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MODERNISMO NO BRASIL

2ª GERAÇÃO
A 2ª GERAÇÃO MODERNISTA

 Na 2ª fase do modernismo brasileiro, há a necessidade de


estabelecer uma diferenciação entre prosa e poesia, visto que
a produção poética e ficcional encerrou características
distintas de um modo geral.

 Contexto Histórico

- Crise de 1929: Quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque;


- Crise Cafeeira;
- Ascensão do Nazifacismo;
- Combate ao Socialismo.
NA POESIA...
 A maioria dos poetas de 30 absorveram experiências de 22, como:

- A liberdade temática;
- O gosto da expressão atualizada ou inventiva.

Obs.: Vale lembrar que essa liberdade não precisou ser tão combativa
quanto a de 22, devido ao encontro de uma linguagem poética
modernista já estruturada. Na verdade, houve o aprimoramento,
prosseguindo a tarefa de purificação de meios e formas direcionando
e ampliando a temática da inquietação filosófica e religiosa, com
Vinícius de Moraes, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt,
Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade, entre outros.
NA POESIA...
 A poesia da Geração de 30 demonstra tanto uma
liberdade formal que cultivava tanto os versos brancos e
livres quanto as formas tradicionais.
TEMAS
 Cotidiano;

 problemas sociais e históricos;

 inquietações existenciais;

 “Momento poético", isto é, a "notação rápida de um instante


emocional ou de um aspecto do mundo“;

 Retomada de elementos simbolistas, principalmente pelo


grupo de poetas que se agrupou em torno da revista carioca
Festa, entre os quais Cecília Meireles
OS PRINCIPAIS POETAS
 Carlos Drummond de Andrade,
 Jorge de Lima,

 Vinícius de Moraes,

 Cecília Meireles e

 Murilo Mendes
CECÍLIA MEIRELES
Características da obra
 leveza,
 delicadeza
 Temática da passagem do tempo,
 a transitoriedade da vida,
 a fugacidade dos objetos,
 Influência de filosofias orientais
 linguagem predominantemente sensorial e intuitiva,
herdando a linguagem musical do Simbolismo.
 Sentimento de saudade, melancolia e do tempo que passa,
marcada por nota de tristeza e desencanto, revela-se como
uma das mais significativas expressões do lirismo
moderno.
RETRATO
Eu não tinha este rosto de hoje,
 assim calmo, assim triste, assim magro
 nem estes olhos tão vazios,
 nem o lábio amargo.

 Eu não tinha estas mãos sem força,


 tão paradas e frias e mortas;
 eu não tinha este coração 
 que nem se mostra.

 Eu não por esta mudança,


 tão simples, tão certa, tão fácil:
 -Em que espelho ficou perdida a minha face?
VINICIUS DE MORAES
Um dos poetas mais famosos do
Brasil, ligado à Bossa Nova.
Poesia denota certa
impregnação religiosa, com
poemas longos, de acentos
bíblicos, mas que abandonou
pouco a pouco em favor de sua
tendência natural:
A poesia intimista, pessoal,
voltada para o amor físico,
com uma linguagem ao mesmo
tempo realista, coloquial e
lírica.
SONETO DE SEPARAÇÃO
De repente do riso fez-se o pranto
 silencioso e branco como a bruma
 e das bocas unidas fez-se a espuma
 e das mãos espalmadas fez-se o espanto.

 De repente da calma fez-se o vento


 que os olhos desfez a última chama
 e da paixão fez-se o pressentimento
 e do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente


 fez-se de triste o que se fez amante
 e de sozinho o que se fez contente

 fez-se do amigo próximo o distante


 fez-se da vida uma aventura errante
 de repente, não mais quis que de repente.
JORGE DE LIMA
 Há quatro fases na evolução poética de Jorge de Lima: a
parnasiana do livro XIV Alexandrinos, do qual se destaca o
soneto "O acendedor de lampiões";
 1927 a 1932, o tema das recordações da infância passada no
nordeste. Exemplo é o poema "Nega Fulô".
 Passou a escrever poemas de caráter religioso e místico; esta
temática continuou em textos esparsos  e nos livros A túnica
inconsútil, Anunciação e Encontro de Mira-Celi.
 O tema das recordações dos escravos e do misticismo africano
reapareceu em Poemas negros. Sua última obra, Invenção de
Orfeu, é um longo poema com características épicas que
expressa simbolicamente uma profunda reflexão sobre a vida
humana e o universo.
OLÁ! NEGRO
Os netos de teus mulatos e de teus cafuzos
e a quarta e a quinta gerações de teu sangue sofredor
tentarão apagar a tua cor!
E as gerações dessas gerações quando apagarem
a tua tatuagem execranda,
não apagarão de suas almas, a tua alma, negro!
Pai-João, Mãe-negra, Fulô, Zumbi,
negro-fujão, negro cativo, negro rebelde
negro cabinda, negro congo, negro ioruba,
negro que foste para o algodão de U.S.A.
para os canaviais do Brasil,
para o tronco, para o colar de ferro, para a canga
de todos os senhores do mundo;
eu melhor compreendo agora os teus blues
nesta hora triste da tua raça branca, negro!
Olá, Negro! Olá, Negro!
A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro!
[...]
Não basta iluminares hoje as noites dos brancos com teus jazzes,
com tuas danças, com tuas gargalhadas!
Olá, negro! O dia está nascendo!
O dia está nascendo ou será a tua gargalhada que vem vindo?
Olá, Negro!
Olá, Negro!
(Olá! Negro!)
O ACENDEDOR DE LAMPIÕES

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!


Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!
 
Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.
 
Triste ironia atroz que o senso humano irrita: —
Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.
 
Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões de rua!
MURILO MENDES
 Considerado representante da poesia surrealista no Brasil,
a escrita de Murilo Mendes surpreende, provoca
estranhamento, em razão do uso de uma linguagem
fragmentada, de uma visão messiânica do mundo e de um
constante “destruir para reconstruir”.
 Murilo Mendes e Jorge de Lima possuem estilos e
trajetórias literárias bem parecidos. Ambos são os
principais representantes da poesia religiosa cultivada
pelos integrantes da 2ª geração do Modernismo brasileiro.
Chegaram a fazer fotomontagens juntos e cultivaram a
poesia metafísico-religiosa, a poesia social e a poesia de
influência surrealista.
CANÇÃO DO EXÍLIO
Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam  gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
A gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos.
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.
Eu morro sufocado
em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!
MÁRIO QUINTANA
 Mário Quintana (1906-1994) foi
um poeta, tradutor e jornalista
brasileiro. Foi considerado um
dos maiores poetas do século XX.
Mestre da palavra, do humor e da
síntese poética, em 1980 recebeu
o Prêmio Machado de Assis da
ABL e em 1981 foi agraciado
com o Prêmio Jabuti.
BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 Investigação da realidade humana.


 visão crítica das relações sociais e
humanas, frequentemente expressa
em tom irônico, e certo desencanto
com relação à vida, recusando-se a
um envolvimento sentimental.
 Durante os anos da Segunda Guerra
Mundial, sua poesia participante
revelou a necessidade de se integrar
no seu tempo, de caminhar de "mãos
dadas".
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 Visão cada vez mais desiludida, a esperança num novo


tempo é substituída por uma resignação madura diante da
falta de solidariedade e justiça.

 O poeta mergulha em seu passado, buscando na infância as


origens desse seu modo introspectivo; isso se manifesta
claramente nos poemas em que trata do pai, da vida antiga
em Itabira (Cidade mineira em que nasceu).
POEMA DE SETE FACES
Quando nasci, um anjo torto
 desses que vivem na sombra
 disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida.
 (...)
 Mundo mundo vasto mundo,
 se eu me chamasse Raimundo
 seria uma rima, não seria uma solução.
 Mundo mundo vasto mundo,
 mais vasto é meu coração.
NO MEIO DO CAMINHO
No meio do caminho tinha uma pedra
 tinha uma pedra no meio do caminho
 tinha uma pedra
 no meio do caminho tinha uma pedra.

 Nunca me esquecerei desse acontecimento


 na vida de minhas retinas tão fatigadas.
 Nunca me esquecerei que no meio do caminho
 tinha uma pedra
 tinha uma pedra no meio do caminho
 no meio do caminho tinha uma pedra.