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UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE

Escola Superior de Ciências Marinhas e Costeira

Geologia Marinha
Mineralogia

Aula 1

1. Apresentacao e PT da disciplina
2. Introducao a Mineralogia
Prof. Aurio Mendes
Geológo
25/11/2020
Aspectos a estudar

Literatura Básica
Estratégias de Avaliação
• 2 testes escritos
n trabalhos práticos, n Seminários

A nota de frequência será calculada na


base da fórmula:

Exame Normal
Exame de Recorrência
Introdução a Mineralogia
 Introdução
 Relação da Mineralogia com outras ciências
 Aspectos científicos a estudar
 Cristalografía
 Materia amorfa e cristalina
 Homogeniedade e relações de isotropia
 Definição de Mineral
 Partes em que se divide a Mineralogia
 Tarefas da Mineralogia
 Classificação dos minerais
 Nomes dos Minerais
Introdução
A mineralogia pertence ao sistema das
ciências naturais, no qual ela é com a:
• cristalografia,
• petrologia, Disciplina das
• geologia, ciências geológicas
• geoquímica, etc. estudo da Crusta da Terra.

O termo Mineralogia, literalmente,


significa Ciência dos Minerais,
(minera + logos, do grego).
Introdução
 O interesse e a curiosidade humana pelo
mundo mineral já vem desde tempos distantes.

 Hoje fala-se de IDADE DA PEDRA, BRONZE & FERRO

 A utilização intensiva de sílex, quartzo, calcedónia, jade, etc.


como o matéria-prima no fabrico de utensílios e objectos de
adorno

O Homem pré-histórico
Introdução
Construção: areia, cascalho, brita, pedra, argila, cimento, aço, alumínio, asfalto,
vidro, gesso

Encanamento e electricidade: ferro, cobre, latão, chumbo, amianto, vidro

Tintas: pigmentos

Mobília: ferro e aço, lixas de granada e rutilo

Vestuarios: fibras naturais crescidas com fertilizantes, corantes

Alimentos: sal, fertilizantes, máquinas de processamento, embalagens de metal


e vidro, louça de cerâmica e vidro, panelas de metal, vidro e cerâmica

Cosméticos: sais, corantes, excipientes


Introdução

Originalmente: limitada ao estudo dos materiais


da crusta da Terra.
Mineralogia

Actualmente: inclui no seu estudo os fragmentos


extraterrestres (meteoritos)

 Nas últimas décadas, o domínio da mineralogia é expandido e inclui os


espécimes lunares e será ainda mais alargada abarcando os materiais de
outros planetas, quando estes se tornarem acessíveis.
Relação com outras ciências
GEOLOGIA
CIENCIA DE JAZIGOS PETROLOGIA
CIENCIA DE SOLOS
COSMOQUIMICA
GEOFISICA
GEOQUIMICA

QUIMICA MINERALOGIA FISICA

FISICA ATOMICA
QUIMICA-FISICA

CRISTALOQUIMICA CRISTALOFISICA

CRISTALOGRAFIA

As principais disciplinas científicas que, influenciam


o desenvolvimento da mineralogia e estão
interessados nos resultados da mineralogia
Aspectos científicos a estudar

O estudo científico dos minerais – Mineralogia –


abrange os seguintes aspectos:

• Composição química e estrutura interna


• Propriedades físicas e químicas
• Classificação e utilização
• Génese e modo de formação
• Ocorrências e associações de minerais e de

agregados de minerais (paragéneses).


Competência a desenvolver

O estudante deve desenvolver as seguintes competências:


 Aplicar a mineralogia na prospecção e pesquisa de jazigos minerais
(Distinguir e identificar as espécies e variedades de minerais e associações);
 Apoiar trabalhos de pesquisa de jazigos interpretando amostras
colhidas por sondagens (em ambiente marinho, terrestre);
 Aplicar os métodos mineralógicos na caracterização tecnológica da
matéria-prima mineral e manusear técnicas laboratoriais usadas nos
estudos de minerais: Difracção de Raio –X, microscopia óptica, etc.
 Aplicar conhecimentos mineralógicos em estudos geotécnicos de
ambientes marinhos, costeiros e do interior;
 Participar e controlar processos industriais através de métodos
mineralógicos;
 Ser capaz de contribuir para desenvolvimento científico e sócio-cultural
e na formação de cientista e técnicos e na investigação mineralógicas.
Cristalografía
Cristais do quartzo
 CRISTALOGRAFIA

É a ciência que estuda a matéria


cristalina.

