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A produção de electricidade de origem

fotovoltaica depende da incidência solar e da


temperatura de cada lugar geográfico, da
época do ano e da hora do dia: assim, a
produção é máxima ao meio dia (hora solar) de
um dia de céu limpo. O valor máximo registado
é de cerca de 1000 W/m2 (valor, dito de
referência). Para uma instalação de 20 m2, este
valor traduz-se numa produção diária de cerca
de 2,8 kWc, ou seja 5 a 8 kWh, correspondente
às necessidades médias de uma habitação de 4
pessoas.
Tendo em conta as condições geográficas e
meteorológicas, contata-se que em Portugal, a
energia média diária varia entre 5,0 kW/m2 no
norte e 5,6 kW/m2 no Algarve (médias anuais)

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Beaucoup de pays ont réalisé l'enjeu
énergétique ; nous l'avons vu dans la partie
introductive des énergies renouvelables de ce
site. Desta forma, as instalações fotovoltaicas
desenvolveram-se de forma desigual na Europa
e, ao contrário do que seria de esperar, não
são os países com melhores condições solares,
aqueles onde este tipo de aproveitamento está
mais desenvolvido.

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Antes de apresentar a teoria, vejamos quais as
aplicações fotovoltaicas possíveis, as mais
divulgadas e as emergentes.
 
Instalações cujas necessidades energéticas são
supridas inteiramente pela energia solar e sem
necessidade de cablagem para ligação à rede:

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1. Situação actual
Alterações climáticas
O aumento da temperatura global da superfície terrestre, ocorrido nos
últimos anos, tem sido associado ao aumento do efeito de estufa. Como
consequência da actividade humana, a concentração dos gases de efeito
de estufa tem vindo a aumentar de um modo descontrolado desde o
período pré-industrial (1750-1800). A concentração de dióxido de
carbono (CO2), principal gás de efeito de estufa, aumentou em 30% desde
a era pré-industrial. Nos dias de hoje, o efeito combinado de todos os
gases de efeito de estufa (CO2 , metano, ozono,…) corresponde a um
aumento de mais de 50% do equivalente de CO2, que existia nesse
período
Desde 1860, a temperatura média da superfície terrestre aumentou
0,6°C. Diferentes cenários prospectivos prevêem que, até 2100, esta
temperatura irá aumentar entre os 1,5 e 6ºC, caso as opções energéticas
e os hábitos de consumo actuais não sejam modificados. Este aumento
considerável da temperatura será acompanhado por uma subida do nível
do mar de 20 cm a 1 m . Se a alteração climática parece irreversível é, no
entanto, possível atrasar esta evolução, caso se diminuía, de modo
significativo, as emissões de gases de efeito de estufa.

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Sabe-se que os reservatórios naturais de CO2 , que são os solos, as árvores
e os oceanos, não serão capazes de absorver uma quantidade equivalente
a menos de metade da produção de CO2 de origem humana (produzido
durante o ano 2000). De modo a estabilizar a concentração de CO2 no seu
nível actual é, pois, necessário reduzir de imediato 50 a 70% das emissões
destes gases. Sendo uma redução drástica desta dimensão impossível de
imediato, é no entanto necessário desde já começar a agir, já que este é
um problema com uma característica do tipo acumulativo. Como o período
de vida do dióxido de carbono na atmosfera é da ordem de um século,
serão necessárias diversas gerações para conseguir estabilizar as
concentrações de CO2 num nível aceitável.
O CO2é produzido pela combustão de todos os combustíveis fósseis:
petróleo, gás e carvão. As emissões de CO2 são duas vezes maiores quando
se utiliza carvão, em vez de gás natural, situando-se o nível das emissões
associadas à utilização do petróleo num valor intermédio, entre ambas.
No início da década de 2000, a repartição mundial das emissões de CO 2 por
sector de actividade era a seguinte: produção eléctrica 39%, transportes
23%, indústria 22%, residencial 10%, terciário 4% e agricultura 2%. Esta
repartição é, no entanto, muito diferente de país para país. Por exemplo,
em França, onde somente um décimo da energia eléctrica é produzido a
partir de combustíveis fósseis, o sector dos transportes é responsável por
mais de 40% do CO2 emitido para a atmosfera
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Aumento da procura de energia
Em 2000, o consumo energético mundial era da ordem de uma dezena de
Gtep (tep = tonelada equivalente de petróleo, 1 tep corresponde à energia
produzida pela combustão de uma tonelada de petróleo). Os combustíveis
fósseis representavam quase 8 Gtep desse total.
Todos os anos, numerosos cenários de evolução energética são elaborados
pelos organismos especializados no domínio da energia. Estes cenários
perspectivam uma procura de energia em 2050 que vai das 15 às 25 Gtep.
Estes cenários prospectivos têm por base diferentes conjecturas relativas ao
crescimento económico, ao aumento da população mundial, ao acesso
progressivo à electricidade de 1,6 mil milhões de pessoas que ainda dela são
privadas, às necessidades energéticas crescentes dos países em vias de
desenvolvimento e à efectivação de politicas de economia de energia que
protejam o ambiente. As incertezas relativas à evolução destes diferentes
cenários explicam os desvios consideráveis que se verificam entre cenários
extremos.
É, no entanto, razoável prever que a procura de energia duplique no próximo
meio do século.

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Limitações nas reservas de combustíveis fósseis
A situação descrita leva à emergência em desenvolver novas tecnologias, que
serão inevitavelmente mais caras no início do seu desenvolvimento e
utilização. Caso o consumo se mantenha inalterado, as reservas conhecidas de
petróleo darão para um período da ordem de 40 anos de consumo. O leque de
opiniões dos peritos relativas a esta previsão, situa-a entre os 20 e os 80 anos,
dependendo dos pressupostos considerados relativos ao crescimento do
consumo e à possibilidade de descoberta de novas reservas.
Mantendo o seu consumo inalterado, as reservas conhecidas de gás natural
dariam para mais de 60 anos e, em cada ano, tem vindo a ser encontrado mais
gás do que aquele que é consumido. No entanto, fazendo a substituição do
consumo de petróleo e de carvão por gás, de modo a reduzir as emissões de
efeito de estufa, as reservas não durariam para mais do que 17 anos. A opção,
em certos países, de abandono do nuclear e a sua substituição por gás natural,
poderá acelerar ainda mais, o esgotamento deste recurso.

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O carvão é o combustível fóssil cujas reservas são maiores. É estimado que estas
reservas durem para mais de 200 anos.
Deste modo e caso não se tivesse em consideração as consequências dramáticas
desta opção no clima e as suas consequências para as gerações vindouras, a
procura de energia até 2050 (prevista que se situe entre as 15 e as 25 Gtep)
poderia continuar a ser, no essencial, satisfeita, por energia de origem fóssil, tal
como hoje acontece.
No entanto, para limitar o aumento da temperatura dentro de um intervalo de 1 a
3ºC é necessário que o total de emissões atmosféricas que venham a ocorrer nos
próximos séculos seja, somente, um terço daquelas que seriam provocadas pela
combustão dos recursos disponíveis de gás, petróleo e carvão. Será, pois,
necessário que a humanidade auto-interdite a queima de dois terços da energia
primária que se encontra facilmente disponível e que apresentam custos
relativamente em conta, optando por considerar que. não é razoável continuar a
jogar com os recursos limitados de energia primária existente, arriscando-se a um
seu esgotamento precoce, e a não reduzir naturalmente as emissões por efeito de
estufa. Assim, mesmo com os preços relativamente baixos dos combustíveis fósseis
(apesar da sua subida ser cada vez mais efectiva) é necessário que surjam novas
tecnologias, inevitavelmente mais caras, já que não beneficiam de uma produção
em grandes quantidades.

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Fraco rendimento global do sistema
energético
O rendimento global do nosso sistema
energético é baixo. Por exemplo, durante 2000,
foi necessário utilizar 252 Mtep de energia
primária para satisfazer as necessidades
francesas de energia útil de 86 Mtep,
correspondendo a um rendimento de
aproximadamente 34%. Houve, deste modo,
perdas de 166 Mtep nas transformações
energéticas a que esta energia primária foi
sujeita (refinação, produção eléctrica, …) e na
sua utilização final (rendimento dos aparelhos
eléctricos domésticos, nos veículos, …). Estas
perdas de 166 Mtep surgem como o principal
factor de desperdício de energia e, em
consequência, como a principal causa de
emissão desnecessária de CO2.

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Dependência energética
Quase 50% da energia primária consumida na
União Europeia provêm de países que não são
da União. Sem alteração do nível de produção
energética, e tendo em conta o aumento
previsível de consumo, esta dependência
energética passará a ser de 70% até ao ano de
2030.
A dependência face ao Médio Oriente, que
detêm 65% das reservas conhecidas de
petróleo, deverá crescer. A partir da década de
2020-2030, novas tensões económicas e
políticas poderão surgir como consequência da
redução dos recursos fósseis disponíveis e da
sua concentração em zonas politicamente
instáveis, pondo em causa a segurança de
abastecimento dos países que constituem a
União Europeia.

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2. Contexto

Foi em 1986 que o conceito de desenvolvimento sustentável foi definido como sendo:
“satisfazer as necessidades do presente sem hipotecar a capacidade das gerações
futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades”.
Este conceito implica o interesse pelo desenvolvimento de soluções que utilizem novas
fontes de energia e pelo minimizar dos desperdícios que afectam o ambiente. Os
combustíveis fósseis surgem como um recurso escasso e economicamente limitado,
que induzem emissões atmosféricas que afectam o ambiente e contribuem para as
alterações climáticas. Um sistema energeticamente sustentável deve integrar fontes de
energia renováveis e combustíveis com baixo teor de emissões, que estejam
disponíveis a custos razoáveis. Apesar do facto de que a disponibilização de novas infra-
estruturas energéticas ser uma tarefa para várias décadas, um número crescente de
empresas têm vindo a envolver-se no desenvolvimento e comercialização destas novas
tecnologias.
O desenvolvimento sustentável necessita de gerar o equilíbrio entre o desenvolvimento
económico, a equidade social e a protecção do ambiente em todas as regiões do
planeta. Este conceito não poderá concretizar-se sem que exista uma vontade política
real de um número crescente de países.

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3. Compromissos e perspectivas

Protocolo de Quioto
Em 1997, o protocolo de Quioto fixou como objectivo a redução de 5,2% do nível mundial
de emissões de gases de efeito de estufa em 2010, quando comparados com os valores
de 1990. A União Europeia comprometeu-se a reduzir as suas emissões de 2010 em 8% e,
tendo em conta as particularidades de cada um dos países envolvidos, cada um dos seus
membros viu ser-lhe atribuída um valor específico na sua quota de redução de emissões.
Mais de metade dos países devem reduzir as suas emissões (Alemanha, Áustria, Bélgica,
Dinamarca, Itália, Luxemburgo, Países Baixos), alguns devem estabilizar os seus níveis de
emissão (França, Finlândia), e outros foram autorizados a terem um crescimento nas suas
emissões (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Suécia).
Para que, no horizonte de 2050, se consiga que o nível de concentração de dióxido de
carbono presente na atmosfera deixe de aumentar, é necessário reduzir para metade as
emissões actuais que ocorrem ao nível planetário, o que implica uma redução para um
terço ou para um quinto quando se trata dos países desenvolvidos.

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A União Europeia e o desenvolvimento energético sustentável
No início da década de 2000, a Comissão Europeia fez do desenvolvimento das
energias renováveis uma prioridade política descrita no Livro Branco “Energia para
o futuro: as fontes de energia renovável” e no Livro Verde “Para uma estratégia
europeia de segurança de abastecimento energético”.
A Comissão fixou como objectivo duplicar o valor da componente das energias
renováveis no consumo global de energia, que passará de 6%, em 1997, para 12%,
em 2010. Este objectivo insere-se numa estratégia de segurança de abastecimento
e de desenvolvimento sustentável. Um esforço particularmente significativo
deverá ser feito no domínio eléctrico. No seio da União Europeia, a componente
de energia eléctrica que é produzida a partir de fontes renováveis deverá atingir
22,1%, em 2010, contra 14%, em 1999. Este objectivo definido para a Europa dos
15 foi, entretanto, revisto em baixa para a Europa dos 25, onde deverá atingir 21%.

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Abertura do mercado de electricidade
Após o início da década de 2000, o sector eléctrico conheceu uma profunda
reestruturação resultante da aplicação da Directiva Europeia CE 96-92. Esta Directiva
impõe que as actividades de transporte e de produção de energia eléctrica sejam
asseguradas por entidades de gestão independentes. A espinha dorsal do sistema
eléctrico passa a ser, unicamente, a rede de transporte, gerida em cada estado por um
gestor único que será designado pelo governo respectivo.
Uma das consequências da abertura do mercado eléctrico é o desenvolvimento da
produção descentralizada com base em unidades de cogeração, em fontes de energia
renováveis ou em produção tradicional instalada por produtores independentes.
A integração nas redes eléctricas de centrais de produção de energia eléctrica baseadas
em fontes de energia renovável, em particular daquelas que dependem fortemente das
condições climatéricas, tais como a energia eólica e solar, e de um modo mais geral da
produção descentralizada, vai impor a necessidade de importantes alterações nessas
redes, assim como a colocação em serviço de novos equipamentos e de novos métodos
de gestão. O desafio é manter a fiabilidade e a qualidade no fornecimento de energia
eléctrica aos particulares e às empresas, apesar da liberalização do mercado de
electricidade e da utilização crescente de fontes de energia renovável de natureza
aleatória e disseminada.

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Perspectives technologiques
É difícil identificar as tecnologias que irão ter o papel preponderante no futuro. Um sistema
energético futuro com baixo teor em emissões de gases de efeito de estufa basear-se-á,
provavelmente, numa combinação de energias com diferentes origens, de vectores e de
sistemas de conversão energética que assumirão formas distintas nas diversas regiões do
mundo.
No entanto, é possível antever algumas das tendências do nosso futuro energético: É
previsível um crescimento da componente associada às energias renováveis. No entanto, a
sua importância dependerá da redução dos seus custos e dos progressos realizados no
armazenamento maciço de energia eléctrica, de modo a permitir integrar nas redes
eléctricas grandes quantidades de produção de energia com carácter descontínuo e
disperso. É, no entanto, pouco provável que, mesmo a longo prazo, cada uma das fontes de
energia renovável ultrapasse os 10% do fornecimento mundial de energia. Tendo em
consideração as previsões mais optimistas, a sua combinação poderá permitir responder a
30-50% do mercado, em meados do século (no início da década de 2000, o conjunto das
energias renováveis atingia os 10% da produção energética).
As energias fósseis continuarão a ser utilizadas durante diversas dezenas de anos, sendo
favorecidas as energias com um reduzido conteúdo de carbono, das quais o gás natural é um
exemplo. Entretanto, enquanto se aguarda por evoluções tecnológicas relevantes, a captura
e o armazenamento do dióxido de carbono em condições economicamente razoáveis
constitui a única opção tecnológica susceptível de permitir continuar a utilizar recursos
fósseis, conseguindo-se limitar a concentração de CO 2 na atmosfera. 48
A energia nuclear não gera CO 2 , com excepção do que é emitido durante a fase de
construção das centrais e durante a fase de enriquecimento do urânio consumido nas
centrais. Este tipo de energia continuará a ser utilizado num determinado conjunto de
países, entre as quais se inclui a França, envolvendo um tratamento satisfatório da gestão
dos resíduos nucleares, o desenvolvimento de uma nova geração mais segura de reactores
e, num mais longo prazo, o desenvolvimento da fusão nuclear, cujas perspectivas se situa
bem para depois de 2050.
O desenvolvimento das pilhas de combustível poderá permitir o desenvolvimento da
“economia do hidrogénio”. A produção de hidrogénio não gera CO 2 , caso o hidrogénio
seja produzido a partir de energias renováveis, nucleares ou fósseis com sequestração de
CO 2 . Os Estados Unidos, que não ratificaram o protocolo de Quioto por o considerarem
demasiado lesivo para a sua economia, lançaram em 2003 um programa ambicioso de
investigação com o objectivo de reduzir o custo de produção do hidrogénio controlando as
emissões associadas de gases de efeito de estufa, de assegurar o seu armazenamento e de
reduzir o custo da pilha de combustível.
Enfim, o controlo das emissões dos gases de efeito de estufa não será possível de ser
concretizada sem progressos significativos no domínio da eficiência energética nos
sectores da construção civil, da indústria e dos transportes. O caminho é utilizar menos
energia para satisfazer as mesmas necessidades.

