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Universidade Católica de Angola

Faculdade de Ciências Humanas


Curso de Psicologia Clínica
Métodos de Intervenção em Psicologia Clínica
Data: 18/11/2020
1
 Introdução
 Definicão
 Função
 Enquadramento teórico e
fundamantação
Técnicas da  Ténicas mais usadas na
Entrevista entrevista
 Ténicas comummente usadas
na entrevista não directiva
 Técnicas comummente
usadas na entrevista
 diretiva
2
Geral: proporcionar aos
estudantes
conhecimento técnico Específicos:
ciêntífico sobre as
técnicas de entrevista.

Objectivos Definir tecnicas de


entrevista
Fundamentar sua
importância e
enquadramento teórico

Identificar as ténicas
Conhecer as ténicas que mais se enquadram
mais usadas na aos diferentes tipos de
entrevista entrevista e abordagens
teóricas.

3
Introdução

 Toda a entrevista tem ritmos próprios de desenvolvimento


Paragens e retrocessos.

 Às vezes, um silêncio é mais indicado que uma nova


pergunta.

 Para continuar de forma produtiva é preciso reformular ou


clarificar o que para trás ficou dito…

 É útil sugerir um segundo sentido aflorado ou implícito

 Desbloquear uma tensão… 4


Cont.

Além de um quadro teórico para integrar


conceptualmente uma parte substancial dos
discursos dos sujeitos é necessário possuir
verdadeiras ferramentas de acesso:

as técnicas de entrevista

5
Técnicas da Entrevista: definição

Fórmulas facilitadoras para:

Obtenção de informação

Estabelecimento e aprofundamento
da relação entre entrevistado e
entrevistador

6
Função

As técnicas da entrevista têm uma dupla função que


só contextualmente se tornam compreensíveis.
 Por um lado procuram conteúdos
 Por outro, preocupam-se especialmente com o
alimentar da relação.

7
Cont.

 Pressupõe-se que só na construção de uma relação


de confiança se torna possível aceder aos
conteúdos relevantes e, a partir daí, elaborar
estratégias comuns de mudança ou reorganização
de sentido.

8
Enquadramento teórico e fundamentação

 As técnicas de entrevista não têm filiação teórica,


não pertencem a nenhuma escola ou corrente
filosófica, razão pela qual, se podem em
entrevistas não psicológicas.

9
cont.

 Verifica-se, no entanto, que diferentes


enquadramentos teóricos e diferentes tipos de
entrevistas psicológicas, adoptam ou preferem o uso
de algumas técnicas em relação a outras, pela maior
adaptação que essas técnicas têm à racionalidade
teórica do entrevistador.

10
Cont.

 Convém sublinhar que estas técnicas não são fechadas nem


mutuamente exclusivas.

 Surgem interligadas e interdependentes nas intervenções dos


entrevistadores.

 O interesse em estudar de forma individualizada é


pedagógico, visando um reconhecimento e aprofundamento
da habilidade de entrevistar.

11
Cont.

 As técnicas devem estar automatizadas….para


serem usadas com naturalidade, sendo
integradas num ritmo fluído e envolvente.
A automatização destas técnicas deve ser um
primeiro objectivo de qualquer psicólogo.

12
Técnicas mais usadas na entrevista

 Craig (1989) sistematiza as técnicas mais usadas na


entrevista, propondo designações e conteúdos.

O questionamento. A reflexão A reformulação

A clarificação A confrontação A auto-revelação.

O silêncio. A exploração. A reestruturação

A interpretação O humor A generalização

A focagem O ecoar A provocação

A racionalização 13
O Questionamento

 Sendo a entrevista um encontro formal, nem todas as


perguntas podem e devem ser feitas e nem todas as
perguntas podem e devem ser feitas da mesma maneira.

 Na entrevista, as perguntas devem aumentar a informação


do entrevistador sobre o entrevistado ou reduzir os seus
níveis de incerteza.

14
Cont.

 Há questões que se podem colocar directamente: Como


se chama? Que idade tem? Porque se decidiu vir?

 Há perguntas que devem ser indirectas, com uma


formulação aberta Ex: «o que sentiu?», «o que achou
disso?» «o que pensa a respeito?» são perguntas abertas
que são usadas pelos entrevistadores de todos os
modelos teóricos.

15
Cont.
 Qualquer entrevista pretende ser mais do que um
questionário.

 Pela interacção estabelecida, pretende-se ter acesso a


dimensões da personalidade do sujeito. Para que tal
aconteça, é necessário dar espaço ao entrevistado.