 CRISTAL:

Sólido homogêneo que possui ordem


interna tridimensional, de longo alcance e
normalmente se apresenta limitado
externamente por faces. Propriedades de um meio
ordenado periodicamente:
 homogeneidade,
 anisotropía e
 simetria.
Cristalografía Cristais do quartzo

 CRISTAL:
sólido homogêneo, que possui arranjo interno
(atômico) tridimensional, ordenado por longas
extensões. Como consequência, “pode” apresentar
faces cristalinas.

 CRISTAL:
Toda e qualquer porção homogénea da
matéria cristalina.
Dado que, a repetição dos elementos materiais constituintes
da rede cristalina, nas 3 direcções vão definir as características
estruturais do cristal em qualquer ponto do edifício cristalino, Todo mineral é cristal
É imprescindivel que a orientação espacial seja constante .

a) Ideias
Cristais
b) Reais Nem todo cristal é mineral
Cristalografía

Reticulo cristalino
– arranjo estrutural tridimensional
interno dos cristais
Interelações cristalografia - outras ciências

M a te m á tic a

Q u ím ic a

M e ta lo g r a fia M in e r a lo g ia P e tr o g r a fia
Interelações cristalografia - outras ciências
Periodicidade e Simetria

A imagem mostram que muitos cristais


têm arranjos estruturais internos,
periódicos que se estendem
infinitamente.

 Estrutura cristalina do mineral cordierite (Mg2Al4Si5O18), tirada com


um microscópio electrónico de transmissão de alta resolução.
 Esta é uma projecção através duma lâmina ultra fina (200Å)
mostrando a distribuição atómica,
 As mancha escuras representam tubos ocos que atravessam a
estrutura e as manchas brancas são regiões de elevada
densidade atómica situadas em redor de tubos em anéis
hexagonais
Periodicidade e Simetria

 Ilustração da simetria da morfologia de um cristal tetragonal de vesuvianite


bem desenvolvido Ca(MgFe)2Al4(SiO4)5(Si2O7)2(OH,F)4.
(a) vista geral do cristal mostrando o eixo de rotação tetragonal e os planos de
simetria.
(b) o cristal visto na direcção do eixo quaternário. As orientações das faces são
relacionadas pelos mesmos elementos de simetria que descrevem a distribuição
atómica
A Matéria e suas propriedades: Movimento?
Estado Cristalino e Amorfo Tempo?
Espirito?
Pensamento?
Substâncias de que Afetividade?
 Matéria: tudo aquilo que existe Emotividade?
são feitos os corpos

 Em qualquer ambiente as condições de temperatura e


pressão (T, P) determinam o estado físico de um corpo.
 Gasosos
 líquidos
 Sólidos

A maior parte dos minerais nas condições normais de P e T,


 Encontra-se no estado sólido e funde a
temperaturas elevadas.
 A maior parte dos minerais representam corpos
cristalinos.
A Matéria e suas propriedades:
Estado Cristalino e Amorfo
Propriedades gerais da matéria cristalina
Escalares ou cumulativas Continuas/Elipsoidais
Independentes da direcção. A intensidade varia
Ex.: Densidade, Ponto de Fusão progressivamente e de
modo continuo, com a
direcção. Ex.: Velocidade de
Vetoriais ou direcionais
propag. do calor, a dureza,
Propriedades cujos valores variam com a dilatação termica e certas
direcção, podem ser representadas por propriedades ópticas:
um vector que define a intensidade, birrefragência.
direcção e sentido.

Descontinuas
Varia com a direcção mas de modo descontinuo, são
consequencia da estrutura cristalina da materia cristalina.
Ex: Velocidade de crescimento dos cristais (descontinuidade: aspecto
poliedrico e caracter plano das faces, clivagem, maclas, difracção de R-X)
A Matéria e suas propriedades:
Estado Cristalino e Amorfo
 Matéria amorfa: os constituintes da matéria no estado sólido
não apresentam-se organizados em estruturas regulares e
definidas. Ex.: Obsidiana, Pomitos, etc.

• Arefecimento rapido,
• Nao formacao de germes
• Tempo para o cresimento

 Matéria Cristalina: existencia de ordencao reticular, consequentimente


presenca constante e carateristica de propriedades vectorias
descontinuas, entre outras, postas em videncias pelas faces e planos de
clivagem.
Matéria Cristalina
 Cada corpo cristalino tem:
 uma temperatura de fusão
bem determinada.
 Esta é nítida na forma de
TEMPERATURA

curva de aquecimento.
.
Durante um certo intervalo de
Vapor tempo o calor fornecido ao sistema
P.E. consome-se na fusão do corpo e a
curva tem aí uma descontinuidade
Líquido
Curva de variação de temperatura
P.F.
com aumento de calor, a pressão
Sólido constante, num cristal, P.E. , ponto
de ebulição; P.F., ponto de fusão
TEMPO
Matéria Amorfa
Os corpos amorfos mostram uma curva de
aquecimento sem qualquer descontinuidade o que
traduz a passagem gradual de um estado para
outro como se pode verificar no aquecimento do
lacre.

