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C IA N A S O C I ED A DE

A INTO LE R Â N
BRAS IL E I R A AT U A L

FA . MIL E NE GA SPARINI
PRO
A intolerância é um assunto que cerca nosso
cotidiano nos dias atuais.

As pessoas não sabem conciliar liberdades individuais


e liberdades que envolvem um grupo em sua
totalidade.
A intolerância, seja de qualquer espécie - étnica, religiosa, por
opção sexual ou política - fere a Declaração Universal dos
Direitos Humanos.

Por isso, todo tipo de preconceito deve ser combatido para, no


futuro, haver uma sociedade mais igualitária e livre.

Há intolerância no mundo todo, contudo, o Brasil merece certo


destaque nesse contexto, pois é um país plural, com diversas crenças
e etnias, que mantém tratamento degradante a tantos grupos.

.
No caso do preconceito étnico/racial, este está vinculado à
submissão do negro ao branco desde a época do Brasil
Colônia e perdura até os dias atuais, visto que os negros ainda
buscam seu lugar na sociedade.

Essa intolerância prejudica a todos, pois provoca atraso no


desenvolvimento do país na medida em que esses indivíduos
são humilhados e excluídos com frequência.
Além disso, as religiões Candomblé e Umbanda, trazidas ao
Brasil pelos africanos escravizados, também são motivo de
intolerância.

Isso ocorre porque seus praticantes são tratados,


pejorativamente, como "macumbeiros" e sofrem constantes
agressões físicas e morais por parte de outras crenças que
impõem sua religião como a única e verdadeira.

Tal fato impede a liberdade de manifestação religiosa prevista


em lei.
Menina é apedrejada na saída de culto de candomblé no Rio
A ocorrência foi registrada como lesão corporal e prática de discriminação religiosa
6/06/2015

Uma menina de 11 anos foi ferida por uma pedra na cabeça ao deixar um
culto de candomblé na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Segundo
testemunhas, a menina foi atacada por evangélicos e foi vítima de
intolerância religiosa. Com a pedrada, a jovem chegou a desmaiar e perder
momentaneamente a memória
Os autores da pedrada, que seriam dois homens, conseguiram fugir. Pouco
antes da agressão, eles teriam xingado e provocado os adeptos do
candomblé que estavam com a menina.
Um protesto contra intolerância religiosa reuniu diversas pessoas neste
domingo (21), no Largo do Bicão, na Vila da Penha, Zona Norte do Rio de
Janeiro. O ato, que agrupa fiéis de diferentes religiões, foi realizado após a
menina Kailane Campos, de 11 anos, candomblecista, ter sido apedrejada na
saída de um culto.
O Rio reage contra a intolerância
Agressão a uma menina de 11 anos revelou fragilidade da convivência entre credos

O Rio de Janeiro é o segundo Estado menos religioso do Brasil, mas


também o que tem maior proporção de praticantes de religiões afro-
brasileiras do país: 1,61% dos fieis, segundo um levantamento da
Fundação Getúlio Vargas, enquanto no território nacional só 0,35% da
população se declara como tal.

Os rituais da Umbanda e do Candomblé, como as oferendas à deusa do


mar Iemanjá, foram a origem de costumes, hoje, tão próprios dos cariocas,
como a festa do réveillon na praia de Copacabana, que atrai milhões de
pessoas todos os anos para saudar a orixá na virada.
Mas a convivência entre credos é frágil na Cidade Maravilhosa.
Liberdade religiosa é direito constitucional dos cidadãos
Estado laico visa assegurar que nenhuma prática religiosa seja favorecida

Todas as expressões religiosas devem ser igualmente respeitadas e protegidas,


assim como a opção de não ter nenhuma religião", afirmam a ministra da Mulher,
da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, e o secretário Nacional de
Proteção Global, Sérgio Augusto de Queiroz, em nota oficial.

Segundo o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),


existem 40 grupos religiosos no país.

Naquele ano, 64,6% dos brasileiros se declararam católicos. Outros 22,2% se


disseram evangélicos e 2% eram espíritas. O levantamento ainda registrou que
0,3% eram seguidores da umbanda e do candomblé. 
Essa diversidade demanda que o respeito à crença religiosa seja a tônica das
relações sociais.
O que diz a lei sobre a intolerância religiosa?

A discriminação motivada por religião é considerada crime no Brasil.

A Lei 9.459/2007 pune com multa e até prisão de um a três anos quem


zombar ou ofender outra pessoa por causa do credo que ela professa ou
impedir e atrapalhar cerimônias religiosas.

