Você está na página 1de 42

INTRODUÇÃO A TEORIA

MONETÁRIA
Continuação
MULTIPLICADOR DOS MEIOS DE
PAGAMENTO
• Bancos criam meios de pagamento adicionais -multiplicador bancário ou
dos meios de pagamento.

• Veja como se dá esse processo.

• Os bancos comerciais possuem três tipos de reservas :

• encaixes em caixa: caixas das agências bancárias.

• reservas voluntárias: mantidas no Banco Central para fins de compensação


de cheques.

• reservas compulsórias: para regulação bancária, o Banco Central estipula


obrigatoriamente a retenção de uma porcentagem dos depósitos à vista
como encaixes compulsórios, que devem ser recolhidos no Banco Central.
• Exemplo:

• Um indivíduo vai ao banco e deposita R$ 1.000,00 em sua conta.

• O banco mantém como reservas totais 20% de tudo que é depositado, emprestando o
restante.

• Dessa forma, são emprestados R$ 800,00 a uma outra pessoa.

• Esta, por sua vez, deixa depositada a totalidade desses empréstimos no próprio banco.

• Uma vez que 20% de depósitos são reservas (20% de R$ 800,00), o banco mantém R$
160,00 como encaixes e disponibiliza R$ 640,00 para emprestar a um terceiro indivíduo

• Este deixa o total de empréstimos guardado no banco como depósito.


• Suponha que a regra e o comportamento dos
clientes sejam invariavelmente os mesmos:

• Cada depósito implica 20% de reservas e 80% de


empréstimos.

• Cada empréstimo se transforma em novo


depósito como se o cliente que recebeu o
empréstimo abrisse uma conta corrente com o
empréstimo.
• Relação de progressão geométrica (PG) de
razão (q) igual a 0,8, da seguinte forma (em
reais):

• ΣDV =1.000 + 800 + 640 + 512 + 409,6 +...


• Mostra-se que os R$ 1.000,00 iniciais
possibilitaram uma expansão de depósitos para
R$ 5.000,00.

• Tendo ocorrido o sistema bancário de


empréstimos, os depósitos foram multiplicados
por cinco, que é o resultado da fração:

1/0,2
• O multiplicador será tanto maior quanto menor
for a parcela dos depósitos retidos sob a forma
de reservas bancárias.

• Quanto maiores as reservas, menos recursos o


banco terá para emprestar.

• Por conseqüência, menor será o número e o


valor de depósitos adicionais.
Atividade
Supondo que o total de encaixes (ou reservas)
bancários seja 25% dos depósitos à vista,
então calcule o multiplicador bancário dos
meios de pagamento.
MULTIPLICADOR DOS MEIOS DE
PAGAMENTO
• Agora suponha que cada cliente mantenha
10% do que recebe de empréstimos em papel-
moeda, deixando o restante sob a forma de
depósitos.

• O quadro a seguir ilustra essa situação:


• Assim, os depósitos teriam a seguinte soma:

ΣDV =1.000 + 720 + 518, 4 + 373, 24 +...

• Dessa soma infinita de termos resulta uma PG de


razão 0,72, isto é:

ΣDV = 1000/(1 - 0,72) = 1000 X 3,51714= 3.571,42


• Multiplicador bancário diminuiu em comparação
com o exemplo anterior (passou de 5 para 3,517).

• Agora, clientes usam mais papel-moeda do que


antes, reduzindo disponibilidades para
empréstimos bancários.

• Agora o multiplicador (m) assume a seguinte


expressão:
• onde:

• d = fração dos depósitos em relação ao total


dos meios de pagamento (M);

• r = reservas como fração dos depósitos à vista.


• Maior será o multiplicador dos meios de
pagamento:

• quanto maior d (relação entre o total dos


depósitos em razão do total dos meios de
pagamento)

• e quanto menor r (fração dos depósitos que são


retidos em reservas bancárias)
• O multiplicador depende em ultima instância da chamada Base
Monetária ( BM ).

• O Bacen tem o monopólio da emissão de moeda.

• Volume de dinheiro que o Bacen coloca em circulação – dinheiro


“de alto poder de expansão”.