Curva de variação de temperatura


com aumento de calor, a pressão
constante, num vidro.
Homogeneidade
 Um corpo diz-se homogêneo, quando tem as
mesmas propriedades em qualquer dos seus
pontos.
 As propriedades direccionais têm os mesmos
valores em direcções paralelas
Isotropia e Anisotropia

• Um corpo é isotrópico, para Imagem geométrica


uma determinada esfera Z
propriedade direccional,
quando a grandeza do vector
correspondente é igual em
todas as direcções.
Y

X
Definição de Mineral
Define-se mineral como “uma substância
sólida, homogênea, que ocorre
naturalmente e geralmente inorgânica.
Ela tem habitualmente uma estrutura
cristalina bem definida e composição
química que se situa entre limites
definidos, em geral não fixa”.

Segundo Manual of Mineralogy (after James D. Dana) 21st Edition,


revised Cornelis Klein & Cornelius Hurlbut, Jr. Page 1.
Aspectos da definição
 O mineral é uma substância que ocorre naturalmente:
Este requisito não admitir quaisquer materiais parecidos
com minerais produzidos através de processos
industriais ou sintetizados num laboratório, mesmo que
estes muitas vezes não se distinguem dos minerais
naturais.
 O mineral é homogêneo:
cada parte que se tira de um mineral em particular é da
mesma natureza que qualquer outra quanto a suas
propriedades.
 O mineral é sólido:
Os minerais podem apresentar-se em um estado líquido
como o mercúrio (uma exceção).
Aspectos da definição
 O mineral é inorgânico:
A origem inorgânica não é exclusiva para os minerais,
já que é conhecido a origem orgânica para o aragonito,
as fosforitas e algumas variedades da sílice.
 Os minerais são cristalinos:
existem exceções como a opala, uma variedade de
silica que é amorfo.
 A composição química de um mineral está
compreendida entre limites bem definidos:
Os minerais respondem a uma fórmula química definida
como o quartzo (SiO2), mas há minerais como a
pirrotite (Fe1-x S) com composição variável.
Conceitos associados
 Quando se fala de mineral, deve-se ter em conta as seguintes
definições e diferenças:

 Espécie/Tipo de mineral:
é a expressão idealizada para todos os indivíduos
minerais, cuja composição química e estrutura é
igual. Ela representa o mineral no sentido lato. Por
exemplo:
Olivina, com composição
variável
• (Mg,Fe)2[SiO4]

Quartzo, com composição


química constante
• SiO2
Conceitos associados
 Indivíduo mineral:
é o mineral definido, que pode ser encontrado num lugar
determinado, com todas as características específicas só
encontradas nesse mineral. Ex: determinados elementos-
traço, ou estrutura típica de cristal. Apatite Qtz

 Variedade de mineral:
compreende todos os indivíduos de uma espécie de
mineral que, complementarmente apresentan
características notáveis. Ex: Quartzo e suas variedades
Divisão da Mineralogia
• O assunto da mineralogia pode ser dividido em diferentes
maneiras, contudo o mais conveniente é manter a divisão
clássica, que é considerada mais objectiva, numa
introdução à mineralogia prática e aplicada.

– A Mineralogia Geral (assuntos que são abrangidos, em


muitos manuais de mineralogia, sob os temas de
Cristalografia estrutural e Cristalografia
Morfológica).

– A Mineralogia Sistemática, que trata de uma


discussão pormenorizada de cada uma das espécies
minerais, especialmente, no que se refere à sua posição
na sistemática mineralógica, às suas características
genéticas, às suas ocorrências e associações, assim
como, à sua utilização.
Divisão da Mineralogia
A mineralogia se divide nas seguintes partes:
1. Mineralogia geral
1.1. Morfologia geral
1.2. Estrutura mineral
1.3. Física mineral
1.4. Química mineral
2. Mineralogia experimental
3. Métodos e técnicas de estudo e investigação
4. Mineralogia econômica
4.1. Jazidas minerais
4.1.1. Minerais industriais
4.2.2. Menas minerais
5. Mineralogia sistemática. 
Tarefas da Mineralogia
1. Estudo da constituição e a composição química dos
minerais. A partir de particularidades e variações
inferir sobre relações genéticas em jazigos e rochas

2. Investigação alargada das propriedades dos minerais,


com vista a facilitar e melhorar a sua aplicação
prática.

3. Desenvolvimento e adaptação de métodos analíticos


para a caracterização inequívoca e completa dos
minerais, incluindo métodos de separação,
beneficiamento e extracção, para a sua investigação.
Tarefas da Mineralogia
4. Revisão dos minerais conhecidos, descoberta de novos
minerais e ordenação de todos os minerais num esquema
sistemático mineralógico. Isto implica a descoberta de novos
minerais e novas propriedades de minerais.

