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Expansão Muçulmana

Península Ibérica:
dois mundos em presença

História 7.ºAno AnaRodrigues Oliveira | Francisco Cantanhede | Isabel Catarino | Marília Gago | Paula Torrão
O Fio da História
No ano de 711 (século VIII) os Muçulmanos deram início à ocupação da
Península Ibérica, que durou até finais do século XV.
Durante vários séculos, Cristãos e Muçulmanos viveram períodos de conflito,
de tensão, de paz e de tolerância.

2 2
A expansão militar e comercial Muçulmana
Território de origem e expansão
do povo Árabe.

Maomé, profeta do Islamismo.


Movidos pela fé e pela vontade de
dominar o comércio, os Muçulmanos
partiram à conquista de terras.

 Identifica as regiões dominadas pelos Muçulmanos.


 Na tua opinião, a expansão Muçulmana pode, ou não, ter facilitado
os contactos entre o Oriente e o Ocidente? Justifica.

3 3
A civilização islâmica: expansão de
conhecimentos provenientes de diversos povos

Conhecimentos de - Bússola
Filosofia e Ciência - Papel
através de livros, - Pólvora
especialmente
gregos

Os algarismos
1, 2, 3, 4, 5, 6….
Conhecimentos de
Medicina
Técnicas de
irrigação Operação às cataratas

4
A ciência e a cultura da civilização islâmica

Os Muçulmanos desenvolveram e foram originais em muitos áreas do saber…

As Mil e uma Noites

Literatura Astronomia

Matemàtica,
Geometria e
Álgebra
Ácido Sulfúrico

Arquitetura Química
5
A expansão militar e comercial Muçulmana

No ano 711, os
Muçulmanos, que
ocupavam o Norte
de África,
comandados por
Tarique, invadiram
a Península
Ibérica.

 Identifica a região da Península Ibérica que não foi dominada pelos Muçulmanos.

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Dois mundos: que relacionamento?

Os Muçulmanos dominaram a Península Ibérica


durante vários séculos e tiveram algumas atitudes
de tolerância para com os vencidos, os quais:
Estação das colheitas
- continuaram a manter os seus usos e costumes;
- continuaram a praticar a religião Cristã;

Contudo, viviam em bairros à parte e tinham de


Confraternização entre Árabe e pagar impostos…
Cristão (Cantigas de Santa Maria,
Espanha)

Mas…
Existiu entre estes povos momentos de tensão devido às conquistas de
territórios e às diferenças, por exemplo em termos religiosos….

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Dois mundos: que relacionamento?

Alguns Cristãos refugiaram-se na região


montanhosa das Astúrias e dos Pirenéus.
Em 722, na batalha de Covadonga, Pelágio
conseguiu uma primeira vitória sobre os
Muçulmanos.

O movimento iniciado pelos Cristãos para recuperarem os territórios da península


Ibérica -Reconquista Cristã- teve períodos de avanços e períodos de recuos.

8
Dois mundos: que relacionamento?

B
A

 Seleciona as fontes que dizem respeito a uma situação de:


- conflito;
- convívio.

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A formação dos reinos Cristãos no processo da Reconquista

O reino das Astúrias deu origem


ao reino de Leão.

No norte da península surgiu o


reino de Castela que mais tarde se
juntou ao de Leão.

O reino de Navarra surgiu junto


aos Pirenéus e o reino de Aragão
no vale do rio Ebro.

O Condado da Catalunha foi


criado por Carlos Magno, rei dos
Francos, para proteger o seu reino
dos ataques Muçulmanos.

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Reconquista: um processo longo com a ajuda de Cruzados…

 Indica quantos séculos demorou a Reconquista Cristã.


 Na tua opinião, Portugal teve, ou não, um papel importante na Reconquista Cristã?

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Culminar da Reconquista Cristã

A 2 de Janeiro de 1492 é vencido o Califado de Granada – fim da Reconquista Cristã.

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Sistematizando...
 Organiza a informação, arrastando cada um dos retângulos para junto
do número que lhe corresponde.

1 Formação de Vários reinos Cristãos

2 Ajuda dos Cruzados na Reconquista

3 Expansão Muçulmana

4 Conquista da Península Ibérica

5 Os Cristãos refugiam-se nas Astúrias e Pirenéus

6 Reconquista Cristã

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Sistematizando...
Na Reconquista da Península Ibérica pelos Cristãos colaboraram os cruzados.
Portugal teve a sua origem no Condado Portucalense e tornou-se Reino
Independente, em 1143.

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O Condado Portucalense
Na parte ocidental da Península Ibérica entre o rio Lima e o rio Douro, formou-se o
Condado Portucalense… em meados do século IX a sua fronteira sul situava-se no
rio Mondego.

Condado Portucalense

• Sede PORTUCALE (localizada


junto ao rio Douro, onde surgiu a
cidade do Porto);
• Administrado por condes ;
• Certa Autonomia…

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O Condado Portucalense e D. Henrique
Em 1086, uma forte investida colocou o reino de Leão e Castela em perigo. Dois Cruzados da
região da Borgonha vieram ajudar D. Afonso VI que pelos serviços prestados os recompensou
com território e casamento…

D. Raimundo D. Urraca
Recebeu o condado da Galiza

D. Henrique D. Teresa

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O Condado Portucalense e D. Henrique

D. Henrique, conde e vassalo do rei


de Leão e Castela, tentou sempre D. Henrique D. Teresa
ter mais autonomia e conquistou
territórios aos Muçulmanos.

Em 1112, Morre D.
Henrique.

Após a morte de D. Henrique, D.


Teresa ficou a governar procurando
a autonomia; contudo, fez alianças
com a família galega dos Trava, o
que desagradou aos nobres
portucalenses.

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A Batalha de S. Mamede e a Aclamação de D. Afonso Henriques

D. Teresa, regente do
condado Portucalense, Batalha de S. Mamede - 1128 D. Afonso Henriques é
apoiada pela nobreza apoiado pela nobreza
galega. portucalense.

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Ação de D. Afonso Henriques

Conquistar terras
aos Mouros. Separação do seu
território do Reino de
Leão e Castela.

1143 - Conferência de Zamora. D.Afonso VII, 1179 – Bula do Papa Alexandre


Território português rei Leão Castela, reconhece D. Afonso III. Nela concede o título de rei a
Território muçulmano Henriques rei de Portugal D. Afonso Henriques
Território castelhano

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Sistematizando...

