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Seminário Teológico

História da Igreja
Da Pré-Reforma aos Tempos Atuais
Seminário Teológico

1969 – DM Lloyd-Jones – Podemos Aprender da História?


“Talvez não exista nada que tenha denegrido tanto a glória de
Deus como a história do Seu povo na Igreja. Por isso vou
tratar deste assunto sobre aprender da história. O famoso
dito de Hegel faz-nos lembrar que ‘O que aprendemos da
história é que não aprendemos nada da história’. Ora, no que
se refere ao mundo secular, essa é uma verdade plena e
indubitável. A história da raça humana mostra isso
claramente. A humanidade, em sua loucura e estupidez,
sempre repete os mesmos erros. Não aprende, e se nega a
aprender. Mas não aceito isso como sendo próprio do cristão.
O meu ponto de vista é que o cristão deve aprender da
história, que , por ser cristão, é seu dever fazer isso, e deve
animar-se a fazê-lo.”
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1969 – DM Lloyd-Jones – Podemos Aprender da História?

“Isso tudo indica que o cristão deve aprender


da história. (...) O meu argumento é que, para
nós, é sempre essencial suplementar a nossa
leitura teológica com a leitura da história da
Igreja. (...) Se não, corremos o perigo de nos
tornarmos abstratos, teóricos e acadêmicos
em nossa visão da verdade; e, deixando de
relacioná-la com os aspectos práticos da vida
diária, logo estaremos em dificuldade.”
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História da Igreja

• O que é a Igreja? (Confissão de Fé 1689 – Cap. 25)


1. A Igreja universal (ou católica), que com respeito à obra interna do Espírito, e da
verdade da graça, pode ser chamada invisível, consiste no número total dos
eleitos que já foram, estão sendo, ou ainda serão chamados em Cristo, o Cabeça
de todos.
2. Todas as pessoas ao redor do mundo, que professam fé no evangelho e
obediência a Deus, mediante Cristo, de acordo com o evangelho, e que não
destroem o seu testemunho com alguma doutrina fundamentalmente errada ou
conversão profana: esses podem ser chamados de santos, de que se compõe a
igreja visível; e todas as congregações deviam ser constituídas de pessoas assim.
3. Mesmo as igrejas mais puras sobre a terra estão sujeitas a erros doutrinários e a
comprometimentos. Algumas se degeneraram tanto, que deixaram de ser
Igrejas de Cristo, e passaram a ser sinagogas de Satanás. A despeito disso,
porém, Cristo sempre teve e sempre terá um reino neste mundo, até o fim dos
tempos. Esse reino é formado dos que nEle crêem e confessam o se nome.
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História da Igreja

Uma das interpretações defende que as sete igrejas do Apocalipse representam


sete períodos sucessivos da História da Igreja. Essa interpretação é conhecida
como “As Sete Eras da Igreja”. Geralmente essa interpretação é adotada por
quem defende a posição Dispensacionalista, mas isso não é regra. Nessa
interpretação o significado das sete igrejas do Apocalipse é o seguinte:

1.Éfeso representa a igreja apostólica (30 – 100 d.C.);


2.Esmirna representa a igreja perseguida, a igreja dos mártires (100 – 312 d.C.);
3.Pérgamo representa a igreja que se uniu ao estado (313 – 590 d.C.);
4.Tiatira representa a igreja da Idade Média, corrupta e idólatra (590 – 1517
d.C.);
5.Sardes representa a igreja da reforma (1517- 1730 d.C.);
6.Filadélfia representa a igreja missionária (1730-1900 d.C., sendo que alguns
estendem esse período até a volta de Cristo, ocorrendo paralelamente à Igreja
de Laodicéia);
7.Laodicéia representa a igreja apóstata (1900 d.C. até a volta de Cristo).
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Oposição Externa ao Papado


Renascença – Humanismo – Nações Estado
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Oposição Externa ao Papado


Renascença – Humanismo – Nações Estado
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Renascimentos das Artes Cultura Clássica e


Humanismo
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Oposição Externa ao Papado


Renascença – Humanismo – Nações Estado
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Renascimentos das Artes Cultura Clássica e


