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DIREITO CIVIL

(OBRIGAÇÕES)
5° Período

Prof. GEOVANA DA CONCEIÇÃO


e-mail geovanaadv@brturbo.com.br
Ementa da Disciplina

Teoria Geral das obrigações.


Transmissão das obrigações.
Pagamento. Conseqüências do
inadimplemento das obrigações.
Responsabilidade civil contratual e
extracontratual.
Plano de Ensino

Objetivo Geral:

Conhecer e identificar as espécies de obrigações,


os institutos da transmissão, adimplemento e
extinção e as conseqüências do seu
inadimplemento.

Identificar e conhecer os requisitos da


responsabilidade civil distinguindo a
responsabilidade civil contratual da extracontratual
e seus requisitos.
Conteúdo
UNIDADE 1 –Teoria Geral das Obrigações:

1.1 Conceito, elementos, fontes e divisão;


1.2 Espécies de obrigações: obrigação de meio e
obrigações de resultado;
1.3 Obrigações de dar: coisa certa e coisa incerta,
obrigações pecuniárias;
1.4 Obrigações de fazer e não fazer;
1.5 Obrigações alternativas e facultativas;
1.6 Obrigações divisíveis e indivisíveis;
1.7 Obrigações solidárias
1.8 Outras modalidades de obrigações
Conteúdo

UNIDADE 2 – Transmissão das Obrigações

2.1 Transmissão
2.2 Adimplemento
2.3 Extinção das Obrigações
2.4 Cessão de crédito
2.5 Assunção de dívida
Conteúdo
UNIDADE 3 – Pagamento
3.1 Pagamento por consignação;
3.2 Pagamento com sub-rogação;
3.3 Imputação de pagamento;
3.4 Dação em pagamento;
3.5 Novação;
3.6 Compensação;
3.7 Compromisso;
3.8 Confusão;
3.9 Remissão;
Conteúdo

UNIDADE 4 – Conseqüência do inadimplemento das


obrigações

4.1 Inadimplemento das obrigações e da mora


4.2 Descumprimento da obrigação;
4.3 Culpa do devedor
4.4 Perdas e danos, juros e cláusula penal
4.5 Arras
4.6 Responsabilidade Civil
Conteúdo

UNIDADE 5 – Responsabilidade civil


contratual e extracontratual

5.1 Indenização
5.2 Culpa objetiva, subjetiva e presumida
5.3 Revisão geral da responsabilidade civil
Estratégias de Ensino
Aulas expositivas dialogadas com utilização de recursos
visuais - data show;

Exercícios de fixação em sala de aula utilizando exemplos


práticos aplicados no Exame da OAB. Estes exercícios
poderão valer nota, mas não haverá possibilidade de
reposição.

Glossário (M2)

Realização de avaliações do conteúdo ministrado.


Avaliações
As avaliações serão divididas da seguinte forma:

ATIVIDADE I: Realização de situações problemas e estudos de casos, de


forma individual ou em dupla, onde será avaliada a participação, assiduidade
do acadêmico e assimilação com a matéria dada em sala de aula.

ATIVIDADE II – Glossário de palavras e expressões usadas na disciplina


mediante consulta a bibliografia indicada.

ATIVIDADE III: PROVA ESCRITA (PROVA LEGAL), individual, composta de


questões discursivas e objetivas com ou sem consulta a codificação não
comentada (a critério da professora).

As datas e horários das provas já estão lançadas no sistema, mas serão


comunicados pela professora com antecedência mínima de uma semana.

Na aula imediatamente a seguir, daquela em que foi realizada a avaliação,


será feita a correção e discussão das questões da avaliação.
Informações Gerais:
1) Para as aulas será obrigatório o uso do Código Civil atualizado.

2) De acordo com o desenvolvimento da disciplina poderão ser alterados os


critérios de avaliação. Porém, caso houver necessidade da mudança, será
negociado com os alunos no início das atividades avaliativas.

3) As reposições de avaliações por falta justificada ao longo do semestre


serão realizadas individualmente, no 17º ou 18º encontro;

4) Não será permitido o uso de celular em sala de aula e nem de


computadores em dia de prova.

5) No mês de Junho/2015 (16 a 22) será realizada a semana de iniciação


científica com apresentação dos trabalhos de conclusão de curso (TIC) é
obrigatória.

6) Este plano poderá sofrer alterações ao longo do semestre.


Bibliografia Básica Sugerida
Outras Regras

Aula: 19h as 22:30h


Chamadas (2 chamadas) – 19:15h e 21:00h
Dia de Prova – horário de chegada – 15 min.
tolerância.
Faltas abonadas (apenas com justificativa)
Provas Perdidas: Obrigatório fazer pedido de
segunda chamada na secretaria – A
reposição será no 18º encontro.
TEORIA GERAL DAS
OBRIGAÇÕES

Plano de Ensino

UNIDADE 1
1. Objeto do Direito das Obrigações

O direito das obrigações tem por objeto determinadas


relações jurídicas que alguns doutrinadores denominam
direitos de crédito e outros chamam direitos pessoais ou
obrigacionais.

Para viver em sociedade, as pessoas necessitam umas das


outras, especialmente para prover às suas necessidades
vitais e sociais.

Para satisfazer essas necessidades, celebram convenções


de diversas naturezas, que estabelecem vínculos entre
elas, mediante o qual limitam sua liberdade, obrigando-se a
uma prestação. (compra/venda)
2. Importância do direito das
obrigações
O direito das obrigações exerce grande influência na vida econômica
das pessoas, em razão principalmente das relações obrigacionais no
mundo do consumo.

Nas relações de consumo (permuta, compra e venda, locação,


arrendamento, etc).

Intervém na produção (aquisição de matéria-prima)

Na distribuição e circulação dos bens (contratos de transporte,


armazenagem, revenda, consignação)

O conteúdo do direito das obrigações é tão vasto, que penetra em


todos os ramos do direito.
3. Relações com as outras
ramificações do Direito Civil
Direito Civil em Geral:

a) pela teoria da capacidade dos sujeitos;

b) pela teoria da propriedade e seus


diversos modos de aquisição;

c) pelos direitos sucessórios que as


transmitem.
Parte Geral do Código Civil:
Direitos da Personalidade e os da Pessoa Natural ou
Jurídica (utilização dos direitos da personalidade,
como a imagem, o nome, o próprio corpo para
fins publicitários, científicos, etc.)

Direito de Família e Sucessões:

A relação se opera aos seus aspectos


patrimoniais, decorrentes por exemplo do
casamento, do parentesco, do poder familiar, do
dever alimentar, transmissão de herança, etc.
Direito das Coisas:

A relação se inicia pela inserção de ambos


no ramo dos direitos patrimoniais. A
influência do direito obrigacional se faz
sentir especialmente no regime das
garantias (penhor, hipoteca, etc.)

Direito dos Contratos:

É neste ramo que o estreitamento das


relações alcança o nível mais íntimo,
constituindo-se estes fonte de obrigações.
4. Evolução da Teoria das Obrigações

No período romano, em sua fase inicial, como se


depreende dos textos bíblicos e doutrinários, que
retratam os costumes e leis da época, o devedor
respondia "pessoalmente" pelas obrigações, ou
seja, com sua liberdade e com sua própria vida.

O compromisso estabelecia o poder do credor


sobre o devedor, que possibilitava, na hipótese de
inadimplemento, reduzir o obrigado a condição de
escravo.
Essa situação transferiu-se da barbárie para os
povos civilizados. A Lei das XII Tábuas, na sua
tábua III, previa a responsabilidade corporal do
devedor.

Tábua III (De aere confesso rebusque jure


judicatis - Da execução em caso de confissão ou
de condenação)

I- Para o pagamento de uma dívida em dinheiro,


confessada pelo devedor e por ela condenado,
tenha ele o prazo de trinta dias para se
desobrigar.

II- Decorrido esse tempo, seja preso o devedor e


levado a presença do magistrado.
III- Não sendo líquida a dívida nesse
momento e nem alguém oferecendo
caução pelo devedor, seja ele preso por
meio de correias com ferros de quinze libras
aos pés, no máximo, podendo ser de
menor peso, de acordo com o credor.

IV- Viva, então,o devedor às suas expensas


e, em caso de não o poder, que o credor
lhe dê uma libra de farinha por dia, no
máximo.
V- Inciso incompleto que determinava que a dívida
fosse apregoada após o prazo de três feiras, no
sentido de haver um meio de remissão.

