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Vigilância Sanitária

e Boas Práticas
– do que é que estamos falando?
Lenice da Costa Reis
Janeiro/2016
Vigilância Sanitária – de onde vem?

Em todas as civilizações havia iniciativas para proteger a saúde dos povos


• Babilônia – ano 2200 a.C. - Código de Hammurabi
• Índia - ano 300 a.C. - lei proibiu a adulteração de alimentos,
medicamentos e perfumes
• Inglaterra - ano 1202 – primeira legislação sobre alimentos, proibia a
adulteração do pão com feijões e outros “ingredientes” como grãos de
terra; apreensões de alimentos estragados do comércio, com base em lei
que fixava multas para exposição à venda de peixes deteriorados
Vigilância Sanitária – de onde vem?

• Alemanha - ano 1224 o Imperador Frederico II, implantou a


inspeção regular dos compostos preparados nas farmácias e
declarou que a vida de um fornecedor seria sacrificada caso o
consumidor morresse
• Inglaterra - ano 1248 - decretada a inspeção sanitária prévia de
animais destinados ao abate para o consumo humano
• Veneza – ano 1348 - início da vigilância dos portos para impedir a
entrada da peste com inspeção das embarcações e de suas cargas;
passageiros podiam ser colocados sob regime de quarentena, com
exposição ao ar e ao sol
Chega ao Brasil

• Em 1744 o regimento do físico-mor do Reino:


 proibiu a distribuição de drogas por estabelecimentos não habilitados

 fixou multas e apreendendo estoques nos casos de violação da lei

 criou a figura do profissional responsável

 criou a fiscalização sobre a conservação das drogas e dos vegetais


medicinais
Chega ao Brasil

• Em 1808, com a chegada da família real portuguesa:

 normas para o controle sanitário dos portos

 quarentena e isolamento de passageiros com doenças contagiosas

 controle de alimentos

 inspeção de matadouros, açougues públicos, boticas, drogas e


medicamentos
Brasil – nos dias atuais

Constituição Federal 1988

• Art.
196. A saúde é direito de todos e dever do Estado,
garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem
à redução do risco de doença e de outros agravos e ao
acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua
promoção, proteção e recuperação.
Brasil – nos dias atuais
Constituição Federal 1988

• Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei:

I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde e


participar da produção de medicamentos de medicamentos, equipamentos,
imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos;

II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do


trabalhador;

VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor nutricional, bem


como bebidas e águas para consumo humano.
Vigilância Sanitária no SUS

Lei nº 8.080/90 – Cria o Sistema Único de Saúde - SUS


Art. 6º
§ 1º Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou
prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente,
da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo:

I – o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem


com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao
consumo; e
II – o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou
indiretamente com a saúde.
Vigilância Sanitária – para que serve?

Intervenção do Estado - adequar o sistema produtivo de bens


e serviços de interesse sanitário de modo a proteger a
sociedade

Regular mercados
restringir práticas empresariais perigosas/danosas
controlar qualidade/segurança
afastar a concorrência desleal
corrigir informações aos consumidores
Vigilância Sanitária – para que serve e como trabalha?

• Eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos


problemas sanitários

• Intervenção do Estado

 Regular mercados

GESTÃO DE RISCOS SANITÁRIOS


GESTÃO DE RISCOS SANITÁRIOS

• Tomar a proteção da saúde humana como prioridade


• Favorecer e reforçar a capacidades dos indivíduos e das coletividades a tomar
decisões e a agir de modo esclarecido frente aos riscos
• Permitir às partes interessadas participar do processo, conhecer seus pontos de
vista frente às situações
• Promover a redução e eliminação de riscos, e adotar uma atitude vigilante para
evitar riscos desnecessários
 em um contexto de relativa certeza - Prevenção
 ou frente à incerteza científica - Precaução
GESTÃO DE RISCOS SANITÁRIOS

• Definir regras, normas e padrões com base nos melhores


conhecimentos científicos disponíveis, levando em conta pontos
de vista de minorias e opiniões de diversas escolas
• Ser transparente, assegurando às partes interessadas acesso fácil e
o mais rápido possível a todas as informações importantes e às
explicações pertinentes
GESTÃO DE RISCOS SANITÁRIOS

• Definição do problema e de seu contexto


Problema

• Avaliação dos riscos – magnitude, trancendência


Avaliação do Avaliação do
processo risco
• Identificação e exame das opções para a gestão dos riscos
Comunição
sobre o risco
• Escolha da estratégia de gestão dos riscos
Implementação Opções

• Implementação da estratégia de gestão dos riscos


Escolha

• Avaliação do processo e das intervenções


Sistema Nacional de Vigilância Sanitária

Fonte: Mostra Cultural Vigilância Sanitária e Cidadania


Então a Vigilância Sanitária também...