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As fontes de energias renováveis

Introdução

As energias renováveis são aquelas que, à


nossa escala de tempo, são continuamente
disponibilizadas pela natureza. Provêm da luz
solar, do núcleo terrestre e das interacções
gravitacionais da lua e do sol sobre os oceanos.
Salientam-se as energias renováveis de origem
eólica, solar, hídrica, geotérmica e a
proveniente da biomassa.
duração estimada : 20 minutos
autor : Benoît Robyns
realização : Sophie Labrique
versão portuguesa : Maria José Resende
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1. Eólica

Estima-se que a energia eólica disponível, à escada mundial, seja de 57 000 TWhs anuais.
A contribuição eólica "off shore" (no mar) e considerando apenas locais cuja
profundidade não excede os 50 m, é avaliada em 25 000 a 30 000 TWhs anuais. A
produção mundial de electricidade no ano 2000 era de 15 000 TWh (o que corresponde a
uma energia primária consumida de cerca de 40 000 TWhs considerando o fraco
rendimento dos ciclos termo-mecânicos de 30 a 40%). Teoricamente, a energia eólica
poderia satisfazer o consumo mundial de electricidade; contudo, a instabilidade dos
ventos é o principal inconveniente desta fonte de energia. Os períodos de baixas
temperaturas ambientais, traduzem-se, normalmente, num consumo acrescido de
energia e, simultaneamente, são acompanhados de períodos de vento muito fraco ou
mesmo nulo. Esta é uma das razões porque é importante e desejável que o
desenvolvimento da energia eólica seja feito em parceria com outras fontes de energia
renovável menos aleatórias, ou fontes convencionais, ou ainda em associação com
sistemas de armazenamento de energia eléctrica. No entanto, se existem os conceitos
que permitem o armazenamento de energia eléctrica em grande quantidade, a sua
implementação necessita ainda de alguns progressos tecnológicos, acompanhados de
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uma redução dos respectivos custos.
A Europa representa apenas 9% do potencial
eólico disponível a nível mundial, mas 72% da
potência instalada em 2002. Produziu 50 TWh
de electricidade de origem eólica em 2002,
para uma produção mundial de 70 TWh.
Tecnicamente disponível, a Europa dispõe de
5000 TWh anuais de energia eólica.
 

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2. Solar

Estima-se que o sol tenha uma duração de vida de 5 biliões de anos o que, à nossa escala
temporal, representa uma fonte de energia inesgotável e, portanto, renovável. A energia
total recebida na superfície terrestre é de 720.10 6 TWh anuais. No entanto, a
disponibilidade desta energia depende dos ciclos dia-noite da latitude do local onde ela é
captada, das estações do ano e da nebulosidade ocasional.
A designação solar térmica consiste na produção de água quente utilizável nos edifícios ou
nas centrais termo-eléctricas clássicas para accionamento das turbinas e consequente
produção de electricidade. Esta técnica de produção de electricidade existe em algumas
centrais experimentais cujo baixo rendimento não ultrapassa os 15%. As águas superficiais
oceânicas são aquecidas naturalmente pelo sol, o que representa um gigantesco
reservatório de energia, principalmente nas zonas tropicais. Existiram alguns projectos para
extracção desta "energia térmica dos mares" que utilizavam máquinas termodinâmicas com
base na pequena diferença de temperatura entre a superfície (25 à 30°C) e uma certa
profundidade (5°C a 1000 m de profundidade). Para que esta solução seja explorável a
diferença de temperaturas tem de ser superior a 20ºC; no entanto, o rendimento obtido
mantém-se muito fraco, cerca de 2%.

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A designação solar fotovoltaica consiste na produção directa de electricidade através de
células de silício. A incidência solar, quando as condições climatéricas são favoráveis,
pode representar uma potência de 1 kW/m2. Os painéis fotovoltaicos que se
comercializam permitem converter directamente em electricidade cerca de 10% a 15%
desta potência. A capacidade de produção de um painel fotovoltaico varia com a
incidência solar: 100 kWh/m2/ano na Europa do Norte, duas vezes mais na região
mediterrânica. Um telhado fotovoltaico de 5x4 metros tem uma potência de 3 kW e
produz de 2 a 6 MWh/ano, dependendo da incidência solar. Se os 10 000 km 2 de
telhados existentes em França fossem utilizados como geradores solares, a produção
seria de 1000 TWh anuais, ou seja, mais do dobro do consumo de energia final em
França no início do ano 2000 (450 TWh).
Os principais obstáculos à utilização massiva da energia solar fotovoltaica (e térmica) são,
por um lado, a disponibilização de potência produzida apenas durante o período diurno
e, por outro, a competitividade económica; para uma utilização autónoma, o primeiro
obstáculo pode ser ultrapassado com recurso ao armazenamento ou com a utilização de
soluções energéticas complementares.

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3. Hídrica

Actualmente, a energia hídrica é a primeira fonte renovável para produção de


electricidade. O potencial mundial poderia, contudo, ser melhor explorado. A produção
mundial no início dos anos 2000 era de 2700 TWh anuais, com uma capacidade instalada
de 740 GW. Esta energia poderia passar para um valor de 8100 TWh no ano 2050, com
uma duplicação economicamente competitiva da capacidade instalada. 14 000 TWh seria
a energia tecnicamente explorável, sendo o potencial teórico de 36000 TWh.
Nos países industrializados, a grande hídrica (potência superior a 10 MW) tem o seu
potencial praticamente todo explorado. As barragens permitem o armazenamento de
energia de forma a fornece-la nos momentos de grande consumo. Em certos casos, as
bacias de armazenamento a montante e jusante da central permitem efectuar um
verdadeiro armazenamento utilizando grupos turbo-alternadores reversíveis que
bombeiam a água para montante em períodos de vazio, para a voltarem a turbinar em
períodos de ponta. Esta forma de armazenamento é muito utilizada mundialmente. Em
França, existem 4200 MW instalados para esta função.

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A pequena hídrica (potência inferior a 10 MW) é constituída, em parte, por centrais de fio
de água, extremamente dependentes do caudal dos cursos de água. Estas pequenas
centrais são atractivas para uma produção descentralizada. A produção mundial está
estimada em 85 TWh. Em França, enquanto a grande hídrica já atingiu, praticamente, a
saturação, estima-se que exista um potencial residual de 4 TWh anuais, um terço dos
quais proveniente do melhoramento das instalações existentes, sendo os dois terços
restantes provenientes de novas instalações.
A energia das marés pode ser utilizada para produzir electricidade. Em França, a central
de Rance (240 MW) é um exemplo da viabilidade desta técnica para produção de
electricidade. Existem outros projectos em estudo no Canadá e em Inglaterra; mas a
realização destes projectos não é dada como certa, pois eles modificam
consideravelmente os ecossistemas locais.
A onda representa uma imensa quantidade de energia. A potência média anual na costa
Atlântica de França, está estimada entre 15 e 80 kW/ por metro de costa. A energia das
ondas é pouco "concentrada" e não é ainda explorável em larga escala. Contudo, existem
testes com centrais protótipo.

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4. Geotérmica

A temperatura do nosso planeta aumenta consideravelmente conforme nos aproximamos


do seu centro. Em certas zonas, pode encontrar-se água a temperatura elevada. A
geotérmica de alta temperatura (150 a 300ºC) consiste na bombagem desta água para
produção de vapor que é turbinado como nas centrais térmicas clássicas, para produção
de electricidade.
Os recursos geotérmicos de baixa temperatura (inferior a 100ºC) são explorados através
de bombas de calor para utilizações de aquecimento.
Contudo, o potencial geotérmico natural é limitado pois existem numerosos locais onde a
temperatura é elevada (superior a 200ºC) mas sem água. Este recurso térmico pode ser
explorado através da técnica denominada de "rochas quentes e secas" ainda em
desenvolvimento. Consiste na injecção através de uma canalização, de água sob pressão
em zonas profundas (superiores a 3000 m); esta água aquecida pelas rochas sobe através
de uma segunda canalização, permitindo a produção de electricidade como nas centrais
térmicas clássicas. O potencial tecnicamente viável deste recurso ainda não está definido.

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5. Biomassa

A biomassa é uma energia renovável (admitindo que a sua exploração é feita de uma forma
sustentável) que fornece biocombustíveis, geralmente na forma sólida e biocarburantes,
geralmente na forma líquida.
A lenha representa mais de 10% do consumo de energia primária em muitos países da Ásia,
África, América Latina e certos países da Europa (Suécia, Finlândia, Áustria). O uso da
madeira nos países em desenvolvimento aumentou fortemente nas últimas décadas, mas
este recurso nunca foi explorado de forma sustentável arrastando, assim consigo, a
desflorestação. As emissões atmosféricas resultantes da combustão da madeira numa
moderna unidade industrial apresentam vantagens face aos combustíveis fósseis. Se as
florestas de onde provém esta madeira fossem geridas de forma durável, as emissões de
CO2 da cadeira madeira-energia, seriam unicamente as resultantes do gasóleo utilizado na
plantação, recolha e comercialização de madeira. Esta utilização representa apenas 5% do
gasóleo que é vendido. Saliente-se que uma energia renovável não é, necessariamente,
uma energia completamente não poluente.

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Em França, o consumo anual de biomassa (principalmente madeira) como energia
primária é de 10-11 Mtep (início dos anos 2000). Sem cultura energética específica, o
potencial da biomassa poderia ser duplicado através de uma recuperação sistemática de
todos os detritos orgânicos: detritos domésticos e industriais não recicláveis, tratamento
por metanização das lamas de purificações e lixos agrícolas para produção de biogás. O
potencial energético anual é de 60 TWh, ou seja 15% do consumo final de electricidade
em França.
A biomassa é frequentemente utilizada nos sistemas de cogeração que produzem
electricidade como as centrais clássicas, mas que também valorizam o calor gerado (e
habitualmente perdido) em aplicações várias: aquecimento dos locais, necessidades do
processo industrial, agricultura... Esta tecnologia permite aumentar a eficácia do processo
de conversão de energia.
Os biocarburantes líquidos, mais onerosos de obter e industrialmente produzidos através
de culturas energéticas (colza, girassol, beterraba, trigo, cevada, milho,...) são melhor
valorizados nas aplicações do sector dos transportes. Actualmente, são utilizados em
motores térmicos, essencialmente misturados em pequenas quantidades com os
carburantes tradicionais, de forma a melhorar as suas características.

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6. Contribuição das diferentes energias
renováveis

Na União Europeia, em 2002, a partição dos


diferentes tipos de energias renováveis na
produção de energia primária era a seguinte:

60
[1] T.Chambolle et F.Meaux, Rapport sur les
Nouvelles Technologies de l’Energie, Paris,
Ministère délégué à la recherche et aux
nouvelles technologies, 2004.
[2] Rapport de la Commission pour l’Analyse
des Modes de Production de l’Electricité et le
Redéploiement des Energies (AMPERE),
Belgique, octobre 2002,
www.mineco.fgouv.be/ampere
[3] L’électronique de puissance vecteur
d’optimisation pour les énergies renouvelables,
ECRIN, mai 2002, ISBN : 2-912154-08-1.
[4] Revue Systèmes Solaires,
www.energies-renouvelables.org
[5] B.Multon, Production d’énergie électrique
par sources renouvelables, Techniques de
l’Ingénieur, Traité de Génie Electrique, mai
2003, D 4 005 et D 4 006.
[6] M.Crappe, Commande et régulation des
réseaux électriques, Hermès Science, Paris
2003

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Produção eléctrica a partir das energias
renováveis
Introdução

duração estimada : 20 minutos


autor : Benoît Robyns
realização : Sophie Labrique
versão portuguesa : Maria José Resende
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1. As cadeias de produção eléctrica

O ciclo de produção eléctrica mais comum necessita de dispor de uma fonte de calor que
permita aquecer água de modo a obter vapor sob pressão. Este vapor de água ao expandir-se
numa turbina, acciona um alternador que gera electricidade. Depois de turbinada, este vapor
é condensado através de uma fonte fria que é, normalmente, uma fonte de água fria (curso
de água, mar) ou constituída por torres de arrefecimento. A figura 1 representa o ciclo de
produção clássica de electricidade .

Figura 1. Ciclo clássico de produção eléctrica


63
Sempre que o calor libertado pela condensação do vapor de água é recuperado para
utilizações de aquecimento, fala-se em cogeração.
A fonte de calor clássica é obtida pela combustão de combustíveis fósseis (petróleo, gás,
carvão) ou por uma reacção de ficção nuclear em reactores concebidos para controlar a
amplitude dessa reacção.
Os combustíveis fósseis ou o urânio utilizado nos ciclos clássicos podem ser substituídos
por fontes de energia renovável. A fonte de calor pode, então, ser obtida a partir:
da combustão de biomassa (madeira, biogás, resíduos orgânicos);
do calor que se encontra nas profundezas do nosso planeta, através da bombagem directa
de água quente para a superfície ou explorando a temperatura elevada das rochas que se
encontram no interior do planeta, utilizando água injectada a partir da superfície ;
do sol, concentrando os seus raios através de espelhos ou explorando a agua aquecida nas
superfícies dos mares das zonas tropicais .

64
Com algumas energias renováveis, a cadeia de produção eléctrica não necessita de uma
fonte de calor. É o caso da energia eólica, hidráulica e solar fotovoltaico.
No caso das energias eólica e hidráulica, é a pressão do vento ou da água que acciona a
rotação de uma turbina que, por sua vez, acciona um alternador que produz a
electricidade. A figura 2 representa esta cadeia de conversão energética.

Figura 2. Cadeia eólica ou hidráulica de


produção de electricidade.

A pressão o vento resulta da sua energia cinética. A pressão da água resulta da sua energia
potencial ou da sua energia cinética.
A electricidade gerada pelo alternador pode ser enviada directamente para a rede eléctrica,
sem passar por um conversor de potência, como indicado na figura 2 mas, nesse caso, para
manter a frequência das tensões e correntes geradas constante no valor de 50 ou de 60 Hz, a
velocidade do alternador tem de ser mantida constante, agindo na orientação das pás da
turbina ou, no caso da produção hidráulica, actuando nas válvulas a montante da turbina.

65
O interesse dos conversores de potência é permitir que o alternador funcione com
velocidade variável e, assim, aumentar o rendimento da conversão energética, reduzindo a
necessidade de uma regulação mecânica da turbina ou das válvulas, no caso da produção
hidráulica. Este funcionamento a velocidade variável desenvolveu-se no domínio da
produção hidráulica (em especial na mini-hídrica) e tende a impor-se na eólica, onde este
tipo de funcionamento aparece como natural devido às fortes variações na velocidade do
vento.

No caso do solar fotovoltaico, a electricidade é produzida directamente por células de silício,


a partir da energia contida na radiação solar. Conversores de potência são normalmente
utilizados para assegurar a optimização da conversão energética. A figura 3 representa essa
cadeia de conversão.

Figura 3. Cadeia solar fotovoltaica de produção


eléctrica.

66
A electricidade pode ser, igualmente, produzida a partir de um motor Diesel ou de uma
turbina a gás (derivada de um reactor de um avião) que acciona um alternador. A fonte de
energia primária são geralmente os combustíveis fósseis, mas é desejável substituí-los por
biocombustíveis ou biogás.

67
2. Factor de rendimento

O factor-chave da competitividade dos sistemas de produção energética a partir de energias


renováveis é o custo do kWh produzido. Este custo é calculado a partir do custo do
investimento no sistema de geração, do seu tempo de vida útil, das taxas de juro dos
empréstimos eventualmente contraídos e dos custos de funcionamento ligados à
manutenção, da energia primária que será gratuita, no caso do solar ou do eólico, …, ou
paga, no caso dos combustíveis fósseis, do nuclear, ….
Nos sistemas que funcionam com base numa fonte de energia de natureza tipicamente
variável (eólica, solar hidráulica de fio de agua), a produtividade do sistema depende
fundamentalmente das condições naturais (número de horas de sol, por exemplo) já que o
custo do investimento depende, essencialmente, da potência de ponta. Uma eólica de 1 MW
poderá fornecer no máximo uma potência de 1 MW, mas ela não poderá produzir essa
potência em permanência, devido a característica flutuante da velocidade do vento,
contrariamente às centrais clássicas que utilizam combustíveis fósseis ou o nuclear. Para uma
central eólica, como para uma solar ou uma mini-hídrica, o importante é a quantidade de
energia produzida.

68
Na tabela 1 apresenta-se o factor de rendimento das cadeias de produção eléctricas a partir
de fontes de energia renovável, que não se baseiam num ciclo clássico de água-vapor. O
factor de rendimento é a relação entre a energia fornecida pelo sistema de produção durante
toda a sai vida útil e a energia consumida para construir esse sistema de produção
Instalação Factor de
rendimento
Grande hidráulica 100 - 200
Pequena hidráulica 80 - 100
Eólica 10 - 30
Solar fotovoltaica 3-6

Tabela 1. Factor de rendimento dos sistemas de produção eléctrica a partir de fontes de


energia renovável .

