Você está na página 1de 65

Autoperdão

Bibliografia

Estude e viva – Emmanuel


Renovando atitudes – Hammed
Os prazeres da alma - Hammed
Reforma íntima sem martírio – Ermance Dufaux
Emoções que curam – Ermance Dufaux
O Consolador – Emmanuel
O evangelho segundo espiritismo – Allan Kardec
O Céu e o Inferno – Allan Karde
Messe de amor – Joana de Ângelis
PERDÃO

O ódio e o rancor
quando instalados no
coração impedem, que
se veja a luz. A falta de
perdão pelas faltas
alheias impede a
caminhada para a
evolução.
O orgulho ferido, não permite
que se olhe o irmão como um
espírito em aprendizado, com
imperfeições a serem
transformadas. Olha-se para o
outro apontando suas falhas e
erros, mas não percebe o
mesmo em si, o outro não
merece perdão, mas exige-se
ser perdoado.
Todos falham, erram e
acertam; Jesus disse
perdoe os inimigos
enquanto caminham
juntos, porque levar
para além túmulo o
sentimento de ódio e
vingança o envolverá
em trevas, retardando o
seu caminhar para o
aprendizado e
transformação.
Cada um é responsável pelos seus atos e responderá por eles, não cabe ao outro julgar.
Deus dá aos Seus filhos a oportunidade do resgate de suas faltas, que se busque
nessa oportunidade a melhora moral, não cometendo os mesmos erros.
“Antes de julgar alguém, deveremos conhecer
todo o seu passado desde seu nascimento, e
ainda conhecer todas as suas encarnações
anteriores. Para saber entender as razões que
levaram esta pessoa a cometer determinada
ação”. Joanna de Ângelis.
A misericórdia do Criador permite a todos rever sua conduta, avaliar e mudar. Busque
nas oportunidades do aprendizado da convivência relevar as ofensas. A mágoa e o
rancor machucam apenas aquele que as sente. Assim o perdão faz bem a quem
perdoa.
Perdoar não é concordar
com a ação negativa que
nos feriu. É fazer a escolha
de seguir em frente
sabendo que aquela ação
não define quem nós
somos. Nós somos muito
maiores que a traição, a
raiva e a ira. E sendo assim,
escolhemos perdoar e ser
livres. (Kátia Anaguivara)
Emmanuel - Estude e viva

Nas menores questões de


ressentimento, sujeitemo-nos a
desapaixonado autoexame. Quem
sabe a reação surgida contra nós
terá nascido de ações
impensadas, desenvolvidas por
nós mesmos?
Allan Kardec, em sua Obra O Céu e o Inferno, Primeira Parte, Cap. VII - O
Código Penal da Vida Futura.

Dividido em 33 itens que reforçam a Justiça da Lei de Deus, quando


esclarece com profundidade que todos os nossos atos que prejudicaram o
outro e não foram alcançados pela Lei dos homens, enquanto encarnados,
o serão pelo Tribunal Divino de nossas consciências que fará que tudo “até
o último ceitil” seja liquidado pelo infrator.
Os parágrafos 16 e 17, do Código Penal da Vida Futura , indicam-nos o caminho da
reabilitação moral em sua totalidade.   Tal reabilitação só é conseguida após a
passagem do Espírito em três patamares de situações bem distintas, constituídas
pelo arrependimento, pela expiação (desconforto e sofrimento moral pelo equívoco)  e
pela reparação:

O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da


reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. 
Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação.

A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não
repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má vontade, achar-se-á numa
existência ulterior em contato com as mesmas pessoas que de si tiverem queixas, e em
condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e
fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito.
Livro dos Espíritos, questão 998 “A expiação se cumprirá mediante as
provas da vida corporal e, na vida espiritual pelos sofrimentos morais
inerentes a nossa inferioridade”.

Já o resgate de nossas faltas se dará durante o estado corporal quando é


mais propício o acerto com o adversário, pois Jesus foi claro quando disse
“reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele” e os
mais renitentes e rancorosos só com o tempo farão essa reflexão e o
avanço através da Lei de Progresso e do amor de Deus, que deixa sempre
aberto o caminho da redenção, e fará que cada um a seu tempo, vá
viabilizando formas de evoluir, pois quanto maior a demora, maior o
sofrimento !
Joanna de Ângelis (Messe de Amor):

“(...) Mantém a serenidade no íntimo e roga as dádivas da paz, no futuro; mas suplica,
sobretudo, coragem e humildade no resgate, abraçado ao amor puro e simples que te
alçará, de alma feliz, ao serviço livre em favor de todos os companheiros a quem deves.