VI- Terminado esse prazo, o devedor seria morto,


podendo ser cortado em pedaços, na hipótese de
existirem vários credores. Mas a lei admitia também,
o que era mais usual, a venda do devedor a um
estrangeiro, para além do Tibre.

Dava-se, nesses primeiros tempos, excessivo valor


ao formalismo. Mais valia a observância do rito
prescrito, das cerimônias sacramentais, do que o
conteúdo da vontade.
Somente com o advento da Lex Poetelia-Papiria, em 428
aC, que aboliu a execução sobre a pessoa, que o devedor
passou a responder apenas com os seus bens, deixando de
ser a responsabilidade pessoal e passando a ter conotação
apenas patrimonial.

O direito moderno conservou essa noção, consagrada no


Código Napoleão, do direito Francês, cujo art. 2.093 dispõe
que: “les biens du débituer sont le gage commun de ses
creanciers” (“os bens do devedor são a garantia comum de
seus credores”)

No Brasil o Direito das Obrigações foi capitulado já no


Código de 1916.
5. OBRIGAÇÃO
CONCEITO:

O termo "obrigação" veio do latim, obligatio, onde ob


significava sujeição e ligatio dava idéia de vínculo ou
ligação.

CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA, "obrigação é um


vínculo jurídico em virtude do qual uma pessoa pode
exigir de outra uma prestação economicamente
apreciável"
Segundo Barros Monteiro é uma “Relação
jurídica de caráter transitório, estabelecida
entre devedor e credor e cujo objeto
consiste numa prestação pessoal
econômica, positiva ou negativa, devida
pelo primeiro ao segundo, garantindo-lhe
o adimplemento através de seu
patrimônio”.

Transitória: de caráter temporário - com


data para seu término – a perpetuação
traduz servidão humana, escravidão.
Positivas: Prestações de Dar e de Fazer

Negativas: Prestações de Não Fazer

Relação jurídica (negócio jurídico) onde as


partes se obrigam a cumprir determinada
prestação e também adquirem o direito de
exigir o adimplemento destas prestações.
6. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA OBRIGAÇÃO –
SUBJETIVO – IMATERIAL/ESPIRITUAL E OBJETIVO

SUBJETIVO (pessoal) = Sujeito Ativo (credor)


Sujeito Passivo (devedor).

IMATERIAL/ESPIRITUAL = vínculo jurídico


que liga os sujeitos ativo e passivo – retrata
coercibilidade – garante o cumprimento da
obrigação.
6. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA OBRIGAÇÃO –
SUBJETIVO – IMATERIAL/ESPIRITUAL E OBJETIVO

OBJETIVO (material) = o objeto da


prestação – componente material, físico –
sempre de conteúdo econômico – lícito.

Ex.: Contrato de compra e venda de


produtos de contrabando – objeto ilícito –
impossibilidade jurídica.
Sujeitos da Obrigação –
Elemento Subjetivo
O elemento subjetivo da obrigação é duplo:
ATIVO(credor) e PASSIVO (devedor).

Os sujeitos podem ser pessoa física ou jurídica.


Devem ser determinados ou determináveis (ex. título
ao portador, bilhete de loteria). Não podem ser
indetermináveis.

Qualquer pessoa, maior ou menor, capaz ou incapaz,


casada ou solteira, tem qualidade para figurar no pólo
ativo da obrigação – representada quando for
necessário.
O sujeito ativo pode ser individual ou coletivo,
conforme a obrigação.

Pode também a obrigação existir em favor de


pessoas ou entidades futuras ou ainda não
existentes (nascituros, pessoa jurídica em
formação).
OBJETO DA OBRIGAÇÃO – ELEMENTO
OBJETIVO
O objeto da obrigação é sempre uma conduta ou ato
humano: dar, fazer ou não fazer. Se chama
PRESTAÇÃO.

Qualquer que seja a obrigação assumida pelo


devedor, ela se resumirá sempre em prestação (dar,
fazer ou não fazer)

A prestação, para que a obrigação se constitua


validamente deve ser lícita, possível, determinada ou
determinável.

A prestação deve também ser economicamente


apreciável.
Objeto Lícito: é o que não atenta contra a lei,
a moral e os bons costumes.

Objeto possível: é aquele que emana de leis


físicas ou naturais. Configura-se impossível
a prestação que ultrapassa as forças
humanas (colocar o oceano em um copo de
água)

Impossibilidade Jurídica do objeto ocorre


quando o ordenamento jurídico proíbe
expressamente o negócio (cláusula de
inalienabilidade).
Objeto economicamente apreciável, de cunho
patrimonial. Obrigações jurídicas, mas sem
conteúdo patrimonial como o dever de fidelidade
e outros do direito de família são excluídos do
direito das obrigações.

Prestação de Interesse Moral: Também


suscetível de valorização.

A responsabilidade do devedor estende-se a


todo seu patrimônio – exclusão do bem de
família.
VÍNCULO JURÍDICO OBRIGACIONAL –
ELEMENTO ABSTRATO

Vínculo jurídico da obrigação é o liame existente


entre o sujeito ativo e passivo e que confere o
direito do primeiro exigir do segundo o
cumprimento da prestação.

Nasce das diversas fontes do direito obrigacional


(a seguir estudadas) – contratos, declarações
unilaterais e atos ilícitos.

Procura assegurar, em caso de necessidade a


realização coativa da prestação.
7. FONTES DA OBRIGAÇÃO: CÓDIGO CIVIL

Fonte é todo o fato jurídico onde brota o vínculo obrigacional.

O código civil considera expressamente 3 (três) fontes das


obrigações: o contrato, o ato unilateral e o ato ilícito.

Contrato: Acordo entre as partes que possui força obrigatória

Ato Unilateral: Manifestação lícita da vontade individual.

Ato ilícito: é a ação ou omissão voluntária (dolosa), negligente


ou imprudente (culposa) de alguém, que ofende direito, ou
causa prejuízo a outrem – definidos nos arts. 186 e 187 do CC.
8. Distinção entre Obrigação e
Responsabilidade
Contraída a obrigação, duas situações podem
ocorrer: ou o devedor cumpre espontaneamente
ou se torna inadimplente e neste caso seu
patrimônio é atingido.

A obrigação, portanto, resulta da vontade


humana ou do Estado, e deve ser cumprida
espontânea e voluntariamente.

A responsabilidade, é a consequência jurídica


patrimonial do descumprimento da obrigação.
9. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES

9.1 ESPÉCIES DE OBRIGAÇÕES:

Quanto ao seu objeto: 3 (três) modalidades:

DAR (coisa certa e incerta),


FAZER (positivas),
NÃO FAZER (negativas).
Quanto a seus elementos: Simples e Compostas

SIMPLES: Apenas 1 (um) sujeito ativo


(credor) e 1 (um) sujeito passivo
(devedor).

COMPOSTAS (OU COMPLEXAS):


Plularidade de objetos ou de sujeitos
(ativo e passivo)
A obrigações compostas com
multiplicidade de objetos podem ser:
CUMULATIVAS E ALTERNATIVAS

CUMULATIVAS: Objetos ligados – o


cumprimento da obrigação só ocorre pela
prestação de todos eles.

Ex.: Obrigação de entrega de sacas de


arroz, café e milho. Só haverá
cumprimento se forem entregue todas as
sacas.
ALTERNATIVAS: Objetos não somados –
não cumulados – duas ou mais opções de
cumprimento – maior facilidade no
cumprimento.

Ex.: João se compromete a entregar a


Joaquim uma saca de trigo ou uma de
milho. Basta que uma das sacas seja
entregue.
9.2 OUTRAS ESPÉCIES DE OBRIGAÇÕES:

Obrigação com cláusula penal – multa, pena


– caráter acessório – sempre haverá um
contrato principal.

Obrigação de meio – O devedor obriga-se a


fornecer os meios necessários para a
realização de um fim, sem responsabilizar-
se pelo resultado. Ex.: Advogado.
Obrigação de resultado – O devedor há que realizar
determinada finalidade para cumprir sua obrigação.
Ex: Transporte/Viagem pago e Cirurgião Plástico.

Obrigação Civis – resulta do direito civil –


estruturada no direito positivo no campo da
exigibilidade da prestação, em caso de
descumprimento.