69
O factor de rendimento é melhor para as
grandes instalações, como é o caso da grande
hídrica (tempo de vida de 30 a 50 anos), em
relação às mini-hídricas (tempo de vida de 20 a
50 anos).
A potência das eólicas passou de algumas
centenas de kW, antes de 2000, para alguns
MW, após o ano 2000, e poderão vir a
estabilizar em torno dos 5 MW, até 2010. O
tempo de vida útil de uma eólica é de 20 a 25
anos.
Os sistemas fotovoltaicos apresentam um
factor de rendimento mais baixo, porque o
fabrico das células de silício necessita de muita
energia. No seu fabrico, uma célula consome a
energia que produz durante 4 a 5 anos. Como
o tempo de vida útil de um sistema
fotovoltaico é da ordem dos 20 a 30 anos, o
factor de rendimento poderá ser, no melhor
dos casos, pouco superior a 6.
.
70
3. Objectivos europeus

Figura 1. Percentagem das diferentes fontes de


energia renovável utilizadas para a produção
eléctrica nos países da União Europeia em
1999.

71
No início dos anos 2000, a Comissão Europeia
decidiu encorajar o crescimento da
componente da energia eléctrica de origem
renovável no seio da União Europeia. A Europa
dos 15 deveria incrementar essa componente
de 14,2%, em 1999, para 22%, em 2010. A
figura 2 compara, para cada país, a
percentagem da energia eléctrica de origem
renovável produzida em 1999 com os
objectivos estabelecidos para 2010.

72
Figura 2.
Percentagem da energia eléctrica de origem re
novável produzida em 1999 e os objectivos par
a 2010 .

73
A integração de 10 novos países no seio da União Europeia em 2004 modificou
sensivelmente o peso da componente renovável na produção de electricidade pretendido
para 2010 ao nível europeu, que diminuiu para 21%.
O crescimento da potência instalada de origem eólica entre 2002 e 2003 na Europa é de
23,5%, na América do Norte de 27,1% e, a nível global mundial, de 25,1%. O impulso no
desenvolvimento desta fileira é, sem dúvida, assinalável. A potência instalada no seio da
União Europeia em 2003 é de 5443 MW. O pelotão da frente dos países da União
Europeia é constituído pela Alemanha (14609 MW), pela Espanha (6411 MW) e pela
Dinamarca (3110 MW). Para comparação, alguns outros países europeus apresentam as
seguintes potências instaladas em 2003: Portugal (301 MW), França (253 MW), Bélgica
(67 MW), Roménia (1MW). Prevê-se um desenvolvimento intenso da eólica em off-shore
nos próximos anos. No final de 2003, a União Europeia contava com quase 300 eólicas
instaladas no mar com uma potência total de 540,2 MW.

74
O solar fotovoltaico não surge na figura 1, por
ser pouco significativo em 1999. O crescimento
desta fileira é, entretanto, importante: entre
2002 e 2003, atingiu 43,4%. A potência
instalada no seio da União Europeia é, em
2003, de 562, 3 MW. O pelotão da frente dos
países da União Europeia é constituído pela
Alemanha (397,6 MW), pelos Países Baixos
(48,63 MW), pela Espanha (27,26 MW) e pela
Itália (26,02 MW). Para comparação, alguns
outros países europeus apresentam as
seguintes potências instaladas em 2003:
França (21,71 MW), Portugal (2,07 MW) e
Bélgica (1,06 MW). De realçar que não têm
sido os países do sul da Europa que mais tem
desenvolvido a fileira fotovoltaica

75
Referências

[1] T.Chambolle et F.Meaux, Rapport sur les Nouvelles Technologies de


l’Energie, Paris, Ministère délégué à la recherche et aux nouvelles
technologies, 2004.
[2] Rapport de la Commission pour l’Analyse des Modes de Production de
l’Electricité et le Redéploiement des Energies (AMPERE), Belgique, octobre
2002, www.mineco.fgouv.be/ampere
[3] L’électronique de puissance vecteur d’optimisation pour les énergies
renouvelables, ECRIN, mai 2002, ISBN : 2-912154-08-1.
[4] Revue Systèmes Solaires, www.energies-renouvelables.org
[5] B.Multon, Production d’énergie électrique par sources renouvelables,
Techniques de l’Ingénieur, Traité de Génie Electrique, mai 2003, D 4 005 et D
4 006.
[6] M.Crappe, Commande et régulation des réseaux électriques, Hermès
Science, Paris 2003.

76
Energia solar fotovoltaica

Este capítulo centra-se na transformação directa da energia solar em energia eléctrica. Esta
transformação pode ser conseguida através de células solares ou de fotopilhas.

77
Os painéis fotovoltaicos

Introdução histórica

Após uma breve introdução histórica,


apresentam-se os fundamentos da energia
solar.
duração estimada: 1/2 hora
autores : Lucie Petillon, Jean-Charles Herant,
Thimotée Leroy
realização : Fabien Poje, Sophie Poumaere
versão portuguesa : Maria José Resende

78
A produção de electricidade a partir da energia solar surgiu em 1930, inicialmente com
células de óxido de cobre e, posteriormente, de selénium. Mas é apenas em 1954, com a
realização das primeiras células fotovoltaicas de silício, nos laboratórios da companhia Bell
Telephone, que se perspectiva a possibilidade de fornecer energia. O seu rápido
desenvolvimento e progresso foram estimulados pela sua utilização nos veículos espaciais.
No decorrer dos anos 80, a tecnologia fotovoltaica terrestre progrediu regularmente
através da instalação de várias centrais de alguns megawatts e passou mesmo a ser familiar
a grande parte dos consumidores através de numerosos produtos de baixa potência tais
como: relógios, calculadoras, iluminações de jardim, instalações meteorológicas, bombas
de água e frigoríficos solares. As corridas de carros solares são eventos que contribuem
grandemente para a divulgação desta tecnologia, pois oferecem uma imagem de alta
tecnologia futurista e ecológica.
Globalmente, é positiva a evolução da tecnologia e do mercado fotovoltaico. A melhoria
dos métodos de fabrico assim como o aumento do volume de produção, permitiram uma
redução dos custos. A produção mundial de módulos fotovoltaicos passou de 5 MWc em
1982 para 60 MWc em 1992.
Actualmente, 90% da produção total de módulos é feita no Japão, nos EUA e na Europa,
principalmente através das grandes companhias como a Siemens, Sanyo, Kyocera, Solarex e
BP Solar, que detêm 50% do mercado mundial. Os restantes 10% da produção vêm do
Brasil, Índia e China, que são os principais produtores de módulos fotovoltaicos, no seio dos
países em vias de desenvolvimento.

79
Sistema fotovoltaico

Uma das formas de aproveitar a energia solar é através da sua transformação em electricidade
através do processo fotovoltaico (PV). As células fotovoltaicas também podem ser designadas
por "fotopilhas"; no entanto, convém salientar que apesar da terminologia, não existe
qualquer armazenamento de energia na célula, nem sob a forma química nem sob qualquer
outra forma. Não se trata de uma pilha no sentido comum do termo, mas antes um conversor
instantâneo de energia solar em energia eléctrica. Uma célula em total obscuridade,
comporta-se como um componente passivo.
A célula solar fotovoltaica não pode, sequer, ser comparada com um gerador clássico de
corrente contínua, pois não se comporta nem como uma fonte de tensão constante, nem
como uma fonte de corrente constante. Actualmente, o rendimento da conversão de energia
solar em energia eléctrica é, ainda, baixo (normalmente inferior a 12%). Para uma incidência
nominal de 1000 W/m2, são necessários 12 m2de paineis fotovoltaicos para fornecer 1 kWc, o
que significa um elevado custo do watt.
O reduzido rendimento, assim como o elevado custo dos painéis, fazem com que a exploração
se efectue de forma a obter a máxima potência disponível ao nível do gerador PV.
Normalmente, este máximo obtém-se através de uma boa adaptação entre o gerador PV e a
carga associada. Esta adaptação efectua-se através de conversores estáticos funcionando em
modos diversos.
Existem 3 tipos de sistemas fotovoltaicos: os sistemas autónomos, híbridos e ligados à rede.

80
Sistemas autónomos
Os sistemas autónomos dependem apenas da energia solar para responder às exigências do
consumo. Tal como se disse anteriormente, eles podem estar equipados de acumuladores
(baterias) de forma a armazenar a energia produzida durante o dia e restituí-la durante a
noite ou durante os períodos em que a incidência solar não seja suficiente. Estes sistemas
podem também responder às necessidades de uma aplicação (a bombagem de água, por
exemplo) sem recurso a armazenamento de energia. Regra geral, os sistemas autónomos de
PV são instalados em locais onde a fonte de energia eléctrica é a mais económica.

Figura 1  : Sistema de bombagem sem


armazenamento de energia (baterias).
81
Sistemas híbridos
Os sistemas híbridos, que são igualmente independentes da rede de distribuição eléctrica,
são compostos por um gerador fotovoltaico combinado com um aerogerador ou com um
grupo gerador a combustível, ou até com os dois. Um sistema deste tipo constitui uma boa
escolha para aplicações que necessitem de uma alimentação permanente e de uma potência
relativamente elevada, quando não se pretende efectuar um elevado investimento em
módulos fotovoltaicos e baterias.

Figura 2  : Sistema híbrido com grupo gerador


a combustível.

82
Sistemas ligados à rede

Os sistemas de produção de energia fotovoltaica ligados à rede são uma resultante da


tendência para a descentralização da produção eléctrica. A energia é produzida num local
mais próximo do seu consumo e não apenas por grandes centrais térmicas ou hídricas.
Com o decorrer do tempo, os sistemas ligados à rede vão reduzir a necessidade de
aumentar a capacidade das linhas de transmissão e distribuição. Um sistema ligado à rede
produz a sua própria energia e encaminha o excedente para a rede, na qual também se
abastece, em caso de necessidade; estas transferências de energia eliminam a necessidade
de adquirir e manter uma bateria de acumuladores.
Os sistemas mais importantes compreendem um ondulador (conversor DC/AC) que pode
estar ligado a diversos painéis (tal como no caso dos sistemas não ligados à rede). Este
dispositivo converte a corrente contínua em corrente alternada e sincroniza a corrente de
saída com a da rede de forma a reduzir o consumo a partir da rede. A rede assume o papel
de uma bateria de acumuladores infinita.
A maior parte dos custos de um sistema ligado à rede reside na fabricação dos módulos
fotovoltaicos que o compõem. Os custos de produção foram consideravelmente reduzidos
ao longo dos últimos anos e espera-se que assim continue.

83
Consequentemente, este tipo de sistemas:
•  é indicado para certas regiões urbanas de clima quente, onde o custo do kWh produzido
por um sistema fotovoltaico ligado à rede é equivalente ao de outras formas de produção
de electricidade.
•  Nas regiões onde a incidência solar é menor, a rentabilidade de um sistema deste tipo é,
ainda, marginal.
Existe um certo potencial de mercado para sistemas fotovoltaicos residenciais ligados à
rede, mas os respectivos custos deverão ainda baixar de forma a que estes sistemas
possam concorrer com os relativamente baixos preços de electricidade.

Figura3  : Sistema fotovoltaico ligado à rede.

84
Componentes de um sistema fotovoltaico

Os componentes de um sistema fotovoltaico


dependem da aplicação considerada:
habitação isolada ou proximidade da rede,
utilização de baterias ou não, conversores de
potência.
Os possíveis componentes de um sistema
fotovoltaico são:
•  As células solares
•  As baterias
•  Os reguladores de carga
•  Os conversores
•  Outros componentes
Como as células solares são analisadas numa
secção específica (ver Célula fotovoltaica),
apresenta-se de seguida uma breve exposição
sobre os outros componentes.

85
A célula fotovoltaica

Esta exposição apresenta o conjunto de


características das células utilizadas nos painéis
solares.
duração estimada: 1/2 hora
autores : Lucie Petillon, Jean-Charles Herant,
Thimotée Leroy
realização : Fabien Poje, Sophie Poumaere
versão portuguesa : Maria José Resende

86
Tecnologia das células

1. Princípio de funcionamento
A célula fotovoltaica permite a conversão directa de energia luminosa em
energia eléctrica e o seu funcionamento é semelhante ao de um díodo foto-
sensível; baseia-se nas propriedades dos materiais semi-condutores.
A célula é composta por duas camadas de material semicondutor dopadas de
forma diferente:
•  na camada N, existe um excesso de electrões periféricos
•  na camada P, existe um défice de electrões.
Desta forma, existe uma diferença de potencial entre estas duas camadas. Os
electrões periféricos (camada N) ao captarem a energia dos fotões, saltam a
barreira de potencial, criando assim uma corrente contínua. Para a condução
desta corrente, existem dois eléctrodos nas camadas de semicondutor (ver
figura 1). O eléctrodo superior é em forma de grelha por forma a deixar
passar os raios luminosos. Sobre este eléctrodo é deposta uma camada anti-
reflexo de forma a aumentar a quantidade de luz absorvida.

87
Figura 1  : Esquema de uma célula elementar

88
 
2. Tecnologia das células solares
O material que normalmente é usado nas
fotopilhas ou células solares é o silício,
semicondutor do tipo IV. Diz-se que o silício é
tetravalente, o que significa que cada átomo
de silício se pode ligar a quatro outros átomos
de silício.
Também se utiliza o arsenieto de gálio,
camadas finas de CdTe (telureto de cádmio), o
CIS (cobre,índio, selénio) e aindo o CIGS
(cobre,índio, gálio, selénio)
Existem diversos tipos de células solares:
•  As células monocristalinas
•  As células policristalinas
•  As células amorfas
•  As células CdTe, CIS, CIGS

89
A tabela seguinte apresenta os rendimentos típicos e teóricos obtidos com cada uma
destas tecnologias.

Tabela 1  : Rendimentos das diferentes tecnologias.

Rendimento Típico Rendimento Típico


Tecnologia
[%] [%]
Monocristalinas 12-16 24
Policristalinas 11-13 18,6
Amorfas 5-10 12,7

90
Células monocristalinas

Estas foram a s primeiras fotopilhas a serem


elaboradas a partir de um bloco de silício
cristalizado num único cristal.
Apresentam-se sob a forma de placas
redondas, quandradas ou pseudo quadradas.
O seu rendimento é de 12 a 16% (cf. tabela 1).
Contudo, apresentam dois inconvenientes:
•  preço elevado
•  elevado período de retorno do investimento

Figura 2  : célula monocristalina

91
Células multicristalinas ou policristalinas

São fabricadas a partir de um bloco de silício


cristalizado em múltiplos cristais e, portanto,
com diversas orientações. O seu rendimento é
da ordem de 11 a 13% (cf. tabela 1) e possuem
um custo de produção menos elevado do que
as monocristalinas.

Figura 3  : célula multicristalina

92
Células amorfas

Estas células são compostas por um suporte de


vidro ou de uma outra matéria sintética, na
qual é deposta uma fina camada de silício (a
organização dos átomos já não é regular como
num cristal). O rendimento deste tipo de
células é da ordem de 5 a 10% (cf. tabela 1),
mais baixo do que nas células cristalinas mas,
mesmo assim, a corrente produzida é razoável.
A sua gama de aplicações são os pequenos
produtos de consumo como relógios,
calculadoras, mas podem também ser
utilizadas em instalações solares.
Apresentam como vantagem o facto de
reagirem melhor à luz difusa e à luz
flourescente e, portanto, apresentarem
melhores desempenhos a temperaturas
elevadas.

93
Células de CdTe, CIS e CIGS

As tecnologias CdTe, CIS e CIGS estão em fase


de desenvolvimento e industrialização. Com
efeito:
•  As células de CdTe têm por base o telúrio de
cádmio, material interessante por apresentar
uma elevada absorção. No entanto, o seu
desenvolvimento fica comprometido
atendendo à toxicidade do cádmio.
•  As células de CIS (CuInSe2) têm por base o
cobre, o índio e o selénio. Este material
apresenta a particularidade de ser estável
quando sujeito a incidência luminosa.
Apresentam excelentes propriedades de
absorção.
•  As células de CIGS são constituídas pelos
mesmos elementos das CIS mas com a
particularidade de o índio formar uma liga com
o gálio o que permite obter melhores
desempenhos.

94
1.As baterias
Normalmente, o armazenamente de energia
nos sistemas fotovoltaicos autónomos é
assegurado por baterias. O seu
dimensionamento é essencial para o bom
funcionamento do sistema. O armazenamento
de energia representa 13 a 15% do
investimento inicial, considerando uma
duração de vida de 20 anos.
Normalmente, são baterias do tipo
chumbo-ácido.
As baterias utilizam-se nos casos em que a
necessidade de energia não coincide
temporalmente com a incidência solar. A
escolha do tipo de bateria faz-se através de
uma aproximação da potência média diária e
do tempo de armazenamento necessário.

