018: “a inversão do ônus da prova aplica-
se às ações de degradação ambiental”.

Ademais, o CPC/2015 ampliou essa inversão para qualquer hipótese


em que houver dificuldade na construção probatória, tratando da
carga dinâmica da prova.
3. Dano
MODALIDADES Exemplo: Art. 948, I do CC. Custear
emergentes estrago em acidente de carro.

MATERIAIS

Lucros cessantes Exemplo: Art. 948, II do CC.


Alimentos indenizatórios à
ATENÇÃO !!! família do morto.
Jurisprudência: Alimentos indenizatórios não se
DANOS CLÁSSICOS OU
compara com Direito de Família, logo, não cabe prisão Cálculo STJ - 2/3 do salário da vítima por mês + FGTS, 13º
TRADICIONAIS
por falta de seu pagamento. Critérios previstos no art. salário, férias e eventuais horas extras (se a vítima tinha carteira
Não cabe reparação de dano
533 do CPC. de trabalho), até o limite de vida provável da vítima, fixada pelo
hipotético ou eventual.
IBGE, atualmente 75 anos. ATENÇÃO: Ler súmula 229 STF.

MORAIS Se tornou pacífica com a CF/88.

Além do pagamento de uma Não há, no dano moral, uma finalidade de acréscimo
indenização em dinheiro, presente o patrimonial para a vítima, mas sim de compensação pelos PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES

dano moral, é viável uma males suportados.


compensação in natura.
3. Classificações de Dano moral
SENTIDO Aquilo que a pessoa sente, dor, amargura tristeza,
CATEGORIA PRÓPRIO
vexame, angústia, depressão, etc.

Lesão aos direitos da personalidade, como opção


SENTIDO
DANOS
IMPRÓPRIO sexual. Não necessita da prova do sofrimento em
MORAIS
si para a sua caracterização.

PROVAR ? DANO MORAL Aquele que necessita ser provado pelo autor. Como
SUBJETIVO
nos casos de acidente de trânsito.

DANO MORAL Ou presumido. Aquele que não precisa ser provado.


OBJETIVO
Como nos casos de morte, lesão estética, lesão a
direito fundamental protegido pela CF ou uso
indevido de imagens para fins lucrativos – Súmula
403 STJ.
3. Classificações de Dano moral
DANOS MORAIS

PESSOA ATINGIDA

DANO MORAL DANO MORAL


DIRETO INDIRETO

Atinge a própria pessoa, como nos crimes contra a Conhecido como “dano moral em ricochete”. Aquele que atinge a
honram, que geram responsabilização civil, nos termos pessoa de forma reflexa, como no caso da morte de uma pessoa da
do art. 953 CC. família (art. 948 CC), lesão à personalidade do morto (art. 12, § único
CC), ou ainda, perda de animal de estimação (art. 952 CC). É como uma
bala que ricocheteia.
3. Questões Controvertidas

DANOS MORAIS x MEROS Tanto doutrina como jurisprudência sinalizam para o fato de que os danos morais suportados por alguém
ABORRECIMENTOS não se confundem com os meros transtornos ou aborrecimentos que a pessoa sofre no dia a dia. Cabe ao
juiz, analisando o caso concreto e diante da sua experiência, apontar se a reparação imaterial é cabível ou
não.

Produto com corpo estranho caracteriza dano


moral ou mero aborrecimento ?

Depende ! O STJ já se posicionou no sentido de que sem a ingestão não há indenização,


mas também já defendeu que, mesmo sem ingerir, é possível indenizar se o corpo
estranho expor o consumidor a risco concreto de lesão à saúde e segurança.

O tema ainda está aberto para ser discutido nos meios jurídicos.
3. Questões Controvertidas
Fila excessiva de banco caracteriza dano moral ou mero aborrecimento ?

STJ já concluiu no sentido de que uma espera exagerada em fila de


banco constitui dano moral ao consumidor. O decisum foi
publicado no Informativo nº 504 daquela Corte Superior.
3. Questões Controvertidas
Voltar várias vezes à concessionária para reparar danos no veículo 0 km
caracteriza dano moral ou mero aborrecimento ?

