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UFCD 3785

Metodologias
de
Avaliação de Riscos
Profissionais
OBJECTIVO

• Aplicar as metodologias adequadas à avaliação e controlo dos


riscos associados às condições de higiene e segurança no trabalho.
Riscos Profissionais

Director Napete Miss Strudel

Napo
CONCEITOS

Perigo – Fonte ou situação com um potencial para o


dano, em termos de lesões ou ferimentos para o corpo
humano ou danos para a saúde, para o património, para o
ambiente do local de trabalho ou uma combinação destes.

Identificação do Perigo – Processo de reconhecer a


existência de um perigo e de definir as suas características.
CONCEITOS

Risco – Combinação da probabilidade e das


consequências da de um determinado
ocorrência acontecimento
perigoso.
Avaliação do Risco – Processo global de estimativa da
grandeza do risco e de decisão sobre a sua aceitabilidade.

Risco Aceitável – Risco que foi reduzido a um nível que


possa ser aceite pela organização tomando em atenção as
suas obrigações legais e a sua própria política de SST.
CONSIDERAÇÕES

•A organização deve estabelecer procedimentos para a identificação dos


perigos, a avaliação dos riscos e a implementação das medidas de controlo
necessárias.

•A avaliação de riscos deve ter um carácter extensivo, alargando-se a todos


os sectores da empresa e a todas as suas facetas.

•A avaliação de riscos deve fazer-se na fase de projecto ou já na laboração,


principalmente no caso de adoptar ou introduzir alterações importantes ao
nível das tecnologias, substâncias, “lay-out”…
DEFINIÇÃO

A finalidade da análise de riscos é a de determinar


a probabilidade de ocorrência de determinado
e quantificar as consequências decorrentes da sua
acontecimento
realização, o que pode ser expresso da seguinte forma:

R=PxG

R = Risco
P = Probabilidade
G = Gravidade
• ORisco varia na proporção directa
da probabilidade e da gravidade.

• Quanto maior a probabilidade e a


gravidade maior é o risco.

• Quanto menor probabilidade e a gravidade menor


é o risco.
Na prática, a probabilidade e a gravidade
têm curvas de desenvolvimento
inversas:

PROBABILIDADE

GRAVIDADE

À medida que a probabilidade cresce, a gravidade vai diminuindo.


À medida que a gravidade cresce, a probabilidade vai
diminuindo.
Identificação dos Perigos

Fases da Metodologia
da
Análise de Risco

Quantificação dos Riscos


• Existem Modelos de Análise de Risco que, de
forma simplificada, permitem a obtenção de 3
ou mais níveis desse mesmo risco, através da
caracterização da frequência relativa
(probabilidade) e da associadas,
gravidade
geralmente à forma do acidente.
O modelo apresentado por
G
r Probabilidade Somerville, com 3 níveis
de probabilidade e de
a A B C
gravidade:
v A 1 1 2
B 1 2 3
I A – Baixo
d
C 2 3 3
B – Médio
FIGURA 1 – Modelo de Análise de Risco, segundo Somerville.
a
C – Elevado
d

e
Como alternativa a este modelo propõe-se
uma matriz de 4x4, isto é, com 4 níveis de
probabilidade e de gravidade, caracterizadas
através dos índices estatísticos
de frequência e de avaliação
Probabilidade
G de gravidade,
respectivamente.
r
A B C D
a A 1 2 2 3 Os níveis de risco passam a ser 5, com a
seguinte especificação:
v B 2 2 3 4
• Nível 1 – Actuação não prioritária;
C 2 3 4 5
I • Nível 2 – Intervenção a médio prazo;
d
D 3 4 5 5
• Nível 3 – Intervenção a curto prazo;

• Nível 4 – Actuação urgente;


a
FIGURA 2 – Modelo de Alternativo de Análise de Risco

• Nível 5 – Actuação muito urgente,


d requerendo medidas imediatas.

e
Métodos de Análise de Risco
Em função da importância relativa de cada uma das suas
componentes de “identificação” e de “quantificação” do risco, é
habitual distingui-los em:

-Qualitativos
Métodos -Semi-quantitativos
-Quantitativos
Métodos Qualitativos

•Descrevem, sem chegar a uma quantificação global, os pontos perigosos de


uma instalação e as medidas de segurança existentes, sejam de tipo
preventivo ou de protecção.

•Identificam também quais as conjugações de acontecimentos que podem


gerar uma situação perigosa e quais as formas de evitar que ocorram.

•Podem ser de tipo Descritivo ou revestir o aspecto de uma Árvore


Lógica.
Métodos Qualitativos

Descritivo – Fazem a descrição detalhada da instalação e dos


respectivos pontos perigosos, sendo o nível de segurança determinado em
função da conformidade de processos e procedimentos com normas ou
regulamentos de segurança.

-Estudo de riscos no posto de trabalho


-Estudos de movimentação
-Estudos de implantação
Tipo
-Planos de sinalização
Descritivo
-Fluxogramas
-Listas de Verificação
-Tabelas de reacções químicas perigosas, etc.
Métodos Qualitativos

Árvores lógicas – são diagramas de acontecimentos.

