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FRANZ

SCHUBERT
1797-1828
Informações sobre o nascimento:
● Schubert nasceu em 31 de janeiro de 1797
● Vienense (Liechtental)
● Viveu em período comumente chamado de Biedermeier*
● Envolvido no movimento Sturm and Drang**
● 12º de 14 filhos, dos quais apenas 5 sobreviveram (pai professor)
● Morreu em 19 de Novembro de 1828, decorrente de complicações de febre
tifóide (comum na época, que acometia muitos portadores de doenças
venéreas).
● Dedicatória em seu túmulo, feita pelo amigo e poeta Franz Grillparzer: “Aqui
a música enterrou um tesouro precioso e esperanças ainda mais preciosas.
**Biedermeier

O período Biedermeier não se refere à era como um todo, mas a um clima


particular e a um conjunto de tendências que surgiram a partir dos alicerces
únicos da época na Europa Central. Havia duas forças motrizes para o
desenvolvimento do período. Uma delas foi a crescente urbanização e
industrialização levando a uma nova classe média urbana, que criou um novo tipo
de público para as artes. A outra foi a estabilidade política prevalecente sob
Klemens Wenzel von Metternich após o fim das Guerras Napoleônicas.
Consequências no meio artístico vienense
O efeito foi que os artistas e a sociedade em geral se concentrassem no
doméstico e (pelo menos em público) no não-político. Escritores, pintores e
músicos começaram a ficar em um território mais seguro, e a ênfase na vida
familiar para a crescente classe média significou um florescimento do design de
móveis e decoração de interiores.

O clima político era de controle, de centralização das decisões por parte do


governante, como reação às recentes ideias da revolução francesa.
Sturm and Drang
Sturm und Drang , literalmente "tempestade e pulsão", "tempestade e desejo",
embora convencionalmente traduzido como "tempestade e estresse") foi um
movimento proto-romântico na literatura e na música alemã isso ocorreu entre o
final da década de 1760 e o início da década de 1780. Dentro do movimento, a
subjetividade individual e, em particular, os extremos da emoção receberam
expressão livre em reação às restrições percebidas do racionalismo imposto pelo
Iluminismo e pelos movimentos estéticos associados. O período é nomeado para
a peça de mesmo nome de Friedrich Maximilian Klinger, que foi realizada pela
primeira vez pela famosa companhia teatral de Abel Seyler em 1777.
Sturm and drang
O filósofo Johann Georg Hamann é considerado o ideólogo de Sturm und Drang,
com Jakob Michael Reinhold Lenz, H. L. Wagner e Friedrich Maximilian Klinger
também figuras significativas. Johann Wolfgang von Goethe também foi um
notável defensor do movimento, embora ele e Friedrich Schiller terminassem seu
período de associação com ele iniciando o que se tornaria o Classicismo de
Weimar.

Schubert estava intimamente ligado à esses poetas, e musicou inúmeros poemas,


que hoje são obras primas tanto da literatura quanto da música.
Infância
- Filho de Elizabeth Vietz e Franz Theodor (seu professor no ínicio da vida)
- Aos 5 anos já era ensinado, por seu pai Franz e seu irmão mais velho, Ignaz,
a ler, escrever e a tocar violino e piano.
- Aos 11 anos já era considerado um bom pianista e violinista, e também
começou sua carreira composicional, compondo prolificamente.
Infância
- Aos 11 anos, com sua voz de soprano à epoca, Schubert concorre a uma
vaga de cantor na Capela Imperial, sendo logicamente aprovado.
- Ser aprovado neste concurso significou também o ingresso no prestigiado
colégio/conservatório “Stadtkonvikt”, onde ele e seus colegas viviam em
regime de internato.
- Vale destacar que, em 1808 (ano da prova de ingresso no Stadtkonvikt), o
menino Schubert chamou a atenção do conhecido Antonio Salieri, diretor
musical da corte ( e suposto desafeto de Mozart), tornando-se assim aluno
de composição de Salieri.
- Aos 18 anos compôs Erlkoenig, a obra prima do gênero balada.
Infância
- Lá ele conheceu Josef von Spaun, exímio violinista, que foi seu amigo ao
longo da vida. Spaun também o apresentou para Johann Maryhofer e Franz
von Schober; são esses três amigos fiéis que o acompanharão para o resto
da sua curta vida.
- Shubert fica no Konvikt ate os 16 anos. Embora sofridos, esses anos foram
importantes para o seu desenvolvimento artístico e humano.
- As preferências musicais do jovem Franz eram especialmente por Mozart e
Haydn, com especial veneração às obras de Beethoven, como pode-se notar
nas sutis influências dentro da sua obra e na frase dita por ele : “ Depois de
Beethoven, quem poderá avançar mais?”
Encontro de Beethoven e Schubert, aquarela de Kuppelwieser.
Schubert e a obra de Goethe
Os textos de Goethe abriram novos caminhos e estimularam a imaginação do
compositor. De acordo com Dietrich Fischer-Dieskau, escritor e intérprete, “o
primeiro encontro de Schubert e Goethe se deu juntamente com seu primeiro
amor”, referindo-se a Therese Grob, o que se refletiu nos primeiros versos do lied
Gretchen am Spinnrade: “Minha paz se foi, meu coração pesa”.