O STJ concluiu ser cabível a reparação de danos morais


quando o consumidor de veículo zero quilômetro
necessita retornar à concessionária por diversas vezes
para reparar defeitos apresentados no veículo adquirido
(STJ, REsp 1.443.268/DF, Rel. Min. Sidnei Beneti, j.
03.06.2014, publicado no seu Informativo nº 544).
3. Questões Controvertidas
DANOS MORAIS DA PESSOA JURÍDICA

O entendimento da reparabilidade do dano moral consta da Súmula 227


do Superior Tribunal de Justiça, podendo ser ainda extraído do art. 52 do
Código Civil em vigor, pelo qual se aplica à pessoa jurídica, no que
couber, o disposto quanto aos direitos da personalidade.

Em verdade, o dano moral da pessoa jurídica atinge a sua honra objetiva,


que é a repercussão social da honra, sendo certo que uma empresa tem
uma reputação perante a coletividade. Não se pode imaginar que o dano
moral da pessoa jurídica atinja a sua honra subjetiva, que é a
autoestima.
3. Natureza Jurídica dos Danos Morais
HÁ 3 CORRENTES DOUTRINÁRIAS

1ª CORRENTE 2ª CORRENTE 3ª CORRENTE

SUPERADA NA JURISPRUDÊNCIA A indenização tem um caráter punitivo ou A indenização por dano moral está revestida de
disciplinador, tese adotada nos Estados Unidos um caráter principal reparatório e de um caráter
A indenização por danos morais tem o mero
da América, com o conceito de punitive pedagógico ou disciplinador acessório, visando a
intuito reparatório ou compensatório, sem
damages. Essa corrente não vinha sendo bem coibir novas condutas. Mas esse caráter
qualquer caráter disciplinador ou pedagógico.
aceita pela nossa jurisprudência, que identificava acessório somente existirá se estiver
perigos na sua aplicação. Entretanto, nos últimos acompanhado do principal. Essa tese ainda tem
tempos, tem crescido o número de adeptos a essa prevalecido na jurisprudência nacional.
teoria.
3. Danos morais
CRITÉRIOS

O Magistrado deverá avaliar:

 Extensão do dano;
 Condições socioeconômicas e culturais dos envolvidos;
 Condições psicológicas das partes;
 Grau de culpa do agente, de terceiro ou da vítima.

Tais critérios podem ser retirados dos arts. 944 e 945 do CC/2002,
bem como do entendimento dominante, particularmente do Superior
Tribunal de Justiça.
3. Danos estéticos
Conceito

“Na concepção clássica, que vem de Aristóteles, é a estética uma ciência prática ou
normativa que dá regras de fazer humano sob o aspecto do belo. Portanto, é a
ciência que tem como objeto material a atividade humana (fazer) e como objeto
formal (aspecto sob o qual é encarado esse fazer) o belo. É claro que quando
falamos em dano estético estamos querendo significar a lesão à beleza física, ou
seja, à harmonia das formas externas de alguém. Por outro lado, o conceito de belo
é relativo. Ao apreciar-se um prejuízo estético, deve-se ter em mira a modificação
sofrida pela pessoa em relação ao que ela era”.

Teresa Ancona Lopez


3. Danos estéticos

DANO ESTÉTICO DANO MORAL

“alteração morfológica de formação “sofrimento mental – dor da mente psíquica,


corporal que agride a visão, causando pertencente ao foro íntimo”.
desagrado e repulsa”.

Consolidando esse entendimento, adotado pelo STF, de que dano estético e dano moral são distintos, o teor da Súmula 387 do STJ,
de setembro de 2009, preconiza: “é lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral”.
3. Danos estéticos
COMO CALCULAR O DANO ?