Nesses casos, não cabe sequer o pagamento de fiança para que o acusado
responda ao processo em liberdade.
Além disso, esse tipo de crime não prescreve. Desse modo, os acusados
podem ser responsabilizados independentemente da data da denúncia.
 O que significa a expressão "intolerância religiosa"?

Esse conjunto de discursos de ódio e práticas ofensivas contra seguidores de


determinado segmento religioso ou aos elementos, deuses e entidades. Há casos
que envolvem não só violência psicológica e física, mas também perseguições. O
preconceito por conta da religião vai de encontro à liberdade e à dignidade, já que
cerceia o direito dos cidadãos de expressar seus credos.

 O que é o preconceito religioso?

É quando as pessoas são humilhadas por causa da religião que seguem. Em 2017,
o Disque 100 recebeu 537 denúncias de intolerância religiosa. O mecanismo para
registro de ocorrências funciona 24 horas por dia e recebe as denúncias via
telefone e internet. Quando há violência nessas agressões, o artigo 208 do Código
Penal prevê que a pena para os condenados seja ampliada em um terço.
 O que a Constituição fala sobre religião?

O artigo 5º da Constituição Federal, que descreve os direitos fundamentais dos


cidadãos, especifica que a liberdade de consciência e de crença não pode ser
violada. Desse modo, a lei garante que o culto religioso é livre para todos os
brasileiros. Por isso, os locais considerados sagrados para cada credo e os
símbolos e elementos religiosos devem ser protegidos.

 O que é liberdade de expressão religiosa?

É o direito de exercer livremente sua religião, em um ambiente de respeito às


diversas crenças, religiões, ritos e símbolos sagrados. Por isso, em 21 de janeiro é
celebrado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data marca
justamente a luta para que a expressão religiosa possa ocorrer sem qualquer tipo
de constrangimento. Isso porque, nos anos 2000, a Iyalorixá Mãe Gilda morreu
vítima de um infarto, após o terreiro comandado por ela ser atacado e outros
seguidores agredidos.
 O que diz o governo sobre intolerância religiosa?

Para a ministra Damares Alves, é preciso "fortalecer e dar visibilidade às mais


diversas crenças e convicções". A ministra ressaltou ainda, por meio de nota, a
diversidade cultural do país, que abriga várias manifestações religiosas, que devem
ser protegidas.

Entre as primeiras ações do novo governo para o setor, houve a sanção pelo
presidente da República, Jair Bolsonaro, da Lei 13.796/2019. A medida garante aos
estudantes o direito de se ausentar da sala de aula em dias em que sua religião não
permita a realização de atividades.
Desde 2017, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já segue esse modelo: as
provas são aplicadas em dois domingos consecutivos, em vez de acontecerem em
um único fim de semana. Assim, os candidatos sabatistas não precisam mais
esperar o pôr do sol para iniciar a resolução das questões.
Fonte: Governo do Brasil
O preconceito atinge todos os credos, inclusive os que não creem em nada:
os ateus
O preconceito contra ateus é um dos mais fortes e massivos da sociedade brasileira,
afirmação comprovada por uma pesquisa encomendada pela revista Veja e realizada pela
CNT/Sensus. Ela revela que 84% dos brasileiros votariam em um negro para presidente,
57% em uma mulher, 32% em um homossexual, mas apenas 13% votaria em uma pessoa
que não acredita em Deus. A pesquisa mostrou que, apesar de consideradas as "minorias"
mais discriminadas, os negros, as mulheres e os homossexuais são menos rejeitados que
os ateus. Eliane Moura Silva, professora do departamento de história da UNICAMP, afirma
que o resultado da pesquisa confirma que "o brasileiro ainda entende o ateu como alguém
sem caráter, sem ética, sem moral".

É isso que leva ao fato de quase não existirem políticos declaradamente ateus, e a tantos
afirmarem com convicção que são tementes a Deus.
Intolerância étnica
A intolerância étnica não é o racismo ou o preconceito ou a discriminação

Essa intolerância é uma atitude de violência, física ou simbólica, baseada na


negação do sujeito, de sua pessoa e de sua identidade, por este pertencer a um
grupo étnico determinado.
Percebe-se, na história, que vários povos e grupos étnicos sofreram
discriminação e intolerância.