Humanismo
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Renascença – Humanismo – Nações Estado
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Renascimentos das Artes Cultura Clássica e


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Oposição Externa ao Papado


Renascença – Humanismo – Nações Estado
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Renascimentos das Artes Cultura Clássica e


Humanismo
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Oposição Externa ao Papado


Renascença – Humanismo – Nações Estado
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OS PRÉ-REFORMADORES

- John Wycliffe (1325-1384);


- John Huss (1372-1415);
- Girolamo Savonarola (1452-1498)
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OS PRÉ-REFORMADORES
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JOHN WYCLIFFE
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JOHN WYCLIFFE
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JOHN WYCLIFFE
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JOHN WYCLIFFE
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JOHN WYCLIFFE
Após sua morte, seus ensinos foram considerados
heréticos pelo Concílio de Constança (1414 — 1418), que
ordenou que seus restos mortais fossem exumados e
queimados, bem como seus escritos. Foi cognominado de
a “Estrela d’Alva da Reforma”.

O evangelho por si só é suficiente para governar a vida


dos cristãos em todos os lugares quaisquer regras
adicionais feitas para governar a conduta dos homens não
adicionaram nada à perfeição já encontrada no Evangelho
de Jesus Cristo. John Wycliffe
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FRASES DE JOHN WYCLIFFE


O serviço mais elevado que o homem pode
obter na Terra é pregar a lei de Deus.

A confissão privada não foi ordenada por


Cristo e não foi usada pelos apóstolos.

É claro para mim que nossos prelados na


concessão de indulgências normalmente
blasfemam da sabedoria de Deus.
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OS PRÉ-REFORMADORES
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JOHN HUSS
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JOHN HUSS
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JOHN HUSS
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JOHN HUSS
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FRASES DE JOHN HUSS

Não, eu nunca preguei qualquer doutrina de tendência para o mal, e


o que ensinei com os meus lábios agora selo com o meu sangue!
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FRASES DE JOHN HUSS

A famosa frase, pronunciada no momento de seu martírio: "Vocês


hoje estão queimando um ganso (Hus significa "ganso" na língua
boêmia), mas dentro de um século, encontrar-se-ão com um cisne. E
este cisne vocês não poderão queimar." O cisne da profecia de Huss
não era outro senão Martinho Lutero.
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OS PRÉ-REFORMADORES
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GIROLAMO SAVONAROLA
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FRASES DE SAVONAROLA
Linha do Tempo da Reforma – Principais Fatos Seminário Teológico
Linha do Tempo da Reforma – Principais Fatos Seminário Teológico
Linha do Tempo da Reforma – Principais Fatos Seminário Teológico
Linha do Tempo da Reforma – Principais Fatos Seminário Teológico
Linha do Tempo da Reforma – Principais Fatos
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Criação da imprensa com tipo móvel, em


1436, na Alemanha, com Johannes
Gutenberg, possibilita rápida
disseminação de ideias no último período
da Renascença. Em 1455 é impressa a
primeira “Bíblia de Gutenberg”.

Imprensa de tipos móveis


de Johannes Gutenberg
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A REFORMA PROTESTANTE – MARTINHO LUTERO


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A Minha Estrada, Caminho de Damasco


Depois de Jesus Cristo, Lutero é o homem sobre quem o maior número de
livros já foi escrito. Em 2/7/1505, quando Lutero voltava de Mansfeld
para Erfurt, desabou um grande temporal, os raios
cortavam o céu, e um raio o lançou por terra. Lutero
faz um voto a Santa Ana, padroeira dos mineiros,
que, se sobrevivesse, se tornaria um monge.
Cumpre sua promessa no dia 17/7/1505, ao entrar
para o Mosteiro dos Monges Agostinianos.
Causando extrema decepção ao seu pai.