Obrigação Natural – resulta do direito natural, no


âmbito moral, restando ao devedor a possibilidade
de cumpri-la, espontaneamente, sem que tenha o
credor o poder jurídico de exigi-la por meio de
ação. Ex.: dívida de jogo e dívida prescrita.
10. OBRIGAÇÃO DE DAR COISA CERTA (Art. 233
CC)

Entrega ou restituição, pelo devedor, de uma


coisa certa, ao seu credor – o devedor que se
obrigou a entregar a coisa certa deve cumprir
sua obrigação de dar.

Ex: Quem se obrigou a vender um carro deve


entregá-lo ao comprador, e o comprador deve
entregar ao vendedor o preço certo. Quem
tomou um livro emprestado deve devolvê-lo.
Não pode haver substituição do objeto – Art. 313 CC “O
credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é
devida, ainda que mais valiosa”.

10.1 Entrega ou restituição do objeto da prestação jurídica – Tem o


devedor o dever jurídico de entregar ou restituir a coisa
determinada no negócio, assim como os seus acessórios.
Acessório segue o principal (Art. 233 CC).

Principal: é o bem que tem existência própria, que existe por


si só.

Acessório: é aquele cuja existência depende do principal.

Tradição: Entrega ou restituição – significa transferência.


Quem entrega é o dono e quem restitui devolve ao dono.
10.2 Tradição como transferência dominial: Não
basta a convenção entre as partes – o domínio
só se adquire com a transferência da coisa.

Art. 237. Até a tradição pertence ao devedor a


coisa, com os seus melhoramentos e
acrescidos, pelos quais poderá exigir
aumento no preço; se o credor não anuir,
poderá o devedor resolver a obrigação.

Parágrafo único. Os frutos percebidos são do


devedor, cabendo ao credor os pendentes.
A tradição/transferência do domínio dos
MÓVEIS faz-se pela entrega do objeto, e
dos IMÓVEIS (terrenos) pela tradição
solene, pelo registro na matrícula do título
aquisitivo no Registro de Imóveis.

Sobre os móveis diz o art. 1.267 do CC


que: “A propriedade das coisas não se
transfere pelos negócios jurídicos
antes da tradição” – não basta a mera
assinatura no contrato – deve haver a
transferência
Sobre os IMÓVEIS diz o Art. 1.245 que:

“Transfere-se entre vivos a propriedade


mediante o registro do título translativo no
Registro de Imóveis.

§ 1o Enquanto não se registrar o título


translativo, o alienante continua a ser havido
como dono do imóvel”

No Direito Brasileiro o contrato, por si só, não basta


para a transferência do domínio. Por ele criam-se
apenas obrigações e direitos. (Vide art. 481 CC)
Acessórios do Objeto (Obrigações de Dar):

PORTANTO: Se antes da entrega, sobrevêm ao


objeto melhoramentos e acrescidos, tem o devedor
direito a exigir aumento no preço.

Se o credor não concordar, poderá o devedor


resolver a obrigação, voltando tudo ao estado
anterior.
No caso da obrigação de RESTITUIR, o artigo 241
faz referência ao art. 238 do CC, e diz que:

Art. 241. Se, no caso do art. 238, sobrevier


melhoramento ou acréscimo à coisa, sem despesa ou
trabalho do devedor, lucrará o credor, desobrigado de
indenização.

Evita-se com isto o enriquecimento de uma das


partes em detrimento da outra – locupletamento
ilícito.
Art. 242. Se para o melhoramento, ou aumento,
empregou o devedor trabalho ou dispêndio, o
caso se regulará pelas normas deste Código
atinentes às benfeitorias realizadas pelo
possuidor de boa-fé ou de má-fé.

Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos,


observar-se-á, do mesmo modo, o disposto
neste Código, acerca do possuidor de boa-fé ou
de má-fé.
10.3 Perecimento ou deterioração do objeto – com ou sem culpa
do devedor:

Pode ocorrer que até a entrega da coisa ela tenha se


perdido – com culpa ou sem culpa do devedor – haverá
resolução do negócio ou perdas e danos.

Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se


perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou
pendente a condição suspensiva, fica resolvida a
obrigação para ambas as partes; se a perda resultar
de culpa do devedor, responderá este pelo
equivalente e mais perdas e danos.

Se o vendedor já recebeu o preço da coisa, deve devolvê-


lo ao adquirente.
O que é perda?
O que é deterioração?

O carro totalmente incendiado – ou furtado


= perecimento = perda total

O carro parcialmente incendiado – ou


danificado em acidente = deterioração =
perda parcial.
PERDA pela CULPA do devedor: tem o
credor direito a receber o equivalente ao
valor do objeto que se perdeu + perdas e
danos. Quando o artigo diz “equivalente”
quer dizer equivalente em dinheiro.
O mesmo ocorre na restituição da coisa –

Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta,


sem culpa do devedor, se perder antes da tradição, sofrerá
o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados
os seus direitos até o dia da perda.

Art. 239. Se a coisa se perder por culpa do devedor,


responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos.

Art. 240. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do


devedor, recebê-la-á o credor, tal qual se ache, sem direito
a indenização; se por culpa do devedor, observar-se-á o
disposto no art. 239.
No caso da deterioração do objeto (perda parcial)
havendo culpa do devedor poderá o credor optar
pelo equivalente em dinheiro + perdas e danos ou
então aceitar a coisa no estado em que ela se
encontra + indenização pelos prejuízos.

Art. 236. Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o


equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com
direito a reclamar, em um ou em outro caso, indenização das
perdas e danos.

Art. 235. Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado,


poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido
de seu preço o valor que perdeu.

HAVENDO CULPA HÁ PERDAS E DANOS =


REPARAR OS PREJUÍZOS
11. OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA:

O art. 243 diz que “A coisa incerta será indicada, ao


menos, pelo gênero e pela quantidade” – O objeto é
indeterminado na obrigação de dar coisa incerta.

O objeto indeterminado não pode permanecer


nesta condição indefinidamente.

Necessita ser determinável para que se conheça a


sua qualidade.
Deve haver pelo menos a indicação do gênero
(espécie) e da quantidade da coisa – sem isto não
é possível o cumprimento da obrigação.

Ex.: 20 sacas de café...Pergunta-se: Qual café?

PERGUNTA-SE: O que acontecerá se faltar o gênero ou


a quantidade?

R: A indeterminação será absoluta, e a avença será


impossível.
11.1 Direito de Escolha: A determinação dar-
se-á pela escolha, conforme artigo 244 do
Código Civil que diz:

Art. 244. Nas coisas determinadas pelo


gênero e pela quantidade, a escolha
pertence ao devedor, se o contrário não
resultar do título da obrigação; mas não
poderá dar a coisa pior, nem será
obrigado a prestar a melhor.
OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA

A escolha é o ato de seleção das coisas


constantes da espécie (melhor ou pior) – é a
identificação quanto à qualidade da coisa a
ser entregue – assim, após a escolha pelo
devedor a coisa passa a ser CERTA – por
isso que a indeterminação é temporária.
OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA

Se antes da escolha houver perda ou


deterioração da coisa, o devedor não poderá
alegá-la em seu favor, ainda que ocorra força
maior ou caso fortuito, pois a coisa não foi
individualizada, não estava determinada.

Art. 246. Antes da escolha, não poderá o


devedor alegar perda ou deterioração da
coisa, ainda que por força maior ou caso
fortuito.
12. OBRIGAÇÕES DE FAZER E DE NÃO FAZER

12.1 Obrigação de Fazer: Trata-se de obrigação


que traz maior dificuldade ao credor quando se
defronta com a o inadimplemento.

O conteúdo da obrigação de FAZER é uma


“atividade” (física ou material) executada pelo
próprio devedor ou a mando deste. Ex.: fazer
um reparo em máquina, pintar a casa, levantar
o muro, etc.
O credor pode escolher determinado
devedor para FAZER a coisa, e não
admitindo a substituição – técnico
especializado, artista, etc.

O não cumprimento da obrigação de fazer


pelo devedor resulta no dever de
INDENIZAR a teor do artigo 247 do CC
que diz: “Incorre na obrigação de indenizar perdas e
danos o devedor que recusar a prestação a ele só
imposta, ou só por ele exeqüível”.
12.2 Diferenças entre Obrigação de DAR e de
FAZER:

Obrigação de Dar: O devedor pode ser


constrangido na Justiça a entregar a
coisa, quando esta se encontrar em seu
poder.