 É neste espaço interactivo que se torna perceptível se o


interlocutor é ansioso ou tranquilo, introvertido, humilde
ou arrogante, simpático ou agressivo…
16
A Reflexão

 O termo aqui designado reflexão corresponde a uma


intervenção demonstrativa de uma compreensão afectiva
e pretende-se a ligação a materiais implícitos ou latentes.

 Esta técnica não é fácil e implica uma razoável experiência


de entrevistas.

 O seu uso deve ser cuidado e moderado.

17
cont.
 Esta permite fazer compreender ao entrevistado que não só
se percebe o que ele comunica como se está pensando no
assunto.

 Tem função facilitadora da continuação da comunicação.

 Pode ser sobre o conteúdo ou sobre o sentimento associado

 Quando a reflexão é sobre o conteúdo designa-se


reformulação
18
Cont.

 Não é possível valorizar, de forma reflexiva todas as


sequências comunicacionais do entrevistado e é
contraproducente quando se está numa primeira
entrevista e se pretende um conhecimento alargado do
sujeito e das suas temáticas.

19
Cont.

 Em termos práticos e na sua formulação mais simples, uma


reflexão pode ser meramente o “hum-hum!” um som de
assentimento ou entendimento, despido de conteúdo mas
facilitador do desenvolvimento do discurso.

 Pode-se, de acordo com o conteúdo verbalizado, produzir


uma reflexão mais substancial.

20
Reflexão (exemplo)

Se alguém diz que quer mudar de emprego por razões plausíveis,


é adequado dizer:

 “É natural que queira mudar, de acordo com aquilo que tem


dito, o seu actual trabalho não corresponde às suas
expectativas”.

ou

 “As pessoas tendem, de facto, a mudar quando as suas


expectativas sobre uma situação não se cumprem”. 21
A reformulação

 Reformular é dizer de outra maneira o que se acabou de


ouvir.

 Alguns autores preferem usar a designação de paráfrase.

 Supõe-se que uma reformulação seja mais clara e mais


articulada do que a formulação original.

 Esta técnica pode ser confundida com a reflexão ou a


clarificação.
22
Cont.

A reformulação distingue-se da reflexão pelo objectivo


que visa.
 Enquanto a reformulação serve para esclarecer e
para facilitar a compreensão do que foi dito, por
vezes de forma confusa, a reflexão destina-se a
devolver ao entrevistado uma dinâmica compreensiva
da parte do entrevistador. 23
Reformulação (exemplo)

 Usando o mesmo exemplo da pessoa que afirmou quer


mudar de emprego, dando depois explicações minuciosas
sobre as suas razões, a reformulação seria: “Tem, pois,
uma série de razões para querer mudar de emprego”

24
A Reformulação

 Os psicólogos que se inscrevem numa conceptualização


do Homem Existencial – Humanista ou que possuem um
quadro teórico não directivo privilegiam o uso desta
técnica.

25
A clarificação

 A clarificação é uma técnica usada para tornar mais claro


o que foi dito anteriormente

 O termo foi introduzido por Rogers (1942) assim como a


discussão sobre o valor da técnica no contexto da sua
proposta terapêutica.

 A clarificação faz-se com o apoio das técnicas já


descritas: questionamento ou reformulação.

26
Cont.

 Uma reformulação pode ter como objectivo apenas o


esclarecimento do que foi dito ao próprio entrevistador.

 A clarificação ajuda o entrevistado a compreender o que


está a ser dito. Nem sempre o próprio percebe, e se
percebe, o que vai dizendo.

27
Clarificação (exemplo)

Referindo-se à situação de mudança de emprego, uma


clarificação poderia ser:

 “ ou seja, o seu actual emprego tornou-se insuportável”.

28
Confrontação

 Confrontar é comparar, por lado a lado ou


frente a frente conteúdos sobre o mesmo tema
ou conteúdos verbais discrepantes dos
conteúdos não-verbais.

29
Cont.

 Esta técnica exige muito treino para não resultar


agressiva.
 Não é a técnica em si mesma que é difícil, mas o
tom de voz utilizado, a atitude geral e a própria
relação que se foi estabelecendo no decurso da
entrevista.

30
Cont.

O confronto é uma técnica tão neutral como todas


as outras, que tem como objectivos: esclarecer
dúvidas do próprio entrevistador, clarificar
dimensões específicas dos conteúdos ou da
personalidade do entrevistado e devolver-lhe as
incongruências ou inconsistências verbais ou
comportamentais. 31
Confrontação (exemplo)

 “Curioso! Por um lado, mostra-se desejoso de abandonar


esse emprego, mas, por outro, fala com um enorme
entusiasmo e envolvimento daquilo que faz”.

ou

 “Há qualquer coisa que me está a escapar. Está mesmo


farto desse trabalho ou está com medo que o mandem
embora?”
32
cont.