 agrega valor aos produtos e serviços


 sinaliza e orienta a produção
 projeta o país quanto à qualidade e ao cuidado
com a saúde pública
 comunica-se com a sociedade e promove a saúde
– fortalece a cidadania
Como avançar na qualidade e na segurança de
produtos e serviços?
• Licença Sanitária é um dos mecanismos da autoridade sanitária para
permitir a entrada no Mercado e garantir à população de que estão sendo
cumpridos os requisitos mínimos de qualidade e segurança
• Os requisitos estão definidos, são conhecidos por todos e é preciso haver
compromisso com seu cumprimento
• Uma das formas de cumprir com esses requisitos é adotar as Boas Práticas
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Mas o que são Boas Práticas?

• De um modo geral: métodos ou programas que se mostram como a


melhor forma de alcançar metas e cumprir objetivos.

• São procedimentos que devem ser adotados ao longo de toda a


produção/processo de trabalho, para garantir a qualidade e
conformidade do produto/serviço com a legislação, sem riscos à saúde
do consumidor.
Boas Práticas
Edificação , instalações, equipamentos e utensílios, materiais – higiene,
manutenção

Controle Integrado de Vetores e Pragas Urbanas e Abastecimento de água

Matérias-primas, ingredientes, embalagens, insumos – validade,


especificações, armazenamento, cuidados especiais

Processo de trabalho, execução – procedimentos padronizados,


treinamento, indumentária, equipamento de proteção, manejo de resíduos

Organização, documentação, registro

RESPONSABILIDADE – LEGAL E SOCIAL


Quais as vantagens em adotar
as Boas Práticas?
• Maiorqualidade e segurança de produtos/serviços - maior
competitividade
• Maior controle sobre a produção/processo de trabalho - menos
desperdício - maior lucro e menor custo
• Proteção do produtor/responsável - registro de suas ações
• Facilita a participação em licitações
• Melhor capacitação dos funcionários
• Satisfação dos consumidores/usuários
Como adotar as Boas Práticas?
• Envolver todos os que participam do processo
• Entender o contexto de implantação das boas práticas
• Esclarecer e acordar os objetivos
• Definir as metas
• Organizar, mobilizar, treinar e apoiar
• Monitorar o processo
• Preparar para lidar com as resistências - escuta
• Avaliar, rever e adaptar

• PERSEVERAR
Que vigilância sanitária nós temos? Para onde
vai?
• A vigilânciasanitária é tão desenvolvida e forte quanto o
sistema de saúde que integra e a sociedade para a qual
trabalha.
• Cabea cada um de nós um papel nessa tarefa de construir
uma vigilância sanitária que proteja a saúde da população,
que promova a adesão às normas e a procedimentos seguros e
que entre na rota do desenvolvimento com qualidade,
responsabilidade e ética.
A fraude bromatológica – Monteiro Lobato (1918)
O óleo de rícino compõe-se por metade de óleo de algodão. 
O óleo de oliva, para uso culinário, só tem da oliva a marca fraudulentamente estampada nas latas: é óleo de algodão.
As nossas crianças chupam balas coloridas com tintas minerais nocivas à saúde e comem chocolate onde a manteiga é
substituída por margarina de algodão.
A marmelada é feita de chuchu, banana podre, um sexto de marmelo e tinta de urucu.
A goiabada segue a trilha da sua irmã.
O açúcar mascavo traz de 3 a 5% de areia, resíduos de bagaço, além de alta porcentagem de mel de tanque - glicose
nociva. 

O açúcar refinado é composto com um terço de açúcar cristal pulverizado em moinho.


O sal moído traz boa dose de impurezas malsãs; dissolvido na água produz uma lama que sobrenada e deposita areia,
conchas moídas, ossos de peixe e escamas.
A massa de tomate chega a provocar pilhérias; leva abóbora, chuchu, pimentão, óleo de algodão e às vezes até
tomate. Conforme o acondicionamento serve indistintamente de massa para uso culinário ou de graxa para sapatos
amarelos.

A farinha sofre inúmeras adulterações, inclusive a mistura do caolim, e o pão recebe alumen para clarear e crescer.
Também é usado o sulfato de cobre para o mesmo fim no fabrico dos biscoitos.
Há macarrão com ovo onde o ovo é anilina ou amarelo de cromo.
Na manteiga a parte de água atinge nalgumas a proporção de 12%.
Vendem-se cafés em pó asquerosos, feitos de escolhas com 15% de cascas, paus, lixo, etc. e o resto de grãos verdes,
ardidos ou podres.
Obrigada!
Lenice da Costa Reis
Pesquisadora em Saúde Pública
Departamento de Administração e Planejamento em Saúde
Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca
Fundação Oswaldo Cruz