Obrigação de Fazer: O devedor não pode


ser constrangido a fazer a obrigação que
assumiu, resolvendo-se em perdas e
danos.
12.3 Espécies de Obrigação de Fazer: A obrigação
de fazer consiste em uma realização pessoal, de
cunho material ou imaterial.

Ex.1: Se alguém contrata com um intelectual


(professor, escritor, etc) a prestação de um
serviço, com um cientista a realização de
qualquer trabalho científico ou a pintura de um
quadro por um artista, ação por advogado, ele
depositou plena confiança nas qualidades
PESSOAIS do devedor, nas suas aptidões. Isto
é obrigação de fazer personalíssima
(IMATERIAL).
Obrigação Material

Ex. 2: Se um pedreiro se compromete a


construir um muro ou um marceneiro a
consertar um armário, estamos diante da
obrigação de fazer no campo MATERIAL,
pois se o devedor não cumprir pode o
credor providenciar que ela seja cumprida
por terceiro.
12.4 Inadimplemento das Obrigações de Fazer:
Quando há recusa ou impossibilidade do
devedor no cumprimento da obrigação.

12.4.1 Recusa: Havendo recusa voluntária


do devedor estará ele responsabilizado ao
pagamento de perdas e danos (art. 247)
Diz ainda o artigo 249 que: Se o fato puder ser
executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo
executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora
deste, sem prejuízo da indenização cabível.

Havendo urgência na realização do fato,


poderá o credor mesmo sem autorização
judicial, mandar executar a obrigação,
obtendo posteriormente a indenização.

Ex.: Obra que não pode ser paralisada em


razão do prazo de entrega. (Art. 248
parág. Único).
12.4.2 Impossibilidade: Deve-se analisar a
existência ou não de culpa do devedor.

Se a obrigação de fazer não foi cumprida


por fatos alheios à vontade do devedor,
com completa ausência de culpa deste,
está resolvida a obrigação, voltando as
partes ao estado anterior sem direito a
indenização.

Ex.: Artista que sofre um acidente e fica


impossibilitado de realizar o show
contratado.
Se ocorrer CULPA do devedor, não pode invocar
a impossibilidade. Há ele que responder pelos
prejuízos causados ao credor.

Ex.: Se o artista que faria o show viaja para outra


cidade e não consegue chegar a tempo para o
evento.

Art. 248. Se a prestação do fato tornar-se impossível


sem culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; se por
culpa dele, responderá por perdas e danos.
13. OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER:

Impõe ao devedor o dever de abstenção


de ato ou serviço em favor do credor.

Aquele que se obriga a NÃO FAZER deve


omitir-se nesse sentido, sob pena de
inadimplemento obrigacional.
13.1 Inadimplemento da Obrigação de NÃO
FAZER: Alguém que se obriga a não
praticar determinado ato.

Ex.: não construir prédio maior que 3


andares - em praticando, descumpre
sua obrigação de não fazer – neste caso
pode o credor exigir o desfazimento com
perdas e danos – Art. 251 CC.
Se o descumprimento de obrigação de não fazer
resultar de impossibilidade de abstenção, sem
culpa do devedor, a obrigação estará extinta.

Ex.: Quando alguém se compromete a manter um


lago no terreno e se vê obrigado a extingui-lo por
ordem do Poder Público.

Art. 250. Extingue-se a obrigação de não fazer, desde


que, sem culpa do devedor, se lhe torne impossível
abster-se do ato, que se obrigou a não praticar.
14. OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS: Já vimos que
na obrigação alternativa existem pelo menos 2
(dois) objetos, para que por meio da escolha, um
deles seja prestado.

O devedor para libertar-se do vínculo obrigacional,


que o prende ao credor, deve prestar a este um
dos vários objetos componentes da obrigação.

Ex.: Maria obriga-se a entregar a Joana um livro, ou uma


pasta, ou um lápis. Basta cumprir uma dessas entregas,
realizar uma dessas opções para que esteja cumprida a
obrigação.
14.1 Direito de Escolha: Para que a
obrigação alternativa exista, é preciso que
haja pluralidade de objetos a serem
prestados.

O cumprimento deve ser integral e


abranger um dos objetos, não pode o
devedor modificar o objeto a seu critério
ou cumprir metade de um e metade de
outro.
As partes podem estipular no negócio
jurídico quem terá o direito de escolha, se
o devedor, o credor ou o terceiro por eles
indicado.

Art. 252. Nas obrigações alternativas, a


escolha cabe ao devedor, se outra
coisa não se estipulou.

§ 1o Não pode o devedor obrigar o


credor a receber parte em uma
prestação e parte em outra.
O devedor que se obriga a prestações periódicas,
pode optar ao final de cada período, optar pelo
cumprimento da obrigação que entender.

Ex.: Adão se obriga a entregar a Pedro,


anualmente, 500 ações da Petrobras ou 500
ações do Banco X. No primeiro ano, pode Adão
optar pela entrega das ações do Banco X e no
segundo ano da empresa Petrobras, como julgar
conveniente.

Art. 252...§ 2o Quando a obrigação for de prestações periódicas, a


faculdade de opção poderá ser exercida em cada período.
Se no negócio celebrado as partes
acordarem que o direito de escolha possa
ser opcional entre devedor, credor e
terceiro, e havendo discordância entre
eles, caberá ao Juiz determinar um prazo
para deliberarem, após isto decidirá.

Art. 252...§ 3o No caso de pluralidade de optantes, não


havendo acordo unânime entre eles, decidirá o juiz,
findo o prazo por este assinado para a deliberação.
Tendo o devedor e o credor acordado que
a escolha ficaria a cargo do terceiro e não
concordando ou não podendo o terceiro
exercer este direito, caberá ao juiz a
escolha se devedor e credor não se
entenderem.

Art. 252...§ 4o Se o título deferir a opção a terceiro, e


este não quiser, ou não puder exercê-la, caberá ao juiz
a escolha se não houver acordo entre as partes.
Obrigações Alternativas

14.2 Decadência do Direito de Escolha: Não


pode o credor ficar, eternamente,
aguardando que o devedor escolha o
objeto da prestação, ou vice e versa
quando for o credor que escolhe.

O artigo 571 do CPC resolve a


problemática:
Art. 571. Nas obrigações alternativas, quando a escolha
couber ao devedor, este será citado para exercer a
opção e realizar a prestação dentro em 10 (dez) dias, se
outro prazo não Ihe foi determinado em lei, no contrato,
ou na sentença.

§ 1o Devolver-se-á ao credor a opção, se o devedor não


a exercitou no prazo marcado.

§ 2o Se a escolha couber ao credor, este a indicará na


petição inicial da execução.

O credor ingressará com a ação contra o


devedor que será CITADO para em 10
dias exercer a opção de escolha ou no
prazo estipulado no contrato.
14.3 Impossibilidade de Cumprimento das
Alternativas: Há casos em que apenas 1 (uma)
das obrigações é possível de cumprimento.
Neste caso continua a obrigação em relação a
outra, mas a obrigação não é mais alternativa.

Ex.: A se obriga a entregar a B uma mesa de


computador ou comprar uma vaga no céu.

Art. 253. Se uma das duas prestações não puder ser


objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível,
subsistirá o débito quanto à outra.
Se após pactuar a obrigação alternativa,
surgir a impossibilidade do cumprimento
de uma delas SEM CULPA do devedor,
haverá a concentração na outra.

Ex.: Carlos se obriga junto a Jonas a fazer


uma estátua, na qualidade de escultor, ou
a entregar uma coleção valiosa de selos
ou ainda, uma pedra preciosa. Acontece
que Carlos por motivo de saúde não
consegue fazer a estátua. A obrigação se
concentra nas outras alternativas.
Se o devedor for CULPADO, e cabendo a
ele a escolha, poderá concentrar na
prestação remanescente.

Mas se a escolha for do credor, poderá


pedir a remanescente ou quantia em
dinheiro equivalente daquela que faltou.

Se a impossibilidade for de todas as


prestações, sem que seja o devedor
culpado, extingue-se a obrigação, pela
falta de objeto.
Se, entretanto, a culpa for devedor,
cabendo a escolha do credor, pode este
exigir o valor de qualquer das prestações
+ perdas e danos.