Schubert trabalhou com mais de setenta poemas de Goethe em diferentes


versões. Enquanto vivo, o trabalho do compositor nunca foi verdadeiramente
reconhecido pelo poeta.
O Rei dos
Elfos,
ilustração de
Moritz von
Schwind

https://www.youtube.com/watch?v=MY0eeotSDi8

https://www.youtube.com/watch?v=5XP5RP6OEJI
Schubert adulto - contexto
- Nas duas primeiras décadas do século XIX, a música saiu das cortes e
salões para o mercado. De repente, ela se tornou um fenômeno burguês. A
valsa tornou-se uma febre, o que acabou por influenciar a música mais séria.
Schubert, bem como Mozart (e um pouco menos que Beethoven), escreveu
uma grande quantidade de música dançante.
- Muitos membros da aristocracia mantinham suas próprias orquestras e
salões musicais. Acima de tudo, um grande grupo, a classe média culta,
começou a participar na música, associando-se a compositores e fazendo da
música parte integrante de suas rotinas.
Schubert adulto
- Schubert habitava o mundo da classe média intelectualizada que amava a
música e as artes. Ele raramente se misturava com a aristocracia, como fazia
Beethoven.
- Era um círculo (“NOSSO CÍRCULO”) formado por músicos e literatos, e
muitos deles eram seus amigos, bem como : Johan Mayrhofer (poeta), Franz
Grillparzer (poeta), Moritz von Schwind (pintor), Franz Lachner (regente e
compositor), Johann Michael Vogl (famoso cantor da época), Franz von
Schober, entre outros.
Schubert adulto
- Apesar de ser prolífico compositor, com sinfonias, mais de 600 Lieds,
fantasias para piano, entre outros gêneros, seus esforços em encontrar
editores que publicassem suas obras, gerando renda pro compositores,
quase sempre resultavam em nada.
- Aos poucos, graças às “Schubertiaden”** e a seus amigos do “nosso
Círculo”, o nome de Schubert começou a ser notado, com grandes exibições
por parte de músicos importantes da época, como Anna Milder e Johann
Michael Vogl.
Representações de Schubert com Michael Volg
*Schubertíades (“Schubertiaden”)
- As Schubertiaden ficaram célebres em Viena. Eram noites patrocinadas
pelos amigos do compositor, em que nada além de sua música era tocado.
Com Schubert ao piano, ouviam canções, música de câmara, piano solo e a
quatro mãos.Foi esse grupo de amigos que providenciou que o primeiro
grupo de canções dele fossem publicadas, já que nenhum editor
aparentemente demonstrava interesse.
“Schubertiaden 1868”, por Moritz von Schwind
Schubert compondo
● Schubert foi o maior expoente compositor de Lieder (mais de 600 obras)
● Para isso, ele se baseou em diversos poetas, conhecidos ou não, tais como :
Goethe, Ossian, Schiller, Klopstock, Kenner, Kosegarten, Mayrhofer,
Schober, dentre outros.
● Durante o ano de 1815, ele demonstra toda sua capacidade produtiva,
vivendo o momento apontado como o seu mais criativo: 146 Lieder - dentre
eles o famoso “Der Erlkönig” (O Rei Dos Elfos) - duas sinfonias, duas missas,
diversas obras corais, quatro óperas (apesar de ser renegado quando se
trata desse gênero), duas sonatas para piano e dois quartetos de cordas.
● Já em 1816, ele compôs 132 Lieder, a célebre sinfonia em dó menor
(“Trágica”), a missa em dó maior, entre outras obras primas.
Influências
● Schubert foi contemporâneo a Beethoven e Rossini, compositores de grande
prestígio na época, e que Franz tinha particular apreço.
● Quase ninguém discorda que Schubert sempre foi muito suscetível à
influência da música do compositor de Bonn. É certo que o estilo grandioso
de Beethoven não o agradava. O tipo de sonoridade que deriva de um novo
tratamento da linguagem musical praticado por Schubert resulta
especialmente de sua sensibilidade musical, diferente da obsessão pelo
vigoroso que há em certas passagens das sinfonias de Beethoven. O lirismo
das frases musicais de Schubert é o traço fundamental que o une ao paraíso
dos espíritos calmos.
Final da vida
● Schubert contrai, aproximadamente em 1822, uma doença venérea (através
dos relatos, provavelmente sífilis).
● A evolução da doença atinge um estágio desesperador e, em fevereiro de
1823, ele é internado no Hospital Geral de Viena, mas mesmo assim ele
continua compondo em ritmo impressionante. Por exemplo, começou a
escrever seu ciclo de Lieder “Die Schoene Muellerin”
● A saúde de Schubert piora e em 1828 ele passa a morar com seu irmão no
subúrbio de Neue Wieden. Nesse período compõe os Lieder que mais tarde
seriam reunidos sob nome de “Schwanesgesan” ( canto dos cisnes).
Final da vida
● Em 16 de Novembro de 1828, decorrente de complicações de uma febre
tifóide Schubert falece.
● Enterrado no cemitério de Waehring, próximo de Beethoven.