95
Figura 1  : Caractéristiques générateur photovoltaïque et batterie

96
Tal como evidenciado na figura anterior, a
característica das baterias está bem adaptada à
dos geradores fotovoltaicos, uma vez que elas
funcionam a tensão quase constante. As
baterias deverão ser dimensionadas para que o
ponto de funcionamento se localize na
potência máxima, uma vez que a tensão
Upmax (tensão correspondente à potência
máxima) varia relativamente pouco com a
luminosidade.

97
Baterias de chumbo

Dois eléctrodos de chumbo e óxido de chumbo mergulhados num electrólito composto


por ácido sulfúrico diluído.
Existem dois tipos de baterias de chumbo:
•  Baterias de electrólito líquido
•  Baterias de electrólito estabilizado
 
1.Baterias de electrólito líquido
A bateria é composta por um recipiente onde se alternam placas de eléctrodos positivos
e negativos separados por isolante e mergulados no electrólito. O recipiente é fechado
para evitar ao máximo a corrosão interna.
Vantagens: Construção simples e barata
Inconvenientes: Risco de derrame do electrólito.
 
2.Baterias de electrólito estabilizado
Também se denominam baterias de recombinação de gás. São baterias cujo eléctrólito
se encontra na forma gelatinosa.
Vantagens  : Bateria sem manutenção durante toda a sua vida útil, hermeticamente
fechada e, portanto, sem libertação gasosa.
Inconvenientes  : Produto mais elaborado (gel) e, portanto, mais caro.

98
2. Os reguladores de carga
Nos sistemas fotovoltaicos podem ser
utilizados diversos reguladores. A função do
regulador é a de controlar o fluxo de energia
entre o gerador e a carga. Deverá proteger a
bateria contra sobrecargas (solares) e
descargas profundas (utilizador) e assegurar a
monitorização e segurança da instalação.
Os reguladores de carga podem dividir-se em 3
grandes grupos principais:
•  Os reguladores série , que incorporam um
interruptor entre o gerador e o acumulador,
para interromper o fornecimento de energia à
carga.
•  Os reguladores shunt (derivação) , onde o
interruptor curto-circuita o gerador solar em
fim de carga.
•  Os
reguladores de ponto de potência máxima
(MPPT ou Maximum Power Point Tracking),
que utilizam um circuito electrónico especial
de forma a poder captar sempre a potência
máxima. 99
Reguladores série

Figura 2  : Esquema de um sistema com regulador série

Neste caso, o interruptor está em série e abrir-


se-á assim que a bateria atija a carga completa.
Vantagem : tensão mais baixa aos terminais do
interruptor.
Inconvenientes relativamente ou tipo
shunt (derivação): o interruptor é responsável
por uma queda de tensão suplementar entre
os paineis e a bateria.

100
Os reguladores shunt (derivação)

Figura 3 : Esquema de um sistema com regulador shunt (derivação).

O painel solar carrega a bateria; assim que se atinge a carga máxima, fecha-se o interruptor,
colocando assim o painel em curto-circuito. O díodo entre o interruptor e a bateria é
imperativopois evita que a bateria fique em curto-circuito. Este díodo bloqueia também a
corrente nocturna que poderia circular da bateria para o painel, degradando-o.
Interruptor utilisado : MOSFET
Inconvenientes  :
•  O interruptor deverá poder suportar a tensão total do painel; podem surgir problemas de
sobretensões.
•  A dissipação térmica no interruptor pode ser considerável para correntes elevadas.
101
Os reguladores de ponto de potência máxima (MPPT)

Princípio de funcionamento do MPPT


Os reguladores MPPT são concebidos de forma
a extrair a potência máxima disponível dos
painéis, o que permite a produção de um
máximo de energia. As tensões e correntes são
constantemente monitorizadas de forma a
calcular a energia produzida pelo painel; o
valor desta energia é comparado com o do
instante anterior e a tensão aos terminais do
painel é elevada ou reduzida de acordo com
esta comparação.
Vantagem  : Trabalhar numa gama alargada de
temperaturas o que permite recuperar o
máximo de energia.
Inconvenientes: Para que o investimento seja
rentável, há que conhecer com precisão as
perdas asociadas ao MPPT e à conversão
DC/DC.

102
3 . Os conversores
Dependendo da aplicação, utiliza-se,
normalmente, um conversor para adaptar a
potência gerada às necessidades da carga.
Existem os conversores DC/DC que fornecem à
carga uma tensão DC diferente da tensão
gerada pelos painéis e os conversores DC/AC
que produzem uma tensão alternada para
cargas correspondentes.
 

103
Conversores DC/DC

Os conversores são utilizados para transformar a tensão das baterias numa tensão DC de
valor diferente, de forma a alimentar a carga.
Existem dois tipos de conversores activos com bom rendimento: o conversor elevador e o
conversor abaixador.
•  Conversor elevador
Converte a tensão das baterias num valor de tensão mais elevado

Figura 4  : Exemplo de um sistema com conversor DC/DC elevador

104
Com o interruptor fechado, a indutância
armazena energia da bateria. A abertura do
interruptor provoca uma sobretensão na
indutância, o que faz aumentar a diferença de
potencial aos terminais do condensador e da
carga. O díodo impede a circulação da corrente
no sentido da carga para a bateria. O
condensador filtra a tensão de saída.
O rendimento deste conversor é de cerca de
70% e pode atingir 85 a 90% para os melhores
conversores.
•  Conversor abaixador
Converte a tensão das baterias num valor de
tensão mais baixo.

105
Figura 5  : Exemplo de um sistema com conversor DC/DC abaixador

Quando o interruptor está fechado, a corrente circula da bateria para a


carga através da indutância. Quando o interruptor se abre, a tensão
aos terminais da indutância inverte-se e o díodo protege o interruptor.
O rendimento é de 80 a 90%.

106
Conversores DC/AC

Os conversores DC/AC são, normalmente,


denominados de onduladores. Podem ser
utilisados para para alimentar uma carga
isolada mas também para interligar um
gerador fotovoltaico à rede. As deformações da
onda devido às comutações dos interruptores
do conversor, podem produzir perturbações
mais ou menos importantes na células
fotovoltaicas. As normas de construção dos
painéis solares devem respeitar as normas
IEEE.
Os onduladores podem ser classificados como
geradores quer de onda sinusoidal, quer de
onda quadrada quer ainda de onda dita
pseudo-sinusoidal. A escolha do ondulador
dependerá da carga que ele vai alimentar.

107
4.Os outros componentes
Os últimos elementos indispensáveis ao bom
funcionamento de um sistema fotovoltaico,
são as protecções contra descargas
atmosféricas, os disjuntores e os fusíveis.
Atendendo ao custo dos paineis fotovoltaicos,
eles devem ser protegidos de forma a evitar o
máximo de degradação. Os principais agentes
são:
•  Perturbações induzidas pela comutação dos
conversores de potência. Neste caso, podem
ser introduzidos filtros de potência para
eliminar as harmónicas.
•  Funcionamento como receptor: os painéis
degradam-se rapidamente quando absorvem
energia. Neste caso, podem ser instalados
díodos para impedir a inversão do sentido da
corrente.
•  Descargas atmosféricas.

108
Efeito fotovoltaico

O efeito fotovoltaico, transformação da energia solar "fotão" em energia solar "volt" foi
descoberto em 1839 pelo físico A. Becquerel.
Este fenómeno engloba 3 fenómenos físicos intimamente ligados e simultâneos:
•  A absorção da luz pelo material
•  A transferência de energia dos fotões para as cargas eléctricas
•  A criação de corrente eléctrica.
1. A absorção de luz
A luz é composta por fotões que podem penetrar no seio de certos materiais e até
atravessá-lo. Mais genericamente, um raio luminoso que incida sobre um material pode
sofrer 3 fenómenos físicos:
•  A reflexão: a luz é reflectida pela superfície do material
•  A refracção: a luz atravessa o material
•  A absorção: a luz penetra no material mas não sai; a energia é restituída sob uma outra
forma.
A energia de um fotão pode ser representada por:

sendo : h : constante de Planck (6,62.10-34 J.s).


ν  : frequência (Hz).
c : velocidade da luz(3.108 m/s).
l  : comprimento de onda (m).
109
Num material fotovoltaico, uma parte do fluxo luminoso absorvido será restituído sob a
forma de energia eléctrica. Para isso, o material deverá ter a capacidade de absorver a luz
visível pois é o que se pretende converter: luz solar ou de outras fontes luminosas
artificiais.

2 . A transferência de energia dos fotões para as cargas eléctricas


Como é que a energia luminosa é convertida em energia eléctrica?
As cargas elementares que vão produzir a corrente eléctrica são os electrões, cargas
negativas elementares contidas no seio dos materiais semi-condutores. Todos os materiais
são constituídos por átomos que possuem um núcleo e um conjunto de electrões que
gravitam em seu redor.
Os electrões periféricos vão absorver energia dos fotões, o que lhes permite libertarem-se da
influência do núcleo. Estes electrões livres podem constituir uma corrente eléctrica.

110
3 . A criação de corrente eléctrica
Para que os electrões libertados pela energia dos fotões possam constituir uma fonte de
energia eléctrica, eles deverão constituir uma corrente eléctrica, isto é, circular no exterior do
semicondutor, num circuito eléctrico.
Esta ordenamento das cargas realiza-se através de uma junção PN no seio do semicondutor;
o objectivo é criar um campo eléctrico no interior do material de forma a separar as cargas
negativas de um lado e as negativas de outro, o que é possível através da
dopagem do semicondutor. A junção de uma fotopilha de silício é constituída por uma parte
dopada com fósforo (P), denominada de tipo n, e outra parte dopada com boro (B),
denominada de tipo p.è na fronteira destas duas partes que se cria um campo eléctrico para
separar as cargas positivas das negativas (ver Figura seguinte).

Figura1 : criação de um campo eléctrico

111
Analogia com o díodo

A célula fotovoltaica é o elemento de base da


conversão fotovoltaica. Na obscuridade
comporta-se como uma junção PN (díodo) cuja
característica corrente - tensão é a
representada na figura 1.
A seguinte animação permite visualizar esta
característica desde que se escolha a
convenção gerador ou receptor, assim como o
tipo de luminosidade.

112
A junção PN

O díodo PN é constituído por uma camada de semicondutor tipo "P", de uma junção PN e
de uma camada de semicondutor tipo "N".
A camada "P" também se pode denominar de ânodo e a parte "N" de cátodo .

Figura 5  : Díodo PN

Na prática, os díodos PN actuais são fortemente assimétricos; a dopagem de uma das


camadas é muito maior do que a da outra.
Se a camada P é muito mais dopada que a camada N, o díodo denomina-se P + N .
Se a camada N é muito mais dopada que a camada P, o díodo denomina-se PN + .
O díodo PN apresenta a característica de deixar passar a corrente apenas num sentido.

113
Quando a célula recebe luz, produz uma
corrente de valor tanto mais elevado quando
maior for a intensidade luminosa. Esta corrente
é proporcional à intensidade luminosa. A
característica corrente-tensão varia apenas
segundo o eixo da corrente (de um valor Iph -
fotocorrente), conforme a luminosidade em
questão.
Note-se que, para obter a característica
corrente-tensão (cf. figura 2a), toma-se como
referência para a corrente, o sentido oposto a
Id (cf. figura 4 ), ou seja, o sentido da
fotocorrente Iph.
Pode também obter-se a característica de
potência, P=f(U), que, para dadas condições de
luminosodade e temperatura, evidencia o
ponto de funcionamento a potência máxima,
tal como se pode ver na figura 2b.

114
Figura 2a : característica corrente-tensão

Figura 2b : característica potência-tensão 115


O utilisador pode medir a característica corrente-tensão de uma célula, variando o valor da
resistência aos seus terminais. A animação seguinte permite simular essa medição. O
ensaio inicia-se com o circuito aberto; podem medir-se até 10 pontos, para construir a
característica. As medidas são guardadas na forma de vectores, obtidos através de MatLab.
Esta animação mostra como se pode medir a característica corrente-tensão de uma célula
sem ter definido todos os parâmetros da equação I=f(U). Mostra-se igualmente, o esquema
da respectiva montagem.

Figura 3  : Esquema da montagem

Figura 4  : Característica I=f(U)

116
Modelo equivalente

O modelo equivalente associado a uma célula obtém-se a partir do da junção PN.


Adiciona-se o termo correspondente à corrente Iph proporcional à luminosidade, bem
como um termo representativo dos fenómenos internos. A corrente I da célula será
então:

sendo : . Iph  : fotocorrente, ou corrente gerada pela


luminosidade (A)
. I od  : corrente de saturação do díodo (A)
. Rs  : resistência série (W)
. Rsh  : resistência shunt (W)
. k : constante de Boltzmann (k = 1,38.10 -23 )
. q : carga do electrão (q = 1,602.10 -19 C)
. T : temperatura da célula (°K)
Desta expressão, pode deduzir-se um esquema equivalente tal
como o representado na figura 1:

117
Figura 1  : esquema equivalente de uma célula fotovoltaica

O díodo é um modelo do comportamento da célula quando na obscuridade. A fonte de


corrente representa a corrente Iph gerada pela luminosidade.
Por fim, as duas resistências modelisam as perdas internas:
. Resistência série Rs: perdas de Joule do material.
. Resistência shunt Rsh: perdas devido a correntes parasitas que circulam na célula.
Idealmente, pode desprezar-se o termo Rs.I face a U, e trabalhar assim com um modelo
simplificado:

118
Como a resistência shunt é de valor muito superior ao da resistência série, pode ainda
desprezar-se a corrente nesta resistência obtendo-se assim:

O esquema equivalente da figura 2 corresponde ao de uma célula ideal:

Figura 2  : esquema equivalente simplificado


119
Parâmetros

Define-se rendimento energético de uma célula a razão entre a potência máxima e a


potência incidente:

com :
E : luminosidade (W/m² )
S : superfície activa dos painéis (m²)
Pm  representa a potência máxima medida nas condições STC (Standard Test
Conditions), isto é, com um espectro AM1.5 , uma temperatura de 25°C, e uma
incidência de 1000 W/m².
O rendimento de uma célula fotovoltaica é um valor muito baixo, da ordem de
10 à 20%. Obtiveram-se já rendimentos mais elevados com novos materiais (em
laboratório, obtêm-se rendimentos superiores a 25%, com o arséniure de
gallium AsGa) ou com técnicas experimentais (tecnologia multicamada),
complexas e onerosas de implementar.

120
O que significa AMx ?

AMx représente la condition d'air masse, déterminée à partir du nombre


d'air masse (épaisseur d'atmosphère traversée par le rayonnement, son
unité est l'épaisseur d'atmosphère).
On note par exemple :
. AM0 : hors atmosphère, à haute altitude, 1353 W/m²
. AM1 : soleil au zénith (A=90°)
. AM1.5 : soleil à 48°, 833 W/m²
. AM2 : soleil à 30°

121
Porquê 1000 W/m² ?

O sol é uma estrela de 696000 km de raio, com uma massa de 1,99.1030 kg, e situa-se a
149598000 km da Terra. A fonte de energia do sol reside nas permanentes reacções
nucleares que aí têm lugar; assemelha-se a um corpo negro com uma temperatura
aproximada de 5800°K .
A NASA avaliou que o fluxo de energia incidente ao nível da Terra (fora da atmosfera) é
de 1367 W/m² .
Após a passagem pela atmosfera, os raios solares decompõem-se em incidência directa
(raios solares sem desvio), incidência difusa (proveniente da abóboda celeste, raios
reflectidos pelas diversas partículas de ar, gás; não tem direcção precisa) e ainda uma
pequena fracção de incidência solar que é reflectida pelo solo.
O sol produz 6,32.106 W/m², mas o fluxo que chega à Terra (fora da atmosfera) é de
apenas 1367 W/m². Há ainda que ter em conta o papel da atmosfera. Na prática, a
incidência solar recebida ao nivel do solo terrestre, não ultrapassa 1000 W/m² . Obtem-
se este valor de incidência apenas durante alguns dias do ano e apenas em certas
latitudes.