• BM = PMPP + R

• Autoridades monetárias têm relativo controle sobre r mas nenhum


controle sobre d, que depende exclusivamente do comportamento
do público.
Instrumentos Clássicos de Controle
Monetário
• Bancos podem alterar a oferta de moeda em um país.

• Mas será que o Bacen, não pode controlar a influência dos


bancos na questão da oferta de moeda?

• A resposta é sim.

• O Bacen exerce tal controle de três modos:

a) fixação da taxa de recolhimento compulsório;


b) operações de redesconto de liquidez; e,
c) operações de mercado aberto (open market).
a) Taxa de recolhimento compulsório

• Percentual dos depósitos à vista que os bancos comerciais devem


recolher periódica e obrigatoriamente ao Banco Central.

• Afeta a disponibilidade dos recursos para empréstimos, influencia o


multiplicador bancário.

• Bacen modifica a exigência de reservas compulsórias em função do


controle monetário que visa a estabelecer.

• Contração monetária > elevação do recolhimento compulsório.

• Expansão monetária > diminuição dessa taxa.


b) Operações de Redesconto

• Empréstimo de última instância e de curtíssimo prazo que o Bacen faz


aos bancos comerciais sempre que estes estiverem com falta de
liquidez.

• O Bacen os atende, mas cobra uma taxa de juros em função desse


empréstimo.

• Essa taxa é denominada taxa de redesconto de liquidez.

• Contração monetária > aumenta a taxa de desconto.

• Expansão monetária > redução da taxa de desconto.


c) Operações de Mercado Aberto

• Open market - Bacen compra ou vende títulos do governo


no mercado de títulos.

• Contração monetária - quando o governo vende um título,


recebe o valor da venda do título em dinheiro, retira
moeda de circulação.

• Expansão monetária > quando compra os títulos do


público, está injetando moeda na economia, o que
significa aumentar a oferta monetária.
A demanda por moeda
• Ninguém quer moeda se pode manter sua riqueza em qualquer
aplicação financeira que renda juros.

• Sendo assim, quais fatores que levam à demanda por moeda?

• "demanda por moeda“ - quanto de sua riqueza ou renda as pessoas


desejam manter sobre a forma de moeda.

• A Teoria Monetária enfatiza que a demanda por moeda se dá por 3


motivos:

• transação,
• precaução e
• especulação.
Motivo Transação
• Quanto você pensa em sacar se, por exemplo,
sua ida ao banco é apenas semanal?

• Demanda-se moeda pela facilidade que ela


proporciona para efetuar transações econômicas.

• Motivo Transação - montante de moeda suposto


como o suficiente para efetuar os gastos
planejados por um certo período de tempo.
• Considerando que quanto maior a renda,
maior o nível desejado de transações,
podemos dizer que a demanda por moeda
depende positivamente do nível de renda.

• Demanda por moeda será maior quanto mais


os preços das transações se elevarem e vice-
versa.
Motivo Precaução
• A demanda por moeda por precaução se dá
porque fatos imprevistos podem ocorrer.

• Novamente, quanto mais rica for a pessoa,


maiores serão os encaixes por motivo de
precaução.

• Como a renda é a variável comum aos dois


motivos de demanda por moeda, podemos
expressar a relação da seguinte forma:
• Onde:

• Mt+pd = demanda por moeda pelo motivo transacional e


precaucional.

• Y = Renda

• K =proporção média da renda que será destinada à


retenção de moeda pelos motivos.
O motivo especulação ou portfólio
• As pessoas podem desejar reter moeda a fim de
ESPECULAR.

• Se, por um lado, a moeda não rende juros, por outro é um


ativo sem riscos e de liquidez imediata.

• Diluir os riscos > indivíduos procuram diversificar suas


aplicações.

• Motivo especulação - parcela da demanda por moeda que


o individuo guarda com objetivo de ser beneficiado por
algum ganho futuro.
• Quanto maior a taxa de juros das aplicações, menor será a propensão dos
indivíduos a manter moeda em vez de adquirir títulos.

• Assim, a demanda por moeda por motivo de especulação possui relação


inversa com a taxa de juros, ou seja:

• Mde = h i

• Mde = demanda por moeda especulativa

• h = sensibilidade do mercado diante de um aumento na taxa de juros e vice-


versa.