“Schubert at the piano”


1945, por Gustav Klimt
Compreendendo Schubert
Por não vir de uma família de músicos, não se esperava dele que se tornasse
um virtuoso, e nem tampouco suas composições são voltadas para este tipo de
instrumentistas. Compõem para pessoas como sua família: músicos amadores,
porém de gosto musical refinado

Schubert tinha para si uma clara distinção entre as “altas artes” e arte de
menor nível estético. Fazia muitos lieds e “músicas sociais” porém sentia
necessidade de se lançar também nos gêneros sinfônicos e operísticos para
poder ser um compositor bem sucedido artística e comercialmente, independente
de seu convívio habitual ou encomendas. Somente assim poderia ser um dia
comparado aos grandes nomes da música, como Haydn, Mozart e Beethoven.
Schubert e os Lieder
Antes de Schubert, Lied era um gênero para amadores, sem real dimensão
artística

Die Erlkönig e Gretchen Und Spinnrade são suas peças ao mesmo tempo
deslancharam a carreira de Schubert e elevaram o status do gênero Lied.

Busca por imagens poéticas através de mudanças expressivas no estilo


declamatório, textura, figuração e harmonia

Colocação da voz, dobramentos, combinação de registros, dinâmicas


Música Social
Muitas peças voltadas para músicos amadores

Danças para piano solo, peças para pianos a 4 mãos e músicas corais
seculares (partsongs)
Danças para piano solo
Partituras deste gênero eram extremamente bem recebidas pelos editores
nesta época por conta da paixão pela dança em voga em Viena

8 edições entre 1821 e 1828 e aproximadamente 500 danças compostas

Muitas danças surgiam como improviso em festas e eventos sociais, e depois


no dia seguinte ele escreveria as que soaram mais interessantes

Bases técnicas bem claras: frases de 4 ou 8 compassos, frases curtas (duas


seções e repetição), padrões repetitivos e muitos efeitos pianísticos (troca de
registro, articulações, figurações características)

Com o passar dos anos, surgem novas preocupações, como explorar


possibilidades de misturas modais (modo menor e maior)
Piano a 4 mãos
Schubert era o melhor compositor para 4 mãos (Margaret Notley)