Cabendo ao devedor a escolha, deverá


este prestar o valor do objeto que, por
último, pereceu, pois nele se concentrou o
débito + indenização pelo prejuízo.
Obrigações Alternativas

Art. 255. Quando a escolha couber ao credor


e uma das prestações tornar-se impossível
por culpa do devedor, o credor terá direito
de exigir a prestação subsistente ou o valor
da outra, com perdas e danos; se, por culpa
do devedor, ambas as prestações se
tornarem inexeqüíveis, poderá o credor
reclamar o valor de qualquer das duas, além
da indenização por perdas e danos.
Art. 254. Se, por culpa do devedor, não
se puder cumprir nenhuma das
prestações, não competindo ao credor
a escolha, ficará aquele obrigado a
pagar o valor da que por último se
impossibilitou, mais as perdas e danos
que o caso determinar.

Art. 256. Se todas as prestações se


tornarem impossíveis sem culpa do
devedor, extinguir-se-á a obrigação.
OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS

OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS: Pertencem à classe


das obrigações complexas ou compostas com
múltiplos sujeitos (credor e devedor).

Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em


obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas
obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou
devedores.
Divisível é o bem ou objeto da prestação que pode
fracionar-se e Indivisível o que não pode.

Diz o Código Civil:

Art. 87. Bens divisíveis são os que se podem


fracionar sem alteração na sua substância,
diminuição considerável de valor, ou prejuízo do
uso a que se destinam.
Importante lembrar que os bens divisíveis que podem fracionar-se não
devem ter alterada a sua substância e os indivisíveis não podem sofrer
diminuição de valor ou imprestabilidade ao uso a que se destina.

Ex.Obrigação Divisível: É possível partir-se um automóvel em partes,


todavia ele perderá sua substancia, pois não passará de um
amontoado de peças.

Já não ocorre o mesmo com uma saca de feijão entre 2 indivíduos,


pois após a divisão o objeto continua a existir em sua natureza
primitiva.
A indivisibilidade pode ser convencionada entre as partes.
Acordando as mesmas que o fracionamento não ocasione
a perda de preço.

Ex.: Vários proprietários armazenam sacas de café,


formando um lote indivisível, por sua vontade, para
exportarem tal mercadoria, cuja procura no mercado
externo se dá por lotes mínimos, por preços mais altos;
tudo para não se sujeitarem à venda dividida, no mercado
interno que vende a preço menor.
Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por
objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua
natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão
determinante do negócio jurídico.

O que é divisível ou indivisível é a prestação.

Deste modo, havendo mais de um credor, ou mais de um devedor,


devemos observar a prestação.

Por exemplo, um quadro, um computador e/ou um animal, são objetos


indivisíveis por que seu fracionamento altera a substância da coisa.
Importante lembrar: O problema da
indivisibilidade só aparenta dificuldade quando
existe pluralidade de sujeitos.

O interesse jurídico nasce da necessidade em


dividir-se o objeto da obrigação.
DIVISIBILIDADE E INDIVISIBILIDADE NAS OBRIGAÇÕES
DE DAR, FAZER E NÃO FAZER

DIVISIBILIDADE E INDIVISIBILIDADE NAS


OBRIGAÇÕES DE DAR: Suponhamos que João
se obrigue a entregar a José e Lúcio, 20 canetas
idênticas; entregará 10 (dez) para cada um dos
sujeitos credores.

Se por outro lado, a coisa a ser entregue, for


indivisível, uma casa, por exemplo, indivisível
será a obrigação de dar.
NAS OBRIGAÇÕES DE FAZER: As vezes pode ou
não o seu objeto se dividir.

Se Jonas contrata um escultor para fazer uma


estátua, o objeto de fazer é indivisível; contudo é
possível que esse escultor seja contratado para
fazer 10 estátuas, realizando uma por mês, neste
caso será divisível.
NAS OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER: As prestações são
via de regra indivisíveis. Não há abstenção parcial.
Qualquer ato que viole a obrigação de não fazer,
caracteriza a inadimplência da parte.

Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a


prestação não for divisível, cada um será obrigado
pela dívida toda.

Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-


roga-se no direito do credor em relação aos outros
coobrigados.
Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada
um destes exigir a dívida inteira; mas o devedor ou
devedores se desobrigarão, pagando:

I - a todos conjuntamente;

II - a um, dando este caução de ratificação dos outros


credores.
Não tem qualquer devedor a faculdade de solver
parcialmente a obrigação, em havendo outros sujeitos
passivos.

O devedor está obrigado pela dívida toda.

Ex.: Se dois devedores se obrigarem a entregar 1 cavalo,


o animal poderá ser entregue por qualquer um deles,
ficando aquele que entregou com o direito de cobrar do
outro o que for devido.
O credor pode e deve acionar todos os devedores para o
cumprimento da obrigação, mas apenas 1 poderá cumpri-
la.

Se forem vários os credores, poderá cada 1


individualmente exigir o cumprimento da obrigação por
inteiro.

Os devedores se desobrigarão pagando todos os credores


em partes iguais.
Se os devedores optarem por pagar a um só dos credores,
devem exigir daqueles que recebeu o preço todo uma
caução (garantia), caso contrário não deverá efetuar o
pagamento apenas a um só credor.

Art. 261. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a


cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a
parte que lhe caiba no total.

O credor que recebeu a prestação por inteiro tem a obrigação


de prestar contas com os demais credores – é idêntico o
direito de cada credor.
Art. 262. Se um dos credores remitir a dívida, a
obrigação não ficará extinta para com os
outros; mas estes só a poderão exigir,
descontada a quota do credor remitente.

Parágrafo único. O mesmo critério se


observará no caso de transação, novação,
compensação ou confusão.
O credor que perdoa a sua dívida, abre mão dela.

Em sendo obrigação indivisível, os demais não podem ser


prejudicados, devendo o devedor pagar o saldo restante
entre os demais credores.

Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se


resolver em perdas e danos.

Quando uma obrigação se resume em perdas e danos ela


perde o caráter de indivisibilidade.
A indenização é feita em dinheiro – pode ser dividida em partes
iguais.

§ 1o Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de


todos os devedores, responderão todos por partes iguais.

§ 2o Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros,


respondendo só esse pelas perdas e danos.

Se a culpa que motivou a indenização é de todos os devedores,


responderão todos em partes iguais.

Se a culpa for de um só, apenas este responderá por perdas e


danos.
A prescrição, nulidade, ou defeito da obrigação em
relação à um dos devedores estende-se a todos.

Já a insolvência de um dos devedores não


prejudicará o credor, que poderá exigir o
cumprimento integral da obrigação dos demais.
INDIVISIBILIDADE E SOLIDARIEDADE: Institutos
diferentes.

A solidariedade reside no próprio título, no vínculo jurídico,


enquanto a indivisibilidade, geralmente resulta da natureza
da prestação.

Na solidariedade, o credor pode exigir de qualquer


devedor solidário o pagamento integral da prestação,
porque qualquer um deles é devedor de toda a dívida.
Na indivisibilidade, o credor pode exigir o
cumprimento integral de qualquer dos devedores,
não porque o demandado seja devedor do total
(ele só deve uma parte) e sim porque a natureza
da prestação não permite o cumprimento
fracionado.
OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS – Art. 264 – 285 CC

CONCEITO: A obrigação é solidária quando a


totalidade de seu objeto pode ser reclamada por
qualquer dos credores ou qualquer dos devedores.

Pode ocorrer a solidariedade de credores (ativa) e


devedores (passiva).
Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma
obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um
devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida
toda.

Pode cada credor demandar e cada devedor é obrigado a


satisfazer a obrigação na totalidade, com a particularidade
de que o pagamento feito por um devedor a um credor
extingue a obrigação quanto aos outros coobrigados.
FONTES DA SOLIDARIEDADE:

DA LEI
DA VONTADE DAS PARTES

Dispõe o Art. 265 que: “a solidariedade não se presume;


resulta da lei ou da vontade das partes”

A solidariedade é exceção, não se admitindo fora da lei ou


do contrato.

Não havendo previsão legal ou contratual, cada devedor é


responsável pela sua cota-parte.
Quem exerce o poder familiar responderá pelos atos do
filho menor. Veja o art. 932, I, do CC: “São também
responsáveis pela reparação civil: I - os pais, pelos
filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em
sua companhia”

O art. 942 do CC diz que: “Os bens do responsável pela


ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos
à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais
de um autor, todos responderão solidariamente pela
reparação”.
O TJSP já decidiu que há “responsabilidade solidária do construtor e
do proprietário e na dispensa de prova de culpa pelos danos causados a
prédio vizinho” (in RT 474/72).

