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Teoria das Relações Internacionais

Kenneth Waltz
Universidade do Estado do Pará (UEPA)
Bacharelado em Relações Internacionais
Docente: Mayane Bento

Discentes: Ana Clara Corrêa Parente


Mayara Juliana Melo Reis
Laíse Castro Weis
Obra
● Teoria das Relações Internacionais (Theory of International
Politics);
● Kenneth Waltz;
● 1979;
● Elaborar uma teoria que explica os princípios gerais de
comportamento que coordenam as relações entre os Estados.
Um dos fundadores e principais expoentes do
Kenneth Waltz Neorrealismo, ou Realismo Estrutural.

☆ 1924, Michigan ✞ 2013, Washington,


D.C.
● Cientista político e um dos principais estudiosos
de Relações Internacionais;
● Doutorado na Universidade de Columbia (1954);
● Obra: Man, the State, and War: a theoretical
analysis (1959). Classificou as causas guerra em
três níveis de análise (imagens);
● Professor: Universidade da Califórnia e
Universidade de Columbia;

● Obra: Theory of International Politics (1979);


● Prêmio James Madison (1999).
Importância da obra

O livro é considerado um dos grandes representantes do exercício


teórico sobre a realidade internacional. É considerado pela comunidade
de especialistas a obra mais representativa em termos teóricos,
sobretudo, do neorrealismo em Relações Internacionais,
estabelecendo-se como um dos textos paradigmáticos deste campo.
Teorias sistêmicas e reducionistas

● As teorias das Relações Internacionais, quer sejam reducionistas ou


sistêmicas, lidam com acontecimentos a todos os níveis, do
subnacional ao supranacional;

● Elas são classificadas em reducionistas ou sistêmicas de acordo com


a forma como organizam os seus materiais.
Teorias reducionistas
● Uma teoria reducionista é baseada no comportamento das partes;
● As forças internas (elementos de nível nacional ou subnacional)
produzem efeitos externos;
● Ou seja, o sistema internacional é tomado como mera resultante
dos comportamentos e das interações das unidades;
● Logo, a abordagem reducionista defende que o “todo” deve ser
conhecido por meio do estudo de suas partes;
Teorias sistêmicas
● Explicam como a organização de um sistema atua como uma força
que ordena as unidades em interação dentro dele.
● As teorias sistêmicas não reduzem a análise do sistema
internacional ao estudo isolado de suas partes, mas sim na
organização do “todo”, ou seja, nas relações das partes umas para
com as outras;
● Waltz propõe uma abordagem sistêmica da sociedade
internacional estruturada por um princípio de ordenamento
anárquico.
Tradicionalistas X Modernistas

TRADICIONALISTAS MODERNISTAS
● Orientados pela história; ● Orientados pela ciência;
● Enfatizam a diferença estrutural ● Negam a distinção estrutural entre
entre política interna e internacional; política interna e internacional;
● Política interna (nacional): conduzida ● Desconsiderando a diferença
por um conjunto de regras prescritas; contextual da política, então tal
distinção qualitativa entre elas
● Política internacional: conduzida pela
desaparece.
anarquia.
Ordem internacional
Henry Kissingir: ex-secretário de Estado dos EUA, tradicionalista, que
definiu a ordem internacional como:

LEGÍTIMA REVOLUCIONÁRIA
● Aceita pelas grandes potências; ● Rejeitada por uma ou mais
potências;
● Tende para a estabilidade e para
a paz; ● Tende para a instabilidade e para
a guerra.
Crítica a Kissinger:
● Waltz afirma que dizer que Estados estáveis produzem um mundo
mais estável equivale a dizer que a ordem prevalece se a maioria
dos Estados for pacífico;
● Não é possível compreender a política mundial simplesmente
olhando para dentro dos Estados;
● Cada Estado chega a políticas e decide sobre ações de acordo com
seus processos internos, mas as suas decisões são moldadas pela
presença de outros Estados e pelas interações com eles.
Por que uma teoria sistêmica de R.I?
● Uma teoria tem poder explanatório e preditivo;
● Dentro de um sistema, uma teoria explica continuidades. Waltz
ressalta que o que se repete é tão importante quanto o que
muda, visto que a constância da estrutura explica os padrões e
as características recorrentes da vida político-internacional;
● As causas ao nível das unidades e dos sistemas interagem; logo,
a explicação apenas ao nível das unidades é enganadora.
Por que uma teoria sistêmica de R.I?
● A partir do conhecimento das forças no sistema internacional,
pode-se inferir certos aspectos sobre o comportamento esperado
das unidades: como deverão ajustar-se umas às outras se
desejam sobreviver;
● Como a dinâmica de um sistema limita a liberdade das suas
unidades, o seu comportamento e as resultantes dele se tornam
previsíveis;
● Tal análise se baseia no posicionamento das unidades no sistema,
e não nas suas qualidades internas.
Importante
● Waltz destaca que a teoria das Relações
Internacionais, como a história, é escrita pelas
grandes potências. Como em qualquer sistema
baseado no interesse próprio (auto-ajuda), as
unidades de maior capacidade estabelecem o cenário
de ação para os outros e para si mesmos.

Focar nas grandes potências não é perder de vista as


menores. A preocupação com as últimas requer ter
atenção às primeiras.
Estrutura do Sistema
Para Waltz, dentro de uma teoria sistêmica, parte da explicação do comportamento e
das resultantes está na estrutura. Ao considerar estruturas como causas, o autor ressalta
a necessidade de duas distinções de conceituação, das quais utiliza a última, cujas
características são:
●Estruturas são um conjunto de condições constrangedoras; atuam como selecionadoras;
●Não podem ser examinadas ou observadas em funcionamento;
●Moldam agentes e agências e apontam em direção a uma qualidade comum de
resultantes;
●Causas diferentes ➝ mesmo efeitos​
Mesmas causas ➝ consequências diferentes.​
●Afetam indiretamente o comportamento dos sistemas, moldando o seu comportamento,
de duas formas:
1. Socialização dos atores: reagem um ao outro e às tensões produzidas
pelas suas interações (Waltz, p. 108)​
● Encoraja similaridade de atributos e de comportamento;​
● Leva os membros de um grupo à conformidade com suas normas.
A homogeneidade do grupo prevalece;
● Reduz a variedade de comportamentos e resultados.

1. Competição:​...​
● Gera uma ordem cujas unidades ajustam as suas relações através de
suas decisões e atos autônomos;​
● Regulado pela racionalidade dos mais bem sucedidos.
● Incita os atores a acomodarem-se às prática socialmente mais
aceitáveis e com mais êxito;​
● Reduz variedade de comportamentos e resultados.
Em relação à estrutura social...
A estrutura é a componente alargada do sistema que torna
possível pensar o sistema como um todo. “Ao deixarmos de
lado a personalidade dos atores, o comportamento e suas
interações, chega-se a um quadro puramente posicional da
sociedade.” (Waltz, p.115)

1. Durabilidade em relação à variedade das unidades;


2. Aplica-se a domínios de substância diferentes, desde
que a disposição das partes seja similar;
3. Teorias desenvolvidas para um domínio específicos
podem ser aplicadas a outros.
Como a estrutura política interna pode
ser definida?
Segundo Waltz (p.116), a estrutura é definida pela disposição ou o
ordenamento das partes de um sistema. A estrutura não é uma coleção de
instituições políticas, mas em vez disso a forma como estão dispostas.