O primeiro é composto em 1818 e ele segue compondo peças a 4 mãos até o


fim da vida

Lebensstürme (1828): possui um tom Beethoveniano, uma sonoridade quase


orquestral, explorando massivamente as possibilidades das 4 mãos no piano.
Partsongs
Todas as suas obras publicadas em vida eram somente para vozes
masculinas. Porém também compunha para coros SATB e vozes femininas

Tinha ambição de levar suas peças para os grandes halls

Notável desenvolvimento no estilo ao longo do tempo


Partsongs - início
Enquanto estudante, compunha texturas diversas a 3 e 4 vozes com textos
em italiano e alemão

Depois de completar os estudos, buscava texturas blocadas e forma


estrófica, se aproximando da linguagem popular

A partir de 1817 começa a ser mais inovador, usando texturas e tonalidades


contrastantes e buscando criar musicalmente imagens e figurações

Em 1819 suas peças estavam intensamente baseadas em efeitos


harmônicos
Partsongs - Gesang der Geister über den Wassern
Sua primeira obra feita em cima de um texto de Goethe, em 1820

Tendências madrigalescas

O texto perdeu parte de seu sentido no meio de todas as cadências e


acontecimentos musicais

Peça ambiciosa e pouco usual: 4 linhas de tenor e 4 de baixo, 2 violas, 2


violoncelos, 1 contrabaixo

Criar sonoramente as imagens do poema, como as quedas de água


Partsongs - Das Dörfchen
Texto sentimental

Vozes masculinas

Frases bem quadradas

Progressões harmônicas convencionais

Majoritariamente homofônica (com um cânone simples no final)


Partsongs - 1821
Concerto em 1821 no Kärrntherthor Theater: primeiro grande momento de
Schubert com o público vienense.

Um grande sucesso e um grande fracasso (Das Dörfchen e Gesang der


Geister über den Wassern, respectivamente)

Schubert percebe que foi longe demais com a segunda peça e que deve
buscar essa nova forma musical que ele almeja com cautela, menos
bruscamente, para conseguir manter seu público

Regride artísticamente após este evento, compondo apenas o que o público


quer ouvir, e suas obras perdem parte da força que tinham antes
Obra religiosa de Schubert
Não era muito ortodoxo do catolicismo, desaprovava a visão dogmática da
Igreja; compunha missas pela sua riqueza musical

Podemos dividir em 3 fases:

- Um primeiro grupo de 4 missas compostas entre 1814 e 1816


- Uma missa entre 1819 e 1823
- Uma missa em 1828 (“maturidade e maestria”)
Primeira fase religiosa
Compostas dentro das convenções de missa e características estilísticas já
existentes, com leves traços pessoais mais maduros. Influência também de
Haendel e no barroco (especialmente em Bach)

Na primeira de todas: prevalece homofonia coral, nota-se alguma influência de


Mozart (porém não na parte sinfônica), solos não virtuosos, somente a soprano
com uma extensão grande (Schubert já compôs a peça sabendo que soprano
teria a disposição), cromatismos melódicos e harmônicos e uso de acordes
homônimos (estas duas últimas características já mostrando o lado maduro do
jovem compositor)

Após 1816, ao não conseguir um emprego de diretor musical em Laibach, para de


escrever missas temporariamente e passa a se interessar em textos e gêneros
não católicos, com muita inspiração em Haydn e Beethoven
Obras religiosas
Lazarus: extremamente secular para uma peça sacra; escrita vocal antecipando
Wagner; clima pastoral (trompas, cenário proposto); aspiração romântica com
interesse secular de criar corais baseados em temas naturais

Missa n.5: muito subjetiva e passionalmente religiosa.

Falha em tornar-se Vize Kapellmeister, mas continua compondo no gênero


mesmo assim, demonstrando comprometimento com o gênero
independentemente de atividade profissional

As últimas missas já tem maior textura sinfônica e maior respeito às tessituras


voais de cada naipe
Música de câmara
Seu primeiro instrumento foi o violino. Desde jovem integrou o quarteto de
cordas da família. Boa parte de suas composições camerísticas eram para
seu grupo familiar

Também tocou na orquestra do Seminário de Viena, o que também trouxe


intimidade com um repertório importante (era Kapelldiener)