122
Actualmente, o material fotovoltaico mais utilizado é o silício que representa uma
solução económica. Para células deste material, o rendimento não ultrapassa os
15%.
A partir das características corrente-tensão e potência-tensão, podem deduzir-se
outros parâmetros:
•  A corrente de curto circuito Icc, isto é, a corrente que a célula fornece quando é
nula a tensão aos seus terminais. Na prática, o valor desta corrente é muito próximo
do da fotocorrente Iph.
•  A tensão de circuito aberto Vco , ou seja, a tensão aos terminais da célula quando
a corrente fornecida é nula.
•  Entre estes dois extremos, existe um ponto de funcionamento óptimo onde se
obtém a potência máxima, Pmax ou MPP (Maximum Power Point).
•  O factor de forma que indica o grau de proximidade à caracteristica ideal é a
razão:

123
Influência da temperatura

O rendimento de uma célula solar depende da luminosidade mas também, e fortemente,


da temperatura.
A temperatura é um parâmetro importante uma vez que, estando as células estão expostas
aos raios solares, o seu aquecimento é considerável. Além disso, uma parte da incidência
solar absorvida não é convertida em energia eléctrica, mas sim dissipada sob a forma de
calor. Esta é a razão porque a temperatura de uma célula é sempre superior à temperatura
ambiente.
Para estimar a temperatura da célula, Tc, a partir da temperatura ambiente, Ta, pode
utilizar-se a seguinte fórmula de correcção:

onde:
Em  : luminosidade média (em W/m2).
TUC : temperatura de utilização da célula (°C).
A animação seguinte permite visualizar a influência do valor da temperatura (que se pode
modificar através do cursor) sobre a corrente e a potência geradas. Pode também
visualizar-se a potência máxima através da característica P=f(U).
Hipóteses:
a luminosidade é constante (1000 W/m2)
considera-se uma célula de silício 124
Figura 1  : Influência da temperatura
Através da animação, constata-se que a temperatura da célula tem uma grande
influência no seu desempenho eléctrico; quanto mais baixa é a temperatura, maior é o
seu rendimento.
Cada aumento de 1ºK na temperatura da célula, provoca uma perda de rendimento da
ordem de 0,5%. Constata-se que a corrente aumenta ligeiramente com a temperatura;
empiricamente, o aumento é da ordem de 0,05% por cada ºK, no caso de uma célula de
silício).
Constata-se tembém que o ponto de potência máxima pode sofrer variações
significativas.

125
Influência da luminosidade

A fotocorrente é praticamente proporcional à luminosidade ou fluxo luminoso.


A animação seguinte permite visualizar a influência do valor da luminosidade
(modificável através do cursor) sobre o valor de corrente e potência. Pode também
escolher-se visualizar a potência máxima, o que fará surgir a característica P=f (U).
Hipóteses:
a temperatura mantém-se constante (27°C)
considera-se uma célula de silício
 
Figura1  : Influência da luminosidade

A photocorrente gerada por uma célula fotovoltaica também é proporcional à superfície


S da junção submetida a luminosidade solar, o que não acontece com a tensão de
circuito aberto que depende apenas da qualidade do material e do tipo de junção
considerada.
A célula p ode também trabalhar a tensão U constante, uma vez que é ínfima a variação
U pmax com a luminosidade (cf. figura 2a, 2b). As perdas não são significativas.

126
Figura 2a : conjunto de características U/I Figura 2b  : conjunto de características U/P

Para aumentar a incidência solar nas células, estas devem ser orientadas de forma a que
os raios solares incidam perpendicularmente. Para o efeito, podem ser utilizados painéis
de inclinação variável cujo grau de eficácio é superior aos de inclinação fixa. A título de
exemplo, no inverno, um painel com uma inclinação nula (no solo) é duas vezes menos
eficaz do que um que esteja virado para o sol.

127
Associação de células

Nas condições normalizadas STC (1000W/m² ; 25°C ; AM1.5), a potência máxima para uma
célula de silício de 10 cm², é de cerca de 1,25 W que é uma potência demasiado baixa para
a maior parte das utilizações domésticas ou insdustriais. Desta forma, os geradores
fotovoltaicos industriais são realizados através de associações série e/ou paralelo de um
grande número de células elementares. Estes agrupamentos são apelidados de módulos e,
postariormente, de painéis.
A associação de células deverá ser realizada respeitando critérios precisos de forma a que
não existam desequilíbrios durante o funcionamento das fotopulhas. Apesar de serem
escolhidas células que, teoricamente, são idênticas, as numerosas células que constituem
um painel apresentam, forçosamente, pequenas diferenças inevitáveis aos processo de
construção e ficarão sujeitas a condições de luminosidade e temperatura não uniformes no
seio de um painel.
A associação em série de várias células aumenta a tensão aos seus terminais, mantendo a
corrente, enquanto que a associação em paralelo aumenta a corrente aos terminais da
associação, mantendo a tensão.

128
Associação série
Num agrupamento ligado em série, as células são atravessadas pela mesma corrente
e a característica resultante deste agrupamento é obtida pela adição das tensões aos
terminais das células, para um mesmo valor de corrente.

Figura 1  : Associação série

129
Associação paralelo
Num agrupamento ligado em paralelo, as células estão submetidas à mesma tensão e as
intensidades de corrente adicionam-se: a característica resultante obtém-se por adição de
correntes, para um mesmo valor de tensão.

Figura 2  : Associação paralelo

A maior parte dos módulos comercializados


para aplicações a 12 V, são compostos por 36
células de silício cristalino ligadas em série.

130
Ponto de potência máxima - MPPT (Maximum Power Point Tracking)

Esta secção pretende mostrar a importância do Ponto de Potência Máxima, "Maximum


Power Point Tracking" (MPPT) numa aplicação fotovoltaica.
O "Maximum Power Point Tracking" (MPPT)
Esta exposição teórica faz a introdução ao estudo do "Maximum Power Point Tracking" ou
MPPT : conceito, princípio de funcionamento e apresenta os diferentes tipos de MPPT
existentes, suas vantagens e inconvenientes.

Esta exposição teórica faz a introdução ao estudo do Maximum Power Point Tracking ou
MPPT : conceito, princípio de funcionamento e apresenta os diferentes tipos de MPPT
existentes, suas vantagens e inconvenientes.
autores : Lucie Petillon, Jean-Charles Herant, Thimotée Leroy, Arnaud Davigny, Christophe
Saudemont
realização: Fabien Poje, Sophie Poumaere, François Le Floch
versão portuguesa : Maria José Resende

131
Conceito

Experimentalmente, as células fotovoltaicas (PV) apresentam grandes variações de


potência eléctrica em função das condições meteorológicas. Além disso, quando estão
ligadas a uma carga surgem outros problemas que fazem com que a energia transferida
para a carga raramente corresponda à energia máxima produzida pelo gerador PV.
Existem problemas similares no caso das eólicas.
Os controladores de "Maximum Power Point Tracking" (MPPT) foram desenvolvidos após
1968, com o intuito de melhorar o desempenho do sistema constituído por uma fonte
não linear e uma carga arbitrária. Este tipo de controladores está particularmente
adaptado para regular fontes não lineares e forçá-las a trabalhar no ponto de potência
máxima, resultando, assim, uma melhoria global do rendimento da conversão em energia
eléctrica
Quando se liga uma fonte de energia a uma carga, o ponto de funcionamento é
determinado pela intersecção da característica eléctrica tensão-corrente da fonte, com a
correspondente característica da carga. Este ponto de funcionamento altera-se sempre
que as características da fonte, ou da carga, se alteram. Esta é a razão porque, muito
frequentemente, não se está a operar a MPP e a energia fornecida à carga é inferior à
máxima que poderia ser fornecida.

132
Existem diferentes tipos de controladores MPPT; regra geral, cada um destes
tipos foi desenvolvido para uma aplicação específica. A precisão e a rubustez
destes controladores dependem de um certo número de parâmetros:
•  do rendimento global do sistema desejado pelo construtor;
•  do tipo de conversor de potência que faz a adaptação e a ligação à carga (DC-
DC, DC-AC), ou à rede eléctrica;
•  da aplicação em vista (sistemas autónomos, ligados à rede, espaciais);
•  das características do MPPT, em função da velocidade, qualidade;
•  do tipo de implantação escolhido (analógico, numérico, combinação dos
dois).

133
Princípio de funcionamento

O princípio de funcionamento dos reguladores MPPT baseia-se na procura do máximo da


curva P-V. É um método iterativo, como pretende mostrar a figura seguinte.

Figura 1  : Representação esquemática do princípio de um regulador MPPT

134
A partir de um ponto de funcionamento (X1) sobre a curva P-V, verifica-se se a potência
correspondente a um ponto seguinte é superior ou não. Se sim, desloca-se o ponto de
funcionamento (X2), e repete-se este procedimento até que o valor da potência do ponto
seguinte (Xn) seja inferior ao do ponto precedente (Xn-1). Nesse momento, reduz-se o
intervalo de iteração e recomeça-se o procedimento a partir de (Xn-1), até obter o MPP (X).
A animação seguinte permite a visualização deste processo; com base nas características I-V
e P-V, varia-se a tensão da bateria até encontrar o MPP.

Figura 2 : Animação relativa ao MPPT

Este princípio, que parece fácil de realizar nestas condições, torna-se um pouco mais
complexo quando se introduz a variável "luminosidade". Com efeito, assim que a incidência
solar varia, a característica P-V varia, no caso do exemplo E2<E1(cf. figura 3). O ponto X, que
representava o MPPT, revela-se um mau ponto de funcionamento nas novas condições, tal
como mostra a figura seguinte. Há que procurar o novo MPPT, aqui referenciado como X'.

135
Figura 3 : Representação esquemática da consequência de uma
alteração de luminosidade no MPPT
O controle baseia-se num sistema de regulação cujas variáveis de entrada e saída são,
respectivamente, Xs e Xe. Neste caso, a relação entre a variável de entrada e a de saída é
uma função dependente do tempo.

Figura 4 : Esquema de blocos clássico


136
O deslocamento de Xe pode ser entendido como uma perturbação na regulação do máximo.
Com efeito, quando se conhece o sinal da derivada no ponto Xs e quando isso corresponde a
um afastamento de Xs relativamente ao máximo, então o controlador muda o sinal de
deslocação de Xe de forma a reencontrar o máximo. Esta constante evolução de Xe introduz
oscilações em torno do valor máximo.
Durante este processo, há que considerar as seguintes limitações:
•  A característica P-V do gerador pode apresentar mais do que um máximo. Tal acontece,
quando um grande número de células (com o respectivo díodo de protecção) são associadas
em série e/ou em paralelo.
•  Podem acontecer variações bruscas tanto a nível de luminosidade quanto de carga. Se o
MPPT não apresentar uma boa dinâmica, pode perder a regulação. Enquanto o processo de
regulação não é retomado, vão acontecer perdas de potência.
•  As oscilações inerentes ao processo MPPT introduzem perdas de potência.
Saliente-se que a regulação MPPT trabalha a altas frequências entre 20kHz et 50kHz. A
vantagem de se trabalhar com circuitos a alta frequência, é que estes podem ser construídos
com conversores de muito bom rendimento e componentes de reduzido tamanho.

137
138
Diferentes tipos de MPPT

Desde 1968 que foram criados um grande número de controladores MPPT.


•  Os primeiros controladores
São baseados no controle de um interuptor de potência que, por sua vez permite controlar
a diferença entre a corrente actual, I, e o seu valor máximo, bem como a diferença entre a
tensão actual, V, e o seu valor máximo. A escolha dos máximos de ΔI e ΔV, é feita de forma
a obter um funcionamento próximo do MPP.
•  MPPT para aplicações espaciais
O ambiente espacial é muito diferente do da Terra. Com efeito, a taxa de luminosidade
depende da posição do satélite (conhecida) e não das condições meteorológicas, como na
Terra, o que permite certas simplificações no controle de forma a colocar o sistema no
MPP.
•  MPPT que utilizam algoritmos
Os algoritmos de programação dos controladores MPPT são relativamente simples e
podem ser facilmente implementados em computador ou num microprocessador.
Também existem algoritmos mais complexos, analógicos ou numéricos; este último, possui
uma qualidade de comando que permite um ajustamento de forma a obter um
rendimento muito próximo de 100%

139
Exercícios
Apresentam-se 3 exercícios, cuja resolução vai permitir o estudo da influência dos diversos
parâmetros no desempenho de um sistema fotovoltaico.
Laboratórios Virtuais

Após ter estudado os painéis fotovoltaicos e os controladores MPPT, propõem-se alguns


exercícios para consolidar a matéria. As experiências são virtuais, mas baseadas em dados
reais.
Estes exercícios vão permitir que se meça a influência do MPPT em diferentes aplicações:
TP1 : Ligação do painel a uma bateria
TP2 : Ligação do painel a uma resistência
TP3 : Ligação do painel a uma bateria com resistência interna
Os laboratórios virtuais apresentam a grande vantagem de poder refazer muito facilmente
uma série de medidas. Não hesite a repetir uma experiência para compreender
perfeitamente o funcionamento do MPPT !
pré-requisito: O MPPT
nível:
duração estimada :
autores : Eglantine Marescot du Thilleul , Arnaud Davigny, Christophe Saudemont
realização: Philippe Vanuxem, François Le Floch
versão portuguesa : Maria José Resende
140
TP1 : Ligação do painel a uma bateria

I / Ligação do painel a uma bateria sem MPPT

Admite-se estar a trabalhar com um painel fotovoltaico que debita directamente para uma
bateria de 12 V, a uma temperatura constante de T=75ºC, com uma relação de
transformação f=1 (sem MPPT) e uma luminosidade de E=1000W/m².
Objectivo : Estudar a influência da tensão da bateria, na energia transmitida

Figura 1  : Esquema da montagem do painel e


da bateria (sem MPPT)

1 •  Qual é a potência transmitida?


2 •  Como varia esta potência em função da tensão da bateria (ver a animação)?
Identifique alguns valores limite.
3 •  Atendendo a que a bateria é de 12 V, há energia que não está a ser convertida?
Calcule o seu valor percentual.
141
II / Ligação do painel a uma bateria com MPPT

Figura 2  : Esquema da montagem do painel e da bateria (com MPPT)

a) Experiências a diferentes temperaturas


Admite-se estar a trabalhar com um MPPT que debita sobre uma bateria de 12 V sem a
luminosidade de E=1000W/m².
Em todas as experiências, considera-se Ucarga=Ubat=fcem.
 
1 • O que representa o ganho evidenciado nesta animação? (fórmula)

142
Resposta 1
A potência transmitida é a potência ao nível da bateria.

Resposta 2
A partir da animação, identificam-se 3 zonas: Quando Ubat está compreendida entre 10 e
13.3 V, a potência transmitida aumenta até se atingir um valor máximo
Quando Ubat=13,3 V a potência transmitida é máxima e vale 66,125 W.
Quando Ubat está compreendida entre 13,3 et 15 V, a potência transmitida diminui
Resposta 3
Há energia não convertida uma vez que a bateria não é de Ubat=13.3 V
Cálculo da potência não convertida relativamente à potência máxima:

Perdas (12 V,75°C,1000W/m²) = (66.12 -


63.35)/ 63.35 = 4.37%

143
Resposta 1
G = ganho obtido pela presença do MPPT
PtransCC = Potência transmitida com o conversor MPPT
PtransSC = Potência transmitida sem o conversor MPPT

2 • Para cada temperatura de 0 a 75°C {0°C ; 25°C ;50°C ;75°C} inicie com uma tensão da
bateria de 12 V; depois, na animaçãp « MPPT sur batterie en fonction de la
température » , procure a relação de transformação f para a qual o ganho é máximo.
T=0°C
A 12 V, 1000W/m²
Ganho max = 48.17% para f = 0.63
Ptrans sem MPPT = 61.90 W
Ptrans com MPPT = 91.71 W

144
T=25°C
A 12 V, 1000W/m²
Ganho max = 32.81% para f = 0.7
Ptrans sem MPPT = 62.88 W
Ptrans com MPPT = 83.52 W
T=50°C
à 12 V, 1000W/m²
Ganho max = 17.81% para f = 0.79
Ptrans sem MPPT = 63.67 W
Ptrans com MPPT = 75.01 W
T=75°C
à 12 V, 1000W/m²
Ganho max = 4.37% para f = 0.9
Ptrans sem MPPT = 63.35 W
Ptrans com MPPT = 66.12 W

145
3 • O que se pode concluir quanto à utilidade
do MPPT a diferentes temperaturas?
Resposta 3
Conclui-se que, independentemente da
temperatura, é possível determinar um ponto
de funcionamento a ganho máximo, o que se
consegue fazendo variar f. E o que representa
f? f representa o MPPT, isto é, a cada instante o
controle do MPPT força o sistema a funcionar
no seu ponto de potência máxima, isto é, com
um ganho máximo.
Constata-se ainda que, para uma luminosidade
constante, é preferível trabalhar a mais baixas
temperaturas pois obtêm-se melhores ganhos.
4 • Para cada temperatura de 0 a 75°C {0°C ;
25°C ;50°C ;75°C}, determinar através da
animação "MPPT sur batterie en fonction de
la température" , a relação de transformação f
e a tensão da bateria Ubat que correspondem
a um ganho óptimo.