- “Causa-efeito” – se a partir de um
acontecimento inicial se definirem
consequenciais possíveis, as as
interacções
Tipo destas e assim sucessivamente.
de
Árvores Lógicas - “Efeito-causa” – quando a partir de um
acontecimento final se analisam os factos, e
respectivas combinações, que lhes deram
origem.
Métodos Semi-Quantitativos

Sistema Simplificado
Método de
Métodos
de
Avaliação de Riscos
William Semi-
Quantitativos de
Fine
Acidente

Atribuem índices às situações de


risco identificadas e estabelecem planos de
actuação.
Métodos Quantitativos

•Quantificam o que pode acontecer e atribuem uma probabilidade


à ocorrência.
De entre os Métodos Quantitativos, podem citar-se:

- Índices de frequência e de gravidade;


Métodos - Índices de fiabilidade;
Estatísticos - Taxas médias de falhas
- etc.
Métodos Quantitativos

Modelos - Modelos de falhas;

Matemáticos - Modelo de difusão de nuvens de gás.


- etc.

Modelos
Pontuais - Método de Gretener
Método de William Fine
Introdução

O método de William Fine permite calcular a gravidade e


probabilidade relativas de cada risco, com o
poderemos orientar que as
adequadamente
preventivas. Por lado, permite acções
encontrar
outro a para as acções
justificação
possíveis. económica correctivas
Fórmula de Cálculo

A gravidade do perigo devido a um risco reconhecido calcula-se


através da seguinte fórmula:

GP = Grau Perigosidade
C = Consequências
GP =C x E x P
E = Exposição
P = Probabilidade

Nota - Os valores numéricos utilizados estarão


baseados na experiência de quem utilize o método.
CONCEITOS

Consequências – são os resultados mais prováveis de um acidente


resultante do risco em análise e ponderando quer os danos pessoais quer os
materiais.

Exposição – define-se através de um índice associado à frequência com


que se apresenta a situação de risco, sendo tal o primeiro acontecimento
indesejado que iniciaria a sequência que leva ao acidente.

Probabilidade – Entende-se por probabilidade o índice associado à


probabilidade uma vez iniciada a sequência e ela se desenvolver conduzindo ao
acidente e respectivas consequências.
Fórmula
da
Justific
ação
Económ
ica

J = Justificação Económica
J = C x E x P / Fc x Gc Fc = Factor de Custo
Gc = Grau de Correcção
Método de William Fine

Quadros com sugestão de valores atribuíveis a cada um


dos coeficientes, em função de parâmetros
significativos.
CONSEQUÊNCIAS
Grau de Severidade

Danos Corporais Danos Materiais Valor


Numerosas mortes Grandes danos > 1.000.000 € 100
Quebra importante na
actividade
Várias mortes De 500.000 € a 1.000.000 € 50
Morte Danos de 100.000 € a 25
500.000 €
Lesões graves, amputações, invalidez De 1.000 € a 100.000 € 15
permanente
Incapacidades temporárias Até 1.000 € 5
Ferimentos ligeiros Pequenos danos 1
EXPOSIÇÃO

Frequência de ocorrência da situação de risco Valor

Continuamente, várias vezes ao dia. 10

Frequentemente, aproximadamente 1 vez por dia. 6

Ocasionalmente, de uma vez por semana a uma vez por mês. 3

Irregularmente, de uma vez por mês a 1 vez por ano. 2

Raramente, sabe-se que já ocorreu. 1

Remotamente possível, não se tem conhecimento de que já tenha 0,5


ocorrido.
PROBABILIDADE

Probabilidade da sequência de acontecimentos, incluindo Valor


as consequências.
É o resultado mais provável se a situação inicial ocorrer. 10

É completamente possível, a probabilidade é de 50%. 6

Seria uma sequência ou coincidência rara. 3

Seria uma coincidência remotamente possível. Sabe-se que já ocorreu. 1

Extremamente remota mas concebível. Nunca aconteceu em muitos 0,5


anos de exposição.

Sequência praticamente impossível. Possibilidade de 1 em 1 milhão 0,1


GRAU DE PERIGOSIDADE

GP = C x E Classificação Medidas

> 200 Muito alto Correcção imediata

100 a 200 Alto Correcção logo que possível

20 a 100 Substancial Deve ser eliminado mas não é uma


emergência

< 20 Aceitável Situação a manter


FACTOR DE CUSTO
Valor esperado do custo da acção correctiva Valor

Mais de 50.000 € 10

25.000 € a 50.000 € 6

10.000 € a 25.000 € 4

1.000 € a 10.000 € 3

100 € a 1.000 € 2

25 € a 100 € 1

< 25 € 0,5
GRAU DE CORRECÇÃO
Diminuição do risco por aplicação da acção correctiva Valor

