Você está na página 1de 26

AULA 07

Sociolinguística
Teorias Linguísticas Contemporâneas
– LETA26
Prof.ª Isis Barros
prof.isis.barros@gmail.com
A língua de um povo é seu
retrato social
Variação
 A variação é definida como um conjunto de duas
ou mais variantes. Variantes são diferentes
formas linguísticas que veiculam um mesmo
sentido.  
 Essa variação se dá em diferentes níveis da
língua: lexical, fonético, morfológico e sintático.  
 Sociolinguística:  

I. quantitativa - correlaciona fatores linguísticos e


extralinguísticos que determinam o uso de uma
dada variante;  
II. dialetológica: localiza e descreve, regional e
socialmente, os dialetos de uma língua.  
Variação
 Se se admite a ideia de que a língua é um sistema
inerentemente variável, faz-se necessário definir os
limites da variação.
 Por que não vivemos numa total anarquia linguística?
 (limite individual)

 Segundo Guy (2001), comunidade de fala é formada


por falantes que:  
1. compartilham traços linguísticos que distinguem seu
grupo de outros;  
2. comunicam-se relativamente mais entre si do que
com outros; e  
3. compartilham normas e atitudes diante do uso da
linguagem.  
Exemplos de Variação
 Diatópica: /aj/ /a:/ - alive; bride;
Mississipi e Alabama; /r/: paulistas;
/h/ cariocas;

 Diastrática: andar e andá; as coisas;


ar coisa;
Um
pouquinho
de
humor....
ASSALTANTE BAIANO

Ô meu rei... ( pausa )


Isso é um assalto... ( longa pausa)
Levanta os braços, mas não se avexe
não..( outra pausa )
Se num quiser nem precisa levantar,
pra num ficar cansado ..
Vai passando a grana, bem
devagarinho ( pausa pra pausa )
Num repara se o berro está
sem bala, mas é pra não
ficar muito pesado.
Não esquenta, meu
irmãozinho, ( pausa )
Vou deixar teus
documentos na
encruzilhada .
ASSALTANTE MINEIRO
Ô sô, prestenção issé um
assarto, uai.
Levantus braço e fica ketin
quié mió procê.
Esse trem na minha mão tá
chein de bala...
Mió passá logo os trocados
que eu num tô bão hoje.
Vai andando, uai ! Tá
esperando o quê, sô?!
ASSALTANTE CARIOCA

Aí, perdeu, mermão


Seguiiiinnte, bicho
Tu te fu. Isso é um assalto .
Passa a grana e levanta os braços
rapá .
Não fica de caô que eu te passo o
cerol....
Vai andando e se olhar pra tras
vira presunto
ASSALTANTE DE BRASILIA
Querido povo brasileiro, estou aqui
no horário nobre da TV para dizer
que no final do mês, aumentaremos
as seguintes tarifas: Energia, Água,
Esgoto, Gás, Passagem de ônibus,
Imposto de renda, Lincenciamento
de veículos, Seguro Obrigatório,
Gasolina, Álcool, IPTU, IPVA, IPI,
ICMS, PIS, COFINS...
Sociolingupistica
 Mollica (2003, p. 9):
 A Sociolinguística estuda a
língua em uso no seio das
comunidades de fala, voltando a
atenção para um tipo de
investigação que correlaciona
aspectos linguísticos e sociais.
Objetivo
 Entender quais são os fatores
linguísticos que motivam a variação
linguística, e qual a importância de
cada um desses fatores na
configuração do quadro que se
apresenta variável;
Os precursores da
Sociolinguística
 Firmou-se na década 1960 – William
Labov – “Teoria da variação”; Visão:
ciência do social;
 Década de 30, EUA – Linguistic Atlas of
the US and Canada – acréscimo das
informações sociais;
 Meillet (1926), França – A história da
língua é inseparável da história cultural
e social;
Sociedade e linguagem
 Um indivíduo, inserido numa comunidade
de fala, partilha com os membros dessa
comunidade uma série de experiências e
atividades; (comunidades e
subcomunidades linguísticas);
 Estudos do /r/ de Labov (1966) em NY;
Ex: fourth; floor; computer; water;
 Trudgill (1974) /s/ 3rd p. Norwich (EN) e
Detroit (US)
 Homem e Mulher: Tabu (Zulu – Umánzi)
Objeto da sociolinguística
 É a diversidade linguística
 Estudo da fala, observada, descrita e
analisada em seu contexto social;