146
T=0°C
Ubat=10v ; f=0.53 com um ganho G opt =77.818%
Ubat=10v ; f=0.52 com um ganho G=77.729%
Ubat=10v ; f=0.53 com um ganho G opt =77.818%
Ubat=10v ; f=0.54 com um ganho G=76.982%
Se Ubat for diferente de 10V, por exemplo:
Ubat=11v, Gopt=61.579% com f=0.58
Ubat=12v, Gopt=48.148% com f=0.63
Ubat=13v, Gopt=36.817% com f=0.69
Ubat=14v, Gopt=27.47% com f=0.74
Ubat=15v, Gopt=19.404% com f=0.79
T=25°C
Ubat=10v ; f=0.58 com um ganho G opt =58.82%
Ubat=10v ; f=0.57 com um ganho G=57.922%
Ubat=10v ; f=0.58 com um ganho G opt =58.82%
Ubat=10v ; f=0.59 com um ganho G=58.481%
T=50°C
Ubat=10v ; f=0.66 com um ganho G opt =40.473%
Ubat=10v ; f=0.65 com um ganho G=40.227%
Ubat=10v ; f=0.66 com um ganho G opt =40.5%
Ubat=10v ; f=0.67 com um ganho G=39.942%

147
T=75°C
Ubat=10v ; f=0.75 com um ganho G opt
=22.236%
Ubat=10v ; f=0.74 com um ganho G=22.161%
Ubat=10v ; f=0.75 com um ganho G opt
=22.236%
Ubat=10v ; f=0.76 com um ganho G=22.18%
5 • O que conclui desta experiência?
Conclusão
Mostrou-se já que, para se obter um ganho
óptimo, se deve usar o MPPT e, também,
trabalhar a baixas temperaturas, o que se
confirma neste exercício.
Com esta experência, salienta-se a necessidade
de usar uma bateria de 10 V. Caso se disponha
apenas da bateria de 12 V, pode-se juntar ao
circuito uma resistênciaComment faire puisque
nous avons une batterie de 12 V ? On pararait
lui ajouter une résistance interne.
Nota: Este caso será analisado no TP3

148
b) Experiências a diferentes luminosidades
Considere-se o caso óptimo analisado na alínea anterior: circuito com MPPT (f variável)
que debita sobre uma bateria de 10 V a T=0°C.
1 • Através da animação seguinte, determinar o(s) ganho(s) máximos, fazendo variar
a luminosidade (de 1000W/m² a 500W/m²) e a relação de transformação f.
Resposta 1
Alguns exemplos de ganhos a diferentes luminosidades são:
Se E=1000W/m² e f=0.53 ; Gopt=77.8%
Se E=900W/m² e f=0.53  ; Gopt=76.55%
Se E=500W/m²  e f=0.55  ; Gopt=68.82%
2 • Que pode concluir quanto à utilidade do MPPT a diferentes luminosidades?
Resposta 2
Quanto mais E diminui, mais o ganho diminui. No entanto, graças à relação de
transformação f variável, (o MPPT), pode-se sempre obter um ganho melhor; Quanto
mais E diminui, maior deverá ser f. Como a luminosidade está constantemente a variar,
é da máxima importância dispor de MPPT.

149
Conclusão do TP1

Conclusão
Estas duas experiências permitem concluir
que, o MPPT desempenha um importante
papel sempre que os seguintes factores
estiverem em jogo:
Armazenamento de energia numa bateria
Luminosidade variável no local
Temperatura variável ao longo da utilização
Finalement le MPPT semble indispensable
dans une installation de panneaux solaires.
Enfin, para obtenir de bons résultats, mieux
vaut travailler à faible température et fort
éclairement et débiter sur une batterie avec s´il
le faut une résistance interne.

150
TP 2 : Ligação do painel a uma resistência com MPPT

Figura 3 : Esquema da montagem com painel, MPPT e bateria

a) Experiências a diferentes temperaturas


Considere um MPPT que debita sobre uma resistência sob uma luminosidade de
E=1000W/m².
Em todas as experiências considera-se Ucarga=Ubat=R.I.
1 • O que representa o ganho evidenciado nesta animação? (fórmula)

Resposta 1
G = ganho obtido pela presença do MPPT
PtransCC = Potência transmitida com o
conversor MPPT
PtransSC = Potência transmitida sem o
conversor MPPT

151
 2 • Para cada temperatura de 0 a 75°C {0°C ; 25°C ;50°C ;75°C}, determinar na animação
"MPPT sur resistência en fonction de la température" , alguns valores (relação de
transformação f e resistência de carga R) e respectivo ganho; o que conclui sobre os
valores que permitem obter um ganho máximo?
T=0°C
R=0.8 ohm  ; f=0.50 com um ganho G=289.1%
De acordo com a animação:
R=0.8 ohm; f=0.51 com um ganho G=275.5%
R=0.8 ohm; f=0.50 com um ganho Gopt=289.1%
R=0.8 ohm; f=0.52 com um ganho G=262.6%
Mas se R for diferente de 0.8 ohm:
R=0.9 ohm , Gopt=274.1% com f=0.50
R=1,0 ohm , Gopt=243.4% com f=0.50
R=2,0 ohm , Gopt=12.2% com f=0.50
T=25°C
R=0.6 ohm  ; f=0.50 com um ganho G=294%
De acordo com a animação:
R=0.6 ohm  ;f=0.51 com um ganho G=280%
R=0.6 ohm   ;f=0.50 com um ganho Gopt=294%
R=0.6 ohm   ; f=0.52 com um ganho G=266.8%
R=1,0 ohm  ; f=0.50 com um ganho G=192.9%
R=1.7 ohm  ; f=0.50 com um ganho G=21.5%
152
T=50°C
R=0.2 ohm  ; f=0.50 com um ganho G=299.4%
De acordo com a animação:
R=0.2 ohm  ; f=0.51 com um ganho G=283.9%
R=0.2 ohm   ; f=0.50 com um ganho
Gopt=299.4%
R=0.2 ohm   ; f=0.52 com um ganho G=269.3%
R=1,0 ohm  ; f=0.50 com um ganho G=139.7%
R=1.6 ohm  ; f=0.50 com um ganho G=7.4%
T=75°C
R=0.2 ohm  ; f=0.50 com um ganho G=299.4%
De acordo com a animação:
R=0.2 ohm  ; f=0.51 com um ganho G=283.9%
R=0.2 ohm   ; f=0.50 com um ganho
Gopt=299.4%
R=0.2 ohm   ; f=0.52 com um ganho G=269.3%
R=1,0 ohm  ; f=0.50 com um ganho G=139.7%
R=1.6 ohm  ; f=0.50 com um ganho G=7.4%

153
3 • O que se pode concluir quanto à utilidade do MPPT a diferentes temperaturas?
Resposta 3
On remarque bien qu´à n´importe qu´elle température, il est possible de trouver un gain
max. Ceci grâce à la possibilité de faire varier f. Or que représente f ? f représente le
MPPT, c´est-à-dire qu´à chaque instant, le MPPT se règle para forcer le système à
fonctionner à sa puissance maximale donc à un gain max.
De plus, on remarque qu´il est préférable de travailler, para un éclairement constant, à
température élevée et résistance faible car le gain est meilleur. f est alors petit.

b) Experiências a diferentes luminosidades


Admita que está a trabalhar com um MPPT, f=0.5, que debita sobre uma resistência R de
0.5 ohm, a uma temperatura de T=75°C .
 
1 • De acordo com a animação seguinte, de que forma varia o ganho em função da
luminosidade? Determine o(s) valor(es) máximo(s) e respectiva(s) luminosidade(s)

154
Resposta 1
Se E= 1000W/m², o ganho g=299.4%
Se E= 1000W/m² ou se E < 1000W/m², o ganho
G é sempre igual a 299.4%
Nota: Quando se varia a luminosidade no
respectivo cursor, constata-se que para E <
=750W/m², a tensão no conversor é nula, o
que implica que não se possa determinar o
ganho (cf. expressão do ganho).
2 • O que se pode concluir quanto à utilidade
do MPPT a diferentes luminosidades?
Resposta 2
Pode concluir-se que a luminosidade tem
muito pouca influência no ganho. No entanto,
e mais uma vez, é o ajuste da relação de
transformação que permite obter o ganho
máximo. Consequentemente, o MPPT também
é indispensável numa montagem que debite
sobre resistência.

155
Conclusão do TP2

Conclusão
Estas duas experiências permitem concluir
que, o MPPT desempenha um importante
papel sempre que os seguintes factores
estiverem em jogo:
Painel a debitar energia para uma resistência
de carga
Luminosidade variável no local
Temperatura variável ao longo da utilização
O MPPT é indispensável numa instalação de
painéis solares. Enfin, para obtenir de bons
résultats, mieux vaut travailler à haute
température et fort éclairement et débiter sur
une résistance de faible charge ( or para
alimenter une maison les résistance de charge
sont nombreuses, le défi est là! ex: une
ampoule représente une résistance de 882
ohms)

156
TP 3 : Ligação do painel a uma bateria com resistência interna

 
Objectivo : Estudar o comportamento do circuito com MPPT a debitar sobre uma
bateria que inclui uma resistência interna

Figura 4 : Esquema da montagem com painel, MPPT, bateria e resistência interna

Tal como se fez nos exercícios anteriores,


analize o comportamento da montagem e
conclua sobre a influência dos diferentes
componentes e diferentes factores externos.

157
Conclusão
Admitindo que a bateria é de 12 V e que se está a trabalhar sem MPPT
(relação de transformação=0), a potência máxima transmitida (91.7 W) é
obtida para:
uma luminosidade máxima de 1000 W/m²
uma temperatura de 0°C
uma resistência interna de 1.4 ohm
Se se trabalhar com o MPPT, constata-se que nas condições normais de
temperatura e luminosidade (25°C,950 W/m²) o uso do MPPT é
indispensável para optimizar a potência transmitida. Mais uma vez, uma
elevada luminosidade permite obter melhores resultados. O valor da
resistência também é determinante. Constata-se, igualmente, que a
potência diminui com o aumento da temperatura.
Finalmente e en condições normais de utilização, pode concluir-se que o
MPPT e a resistência interna são factores de ganho na exploração de
sistemas com painéis fotovoltaicos.

158
Dimensionamento de uma instalação

Dimensionamento de uma instalação


Esta secção agrupa os procedimentos teóricos necessários ao dimensionamento
de uma instalação fotovoltaica.

Conhecidos os componentes de um sistema fotovoltaico e as diversas aplicações


possíveis, vai abordar-se o dimensionamento de uma instalação fotovoltaica.
O dimensionamento preciso de um sistema fotovoltaico é relativamente complexo, uma
vez que existem diversos aspectos a ter em conta; ele será efectuado de forma iterativa.
Pode resumir-se às seguintes etapas:
Determinação das necessidades do utilizador
Cálculo da energia solar recuperável
Definição dos módulos fotovoltaicos
Definição da capacidade da bateria e escolha da tecnologia; escolha do regulador
Cablagem
Um exercício de dimensionamento de uma instalação isolada (abrigo de montanha)
permite exemplificar esta metodologia.
Um cálculo automatizado permite o
dimensionamento personalizado para uma habitação ligada à rede.

159
Avaliação das necessidades

A primeira etapa consiste na avaliação das


necessidades energéticas do utilizador e na
ponderação de utilizar equipamentos de
menor consumo energético face a outros do
mesmo tipo.
autores : Lucie Petillon, Jean-Charles Herant,
Eglantine Marescot du Thilleul, Arnaud
Davigny, Christophe Saudemont
realização : Lucie Petillon, Jean-Charles Herant,
Eglantine Marescot du Thilleul
versão portuguesa : Maria José Resende
 

160
Importa referir que é de todo o interesse preferir a aquisição de equipamentos
conservadores de energia (isto é, de reduzidos consumos) pois, apesar de
apresentarem um custo de aquisição superior, implicarão uma instalação de
menor potência nominal.
Tensão dos receptores
É após a determinação da potência nominal que se pode determinar a tensão
mais adequada ao sistema fotovoltaico.
As necessidades de energia da aplicação
Esta é uma etapa importante. É necessário conhecer bem as necessidades de
energia, afim de projectar um sistema bem adaptado. Todas as necessidades
suplementares implicarão um aumento de potência, isto é, a instalação
suplementar de painéis e de baterias.
Para calcular as necessidades de energia durante um determinado período de
tempo (dia), utiliza-se a fórmula seguinte:
E=P*t
A necessidade diária de energia (medida em Wh) de um determinado
equipamento, será então igual ao produto da potência do equipamento (medida
em W) multiplicada pelo número de horas de utilização.

161
Há que compreender bem a diferença entre potência e energia. A potência pode ser
entendida como um valor instantâneo, como uma capacidade instantânea de produzir
energia (exemplo: um painel com uma potência de 90W tem capacidade para produzir
uma energia de 90Wh durante uma hora), enquanto a energia é um valor integrado no
tempo (exemplo: durante 24 horas o painel tem capacidade para produzir uma energia
de 90*24 Wh=2160 Wh).
Para calcular o consumo total de uma aplicação com diversos equipamentos,
determinam-se as necessidades energéticas diárias de cada um dos equipamentos e
adicionam-se. A necessidade energética diária, Bj, ou consumo diário, é a energia
eléctrica consumida em 24 horas pelo conjunto dos equipamentos.
Obtém-se assim : Bj = E 1 + E 2 + E 3 +…
O consumo diário pode ser medido de duas formas diferentes: ou em Wh, ou em Ah
(Amperes hora) uma vez conhecido o valor da tensão de alimentação.
O seguinte exercício ilustra como determinar este consumo diário.

162
Exercício 1

Admite-se que a instalação alimenta os seguintes equipamentos:

        Rendimento utilização/dia
Equipamento número Tensão Potência da conversão (h/dia)
DC/AC (%)

Lâmpadas 5 24 VDC 10 - 3h

Emissor de rádio (em 1 24 VDC 2 - 24h


escuta)

Emissor de rádio (em 1 24 VDC 160 - 2h


emissão)

Ferramenta 1 230 VDC 500 85 30 min

A partir destes dados, determinar o consumo total diário.

163
Resposta
Consumo total diário de 812 Wh/dia
Justificação
Para as lâmpadas: 5 * 10W * 3h = 150 Wh/dia
Para o emissor de rádio em escuta: 1 * 2W *
24h = 48 Wh/dia
Para o emissor de rádio em emissão: 1 * 160W
* 2h = 320 Wh/dia
Para a ferramenta: (1 * 500W * 0.5h)/0.85 =
294 Wh/dia
Ou seja, um total de 150 + 48 + 320 + 294 =
812 Wh/dia
Se o consumo não é uniforme ao longo do ano,
deverá fazer-se uma tabela para cada um dos
períodos. Por exemplo, se no caso do exercício
anterior, este consumo só se efectua durante o
fim-de-semana, o consumo médio diário ao
longo de um ano será 2/7 do resultado obtido.
Podem também encontrar-se aplicações em
que o consumo durante o inverno e o verão
sejam consideravelmente diferentes.
164
Como consumir inteligentemente

1. A escolha dos equipamentos eléctricos


Esta etiqueta europeia normalizada permite conhecer as características dos aparelhos
eléctricos onde está afixada. A classe energética (A, neste exemplo) permite concluir que este
equipamento é o mais económico do ponto de vista do consumo.

165
 

As referências do aparelho Nesta zona da etiqueta são dadas referências precisas do aparelho, do modelo e do fabricante

De A (aparelho muito económico) a G (aparelho que consome muita


energia eléctrica) este código de cores dá uma ideia do consumo do
aparelho. Esta classificação aplica-se a fornos, máquinas de lavar
A classe energética roupa e loiça, frigoríficos, congeladores. Na coluna da direita, sob
um fundo negro, está afixada a classe do aparelho. É através desta
classificação que se conclui se o aparelho é económico no seu uso
ou não.

Consumo, eficácia, No caso das máquinas de lavar, esta parte indica o consumo de água e de electricidade, bem como a
capacidade capacidade e dois critérios de qualidade: a eficácia da lavagem e da secagem.

Este é um factor não negligenciável de conforto. O barulho emitido pelos aparelhos é medido em decibéis.
Barulho Permite comparações com outros aparelhos do mesmo tipo.

166
2. As boas práticas
Para a produção de frio, preferir um frigorífico com congelador separado.
Preferir a secagem natural da roupa; um secador de roupa consome duas vezes mais
energia eléctrica do que a máquina de lavar.
Eliminar as lâmpadas de halogéneo e substituir as lâmpadas incandescentes por
lâmpadas de baixo consumo; consomem 5 vezes menos e duram 5 vezes mais.
Evitar todo e qualquer funcionamento em "stand-by". Instalar tomadas eléctricas com
interruptor !
Desligar a luz sempre que sair de um compartimento.
Utilizar as máquinas de lavar apenas na sua carga completa.
Prefirir os programas de lavagem económicos e não ultrapassar os 40°C.
No interior do frigorífico é suficiente uma temperatura de 5ºC. Evitar encostá-lo à
parede e instalá-lo num compartimento demasiado quente. Afastá-lo das fontes
quentes como o fogão ou o aquecimento. Não deixar a porta aberta durante muito
tempo e descongelá-lo regularmente.

