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Curso “Responsabilidade Social, Inovação

Social e Criação Partilhada de Valor

Docentes

Rui Santos, Marco Meneguzzo e Mónica Freitas

11 de Outubro de 2019
Conceitos

Organizações Programas
Conceitos
Os conceitos de RS são formulados tendo conta os objectivos
assentes no conceito de missão das organizações além das
preocupações emanadas pelos stakeholders internos e externos.
Programas
Modelo de Análise Criado por Mónica Freitas
Matriz de Análise dos Programas de RS
       
Entidad
Investimento de Moldes de Meio de
Unida Progra Valores Lógicas Motiv Auditorias/ e Público-alvo/
Área Data Justificativa Capital Operacionalizaç Marketing Divulgaçã Stakeholders
des ma da RSE de Ação ações Certificações Respon Objecto-alvo
Financeiro ão o
sável
Sim Não N/D Sim Não Sim Não Descrição Quantidad Descriçã Projectos Quantidad Fonte
e o e de Consultada
Política- Projetos
Prática Teórica
 Unidade: Organização implementadora;
 Data: Dia em que ocorreu a implementação;
 Programa: Nome do programa (acção, actividade e/ou
iniciativa);
 Justificativa: Político- prática: oferecida pela organização;
Justificativa Teórica: extraída da literatura;
 Valores da RSE: Éticos, Instrumentais, Integrativos e Políticos;
 Lógica de acção: Cívica, Mercantil, Industrial, do Renome, do
Projecto, Doméstica e Inspiração;
 Motivações: Estratégicas ou Idealistas;
 Investimento de Capital Financeiro: Sim/ Não;
 Moldes de Operacionalização: Tipos construídos tendo com
base as especificidades de cada área (ex. saúde preventiva:
sessão informativa, acções de rastreio e cuidados primários);
 Auditorias: Sim/ Não (interna ou externa);
 Marketing: Sim/ Não; Meio de Divulgação (newsletter,
website, reuniões, relatórios, etc.);
 Público- Alvo/ Objecto- Alvo;
 Stakeholders (Identificação dos atores, identificação e
quantidade de projectos implementados);
 Fonte Consultada.
Organizações
Lucrativas: José de Mello Saúde
Não- Lucrativas: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
Administração Pública: Câmara Municipal de Oeiras
José de Mello Saúde- Caracterização

O grupo José de Mello Saúde, teve origem no grupo CUF, criado por
Alfredo Silva por volta de 1942. As áreas de actuação do grupo CUF
compreenderam o financeiro, o imobiliário e o químico. Em 1945, o grupo
passou também integrar a área da Saúde, dando origem ao Grupo José de
Mello Saúde JMS. Actualmente, a JMS é um dos maiores grupos
prestadores de cuidados de saúde em Portugal. É responsável pela
empregabilidade de cerca de 5.900 colaboradores, tendo lucrado no ano de
2014, cerca de 532 milhões de euros.
Valores
Assumir o desafio da sustentabilidade é considerar que o papel da
José de Mello Saúde não se esgota na criação de valor económico,
antes procura a criação de valor global e sustentado, que venha
ser distribuído por todas as partes interessadas à nossa
organização – colaboradores, clientes, acionistas, comunidades
envolventes, parceiros entre outros.
http://www.josedemellosaude.pt/Section/Sustentabilidade
Valores
Enquanto o interlocutor no Conselho de Administração do grupo
JMS justificou os argumentos formulados recorrendo
principalmente aos valores instrumentais da RSE às motivações
estratégicas e às lógicas de justificação industrial e mercantil, o
entrevistado do gabinete da RSE apelou preferencialmente aos
valores éticos, às motivações idealistas e à lógica de justificação
cívica.
Caracterização RSE JMS
Programas
Áreas de Número de Percentagem
Intervenção Iniciativas
Filantropia 9 9,18

Voluntariado 4 4,08

Inovação 3 3,06
Tecnológica
Inovação Científica 10 10,20

Inovação 19 19,39
Gestionária
Inovação Social 5 5,10

Meio- Ambiente 1 1,02

Saúde Preventiva 47 47,96

Total 98 100
A análise documental mostrou que a José de Mello Saúde desenvolveu entre
2010 e 2015, 98 iniciativas de responsabilidade social.
A saúde preventiva foi a área da RSE que mais se dirigiu a redes de
stakeholders internos (53,4%), seguida da inovação gestionária (13,7%) e da
filantropia (9,6)%.
As redes de stakeholders internas constituíram o principal suporte à
implementação de iniciativas ligadas à inovação científica e social em 6,9%
das iniciativas, à inovação tecnológica e ao voluntariado em 4,11% e ao meio
ambiente em 1,37%.
Análise Swot (Strengths, Weakness, Opportunities and Threats) da
JMS frente à RS:

Strenghts (Pontos positivos)


 Integração explícita da RSE no modelo de gestão da organização
 Criação de conselhos de ética e de conselhos de comunidade
 Elevada capacidade para o trabalho em rede
 Publicação de relatórios de sustentabilidade
 Criação de um gabinete de auditoria interna
 Adoção de sistemas de certificação em qualidade e ambiental (ex. ISO 9001 e ISO 14001)

Weakness (Pontos negativos)


 Ausência de uma política interna ligada à promoção da igualdade de género e da igualdade de oportunidades
 Ausência de um sistema eficaz de comunicação da RSE
 Capacidade incipiente de articulação com as autarquias locais
 Ausência de certificações na área da RSE (ex. ISO 26000, NP4469-01)
Opportunities (Oportunidades)
 Realização de acção de formação em RSE
 Solicitação de apoio às agências de consultadoria em RSE (ex. BCSD) para consolidar os sistemas de
comunicação em RSE adoptado pelo Grupo
 Implementação de sistemas de avaliação dos impactes gerados pelos programas da RSE (ex. aplicação de
questionário, entrevistas de grupo)
 Definição dos programas da RSE tendo como base as sugestões apresentadas pelas partes interessadas
durante as auscultações

Threaths (Ameaças)
 Continuar a preferir os interesses da organização ao invés de tentar equilibrá-los com os das partes
interessadas
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa-
Caracterização

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa foi fundada em 1498. A


principal vocação consiste em assistir aos mais vulneráveis. As áreas de
actuação da SCML, compreendem essencialmente a cultura, a saúde, os
jogos sociais, o empreendedorismo social e acção. A SCML emprega
cerca de 5.000 pessoas e apresentou um lucro líquido de 217,6 milhões
de euros em 2013.
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa procura a realização da melhoria do
bem-estar da pessoa no seu todo, prioritariamente dos mais desprotegidos. 
http://www.scml.pt/pt-PT/santa_casa/missao/
A prestação de cuidados de saúde tendo em conta as dimensões físicas, psíquicas e
sociais dos pacientes. (...) Segundo o Conselho de Administração, não faz sentido
pensar na RSE da saúde, porque compreende a sua missão colmatar o défice
verificado em termos de acesso aos cuidados de saúde, em especial, por parte dos
cidadãos mais vulneráveis (ex.: toxicodependentes, sem abrigo, imigrantes, dentre
outros) além de tornar os cuidados de saúde mais humanizados. (...) A RSE da
saúde, nada mais é, que a prestação de cuidados de saúde humanizados e
integrados (Anexo 5, Linhas 46-48).
Caracterização RSE SCML

Programas
Áreas de Intervenção Número de Percentagem
Iniciativas
Filantropia 18 19,15

Voluntariado 10 10,64

Inovação Artística 1 1,06

Inovação Científica 3 3,19

Inovação Gestionária 11 11,7

Inovação Social 34 36,17

Inovação Tecnológica 1 1,06

Meio- Ambiente 9 9,57

Saúde Preventiva 7 7,45

Total 94 100
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa implementou 94 programas de RSE, entre os
quais 56 suportados por redes de stakeholders internas e 38 por redes de stakeholders
externas. A maioria correspondeu a iniciativas de filantropia (28, 57%). A seguir, surgiu
a inovação social (23,2%), seguida da inovação gestionária (16,1)%, a saúde
preventiva (10,7%), o meio ambiente (8,9%), o voluntariado e a inovação científica
(5,4% casa) e, em último lugar, a inovação artística (1,79%).
Análise Swot (Strengths, Weakness, Opportunities and Threats) da
SCML frente à RS:

Strenghts (Pontos positivos)


 Forte reconhecimento social da sua actividade nas áreas relevantes, incluindo recepção de prémios. É organização de
referência na área
 O princípio do apoio à comunidade faz parte do seu próprio conceito de missão

 O apoio e a saúde empregam a maioria dos colaboradores


 Cooperação com a Câmara Municipal de Lisboa, com participação nos planos municipais nas áreas relevantes

Weakness (Pontos negativos)


 Não integrou os pressupostos definidos pelo Plano Municipal de Igualdade de Género, apesar de ter participado na
concepção de dois planos municipais relevantes
 Fraca capacidade de articulação com outras organizações do sector (ex. Hospitais, centros de saúde)
 Apenas três unidades da SCML constituem alvo de auditorias externas
 Baixo interesse na submissão dos programas de RSE aos prémios criados nas áreas da sustentabilidade e da
responsabilidade social
 Fraco investimento na certificação em qualidade/RSE
Opportunities (Oportunidades)
 Estreitar a cooperação estabelecida com os sindicatos e/ou ordens profissionais

 Promover a coesão e igualdade social interna, através da incorporação dos princípios de igualdade de género
introduzidos no Plano Municipal de Igualdade de género.
 Consolidar acordos de cooperação com as organizações da saúde do distrito de Lisboa, com vista implementar os
programas de educação em saúde
 Adopção de sistemas de gestão da RSE.