• i = taxa média de juros.


A função da demanda por moeda

• Ao reunir os três motivos pelos quais as pessoas


retêm moeda, temos:

Md = Mt+pd + Mde
Md = ky + hi

• Ou seja: a demanda total por moeda depende


positivamente da renda e é afetada de forma
inversa pela taxa de juros.
DEMANDA POR ENCAIXES REAIS
• As pessoas retêm moeda não pelo seu valor
nominal

• Importante é a demanda real, o poder de


compra da quantidade de moeda de que se
precisa para fazer frente aos gastos.

• As pessoas não sofrem de ILUSÃO


MONETÁRIA
• Incluindo, portanto, a demanda por moeda
como a demanda por encaixes reais, a
equação assume a seguinte forma:
Atividade
Admitindo que a demanda dos indivíduos por moeda
assuma a seguinte expressão:

M d = 0,6Y - 2i

• a. interprete a equação acima.

• b. Qual seria a equação da demanda por moeda,


caso a renda fosse de 1.000 u.m. e a taxa de juros do
mercado estivesse na casa dos 15%?
A TEORIA QUANTITATIVA DA MOEDA
• Estabelece uma relação entre a quantidade de
moeda e os valores que terão as transações que são
trocadas por elas em uma economia.

• Alguns conceitos.

• Quantas vezes, no intervalo de um ano, uma nota de


real é utilizada para fazer pagamentos ou
recebimentos?
• Velocidade de circulação ou velocidade-renda da moeda =
número de vezes que uma moeda passa de mão em mão nos
negócios em que é utilizada.

• Calcular a circulação da moeda consiste em dividir o PIB


nominal pela quantidade de moeda.

• Assim, a velocidade de circulação da moeda é dada por:

V = PY/M
• Onde:

• V = velocidade de circulação da moeda;


• P = nível de preços;
• Y = nível da produção agregada ou PIB;
• M = quantidade de moeda no país.
• Imagine que um país tenha produzido e consumido 1.000
dúzias de bananas, ao preço de R$ 2,00 por dúzia.

• Estipulemos que a quantidade de moeda existente era de R$


100,00.

• Nesse caso, a velocidade de circulação de moeda (V) seria:

• V=2 X 1000/100 = 20
• Da equação anterior chega-se facilmente a:

MV=PY

• A quantidade de moeda multiplicada pela


velocidade em que ela circula é exatamente
igual ao PIB nominal (produto x quantidade
produzida).
• Se a economia estiver em atividade máxima e se a velocidade de
circulação da moeda for constante (V), qualquer aumento na quantidade
de moeda elevará os preços na mesma proporção.

• Uma pequena manipulação algébrica nos dá a seguinte equação:

• M/P = 1/V x Y

• Simplificando:
• Onde:

• A Teoria Quantitativa da Moeda (TQM) – hipótese que V é


constante .

• Então, o resultado de uma expansão monetária (aumento na


oferta de moeda) depende de a economia estar ou não
operando a plena capacidade produtiva.
• Se a economia estiver com capacidade ociosa
zero, a elevação em M causará apenas
aumento de preços .

• Ou seja:
• A equação ilustra a versão clássica da TQM, pois está
considerando V como constante e a renda e o
produto como sendo o pleno emprego dos fatores.

• Portanto, mais moeda implica maior nível de preços.

• Teoria monetária da inflação: emissão monetária


causará tão-somente mais inflação.
• Explicação intuitiva da TQM

• Se relaxarmos um pouco a hipótese de a economia encontrar-


se no nível de pleno emprego dos fatores de produção, pode-
se admitir que a expansão monetária acabe resultando em
elevação no nível de produtos.

• Nesses casos, suponha que haja uma estimativa de que a


economia vá crescer 5%. Se o governo aceitar uma taxa de
inflação de até 10%, de quanto ele teria de expandir a oferta
monetária para permitir essas previsões de crescimento
econômico?
• Pela TQM:

MV=PY

• A TQM, em termos de variação, pode ser dada por,


aproximadamente:

• ΔM% = ΔP%+ ΔY%


• ΔM = 0,1 + 0,05
• ΔM = 0,15

Você também pode gostar