“Internado o paciente em aposento particular para tratamento de


emergência, a assinatura do pai no termo apresentado pelo
hospital estabeleceu a solidariedade passiva” (in RT 641/221)

Um contrato de locação contém em geral a seguinte declaração


referente ao fiador: O Sr. Fulano de tal obriga-se como fiador e
principal pagador, solidariamente responsável com o devedor
até a entrega das chaves.
Se não existisse essa cláusula, o fiador teria o
direito de, por ocasião da demanda do pagamento
da dívida, exigida pelo credor, impor que fossem
primeiramente executados os bens do afiançado,
com base no benefício de ordem estatuído no art.
827 do CC, que assim diz:

“O fiador demandado pelo pagamento da dívida


tem direito a exigir, até a contestação da lide,
que sejam primeiro executados os bens do
devedor”.
Mas, desse benefício não se aproveita o fiador quando o
contrato contém a cláusula supramencionada (CC, art.
828, II), pois, obrigando-se o fiador como devedor
solidário, ocorre a renúncia expressa do benefício de
ordem.

CARACTERISTÍCAS E FUNDAMENTO DA
SOLIDARIEDADE:

A) PLURALIDADE DE SUJEITOS (Ativo e Passivo)

B) UNIDADE DE PRESTAÇÃO
Unidade de Prestação: unidade de prestação (prestação
indivisível). Se fosse permitida a prestação parcelada, não
haveria solidariedade, porque haveria tantas obrigações
quanto credores ou devedores.

Qualquer devedor fica responsável ao pagamento integral


e qualquer credor pode reclamá-lo por inteiro.

VANTAGENS DA SOLIDARIEDADE: Quando um fiador


assina um contrato de locação declarando-se
solidariamente responsável com o afiançado, ou um
avalista assina um título de crédito, o credor passa a ter
uma garantia a mais.
Conseqüentemente, o credor, para receber a
dívida toda tem a prerrogativa e o direito subjetivo
de acionar, escolhendo apenas um, ambos ou
quantos devedores existirem ao mesmo tempo, à
procura de quem tenha patrimônio suficiente para
responder pela obrigação prometida.

Ex.: Seguradora e Segurado – Na dúvida, aciona-


se os dois.
Se um banco, por exemplo, empresta uma quantia
a um empresário sem exigir a participação
solidária de uma terceira pessoa (avalista), estará
sujeito a um prejuízo, caso o empresário entre em
concordata.

Se exigir o aval, por exemplo, dos sócios, poderá


então demandá-los com base no instituto da
solidariedade.
ARREPENDIMENTO

Estabelecida a solidariedade, não podem os


credores voltar atrás; nenhum deles poderá,
unilateralmente, a pretexto de que se
arrependeu, revogar ou suprimir a solidariedade.

Somente haverá revogação se todas as partes


concordarem – credores e devedores.

Há uma exceção no caso do fiador quando há


alteração societária da empresa em que prestou
fiança.
SOLIDARIEDADE COM CONDIÇÃO, TERMO OU ENCARGO

A obrigação solidária pode conter uma condição, um termo ou um


encargo. Normalmente, é pura e simples, ou seja, não contém
nenhuma condição, termo ou encargo.

Veja, o conteúdo do artigo 266 do CC, in verbis:

“A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-


credores ou co-devedores, e condicional, ou a prazo, ou pagável
em lugar diferente, para o outro”.

Portanto, a obrigação solidária pode ser simples em relação a alguns


dos sujeitos e conter uma condição ou até um prazo em relação a
outro.
ESPÉCIES DE SOLIDARIEDADE

SOLIDARIEDADE ATIVA: Concorrência de dois ou


mais credores (pluralidade de credores), cada um
com direito ao recebimento de todo o objeto da
prestação jurídica (todo o crédito).

No Brasil a origem da solidariedade ativa, se dá


por vontade das partes, seja por contrato ou
testamento.
A vantagem desta solidariedade é que qualquer credor pode exigir a
totalidade da dívida, sem depender da concordância dos demais
credores e cada devedor poderá liberar-se da obrigação pagando a
prestação a qualquer um dos credores.

Art. 267. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do


devedor o cumprimento da prestação por inteiro.

Desvantagem: Qualquer credor, recebendo a dívida toda, exonera o


devedor, tendo então os demais credores que se entenderem como
credor que deu quitação.
EFEITOS DA SOLIDARIEDADE ATIVA:

1. Cada credor pode reclamar de qualquer dos devedores a


dívida por inteiro (art. 267) não podendo assim, o devedor
pretender pagar parcialmente, sob a alegação de que há
outros créditos.

2. O pagamento feito a um dos credores, a compensação,


a novação e a remissão da dívida feita por um dos
credores a qualquer dos devedores extingue a obrigação
(art. 269).
3. A interrupção da prescrição por um dos credores beneficia
os demais (art. 204, § 1°).

4. Qualquer credor poderá propor ação para cobrança de


crédito. Outro credor poderá ingressar na ação na condição de
assistente.

5. A incapacidade de um dos credores não obsta que a


obrigação mantenha seu caráter solidário a respeito dos
demais;
6. Enquanto não for cobrada a dívida por algum credor,
o devedor pode pagar a qualquer um dos credores (art.
268). Havendo demanda, o devedor só poderá pagar
em juízo.

7. Art. 270. Se um dos credores solidários falecer


deixando herdeiros, cada um destes só terá direito a
exigir e receber a quota do crédito que corresponder
ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for
indivisível – nesta hipótese desaparece a solidariedade
para os herdeiros.
8. A conversão da prestação em perdas e danos não faz
desaparecer a solidariedade, correndo em proveito de
todos os credores os juros de mora (art. 271).

9. O credor que receber ou perdoar a dívida deverá


prestar contas com os demais - Art. 272. O credor que
tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento
responderá aos outros pela parte que lhes caiba.
EXTINÇAO DA SOLIDARIEDADE ATIVA: A
solidariedade ativa não termina apenas com o
pagamento a qualquer dos credores, ela pode se
extinguir também por:

NOVAÇÃO – conversão de uma dívida em outra,


extinguindo-se a primeira.

COMPENSAÇÃO – Encontro de dívidas, uma


extinção recíproca de obrigações (art. 368 – 380
CC)
REMISSÃO – o perdão da dívida (arts. 385 a 388)

PAGAMENTO POR CONSIGNAÇÃO – pagamento


através de depósito judicial (art. 334-345)

CONFUSÃO: Dificuldade em identificar quem é devedor e


quem é credor (arts. 381-384)
Ex.: Um filho deve certa quantia em dinheiro a seu pai. Este vindo a falecer, o filho adquire a herança
por sucessão, tendo nesta valor suficiente para quitar sua dívida. Imediatamente ocorre a confusão, já
que o filho passa a ser credor e devedor de si mesmo e extingue-se a obrigação.

TRANSAÇÃO – extinção do débito mediante acordo (arts.


849 – 850).
SOLIDARIEDADE PASSIVA: Aquela que obriga
todos os devedores ao pagamento total da dívida.

Para que o credor possa exigir o cumprimento da


obrigação é necessário que todos os devedores
fiquem inadimplentes, uma vez que pode acionar
qualquer um deles pela dívida toda.
PRINCIPAIS EFEITOS DA OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA

1. Cada credor tem direito de reclamar de qualquer dos devedores a


totalidade da dívida.

2. A morte de um dos devedores solidários não extingue a


solidariedade.

Art. 276. Se um dos devedores solidários falecer deixando


herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota
que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a
obrigação for indivisível; mas todos reunidos serão considerados
como um devedor solidário em relação aos demais devedores.
Segundo também dispõe o art. 1.792 CC: “O herdeiro não
responde por encargos superiores às forças da herança”

Verifica-se todavia, que a morte de um dos devedores


solidários não rompe a solidariedade, que continua a onerar
os demais codevedores.

Assim, sendo os herdeiros acionados judicialmente,


solidários são porque representam um dos devedores
solidários.
3. Qualquer cláusula, condição ou obrigação adicional
estipulada entre um dos devedores e o credor, não
poderá prejudicar os outros devedores sem que hajam
concordado (art. 278).

4. Culpa. Se a obrigação se extinguir sem culpa dos


devedores, o princípio geral é que extinguirá a dívida
para todos.