1096
1 Morre D. Henrique. D. Teresa passa a governar o condado.
1112
1128 2 Batalha de São Mamede. Afonso Henriques derrota o exército
de D. Teresa e passa a governar o condado Portucalense.
1137 Batalha de Cerneja. D. Afonso Henriques vence os nobres
galegos que defendiam os direitos do rei de Leão e Castela. 3 Conferência de Zamora. Afonso Henriques é reconhecido
como rei de Portugal por D. Afonso VII.
1143

1142-45 Reconquista de Leiria aos Mouros. 4 Afonso VI de Leão doa o condado Portucalense a D. Henrique,
na condição de este lhe prestar vassalagem.
1147 Reconquista de Santarém e de Lisboa aos Mouros.
1162-66 Reconquista de Évora, Beja e Serpa.
1179 5 Bula do Papa Alexandre III concedendo o título de rei
a D. Afonso Henriques.
1249 D. Afonso III expulsa os Mouros do Algarve.
Reconquista de Évora, Beja e Serpa.

 Completa a cronologia.

 Selecciona acontecimentos que provem que D. Afonso Henriques:


a) Conquistou terras aos Mouros; b) conquistou a independência.

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História Local
Clica nos botões ou nos Distritos pra veres a informação.
Viana do
Castelo
Bragança
Braga
Vila Real
Porto

Viseu
Aveiro
Guarda
Arte árabe ou
Coimbra
moçárabe
Leiria Castelo
Branco

Arte Mudéjar SantarémPortalegre

Lisboa
Évora
Setúbal

Brasões
Beja

Faro

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Arte árabe ou moçárabe

A arte árabe ou moçárabe é a arte produzida pelos Cristãos da Península Ibérica


que viviam em território muçulmano, submetidos ao poder do invasor entre os sécs.
IX e XI. As manifestações artísticas então produzidas receberam influências
artísticas hispano-visigóticas, asturianas e Muçulmanas.
A arquitectura moçárabe é caracterizada, principalmente, pela construção de
igrejas e, em Portugal, está, sobretudo, representada em objetos de arte móvel. Os
arabescos (motivos geométricos estilizados) são o principal elemento decorativo,
embora apareçam também representações vegetalistas e animais; existem,
essencialmente, peças de cerâmica para uso no dia a dia ou peças de metal de
cariz religioso . Nos edifícios, a influência árabe também se verifica, no
revestimento de paredes e chãos de azulejo e de mosaico, onde são utilizadas
técnicas específicas e uma linda paleta de cores importadas da Espanha mourisca.
Tratava-se de uma decoração bonita e barata.

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Arte Mudéjar
Mudéjar tem origem na palavra árabe Mudayyan que significa "aquele a
Caminha
quem foi permitido ficar“. Após a Reconquista, os Reis Cristãos permitiram a Bragança
permanência da população moura, em troca do pagamento de um imposto,
podendo os mouros manter a sua língua e a sua religião.
Desenvolveu-se, assim, a arte mudéjar cuja aplicação se fazia em
construções Cristãs , onde os elementos técnicos e decorativos islâmicos
eram sobrepostos aos elementos decorativos Cristãos. Esta arte ou estilo
resulta, assim, da presença de artífices de origem Muçulmana na
península Ibérica durante o processo da Reconquista, permanecendo esta Arraiolos
Sintra Elvas
influência até aos séculos XV/XVI. Évora
Lisboa
O tijolo era o principal material utilizado nas construções com vantagens ao
Alvito
nível de custos e de tempo de construção.
Na decoração são usados materiais como o gesso e o barro vidrado. Na Beja

estrutura dos edifícios, a grande abóbada é substituída por tetos planos


com sistemas de armação em madeira, mantendo-se a planta de tipologia
Cristã.
Influencia do foco de arquitetura
Em Portugal, este estilo desenvolveu-se, sobretudo, no Alentejo durante os mudéjar de Leão e Castela
séculos XV e XVI, misturando-se com elementos manuelinos. Mudéjar português

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A presença Muçulmana em Portugal

Muitos brasões de cidades e vilas portuguesas revelam o relacionamento de


proximidade com a civilização Muçulmana nomeadamente, através da meia lua ou da
representação de personagens significativas para a sua história

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A presença Muçulmana em Portugal

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A presença Muçulmana em Portugal

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A presença Muçulmana em Portugal

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História Local

Aveiro

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História Local
Castelo de Santa Maria da Feira – Distrito de Aveiro

Em meados do séc. IX, Afonso III de Leão entregou esta fortaleza militar a Cívitas Sanctae Mariae. Por
duas vezes, no ano 1000, Almansor – o lendário guerreiro árabe – conquistou o Castelo e arrasou a
povoação anexa. E por duas vezes, também, os guerreiros e habitantes Cristãos reconquistaram a
fortaleza e reconstruíram a povoação. No reinado de Bermudo III (1028 a 1037) os guerreiros árabes
invadiram de novo esta zona, mas foram expulsos na batalha de César  numa povoação que ainda
hoje mantém este nome e está situada nas proximidades do Castelo..

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História Local

Beja

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História Local
Castelo de Beja - Distrito de Beja

Beja foi inicialmente conquistada pelas forças de D. Afonso Henriques em 1159, para ser abandonada
quatro meses mais tarde. Foi reconquistada de surpresa, por uma expedição de populares idos
de Santarém, em princípio de Dezembro de 1162. Com a grande ofensiva almóada de Abu Yusuf
Ya'qub al-Mansur (1191) crê-se que tenha também reconquistado Beja, permanecendo em poder dos
Cristãos apenas Évora, em todo o Alentejo. Supõe-se ainda que a povoação teria voltado a mãos
portuguesas apenas entre 1232-1234.

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História Local
Castelo de Mértola - Distrito de Beja

A partir do século VIII , Mértola conheceu a dominação Muçulmana, responsável pela remodelação


das suas defesas. As referências a esta nova estrutura defensiva surgem entre 930 e 1031, tendo sido
o castelo  consolidado. Com a queda do Califado de Córdova  (1031), Mértola tornou-se um reino
independente - Taifa de Mértola -, rapidamente retomado por Al-Mutamid, da Taifa de Sevilha.
Entre 1144 e1151, tornou-se novamente independente (2ª Taifa de Mértola). Em 1171, já sob o
domínio dos Almóadas, a fortificação foi ampliada com uma torre e, em 1184, com o torreão
integrante do portão de entrada.

