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* A criança e a creche

ACOMPANHAMENTO EM CRECHE
E JARDIM DE INFÂNCIA
– TÉCNICAS PEDAGÓGICAS

MARIA MARGARIDA SOARES


Importância da afetividade
*O que é a afetividade?
Tal como qualquer pessoa, a
criança é afetada tanto por
elementos externos - o olhar do
outro, um objeto que chama a
atenção, uma informação que
recebe do meio - como por
sensações internas - medo, alegria,
fome – aos quais irá responder. A
essa condição humana chama-se
de afetividade e é crucial para o
desenvolvimento.
*O que é a afetividade?
O ser humano é afetado positiva e negativamente e reage a esses

estímulos. (Abigail M.)

* Quando uma mãe abre os braços para receber um bebé que dá os seus

primeiros passos, expressa com gestos a intenção de acolhê-lo e ele reage

caminhando na sua direção. Com esse movimento, a criança amplia o seu

conhecimento e é estimulada a aprender a andar.


*
* O que é a afetividade?
Ao estudar a criança, Wallon não coloca a inteligência
como principal componente do desenvolvimento, mas
defende que a vida psíquica é formada por três
dimensões - motora, afetiva e cognitiva -, que
coexistem e atuam de forma integrada. O que é
conquistado num plano atinge o outro, mesmo que não
se tenha consciência disso.
No exemplo dado, ao
andar, o bebé desenvolve
as suas dimensões motora
e cognitiva, com base
num estímulo afetivo. Um
olhar repressor da mãe
poderia impedi-lo de
aprender.
*Relação Precoce Mãe e Filho
*Relação Precoce Mãe e Filho
O Psicólogo Henri Wallon definiu o ser humano como um ser
biologicamente social. Esta vocação social, condição da nossa humanidade,
manifesta-se logo após o nascimento nas relações precoces que
estabelece com a mãe e com os adultos que cuidam do recém-nascido. Estas
relações e as que vamos desenvolvendo ao longo da vida explicam o que
pensamos, o que sentimos, o que aprendemos.
*Relação Precoce Mãe e Filho
O estado psíquico da mãe é outra circunstância que influi muito na
criança antes de nascer. Crises nervosas, estados de espírito muito
deprimidos, problemas familiares graves, fazem com que a criança receba,
através do sangue da mãe uma série de angústias iguais ou maiores do que
as que recebe depois de nascer. Procurar evitar esses problemas ao filho
que está para nascer é uma das primeiras obrigações da mãe.
*Relação Precoce Mãe e Filho
As primeiras fases da vida são decisivas para o
desenvolvimento de uma criança. As relações que
estabelece com o mundo que a rodeia, designadamente
através dos pais, asseguram-lhe as condições para a
sua sobrevivência e desenvolvimento, por exemplo, o
alimento, o abrigo, o conforto e a segurança.
*Relação Precoce Mãe e Filho
A presença da Mãe é tão importante para o bem-estar
físico e psíquico da criança, ou a presença de uma figura
paterna, ou uma pessoa que desempenhe as mesmas
funções amorosas, pelo menos durante um certo número
de horas diárias.
*Relação Precoce Mãe e Filho
Quando nasce, a criança não distingue entre o que é ela mesma e o
que faz parte do mundo que a rodeia. À medida que cresce, vai
conhecendo, pouco a pouco, os limites do seu corpo e da sua
personalidade.

