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Colecistite

Estágio de Cirurgia – Hospital Provincial de Tete

Adalberto Clemente Boca


Anatomia e fisiologia da vesícula e das vias
bilhares
Definição

Colecistite Aguda:
• Doença inflamatória aguda da vesícula biliar.

Colecistite Crônica:
• Inflamação crónica da vesícula em consequência de
episodios repetidos de colecistite aguda o sub-aguda,
• Ou da irritação mecánica persistente de vários
episódios de colecistite.
• Atrofia de mucosa e fibrose da parede.
Etiologia

Colecistolitíase (90-95%)
• Em países desenvolvidos: 5 a 15 % da população,
• Destes, 1 a 3 % evoluem com infecção biliar aguda.
• Custo estimado de 5,8 bilhões dólares/ ano EEUU.

Acalculosa (5-10%)

Menos frequente:
• Colecistite Enfisematosa
Epidemiologia

No Brasil, corresponde a 3 a 10 % de todos os pacientes


com dor abdominal aguda.
•<50 anos = 6,3 % >50 anos = 20,9 %

Mais frequente no sexo feminino (3:1)

Segunda causa mais frequente de abdômen agudo na


gravidez.
Fisiopatologia

Obstrução do Ducto Cístico

Aumento da pressão intra- vesicular

Obstrução/Duração

CÓLICA BILIAR COLECISTITE AGUDA


Evolução

• 1º Colecistite aguda edematosa (2 a 4 dias):


• Fluido intersticial com dilatação capilar e
linfática, parede edemaciada .
• Edema na subserosa

• 2º Colecistite necrotizante (3 a 5 dias):


• Edema + áreas de hemorragia e necrose,
obstrução do fluxo sanguíneo.
• Trombose e oclusão vascular
• 3º Colecistite Supurativa (7 a 10 dias):
• Leucócitos, áreas de necrose e supuração.
• Vesícula grossa pela proliferação da fibrose.
• Abscessos intramurais.
Quadro Clínico

Dor abdominal epigástrica ou em hipocôndrio


direito,
Náuseas, vômitos,
Febre,
Defesa à palpação do hipocôndrio direito,
Vesícula palpável,
Sinal de Murphy.
Definição da Gravidade
Colecistite Aguda Leve – Grau I
• Sem disfunção orgânica;
• Permite colecistectomia segura e com baixo risco de
complicações.

Colecistite Aguda Moderada – Grau II


• Sem disfunção orgânica mas os achados denotam
dificuldade para a colecistectomia.
• Leucocitose > 18000;
• Massa palpável em QSD;
• Sintomas > 72 horas
• Inflamação local marcante
Colecistite Aguda Grave – Grau III
• Associação com disfunção orgânica:
• Cardíaca: hipotensão
• Neurológico: queda nível consciência
• Respiratório: PaO2 / FiO2 < 300
• Renal: oligúria, Cr > 2
• Hepática: INR> 1,5
• Hematológicas: plaquetas <100000
Diagnostico

Historia clinica

Exame físico
• Sinais de desihidratação
• Distenção abdominal
• Defesa e contractura no QSD
• Diminuição ou ausência de ruídos hidroaéreos
• Vesicular palpavel

 MURPHY POSITIVO
Exames complementarios

Laboratorio:
• Leococitose (12 a 16000)
• Enzimas hepaticas normais ou ligeiramente
aumentadas
• Amilasa aumentada
• Glicémia
Imaginológia:
• Radiografia simples (cálculos calcificados)
• Ecografia (distensão vesicular, edema de parede, e
líquido pericolicistitico, dilatação das vías biliares)
Diagnóstico Diferencial

• Apendicite aguda
• Pancreatite aguda
• Ulcera perforada
• Trombose mesénterica
• Angina do peito
• Colico renal
• Pielonefrite aguda
Tratamento

 Médico:
• Hidratar o paciente com soluções electrolíticas
• Sonda Nasogástrica e fazer aspiração

• ANTIBIÓTICOS: Sensivéis a gérmes


gramnegativos(Cefalosporina de 3ª geração,
cefotaxima ou ceftriaxona e cefoperazona)
• Gérmes Anaérobios adicionar metronidazol

 Cirúrgico: colecistectomia
Complicações

Empiema
 Hidropesía
Gangrena
 Perfuração
Peritonite biliar
Fístula Biliar.
Prognóstico

Mortalidade: 0 a 10 %

Mortalidade na Colecistite aguda pós-operatória e


na alitiásica é de 23 a 40 % !

Recorrência:
• Após tratamento conservador = 2,5 a 22 %
Bibliográfia
ALEJANDRO Gárcia Gutierrez, TOMOIII Cirurgia, Editoral
Ciências Médicas.2005 pág 168 – 172

NETTER Frank H, Atlas de Anatomia Humana, Editora Masson


S.A, 2ª Edição. 1999-2000 pág 300

FANCI Anthony S et all, Harrison Principios de Medicina Interna,


17ª Edição, Mc Graw Hill Editora, Vol I

SABISTON e LYERLY. Tratado de Patología Cirúrgica. 14ª ed.


1994

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