167
Energia solar recuperável

autores : Lucie Petillon, Jean-Charles Herant,


Arnaud Davigny, Christophe Saudemont
realização: Lucie Petillon, Jean-Charles Herant
versão portuguesa : Maria José Resende

168
Orientação e inclinação dos módulos

A posição dos módulos fotovoltaicos relativamente ao sol é de extrema importância para


que a produção energética seja a máxima possível.
Quando existe a possibilidade de escolha, a orientação ideal é muito fácil de determinar:
devem ser orientados fazendo face ao equador. No caso do hemisfério norte esta orientação
corresponde ao sul, enquanto no hemisfério sul corresponde ao norte.
A inclinação é um pouco mais complexa de determinar.
Considere-se em primeiro lugar o caso de uma aplicação autónoma que consome uma
energia quase constante ao longo de todo o ano. É no Inverno que se deverá optimizar a
produção, uma vez que é a época com menor incidência solar. Na Europa, para uma
utilização anual, a inclinação ideal é, aproximadamente, igual à latitude do local, somada de
10º. Em Portugal, ter-se-á então uma implantação denominada "50 Sul" (orientação Sul e
inclinação 60º).
Quando a instalação é para funcionar apenas durante o Verão, é preferível uma inclinação
de 20 a 30º com a mesma orientação.
Considere-se agora uma instalação ligada à rede cuja produção energética vai ser
integralmente vendida à rede. Haverá todo o interesse em produzir o máximo possível
durante todo o ano. Neste caso, a inclinação óptima situa-se entre os 15 e os 45º na Europa
do Sul, e entre 25 e 60º na Europa do Norte, sendo a orientação a já descrita acima

169
No caso de painéis instalados no telhado de
uma habitação, nem sempre é possível instalar
os painéis orientados a Sul, atendendo à
implantação da habitação. Convém excluir
qualquer orientação a Norte, Nordeste e
Noroeste uma vez que são extremamente
desfavoráveis. Pelo contrário, as orientações
Este, Oeste, Sudeste e Sudoeste com uma
inclinação nunca superior a 30º relativamente
à horizontal, apresentam apenas uma quebra
de produção anual de 15% relativamente à
localização óptima de 30º Sul

170
Dados meteorológicos

Uma superfície exposta ao sol recebe, num dado instante, uma incidência solar medida em
W/m², que é um fluxo, uma potência por unidade de superfície. Este fluxo sofre variações
com a passagem de uma nuvem, com o passar das horas do dia, com o passar das estações
do ano. Ao fim de uma dia, este fluxo produz uma energia, medida em Wh/m² , que é o
resultado do produto da incidência solar pelo tempo. Como a incidência solar é variável,
esta energia pode obter-se pelo integral da curva de incidência solar em função do tempo.
As estações meteorológicas fornecem diversos dados estatísticos e é com base neles que
se efectuam os dimensionamentos de sistemas fotovoltaicos.
Para uma aplicação de uso anual, pode realizar-se um dimensionamento com alguma
segurança, apenas com 12 valores de incidência solar, um por cada mês
Para um dimensionamento mais grosseiro, pode utilizar-se apenas o valor mais baixo dos
relativos ao período de funcionamento da aplicação. Em Portugal, por exemplo, para uma
utilização anual, utiliza-se o valor do mês de Dezembro que é, geralmente, o mais baixo.
Pelo contrário, para uma utilização estival, por exemplo entre Maio e Setembro, utiliza-se o
valor de Maio.

171
Definição dos módulos fotovoltaicos

autores: Lucie Petillon, Jean-Charles Herant,


Arnaud Davigny, Christophe Saudemont
realização: Lucie Petillon, Jean-Charles Herant.
versão portuguesa : Maria José Resende

172
Cálculo da potência de ponta do sistema
Se o sol, é a única fonte de energia de um sistema autónomo, sem gerador de ponta, os
módulos fotovoltaicos têm de fornecer toda a energia consumida, incluindo as perdas a
todos os níveis.
Produção eléctrica diária de um módulo
Um módulo caracteríza-se, acima de tudo, pela sua potência de ponta Pc (W), potência
medida nas condições STC.
Estando o módulo nas condições STC, ele vai produzir, num dado instante, um valor de
energia numericamente igual à sua potência de ponta e, mantendo-se nestas condições
durante um período de N horas, a energia eléctrica produzida será:
Eelec = N * Pc
Ou seja  : energia eléctrica produzida (Wh) = número de horas sob as condições STC (h)*
potência de ponta (W).
Contudo, a incidência solar não se mantém constante ao longo de todo o dia, pelo que
esta regra não pode ser aplicada de forma tão estricta.
De forma a calcular a produção de um módulo fotovoltaico durante um dia com um
determinado perfil de insolação e assim, obter uma energia integrada em Wh/m², vai
admitir-se que essa energia resulta do produto de uma insolação instantânea de 1000
W/m² por um certo número de horas que se denomina por «número de horas
equivalentes».

173
Atendendo ao valor 1000 desta insolação de referência, o número de horas equivalentes é
numericamente igual à energia solar expressa em kWh/m² * dia.
Esol = Ne * 1000
Ou seja  : energia solar diária(Wh/m²*dia) = número de horas equivalentes (h/dia)*1000
(W/m²).
Exemplo
Durante um dia, na estação meteorológica de Toulouse, em Dezembro, com uma orientação
Sul e uma inclinação de 60°, o sol fornece Esol=1,12 kWh/m² * dia. O que equivale a 1,12h com
uma incidência solar 1000 W/m².
Admite-se que a potência do painel é directamente proporcional à insolação instantânea, o
que é verdade em primeira aproximação se o painel tem tensão suficiente. Pode então
multiplicar-se a potência de ponta do painel (Pc) pelo número de horas equivalentes (Ne), para
obter a produção diária de energia eléctrica fotovoltaica (Eelec):

Eelec = Ne * Pc
Atendendo a que Ne = Esol/1000, pode escrever-se, também:
Eelec = Esol * Pc / 1000
Este cálculo é válido apenas para um painel isolado e em condições ideais, pois não tem em
conta as inevitáveis perdas de um sistema completo a funcionar em condições reais. Estas
perdas têm origens diversas e afectam certos parâmetros do sistema.

174
Perdas Eléctricas
Os módulos devem fornecer toda a energia consumida, mesmo a das perdas. O cálculo da
potência a instalar deve, portanto, incluir o conjunto de perdas.
Tipos de perdas
Iniciando o trajecto energético pelos raios solares que incidem no painel, podem
enumerar-se:
I. Perdas por sujidade no painel; a neve, o pó, ou mesmo o reflexo de uma janela frontal,
modificam a corrente fornecida pelo painel (a tensão não é afectada)
De seguida, há as perdas por quedas de tensão entre a saída do painel e a entrada na
bateria; existem perdas:
II. aos terminais dos díodos série
III. aos terminais do regulador série, se existir, uma vez que é composto por interruptores
de potência.
IV. por quedas de tensão aos terminais dos cabos, dependendo do seu comprimento,
secção e corrente transportada.
Um outro tipo de perdas afecta directamente a tensão do painel, trata-se de:
V. abaixamento da tensão assim que a temperatura aumenta; a potência de ponta está
referenciada a 25°C.
A bateria também tem perdas, pois não restitui 100% da energia que armazena; deve
considerar-se:
VI. a eficácia energética da bateria: relação entre a energia restituída e a energia
armazenada.
175
O regulador pode também ser uma fonte de perdas por desadaptação da tensão:
VII. num sistema com um regulador clássico (e não do tipo MPPT) a tensão é imposta pela
bateria, pelo que o módulo fotovoltaico não vai trabalhar no seu ponto de potência
máxima.
O cálculo apresentado na secção anterior pressupõe que a potência do painel é
proporcional à luminosidade, quando, em condições reais, é a corrente que o é; dever-se-á
então considerar:
VIII. as perdas associadas ao início e ao fim do dia, quando a luminosidade é mais reduzida
e a tensão é insuficiente para carregar a bateria.
Avaliação das perdas
Certo tipo de perdas podem ser minimizadas e negligenciadas através de procedimentos
simples. Para a sujidade (I), deverá proceder-se a limpezas regulares. A neve fundir-se-á
assim que o painel começar a aquecer e para evitar o pó, verecr-se-á instalar o painel num
local elevado.
Relativamente às perdas nos cabos (IV), serão limitadas através de um correcto
dimensionamento e optimização.
As perdas associadas à temperatura (V) afectam, principalmente, os países mais quentes e
poderão ser limitadas através de uma boa ventilação dos painéis.
Pode evitar-se completamente as perdas por desajuste de tensão (VII), instalando um
regulador MPPT, que é projectado, exactamente para realizar a função de adaptação das
tensões.

176
A tecnologia de desenvolvimento dos módulos fotovoltaicos vai desempenhar um
importante papel na redução das perdas (VIII) e (V). Os painéis de silício amorfo reagem
melhor a reduzidas luminosidades do que os de silício cristalino. Igualmente, a sua tensão
varia muito menos com a temperatura.
A menos que se disponha de um bom regulador MPPT, o procedimento mais correcto é:
→ tomar as necessárias precauções para limitar as quedas de tensão: cablagem
adequada, regulador série reservado para sistemas de 24 ou 48 V DC, boa ventilação.
→ avaliar a restante queda de tensão entre os painéis e a bateria; por exemplo, 0,8V nos
díodos série, 0,5V nos cabos1,5V de perdas devidas a aquecimento à temperatura média
da instalação
→ escolher módulos cuja tensão à potência de ponta seja superior ou igual à tensão
máxima da bateria + quedas de tensão
→ calculer enfin le champ fotovoltaico d’après les courants à cette potência maximale (A),
et en capacité pour la batterie, en ne tenant plus compte des tensions, mais seulement
des pertes affectant le courant.
Regra geral, para alimentar um sistema a 12 V de tensão nominal, os módulos
fotovoltaicos deverão apresentar uma tensão, no ponto de potência máxima, de pelo
menos 17-18 V para utilizações em países quentes e de 15-16 V para utilizações em países
de temperatura moderada.
As inevitáveis perdas em corrente são tomadas em consideração nos cálculos energéticos,
através da introdução do coeficiente Cp, designado por coeficiente de perdas em
corrente.
177
Avaliação do Cp
Para tomar em consideração a sujidade dos painéis (I), toma-se, geralmente, um valor de
Cp compreendido entre 0,9 e 0,95. Este valor vai depender da frequência com que os
painéis são limpos, se estão ou não instalados na horizontal, etc…
Para as baterias utilizadas nos sistemas fotovoltaicos, admite-se que a sua eficiência está
compreendida entre 0,8 e 0,9 dependendo das suas características.
Cálculo prático da potência de um sistema fotovoltaico
De acordo com as considerações anteriores, o cálculo da produção eléctrica de um módulo
peut pode representar-se por:
Celec = Esol * Im * Cp
Ou seja  : Produção diária de energia eléctrica (Ah/dia) = energia solar diária (kWh/m² * dia)
* corrente a potência máxima STC do módulo (A) * coeficiente de perdas em corrente
Para assegurar uma produção de energia durante todo o período de utilização da aplicação,
os cálculos deverão ser efectuados para a situação mais desfavorável do período de
utilização.
Para determinar a corrente a potência máxima STC do módulo, utiliza-se a fórmula:
Im = Bj / (Esol * Cp)
Ou seja  : corrente a potência máxima STC do módulo (A) = necessidades energéticas diárias
da aplicação (Ah/dia) / [ energia solar diária mais desfavorável (kWh/m² * dia) * coeficiente
de perdas em corrente ]

178
Exercício 2
Retomando os dados do exercício 1, obteve-se
um valor de necessidade energética diária de
812Wh/dia.
1./ necessidade energética diária em Ah/dia ?
Admite-se que o coeficiente de perdas em
corrente é de 0,75 e que a energia solar diária
de Paris em Dezembro (exposição 60° Sul) é de
1,12 kWh/m² * dia.
2./ Qual é a corrente Im necessária  ?
3./ Qual deverá ser o valor mínimo da potência
fotovoltaica do sistema, Pc, se os módulos
tiverem uma tensão máxima de 24V ?

179
Resposta
1./ Necessidades diárias: 34 Ah/dia
2./ Im = 40,5 A
3./ Pc = 1377 Wc
Justificação
1./ [812 Wh/dia] / [24V (tensão máxima
pretendida)] = 34 Ah/dia
2./ Im = 34 / [ 1,12 * 0,75] = 40,5 A
3./ Pc = 40,5A * 34V = 1377 Wc

180
Tecnologia dos módulos

A tecnologia dos módulos mais apropriada depende, antes de tudo, da potência


necessária à aplicação, mas também do tipo de clima, do custo e até da estética.
O silício amorfo tem um aspecto estético uniforme e apresenta bons desempenhos a
baixos valores de incidência solare e a incidências difusas. Por outro lado, apresenta um
rendimento de 7% enquanto o do silício cristalino é de 13%. O seu campo de aplicação
restringe-se a:
- baixas potências (< 10 Wc) em climas temperados
- aplicações de baixo custo
- produtos portáteis ou flexíveis
- certas aplicações de arquitectura, devido ao seu aspecto uniforme
Para se assegurar a adequação de um tipo de painel a determinada aplicação, há que ter
em consideração todos os seus parâmetros eléctricos, em especial:
- valor suficiente de tensão
- tipo de garantia da potência de ponta
- ripor climático
- facilidade de montagem, etc.

181
Tensão de funcionamento

Tensão nominal do sistema fotovoltaico


A tensão do sistema completo de módulos depende:
- do tipo de aplicação
- da potência fotovoltaica do sistema
- da disponibilidade de materiais (módulos e cargas)
- da extensão geográfica do sistema
Para os sistemas ligados à rede, toda a energia produzida deverá ser transferida a uma
tensão de 230 V AC. Os módulos deverão então ser ligados em série pois assim reduzem-se
as perdas uma vez que a corrente é mais baixa, e podem ser usados onduladores de alto
rendimento.
Para os sistemas autónomos e para uma dada potência, uma tensão baixa implica correntes
elevadas que irão produzir perdas de Joule na cablagem (para um aparelho de 100W a 12 V,
tem-se uma corrente de cerca de 8 A). A secção dos cabos deverá ser escolhida
criteriosamente por forma a limitar estas perdas.
Para sistemas de maior potência, deverá escolher-se 24 ou 48 V, de forma a trabalhar com
valores de corrente não muito elevados.
A tabela seguinte apresenta o valor das tensões em função da potência, recomendados
para sistemas fotovoltaicos.

182
Potência do sistema 0-500 W c 500-2 kW c 2-10 kW c > 10 kW c
fotovoltaico
Tensão recomendada 12 VDC 24 VDC 48 VDC > 48 VDC

Uma vez determinada a tensão do sistema, há ainda que verificar


se esta é compatível com as cargas a alimentar. Caso assim não
aconteça, pode introduzir-se um conversor DC-DC; este
procedimento requer a revisão do consumo do sistema por forma
a incluir as perdas do conversor.
Composição do sistema fotovoltaico completo
Uma vez determinada a potência fotovoltaica necessária e, de
acordo com a tensão dos módulos e a tensão do sistema completo,
deverá proceder-se à associação dos módulos (em série/paralelo,
ou apenas série, ou apenas paralelo). Certamente que o número
de módulos deverá ser arredondado para o número inteiro
imediatamente superior.

183
Exercício 3
No exercício anterior , determinou-se que as
necessidades de potência do sistema em
estudo eram de 1377 Wc, com uma tensão
nominal de 24 V .
Admitindo que se dispõe de módulos de 47 Wc
com uma tensão de 12 V, determine:
1./ Quantos módulos deverão ser utilizados?
2./ Como deve ser feita a associação desses
módulos?

184
Resposta
1./ 30 módulos
2./ Ligam-se os módulos em série 2 a 2 e as 15
unidades assim ligadas deverão ser associadas
em paralelo.
Justificação
1./ 1377 Wc/47 Wc=29,3 pelo que o número
de módulos a usar deverá ser de 30. Com 30
módulos o sistema dispõe de uma potência de
30*47=1410 Wc que é um valor superior ao
das necessidades diárias.
2./ Ligando os módulos em série 2 a 2, obtêm-
se 15 unidades de 24 V, o que corresponde à
tensão nominal desejada. A ligação em
paralelo destas unidades, permitirá a adição
das correntes por forma a atingir a potência de
1410 Wc.

185
O conjunto encontra-se representado na figura seguinte:

186
Dimensionamento do armazenamento e do regulador

autores : Lucie Petillon, Jean-Charles Herant,


Arnaud Davigny, Christophe Saudemont
realização: Lucie Petillon, Jean-Charles Herant,
versão portuguesa : Maria José Resende
 

187
Autonomia sem apoio solar

Denomina-se "autonomia sem apoio solar" ao


número de dias, Nja, durante os quais a bateria
pode alimentar sozinha toda a instalação em
qualquer período do ano.
Para se poder estimar a autonomia do sistema
completo, deverão conhecer-se os dados
meteorológicos do local em causa.