A mãe é um contínuo ponto de referência no relacionamento


com o mundo da criança. A criança pode esperar tudo e tudo lhe
pode pedir. Mãe e filho formam uma espécie de união, a tal ponto
que praticamente o filho só vive através da mãe.
*Relação Precoce Mãe e Filho
O choro é a única maneira que o bebé tem de
chamar a atenção da mãe e de manifestar os seus
sentimentos de desagrado. Mas, a mãe deve
interpretar o choro do filho, pois desse modo
saberá distinguir as causas que o provocam.
*Relação Precoce Mãe e Filho
Mas o contínuo desenvolvimento da criança leva-a a tornar-se
cada vez mais consciente da sua diferenciação em relação à
mãe, a perceber que é um ser distinto. Ao longo deste processo, a
criança vai descobrindo que a mãe nem sempre está presente,
nem acode todas as vezes que ela chama.
*Relação Precoce Mãe e Filho
A criança tem mesmo de passar por este primeiro
processo de separação. Quando a capacidade da sua
memória aumentar e ela se tornar capaz de recordar que a
mãe, quando não está presente, não está definitivamente
perdida, começará a suportar a sua ausência.
*Entrada do bebé na Creche
*Afetividade na creche
* Para a criança, o desvinculamento do seio da mãe poderá
desencadear sintomas de angústia e mal-estar porque, a
entrada na creche, onde a criança passará a maior parte do seu
dia, faz com que exista uma quebra no processo de afetividade
que vem a ser construído entre ambos.
*Afetividade na creche
*A integração da criança na creche, que exige a socialização com
outras crianças, com educadores e com auxiliares, é uma nova etapa
no processo de formação da sua personalidade. Para que a criança tenha
um desenvolvimento harmonioso, a nível afetivo, motor e cognitivo, é
necessário que a creche ofereça um ambiente socio-emocional saudável e
equilibrado, que transmita segurança afetiva ao bebé.
*Afetividade na creche
 A Família representa o primeiro e o mais importante ambiente de
educação, mas não é suficiente para dar à criança uma educação
válida e completa em todos os aspetos da vida.

Educação não é só uma simples instrução, mas também saber


habituar o indivíduo a viver em sociedade, quer dizer em harmonia
com os outros. A creche representa precisamente o primeiro
ambiente de educação extra familiar.
O bebé não é um ser passivo que se limita a receber os cuidados dos
adultos: é um sujeito ativo que emite sinais daquilo que pretende e
responde, com agrado ou desagrado, ao tratamento disponibilizado.

O choro, o contato físico, o sorriso e as expressões faciais são alguns


dos meios a que o bebé recorre para manifestar as suas necessidades e
obter satisfação. São estratégias para seduzir os adultos impedindo que
os abandonem.

*Afetividade na creche
A comunicação entre o bebé e da figura do cuidador faz-se
através de um conjunto de trocas, de sinais que manifestam as
suas necessidades e o seu estado emocional.

A qualidade da relação depende da capacidade dos cuidadores


responderem adequadamente aos estados emocionais do bebé.

*Afetividade na creche
*  A afetividade forma um elo na relação entre o
educador e a criança, tornando mais próxima a relação
entre ambos. Esta relação passa pela promoção do
desenvolvimento de competências emocionais,
confiança, curiosidade, intencionalidade,
autocontrole, capacidades de relacionamento,
capacidades de comunicação e de cooperação.

*Afetividade na creche
A creche deve:
* Oferecer um ambiente que evite angústia e mal-estar e
promover o desenvolvimento da criança através da relação entre os
sentimentos e os afetos.

* Garantir que a criança é atendida com requinte, com o necessário


cumprimento das normas de higiene e de puericultura; mas não
menos importante é o facto de dever ter um número de auxiliares
e educadores suficiente para que a criança tenha assegurada
uma certa dose de presença, afeto, segurança e tranquilidade.

*Afetividade na creche
O Papel do auxiliar de ação educativa 
Deve haver estabilidade e segurança nas relações do auxilar de ação educativa
com a Mãe ou com quem a possa substituir (pai, avós,…).

O bebé deve ser estimulado através da conversa e da manipulação de objetos.


Ao mesmo tempo, os auxiliares devem estimular a criança a sensibilizar-se
pelos direitos dos outros e assim ir reduzindo os sentimentos egocêntricos.

A auxiliar deve ser não só uma pessoa que presta os cuidados básicos de
higiene, mas também alguém com uma forte disponibilidade maternal. Só assim,
se pode estabelecer entre esta e o bebé uma relação de segurança.

