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Os agentes do crime e

comparticipação criminosa

Astrigildo Culolo
Agentes do crime e comparticipação
• Os crimes nem sempre são cometidos por uma
só pessoa
▫ A responsabilização deve incidir sobre o grau da
participação de cada um.
• Nem todos podem ser criminalmente
responsabilizados
▫ Menores de 16 anos
▫ Os loucos
▫ Os que por qualquer motivo estiverem
acidentalmente privados das suas capacidades
Agentes do crime
• Autores

• Cúmplices

• Encobridores

• Instigadores
Autores
• Artigo 20.º do Código Penal:
▫ Excutam, no todo ou em, parte o facto punível;
▫ Constrangem outrem a cometer crime por
violência, ameaças, abuso de autoridade ou de
poder;
▫ Determinam outrem por ajuste, dádiva promessa,
ordem, pedido, ou outro meio fraudulento
▫ Aconselham ou instigam
▫ Facilitam ou preparam a execução
▫ A revogação do mandado é atenuante se a dada
antes do início da execução
Autores
• Quem, aquele que, se alguém

• Critérios pessoais
▫ Traição a pátria
▫ Violação
▫ corrupção
Autores
• Tipos de autoria:
▫ Imediata – o autor executa pessoalmente a acção:
com as proprias mãos, voz, movimentos do seu corpo,
uso de instrumentos ou máquinas, uso de animais
(Autor material) ;
•n
Mediata – o autor usa uma pessoa para a execução do
acto punivel. Essa pessoa age por coação engano,
dinheiro, etc (autor moral);
 Por vezes a pessoa usada não é imputável em absoluto, ou
dadas as suas condições pessoais pode beneficiar de
alguma atenuante (Idade, loucura, ameaças ou
erro/engano)
Autores
• Delitctum Proprium – para que o facto praticado
seja crime é necessário que o autor tenha
determinados atributos pessoais
Co-autoria
• Definição: O facto punível é praticado por mais
de uma pessoa
▫ Factor objectivo: acção conjunta, a realização em
conjunto da conduta proibida, quer se tratem de
acções sequênciais ou não. Ex. A vitima é
espancada por várias pessoas até a morte.
▫ Factor subjectivo: na altura dos factos tudos saben
da actividade um do outro e que os actos
praticados completam-se entre-si
Co-Autoria
• Tipos de comparticipação
▫ Eventual – se o tipo de crime não exige mais que
um autor. Reunem-se para praticar um crime e
são punidos de forma igual.
▫ Necessária – para a realizaçção de um
determinado ilicito penal é necessária a
comparticipação de outras pessoas. Ex. O crime de
rebelião armada
Cúmplices
• Artigo 22.º do Código Penal
▫ Aconselhara ou instigaram, sem participar no acto
de execução;
▫ Facilitaram ou prepararam a execução
▫ Teoria do bem escasso – sem esse contributo não
haveria crime
▫ O cúmplice não participa na execução nem no
planeamento
▫ O cúmplice pode ser punido independentemente
do autor;
▫ Se a tentativa é punível o cumplice também é.
Encobrimento
• Artigo 23 do Código Penal
▫ Alteram ou desfazem os vetígios do crime;
▫ Ocultam ou inutilizam provas, os instrumentos ou os
objectivos;
▫ Violam as regras do seu emprego ou profissão,
ocultando ou alterando exames;
▫ Por penhor dádiva ou qualquer outro méio auxiliam
o criminoso a desfazer-se dos vestígios do crime
▫ Dão coito ao criminoso ou facilitam a sua fuga
▫ Excepção – Cônjuge ,ascendente, descendentee
colateral ou afins atºe ao 3.º grau
Instigador
• Determina outro acometer o crime
▫ A pessoa é imputável, mas sem a pressão exercida
não teria cometido o crime;
▫ Inculca a idéia revela as possibilidades, interesse e
vantagem e acompanha de perto a tomada de
decisão;
▫ Domina completamente o instigado e incentiva-o
a cometer o crime
Agentes do crime (revisão)

• Autores - artigo 20.º CP

• Cúmplices – artigo 22.º CP

• Encobridores – artigo 23.º CP

• Instigadores
Responsabilidade criminal das pessoas
colectivas
• Novidade absoluta no direito penal continental
• Roma antiga
▫ Societas delinquere non potest
• Direito germanico
▫ Punições colectivas (famílias, clans, conventos)
• Era da renascença
▫ O indivíduo tornou-se o centro das atenções
• Revolução industrial Inglaterra e País de Gales (séc. XIX)
▫ Aumento substancial de sociedades e crescimento económico
▫ Autarquias eram condenadas frequentemente pelos desleixos)
▫ Determinadas sociedades começam a exercer certas funções das autarquias
(transportes públicos)
• Estados Unidos da América (Séc. XIX)
• Europa Continental
▫ Societas delinquere non potest
▫ Aumento das sociedades e do seu papel na economia
Responsabilidade criminal das pessoas colectivas (Cont.)

• Primeiro a punição das pessoas colectivas


acontecia no dto civil ou administrativo
• Holanda (direito fiscal, defesa do consumidor) e
por fim no Código Penal– 1976;
• França – 1994;
• Alemanha – mantém-se fiel ao modelo antigo ;
responsabilização dto administrativo
▫ Áustria e suiça têm projectos de Código
• União Europeia – a maior parte dos países
punem criminalmente as pessoas colectivas.
Responsabilidade criminal das pessoas colectivas

• Em Angola a responsabilidade criminal das


pessoas colectivas surgiu primeiro em alguma
legislação aduaneira, ;
• Está muito claramente consagrada na lei 3/14 de
10 de Fevereiro e na lei do regime jurídico dos
estrangeiros 13/19 de 23 de Maio
• Consagrada no projecto de código penal, já
aprovado
Facto punível praticado por ...

• Pessoa que tenha autoridade baseada na lei ou


estatutos
• Pessoa controlada e/ou sob autoridade do
responsável, havendo negligência ou dolo
• Qualquer pessoa, desde que do acto resultem
benefícios para a pessoa colectiva e os
responsáveis sabam, aceitem ou se conformem
Responsabilidade criminal das pessoas
colectivas
• Penas aplicáveis
▫ Principais
 admoestação
 Multa
 Dissolução
▫ Acessórias
 Injunção judiciária
 Interdição de exercício de actividade
 Privação do direito a subsídios
 Encerramento de estabelecimento
 Publicidade da decisão condenatória

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