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História Local
Igreja Matriz, antiga mesquita da cidade de Mértola

Igreja da Nossa Senhora da Anunciação,


Antiga Mesquita em Mértola

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História Local
Núcleo Islâmico do Museu de Mértola

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História Local
Núcleo Islâmico do Museu de Mértola

Fogareiro de estrutura complexa composta Fragmento de alguidar de Corda Seca de base plana e
por uma câmara superior (ou câmara de corpo cilíndrico proveniente da encosta do Castelo
fogo)decorado com arcos em ferradura. de Mértola.
Procedência: Encosta do Castelo de Mértola. Museu de Mértola – Arte Islâmica.
Núcleo Islâmico do Museu de Mértola. Séc. XII
Séc. XII.

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História Local
Núcleo Islâmico do Museu de Mértola

Lápide Funerária de Abu Bakr.


Pertenceu à coleção de Estácio da Veiga, que a Candil proveniente da Alcáçova do Castelo de
encontrou, em 1877, encravada “no revestimento Mértola Núcleo Islâmico do Museu de
do lado nordeste” da torre do Castelo de Mértola. Mértola. Finais do séc. XII/primeiro quartel do
Núcleo Islâmico do Museu de Mértola. séc. XIII.

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História Local
Núcleo Islâmico do Museu de Mértola

Fragmento de lápide funerária do Séc. XI-XII.


Na lápide pode ler-se em árabe: “Em nome de Tinteiro de forma cilíndrica maciça com sete orifícios, também
Deus, o [Clemente, o Misericordioso.] Este é o cilíndricos, que deviam ser os depósitos para a tinta.
sepulcro de […] Ibn Khãlis […] Muhammad Ibn al- Segunda metade do século XII/primeira metade do século XIII.
[…]”.

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História Local
Serpa

Amuleto. Museu arqueológico Ermida de s. Gens. Nossa senhora de Guadalupe. Serpa


de Serpa

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História Local
Castelo de Moura

Torre da Taipa. Castelo de Moura.


Poço de origem Muçulmana
Originalmente construída no
no castelo de Moura.
período muçulmano.

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História Local

Lápide comemorativa.
Museu Municipal de Moura. Séc. XI (1052)

Inscrição referente à construção de um


Castro da Cola. Este povoado denota
minarete existente em território português.
ocupação Muçulmana a partir das imensas
A peça conserva-se junto a uma fonte, no
peças aqui encontradas e hoje depositadas
interior do Castelo de Moura.
no museu de Beja.

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História Local

Braga

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História Local
Castelo de Guimarães – Distrito de Braga

No contexto da Reconquista Cristã, os domínios de Vimaranes foram outorgados, nos finais do século IX,
a um cavaleiro, Diogo Fernandes. Uma de suas filhas, Mumadona Dias, casou com o poderoso conde
Hermenegildo Gonçalves, vindo a governar os domínios de Portucale. Pouco mais de um século
passado, a povoação de Vimaranes encontrava-se entre os domínios doados pelo rei Afonso VI de Leão
e Castela a D. Henrique, que formaram o Condado Portucalense. O conde D. Henrique (1095-1112) e
sua esposa, D. Teresa, escolheram esta povoação e o seu castelo como residência. 

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História Local
Castelo de Lanhoso – Distrito de Braga

Entre o século X e XI, a antiga fortificação romana encontrava-se reduzida aos seus alicerces.
O arcebispo D. Pedro (I) de Braga (1071-1091), visando a defesa de Braga, determinou a construção do
castelo. Aqui se refugiou  D. Teresa, viúva do conde D. Henrique (1093-1112) e mãe de D. Afonso
Henriques, quando foi atacada pelas forças de sua meia-irmã, D. Urraca, rainha de Leão. Aqui cercada
pelas tropas de D. Urraca (1121), D. Teresa conseguiu negociar um acordo - o Tratado de Lanhoso –
graças ao qual salvou a chefia do seu condado. Mais tarde, D. Teresa para lá retornou, segundo a
tradição, detida por seu próprio filho após a Batalha de São Mamede (1128), o que é contestado pela
moderna historiografia.

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História Local
Capela de S. Frutuoso de Montélios

Esta capela sofreu várias reconstruções.


Pode ver-se a influência moçárabe nas absides, que eram de planta interna quadrangular, mas
passaram a ter a forma semicircular, e à entrada de cada uma construiu-se uma tripla arcada de arco
em ferradura. 

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História Local

Bragança

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História Local
Castelo de Miranda do Douro – Distrito de Bragança

Na Reconquista Cristã, as tropas do rei Afonso I das Astúrias alcançaram, em 857, o curso do rio


Douro e a linha Salamanca-Segóvia. No ano de 1093, os limites orientais da Galiza incluíam o troço
mirandino do rio Douro
Nesse período, a povoação já era defendida por um castelo, arruinado pelas lutas da Reconquista.
Desse modo, foi objeto da atenção do primeiro rei português quando este, entre as campanhas da
Galiza, interrompidas em 1135 e recomeçadas em 1137, aproveitou esse breve período de paz para
restaurar castelos, mosteiros e igrejas em lugares estratégicos como Miranda do Douro. 

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História Local
Castelo de Pena Róias - Mogadouro– Distrito de Bragança

A primitiva ocupação deste local pode ter sido por um castro pré-histórico, que se acredita ter
posteriormente sido romanizado. A região apresenta ainda vestígios da ocupação dos Visigodos,
sucedidos, a partir do século VIII, pelos Muçulmanos. Por aqui passava então uma via
secundária, cruzando a região de Norte a Sul, ligando-a à atual Astorga (a chamada Estrada
Mourisca). Certo é que o castelo já existiria em 1145, quando foi doado aos Templários por
Fernão Mendes de Bragança, juntamente com a fortaleza de Penas Róias.

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História Local

Castelo Branco

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História Local
Castelo de Belmonte - Distrito de Castelo Branco

As primeiras notícias datam do reinado de D. Afonso Henriques (1112-1185), quando o senhorio das
terras de Centum Cellas teria sido doado ao bispo de Coimbra (6 de Maio de 1168). Mais tarde, D.
Sancho I (1185-1211), concedeu Carta de Foral à Vila (1199), que então integrava o senhorio.
Posteriormente, Afonso III de Portugal (1248-1279) determinou ao bispo de Coimbra, D. Egas Tafes,
que procedesse a construção de uma torre e castelo.