● Uma estrutura é definida pela disposição das suas partes;


● Apenas as mudanças de disposição são mudanças estruturais;
● Deve ser examinada de forma a estabelecer a distinção entre
expectativas sobre o comportamento e suas resultantes, nos
domínios externo e interno;
● Diferente das constituições formais;
● Moldam os processos políticos.
Como se dá a disposição das partes
dentro da estrutura política interna?
"[...] a definição de estrutura não se abstrai de tudo. [...] A definição
tripartida de estrutura inclui apenas o que é requerido para mostrar como
as unidades de um sistema são posicionados ou organizados.” (Waltz, p.
117 e 118)

1. A ordem interna é ordenada hierarquicamente. Relações de


superioridade e subordinação,
2. Especificação das funções de unidades formalmente diferenciadas,
de acordo com o grau de autoridade.
Exemplo: legislação.
3. Distribuição das capacidades das unidades e mudanças de
posicionamento.
Efeitos da estrutura e os processos
políticos
Os fatores omitidos também são importantes, mas deixados de lado
para que seja possível descobrir os efeitos esperados da estrutura no
processo e do processo na estrutura.
● A estrutura política molda o processo político;
● Dentro de um país: as diferenças de comportamento em partes
diferentemente estruturadas do sistema político;
● De um país para o outro: as similaridades de comportamento em
sistemas políticos de estrutura similar.
● A estrutura política produz uma similaridade no processo e na
atuação, desde que a estrutura dure;
● Similaridade não é uniformidade.
Princípios ordenadores
● As partes dos sistemas políticos internos têm relações de superioridade e
subordinação.
● Igualdade entre os Estados na sistema político internacional.
● As instituições internacionais que têm a capacidade de agir efetivamente
adquirem características dos Estados ou mostram ineficácia caso não
recebam apoio dos Estados influentes.
● A autoridade é expressão da capacidade.
● Analogia a teoria da microeconomia de Adam Smith.
● Os sistemas econômicos e de relações internacionais funcionam de
forma que sua estrutura recompense ou puna comportamentos que são
esperados.
Caráter das unidades
● A anarquia impõe relações de coordenação entre as unidades .
● As estruturas internacionais variam através de uma mudança do princípio
organizador ou da falta dele.
● Waltz usa novamente a analogia com a teoria de Smith para definir e
contrariar a estrutura das relações internacionais.
● Waltz diz que enquanto os Estados mais importantes forem os atores mais
importantes e influentes, a estrutura das relações internacionais será
definida por eles.
● Os Estados estabelecem relações com os atores que não são Estados,
permitindo ou intervindo na elaboração ou existência de regras.
● Afirma que o termo de Estados soberanos é confuso no sistema
internacional.
Distribuição das capacidades
● As partes de um sistema hierárquico estão relacionadas umas com as
outras de forma que são determinadas por sua diferenciação funcional e
amplitude de capacidade.
● As unidade de um sistema anárquico são funcionalmente indiferenciadas,
então elas são primariamente distinguidas pelas suas maiores ou
menores capacidades para desempenhar tarefas similares.
● A estrutura de um sistema muda com as alterações na distribuição das
capacidades entre as unidades.
● Internamente, as partes diferentes de um sistema podem desempenhar
funções semelhantes e internacionalmente unidades parecidas algumas
vezes desempenham funções diferentes.
Distribuição das capacidades
● As definições estruturais lidam com relação de agentes e agências em
termos de organização de espaços e não em termos de acordos e conflitos
que podem ocorrer dentro delas.
● Ao definir estruturas das relações internacionais não é discutido as
características ou as relações dos Estados, mas sim quais expectativas
oferecem segundo o tipo de ordem que prevalece entre eles e as
distribuições das capacidades dentro dessa ordem.
● Assim surge um descrição geral da ordem internacional que é definida em
termos de posicionamento das unidades e não das suas qualidades.
Análise do sistema internacional
Referências
MARTIN, Douglas. Kenneth Waltz, Foreign-Relations Expert, Dies at 88. The New York
Times, 2013. Disponível em:
https://www.nytimes.com/2013/05/19/us/kenneth-n-waltz-who-helped-shape-international-rel
ations-as-a-discipline-dies-at-88.html
. Acesso em: 11 de jan. de 2021.

MEDEIROS, Marcelo de Almeida et al. Clássicos das Relações Internacionais. Editora


Hucitec, 2010.

WALTZ, Kenneth. Theory of International Politics. New York: Random House, 1979. Cap.
4 e 5.
Obrigada!

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