Terra consagrada, lugar do voto monástico de


Lutero, Lutherstatte, Erfurt, Turíngia, Alemanha.
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A REFORMA PROTESTANTE – MARTINHO LUTERO


Como profundo estudioso, Martinho Lutero desenvolveu uma visão
teológica particular que transmitiu aos seus alunos, muito antes do
célebre episódio das 95 teses. Ela baseava-se em quatro princípios:

 A Bíblia é a única referência da verdade. A Igreja católica, também


se baseava em textos adicionais escritos pelo papa e pelo sínodo.
 A salvação só vem por meio da graça de Deus e não pelas boas
obras. Essa crença tornava a venda de indulgências obsoleta.
 Jesus Cristo, através de sua morte na cruz, pagou a pena por todos
os pecados e é a única ponte entre os homens e Deus. Isso acaba
com a função do clero e dos santos como ligação entre o crente e
Deus.
 As pessoas são salvas somente pela fé, isto é, a salvação não
depende das indulgências, nem da confissão, da peregrinação a
lugares santos ou de qualquer outra exigência da Igreja.
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A REFORMA PROTESTANTE – MARTINHO LUTERO


Em 1517, um jovem monge alemão saiu de seu monastério e foi caminhando,
pelo vilarejo de Wittenberg, até a igreja do castelo. A porta da igreja
funcionava como uma espécie de mural público. Ali, o monge afixou um
cartaz com 95 teses. Seu nome era Martinho Lutero.

Era um convite ao debate público sobre


venda de indulgências, e a provocação
foi entre o frade dominicano Johann
Tetzel (1465-1519) e Melanchthon
(1497-1560), amigo de Lutero, que o
descreveu como um bajulador audaz. À
época, as pessoas acreditavam em
purgatório (lugar de tormento para
onde as pessoas iam depois da morte),
Venda de Indulgências, Pintura de a fim de purgar seus pecados antes de
Augsburg, 1530 sua promoção para o céu.
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A REFORMA PROTESTANTE – MARTINHO LUTERO


"Pela autoridade de todos os santos, e
em misericórdia perante ti, eu absolvo-
te de todos os pecados e crimes e
dispenso-te de quaisquer castigos por
10 dias" - Uma indulgência vendida,
com autoridade do papa, por João
Tetzel em 1517.

Tetzel vendia indulgências, promessas da


Igreja para diminuir o tempo de purgatório.
“Assim que a moeda cai no cofre, sobe a
alma do purgatório”, era o refrão da
propaganda. As 95 teses protestavam contra
essas indulgências e a preocupação
exagerada da igreja em arrancar dinheiro dos
fiéis. Não foram declarações exageradas, não
para os padrões de pensamento que, mais PARA LUTERO AS OFERTAS NUNCA
tarde, Lutero viria a demonstrar.
FORAM MOEDA DE TROCA
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A REFORMA PROTESTANTE 31/10/1517 - LUTERO

Por amor à verdade e no empenho


de elucidá-la, discutir-se-á o
seguinte em Wittenberg, sob a
presidência do reverendo padre
Martinho Lutero, mestre de Artes
e de Santa Teologia e professor
catedrático desta última, naquela
localidade. Por esta razão, ele
solicita que os que não puderem
estar presentes e debater conosco
oralmente o façam por escrito,
mesmo que ausentes. Em nome
do nosso Senhor Jesus Cristo.
Amém. (Martinho Lutero).
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A EXPERIÊNCIA DA TORRE – MARTINHO LUTERO
Quando Lutero meditava na carta de Paulo aos Romanos e comparou-a
com os escritos de Agostinho de Hipona, ele fez a ligação entre duas
declarações de Paulo: “A justiça de Deus se revela no Evangelho” e “O
justo viverá por fé” (Rm 1.17). Isso levou-o a concluir que a justiça de
Deus não era algo a ser temido, mas era um bom presente que permitia
que os pecadores fossem contados como justos diante de Deus. A
resposta apropriada era não fugir da justiça de Deus, mas recebe-la
“pela fé” e com gratidão.
Lutero acolheu essa grande descoberta teológica como o remédio para
a angústia espiritual que tinha. Quando era idoso e rememorou o
episódio 30 anos depois, descreveu-o como súbita experiência de
conversão, semelhante a do próprio Apóstolo Paulo: “Senti-me
imediatamente nascer de novo e entrar pelas portas abertas do
paraíso”. Tendo anteriormente odiado a “justiça de Deus”, agora
começou “a amar e exaltá-la como a palavra mais doce de todas”.
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A EXPERIÊNCIA DA TORRE – MARTINHO LUTERO

A “justificação pela fé” viria a ser a tônica do ensino de Lutero e a


base de toda a Reforma Evangélica. Essa doutrina revolucionária
teve enormes implicações para a vida cristã, não menos
importante porque significava que o mérito humano e as boas
obras não eram mais base para a salvação. Como Lutero disse: “a
justiça não está baseada em nossas obras: está fundada na
promessa de Deus, que não mente”.