(...) O que muitas vezes tem aparência de desgraça, quase sempre é resgate
intransferível e valioso que assoma à alfândega do devedor, cobrando-lhe os débitos
livremente assumidos e aceitos.

(...) Mentes vinculadas entre si por estranhas amarras de ódio, ciúme e inveja que
incendeiam paixões, são reunidas novamente em Vidas Futuras, atravessando os
portais da Imortalidade, através de resgates coletivos, como coletivamente espoliaram,
destruíram, escarneceram, aniquilaram...”
Se do balanço de
consciência estivermos em
débito para com os outros,
tenhamos suficiente
coragem de solicitar-lhes
desculpas, diligenciando
sanar a falta cometida e
articulando serviço que nos
evidencie o intuito de
reparação.
Se nos sentirmos realmente feridos
ou injustiçados, esqueçamos o mal.
Na hipótese de o prejuízo alcançar-
nos individualmente e tão somente
a nós, reconheçamo-nos igualmente
falíveis e ofertemos aos nossos
inimigos imediatas possibilidade de
reajuste.
Se, porém, o dano em que formos envolvidos atinge a coletividade,
cabendo à justiça e não a nós o julgamento do golpe verificado, é
claro que não nos compete louvar a leviandade. Ainda assim,
podemos reconciliar-nos com os nossos adversários, em espírito,
orando por eles e amparando-os por via indireta, a fim de que se
valorizem para o bem geral as tarefas que a vida lhes reservou.
De qualquer modo, evitemos estragar o pensamento
com o vinagre do azedume. Nem sempre
conseguimos jornadear nas sendas terrestres junto
de todos, porquanto, até que venhamos a completar
o nosso curso de auto burilamento no instituto da
evolução universal, nem todos renasceremos
simultaneamente numa só família, nem lograremos
habitar a mesma casa.

Caso de Silas – Ação e Reação.


Sigamos, assim, de nossa parte, dia afora,
em harmonia com todos, embora não
possamos a todos aprovar, entendendo e
auxiliando desinteressadamente aqueles
diante dos quais ainda não temos o dom
de agradar em pessoa e rogando a
bênção divina para aqueles outros junto de
quem não nos será lícito apoiar a
delinquência ou incentivar a perturbação.
Hammed – Renovando atitudes

Auto perdão

Toda e qualquer postura que assumimos na vida se


prende à maneira de como olhamos o mundo fora e
dentro de nós, podendo nos levar a uma sensação íntima
de realização ou de frustração, de contentamento ou de
culpa, de perdão ou de punição, de acordo com nosso
código moral modelado na intimidade de nosso psiquismo.
Nosso “julgador interno” foi formado sobre
as bases de nossos conceitos
acumulados nos tempos passados das
vidas incontáveis, também com os pais
atuais, com os ensinamentos de
professores, ou líderes religiosos, com o
médico, com as autoridades políticas de
expressão, com a sociedade enfim.
Também, de forma sutil e quase inconsciente,
no contato com informações, ordens, histórias,
superstições, preconceitos e tradições
assimilados dos adultos com quem convivemos
em longos períodos de nossa vida. Portanto,
ele, o julgador interno, nem sempre condiz com
a realidade perfeita das coisas.
Essa “consciência crítica” que julga e cataloga nossos
feitos, autocensurando ou auto aprovando, influencia a
criatura a agir da mesma maneira que os adultos agiram
sobre ela quando criança, punindo-a, quando não se
comportava da maneira como aprendeu ser justa e
correta, ou dando toda uma sensação de aprovação e
reconforto, quando ela agia dentro das propostas que
assimilou como sendo certas e decentes.
A gênese do não perdão a si mesmo
está baseada no tipo de informações e
mensagens que acumulamos por meio
das diversas fases de evolução de
nossa existência de almas imortais.
Podemos experimentar culpa e
condenação, perdão e liberdade de acordo
com nossos valores, crenças, normas e
regras vigentes, podendo variar de
indivíduo para indivíduo, conforme seu
país, sexo, raça, classe social, formação
familiar e fé religiosa. Entendemos assim
que, para atingir o auto perdão, é
necessário que a criatura reexamine suas
crenças profundas, sob a natureza do seu
próprio ser, estudando as leis da Vida
Maior, bem como as raízes de sua
educação na infância atual.
Uma das grandes fontes de auto agressão
vem da busca apressada de uma perfeição
absoluta, como se todos devêssemos ser
deuses ou deusas de um momento para o
outro. Aliás, a exigência da perfeição é
considerada a pior inimiga da criatura, pois a
leva a uma constante hostilidade contra si
mesma, exigindo-lhe capacidades e
habilidades ainda não adquiridas por ela.
Se padrões muito severos de censura foram estabelecidos por
pais perfeccionistas à criança, ou se lhe foi imposto um senso
de justiça implacável, entre regulamentos disciplinadores e
rígidos, provavelmente ela se tornará um adulto inflexível e
irredutível para com os outros e para consigo mesmo.
Exercícios para o auto perdão:

- Exercitar a auto aceitação por meio do perdão.


- Fazer as pazes com as imperfeições.
- Abandonar os padrões fixos e aprender a se valorizar
com respeito.
- Descobrir sua singularidade e vivê-la com gratidão.
- Coragem para descobrir seus desejos, tendências e
sentimentos.
- Munir-se de informações sobre a natureza de suas
provas.
- Aprender a ouvir com atenção o que se passa em
sua volta.
- Dominar o perfeccionismo nutrindo a certeza de que
ser falível não nos torna inferiores.
- Valorizar efetivamente as suas vitórias.
- Descobrir qualidades, acreditar nelas e colocá-las a
serviço das metas de crescimento.
Quando sempre esperamos perfeição em tudo
e confrontamos o lado “inadequado” de nossa
natureza humana, nos sentiremos fatalmente
diminuídos e envolvidos por uma aura de
fracasso. Não tomar consciência de nossas
limitações é como se admitíssemos que os
outros e nós mesmos devêssemos ser
oniscientes e todo-poderosos. Afirmam as
criaturas: “Recrimino-me por ter sido tão
ingênuo naquela situação”, “Tenho raiva de
mim mesmo por ter aceitado tão facilmente
aquelas mentiras”. São maneiras de expressar
nossa culpa e o não perdão a nós mesmos,
exigências desmedidas atribuídas às pessoas
perfeccionistas.
A desestima de nós próprios nasce quando nós não nos aceitamos como
somos. Somente a auto aceitação leva a criatura a sentir uma plena
segurança frente aos fatos e às ocorrências do seu cotidiano, ainda que os
indivíduos a seu redor não a aceitem e nem entendam suas melhores
intenções.
O perdão concede a paz de espírito, mas essa concessão nos
escapará da alma se estivermos presos ao desejo de dirigir
os passos de alguém, não aceitando o seu propósito de viver.
Perdoar-nos resulta no amor a nós mesmos, o pré-requisito
para alcançarmos a plenitude do bem viver.
Perdoar-nos é não importar-nos com o que fomos, pois a
renovação está no instante presente e o que importa é como
somos agora e quais são as determinações atuais para o nosso
progresso espiritual. Perdoar-nos é conviver com a mais nítida
realidade, não se distraindo com as ilusões de que os outros e
nós mesmos “deveríamos ser” algo que imaginamos ou
fantasiamos.
Perdoar-nos é compreender que os
que nos cercam são reflexos de nós
mesmos, criações nossas que
materializamos com nossos
pensamentos e convicções íntimas.
Perdoar aos inimigos é pedir perdão
a si mesmo quer dizer: enquanto
nós não nos libertamos da
necessidade de castigar e punir ao
próximo, não estaremos recebendo
a dádiva da compreensão para o
autoperdão.
“...porque se sois duros, exigentes, inflexíveis, se tendes rigor mesmo
por uma ofensa leve...” como haveremos de criar oportunidades
novas para que o “Divino Processo da Vida” nos fecunde a alma com
a plenitude do amor a fim de que possamos perdoar-nos?
Ermance Dufaux – Reforma Íntima sem martírio

