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TEORIA GERAL DO

CRIME
Evolução Histórica da
Teoria do Crime
O Objecto
Uma teoria geral do crime tem por objectivo a determinação e definição das características, elementos ou categorias
essenciais e comuns a todo e qualquer crime (homicídio, roubo, poluição, fraude fiscal, etc)…. TAIPA, p.241).
Método
O ponto de partida de uma teoria geral do crime é Direito Penal positivo (singulares crimes previstos e descritos nas normas jurídico-penais vigentes).
O Direito Penal positivo enquanto ponto de partida, o método a utilizar na construção da teoria geral do crime deve ser o método categorial-classificatório e sequencial: a partir de um conceito básico (o
conceito de acção ou comportamento humano), para ser qualificado como crime e a punição do autor com uma pena (TAIPA, p.242).
Cont.
A categoria da ilicitude da conduta pressupõe, necessariamente, a categoria da tipicidade (...) uma acção que não seja típica jamais poderá ser
penalmente ilícita.
Se a conduta (acção ou omissão), apesar de típica, não é lícita por existir uma causa de justificação, excluída fica a categoria da culpa (TAIPA, p.242).
Funções
As funções ou vantagens da teoria geral do crime são várias.
Plano prático da aplicação do Direito Penal:A
Penal:A teoria geral do crime é factor de certeza e segurança jurídica.
jurídica.
Evita a mera intuição, a improvisão e a artibitrariedade nas decisões judiciais.
Plano didáctico da aplicação do Direito Penal: propicia uma visão de conjunto das características essenciais da infracção criminal (Parte Geral do Código Penal).
 A função da teoria geral do crime é de servir de instrumento à decisão penal justa do caso concreto.
concreto.
1. Teoria Geral do Crime Clássica
Foi elaborado (finais do séc. XIX e princípios do séc. XX ) por Liszt e Beling.
Surgiu num contexto histórico cultural dominado pelo positivismo (observação dos fenómenos) e pelo naturalismo (realidade e experiência).
Segundo esta teoria, o fenómeno criminoso, o crime é composto por quatro categorias: a acção, a tipicidade, a ilicitude e a culpa (TAIPA, p.244).
Cont.
Acção: é o elemento base a todo e qualquer crime (homicídio, furto, injúria, etc)-movimento corporal.
Depende da vontade e é causadora de modificação do mundo exterior, perceptível pelos sentidos.

Tipicidade: é a descrição exclusivamente externo-objectiva da realização da acção. Assim, a acção típica é a conformação da descrição contida no tipo legal. A tipicidade é meramente objectiva.
Cont.
Ilicitude: é a contrariedade à ordem jurídica. Resume a inexistência de uma qualquer causa de justificação.
É a existência de uma norma jurídica que autoriza a realização da acção típica.