A tolerância é uma atitude de respeito ao direito à diferença previsto na Legislação


dos Direitos Humanos e na Constituição Federal. Por oposição, a intolerância
seria não aceitar a diferença, porém, isso pode ocorrer de várias maneiras.
Assim, a discriminação ocorre no tratamento desigual entre as pessoas de
diferentes grupos étnicos e a intolerância como a atitude violenta contra pessoas
por motivação étnico-racial.
Os geneticistas descobriram que a constituição genética de todos os
indivíduos é semelhante o suficiente para que a pequena porcentagem de
genes que os distinguem (que incluem a aparência física, a cor da pele etc.)
não justifique a classificação da sociedade em raças. Essa pequena
quantidade de genes diferentes está geralmente ligada à adaptação do
indivíduo aos diferentes meios ambientes. (SPINELLI, 2013).

A construção relativa às ideias de raça são feitas ao longo da história


humana. E o preconceito associado a essa ideia, o racismo, surge antes
desse conhecimento biológico e deriva da discriminação construída
socialmente a partir das ideias de superioridade entre povos e etnias. A etnia
é diferente da ideia de raça, pois leva em consideração também todos os
caracteres culturais e sociais de um determinado grupo social. Apesar de a
raça não existir, o racismo é uma atitude de preconceito real e combatida por
lei.
A intolerância racial se baseia nas construções ideológicas do racismo para
justificar suas ações de violência. A busca de uma teoria das raças, em que
algumas raças humanas seriam mais desenvolvidas que outras, legitimaria ações
de violência, subordinação, objetificação, exclusão etc.

A intolerância racial não aceita a existência da diversidade humana

A intolerância racial se baseia na não aceitação da diferença e na tentativa


de supressão do diferente, enquanto os discursos de afirmação de direitos
se baseiam na convivência e harmonia das diferenças enquanto
características humanas.

Assim, a intolerância racial é uma manifestação violenta de preconceitos


contra pessoas baseadas nas diferenças étnicas.
Lei que torna racismo crime completa 30 anos, mas ainda há muito a se fazer
Assinada em 5 de janeiro de 1989, pelo então presidente da República, José Sarney, a lei passou a ser
conhecida pelo nome de seu autor, o ex-deputado Caó. Especialistas defendem mudanças na educação
05/01/2019

  Havia o tempo em que os negros eram


livres. Então surgiu a escravidão. Depois
veio a liberdade. Mas aí brotou o
preconceito.
Surgiu, assim, um tempo em que
discriminar as pessoas por causa da cor
da pele era socialmente aceito e, aos
olhos da Justiça, apenas uma
contravenção penal.
Para tentar pôr um fim a isso, há exatos
30 anos, surgiu a Lei 7.716 que define os
crimes de racismo.
Assinada em 5 de janeiro de 1989, pelo então
presidente da República, José Sarney, a lei
passou a ser conhecida pelo nome de seu
autor, o ex-deputado Caó.

Carlos Alberto Caó de Oliveira era jornalista,


advogado e militante do movimento negro.
Nascido em Salvador, mudou-se para o Rio de
Janeiro, estado pelo qual, em 1982, elegeu-se
deputado federal. Como constituinte, Caó
regulamentou o trecho da Constituição
Federal que torna o racismo inafiançável e
imprescritível.
Depois, lutou para mudar a Lei Afonso Arinos,
de 1951, que tratava a discriminação racial
como contravenção.
Morreu em fevereiro de 2018, aos 76 anos.
A Lei Caó define punição para "os crimes resultantes de discriminação ou
preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional".

Entre esses crimes, estão impedir o acesso de uma pessoa devidamente


habilitada a um cargo público ou negar emprego na iniciativa privada, o que
podem render pena de dois a cinco anos de reclusão.

Também são tipificadas como crimes ações como impedir inscrição de aluno
em estabelecimento de ensino, recusar hospedagem em hotel ou similar,
recusar atendimento em bares ou restaurantes e até recusar atendimento em
barbearias.

Atitudes tão impensáveis que parecem ter ficado no século passado, mas,
infelizmente, não.
Embora celebrem a criação da lei, especialistas ressaltam que ela demorou a ser
criada.

“Demorou a haver o entendimento de que era necessário um dispositivo legal


para coibir essas práticas. O Brasil deixou de ser escravocrata há 130 anos e a
lei está completando 30. Ou seja, há uma lacuna de 100 anos”, avalia a
professora de educação básica e autora do projeto "Mulheres Inspiradoras",
Gina Vieira.

