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Avaliação fisioterapêutica

em pediatria

Alunos: Daisy, Gilvaneide, Joana, Marco, Robson e Vanessa.


Prof: Daniel Ribeiro – Estágio V
 Processo contínuo de coleta e organização de informações;
 Diagnóstico e prognóstico;
 Planejamento de tratamento;
 Equipe multidisciplinar.
Classificação

 O recém-nascido é aquele com idade entre zero a 28 dias;


 O lactente possui idade entre 28 dias a dois anos;
 A primeira infância se inicia após os dois anos.

 O domínio destes períodos é fundamental na avaliação e tratamento dos


pacientes que se enquadram nesta especialidade, no que diz respeito aos
parâmetros hemodinâmicos e ventilatórios. Há uma grande diversidade anatômica
e fisiológica nos órgãos e sistemas de pacientes pediátricos e neonatos em
relação aos adultos.
Métodos básicos de avaliação

 Entrevista
 Anamnese
 Observação clínica geral da criança.
É importante avaliar

 Aspectos de comportamento;
 Aspectos de comunicação;
 Aspectos de compreensão;
 Aspectos de controle postural e alinhamento;
 Uso dos membros e mãos;
 Aspectos sensoriais;
 Forma de locomoção;
 Deformidades.
Exame físico
 Devemos avaliar:

 Tônus muscular;
 Trofismo;
 Reflexos osteotendinosos;
 Equilíbrio (Escala de Equilíbrio Pediátrica (EEP);
 Coordenação motora;
 Mobilidade;
 Grau de força muscular;
 Sensibilidade;
 Posturas e transferências;
 Marcha.
EXAME FÍSICO
 Avaliação do tônus muscular: Observação, palpação e movimentação
passiva. ( Escala de Ashworth)
 Como avaliar?
 Músculo espástico aumenta a resistência oferecida para os movimentos mais
velozes;
 A rigidez oferece uma resistência constante;
 Padrões motores estereotipados, movimentos flutuantes involuntários e
ausência de movimentos espontâneos indicam anormalidade do tônus ->
alterado, aumentado ou diminuído;

 Avaliação do Trofismo Muscular: Observação, palpação e perimetria.


 É relativo á quantidade de massa muscular -> atrofia/hipotrofia, hipertrofia e
pseudohipertrofia.
 Avaliação dos reflexos osteotendinosos: Realizada através da percussão dos tendões ->
bicipital, estilorradial, tricipital, patelar e aquileu.
 Como avaliar?
 0 = sem resposta; sempre anormal ( arreflexia)
 1+ = resposta leve, mas presente ( hiporreflexia)
 2+ = uma resposta viva; normal
 3+ = uma resposta viva aumentada ( hiperreflexia)
 4+ = clônus presente; sempre anormal
 Avaliação do equilíbrio estático e dinâmico: Observação da manutenção do equilíbrio
em ortostatismo e durante a marcha;
 Como avaliar?
 Sinal de Romberg e escala de equilíbrio pediátrica ( EEP);
 A escala de equilíbrio pediátrica avalia o equilíbrio de crianças de 5 a 15 anos, com tempo
de aplicação de 15 min usada para crianças com PC níveis I e II.

 Avaliação da coordenação: Testes específicos onde o paciente não consegue atingir o alvo
ou faz de modo imperfeito -> dismetria
 Como avaliar?
 Index-nariz, calcanhar-joelho.
 Avaliação do grau de força muscular: Resistência contra cada grupo muscular.
 Como avaliar?
 Através da escala MRC

 Avaliação da mobilidade: Testes simples de flexibilidade e goniometria


 Avaliação de sensibilidade:
 Superficial -> tátil, térmica e dolorosa (algodão, tubo com água gelada e alfinete)
 Profunda -> cinético-postural , barestésica, dolorosa ( profunda e vibratória- diapasão)

 Avaliação de posturas e transferências: Capacidade de assumir e manter independentemente


uma postura e de realizar transferências de postura com ou sem auxílio.
 Avaliação da marcha: Pede-se para o paciente andar uma certa distância e retorne sob a
observação do terapeuta.
 Atenção!
 Desequilíbrios musculares, desvios laterais da pelve e tronco, marchas patológicas.
Exame Físico Geral do RN
Avaliação do Lactente
 Conhecimento da sequência normal do desenvolvimento motor
 Marcos motores;
 Reflexos;
 Reações posturais