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História Local
Castelo de Castelo Branco - Distrito de Castelo Branco

Na época da Reconquista Cristã, a região foi tomada aos Muçulmanos em 1165, sendo doada
por D. Afonso Henriques (1112-1185) à Ordem dos Templários para que a povoasse e defendesse.
A área da atual Castelo Branco integrava a propriedade régia conhecida como Herdade da
Cardosa, destacada do termo do Concelho da Covilhã no foral de 1186, no início do reinado de 
D. Sancho I (1185-1211).

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História Local
Castelo de Monsanto - Distrito de Castelo Branco

Na Reconquista Cristã, D. Afonso Henriques (1112-1185) assenhoreou-se desta região, onde se


estabeleceu a fronteira com o reino de Leão e com os Almóadas. Para guardá-la, os domínios
de Idanha-a-Velha e Monsanto foram doados aos cavaleiros da Ordem dos Templários com a
responsabilidade de os repovoar e defender.

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História Local

Coimbra

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História Local
 Igreja Moçárabe de São Pedro de Lourosa

Situada na aldeia de Lourosa, esta igreja terá sido erguida (ou reerguida) em 912, conforme lápide
existente. Esta igreja é de estilo dito moçárabe, fruto da presença árabe que dos séculos VIII ao XI
dominou esta zona do território hoje português. .Tem três naves separadas por arcos em ferradura e
ausência de decoração.

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História Local
Castelo de Penela

Os domínios de Penela terão sido tomados à época da


conquista de Coimbra pelas tropas de Fernando
Magno (1064). No ano seguinte, o monarca concedeu
carta de povoamento a Penela. No testamento do
conde Sesnando Davides (1087), a quem o rei entregara a
administração do condado Conimbricense, afirma-se ter
sido o conde a povoar os domínios do Castelo de Penela.
A ofensiva Muçulmana que, em vagas sucessivas (1116-
1117), conquistou e destruiu o Castelo de Miranda do
Corvo e o Castelo de Santa Eulália, causando o abandono
do Castelo de Soure, integrantes da linha de defesa de
Coimbra, terá ameaçado o de Penela. A perda ou
abandono da sua posição explicaria a conquista que é
atribuída a D. Afonso Henriques, em 1129.

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História Local
Castelo de Montemor-o-Velho

As primeiras referências remontam ao século IX, quando Ramiro I das Astúrias o conquistou (848).
A posse da região entre os rios Douro e Mondego alternou-se entre Cristãos e Muçulmanos desde a
segunda metade do século X até ao início do XI. A posse Cristã definitiva só ocorreria sob Fernando
Magno após a conquista definitiva de Coimbra (1064), assegurando a fronteira no Mondego.

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História Local

Porta moçárabe no edifício


onde hoje se encontra o
Museu Nacional Machado
de Castro.
Arcos em ferradura.

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História Local

Évora

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História Local
Castelo de Évora

Évora foi inicialmente tomada pelas forças de D. Afonso Henriques em 1159. Foi retomada em pouco
tempo pelos Muçulmanos. A sua conquista definitiva só seria alcançada pelo lendário Geraldo Sem
Pavor, em 1165, com o auxílio dos primeiros cavaleiros da Ordem de Calatrava. Em 1181, estes monges-
cavaleiros eram denominados como Ordem de Évora, vindo a denominar-se, cerca de meio século mais
tarde, Ordem de Avis, quando elegeram aqueles domínios por sede. Durante o reinado de D. Sancho I
foi com o auxílio destes cavaleiros que a cidade resistiu ao assalto das forças Almóadas comandadas
por Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur, em 1191.

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História Local
Castelo de Montemor o Novo

Na época da invasão Muçulmana da península Ibérica, o nome de Al-Mansur parece ter permanecido na
região, na toponímia da ribeira de Almansor. Alguns autores afirmam que aqui também existiu uma
fortificação Muçulmana. Na época da Reconquista Cristã  a povoação foi conquistada pelas forças
portuguesas sob o comando de D. Sancho I (1185-1211). Visando o seu repovoamento e defesa, o
soberano concedeu-lhe Carta de Foral em 1203. Acredita-se que a construção do castelo medieval se
tenha iniciado nesta fase.

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História Local

Mirante em estilo manuelino-mudéjar da casa do Covil.


Construção do século XVI. Situa-se no Largo da Porta da Moura,
em Évora.

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História Local
Ermida de S. Braz

Ermida de S. Braz. Évora. Construída no século XVI em estilo


manuelino, denota muitas influências da arte mudéjar.

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História Local

Faro

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História Local
Castelo de Silves

A partir do século VIII, com a invasão Muçulmana da península Ibérica, os novos senhores desta
região iniciaram a fortificação de Silves (então as-Shilb). Por volta do século XI, Silves foi palco de
inúmeras disputas entre príncipes Muçulmanos vindo a ser conquistada pelo rei-poeta Al-Mu'tamid
em 1052, tornando-se sede de um taifa. A povoação encontra-se descrita na crónica de Xelbe, no
final do século XII, como um dinâmico centro urbano, comercial e cultural do mundo islâmico.
A reforma Almóada das defesas desta cidade foi empreendida pelo último rei muçulmano, Ibn al-
Mahfur, que lhe conferiu as linhas gerais que, com alterações, chegaram aos nossos dias.

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Silves

História Local

Cisterna-poço integrada no museu arqueológico de Silves.


Trata-se duma construção do período almóada da
ocupação mourisca, finais do séc. XII, princípios do séc.
XIII, mas sem grandes paralelos em todo o mundo árabe.
Arcos em ferradura no Castelo de Silves. Construído mesmo junto à muralha da medina, perto de
uma torre albarrã, e muito perto duma porta principal,
terá tido durante toda a Idade Média um papel
fundamental no abastecimento da cidade baixa.

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História Local
Museu Arqueológico Municipal de Silves

Jarro de barro proveniente de


escavações no centro histórico
Taça de cerâmica. de Silves. Sécs. X, XI.
Século X Garrafa em vidro .
Séc. XII, XIII.

65
História Local
Castelo de Alvor

No contexto da campanha da conquista de Silves, o rei Sancho I (1185-1211), tentou a tomada de


Alvor desde 1187. Mais tarde, só com o reforço de uma armada de Cruzados, conseguiram assaltar e
conquistar o Castelo de Alvor, em 1189, antecipando o cerco e a tomada do Castelo de Silves.

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História Local

Porta da Vila . Faro. Torre da Igreja de S. Clemente. Loulé, Faro.


É uma das mais antigas construções do período A torre da atual igreja aproveitou a
islâmico existentes em Portugal. estrutura do minarete da mesquita pré-
Foi classificada como monumento nacional em 1910. existente

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História Local
Museu Arqueológico e Lapidar do Infante D. Henrique - Faro.