*Afetividade na creche
Corrigir publicamente uma pessoa é o primeiro pecado capital da educação. Um
educador ou auxiliar nunca deve expor o defeito de uma criança, por pior que ele
seja, diante dos outros. A exposição pública produz humilhação e traumas complexos
difíceis de superar. Deve-se valorizar mais a criança que erra do que o erro da criança.

O diálogo é uma ferramenta educacional insubstituível. Não se deve ter medo de


perder a nossa autoridade, mas sim ter o cuidado de não perder a confiança e a relação
que a criança estabeleceu connosco.

Não criticar excessivamente. Não comparar a criança com os colegas. A


comparação só é educativa quando é estimulante. Dar à criança liberdade para fazer as
suas próprias escolhas, ainda que isso inclua certos riscos, fracassos, atitudes tolas e
sofrimentos.

*Afetividade na creche
O Papel do auxiliar
Sempre que seja necessário, dizemos “não” sem medo,
mesmo que a criança faça birra. E se errarmos nesta área,
devemos voltar atrás e pedir desculpa. As falhas capitais na
educação podem ser solucionadas quando corrigidas
rapidamente.

A confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de


ser demolido e muito difícil de ser reconstruído. As crianças
e os jovens que perdem a esperança têm enormes dificuldades
para superar os seus conflitos.

*Afetividade na creche
O Papel do auxiliar
A pior maneira de preparar os jovens para a vida é colocá-los numa estufa,
desde pequenos, e impedi-los de errar e sofrer.

Nunca colocar limites sem dar explicações. Este é um dos pecados capitais
mais comuns que os educadores cometem, sejam eles pais, educadores ou
auxiliares de ação educativa. Nos momentos de ira, a emoção intensa bloqueia os
campos da memória. Para educar, usa-se primeiro o silêncio e depois as ideias.

Punir com castigos, privações e limites só educa se não for excessivo e se


estimular a arte de pensar, caso contrário, será inútil. A punição só é útil
quando é inteligente, deve- se elogiar o jovem antes de o corrigir ou de o
criticar. Dizer o quanto ele é importante, antes de lhe apontar o defeito.

*Afetividade na creche
O Papel do auxiliar
Uma vez que as crianças entre os 18 meses e os 3-4 anos vivem um estado de
confusão entre o mundo objetivo e o mundo subjetivo, que se sobrepõe
espontaneamente, não se deve usar, como meio de dominar as crianças, o
recurso a ameaças de “papões”, de “bruxas”, ou de “polícias”.

Ao avaliar o trabalho de uma ama encarregada de cuidar de um bebé em casa, os


Pais deverão:
•Observar a consistência do comportamento dessa pessoa;

•Observar o seu investimento emocional e a sua capacidade de respeitar a individualidade do


bebé;

•Ter atenção quando ela lhe pega ao colo, para ver se observa e se adapta aos ritmos da
criança;

•Analisar se ela é capaz de respeitar e ter carinho com os Pais da criança.

*Afetividade na creche
O Papel do auxiliar
*Adaptação da criança e
da família à creche
*A saudável adaptação da criança e da família à creche
depende não só da família mas também da atitude dos
profissionais que trabalham na creche. Durante os
primeiros contatos deve ser garantida uma atitude de
aproximação e de afeto, criando um ambiente de
segurança constante.

*Adaptação da criança e
da família à creche
*A atenção dada à criança deve ser individualizada (nunca exclusiva),

especialmente nos momentos rotineiros (chegada e partida).

* Com a família, a relação deve ser de confiança, segurança e constante

comunicação. Esta comunicação passa por transmitir o dia-a-dia da criança

e transmitir claramente as regras institucionais, nunca esquecendo de criar

uma relação calma e de paciência.

* Nesta fase a família sente-se com muitas dúvidas, ansiosa e insegura. É

necessário um trabalho constante entre o pessoal que integra a creche e a

família. Todos devem fazer um trabalho conjunto porque a educação, as

aprendizagens e o desenvolvimento da criança depende de todos.