Entre 1814 e 1816 já havia composto pelo menos 12 quartetos de cordas e


um quinteto, formando uma coleção considerável de música de câmara

Entre 1824 e 1828 compôs várias obras primas


Elementos na composição camerística
Desde o início da carreira compôs algumas obras camerísticas bem pouco
usuais, como o Overture para Quinteto de Cordas (D8), mostrando bastante
influência da música orquestral nas suas obras para cordas

Forma sonata sem seção de desenvolvimento ou repetição depois da exposição,


da mesma maneira que é usado em Overtures de Rossini, Gluck, Mozart e
Beethoven

Muitas articulações e ornamentações, como tremolos, dobramentos de


oitava, ideias melódicas que lembram a seção de sopros da orquestra

Enquanto na música prevalecia a preocupação de estabelecer uma nova


tonalidade, Schuberto fazia aproximações menos diretas e quase nunca ia para a
dominante do novo tom
Música de câmara
Depois que Schubert concluiu sua primeira sinfonia, os quartetos de cordas
seguintes passaram a soar bem menos orquestrais.

Nos seus últimos quartetos, retorna esta sonoridade orquestral

“Anos de Crise”: 1818-1823. Muitas obras incompletas. Período em que não


mora mais na casa de sua família, portanto suas composições não são mais
voltadas para sua família ex. violoncelo mais presente

Começa a fazer uso de elementos de Beethoven


na sua música de câmara, explorando uma extensão emocional maior. Isso
explica parte da dificuldade de finalizar as obras, de unificar os trechos numa
música só
Influência de Beethoven na obra camerística
No inverno de 1823-1824 Schubert começa a interagir com músicos do
círculo social de Beethoven, incluindo o violinista Ignaz Schuppanzigh, líder do
primeiro quarteto de cordas profissional, que era o grupo mais influente que
tocava as obras de Beethoven em Viena

Percebe o sucesso das variações de Beethoven e em 1822 faz “Variações de


uma Música Francesa” (Opus 10 D624) para piano e dedica a Beethoven “com
veneração e admiração”. Em 1824 é o período em que mais compõe variações,
por conta de Beethoven. Porém não são muitas, provavelmente pelas restrições
harmônicas e tonal inerente a esta forma
O último quarteto de cordas
Seu último quarteto de cordas é também em muitos aspectos o seu mais
criativo, onde ele não está preocupado em escrever variações e nem usa motifs
curtos de maneira cíclica entre os movimentos; cria uma complexa teia de
conexões, explorando tons homônimos e contraste modal

No início, as explorações harmônicas nem sempre eram convincentes. Em


seu último quarteto de cordas, tem um imenso controle, somado a muita
criatividade, nas modulações. Notável o uso do homônimo da tônica. Cria um
caleidoscópio tonal.
O último quinteto de cordas
Seu quinteto de cordas de 1828 é também um de seus melhores trabalhos de
música de câmara, sendo como um sucessor dos quintetos de Mozart. Explora
bastante diferenças de andamentos e dinâmicas, saindo de esquemas
tradicionais

Schubert foi assistir as estreias de todos os últimos quartetos de Beethoven e


claramente aprendeu com ele a efetividade de fortes (e as vezes inesperados)
contrastes
Música de câmara com piano
Schubert demora a incluir o piano em suas composições para câmara;
somente em 1816, quando a influência de Mozart estava no auge

Majoritariamente desenvolvido entre 1816 e 1820

Obras primas com piano são as duas últimas de sua vida


O elemento que mais chamava a atenção na obra de Schubert para seus
contemporâneos era a sua imaginativa harmonia.

Buscava sonoridades dissonantes e progressões harmônicas inesperadas


Ópera
Ópera alemã ainda mais baseada em diálogos do que em recitativos

Cômicas ou sentimentais

Schubert e seus contemporâneos: continuidade ao trabalho desenvolvido por


Mozart e Beethoven
Ópera de Schubert
Temos o registro de 8 óperas completas, desde óperas curtas até dramas
heróicos

Não é especialmente relevante na ópera

3 fases bem demarcadas:

- 1811-1816 sua adolescência, estudante


- 1819-1823 anos de crise, rápida maturação artística
- 1827-1828 seus dois últimos anos de vida
Os anos de crise
Entre 1819 e 1823, Schubert recebe diversas encomendas para vários
trabalhos teatrais

Compôs 4 óperas que não foram acabadas e duas completas bem


importantes: Alfonso und Estrella e Die Verschworen

Em 1820 pôde ouvir sua música sendo tocada nos teatros vienenses.
Schubert cria aspirações tangíveis e realísticas de ser tocado em Viena

O sucesso de Rossini apaga a atenção de Schubert, que fica muito irritado.