"O ganho mais importante dela é o pedagógico. Existe o mito da democracia


racial, de que nós não somos um país racista, de que o racismo é velado. Para os
negros, ele nunca foi velado, porque acontece diuturnamente. A lei mostrou que
o Brasil é, sim, um país racista e precisa de ações efetivas para lidar com isso",
acrescenta.
Mais mudanças

Após a Lei Caó, o Brasil teve outras legislações importantes na luta para combater
a discriminação racial. Entre elas, o Estatuto da Igualdade Racial, lei sancionada
em julho de 2010 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo objetivo é
"garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa
dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e
às demais formas de intolerância étnica".

Outra mudança na legislação, mais polêmica, foi a criação das cotas raciais.
Sancionada em agosto de 2012 pela ex-presidente Dilma Rousseff, foi implantada
para regular uma prática que já era adotada em algumas instituições, como a
Universidade de Brasília (UnB), pioneira na adoção das cotas raciais.
A lei reserva uma quantidade de vagas em universidades federais para negros e
indígenas, proporcional ao número de negros e indígenas na unidade da
Federação em que a instituição está instalada.
Atualmente, diversos projetos de lei relacionados ao racismo estão em tramitação
no Congresso Nacional.
No Senado, um deles quer incluir a motivação por racismo como agravante para os
crimes previstos no Código Penal.
Já na Câmara, há propostas para coibir o racismo em eventos esportivos, para
igualar a injúria racial ao racismo, para tipificar o racismo cometido na internet e
até para transformar o racismo em crime hediondo.

A estratégia mais efetiva para combater o racismo é a educação.

O Brasil é um país profundamente racista e que nunca teve uma ação efetiva de
reparação. Por anos, houve um esforço sistemático para embranquecer a
população. Acreditava-se que a razão do atraso era a presença de pessoas negras.

Além disso, tentam apagar o nosso passado escravocrata. 


Proposta aumenta pena para crimes de discriminação e injúria racial
Fonte: Agência Senado

Práticas criminais Penas atuais Penas propostas

Injuriar alguém, ofendendo-lhe a Pena: detenção de um a seis Pena: reclusão de três a cinco
dignidade ou o decoro. meses, ou multa. anos e multa.

Impedir ou obstar o acesso de


alguém, devidamente habilitado, a
qualquer cargo da Administração Pena: reclusão de dois a cinco Pena: reclusão de três a seis
Direta ou Indireta, bem como das anos. anos.
concessionárias de serviços
públicos.

Negar ou obstar emprego em Pena: reclusão de dois a cinco Pena: reclusão de três a seis
empresa privada. anos. anos.
Recusar ou impedir acesso a
estabelecimento comercial, Pena: reclusão de um a três Pena: reclusão de três a cinco
negando-se a servir, atender ou anos. anos.
receber cliente ou comprador.

Recusar, negar ou impedir a


inscrição ou ingresso de aluno
Pena: reclusão de três a cinco Pena: reclusão de quatro a seis
em estabelecimento de ensino
anos. anos.
público ou privado de qualquer
grau.
Impedir o acesso ou recusar
hospedagem em hotel, pensão, Pena: reclusão de três a cinco Pena: reclusão de quatro a seis
estalagem, ou qualquer anos. anos.
estabelecimento similar.

Impedir o acesso ou recusar


atendimento em restaurantes, Pena: reclusão de um a três Pena: reclusão de três a cinco
bares, confeitarias, ou locais anos anos
semelhantes abertos ao público.
Impedir o acesso ou recusar
atendimento em estabelecimentos
Pena: reclusão de um a três anos. Pena: reclusão de três a cinco anos.
esportivos, casas de diversões, ou
clubes sociais abertos ao público.

Impedir o acesso ou recusar


atendimento em salões de
cabeleireiros, barbearias, termas ou
Pena: reclusão de um a três anos. Pena: reclusão de três a cinco anos.
casas de massagem ou
estabelecimento com as mesmas
finalidades.
Impedir o acesso às entradas
sociais em edifícios públicos ou
Pena: reclusão de um a três anos. Pena: reclusão de três a cinco anos.
residenciais e elevadores ou escada
de acesso aos mesmos.
Impedir o acesso ou uso de
transportes públicos, como aviões,
navios barcas, barcos, ônibus, trens, Pena: reclusão de um a três anos. Pena: reclusão de três a cinco anos.
metrô ou qualquer outro meio de
transporte concedido.
Impedir ou obstar o acesso de
Pena: reclusão de dois a Pena: reclusão de três a cinco
alguém ao serviço em qualquer
quatro anos. anos
ramo das Forças Armadas.

Impedir ou obstar, por qualquer


Pena: reclusão de dois a Pena: reclusão de três a cinco
meio ou forma, o casamento ou
quatro anos. anos.
convivência familiar e social.