5. Estudo das condições de formação e estabilidade dos


minerais na natureza e a sua modelação através de
investigações mineralógicas sintéticas.

6. Aplicação de conhecimentos mineralógicos para a prospecção


geológica e para a produção artificial de minerais. Importantes
são as investigações das regularidades da formação de
associações de minerais – Paragéneses.
Tarefas da Mineralogia
8. Aplicação dos conhecimentos e
métodos mineralógicos para a
investigação de matéria-primas minerais
e dos materiais cósmicos.
Classificação dos minerais

 A classificação dos minerais tem um caráter


cristaloquímico, apóia-se nos aspectos
comuns da composição química e estrutura
cristalina que têm os minerais.

Os traços comuns da composição química


dos minerais é prioritário na classificação
actual dos minerais.
Classificação dos minerais
A Cristaloquímica estuda os Classe I. Elementos Nativos
princípios gerais que
relacionam a química dos
minerais com sua estrutura e Classe II. Sulfuretos e Sulfossais
propriedades físicas.
Classe III. Oxidos e Hidróxidos

QUÍMICA Classe IV. Halogenetos


• DANA (1854) discípulos:
Classe V. Carbonatos, Nitratos e
• BERMAN (1951), PALACHE
Boratos
(1944) e FRONDEL (1962
Classe VI. Sulfatos, Cromatos e
• BERCELIUS (1892) Wolframatos
• BERRY e MASSON (1966) Classe VII. Fosfatos, Arseniatos e
Vanadatos

Classe VIII. Silicatos


Classificação dos minerais
Classe 1. Elementos Nativos

Classe 2. Sulfuretos
STRUNZ (1941)
DANA HURLBUT & KLEIN 4ª ed (1997) Classe 3. Sulfossais
Classe 4. Oxidos
(a) Simples e multiplos; (b) Hidróxidos
Classe 5. Halogenetos

Classe 6. Carbonatos
QUÍMICO-ESTRUCTURAL Classe 7. Nitratos

Classe 8. Boratos

Classe 9. Fosfatos,

Classe 10. Sulfatos

Classe 11. Wolframatos

Classe 12. Silicatos


Nomes para novos Minerais
A nomeação dos minerais não sucede numa sistemática rigorosa, como
acontece, por exemplo, na química e biologia, sem considerar a
terminação mais frequente “ite” mas, segue diferentes pontos de vista:

 Segundo o nome de uma pessoa (descobridor, personalidades,


cientistas, entre outros), Exemplo:
 Breithauptite,
 Vinogradovite,
 Goethite,
 Davidite,
 Sillimanita (Al2SiO5), em homenagem ao Profesor Benjamín Silliman da
Universidade de Yale.

 Segundo o lugar de ocorrência/descoberta, Exemplo:


 Aragonite,
 Tremolite,
 Moçambiquite,
 Franklinita (ZnFe2O4), devido a localidade Franklin, New Jersey, onde o
mineral é uma mina de zinco (Zn).
Nomes para novos Minerais
 Segundo a composição química principal, Exemplo:
 Argentite,
 Hidroboracite,
 Magnesite,
 Manganite,
 Cromita (FeCr2O4), por apresentar elevadas quantidades de Cromio (Cr) no
mineral.

 Segundo propriedades físicas, Exemplo:


 Distena (duas direcções de dureza),
 Albita (Na AlSi3O8), do latím albus, branco, devido a sua cor,
 Rodonita (MnSiO3), do grego rodon (cor de rosa),
 Magnetita(FeFe2O4), alusivo as suas fortes propiedades magnéticas.
Abundância de Minerais

 Actualmente são conhecidos mais de 4 000 minerais e


variedades de minerais e, por ano são descobertos, entre
10 e 30 novos minerais.
Questionario
1) O que é um cristal? Os cristais podem ser artificiais?
Argumente sua resposta e expresse exemplos de cristais
naturais e artificiais.
2) Pode-se considerar o vidro vulcânico cristalino?
3) Quais são as principais propriedades da substância
cristalina?
4) Quais propriedades caracterizam à substância
amorfa? Ponha exemplos.
5) O que é um mineral?
6) Quais são os principais aspectos que caracterizam a
um mineral?
7) É a água um mineral? Justifique a sua resposta?
Bibliografia

• Manual of Mineralogy after James D.


Dana.
• Introduction to mineral sciences, Andrew
Putnis.
• Mineralogy: concepts, descriptions,
determinations, L.G. Barry & Brian Mason.
• Internet: mineralogy database.
• Materiais de consulta Cristalografía e
Mineralogía.