Ele a descreveu como “JUSTIÇA ALIENÍGENA”, que não se origina


nos seres humanos pecaminosos, mas é “imputada” ou
“creditada” em sua conta por Deus. Lutero cunhou o slogan “simul
iustus et peccator” para dizer que o cristão era, ao mesmo tempo,
pecador e justo aos olhos de Deus. Como sempre explicava em
suas palestras sobre Romanos, o cristão é “sempre pecador,
sempre penitente (em arrependimento), e sempre justo”.
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Debate de Leipzig - 1519


O Maior Debate de Toda a História da Europa

Somos todos hussitas! (Lutero em resposta a Eck no debate de Leipzig).


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EXSURGE DOMINE – Proibição de Leitura das Teses e Retratação por Lutero

Exsurge Domine, bula papal emitida pelo papa


Leão X (15/7/1520), em resposta as 95 teses de
Lutero e a todos os seus escritos. Das 95 teses o
papa reconheceu 54 como válidas. Mas pediu
que Lutero se retratasse por 41 delas. E lhe deu
um prazo de 60 dias para fazê-lo.

O prazo se esgotou em 10/12/1520.


Neste dia Lutero queimou a sua
cópia da bula, juntamente com os
volumes do Código de Direito
Canônico.
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A REFORMA PROTESTANTE – DIETA DE WORMS


Em 25/05/1521, foi proclamado o Édito de Worms, pelo Imperador do
Sacro Império Romano-Germânico, Carlos V, e pelo cardeal Girolamo
Aleandro, em Worms, Alemanha. O Édito proclamava contra o teólogo
alemão Martinho Lutero. O documento declarava Lutero como fora da
lei e herege (doutrina mantida em oposição ao dogma de qualquer
igreja ou credo considerado ortodoxo).
Por este édito, foi oficializada a ruptura
do Luteranismo com a Igreja Católica.
Lutero foi declarado como bandido e a
leitura de seus escritos foi proibida.
Também foi permitido que qualquer
pessoa matasse Lutero sem sofrer
consequências penais. O édito provocou
agitação até mesmo nos mais
moderados, e em particular no filósofo e
Lutero em Worms teólogo holandês Erasmo de Rotterdam.
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A REFORMA PROTESTANTE – DIETA DE WORMS


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Primeira Edição da Bíblia Luterana - Outubro de 1534

Quarto de Martinho Lutero no castelo de Wartburg

Desde 1466, existiam 17 traduções católicas da Bíblia, 03 em baixo-alemão e 14 em


alto-alemão. Lutero foi, porém, o primeiro a usar o grego como texto original, e não
a tradução latina. Ele traduziu o Novo Testamento para o alemão em apenas 11
semanas. Sua tradução superou todas as traduções para o alemão anteriores pela
qualidade linguística, poesia e simplicidade. A primeira edição da Bíblia luterana foi
publicada em outubro de 1534.
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Primeira Edição da Bíblia Luterana - Outubro de 1534


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Lutero e os Antinomistas
A doutrina da justificação ocupou lugar central
na Reforma Protestante do século 16.
Utilizando linguagem aristotélica, os
historiadores denominaram essa doutrina o
“princípio material da Reforma”, isto é, a
matéria prima com a qual ela foi moldada. Em
contrapartida ao conceito católico romano de
justiça infusa, derramada no interior do ser
humano para torná-lo pessoalmente justo, a
Reforma passou a falar de uma justiça
atribuída ao ser humano.