 Obs: A avaliação é baseada na observação de comportamentos MOTORES espontâneos da


criança.
Desenvolvimento motor normal
Marcos Motores
 O desenvolvimento motor é caracterizado por uma série se marcos. Os marcos motores são
capacidades que a criança adquiri antes de avançar para outras etapas mais difíceis, ou
seja, é um acontecimento na linha do tempo do desenvolvimento de 0 a 1 ano.
Avaliação dos reflexos primitivos
 Reflexo de gallant: Como avaliar?
 Com o bebê em prono, tocar a pele ao longo da coluna vertebral gerando uma flexão
lateral do tronco para o lado estimulado. ( 30 semanas de gestação a 2 meses.
 Reflexo tônico labiríntico: Quando o bebê está em DV o corpo e os membros ficam em
extensão, e em DD, o corpo e os membros ficam em flexão ( RN aos 6 meses);
 Reflexo de babinsk: estímulo na planta do pé do calcanhar até os artelhos com resposta de
extensão dos dedos em leque (RN até 2 anos);
 Reflexo de moro: Realizar um estímulo de queda súbita da cabeça em extensão e a
resposta é MMSS ficam em abdução com dedos estendidos e em seguida adução cruzada
(28 semanas de gestação até 5/6 mês);
 Reflexo de sucção: toca-se o lábio ou bochechas e a resposta é movimentos de sucção dos
lábios e língua (RN até 4 meses);
 Reflexo de busca: tocar a região perioral da criança com fome e a resposta é deslocar a
face e os lábios pro mesmo lado ( RN até 3° mês);
 Reflexo de Marcha: Colocar a criança na posição ereta com os pés em superfície firme e a
resposta é o início da marcha automática (RN até 2° mês);
 Reflexo de preensão palmar: realizar pressão na palma da mão com resposta de flexão
dos dedos causando apreensão (RN até 3/4° mês);
 Reflexo tônico cervical assimétrico: Realizar rotação lateral da cabeça em DD com
resposta de aumento do tônus extensor do lado que a cabeça foi rodada e aumento do tônus
flexor do lado oposto (RN até 6° mês);
 Reflexo tônico cervical simétrico: estímulo de flexão ou extensão da cervical. F: os
braços flexionam e quadril extende. E: os braços estendem e quadril flexiona (2° mês ao 6°
mês);
 Reflexo de para quedas: Segurar a criança pela cintura de ponta cabeça com rapidez, a
resposta é extensão dos braços e apoio das mãos ( inicia no 6° mês com + evidência aos 9).
Avaliação das reações posturais

 A avaliação das reações posturais são feitas através da observação da criança.


 As reações posturais são um conjunto de respostas que agem de forma cooperativa para
manter a orientação postural
 1° reação postural : reação de retificação ou endireitamento;
 2° reação postural: reação de equilíbrio;
 3° reação postural: reação de proteção ou apoio.
 Essas reações ocorrem em sequência, de acordo com cada etapa do desenvolvimento
motor.
Testes de desenvolvimento

 Testes seletivos de desenvolvimento;