Culpa: é a mera relação psicológica existente entre o agente e o seu facto objecto.
Cont.
Crítica: A Teoria clássica do crime é inaceitável: Reduz o conceito de acção ao movimento corpóreo e modificação do mundo exterior.
O conceito de acção dos clássicos deixa de fora as omissões, ou os crimes omissivos.
O conceito de acção não serve para que se fale de crimes de omissão.
A responsabilidade penal é afirmada por factos cometidos por acção, mas também por omissões penalmente relevantes.
Cont.
Quanto a tipicidade exclue os elementos subjectivos do tipo legal (sendo assim, há paridade entre a acção do cirurgião e a acção do faquista).
Reduz a ilicitude à mera inexistência
inexistência de uma norma de autorização (causa de justificação).
Cont.
Também reduz a culpa à conexão psicológica entre o agente e o seu facto. Deste modo, os inimputáveis podem ser considerados culpados.
Deixa fora do âmbito da culpa a negligência inconsciência.(
inconsciência.( TAIPA, pp. 245-246).
2. Teoria Geral do Crime Neoclássica (Normativista)
Fundamentou-se na filosofia dos valores neokantiana (primeiras décadas do séc. XX)- Escola de Baden (Rickert, Lask, etc).
O direito é pertencente ao mundo dos valores ou do dever-ser.
“O que interessa é efectivamente o valor que está subjacente a um determinado comportamento”.
Cont.
As categorias jurídicas devem ser normativas ou valorativas.
A concepção neoclássica destacou-se com Mezger (TAIPA, p. 246).
Cont.
Acção: é um comportamento humano modificador da realidade exterior. Continuação da concepção clássica. A diferença consiste na modificação enquanto negação de valores.
Crime é todo aquele comportamento que nega valores.
Radbruch é um dos autores que prefere substituir o conceito de acção pelo de realização do tipo legal (TAIPA, p.246).
Cont.
Os conceitos de tipicidade e de ilicitude começam a ser vistos como subjectivos – processo de subjectivização e normativização do tipo legal e do ilícito (a intenção de apropriação
no tipo de furto).
A ilicitude passa de mera antijuridicidade formal a lesão dos bens jurídicos protegidos pelos tipos legais.
Cont.
O tipo é composto por elementos positivos e negativos:
- Elementos positivos: aqueles que fundam positivamente a responsabilidade penal do agente;
- Elementos negativos: são as causas de justificação que, quando relevantes, justificam o facto típico.
Cont.
Substituição da concepção psicológica da culpa em concepção normativa da culpa (censura ou reprovação do agente por ter optado pelo ilícito enquanto podia optar pelo lícito).
Culpa normativa pressupõe imputabilidade e não verificação de inexigibilidade (causas de exclusão da culpa).
A culpa é censurável pela existência de determinados pressupostos: a capacidade de culpa e a consciência da ilicitude.
Cont.
Crítica: Apesar da inclusão de elementos subjectivos e, a ilicitude como lesão de bens jurídicos protegidos pelo tipo, o ilícito permaneceu como desvalor de resultado (concepção
objectivista da ilicitude).
Na culpa há mistura entre componentes psicológicas e componentes normativas, a imputabilidade e a exigibilidade (TAIPA, p.247).
Cont.
Para os Neo-clássicos, o conceito de acção é entendido como: um comportamento humano que nega valores.
Ora, na negação de valores cabe não só o comportamento activo, como existem também omissões que podem de igual modo lesar valores.
Também os Neo-clássicos não resolvem correctamente o problema da negligência e dos comportamentos negligentes.
3. Teoria Geral do Crime Finalista

Foi criada por Welzel (depois da II Guerra Mundial).


Nega na totalidade a concepção da escola clássica.
Para Welzel, o comportamento humano é, por essência, a realização de uma finalidade.
Propõe um conceito de acção que é um conceito de acção final.
Cont.
Acção: a acção humana é uma supradeterminação final de um processo causal (sua intrínseca finalidade).
O conceito de acção é um conceito de acção final.
O dolo passou a considerar-se como elemento essencial do tipo legal (dolo é a finalidade referida aos elementos objectivos do tipo). A escola Clássica e a Neoclássica consideravam o dolo como elemento da culpa.
Cont.
O dolo é a intenção, o fim da actuação, deve ser um elemento subjectivo do tipo.
Cont.
Ilicitude
Começa a falar-se de um conceito de ilicitude pessoal (reprovar uma pessoa por adoptar um determinado comportamento).
Do conceito de ilicitude pessoal, podem-se distinguir dois desvalores:
- O desvalor da acção, da conduta empreendida pelo agente;
- O desvalor do resultado, em que se traduz o comportamento ou a conduta do agente.
Cont.
Culpa
São elementos da culpa (a consciência da ilicitude, a capacidade de culpa- capaciadade de avaliar e a exigibilidade dos comportamentos ).
Incapazes de culpa (inimputáveis em razão da idade, menores de 16 anos, e os portadores de anomalias psíquicas, arts.46, condições psíquicas não lhe permitem discernir e fazer uma avaliação da
ilicitude dos seus actos e 47, as condições psíquicas lhe permitem discernir… );
Cont.
Autor
Para a concepção finalista é autor quem tem o domínio final do facto, e não apenas o que execute materialmente o facto (TAIPA, p.248).

Apreciação: A Teoria Finalista contribui bastante para o avanço da teoria do crime.


 Conceito de ilícito pessoal (negligência e dolo);
dolo);
Cont.
 Ilícito à negligência (violação do dever objectivo de cuidado);
 O dolo (enquanto dolo da factualidade típica).
típica).

Críticas: A Teoria finalista não conseguiu explicar os crimes negligentes (não há característica da finalidade), nem os crimes por omissão (neles não existe qualquer actividade causal, finalísticamente orientada). Ler TAIPA, p.248.
Cont.
Todas as teorias(sistemas) acima referenciadas partem duma análise quadripartida do crime, como acção típica, ilícita e culposa.
Teorias bipartida: Facto típico, antijurídico;
Teoria Tripartida: Facto típico, antijurídico, culpável.

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