Se houver culpa de um dos devedores subsiste aos


demais a obrigação de pagar, mas pelas perdas e danos
só responde o culpado.
5. Exceções pessoais e exceções gerais - Defesas

Art. 281. O devedor demandado pode opor ao credor as


exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos;
não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro co-
devedor.

As exceções pessoais são meios de defesa que


podem ser opostas por um ou por vários dos co-
devedores;

As exceções gerais são os meios de defesa que


podem ser opostos por todos os co-devedores da
obrigação solidária.
Ex.: Um devedor que assumiu uma
obrigação por erro (assinou em branco), só
poderá alegar este vício de vontade em sua
defesa.

Os outros devedores, que se obrigaram


sem qualquer vício, não podem alegar em
sua defesa este motivo.
Exemplos de Solidariedade Passiva –
Código Civil

Haverá solidariedade passiva:

A) Art. 672 do CC – entre os mandatários nomeados no mesmo


instrumento, se declarados solidários – procuração com vários
advogados outorgados, por exemplo.

Art. 990 do CC – entre os sócios, pelos atos de um deles, quando


autorizados pelos outros.

Art. 585 do CC – entre pessoas que forem simultaneamente


comodatárias da mesma coisa, há a solidariedade em relação à
responsabilidade perante o comodante;
PLANO DE ENSINO - UNIDADE 2
TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES

Será que A sendo devedor da obrigação de não


construir em seu terreno poderá transmitir a
mesma para terceiro?

Será que B, credor de uma nota promissória no


valor de R$ 10.000,00 poderá transmitir tal crédito
a outrem?

E, se o crédito for pensão alimentícia poderá ser


transferido? Art. 1.707 CC
No Direito Romano primitivo, a obrigação
era ligada à pessoa, não se admitindo a
transferência obrigacional.

Não se falava então de transmissão de


CRÉDITO ou DÉBITO.

Com a evolução do direito, foi-se


admitindo a transmissão obrigacional.
É interessante destacar que o crédito é
um bem patrimonial, porque no caso do
não cumprimento da prestação, o
patrimônio do devedor responderá pela
solvência do débito.

E, sendo um bem patrimonial obviamente


é passível de transferência, em regra.
O QUE É TRANSMISSÃO?

Transmissão – É a transferência de um bem


jurídico por uma pessoa a outra que, em
princípio, passa a ocupar o lugar da primeira.

Transmitente: quem transmite


Transmitido: quem recebe

A transferência obrigacional é vista pela doutrina


moderna como um meio indispensável e rápido
na circulação da riqueza.
O ato de transmissão de uma obrigação se
denomina CESSÃO.

É através deste instrumento que o sujeito


ativo (credor) pode transmitir o seu direito
e o sujeito passivo (devedor) pode
transferir o seu dever.
2.1 CESSÃO DE CRÉDITO

Cessão de Crédito é o negócio jurídico bilateral pelo


qual o credor transfere ou aliena à outra pessoa
sua qualidade de credor junto ao devedor,
implicando a transferência do direito de crédito e
de seus acessórios e garantias.

Não se trata de uma nova obrigação, mas uma


mudança no elemento pessoal ativo (credor).

O alienante é o cedente, o adquirente é o


cessionário e o devedor é o cedido.
Exemplo:
João que é credor de R$ 1000 de Lucas, cede a Marcio, o
crédito decorrente de uma nota promissória.

Se essa cessão tem o objetivo de pagar um débito em entre


João e Márcio, será a título oneroso, posto que ambas as
partes tem obrigações recíprocas.

Enquanto que se a cessão de crédito decorre de


liberalidade de João, ou seja, para que possa Márcio
adquirir mercadoria para sua loja, sem ter responsabilidade
de devolver, teremos a cessão a título gratuito.
Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se
a isso não se opuser a natureza da obrigação,
a lei, ou a convenção com o devedor; a
cláusula proibitiva da cessão não poderá ser
oposta ao cessionário de boa-fé, se não
constar do instrumento da obrigação.

A transferência será possível se o contrato ou a lei


não a vedar.

Art. 287. Salvo disposição em contrário, na


cessão de um crédito abrangem-se todos os
seus acessórios.

Só não alcançará os acessórios se houver


disposição em contrário.
Assim como todo negócio jurídico, a
cessão de crédito pressupõe para sua
validade um objeto lícito, possível física ou
juridicamente, determinado ou determinável,
forma prescrita ou não defesa em lei e agentes
capazes.

É negócio jurídico não solene, mas para


valer contra terceiros, a cessão de crédito
exige instrumento público ou particular.
2.1.1 Notificação do Devedor
Na cessão de crédito intervêm as figuras do
credor ou cedente (o que cede) e do cessionário
(o que recebe o crédito), não tendo o devedor ou
cedido necessidade de concordar; ele não
participa deste novo negócio jurídico.

O devedor, no caso da transmissão, deve


todavia ser notificado da cessão – por escrito -
para que conheça o novo credor a quem fará o
pagamento.
A notificação deve conter a informação de
que o crédito foi cedido, podendo ser
judicial ou extrajudicial com prova do
recebimento (AR-MP, Notificação por
Tabelião, etc.).

O art. 292 do CC é claro: O devedor


estará desobrigado se pagar ao antigo
credor antes da notificação da cessão.
2.1.2 Multiplicidade de Cessões

Art. 291. Ocorrendo várias cessões do mesmo crédito,


prevalece a que se completar com a tradição do título
do crédito cedido.

Podem ocorrer várias cessões do mesmo crédito a vários


cessionários – crime de estelionato – prevalece a cessão
que se completar com a transferência do título.

Nestas hipóteses, havendo várias notificações de cessão, o


devedor só deverá pagar aquele que lhe apresentar o título
oficial de cessão. (Art. 292, 2ª parte)
Não pode...

 
ATENÇÃO: Não é todo direito de crédito
que pode ser transferido, existindo
impossibilidade jurídica na cessão de
créditos já penhorados, obrigações de
fazer "intuitu personae“ (personalíssimas),
benefício de justiça gratuita, créditos
alimentícios, etc.
Não pode ainda...

É vedado aos tutores e curadores a


cessão de crédito entre seus pupilos ou
curatelados.

E, por sua vez, os pais não podem efetuar


cessão de crédito do patrimônio do filho,
administrado por eles, sem a prévia
autorização legal.
2.1.3 Providências do devedor

O devedor pode opor exceções (defesas)


cabíveis junto ao cessionário, no
momento que tomou conhecimento da
cessão – Art. 294 CC.

A defesa do devedor deve ser imediata,


sob pena de consentir com esta – Ex.: Pode
alegar que já pagou o débito, que o negócio é eivado de erro, dolo
ou coação, etc.
2.1.4 Providências do Cessionário

A lei assegura ao cessionário (novo


credor), antes mesmo do devedor ser
notificado, a possibilidade de poder
resguardar o direito cedido através de
ações judiciais por exemplo – Art. 293
CC.
2.1.5 Natureza Contratual
A cessão de crédito tem natureza contratual, podendo ser:
ONEROSA OU GRATUITA e ainda:

TOTAL – Quando o cedente transfere todo o seu crédito.

PARCIAL - Quando o cedente transfere apenas parte do


seu crédito, ficando o devedor obrigado pela mesma
prestação inicial.

Na parcial, a obrigação passará a ter dualidade ou


pluralidade de credores titulares de direitos creditórios
diferenciados, cada qual com sua parte.
2.1.6 Espécies de Cessão de Crédito

CONVENCIONAL – que nasce da


manifestação de vontade entre cedente e
cessionário;

LEGAL – que decorre de lei

JUDICIAL – que resulta de decisão do


Poder Judiciário.
2.1.7 Responsabilidade do Cedente

Na cessão onerosa, o cedente é


responsável pela existência de crédito no
momento da sua transmissão – Art. 295
CC.

Na cessão gratuita ele apenas responde


se agiu de má-fé – com intenção de
prejudicar.
Solvência do Devedor: Não havendo
disposição em contrário, o cedente não
responde pela solvência do novo devedor
– Art. 296 CC – o que quer dizer que ele
embora garanta o crédito, não pode se
obrigar pela boa ou má liquidação.

Se ficar convencionado expressamente


que o cedente responde pela solvência do
devedor, sua responsabilidade limitar-se-á
ao que recebeu do cessionário.
PRO SOLUTO e PRO SOLVENDO
A cessão de crédito pode ser pro soluto ou pro solvendo .