Sua diferença quanto à doutrina de Roma era mais do que mera


semântica, ou apenas uma falta de distinção entre justificação e
santificação, mas, de acordo com os reformadores, atingia a pureza do
evangelho (boa nova).
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Lutero e os Antinomistas

Essa diferença pode ser


expressa com a seguinte
pergunta: Como você quer
ser avaliado por Deus e
pelos homens, pela
quantidade de justiça que
há em você ou pela justiça
atribuída a você?
Em outras palavras, você quer ser recebido por Deus
baseado em seu próprio desempenho ou baseado no
desempenho de outro (Cristo) a seu favor?
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FRASES DE LUTERO

Que o mundo, mas não Deus, fique ofendido comigo


FRASES DE LUTERO Seminário Teológico
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A REFORMA PROTESTANTE – ERASMO DE ROTERDÃ

“Gostaria que a mais fraca mulher lesse os Evangelhos e as Epístolas de Paulo [...] Gostaria
que essas palavras fossem traduzidas para todas as línguas, afim de que não só os
escoceses e irlandeses, como também turcos e sarracenos pudessem lê-las. Anseio que o
lavrador as cante para si mesmo quando acompanha o arado, o tecelão as murmure ao
som de sua lançadeira, que o viajante iluda com elas a monotonia da jornada”.
Novum Testamentum Omne – Erasmo de Roterdã
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A REFORMA PROTESTANTE – ERASMO DE ROTERDÃ

Príncipe do Humanismo
Desidério Erasmo (1467-1536) conhecido como Erasmo de Roterdam, nasceu
em Roterdam, na Holanda. Foi considerado o maior erudito dentre aqueles
que confrontaram as incongruências da religião cristã ocidental e a mente
mais brilhante de seu tempo. A pena de Erasmo não poupou a Igreja, o clero,
as imagens e a idolatria de seu tempo. Sua sátira é extremamente ácida, e
provoca tanto o riso nos irreverentes, como a ira naqueles que são alvo da
trama lamentável. As observações de Erasmo nos remetem a uma pergunta:
Os cristãos devem criticar os abusos e desvios observáveis em seu contexto?

Erasmo de Roterdã foi um reformador que não quis ser um reformador.


Apesar de ter se alinhado mais com a filosofia do que com a teologia, ele
deu uma contribuição especial ao movimento que mudou o mundo.
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A REFORMA PROTESTANTE – ERASMO DE ROTERDÃ


Erasmo foi convidado a estudar grego em Oxford, Inglaterra, onde conheceu
entre outras figuras importantes, a Thomas More e Dean Colet, com quem
compartilhava pensamentos em comum. Junto com estes entendeu que “a
teologia devia se voltar do escolasticismo para as Escrituras, e dos frios
dogmas para a sabedoria prática” (Historia da Igreja Cristã, v.7). O
pensamento de que a teologia devia se voltar para as Escrituras fez com que
Erasmo alimentasse maior interesse pela língua grega, e o levou a publicar a
primeira edição do Novo Testamento em grego, em 1510.
Entre seus contemporâneos, possivelmente ninguém tenha contribuído mais
do que Erasmo de Roterdã para lançar as bases do movimento da Reforma
Protestante. Ao mesmo tempo em que deu significativo impulso para o
estudo da Bíblia, principalmente por seu interesse pelas línguas originais,
também expôs o fanatismo e a ignorância monásticos, bem como os abusos
eclesiásticos. Apesar disso, ele jamais se declarou reformador no sentido
protestante do termo. Seu desejo era uma reforma dentro da igreja e do
papado.
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Em 1502, tem a coragem de publicar o “Manual do Cristão Militante”, onde protesta


contra o cristianismo protocolar oferecido pela velha e viciada igreja. O livro faz
grande sucesso por toda a Europa e soa como um toque de despertar das
consciências com respeito ao cristianismo autêntico. Diz ele:

“Consideremos por um momento a questão do batismo. Realmente pensas que a


cerimônia em si faz de ti um cristão? Se tua mente preocupa-se com assuntos
mundanos, serás um cristão na superfície, mas interiormente és o mais pagão dos
pagãos. (…) Não há vícios mais perigosos do que aqueles que carregam a aparência
da virtude. (…) A caridade não consiste em muitas visitas à igreja, em prostrações
diante de estátuas de santos, no ato de acender velas ou na repetição de um
determinado número de preces. Deus não tem necessidade dessas coisas.”