 Ex dos jornalistas no confronto com os


políticos…
É difícil, pode provocar rejeição, mas
ajuda ...

33
A Auto-Revelação

 É uma técnica que implica falar de si mesmo, o que, num


primeiro momento, parece contrariar o princípio geral de
que o entrevistador não o deve fazer.

 Esta técnica visa exclusivamente facilitar a exposição do


entrevistado.

 A auto revelação que não cumpra este objectivo, é um


erro técnico.
34
Cont.

É erro pois significa que o entrevistador se


distraiu, está centrado em si mesmo, pouco
atento, ou não assumiu o papel que se propôs.
É sempre despropositado um entrevistador
passar a falar de si mesmo, das suas
problemáticas, dos seus gostos e valores,
esquecendo a centralidade do entrevistado… 35
Cont.

É sempre preferível que as auto-revelações


consideradas oportunas se exprimam de forma
afectiva e abstracta em vez de se usarem
exemplos de factos concretos.

36
A Auto-Revelação (exemplo)

 Ex: em vez de dizer... “eu também estou farto


disto”, seria um bom ex. dizer: “Percebo o seu
desconforto por experiência própria” ou “Percebo
o seu desconforto. Toda a gente já passou por
situações em que se sente desconfortável ou
cansado de um emprego”.
O silêncio

 Pode ser uma técnica de entrevista de grande


eficácia.
 Precisa ser encarada na amplitude da sua subtileza.
Faz, mais do que noutras técnicas, apelo à
sensibilidade do entrevistador.
A maioria das entrevistas que não sejam psicológicas
evitam momentos de silêncio… 38
Cont.

 Entrevistadores pouco experientes, encaram os


silêncios como experiências extremamente
desagradáveis.
 Praticamente todas as gerações de psicoterapeutas
e entrevistadores de todos os quadrantes teóricos
sublinham a importância do silêncio.
39
 Ver p.163
 Inibição
 Passividade
Há vários  Regressivo
tipos de  Defensivos
silêncio  Pausas entre sequências de
alocuções
 Reflexivos

40
 Silêncio que transmite sobretudo a
inibição do entrevistado. Cabe ao
entrevistador criar o clima relacional
Inibição que permita ultrapassar esta
circunstância frequente no início de
entrevistas.
 Silêncio que indica passividade. É mais
difícil de ultrapassar. A passividade
comunicacional pode ser estimulada por
Passividade
uma sequência de perguntas directas, logo
no início da entrevista.
 O silêncio regressivo está intimamente
relacionado com a sequência de perguntas
que demitem o individuo de qualquer
responsabilidade na entrevista e o situam

Regressivo numa forma infantilizada, respondendo ao


que lhe perguntam para não desagradar ou
causar má impressão.

 Este silêncio, uma vez instalado, é muito


difícil de interromper.
43
 Silêncios defensivos, sinais de resistência ao
próprio processo da entrevista, típicos de
quem está contrariado, sente que perde
tempo, não simpatiza com o entrevistador
ou teme ser interrogado sobre temas que
Defensivos
não quer falar.

 É importante o entrevistador reconhecer


este tipo de silêncio e exprimir o que julga
ser a não aceitação da situação pelo
entrevistado. 44
 Silêncios que constituem pausas entre
sequências de alocuções. Significam que o
assunto terminou e há disponibilidade para
passar a outro.
Pausas entre
sequências de  Habitualmente não tem alta carga

alocuções ansiogénica quer para o entrevistado quer


para o entrevistador. E a sequência lógica é
a tomada de iniciativa de interrupção do
silêncio pelo entrevistador.
45
 Silêncios reflexivos, às vezes longos,
traduzem a fluência da relação que está a
decorrer.

 Pensar em silêncio sobre qualquer coisa que


foi dito;
Reflexivos
 Procurar na memória a recordação ou
associação adequada;

 Perscrutar os próprios sentimentos ou


emoções…são momentos importantes que
nenhum entrevistador deverá interromper.
46
A Exploração

 Esta técnica apoia-se numa forma interrogativa e


destina-se a investigar áreas da vida, do
pensamento ou dos sentimentos do entrevistado
que são relevantes e devem ser aprofundadas em
função dos objectivos da entrevista.