“Compus 2 óperas para nada”. Fica depois disso 4 anos sem compor nada para
teatro
Importância da ópera na maturação de Schubert

Suas duas óperas completas do período de crise o desafiaram a aumentar


seu alcance e extensão emocional a um nível de maturidade e desenvolveram
seu controle de estruturas de “larga escala” de uma tal maneira que não foi feita
pelos singspiels, e isso reflete em toda sua obra.
Obra sinfônica
As primeiras composições foram Overtures que contaram com o auxílio de
Salieri, provavelmente voltadas para a orquestra da escola, por conta de aspectos
como a tonalidade, que eram tonalidades fáceis de serem executadas pelos
músicos

Após 2 anos destes primeiros overtures, completa sua primeira sinfonia, e faz
outras 5 em 5 anos (período de 1813 a 1818), cada uma segundo um modelo de
um compositor referência (Haydn, Mozart, Beethoven e Rossini), inclusive citando
motivos melódicos, e utilizando progressões harmônicas e princípios
organizacionais destes compositores.

Neste período, Beethoven lança sua 7ª e a 8ª sinfonia

Ganhar experiência
1816: Com possibilidades de concertos, Schubert se anima a tentar compor
peças mais dignas de performance pública

Muitos temas escalares e triádicos, crescendos e sforzandos, tensão e


relaxamento, acordes de suspensão, de sétima diminuta

Claras influências de Mozart e Beethoven

Com o tempo, percebe que suas sinfonias estavam sempre muito presas a
moldes antigos e eram muito mais curtas que as sinfonias de Beethoven, que
eram o novo referencial sinfônico. Não se dedica muito a trazê-las a público por
isso, sentia que era mais criativo nos Lieder. Nenhuma de suas obras foi tocada
publicamente enquanto Schubert era vivo
Viradas
1816: Torna-se dependente de ajuda financeira de amigos

1818: Decide deixar de lecionar na escola de seu pai e vai tentar viver
somente de suas composições

Entre 1818 e 1821: inicia 10 movimentos sinfônicos, mas abandona todos

1821: Sucesso de Die Erlkönig

1822: Sífilis. Abandono da vida social por mais de 1 ano. Depressão


Já em 1819 demonstrava maturidade em suas peças sinfônicas

Aos 25 anos encara o desafio de compor uma sinfonia tão convincente


quanto Beethoven sem soar uma cópia dele

A sombra de Beethoven deixa Schubert muito inseguro e com complexo de


inferioridade

Schubert preferia fazer sucesso com os Lieder do que arriscar ser


comparado a Beethoven com suas sinfonias
“Secretamente, no fundo do meu coração, eu ainda desejo ser capaz de
fazer algo de mim mesmo, mas quem é capaz de fazer qualquer coisa depois
de Beethoven?” (Schubert em carta para amigo)

“Este trabalho não é dedicado a ninguém, apenas para aqueles que


encontrarem prazer nele” (Dedicatória do Opus 100, Piano trio em E)

(Traduções livres)
Referências Bibliográficas
● GIBSS,C.H. - Schubert, um compêndio; tradução de Alberto Cunha - São
Paulo : Editora da Universidade de São Paulo, 2017;
● FILHO, A.G - Franz Schubert : A história dos gênios da música - Editora Nova
Cultural;
● CARPEUX, Otto Maria, 1900-1978 - O livro de ouro da história da música -
Rio de janeiro : Ediouro, 2001;
● SCHONBERG, Harold C. - A vida dos grandes compositores - Osasco, SP :
Novo Século Editora, 2010.
● DIESKAU, Dietrich F. - Schubert: A biographical study of his songs -
Wiesbaden: Cassell London, 1971.
● GIBBS, Chistopher H. et all - The Cambridge Companion to Schubert, 1997