É a primeira publicação escrita por alguém já famoso. Sua intenção nesta obra não
era condenar a Igreja, mas mostrar que seus dogmas e rituais eram irrelevantes para
a época que viviam. É considerada um estopim da reforma, tanto que aqueles que
estavam sedentos pela Reforma da Igreja, imediatamente entenderam a mensagem.
Tanto que Willian Tyndale, a traduziu para o inglês, a imprimiu e a fez circular
pagando todos os custos.
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Ainda em 1505, escrever seu “Elogio a Loucura”, em Londres (dedicado a


Thomas More e publicado em 1511). Ele utiliza do sarcasmo e da sátira para
demonstrar o declínio da moral religiosa da sua época. Para ele a loucura é o
que movimenta a vida, é a mentira que dá sentido à existência. Nossa
sociedade e nós mesmos temos por base a mentira e a ilusão e são elas que
encobrem a dura realidade em que vivemos, elas tornam a vida mais
atraente. Era sua análise da Igreja de seu tempo. Ele acreditava que eram
meros servos ou escravos, e neste pacote inclui reis, príncipes e até papas. A
Igreja Católica se preocupou com este fato e entendeu que isto poderia estar
alimentando aquilo que dividiria a Igreja, como de fato acabou acontecendo.

Homens como Erasmo nascem para incomodar o status quo. São


responsáveis pelas revisões que depuram o texto histórico; são o megafone
que sintetiza e amplifica o clamor por reformas. Enquanto alguns se esforçam
para dar perpetuidade à velha e bolorenta ordem, esses inconvenientes
contestadores se levantam para abrir portas e janelas, convidando a luz para
entrar.
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Em 1516, Erasmo publica aquela


que seria a sua maior obra o
“Novum Instrumentum”, e dedica a
sua obra ao Papa Leão X. Isto lhe
deu uma aparente simpatia da
Igreja. Ele divide a sua obra em
duas colunas e em uma metade
escreve em grego e na outra
metade a traduz ao latim. Porém
ele foi banido em quase todos os
países e caiu no ostracismo. Caiu
como semente e Martinho Lutero
toma contato com esta obra e
decidi traduzir para o alemão da
sua época. O mesmo acontece com
Zwinglio e com Calvino e também
com Willian Tyndale.
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A REFORMA PROTESTANTE – ERASMO DE ROTERDÃ


Textus Receptus, (Texto Recebido) é a
denominação dada à série de impressões,
em grego, do novo Testamento, que serviu
de base para diversas traduções dos século
XVI ao XIX, como a Bíblia de Lutero, a Bíblia
King James e para a maioria das traduções
do Novo Testamento da Reforma
Protestante, inclusive a nossa querida
tradução em português por João Ferreira de
Almeida.

O texto de Erasmo se tornou conhecido como “Texto Recebido”, ou


“Textus Receptus” (em latim). Isso se deve ao fato de que no prefácio
de uma edição do Novo Testamento Grego impressa em 1633 pelos
irmãos Elzevir, menciona-se que o texto de Erasmo foi recebido por
todos.
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Nas ideias de Erasmo estão as bases do protestantismo de Lutero, mas sobre um


ponto Erasmo discorda de Lutero, no livre arbítrio. Para Erasmo na liberdade está a
força da vontade humana e através dela o homem pode buscar a salvação por seu
próprio mérito.

Para externar sua posição, criou o sermão Sobre o Livre Arbítrio, indo contra uma
das ideias centrais de Lutero. Para Erasmo, apesar do homem ter o poder de fazer
suas escolhas livremente, ele nunca encontraria a salvação sem a graça divina. Ele
defendia um retorno às crenças sinceras, um contato com Deus sem intermédio de
missas, padres ou confessionários

Conforme um famoso refrão daquela época, “Lutero chocou o ovo que Erasmo tinha
posto”. Para usar as palavras de Lewiz Spitz, “sua influência como reformador
humanista permaneceu na corrente do pensamento de Reforma” (Richard L.
DeMolen, Erasmus of Rotterdam, p. 51, 62).
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MONUMENTO À REFORMA
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