47
Cont.

 No caso da mudança de emprego …


 Seria importante aprofundar as razões que estão na base do
desejo de mudança: insatisfação económica,
incompatibilidade relacional, cansaço com a tarefa, ambições
de carreira mais alargadas …
A exploração de cada uma destas áreas ou de uma delas que
emergisse, poderia clarificar sobre a compatibilidade com
uma outra ou com nova tarefa. 48
Cont.

 Deve-se distinguir técnica de exploração da técnica de


questionamento porque na exploração existe uma
intencionalidade deliberada de compreender as
causas e consequências, processos de
funcionamento e estratégias habitualmente
utilizadas.
O questionamento pode manter-se a um nível
superficial e literal. 49
A Reestruturação cognitiva

É a denominação de uma técnica de ampla difusão


nos modelos cognitivistas.
 Reestruturar é voltar a estruturar: voltar a
organizar o material e os conteúdos expressos, de
forma que permita uma mudança de
perspectiva sobre o mesmo tema.
50
Cont.

Ex. da garrafa que está a meio.

 Meia cheia ou meia vazia consoante o ponto de vista do


observador.

 Algumas pessoas parece terem uma visão dominantemente


negativa dos acontecimentos e outras, pelo contrário,
descobrem, com facilidade, o que pode ser significado
positivamente.
51
Reestruturação cognitiva (exemplo)

 No exemplo do emprego, uma hipótese de reestruturação


poderia ser:

 “O que acha que poderia acontecer que o levasse a decidir


permanecer no seu actual emprego?”

ou

 “Experimente dizer-me o que o seu emprego tem de bom e o


que lhe tem permitido lá permanecer”.
52
A interpretação

 É a técnica que busca dar, ou acrescentar sentido a algo


que foi expresso despido desse sentido.

 A qualquer interpretação está subjacente o próprio quadro


de referência teórico, cultural, estético, moral…do
entrevistador.

 É importante que o entrevistador tenha claro o quadro


interpretativo que usa.
53
Cont.

 Qualquer interpretação durante uma entrevista deve


proporcionar uma mais valia ao entrevistado,
acrescentando sentido de uma forma que lhe seja
acessível e compreensível.

54
A interpretação (exemplo)

No exemplo do emprego

 uma interpretação do género: “O senhor é um


insatisfeito” é obviamente inútil, agressiva e
despropositada.

 Pode ser adequado interpretar dizendo: “O seu actual


trabalho parece-lhe incompatível com as suas
ambições”.
55
O termo interpretação

É antiético usar técnicas


Entre todas as técnicas de
psicoterapêuticas de grande
entrevista, é o que mais é
potência (interpretação
conotado com um quadro
psicanalítica) sem treino
teórico psicanalítico e o
especializado e em
que mais se presta a
contextos de entrevista
confusões.
psicológica.

56
Humor

É o que há de mais sofisticado e complexo, enquanto técnica


de entrevista.
 Destina-se a desdramatizar uma situação, a criar
distanciamento em relação ao problema enunciado e a
tornar menos ansiogénico um assunto de difícil abordagem.
O risco desta técnica (má utilização) é o entrevistado se
sentir gozado ou sentir que não está a ser levado a sério.
57
Cont.

 Desdramatizar não é banalizar as situações narradas.


A banalização é um processo de anulação de sentido.
A utilização do humor deve ser um recurso raro, em
situações bem controladas e por entrevistadores
experientes, tendo sempre em atenção os recursos
disponíveis do entrevistado, nomeadamente a sua
plasticidade ou rigidez. 58
A generalização

 Consiste em enunciar a dominância de um conteúdo ou de


uma problemática.
 Baseia-se nas leis da aprendizagem e enquanto técnica
pode ser feita através do questionamento ou da reflexão.
 Do ponto de vista dos objectivos, a generalização
aproxima-se da clarificação no sentido em que pretende
ajudar o entrevistado a compreender melhor o que está
a ser dito. 59
Cont.

Pretende, através da enunciação de diferentes


aspectos formulados, mostrar ao entrevistado
 como tende a avaliar situações ou pessoas de uma
mesma forma,
 como reproduz, a diferentes níveis, o mesmo tipo
de situações, problemas ou sentimentos.
60
 É necessário que haja um acumular
de informações que o permita e
que facilite a constatação de
Para tornar pontos comuns ou semelhanças de
possível uma
funcionamento.
generalização

61
A generalização (exemplo)

No exemplo da mudança de emprego, poderia acontecer uma


generalização, no caso de a informação disponível poder dizer:
 “Já reparou que as razões que alega para querer deixar o seu
trabalho são as mesmas que invoca para ter deixado todos os
outros anteriores”

ou
 “Curioso! Tem dois anos nesse emprego. Sensivelmente o
mesmo tempo que esteve nos outros empregos por que passou”
62
A focagem

 Focar é particularizar.
É uma técnica oposta à generalização
É escolher entre todo o material aquele que parece
ser mais relevante para ulteriores
desenvolvimentos.
É uma técnica comum a todos os quadros teóricos
63
Focagem (exemplo)

 “O que acha que se passou para que ao fim de


dois anos queira sempre deixar os empregos?”