Auto perdão

Aceitação, para ser plena precisa do perdão. Recomeço é a palavra


de ordem nos serviços de transformação pessoal. Sem ela o
sofrimento e o flagelo poderão estipular provas dolorosas para a
alma. É uma postura de perdão às faltas que cometemos, mas que
gostaríamos de não cometer mais.
Conviveremos bem com os outros
na proporção em que estivermos
convivendo bem conosco mesmos.
A adoção de uma ética de paz, no
transcorrer da metamorfose de nós
mesmos, será medida salutar no
alcance das metas que almejamos,
ao tempo em que constituirá
garantia de bem-estar e motivação
para a continuidade do processo.
Interiorização é aprender a
convivência pacífica e
amorável com nossas
mazelas. É aprender a
conviver consigo por meio de
incursões educativas no
mundo íntimo, treinando o
autoamor, aprendendo a
gostar de si mesmo para amar
tudo o que existe em torno de
nossos passos.
Aceitemos nossas imperfeições e
devotemo-nos com sinceridade e
equilíbrio ao processo renovador.
Estejamos convictos de um ponto
em matéria de melhoria
espiritual: só faremos e seremos
aquilo que conseguirmos, nem
mais nem menos.
Melindre

Melindre é a reação neurótica às ofensas. O estado


afetivo doentio de fragilidade que se dilate à medida e
a natureza das agressões que sofremos do meio.
Pequenas atitudes ou delicadas situações são
motivos suficientes para que o portador do melindre
se agaste terrivelmente, fechando-se em corrosivo
sistema de mágoa e decepção com os fatos e as
pessoas que lhe foram motivo de incômodo e
contrariedade. Assim, aumenta a intensidade do fato e
desgasta-se afetivamente com imaginações febris
sobre a natureza das ocorrências que o afetaram.
A mágoa é o peso magnético nascido das
ofensas transportadas conosco dia após dia,
causando-nos males no corpo e no espírito.
Deixemos claro que na raiz do melindre e da
ofensa está o orgulho. “Julgando-se com
direitos superiores, melindra-se com o que
quer que, a seu ver, constitua ofensa a seus
direitos. A importância que, por orgulho,
atribui à sua pessoa, naturalmente o torna
egoísta” (Allan Kardec, Obras Póstumas).
O que importa a todos nós é o ingente
trabalho de renovação no campo dos
nossos interesses. Afeiçoar-se com mais
devoção a aceitar as vicissitudes da vida,
com resignação e paciência, fazendo o
melhor que pudermos a cada dia em
busca da recuperação pessoal, otimismo
ante os reveses, trabalho perante as
perdas, confiança e boa convivência com
amigos de ideal, serviço de amor ao
próximo, instrução consoladora, fé no
futuro e boa dose de humildade são as
medicações para ofensas e ofendidos na
doença do melindre.
Ofender-nos é impulso natural em
visa dos direcionamentos que
criamos nas rotas do egoísmo.
Contudo, Deus não criou um sistema
de punições para seus filhos, e nos
concede, a todo instante, o direito de
perdoar. E perdoar, acima de tudo,
significa aprender a aceitar sua
Vontade Sábia e Justa em favor de
nossa paz, na construção de dias
mais plenos em sintonia com os
grandes interesses do Pai.
Ermance Dufaux – Emoções que curam