 Variedades linguísticas: diferentes


modos de falar de toda uma
comunidade;
Aspectos teórico-
metodológicos
 Estudar a variação: quantificar as diferenças
 Um fenômeno é analisado em diferentes contextos:
lingüísticos (ex: tipo de verbo, animacidade,
referencialidade, etc.) sociais (idade, sexo, escolaridade,
etc.)  
 Distinguimos uma comunidade da outra quando as
diferenças entre elas são categóricas: uma comunidade
tem um traço e a outra não o tem. Ex: “Tu” de Porto
Alegre.  
 Peso relativo: Vão de 0 a 1 e indicam maior precisão na
escolha das variantes. Quando o valor do fator está
próximo de zero, desfavorece o fenômeno. Quando o
valor for 0.50, o fator é neutro. Quando está próximo de
um, favorece o fenômeno.  
Aspectos teórico-
metodológicos
 Há duas dimensões de análise:
1) falantes que compartilham os mesmos
números (pesos relativos) quando
aplicam uma regra de acordo com os
contextos linguísticos, ainda que possam
apresentar números diferentes dentro do
quadro geral; (Identidade estrutural)
 Zilles (2000): VS – entrava uma pessoa
idosa; SV – Ele chegou cedo;
Zilles (2000) – Frequência
da ordem VS e SV

PORTO SÃO BORJA FLORES DA PANAMBI


ALEGRE CUNHA
ORDEM % % % %
SV 95 93 93 95
VS 5 7 7 5
Aspectos teórico-
metodológicos
2) falantes que apresentam pesos
diferentes, com relação ao contexto
linguísticos, mas têm o mesmo
comportamento do quadro geral;
(Gramáticas diferentes)
 Cameron (1993):
 Él escribió la carta y salió a pasear;
 Escribió la carta y salió a pasear;
Cameron (1993) – Omissão
do sujeito

San Madri
Juan
Nº de % P. R. Nº de % P. R.
casos casos
[+ esp] 145 48 0,51 58 40 0,72
[- esp] 188 69 0,72 150 19 0,50
Aspectos teórico-
metodológicos
 Regra categórica: A mesa; O buraco;

 Variação estável: Those /ð/ e /d/;


speaking /ŋ/ e /n/; cLaro e cRaro;

 Mudança em curso: Eu vou à praia; Eu vou


pra praia; (tempo real e tempo aparente)

 Mudança: Papel /l/ -> /w/


Desenvolvendo um estudo
variacionista
 Fazer levantamento quantitativo em
um corpus (conjunto de dados) por
meio de gravações de conversas entre
falantes (É preciso ter cuidado. O
falante tem de falar o vernáculo.
(Paradoxo do observador)
 
 Passo-a-passo:1 – Isole os dados em que
está interessado; 2 –Faça uma análise
qualitativa para ver quais fatores são
relevantes ou não; 3- Codifique os dados
conforme os fatores linguísticos e conforme
suas variáveis e variantes; 4 – Use o varbrul
(pacote de programas estatístico) ou
Goldvarb; 5 – Descreva sua análise.  
 Constatar as variantes usadas por falantes
de diferentes características sociais dentro
de uma mesma comunidade é essencial para
o entendimento de como uma língua se
estabelece como tal, permanece como tal,
ou muda através do tempo.  
Expansão da
sociolinguística
 A partir da década de 1970;

 Projeto Mobral Central;


 Norma Urbana Oral Culta do RJ (NURC)
 Censo da variação linguística no estado
do RJ (Censo)

 Coordenadores: Miriam Lemle, Celso


Cunha, Anthony Naro;
Expansão da
sociolinguística
 Programa de Estudos sobre o Uso da
Língua (Peul) - UFRJ
 NURC – UFRJ
 Projeto de Variação Linguística da
Região Sul do Brasil (Varsul) – UFSC
 Vertentes – UFBA

Você também pode gostar