Alguns autores defendem a necessidade da perícia As consequências devem ser levadas em consideração para fixar
médica, a fim de determinar a extensão do dano a extensão do dano:
sofrido, e fixando-se, a partir daí, o quantum
indenitário. É possível avaliar tal prejuízo como:  Se há modificação do aspecto exterior da pessoa;

 Se há modificação do aspecto exterior da pessoa;

 Gravíssimo;  Se há redução da capacidade social;

 Grave;  Se há redução na capacidade laborativa;


 Moderado;
 Se há perda de oportunidade de trabalho ou diminuição na
 Leve;
 Levíssimo liberdade de escolha da profissão.
3. Danos estéticos
CRITÉRIOS PARA A QUANTIFICAÇÃO DOS DANOS

 o grau de avaliação do dano estético pelo médico perito, conforme os parâmetros por último expostos;

 grau de culpa das partes;

 posição cultural e socioeconômica das partes;

 posição cultural e socioeconômica das partes;

 independência do valor arbitrado a título de dano moral.


3. Danos morais coletivos

O seu conceito é controvertido, mas ele pode ser denominado como o dano que

atinge, ao mesmo tempo, vários direitos da personalidade, de pessoas

determinadas ou determináveis (danos morais somados ou acrescidos).

Deve-se compreender que os danos morais coletivos atingem direitos individuais

homogêneos e coletivos em sentido estrito, em que as vítimas são determinadas ou

determináveis. Por isso, a indenização deve ser destinada para elas, as vítimas.
3. Danos morais sociais

“Os danos sociais, por sua vez, são lesões à sociedade, no seu nível de

vida, tanto por rebaixamento de seu patrimônio moral – principalmente a

respeito da segurança – quanto por diminuição na qualidade de vida”.

Antonio Junqueira de Azevedo


3. Quadro comparativo

DANOS MORAIS COLETIVOS DANOS SOCIAIS OU DIFUSOS

Atingem vários direitos da personalidade. Causam um rebaixamento no nível de vida da


coletividade.
Direitos individuais homogêneos ou coletivos em
sentido estrito – vítimas determinadas ou Direitos difusos – vítimas indeterminadas. Toda a
determináveis. sociedade é vítima da conduta.

Indenização é destinada para as Indenização para um fundo de proteção ou instituição


próprias vítimas. de caridade.
3. Perda de uma chance
A perda de uma chance está caracterizada quando a pessoa vê frustrada uma expectativa, uma oportunidade futura, que, dentro da
lógica do razoável, ocorreria se as coisas seguissem o seu curso normal.

ADVOGADO MÉDICO SBT

São numerosos os julgados que O pioneiro Tribunal do Rio Grande do Sul A última pergunta do jogo, valendo 1
responsabilizam advogados por já responsabilizou um hospital por morte milhão, não continha alternativa correta.
perderem prazos de seus clientes, de recém-nascido, havendo a perda de “A Constituição reconhece direitos dos
gerando perda da chance de vitória chance de viver. índios de quanto do território brasileiro?
judicial. 1) 22%; 2) 2%; 3) 4% ou 4) 10%”.
Resumindo ...
emergentes

Lucros cessantes
MATERIAIS

DANOS CLÁSSICOS OU Sentido próprio Subjetivo Direto


TRADICIONAIS
Não cabe reparação de dano MORAIS Sentido impróprio Objetivo Indireto
hipotético ou eventual.

ESTÉTICOS

MORAIS COLETIVOS

DANOS NOVOS OU
CONTEMPORÂNEOS SOCIAIS

PERDA DE UMA CHANCE


RESPONSABILIDADE CIVIL:

• Nexo de Causalidade
4. Nexo de causalidade
Carlos Roberto Gonçalves: “Uma relação necessária entre o fato incriminado e o prejuízo. É necessário que se torne
absolutamente certo que, sem esse fato, o prejuízo não poderia ter lugar.”

Como elemento imaterial ou espiritual que é, pode-se imaginar o nexo de causalidade tal qual
um cano virtual, que liga os elementos da conduta e do dano.
4. Nexo de causalidade
Ora, a responsabilidade civil, mesmo objetiva, não pode existir sem a relação de causalidade entre o dano e a conduta do agente.
Se houver dano sem que a sua causa esteja relacionada com o comportamento do suposto
ofensor, inexiste a relação de causalidade, não havendo a obrigação de indenizar.