*Adaptação da criança e
da família à creche
*O responsável da sala deverá transmitir segurança e
confiança à família, mostrando disponibilidade para prestar
quaisquer informações ou esclarecimento de dúvidas. Deve,
ainda, dar algumas recomendações aos pais sobre
procedimentos a adotar para facilitar a adaptação da
criança. Algumas creches disponibilizam um folheto
informativo com estas recomendações.

(ex.: Anexo II – Recomendações para o Período de


Adaptação).

*Adaptação da criança e
da família à creche
*Receção da criança na
creche
* No primeiro dia da criança
No estabelecimento existe um educador de infância responsável (ou
ajudante de ação educativa no caso do berçário) para acolher a criança
e a família, indicando o caminho para a sala e facultando informações
sobre os procedimentos ao nível do acolhimento diário da criança:
* onde a família deverá entregar a criança e colocar os
objetos pessoais;
* quais os horários de entrada e saída das crianças, os horários
para contatos telefónicos e horário de atendimento aos pais;
* a necessidade de os pais informarem sobre eventuais
problemas da criança ocorridos na véspera.

*Receção da criança na
creche
* De forma a prestar um acompanhamento de maior proximidade e

atenção a cada criança, a sua receção é realizada com base numa

calendarização pré-estabelecida, previamente acordada com as

famílias e que determina:


• Cadência do número de crianças a serem recebidas por dia em cada sala.
• Tempo de permanência no estabelecimento (ex.: nos primeiros dias a
criança permanece 2 / 3 horas, aumentando-se progressivamente o tempo de
permanência no estabelecimento).
• Cuidados iniciais a prestar, de acordo com o levantamento de
necessidades e expetativas.
• Outros aspetos relevantes para o acompanhamento da criança.

*Receção da criança na
creche
* No período de adaptação, que não deve ultrapassar os 30
dias, a família é encorajada a permanecer na sala com a
criança durante um período de tempo que considere
necessário para diminuir o impacto da separação.

* Durante o período de tempo que a família permanece na sala,


esta é envolvida nas atividades que as crianças estão a
realizar.

*Receção da criança na
creche
* Ainda durante este período, os colaboradores responsáveis pelo
acolhimento da criança podem aprofundar aspetos relativos à
caracterização da criança e suas necessidades de intervenção,
nomeadamente através da Ficha de Avaliação
Diagnóstica na parte C – Perfil de Desenvolvimento
(do Manual de Processos-Chave na Creche, pg. 62-88),
por forma a delinear o Plano Individual da criança.

*Receção da criança na
creche
*É feito o inventário dos bens da criança (ex.: objetos de higiene pessoal,
objetos para desenvolvimento de atividades), acordados na contratualização,
utilizando a Lista de Pertences da Criança (do Manual de Processos-Chave
na Creche, p. 89).

* É elaborado um relatório final sobre o processo de integração e adaptação da


criança, utilizando para o efeito o Relatório do Programa de Acolhimento do
Cliente (do Manual de Processos-Chave na Creche, p. 91). Este relatório
é arquivado no Processo Individual da Criança.

* De seguida, é necessário elaborar o Plano Individual da Criança (PI) (pg.


103), o qual é depois avaliado no Relatório de Avaliação do Plano Individual
da Criança (pp. 105-107).

*Receção da criança na
creche
* São prestadas informações à família sobre a forma como
está a decorrer a integração da criança no
estabelecimento. Estas informações passam a constar do
seu processo individual.

*O estabelecimento deverá prestar apoio às famílias e


crianças com dificuldades em se adaptar à situação de
separação e ingresso no estabelecimento, encaminhando as
situações mais complexas para apoio especializado.

*É importante efetuar uma visita guiada à família e à


criança, familiarizando-os e dando-os a conhecer os espaços
e o pessoal da creche.

*Receção da criança na
creche
*FIM