 Teste de função motora;
 Avaliação de capacidades funcionais.
 Objetivos dos testes de desenvolvimento:
 Promover intervenção precoce, auxiliar nó diagnóstico (área do desenvolvimento afetada),
orientar um programa de intervenção, monitorizar os progressos funcionais (reavaliação e
alta terapêutica)
Testes seletivos do desenvolvimento
 Usados para identificar déficits no desempenho de uma criança;
 Utilizados para identificar crianças saudáveis das que não são;
 TESTE DE DESENVOLVIMENTO MOTOR DE MILANI-COMPARETTI :
 Tem o propósito de identificar uma disfunção motora em crianças ao nascimento até os 2
anos de idade e estabelecer a base de um programa de intervenção precoce;
 TESTE SELETIVO DE DESENVOLVIMENTO DE DENVER (TSDD) E DENVER
II:
 Não é utilizado para diagnóstico, mas sim para identificar desvios no desenvolvimento que
precisem de intervenção. População alvo: crianças entre o nascimento até os 6 anos de
idade;
Testes de função motora
 São usados para avaliação do comportamento motor;
 Avaliação da função motora ampla e da função motora fina;
 TIMP (Test of Infant Motor Performance):
 Avalia a postura e o movimento em lactentes (controle de cabeça e de tronco, controle
seletivo do MMSS e MMII), feito em lactentes pré-termo e a termo de 34 semanas até os 4
meses. Realizado em U.T.I neonatal.
 ESCALA MOTORA INFANTIL DE ALBERTA:
 Avalia a evolução das aquisições motoras amplas em lactentes, feito em lactentes nascidos
a termo e pré-termo até os 18 meses de idade.
 MEDIDA DE FUNÇÃO MOTORA AMPLA (GMFM):
 Avalia a função motora da criança como habilidades atuais, quantifica mudanças nessa
função ao longo do tempo.
 ESCALA DE DESENVOLVIMENTO MOTOR DE PEABODY:
 Avalia a execução das habilidades motoras fina e ampla de crianças até ≈ 7 anos de idade.
 (PDMS) TESTE DE PROFICIÊNCIA MOTORA DE BRUININKS-OSERETSKY
(BOT):
 São 46 itens agrupados em 8 subtestes -> medidas específicas da motricidade AMPLA e da
motricidade FINA;
 População-alvo -> Crianças de 4 anos e ½ até 14 anos normais ou com deficiência;
Testes de capacidades funcionais
 Avaliação das habilidades essenciais no ambiente da criança no lar ou escola;
 Instrumentos de avaliação funcional contém: Itens de mobilidade, transferência,
autocuidados e função social;
 Incorporam estágios de desenvolvimento de alcance de habilidades funcionais.
 PEDI – Inventário de incapacidades:
 Avalia o desempenho funcional de crianças no campo do autocuidado, mobilidade, função
social. Público alvo -> criaças com 6 m. aos 7 anos.
 WeeFIM – Medidas de independência funcional :
 São 18 itens em 6 áreas ou campos: autocuidado, controle esfincteriano, mobilidade,
locomoção, comunicação, cognição social. Público alvo-> crianças de 6m. Aos 7 anos.
ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA EM UTI NEONATAL

 Tem por objetivo manter, melhorar e/ou recuperar a função de recém-nascidos,


lactentes e crianças;
 Manutenção da via aérea natural e artificial e da mecânica respiratória;
 Manutenção das vias aéreas pérvias, por meio de procedimentos de reexpansão
pulmonar, desobstrução brônquica e posicionamento;
 Auxílio no processo de desmame ventilatório, com os cuidados necessários em
todas as faixas etárias dos pacientes neonatos e pediátricos;
 Realização da extubação após avaliação prévia da condição clínica dos pacientes;
 Realização da admissão, evolução e alta fisioterapêutica dos pacientes neonatos
e pediátricos;
 Os recém nascidos internados em unidades neonatais estão sob risco de desenvolver
disfunções respiratórias, osteoarticulares ou do neurocomportamento, necessitando de
assistência fisioterapêutica para prevenção, tratamento e encaminhamentos;
 Assim o terapeuta dispõe de recursos e técnicas específicas respeitando as diferenças
anatômicas do neonato;
 Previamente a qualquer intervenção, o terapeuta deverá realizar uma avaliação criteriosa
para traças seu plano de tto.
Avaliação em UTI neonatal
 Avaliação Respiratória: FR, ritmo respiratório, expansibilidade torácica e simetria, tipos
de tórax e sinais de desconforto respiratório, padrão respiratório, ausculta pulmonar,
oximetria de pulso, secreção pulmonar (presença, aspecto e quantidade), necessidade de
O2 suplementar ( tipo de equipamento necessário e aporte necessário), necessidade de
VMI ou VMNI;
 Inspeção Geral: pele e presença de lesões, presença de sondas, cateteres e acessos
venosos, tônus e trofismo muscular, presença de sinais de dor;
 Avaliação de reflexos;
 Avaliar déficits motores e limitações articulares: presença de malformações, posturas
inadequadas;
 Avaliar sensibilidade;
 Avaliação neurocomportamental: Escala de Dubowitz-Dubowitz
Monitorização da mecânica respiratória
 Frequência cardíaca e respiratória;
 Saturação;
 Gasometria arterial;
 Pressão alveolar e suas derivações;
 Resistência e Complacência do sistema respiratório;
 Volume Inspiratório e Expiratório;
 Pico de Fluxo Expiratório;
 Pressão Inspiratória Máxima;
 Parâmetros Ventilatórios programados.
 Considerando as diferenças anátomofuncionais do RN haverá diferenças das variáveis em
relação ao adulto;