Risco totalmente eliminado 1

Risco reduzido pelo menos 75% mas não completamente 2

Risco reduzido de 50% a 75% 3

Risco reduzido de 25% a 50% 4

Ligeiro efeito sobre o risco, menos de 25% 6

J > 10 – Correcção justificada


J < 10 – Correcção não justificada
Sistema Simplificado
de
Avaliação de Riscos de
Acidentes
Procedimentos de Actuação
1. Consideração do risco a analisar.
2. Elaboração do questionário de verificação sobre os factores de risco que possibilitem a sua
materialização.
3. Atribuição do nível de importância a cada um dos factores de risco.
4. Preenchimento do questionário de verificação no local de trabalho, estimativa da exposição e
consequências normalmente esperadas.
5. Estimativa do nível de deficiência do questionário usado.
6. Estimativa do nível de probabilidade a partir do nível de deficiência e do nível de exposição.

7. Comparação do nível de probabilidade encontrado com os dados históricos disponíveis.

8. Estimativa do nível do risco a partir do nível de probabilidade e do nível de consequências.

9. Definição dos níveis de intervenção, considerando os resultados obtidos e a sua justificação


socio-económica.
10. Comparação dos resultados obtidos com os estimados a partir de fontes de informação
precisas e da experiência.
Determinação do Nível de Deficiência
Nível de Deficiência ND Significado

Muito deficiente
(MD) 10 Detectaram-se factores de risco significativos
que determinam como muito possível a produção de
falhas.
Detectou-se algum factor de risco significativo que
Deficiente
6 precisa ser corrigido. A eficácia do conjunto de
(D)
medidas preventivas existentes está reduzida de forma
apreciável.
Detectaram-se factores de risco de menor importância.
Melhoráveis
2 A eficácia do conjunto de medidas preventivas não
(M)
está reduzida de forma apreciável.

Aceitável
(A) - Não de detectaram anomalias significativas. O risco
está controlado.
Determinação do Nível de Exposição
Nível de Exposição NE Significado

Continuadamente. Várias vezes durante o dia


Continuada
4 de trabalho e por tempo prolongado.
(EC)

Várias vezes durante o dia de trabalho, mas por pouco


Frequente
3 tempo.
(EF)

Algumas vezes durante o dia de trabalho e


Ocasional
2 por períodos curtos de tempo.
(EO)

Irregularmente.
Esporádica
(A) 1
Determinação do Nível de Probabilidade

Nível de Exposição (NE)


4 3 2 1
10 MA-40 MA-30 A-20 A-10
Nível

de 6 MA-24 A-18 A-12 M-6


Deficiência

(ND) 2 M-8 M-6 B-4 B-2


Significado dos diferentes níveis de probabilidade
Nível
de NP Significado
Probabilid
ade
Situação deficiente com exposição continuada ou muito
Muito Alta Entre deficiente com exposição frequente. Normalmente a
(Ma) 24 e 40 materialização do risco ocorre com frequência.

Situação deficiente com exposição frequente ou ocasional


Alta Entre ou situação muito deficiente com exposição ocasional ou
(A) 10 e 20 esporádica. A materialização do risco pode ocorrer várias
vezes durante o dia de trabalho.
Situação deficiente com exposição esporádica ou situação
Média Entre melhorável com exposição continuada ou frequente. É
(M) 6e possível que o dano ocorra alguma vez.
8
Situação melhorável com exposição ocasional ou
Baixa Entre esporádica. Não se espera a materialização do risco
(B) 2e embora seja possível isso acontecer.
4
Determinação do Nível de Consequências
Nível Significado
de NC
Danos Pessoais Danos Materiais
Consequênc
ias
Mortal ou 1 morto ou mais. Destruição total do
catastrófico 100 sistema,
(M) difícil renovação.

Muito grave Lesões graves que podem Destruição parcial do


(MG) 60 ser irreparáveis. sistema, renovação
complexa.

Grave Lesões com Paragem no


(G) 25 incapacidade laboral processo para
temporária. reparação.

Leve Pequenas lesões que Reparável


(L) 10 não requerem sem necessidade de
hospitalização. paragem de processo.
Determinação
do
Nível de Risco e de
Intervenção
NR = NP x NC
Nível de Probabilidade (NP)
40-24 20-10 8-6 4-2
100 I I I II
4000-2400 2000-1200 800-600 400-200
Nível 60 I I II II – 240
de 2400-1440 1200-600 480-360 III - 120
Consequências
25 I II II III
1000-600 500-250 200-150 100-50
(NC) 10 II II – 200 III III – 40
400-240 III - 100 80-60 IV - 20
Significado do Nível de Intervenção

Nível NR Significado
de
Intervenção
Situação crítica. Correcção urgente.
I 4000-600

Corrigir e adoptar medidas de controlo.


II 500-150

Melhorar se for possível. Conveniente justificar a


III 120-40 intervenção e a sua rentabilidade.

Não intervir, salvo se uma análise mais específica


IV 20 o justifique.
OBRIGADA
PELA
VOSSA
ATENÇÃO!

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