Lápide funerária. Grés. Sé. XI. Lápide funerária. Xisto. Século XI.

68
História Local

Peças de cerâmica Muçulmanas. Museu de Loulé. Faro.

69
História Local
Morabitos

Antigo morabito árabe ( possivelmente do séc. X )


adaptado para capela Cristã no século XVII. Um dos Morabito de São Pedro ou Capela de São Pedro .
muitos morabitos ignorados e abandonados na região Alvor.
do Algarve. Portimão.

Morabito - pessoa pura, a quem se atribui, nalguns países muçulmanos, a qualidade de santo.
A mesma palavra designa o lugar onde habitava o morabito (uma espécie de ermita), num local
isolado da povoação, ou a tumba de alguém com estas características .
Os morabitos ainda marcam presença no nosso território desde a época árabe, tendo em certas
épocas sido objeto de veneração popular.

70
História Local

Muralhas de Salir, datadas do período muçulmano.

71
História Local

Castelo de Paderne. Originariamente uma


fortificação militar do período muçulmano.

72
História Local

Guarda

73
História Local
Castelo Rodrigo

Na época da Reconquista Cristã, a povoação foi conquistada por Afonso IX de Leão (1188-1230). Este rei
fez erguer o primitivo castelo, que integrava a linha defensiva que então implantou no Ribacôa,
juntamente com o Castelo de Alfaiates, o Castelo de Almeida, o Castelo Bom e o Castelo Melhor. Essa
defesa deveria estar concluída ou em fase bastante adiantada em 1209, quando foi criado o Concelho
Perfeito de Castelo Rodrigo e a povoação recebeu o primeiro foral. A toponímia provém do nome do
senhor de seus domínios, o conde Rodrigo Gonçalves Girão, responsável pelo repovoamento e defesa
da região à época.

74
História Local

Leiria

75
História Local
Castelo de Leiria

A partir de 1128, D. Afonso Henriques, planeou alargar os seus domínios. Para defesa desta linha a sul,
estrategicamente fez erguer, de raiz, um novo castelo entre Coimbra e Santarém (1135), a que chamou
de Leiria. Dois anos mais tarde, a povoação e o seu castelo foram assaltados pelos Almóadas. O monarca
organizou uma contraofensiva para conter o avanço dos mouros, cujas forças combinadas derrotou na
Batalha de Ourique (1139). A partir de 1147, depois de 2 vezes perdido e 2 vezes reconquistado, o
castelo de Leiria pertenceria de forma permanente ao Condado Portucalense.

76
História Local
Castelo de Óbidos

No contexto da Reconquista Cristã, o rei D. Afonso Henriques (1112-85), após as conquistas


de Santarém e de Lisboa (1147), encontrou grande resistência para conquistar a povoação de Óbidos
e o seu castelo, facto que só ocorreu em em 1153.
Reconquistadas definitivamente no reinado de D. Sancho I (1185-1211), foram realizadas obras
no castelo (conforme inscrição epigráfica na Torre do Facho), época em que a vila recebeu a
sua Carta de Foral (1195).

77
História Local

Lisboa
Al-Ušbuna

78
História Local
Alguns topónimos da região de Lisboa de origem
árabe e seu significado

Algés (Aljaich) - o exército Alcântara -a ponte

Alhandra (Alhammam) - os banhos


Alvalade (Albalad )- o campo

Massamá (Maktamá)- nascente de água


Alverca (Albirka) - o pântano

Albarraque (Albarrak ) - o brilhante


Algueirão (Aljairan)- as grutas
Caneças (Kanissa) - igreja

Queluz -vale da amendoeira


Cacém - aquele que testemunha

79
História Local

Em 2007 os CTT emitiram uma


série de selos sobre Lisboa Árabe.

80
História Local
Lisboa Muçulmana/Árabe

Século VIII - Século XII


O domínio muçulmano em Luxbuna inicia-se
no ano 719. Desse período chegaram-nos
vestígios da Alcáçova árabe, da Mesquita
Aljama, da Cerca Moura e das portas da
Medina islâmica. A Lisboa Muçulmana abrangia
a colina do Castelo, descendo-a desde a sua
Acrópole até ao rio. A Medina situava-se na
atual zona do Castelo se S. Jorge, no interior da
Cerca Moura. Na Medina situava-se a Alcáçova,
onde vivia o alcaide. Este era o espaço de
defesa da urbe Muçulmana, tendo sido
Jarra de barro com vidrados . Peça de elevado conquistado por Ibn-Anrriq, ou seja, Afonso
requinte destinada à contenção de líquidos. Henriques, em 1147.
Séculos XI-XII, proveniente da Rua de S.
Mamede ao Caldas (área do Teatro Romano).

81
História Local
Lisboa Muçulmana

Das muralhas da Alcáçova visionavam-se por completo a


Medina, os arrabaldes e a zona industrial da Baixa da
cidade. Nas Portas do Sol, a porta oriental da cerca moura,
existem vestígios da cerca tardo-romana, que foi
reconstruída no período islâmico, em princípios do século
X, depois do saque de Ordonho III a Luxbuna. O principal
eixo viário da Medina situava-se entre a Porta do Sol e a
Porta do Ferro, junto à atual Sé de Lisboa. A catedral de
Lisboa é uma igreja Cristã construída por cima da Mesquita
Aljama de Luxbuna. Nos seus claustros descobriram-se
fragmentos dos muros da mesquita.
No Campo das Cebolas à Ribeira Velha, os prédios
assentam sobre a Cerca Moura. Nas fábricas de peixe
romanas, na zona da Baixa, foram encontradas olarias e
ferrarias Muçulmanas.

82
História Local

Estela funerária em pedra de Lióz branco


rosado, proveniente da Praça da
Figueira.
Datada de finais do século XIV, atesta a
importante comunidade Muçulmana a
residir na cidade. Possivelmente
proveniente do principal cemitério
muçulmano (almocavar) de Lisboa,
localizado na encosta do Monte de S.
Gens (Graça), foi aproveitada na época
de D. Manuel I para a construção do Lápide da Madragoa.
Hospital Real de Todos-os-Santos, em Sec. XII, XIII.
cujos alicerces foi encontrada.
Estela funerária. Museu da
Texto adaptado de Museu da Cidade de
Cidade de Lisboa
Lisboa

83
História Local
Lisboa Muçulmana

Nas fábricas de peixe romanas, na zona da Baixa,


foram encontradas olarias e ferrarias muçulmanas.
O porto islâmico era na foz de um estuário onde
desaguavam duas ribeiras. Perto do porto ficavam as
judiarias, existindo a norte destas um porto fluvial
durante o período muçulmano. Sobre o vale da
ribeira de Arroios, perto do Martim Moniz, ficava a
Mouraria.