Ajuste de contas

O propósito dos encontros cármicos é salvar e


libertar todos os envolvidos nos conflitos
conscienciais. Muitos assimilaram uma noção da
lei de causa e efeito muito carregada de justiça,
como se a proposta da lei divina fosse fazer-nos
passar pela mesma intensidade de sofrimento
que causamos ao outro, quando, em verdade, o
objetivo é oferecer chance da libertação
consciencial pelos caminhos da misericórdia e do
amor.
O amor é um aprendizado. Amor a si,
amor ao próximo e amor a Deus são
princípios universais de orientação na
evolução e a todos é destinado esse
aprendizado no campo do
aprimoramento espiritual. Entretanto,
para cada espírito, o mapa de
estratégias desse aprendizado é muito
diverso e toma dimensões de
conformidade com seu nível de
amadurecimento moral e espiritual.
Somos ainda essencialmente julgadores e esses julgamentos
mantêm nossos corações fechados e nos separam dos outros. Nós nos
afastamos por meio de uma presunção de superioridade ou nos isolamos
estabelecendo nossa inferioridade. Ou diminuímos e julgamos a nós
mesmos e nos tornamos ‘errados’, ou projetamos a separação de nosso
self, tornando os outros errados e criando bodes expiatórios para carregar o
fardo de nossas inseguranças e medos.
André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier, nos mostra as
consequências de não perdoar pela ótica espiritual. Em várias
passagens ele exibe cenário, personagens e as consequências,
ficando claro que o perdão, quando não concedido pela alma na
Terra, pode significar a continuidade da animosidade e do desforço
entre as partes envolvidas nos dois planos da vida. Constatamos
esse fato nas Assistências espirituais de desobsessão.
Nesse aspecto, continua atualíssima a advertência de Jesus
quando nos ensina “reconciliai-vos o mais depressa com o vosso
adversário, enquanto estais com ele no caminho”.
No livro “Liberta-te do Mal”, Joanna de Ângelis afirma que sem o
equilíbrio psicofísico, ou seja, do corpo e da mente, muito difícil se torna
o autoconhecimento, o discernimento e a consciência ante os desafios
da existência. Assevera ainda que são inúmeros os males causados aos
tecidos nervosos quando as criaturas reincidentemente cultivam ideias
nocivas. Pessimismo, mágoa, desejo de vingança, ciúme, rebeldia
emocional transformam-se em tóxicos destrutivos para o organismo,
agredindo células e abrindo espaço para a contaminação bacteriológica.
Depressões e distúrbios do pânico, ansiedades e angústia também são
produtos do cultivo de sentimentos desalinhados na nossa mente.
O sentido de minorar esses desequilíbrios, ela indica a terapêutica
do perdão das ofensas. Lembra, que praticarmos o perdão não significa
que o ofensor ficará liberado da responsabilidade do ato ignóbil praticado,
e orienta que não deixemos que a mágoa peça conta ao ofensor em
apelos de justiça feitos por nós à Divindade. O ofensor é o infeliz. Ela
pondera que, em certos casos, muitos dos que nos combatem gostariam
de estar em nosso lugar, ou fazer o que fazemos, mas verificando essa
impossibilidade, ao invés de crescerem moralmente, apedrejam-nos o
nome. Recorda-nos, ainda, que tudo o que acontece tem uma finalidade
útil no caminho do nosso aprimoramento.
O auto perdão consiste em fazer o nosso melhor hoje, abandonar as mágoas do passado e
curar as dores do presente e, ao mesmo tempo, legitimar nossos projetos de vida para o
futuro. O passado passou e o único momento que temos é o agora. Basta utilizarmos o
perdão e, imediatamente, começaremos a sentir conforto e alívio, pois descarregamos os
pesados fardos de culpa, vergonha e perfeccionismo.
Quando erramos, é necessário
primeiramente admitir as nossas
fraquezas e, em seguida, pedir aos outros
que relevem nossas falhas. Somente a
partir desse ponto, é que começamos a
desfazer as técnicas defensivas e a
facilitar a boa comunicação, evitando,
assim, a morte do diálogo reconciliador.
O auto perdão é um estado da alma que emerge de
nossa intimidade, fazendo-nos aceitar tudo que somos
sem nenhum prejulgamento. É quando passamos a
entender que nossos aparentes defeitos são, só e
exclusivamente, potenciais a ser desenvolvidos. Por
sinal, o julgamento precipitado pode vir a ser o "fracasso
da compreensão", porque perdoar é, acima de tudo, a
habilidade de compreender dificuldades.
À medida que perdoamos nossos desacertos, começamos
também a perdoar as faltas dos outros. Quanto mais
compreendermos o outro, avaliando e validando o que ele
pensava e como se sentia na hora da indelicadeza, mais
facilmente aprenderemos a nos perdoar. O ato do não-perdão
a nós mesmos nos acarreta a permanência nas sensações
desagradáveis e nas energias negativas - resquícios dos
dissabores e desencontros da vida.
Perdoar-nos leva ao cultivo do amor
a nós mesmos e, por consequência,
aos outros; enfim, é a base que
mantém a humanidade íntegra e
solidária. O auto perdão nos conduz
à aceitação plena de nossas
potencialidades ainda não
desenvolvidas - seja de natureza
intelectual, seja de natureza
psíquica e emocional - e a uma
compreensão maior de que as
experiências evolutivas nada mais
são que a soma de acertos e erros
do passado e do presente.
Os erros acabam-se transformando em lições
preciosas e deles podemos retirar as bases seguras
para o êxito no futuro. "Deus não age jamais por
capricho e tudo, no Universo, está regido por leis em
que se revelam a sua sabedoria e a sua bondade."
"A sabedoria e a bondade de Deus" se refletem constantemente nos atos
e atitudes de Jesus de Nazaré. No episódio ocorrido na casa do fariseu
Simão, uma prostituta atira-se aos pés do Mestre, cobrindo-os de beijos,
lavando-os com suas lágrimas, enxugando-os com seus cabelos e
untando-os com um óleo perfumado. Ela é perdoada incondicionalmente:
"seus numerosos pecados lhe estão perdoados, porque ela demonstrou
muito amor. Mas aquele a quem pouco foi perdoado mostra pouco amor" .
Deus estava com Jesus e Ele com o Pai; por isso amava, perdoava,
estimulava e incentivava a todos sem qualquer distinção.
A Bondade e a Sabedoria Providencial está e sempre esteve nos
amando e perdoando, não importa o grau da escala evolutiva em que
estamos situados ou o que estejamos fazendo. O amor o da
Misericórdia Divina é incondicional - não depende de nenhum tipo de
restrição ou limitação. Ama, simplesmente por amar.
Uma introspecção a respeito
desse amor incondicional
que a Divindade tem para
conosco é extremamente
importante para o auto
perdão. Se Deus nos ama e
nos aceita como somos hoje,
por que haveríamos de tomar
uma atitude contrária à
postura divina?
Entretanto, o auto perdão não significa paralisarmos nossas
atividades evolutivas, acomodando-nos em nossas deficiências,
fragilidades ou incapacidades, mas, sim, libertar-nos dos fardos
pesados da autopunição que carregamos desnecessariamente.
O auto perdão nos traz paz de espírito, habilidade para
amar e ser amados e possibilidades para dar e receber
serenidade. Ele nos livra do cultivo de uma fixação
neurótica em fatos do passado, o qual nos impede o
crescimento no presente. Perdoar-nos elimina a ideia fixa
no remorso por algo que aconteceu ontem e a ansiedade
do que poderá ser revelado ou vir a acontecer amanhã..
No capítulo 10 de O Evangelho segundo o Espiritismo (Bem-
aventurados os misericordiosos), o apóstolo Paulo afirma:

Perdoar os inimigos é pedir perdão para si mesmo. Perdoar aos


amigos é dar-lhes prova de amizade. Perdoar as ofensas é mostrar
que se tornou melhor do que antes. Perdoai, portanto, meus amigos, a
fim de que Deus vos perdoe...
 
“Auto Perdão e Perdão significa benevolência para conosco mesmos.”
Vera Jacubowski

Ao perdoar-se a pessoa para de exigir de si mesma aquilo que não


está pronta para dar, também para de se culpar por alguns erros.
Aceitar que tem necessidades físicas, intelectuais e emocionais
distintas das dos outros e aceitar que tem todo o direito de satisfazê-
las, desde que não invada o direito dos outros.
Ser diferente às vezes nos envergonha. Por isso usamos
máscaras (que Jung chama de personas), que
consideramos aceitáveis, porque queremos ser amados e
jogamos no fundo de nos mesmos o nosso verdadeiro eu.
Essa atitude leva consigo a
autoestima e o autovalor, pois
nunca conseguimos a real
satisfação vinda do
reconhecimento do outro sobre
nosso eu verdadeiro, porque o
que conseguimos é um feed
back positivo ou negativo sobre
o que mostramos, nossa
persona. Vai daí nossa eterna
sensação de falta de amor.
Essa sensação de falta de
amor não é porque não se
tem o amor das pessoas, mas
sim porque não se tem o auto
amor, pois, por alguma razão,
queremos ser perfeitos e não
nos perdoamos por não sê-lo.
Por isso auto perdão tem a
ver com auto aceitação. Auto
perdão é viver bem consigo
mesmo.
Pilatos e Jesus defrontaram-se em níveis morais
diferentes. A astúcia e a soberba num, a sua glória
mentirosa e a sua fatuidade desmedida. A humildade
real, a grandeza moral e a sabedoria profunda no
outro, que era superior ao biltre representante do poder
terreno de César. Covarde e pusilânime, Pilatos não
lhe viu culpa, mas não o liberou, porque estava
embriagado de ilusão sensorial, lavando as mãos, em
tomo da Sua vida, porém, não se liberando da
responsabilidade na consciência. Estoico e consciente
Jesus aceitou a imposição arbitrária e infame,
deixando-se erguer numa cruz de madeira tosca, a fim
de perdoar a todos e amá-los uma vez mais,
convidando-os à felicidade.