 A laringe de pequeno diâmetro e elevada faz com o que o RN respire pelo nariz até o 4°
mês de vida.
 Faringe + maleável, arcos costais com excesso de cartilagem, musculatura intercostal com
tônus reduzido e o diafragma com maior n° de fibras sensíveis à fadiga tornam essas
variáveis diferentes em relação ao adulto.
 A monitorização da saturação de oxigênio (SpO2) é considerada o 5° sinal vital em
unidades de tratamento intensivo neonatal (UTINs);
 A SpO2 normal em RN saudáveis em ar ambiente é > 93% e varia com a idade pós-natal;

 Nas UTINs, a administração de O2 tem o objetivo de manter valores de SpO2 iguais de


RN saudáveis em aa, mas isso pode conduzir períodos de hiperoxemia;
 A saturação do RN como ideal é em torno de 90 a 94%, ficando sempre atento e em vigília.
 Estudos recentes: Valores baixos de SpO2 diminuem a severidade de retinopatia da
prematuridade.
FIM
 Referências:
 TECKLIN, J. S. Fisioterapia Pediátrica. 3° ed. Porto Alegre: Artmed. 2002.
 POUNTNEY T. Fisioterapia Pediátrica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008, 372 p.
 Organização Pan-Americana da Saúde. Manual para vigilância do desenvolvimento
infantil no contexto da AIDPI. FIGUEIRAS, A.C.; SOUZA, I.C.N. DE; RIOS, V.G.;
BENGUIGUI, Y. (Org). Washington, D.C.: OPAS, 2005, 52p.
 SANVITO, W.L. Propedêutica Neurológica Básica. 2 ed. São Paulo: Atheneu, 2010, 288 p.
 RIES, L. G. et al. Adaptação cultural e análise da confiabilidade da versão brasileira da
Escala de Equilíbrio Pediátrica (EEP). Ver. Bras. Fisioter., São Carlos, 2012, 16 (3): 205-
215.
 WALKER,H. K. Deep Tendon Reflexes. In: Clinical Methods: The History, Physical and
Laboratory Examinations. 3ed. WALKER HK, HALL WD, HURST JW (ed). Boston:
Butterworths; 1990, p 365-368.
 MÉLO, T. R. Escalas de Avaliação do desenvolvimento e habilidades motoras: AIMS, PEDI,
GMFM e GMFCS ( capítulo 2). In: Castilho-Weinert e Forti-Bellaine (Eds). Fisioterapia em
Neuropediatria. 2011. Disponível em:
 http://omnipax.com.br/livros/2011/FNP/FNP-cap2.pdf
 HERRERO, D. et al. Escalas de desenvolvimento motor em lactentes: Test of Infant Motor
Performance e a Alberta Infant Motor Scale. Rev. Bras. Cresc. e Desenv. Hum. 2011; 21(1):
122-132. Disponível em:
 http://www.revistas.usp.br/jhgd/article/viewFile/20001/22087
 SPOSITO, M. M. DE MELLO, RIBERTO, M. Avaliação da funcionalidade da criança com
paralisia cerebral espástica. Acta Fisiatr. 2010; 17(2): 50 – 61. Disponível em:
 http://www.actafisiatrica.org.br/detalhe_artigo.asp?id=53# Can Child – Center for Childhood
Disaility Research. http://www.canchild.ca/en/

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