Responsabilidade Civil Subjetiva Responsabilidade Civil Objetiva

O nexo de causalidade é formado pela culpa genérica ou o nexo de causalidade é formado pela conduta,
lato sensu, que inclui o dolo e a culpa estrita (art. 186 do cumulada com a previsão legal de responsabilização sem
CC). culpa ou pela atividade de risco (art. 927, parágrafo
único, do CC).
4. Nexo de causalidade
TEORIAS

Teoria da equivalência das condições ou Teoria da causalidade adequada Teoria do dano direto e imediato ou
do histórico dos antecedentes (sine qua teoria da interrupção do nexo causal
non)

Enuncia que todos os fatos relativos ao Se deve identificar, na presença de uma havendo violação do direito por parte do
evento danoso geram a responsabilidade possível causa, aquela que, de forma credor ou do terceiro, haverá interrupção do
civil. potencial, gerou o evento dano. nexo causal com a consequente
Essa teoria, não adotada no sistema Essa teoria consta dos arts. 944 e 945 do irresponsabilidade do suposto agente.
nacional, tem o grande inconveniente de atual Código Civil. Essa teoria foi adotada pelo art. 403 do
ampliar em muito o nexo de causalidade. CC/2002, sendo a prevalecente segundo
parcela considerável da doutrina.
Questões

HORA DE PRATICAR !!!


Questões
1. Em tema de Responsabilidade Civil, considere asserções abaixo.

I. Atos lícitos não podem engendrar responsabilidade civil contratual nem aquiliana.
II. A prática de bullying entre crianças e adolescentes, em ambiente escolar, pode ocasionar a responsabilização de estabelecimento de ensino,
quando caracterizada a omissão no cumprimento no dever de vigilância.
III. Nos termos de reiteradas decisões do Superior Tribunal de Justiça, a cláusula de incolumidade, inerente ao contrato de transporte, não pode ser
invocada nos casos de fortuito interno.
IV. A responsabilidade do dono ou detentor de animal pelos danos por este causado é objetiva.
V. O consentimento informado constitui excludente de responsabilidade dos profissionais liberais em caso de erro médico.

Dentre as asserções acima APENAS estão corretas

a) I e III.
b) II e IV.
c) III e V.
d) I e IV.

e) II e V.
Questões

2. De acordo com o entendimento jurisprudencial do STJ, condomínios respondem por roubo ou furto do veículo no seu interior ?
Justifique e fundamente.

3. Sendo um domingo ensolarado, José decidiu passear com sua família em um Shopping Center próximo de sua residência, no
entanto, como possuía dois filhos pequenos, Pedrinho e Mariazinha, decidiu ir de carro. Ocorre que, ao parar na cancela para retirar o
voucher do estacionamento, antes mesmo de adentrar no estacionamento do Shopping, dois meliantes apareceram e anunciaram um
assalto, levando o carro e todos os pertences que haviam dentro do veículo. Pergunta-se: Qual a modalidade de responsabilidade do
Shopping Center ? Ele é responsável pelos danos sofridos por José e sua família ? Justifique e fundamente.
Questões
4. Ana adquiriu pela internet, um smartphone Iphone 11, em um determinado site de compra e venda. O prazo para entrega era de 5
dias úteis. Ocorre que, passados os dias e vencido o prazo, Ana não recebeu seu telefone, motivo pelo qual procurou os Correios,
responsável pela entrega, para questionar o que havia acontecido. Ao ser atendida foi informada que o carro onde estava sua
mercadoria havia sido roubada. Pergunta-se: Os Correios tem o dever de indenizar Ana ? E se ela fosse retirar em uma unidade e lá,
com o aparelho em mãos, sofresse o assalto, a resposta seria a mesma da anterior ? Justifique e fundamente com base no Código Civil
e nos entendimentos jurisprudenciais.

5. O motorista de ambulância que, trafegando em situação de emergência e, portanto, com a sirene ligada, ultrapassar semáforo
fechado e abalroar veículo de particular que, sem justificativa, deixe de lhe dar passagem, comete ato ilícito por abuso de direito ?
Causando danos na ambulância, há responsabilização por parte do particular que deixou de conceder passagem à ela ? Justifique e
fundamente.
MUITÍSSIMO OBRIGADA !!!

Profª Fernanda Garcia Escane

fernanda.escane@prof.epd.edu.br