Praticar, induzir ou incitar a


discriminação ou preconceito Pena: reclusão de um a três Pena: reclusão de três a cinco
de raça, cor, etnia, religião ou anos e multa. anos e multa.
procedência nacional.
Fabricar, comercializar,
distribuir ou veicular símbolos,
emblemas, ornamentos,
Pena: reclusão de dois a cinco Pena: reclusão de três a seis
distintivos ou propaganda que
anos e multa. anos e multa.
utilizem a cruz suástica ou
gamada, para fins de
divulgação do nazismo.

Se qualquer dos crimes


previstos no caput é cometido
por intermédio dos meios de Pena: reclusão de dois a cinco Pena: reclusão de três a seis
comunicação social ou anos e multa. anos e multa.
publicação de qualquer
natureza:

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/06/05/proposta-aumenta-pena-para-crimes-de-discriminacao-e-injuria-racial
Conheça a diferença entre racismo e injúria racial
A injúria racial está prevista no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal, que estabelece a pena
de reclusão de um a três anos e multa, além da pena correspondente à violência, para quem
cometê-la. De acordo com o dispositivo, injuriar seria ofender a dignidade ou o decoro
utilizando elementos de raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou
portadora de deficiência.
Em geral, o crime de injúria está associado ao uso de palavras depreciativas referentes à
raça ou cor com a intenção de ofender a honra da vítima.

Já o crime de racismo, previsto na Lei n. 7.716/1989, implica conduta discriminatória


dirigida a determinado grupo ou coletividade e, geralmente, refere-se a crimes mais
amplos.
Nesses casos, cabe ao Ministério Público a legitimidade para processar o ofensor. A lei enquadra
uma série de situações como crime de racismo, por exemplo, recusar ou impedir acesso a
estabelecimento comercial, impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou
residenciais e elevadores ou às escadas de acesso, negar ou obstar emprego em empresa
privada, entre outros.
Duas em cada dez empresas se recusam a contratar homossexuais no Brasil

Quase 20% das empresas que atuam no Brasil se recusam a contratar homossexuais. A
conclusão é de uma pesquisa da empresa de recrutamento e seleção Elancers, que
entrevistou 10 mil empregadores e mostrou que muitas companhias preferem rejeitar um
candidato gay por temer que sua imagem seja associada a ele.
Cerca de 7% dessas empresas não contratariam homossexuais “de modo algum”, diz o
estudo, enquanto 11% só considerariam a contratação se o candidato jamais pudesse
chegar a um cargo de visibilidade, como o de executivo.
A pesquisa cita a justificativa de uma das recrutadoras entrevistadas, cujo nome foi
preservado: “As empresas rejeitam homossexuais para posições de nível hierárquico
superior, como diretores, vice-presidentes ou presidentes porque esses cargos
representam a organização em eventos públicos e a associação de imagem poderia ser
negativa para a companhia”, diz ela. “Quando falamos de escolas, as restrições a
homossexuais são maiores por várias razões, mas principalmente pelo receio em relação
aos pais dos alunos.”
STF aprova a criminalização da homofobia
(junho 2019)

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, na quinta-feira, 13 de


junho, que a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero
 passa a ser considerada um crime.

Dez dos onze ministros reconheceram haver uma demora inconstitucional


do Legislativo em tratar do tema.
Apenas Marco Aurélio Mello discordou.
Diante dessa omissão, por 8 votos a 3, os ministros determinaram que a
conduta passe a ser punida pela Lei de Racismo (7716/89) que, hoje, prevê
crimes de discriminação ou preconceito por "raça, cor, etnia, religião e
procedência nacional".
Até que o Congresso Nacional aprove uma lei específica, as condutas homofóbicas e
transfóbicas podem ser igualados aos crimes de racismo. Essa foi a tese fixada
pelo plenário do Supremo Tribunal Federal e declarada nesta quinta-feira (13/6/2019). 

Na sessão, a ministra Cármen Lúcia acompanhou entendimento do relator.

"O Supremo foi chamado a se pronunciar sobre a questão por tempo determinado:


enquanto não houver edição de lei por parte do Congresso. A dor tem urgência e 30 anos
não é pouco tempo", disse. 

As entidades defendem que a minoria LGBT deve ser entendida como grupo análogo ao
de "raça social", e os agressores devem punidos na forma do crime de racismo, cuja
conduta é inafiançável e imprescritível.

A pena varia entre um e cinco anos de reclusão, de acordo com a conduta.