84
História Local

Alfama era o centro da cidade moura. À beira do seu porto existiam banhos quentes.
Em Alfama e na Mouraria coexistiam edifícios de várias tipologias ao longo de ruas
estreitas, ruelas, em torno de pátios e dos adros das igrejas, organizando-se o espaço
público e religioso à semelhança das cidades do norte de África.

A presença Muçulmana em Lisboa legou-nos toponímia de origem árabe, como é o


caso de Alfama, Benfica, Alcântara, de nomes de frutas, instrumentos e utensílios e
sobretudo marcou a malha urbana ainda hoje visível nos bairros históricos da
Mouraria e de Alfama.

85
História Local
Castelo dos Mouros Sintra

A partir do século VIII, a região foi ocupada tendo a sua povoação recebido o nome de "as-Shantara".
Integrante dos domínios da taifa de Badajoz, no século XII diante da ameaça representada pelas forças
de Ali ibn Yusuf ibn Tashfin oriundas do Norte de África, o governante de Badajoz, Mutawaquil
entregou Sintra, juntamente com Santarém e Lisboa, em 1093, ao rei Afonso VI de Leão e Castela,
visando uma aliança defensiva. O soberano Cristão não foi capaz de ajudar o governante mouro, cujos
territórios vieram a cair, no ano seguinte (1094), diante dos invasores. O destino de Sintra manteve-se
associado ao de Lisboa, reconquistada pelas forças de Afonso VI de Leão, para voltar ao domínio
muçulmano em 1095, até ser conquistada definitivamente, por D. Afonso Henriques em 1147.

86
História Local
Palácio da Pena. Sintra

Entre outros elementos decorativos, o palácio denota


uma influência árabe notória nos minaretes, nos
diversos arcos trilobados e na escrita árabe, elementos
que surgem dispersos.

87
História Local
Palácio da Vila. Sintra

O Palácio da Vila, em Sintra, revela algumas


influências mudéjares, nomeadamente, nos azulejos.

88
História Local
Morabitos

Morabito - pessoa pura, a quem se atribui,


nalguns países Muçulmanos a qualidade de
santos.
A mesma palavra designa o lugar onde
habitava o morabito (uma espécie de
ermita), num local isolado da povoação, ou a
tumba de alguém com estas características .
Os morabitos ainda marcam presença no
nosso território desde a época árabe, tendo
em certas épocas sido objeto de veneração
popular.

Morabito da Serra de Sintra

89
História Local
Castelo de Alenquer

No contexto da Reconquista Cristã, a povoação e o seu castelo foram conquistados pelas forças
de D. Afonso Henriques em 1148, que determinou o seu repovoamento e a reconstrução das suas
defesas.
O seu filho e sucessor, D. Sancho I (1185-1211), fez erguer o Paço Real, posteriormente doado
à Infanta D. Sancha, sua segunda filha. Sob o reinado de D. Afonso II (1211-1223), esta senhora
concedeu o primeiro foral à vila (1212).

90
História Local
Casa do Alentejo

Casa do Alentejo. Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa. Palácio do século XVII, mandado
edificar pelos viscondes de Alverca. Sofreu profundas obras de remodelação para adaptação a
Casino no início do século XX. Os elementos decorativos do interior do Palácio introduzidos com
a remodelação, denotam grande influência árabe, integrando o chamado neomudéjar, estilo que
integra a corrente romântica do século XIX espalhando-se, então, por toda a Europa.

91
História Local
Praça de Touros do Campo Pequeno, Lisboa.

A Praça de Touros do Campo Pequeno localiza-se


na Avenida da República, em Lisboa.
É um recinto para corridas de touros, concertos
musicais e outros eventos, com uma capacidade
de cerca de 10.000 pessoas. Foi edificado em
1892, em substituição da praça que funcionou de
1831 a 1891 no Campo de Santana. A Praça de
Touros do Campo Pequeno foi construída em
tijolo maciço de face à vista o que lhe confere
uma aparência típica da arquitetura mudéjar
ibérica. Apresenta ainda janelas de arcos em
ferradura ameias e quatro torreões que
lembram os minaretes.
Selo comemorativo do Centenário da Praça de Foi alvo de um processo de reabilitação
Touros do Campo Pequeno da autoria de Maluda.
profundo no início do século XXI.
Selo impresso a offset pela INCM a partir de original
em guache, 1992.

92
História Local
Fonte Moura ou Fonte Grande. Vila Franca de Xira.

Situada no sopé do Monte do Senhor da Boa Morte, este fontanário tinha


como função inicial abastecer de água a população local. Trata-se de uma
fonte de origem moura com uma cúpula que encima a estrutura.

93
História Local

Santarém

94
História Local
Castelo de Almourol

Reza a lenda…

Nos primeiros tempos da Reconquista, D. Ramiro, um cavaleiro Cristão regressava


orgulhoso de combates contra os Muçulmanos quando encontrou duas mouras, mãe e
filha. Trazia a jovem uma bilha de água, que, assustada, deixou cair quando lhe pediu
de beber rudemente o cavaleiro. Enfurecido, acabava de tirar a vida às duas mulheres
quando surgiu um jovem mouro, filho e irmão das vítimas, logo aprisionado. D. Ramiro
levou o cativo para o seu castelo, onde vivia com a própria esposa e filha, as quais o
prisioneiro mouro logo planeou assassinar em represália. Entretanto, se à mãe passou
a ministrar um veneno de ação lenta, acabou por se apaixonar pela filha, a quem o pai
planeava casar com um cavaleiro de sua fé. Correspondido pela jovem, que entretanto
tomara conhecimento dos planos do pai, os apaixonados deixaram o castelo e
desapareceram para sempre. Reza a lenda que, nas noites de São João, o casal pode
ser visto abraçado no alto da torre de menagem e, a seus pés, implorando perdão, o
cruel D. Ramiro. 

95
História Local

Capitel de mármore branco. Santarém, Museu Municipal S. João do Alporão


Mistura elementos geométricos, vegetalistas e abstratos. Provavelmente teria pertencido a
uma mesquita.

96
História Local
Castelo de Almourol - Distrito de Santarém

Na época da Reconquista Cristã, Almourol foi conquistado em 1129 por D. Afonso Henriques.