Threaths (Ameaças)
 Os desígnios de sustentabilidade/ responsabilidade social poderão ficar comprometidos, caso a Santa Casa não
consiga ultrapassar os entraves encontrados em termos de articulação com outras organizações do sector da saúde
 A diversificação dos eixos de actuação da RSE requer que sejam reforçados os sistemas de gestão de suporte
Câmara Municipal de Oeiras- Caracterização

A Câmara Municipal de Oeiras CMO constituiu alvo deste estudo


porque foi a única do distrito de Lisboa que havia criado até 2014
um Gabinete para a RSE. Além disto, realizava acções de
consultoria e disponibilizava manuais de implementação da RSE
às instituições concelhias. A Autarquia Local integra a
Rede Portuguesa de Cidades Saudáveis a par do Projecto Cidades
Saudáveis.
Fomentar a responsabilidade social
O trabalho desenvolvido pela edilidade nesta área, tem-se pautado
pelo estímulo da responsabilidade social, quer ao nível interno da
CMO, quer ao nível externo, procurando mediar os contactos
entre empresas e organizações sem fins lucrativos e rentabilizar
os recursos disponíveis para a intervenção social (CMO 2012b,
199).
Programas
 Oeiras Solidária: capacitação para o voluntariado, doação de
bens e requalificação de instalações.
 Oeiras PRO: projecto de responsabilidade social das
organizações- abrange a consultoria e a disponibilização de
instrumentos de gestão a organizações do Concelho
 Campanha “Apenas o Coração Pode Bater”: Mês da Prevenção
dos Maus Tractos na Infância e Juventude (MPMTIJ)
Na qualidade de entidade organizadora, a Autarquia de Oeiras
implementou 33 iniciativas, entre as quais 10 relacionadas à
promoção de hábitos de vida saudáveis e prevenção de doenças.
Na qualidade de entidade parceira, participou em cinco outros
projectos tais como: distribuição de roupas de adultos e de roupas
do lar em parceria com a IMSHealth ao Lar Social de Caxias;
voluntariado empresarial (ex. PepsiCo, PT) e nas acções de RS
promovidas pela Ace European Group Limited.
A avaliação do PDS 2010-2013 mostrou que as metas estipuladas
ao nível das responsabilidade social fracassaram, devido a
factores de natureza socioeconómica e estratégica das
organizações. Apesar de não ter sido possível concretizar o
levantamento do número total de entidades certificadas na área da
qualidade, três entidades constituíram alvo de certificação (Rede
Social de Oeiras, 9).
Análise Swot (Strengths, Weakness, Opportunities and Threats)
da CMO frente à RS:

Strenghts (Pontos positivos)


 Incorporou os conceitos, as ferramentas e as práticas da RSE na política de desenvolvimento económico,
social e ambiental do Concelho (CMO 2012, 199)
 Elevada capacidade para o trabalho em rede (CMO 2014, 78)
 Encontra-se inserida em redes europeias de Desenvolvimento Sustentável “Rede Europeia de Cidades
Saudáveis”
 Existe complementaridade de serviços envolvendo os concelhos limítrofes (ex. Cascais, Sintra e Lisboa)

Weakness (Pontos negativos)


 Dificuldades de integração dos residentes com baixa escolaridade no mercado de trabalho local (CMO
2012, 34)
 Fraca capacidade de integração dos deficientes no mercado laboral Concelhio (CMO 2012, 34)
 As iniciativas de responsabilidade social na saúde não articula as diferentes organizações de saúde do
Concelho (ex. UPCs, ACS, hospitais e clínicas médicas e de diagnóstico).
Opportunities (Oportunidades)
 Desenvolver acções de sensibilização junto dos empresários locais com vista promover a contratação de
desempregados residentes no próprio Concelho
 Realização de acções de sensibilização junto dos empregadores locais no âmbito da integração no mercado laboral de
pessoas portadores de deficiência
 Atribuição de prémios e/ou menções honrosas às empresas que adoptarem práticas empregatícias mais inclusivas
 Criação de um ranking local de empresas socialmente responsáveis

Threaths (Ameaças)
 Atribuição de recursos a projectos que não atendem as necessidades sociais e de saúde do Concelho
 Fraca participação das empresas do Concelho nos projectos de valorização territorial
 As instituições sociais continuarem dependentes das fontes de financiamento públicas para sobreviverem
 A ausência de uma estratégia municipal de mobilização do sector da saúde para a responsabilidade social
Obrigada pela vossa atenção!
mfreitas@fcsh.unl.pt