188
Cálculo da capacidade da bateria

A capacidade nominal para um funcionamento de Nja dias e uma necessidade eléctrica diária
de Bj é de :
Cu = Nja * Bj
Ou seja  : capacidade útil da bateria (Ah) = nº de dias de autonomia sem apoio solar*
necessidades diárias (Ah)
A capacidade útil Cu não é a capacidade nominal C20 (para uma descarga de 20h a 25°C),
mas sim a capacidade real disponível a qualquer momento. Para calcular a potência nominal
em função desta capacidade desejada, deve ter-se em conta a temperatura e/ou o limite de
descarga autorizada.
Limite de descarga
Uma bateria não deve ser descarregada para além de um certo limite, sob pena de a
danificar.
Uma bateria que esteja carregada a 70% está com uma profundidade de descarga de 30%
(PD = 0,3).
Na prática, para um uso normal e na ausência de problemas de temperatura, admitir-se-á um
limite de PD = 0.7 a 0.8 segundo os modelos de baterias: considera-se 0.7 para as baterias
que suportam um reduzido número de ciclos e 0.8 para baterias com elevado número de
ciclos. Se é esperado que a bateria cumpra um número de ciclos superior ao seu normal, é
admissível diminuir PD para que se disponha de uma duração de vida superior. Pelo
contrário, se é reduzida a probabilidade de descarga da bateria, pode admitir-se PD = 0.9 ou
mesmo 1. 189
Efeito da temperatura
Se é esperada uma reduzida temperatura de funcionamento da instalação, esta vai ser a
principal causa de redução de capacidade, uma vez que os processos de carga e
descarga de uma bateria se processam mais lentamente a baixas temperaturas.
Para determinar a redução de capacidade resultante, é necessário ter conhecimento das
curvas de carga e descarga a diferentes temperaturas, normalmente fornecidas pelo
fabricante da bateria. Em função da temperatura mínima a que o sistema pode
funcionar, estas curvas permitem a determinação do coeficiente de redução de
capacidade por influência da temperatura (RT).
Cálculo da capacidade atendendo aos coeficientes de redução
Tomando em consideração os fenómenos causados pela temperatura e pela
profundidade de descarga máxima, a capacidade nominal da bateria é calculada através
de:
C20 = C / [PD * RT] = [Nja * Bj] / [ PD * RT]
Ou seja  : capacidade nominal C20 (Ah) = nº de dias de autonomia sem apoio solar (dias)
* necessidades diárias (Ah/dia) / profundidade de descarga máxima / coeficiente
redutor por temperatura.

190
Escolha do tipo de bateria

A utilização de uma bateria vai permitir


minorar os problemas derivados das variações
climatéricas, numa escala que pode variar de
alguns minutos até alguns dias. A escolha da
bateria depende de um certo número de
parâmetros tanto de ordem técnica como
económica. Deve ainda referir-se que, de entre
todos os componentes do sistema fotovoltaico,
a bateria é o componente menos durável; a
sua substituição é anterior à dos painéis.

191
Dimensionamento do regulador

Escolha da tecnologia
Um regulador de carga protege a bateria contra
sobrecargas, mas não evita eventuais problemas de
descarga que possam surgir; este tipo de regulador é
suficiente nos casos em que não exista risco de
descarga acidental.
Um regulador de carga-descarga é o mais indicado
para a maior parte das instalações domésticas, pois os
utilizadores podem ultrapassar os consumos previstos.
Será útil deslastrar uma parte das cargas para permitir
a recarga da bateria.
A escolha da tecnologia do regulador, "shunt", série ou
MPPT, é feita em função da potência do sistema e do
tipo de bateria a carregar. O regulador "shunt" que
dissipa a energia dos painéis em caso de sobrecarga
da bateria, está melhor adaptado aos sistemas de
menor potência, enquanto o regulador série se aplica
mais a sistemas de maior potência.

192
Dimensionamento
Uma vez identificada a melhor tecnologia, o dimensionamento do regulador deverá
atender aos seguintes factores:
- tensão nominal (12, 24 ou 48 V DC) : deverá ser a mesma do sistema completo (após
associação dos módulos)
- corrente à entrada: é a corrente máxima debitada pelos módulos e que o regulador
deverá ser capaz de suportar.
E para os reguladores que também asseguram uma protecção de descarga:
- corrente de saída: é a corrente total máxima consumida pelas diversas cargas
simultaneamente.
Do ponto de vista da segurança, podem ainda ser escolhidas certas opções que, não
sendo indispensáveis, são altamente recomendadas:
- uma sonda de temperatura independente, caso o regulador e a bateria não estejam
sujeitos à mesma temperatura ambiente.
- uma medição independente da tensão, caso a bateria e o regulador estejam
fisicamente distantes um do outro.
- uma medição da tensão da bateria e da corrente de saída do sistema, para uma boa
monitorização da instalação.

193
Cablagem

Após a fase de definição do sistema, há que


proceder ao dimensionamento da cablagem.
autores : Lucie Petillon, Jean-Charles Herant,
Arnaud Davigny, Christophe Saudemont
realização : Lucie Petillon, Jean-Charles Herant
versão portuguesa : Maria José Resende

194
Após a fase de definição do sistema, há que proceder ao
dimensionamento da cablagem pois as quedas de tensão nos cabos
podem ser muito penalizadoras.
Também há que garantir que a secção dos cabos utilizados é
compatível com cada um dos componentes do sistema.
É necessário efectuar um esquema eléctrico global da instalação, antes
de calcular as secções dos cabos. Para isso, há que saber exactamente
o local físico de implantação dos componentes, de forma a reduzir as
diatâncias entre os componentes do sistema fotovoltaico.
Para a escolha da secção dos cabos, pode recorrer-se ao cálculo da
queda de tensão num condutor através da lei de Ohm:
dV = R*I sendo R = ρ*(l/s)
com : R = resistência (Ω)
I = comprimento do cabo (m)
s = secção (mm²) do condutor
ρ = resistividade do material de que é feito o condutor (cerca de 20 mΩ
*mm²/m para o cobre).
 

195
Exercício : Casa de montanha

Caso de uma habitação isolada


Normalmente, este tipo de habitação está longe das linhas eléctricas tradicionaise a
insolação apresenta valores razoáveis. Um sistema fotovoltaico é o indicado para se
dispor de um mínimo de conforto.

autores : Lucie Petillon, Jean-Charles Herant,


Eglantine Marescot du Thilleul, Arnaud
Davigny, Christophe Saudemont
realização : Philippe Vanuxem, François Le
Floch
versão portuguesa : Maria José Resende
 

196
I . Localização e necessidades

O "chalet" está situado a 1500m, altitude 47°.


(France-Jura-St Claude ou Suisse-Canton des
grisons-Chur ou Autriche-Bregenz). A fachada
sul goza de uma boa exposição solar.
O "chalet" é habitado durante o fim de semana
por uma família de 4 pessoas, regularmente
durante todo o ano.
A rede de distribuição eléctrica encontra-se a 5
km.
O cálculo será baseado nos dados
meteorológicos de uma altitude de 1590m.
Conceito : realizar uma instalação modesta,
tanto para reduzir os custos de investimento
quanto para preservar o carácter rústico da
habitação.

197
Exercício 1 : Cálculo da iluminação
Existem 4 pontos luminosos de 13 W e 12 V
nos diversos compartimentos da casa.
Qual é o consumo E em amperes hora para um
período de 3 horas durante o verão?
Refaça o cálculo para um período de 6 horas
no inverno?

198
Resposta 1
No verão: 3h de iluminação : E = 4*13*3/12 =
13 Ah a 12 VDC
Resposta 2
No inverno: 6h de iluminação : E = 4*13*6/12 =
26 Ah a 12VDC
Justificação
E= consumo num dado período de tempo
E=I*N em Amperes hora para uma duração de
N horas. A potência P pode exprimir-se em
função de I e U : P = U*I pelo que será I = P/U.
Assim, E = P*N / U No verão: 4 lâmpadas *
potência da lâmpada 13 W* 3 h de
iluminação / Tensão de 12 V No inverno: 4
lâmpadas * potência da lâmpada 13 W* 6 h de
iluminação / Tensão de 12 V

199
Exercício 2 : Cálculo do abastecimento de
água
Nas proximidades do "chalet" existe uma fonte
natural e vai utilizar-se uma bombagem para
que os utilizadores possam ter água corrente
nas torneiras.
Para um débito de 10 l/min, a bomba consome
6A a uma tensão de 12V. Como existem 4
pessoas e estima-se um consumo de 100
l/pessoa e por dia (para higiene pessoal,
confecção de alimentos …)
Quanto tempo vai a bomba funcionar
diariamente?
Qual o consumo de energia eléctrica E durante
esse período de tempo?

200
Resposta 1
A bomba vai funcionar 40 minutos por dia
Resposta 2
E = 4 Ah sob a tensão de 12 V
Justificação
As necessidades são de 400 l/dia. Para um
débito de 10 l/min, 400/10 = 40 minutos
E=I*N=6A*40/60=4 Ah a 12V e 40/60 para
converter em horas.

201
Exercício 3 : Cálculo da produção de frio
Para conservar os alimentos durante a
permanência dos ocupantes, é usado um
frigorífico de 110 litros com um bom
isolamento térmico e alimentado em DC. O
frigorífico só será usado durante o verão, uma
vez que durante o inverno é utilizado o
exterior, onde a temperatura não ultrapassa
5°C .
O frigorífico possui um compressor de 70W e
consome 300 Wh/dia.
Qual é o consumo diário E de produção de
frio?

202
Resposta
A 12 V, E=25 Ah por dia unicamente no verão
Justificação
Basta converter a unidade do consumo: W =
V*A.
300 Wh/dia = 300 VAh/dia, pelo que, para
obter Ah/dia basta dividir pelo valor da tensão
U = 12 V. E = 300/12 Ah/dia = 25 Ah/dia

203
Exercício 4 : Televisão
Para evitar a compra de um televisor
alimentado em DC, vai utilizar-se um modelo
comercial de 230 V AC e de 90 W. Está previsto
alimentá-lo através de um pequeno ondulador
de 90% de rendimento, que será ligado
simultaneamente com o televisor.
Para uma utilização diária de 4h:
Qual é o consumo E para esse período de
tempo?

204
Resposta
E=33.3Ah por dia
Justificação
Ptv=90W, U=12V, N=4 horas e h =0.9
h =Ptv/Pcon pelo que será; Pcon=Ptv/ h
=90/0.9=100W
E=I*N=(Pcon/U)*N=(100/12)*4=33.3 Ah por
dia

205
Exercício 5 : Consumos eléctricos do "chalet"
Para obter os consumos médios que nos vão permitir definir os painéis, há que ter em
conta que o "chalet" só é ocupado 2 dias por semana:
Faça a síntese dos consumos eléctricos, preenchendo a tabela seguinte:

Verão em Ah/dia Inverno em Ah/dia


Iluminação    
Água    
Refrigeração    
Televisão    
CONSUMO TOTAL    

Qual é o consumo médio diário numa semana


de verão e numa de inverno?

206
Resposta 1

Resposta 2
Consumo médio diário no verão: E=21.5 Ah
Consumo médio diário no verão: E=18.1 Ah
Justificação
E=75.3*2/7 com 75.3Ah é o consumo total
diário no verão;
E=63.3*2/7 com 63.3Ah é o consumo total
diário no inverno

207
II . Escolha dos equipamentos
Conselhos de um instalador eléctrico:
Os componentes fotovoltaicos são relativamente « standards », disponíveis a uma boa
relação qualidade/preço:
•  Módulos fotovoltaicos 50 Wc-12V em silício policristalino de dimensões 800*630 mm
produzindo 3 A/16.5V.
•  Baterias de chumbo abertas « solares » de placas de 220 Ah-12V, as maiores de 12V
deste tipo. A sua principal desvantagem é a de oferecer um relativamente baixo número
de ciclos, 250 a 80% de descarga, o que não é crítico neste caso: mesmo admitindo um
ciclo por fim de semana, a sua duração de vida será da ordem dos 5 anos, o que é
razoável.
Com base nestes pressupostos vão dimensionar-se dois sistemas: um mais económico e
outro mais confortável.
O sistema mais confortável é composto por:
4 módulos fotovoltaicos 50Wc-12V
1 bateria de chumbo aberta solar de 220 Ah-12V
1 regulador carga-descarga tipo série 20 A-12V
1 ondulador tipo TV de 400 VA
8 lâmpadas economizadoras de energia de 13 W a 230 V AC
Preço total=3290 euros sem contar com o televisor, frigorífico, acessórios de montagem e
instalação.
  208
Exercício 6  : Solução com 3 painéis : Sistema económico
  O sistema económico é composto por:
3 módulos fotovoltaicos 50 Wc-12V acima descritos
1 bateria de chumbo aberta solar de 220 Ah-12V
1 regulador carga-descarga tipo série 20 A-12V
1 ondulador type TV de 400 VA
8 lâmpadas fluorescentes a 12 V DC
Preço total destes componentes: 2380 euros sem contar com o televisor, frigorífico,
acessórios de montagem e instalação
 Para uma exposição a 60°Sul, a incidência solar recebida é de de 3 kWh/m².dia no inverno e
de 4 kWh/m².dia no verão.
Qual é a produção energética diária no inverno?
Qual é a produção energética diária no verão?
Comparar com o consumo previsto.
Calcular os coeficientes de perdas no inverno e no verão.
Teça considerações sobre a produção efectiva tendo em conta perdas por sujidade do painel
da ordem de 10% e um rendimento de 80% para a bateria.

209
Resposta 1
Produção no inverno E=27 Ah/dia
Resposta 2
Produção no verão E=36 Ah/dia
Resposta 3
A produção energética é ligeiramente excedentária
Resposta 4
cph=0.67 e cpe=0.6 (com cph : coeficiente de perdas no inverno e cpe : coeficiente de
perdas no verão).
Resposta 5
Se a sujidade não induzir perdas superiores a 10% e se a bateria apresentar um
rendimento igual ou superior a 80% 80%, o coeficiente de perdas em corrente sera de
0.72.
Cálculo: (27 Ah/dia – 10%)*80%=19.44=72% de 27 Ah/dia ou seja 0.72 idem para o verão
A produção efectiva será então de 19.5Ah (=27*0.72) no inverno e 26Ah (=36*0.72) no
verão.
Justificação
Produção no inverno : E = nº painéis*Ne*I E = nº painéis*(Esol/1000)*I
E = 3*(3000/1000)*3 = 27 Ah/dia
Produção no verão : E = 3*(4000/1000)*3 = 36 Ah/dia
Inverno: conso=18.1 > prod=27 ; Verão: conso=21.5 > prod=36
No inverno, cph=18.1/27=0.67 e no verão, cpe=21.5/36=0.6
210
Exercício 7  : Solução com quatro painéis : Sistema mais confortável
 
O sistema é composto por:
4 módulos fotovoltaicos 50 Wc-12V descritos acima
1 bateria solar aberta de chumbo de 220 Ah-12V
1 regulador carga-descarga série 20 A-12V
1 ondulador tipo TV de 400 VA
8 lâmpadas economizadoras de energia de 13 W a 230 VAC
Preço total destes componentes: 3290 euros sem contar com o televisor, frigorífico,
acessórios de montagem e instalação
Para uma exposição a 60°Sul, a incidência solar recebida é de de 3 kWh/m².dia no inverno e
de 4 kWh/m².dia no verão. Admitindo a solução de 4 painéis :
Qual é a produção energética diária no inverno, tendo em conta o coeficiente de perdas de
corrente de 0.72?
Qual é a produção energética diária no verão, tendo em conta o coeficiente de perdas de
corrente de 0.72?
Qual é o excedente relativamente às previsões?
O que pode concluir?

211
Resposta 1
Produção diária no inverno E=26 Ah/dia
Resposta 2
Produção diária no verão; E=34.5 Ah/dia
Resposta 3
Excedente de 7.9 Ah/dia no inverno e de 13 Ah/dia no verão;
Resposta 4
o sistema de 4 painéis será largamente excedentário: é um dos seus objectivos, oferece
uma boa margem para que os ocupantes possam dispor de mais energia.
Justificação
Produção no inverno E=4*3A*0.72*3h/dia uma vez que 4 é o número de painéis * a
intensidade de corrente deste módulos I=3A * coeficiente de perdas em corrente cpc=0.72*
Ne(h/dia)=Esol/1000=(3000Wh/m².dia)/(1000W/m²))
Produção no verão E=4*3A*0.72*4h/dia uma vez que 3 é o número de painéis * a
intensidade de corrente deste módulos I=3A * coeficiente de perdas em corrente cpc=0.72*
Ne(h/dia)=Esol/1000=(4000Wh/m².dia)/(1000W/m²))
Produção inverno = 26 Ah/dia > Consumo inverno = 18.1 Ah/dia
Produção verão = 34.5 Ah/dia > Consumo verão = 21.5 Ah/dia

212

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