O soberano entregou-o aos cavaleiros da Ordem dos Templários, então encarregados do
povoamento do território entre o rio Mondego e o rio Tejo, e da defesa da então capital de
Portugal, Coimbra.
Nesta fase, o castelo foi reedificado, tendo adquirido, em linhas gerais, o seu aspeto atual,
característico da arquitetura templária: espaços de planta quadrangular, muralhas elevadas,
reforçadas por torres adossadas, dominadas por uma torre de menagem.

97
História Local
Castelo de Santarém - Distrito de Santarém

Na altura da Independência de Portugal, diante do avanço para o Sul das forças portuguesas sob o
comando do rei D. Afonso Henriques (1112-1185), o Castelo de Santarém foi conquistado, em 15 de
Março de 1147, de surpresa num assalto noturno. A povoação e o seu castelo encontravam-se no
caminho da investida do califa almóada Abu Ya'qub Yusuf I, sendo atacados em 1171. As forças
Muçulmanas foram dispersas pelas tropas de Fernando II de Leão, genro de D. Afonso Henriques. Um
novo ataque muçulmano ocorreu em 1181, tendo os assaltantes recuado diante de uma
contraofensiva dos Cristãos.

98
História Local

Torre Mourisca de S. João da Ribeira, Rio Maior, Santarém.

99
História Local

Portalegre

100
História Local
Castelo de Cabeço de Vide - Distrito de Portalegre

D. Afonso Henriques  conquistou a primitiva povoação aos Muçulmanos, em 1160, conservando-a


pouco tempo em seu poder, uma vez que foi por estes reconquistada e destruída em 1190, aquando
da ofensiva de Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur. Mais tarde, com a posse definitiva de Portugal sobre a
região, a povoação foi reconstruída no alto do atual cabeço, atendendo a razões estratégicas de
defesa desta região fronteiriça. Foi então erguido (ou reconstruído) um castelo e uma cerca
amuralhada em torno da povoação.

101
História Local
Castelo de Marvão - Distrito de Portalegre

No contexto da conquista de Alcácer do Sal, D. Afonso Henriques terá tomado a povoação aos mouros
entre 1160-1166. Em  1214, Marvão já se incluía em terras portuguesas. D. Sancho II concedeu-
lhe Carta de Foral em 1226, visando manter esta sentinela avançada do território povoada e defendida
diante das repetidas incursões oriundas de Castela.
D. Afonso III doou os domínios de Marvão aos cavaleiros da Ordem de Malta em 1271. D. Dinis ,
confirmou a Marvão o foral em 1299 e empreendeu obras de ampliação e reforço das defesas,
destacando-se a construção da torre de menagem, iniciada no ano de 1300.

102
História Local

Porto

103
História Local
Castelo de Gaia - Distrito do Porto

Com a Invasão islâmica da península Ibérica a partir do século VIII, e com a  Reconquista Cristã da
península, por volta do ano 1000, a fronteira entre Muçulmanos e Cristãos fixou-se no rio Douro.
Diante das oscilações da linha de fronteira, a povoação de Cale (Gaia), perdeu a sua população
Cristã, que se refugiou na margem norte do rio. O primitivo castelo terá sido erguido pelas forças
Muçulmanas, uma vez que é referido numa das antigas lendas associadas a Gaia, que se refere ao
confronto entre o rei Cristão D. Ramiro e o rei mouro Alboazer..
Com a conquista definitiva e subsequente pacificação dos territórios a sul do Douro, por volta
de 1035, registou-se um repovoamento da antiga Gaia, incentivado por foral passado pelos novos
senhores das terras conquistadas. A nova povoação denominou-se "Vila Nova de Gaia“.

104
História Local
Castelo de Gaia - Distrito do Porto

Reza a lenda…
O rei Ramiro II de Leão apaixonou-se por uma bela moura, irmã do emir Alboazer Alboçadam,
cujos domínios se estendiam de Gaia até Santarém. Apesar de já ser casado, Ramiro imaginou que
seria fácil obter da Igreja a anulação do seu casamento dado o laço de parentesco que o unia à sua
esposa, D. Aldora. Desse modo, sob influência dessa paixão ,Ramiro decidiu firmar a paz com
Alboazer, sendo recebido no castelo deste, em Gaia. Alboazer recusou o pedido: jamais daria a
mão da irmã em casamento a um Cristão e, ela já havia sido prometida ao rei de Marrocos.
Ramiro, vexado, pediu auxílio de um astrólogo mouro, Amã, para que estudasse os astros de
forma a estabelecer a data propícia para o rapto da moura. Alboazer, ao dar por falta da irmã,
compreendeu o que acontecera e partiu imediatamente em seu encalço, logrando alcançar os
raptores a embarcar no cais de Gaia. No combate a sorte das armas foi favorável aos Cristãos,
tendo a moura sido levada para o reino de Leão, onde recebeu o batismo e o nome de Artiga, que
tanto significava "castigada e ensinada" como "dotada de todos os bens".

105
História Local
Castelo de Gaia - Distrito do Porto


Alboazer, para se vingar, raptou a esposa legítima do rei Ramiro, D. Aldora. Quando o rei Ramiro
soube do rapto ficou louco de raiva e, juntamente com o seu filho D. Ordonho e alguns vassalos,
zarpou de barco para Gaia. Aí chegados Ramiro disfarçou-se de pedinte e dirigiu-se a
uma fonte onde encontrou uma das aias de D. Aldora, e a quem pediu um pouco de água,
aproveitando para, dissimuladamente, deitar na bilha da água meio camafeu, do qual a rainha
possuía a outra metade. Reconhecendo a jóia, D. Aldora mandou buscar o rei disfarçado de
pedinte e, como castigo pela infidelidade dele, entregou-o a Alboazer.
Sentindo-se perdido, o rei Ramiro pediu a Alboazer uma execução pública, esperando ganhar
tempo para poder avisar o seu filho através do toque do seu corno de caça. Ao ouvir o sinal
combinado, D. Ordonho acorreu com os seus homens ao castelo e juntos mataram Alboazer e as
suas gentes, para além de arrasarem o castelo. Fazendo levar D. Aldora e as suas aias para o seu
barco, o rei Ramiro atou uma mó de pedra ao pescoço da rainha e atirou-a ao mar num local que
ficou a ser conhecido por Foz de Âncora. A lenda conclui informando que Ramiro voltou para Leão
onde finalmente se casou com a moura, de quem teve vasta descendência.