64
O ecoar
 Esta técnica pretende assinalar ao entrevistado o
reconhecimento emocional, sintonia e atenção do entrevistador.

 É uma técnica que se dirige basicamente à relação,

 Ex. repetição de uma palavra ou de uma interrogação sobre


qualquer coisa que acaba de ser dita, que pode ser quase
imperceptível para o entrevistado.

 Para além do vínculo relacional, permite retornar ao assunto,


quando há tentativa de desvio.
65
A Provocação
 Esta técnica exige imenso cuidado, já que se dirige
directamente às defesas do sujeito e pode eliminar
qualquer hipótese de relação futura.
 Alguns entrevistadores anunciam que vão fazer uma
provocação…
Ex:
 “Bom, então agora que calcula que vai ser despedido
é que conclui que afinal não gosta do seu trabalho”.
66
A Racionalização

É um mecanismo de defesa através do qual a pessoa


dá um sentido aparentemente coerente, social ou
moralmente valorizado a um sentimento, pensamento
ou comportamento.
A maior das pessoas racionaliza facilmente as suas
razões, motivações e problemáticas. Muitas vezes a
qualidade destas racionalizações é frágil … 67
Cont. No extremo oposto

 Em determinadas circunstâncias e para algumas


personalidades, este acesso à racionalização como
organizador íntimo de sentidos e acções parece
bloqueado, surgindo afirmações sucessivas de “não
sei” não percebo como fiz aquilo.
 Assim aumentam a confusão, dificuldade de pensar,
auto desvalorização ou desresponsabilização.
68
A Racionalização enquanto técnica

 Enquanto técnica de entrevistar, a racionalização é a


cedência, mesmo que provisória, de um sentido organizador
a uma qualidade de material expresso que não o tem.
 Esta técnica é usada sempre que a fragilidade do sujeito ou
os seus níveis de confusão exigem uma atitude
tranquilizadora ou o desvio provisório de uma temática
excessivamente ansiogénica.

69
Cont.

 Deve-se cuidar que a intervenção racionalizante


não seja uma intelectualização, que não se
refugie em pensamentos abstractos, tentando
neutralizar as emoções.

70
Informação à medida ou esclarecimento

 Atenção:

 Se algumas respostas do entrevistado algumas vezes são


intelectualizações (mecanismo para neutralizar as
emoções)

 A informação prestada pelo entrevistador deve ser útil, à


medida das necessidades e dúvidas do entrevistado e que
funcionem como esclarecimento.
71
Sumarização

 Consiste em apresentar ao cliente uma síntese


das principais informações, até então fornecidas
por ele.
 Ao fazer a sumarização o terapeuta pode verificar
possíveis erros no seu entendimento daquilo que o
cliente relatou até ao momento.
Cont.

É um cuidado importante, pois, sabe-se que a


comunicação oral está sujeita a equívocos. Além
disso, enquanto o terapeuta resume, o cliente tem
oportunidade de rever a sua própria fala e, ainda,
lembrar-se de outras informações.
 Dessa forma, resumir também é uma estratégia que
estimula o cliente a falar mais.
Técnicas não–directiva

O silêncio
A paráfrase ou a reflexão de conteúdo ou de
sentido, quer de uma forma genérica , quer de uma
forma sensorial (aproveitando a comunicação não-
verbal)
 quer ainda metafórica; a clarificação e a
sumarização. 74
Técnicas directivas:

A interpretação
O questionamento
A confrontação e a validação de sentimentos (visa
ajudar o cliente a aceitar os seus sentimentos
como parte natural e normal do ser humano).
 Cf Sommers – Flanagan, (2003).
75
Fonte

 LEAL, Isabel (2008). A Entrevista Psicológica.


Técnica, Teoria e clínica, Lisboa, Fim de Século, p.
149-171.
 Silvares,E., & Gongora, M. (2005). Psicologia
Clínica Comportamental: A Inserção da Entrevista
com Adultos e Crianças. São Paulo: Edicon.

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