106
História Local

Setúbal

107
História Local
Castelo de Palmela - Distrito de Setúbal

Após a conquista de Lisboa (1147) pelas forças de D. Afonso Henriques (1112-1185), foram
conquistadas no mesmo ano Sintra, Almada e Palmela. Na ocasião, as forças Muçulmanas que
defendiam Palmela, abandonaram-na, indo refugiar-se em Alcácer do Sal. Os Muçulmanos,
rapidamente se reorganizaram, recuperando a margem sul do rio Tejo. Os Cristãos reconquistaram
Palmela em 1158. Novamente perdida, foi definitivamente conquistada pelo rei D. Afonso Henriques
em 24 de Junho de 1165.

108
História Local
Castelo de Sesimbra - Distrito de Setúbal

Após a conquista de Lisboa (1147) a posse desta região oscilou entre Muçulmanos e Cristãos.
Fracamente guarnecida, a fortificação de Sesimbra foi inicialmente tomada pelas forças de D.
Afonso Henriques (1112-1185) em 21 de Fevereiro de 1165, que lhe terão procedido a obras de
reparação e reforçado a sua defesa.
A conquista do Castelo de Silves, em 1189, pelas forças de D. Sancho I (1185-1211), suscitou uma
contraofensiva Muçulmana que, resultou não só na perda de Silves como de grande parte da região
do Alentejo. D. Sancho I (1185-1211) reapossou-se desta povoação por volta de 1200 com o auxílio
de cruzados aos quais ofereceu terras para colonização. Em 1201 o soberano concedeu Carta de
Foral à povoação, determinando-lhe a reconstrução do castelo "a partir dos alicerces".

109
História Local
Morabitos

Morabito do Cabo Espichel

Morabito - pessoa pura, a quem se atribui, nalguns países Muçulmanos a qualidade de santo.
A mesma palavra designa o lugar onde habitava o morabito (uma espécie de ermita), num local
isolado da povoação, ou a tumba de alguém com estas características .
Os morabitos ainda marcam presença no nosso território desde a época árabe, tendo em
certas épocas sido objeto de veneração popular.

110
História Local

Vila Real

111
História Local
Castelo de Chaves - Distrito de Vila Real

Chaves foi inicialmente tomada aos mouros por Afonso III de Leão (866-910). A primitiva construção
do castelo é atribuída ao conde Odoário, no século IX. No primeiro quartel do século X, voltou a cair
no domínio mouro.
Afonso VI de Leão e Castela incluiu a povoação de Chaves no dote de D. Teresa quando a casou com o
conde D. Henrique  (1093), passando Chaves a integrar os domínios do Condado Portucalense.

112
História Local

Viana do Castelo

113
História Local
Distrito de Viana do Castelo

É possível que o topónimo Afife derive da palavra árabe, "Afif", que inicialmente era
utilizado como adjetivo para designar algo ou alguém "virtuoso“.
Ao longo dos séculos, o topónimo foi apresentando diferentes grafias: Fifi, Affifi, Afifi, Afife. 
Há ainda a considerar, que se pode encontrar a localidade de "Afif", que se situa entre Meca
e Medina na Arábia Saudita.

114
História Local
Castelo de Melgaço - Distrito de Viana do Castelo

A construção do castelo remonta a 1170, por determinação de D. Afonso Henriques (1112-1185).


O primeiro documento a referir a povoação é a Carta de Foral que lhe foi passada pelo rei em 1183,
garantindo aos seus habitantes (por pedido dos próprios) privilégios semelhantes aos que gozava o
feudo galego de Ribadavia. A partir de então, a vila fronteiriça desenvolveu-se com rapidez, de tal
forma que o primitivo castelo estaria concluído já no início do século XIII, altura em que, juntamente
com outras praças vizinhas, fez frente à invasão das forças do reino de Leão no contexto da disputa
entre D. Afonso II (1211-1223) e as suas irmãs.

115
História Local

Viseu

116
História Local
Castelo de Penedono - Distrito de Viseu

As fontes documentais mais antigas mencionam esta área a propósito do repovoamento da região após
a vitória das forças de Ramiro II de Leão na batalha de Simancas (939). A defesa desta parte do
território foi confiada a Rodrigo Tedoniz, marido de Leodegúndia (irmã de Mumadona Dias) Rodrigo
viria a ser alcaide dos castelos do rei e, nessa função, teria determinado a reedificação do Castelo de
Penedono. Posteriormente, em 960, Chamoa Rodrigues, instituiu como testamenteira a sua tia
Mumadona, com o encargo de dispor dos seus bens para fins de beneficência.
Durante o século XI, ao sabor dos avanços e recuos das fronteiras Cristãs, Penedono e o seu castelo
mudaram de mãos em diversas ocasiões. A sua reconquista definitiva deveu-se à ação do rei
leonês Fernando Magno (1064).

117
História Local
Mesquitas em Portugal
Viana do
Castelo
Bragança
Braga
Porto
Porto central
central Vila Real
Porto
Porto Batalha
Batalha
Porto Coimbra
Sanguedo
Sanguedo Coimbra
Açores
Açores (Ponta
(Ponta Delgada)
Delgada) Figueira
A-ver-o-mar
A-ver-o-mar Figueira da
da Foz
Foz
Aveiro
Viseu Leiria
Leiria
Guarda Viseu
Viseu
Coimbra
Forte
Forte da
da Casa
Casa
Lisboa
Lisboa Central
Central Leiria Castelo Vialonga
Vialonga
Branco Portela
Martim
Martim Moniz
Moniz Portela
Darul
Darul Uloom
Uloom Odivelas
Odivelas
Pov.
Pov. Stº
Stº Adrião Santarém Portalegre Laranjeiro
Adrião Laranjeiro 11
Stº
Stº Antº
Antº Cav.
Cav. Laranjeiro
Laranjeiro 22
Madeira
Madeira (Funchal)
(Funchal) Fetais
Fetais Barreiro
Barreiro
Qtª Lisboa
Qtª do
do Mocho
Mocho Darul
Darul Uloom
Uloom
Rossio Évora Évora
Rossio Setúbal Évora C.
C. Caparica
Caparica
Vale
Vale da
da Amoreira
Amoreira
Colina
Colina do
do Sol
Sol Beja
Damaia
Damaia Armação
Armação Pera
Pera
Buraca
Buraca Portimão
Portimão
Reboleira
Reboleira Albufeira
Albufeira
Cacem
Cacem Faro
Faro
Carnaxide
Carnaxide Quarteira
Quarteira
Faro

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