Na cessão pro soluto o cedente responde pela existência e


legalidade do crédito, mas não responde pela solvência do
devedor – Art. 296.

Quando a cessão é onerosa, o cedente sempre responde


pro soluto.

Ex: Jorge cede um crédito a Bruno e precisa garantir que


esta dívida existe e não é ilícita, porém, não garante que o
devedor/cedido Marcos, vai pagar a dívida, trata-se de um
risco que Bruno assume.
Na cessão pro solvendo , o cedente responde
também pela solvência do novo devedor – se
obrigado expressamente – Art. 297.

A cessão pro solvendo ocorre na hipótese de


em não havendo o pagamento do crédito, o
cessionário poderá exigi-lo do cedente, que se
torna assim co-responsável pelo débito até o
limite do que recebeu do cessionário.

Ex.: Então se Marcos não pagar a dívida (ex: o


cheque não tinha fundos), Bruno poderá
executar Jorge. Mas primeiro deve Bruno cobrar
de Marcos para depois cobrar do cedente Jorge.
2.1.8 Crédito Penhorado
O credor fica impossibilitado de transferir seu
crédito quando este estiver sido penhorado e da
restrição tiver ele conhecimento – Art. 298 CC.

J.M.Carvalho Santos afirma que: “uma das


condições indispensáveis à transmissão do crédito é a
sua disponibilidade; sem que o cedente possa dispôr
dele, não pode ocorrer a cessão, porque ninguém
pode transferir o que não tem”.
Se o devedor pagar sua divida ao credor
originário sem ter sido notificado da penhora do
crédito, ficará exonerado da obrigação. (Art. 298
segunda parte).

Ex.: João que era credor de Luiz da quantia de


R$ 5.000,00, ao descobrir que o valor foi
penhorado por credor seu, em flagrante fraude,
cedeu seu direito de crédito para Marcelo. Como
Luiz não havia sido notificado da cessão de
crédito, na data prevista entregou o valor a João,
ficando assim exonerado.
Quando um credor pede a penhora de
determinado crédito é necessário que ele
notifique o devedor da penhora.

Ex.: Afonso é credor de João da quantia de R$


1.000,00 que deverá ser paga em determinada
data. Entretanto, Afonso é devedor de R$ 500,00
a Murilo que não tendo recebido, entrou com
ação e pediu a penhora do crédito de R$
1.000,00 acima.

Para ter certeza que a quantia penhorada lhe


será um dia repassada, Murilo deve comunicar
João da penhora.
Assunção de Dívida
CONCEITO: É um negócio jurídico através do
qual o devedor transfere para outra pessoa a
sua posição na relação jurídica, deixando de
ser devedor e repassando o débito para o
novo sujeito passivo.

Como exemplo temos a transferência de


financiamento na aquisição de um veículo.
Na assunção de dívida ou cessão de
débito exige-se a anuência do credor (art.
299 CC), o que não ocorre na cessão de
crédito, que basta a notificação do
devedor.

Assim, não basta outra pessoa desejar


assumir a dívida de outrem. Para se
efetivar a operação é necessário que o
credor aceite o novo devedor como o
sujeito passivo na relação obrigacional.
ESPÉCIES de assunção de dívida

A assunção de dívida, segundo Carlos Roberto


Gonçalves, pode se efetivar por dois modos:

a) EXPROMISSÃO: Mediante contrato entre o


terceiro e o credor, sem participação ou anuência
do devedor;

b) DELEGAÇÃO: mediante acordo entre terceiro e


o devedor, com a concordância expressa do
credor (art. 299).

Se o credor silenciar entende-se que ele não


concordou – contrário a regra do art. 111 do CC.
EFEITOS:

Na assunção de dívida o principal efeito é


a substituição do devedor primitivo por um
novo sujeito passivo.

A obrigação permanece a mesma.

O novo devedor não pode opor ao credor


as exceções pessoais que tinha o
devedor originário. (art. 302 CC)
NATUREZA: A assunção de dívida, segundo o art.
299 do CC, possui natureza LIBERATÓRIA; onde o
devedor originário se exonera de qualquer
responsabilidade, pois o novo devedor assume a
obrigação de pagar.

A doutrina destaca outra natureza, a CUMULATIVA:


Modalidade em que o novo devedor assume o débito
conjuntamente ao devedor primitivo.

Não há substituição do pólo passivo, mas sim uma


ampliação.
REQUISITOS:

1. CONSENTIMENTO DO CREDOR – expresso.

2. VALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO – Se a


garantia for inválida, inválido será a assunção da
dívida.

3. SOLVÊNCIA DO NOVO DEVEDOR: Ao tempo da


assunção o novo devedor deve encontrar-se em
situação de solvência.
Caso o novo devedor seja insolvente,
retornará a obrigação do antigo devedor,
independentemente de ter agido de boa
ou má-fé.

O objetivo é evitar a lesão ao patrimônio


do credor.

Todavia se o credor tinha conhecimento


da insolvência do novo devedor e
consentiu, não poderá obrigar o antigo
devedor.
CESSÃO DA POSIÇÃO CONTRATUAL

Não está regulamentada no CC, mas está presente em


grande número de negócios.

Consiste numa terceira forma de transmissão das


obrigações.

CONCEITO: Importa na faculdade concedida a qualquer


dos contratantes de transmitir a sua própria posição
contratual a terceiro, estranho a relação contratual
primitiva - com o consentimento do cedido
(remanescente).
Ao substituir uma das partes no contrato, o novo
contratante assume a titularidade de uma
variedade complexa de direitos e deveres que
incumbiam àquele que foi substituído, como
débitos, créditos, acessórios, deveres de
abstenção etc.

O que ocorre na realidade é, tão somente, uma


substituição das partes, mantendo imutável o
conteúdo e a razão de ser do contrato inicial.

Ex.: A cessão de contrato ocorre muito em


locações residenciais e comerciais, quando há
substituição de locatário ou locador.
PLANO DE ENSINO
UNIDADE 3

EFEITOS DAS OBRIGAÇÕES

PAGAMENTO
EFEITOS DAS OBRIGAÇÕES - PAGAMENTO

O principal efeito das obrigações é gerar para o


credor o direito de exigir do devedor o
cumprimento da prestação, e para o devedor o
dever de prestar.

As obrigações têm um ciclo vital: nascem das


fontes como a lei, o contrato, as declarações
unilaterais e atos ilícitos; desenvolvem-se por
meio das modalidades de prestação (fazer, não
fazer e dar) e se extinguem (na forma natural
pelo cumprimento, que o CC chama de
pagamento).
PAGAMENTO

CONCEITO: É o cumprimento ou adimplemento


da obrigação.

O pagamento NORMAL, pode ser DIRETO ou


INDIRETO:

Entende-se por pagamento direto aquele em que


há a satisfação exata da prestação que constitui o
objeto da obrigação, ou seja, o devedor se
exonerará da obrigação entregando efetivamente
a coisa devida.
Pagamento indireto, por sua vez, é aquele em que a
extinção da obrigação se dá de forma diversa da
originariamente convencionada, podendo ocorrer por:

a) pagamento em consignação;
b) pagamento com sub-rogação;
c) imputação do pagamento;
d) dação em pagamento;
e) novação;
f) compensação;
g) transação;
h) compromisso;
i) confusão;
j) remissão das dívidas.
Os meios ANORMAIS de extinção da
obrigação são sem pagamento, como no
caso de impossibilidade de execução sem
culpa do devedor, da prescrição, da
nulidade ou anulação, etc.

O pagamento pode ser efetuado


voluntariamente ou por meio de execução
forçada, em razão de sentença judicial.
ELEMENTOS DO
PAGAMENTO
No pagamento estão retratados 3
elementos:

VÍNCULO OBRIGACIONAL
SUJEITO ATIVO (quem paga)
SUJEITO PASSIVO (quem recebe)
SUJEITO ATIVO E PASSIVO
DO PAGAMENTO
Sujeito Ativo do Pagamento = É o devedor da
obrigação – o solvens.

Inicialmente é preciso saber: QUEM DEVE


EFETUAR O PAGAMENTO DE UMA
OBRIGAÇÃO???

O CC em seu art. 304 caput diz que: “qualquer


interessado na extinção da dívida pode pagá-la”
completando no parágrafo único que “igual direito
cabe ao terceiro não interessado”.
A lei possibilita portanto, QUALQUER
PESSOA EFETUAR O PAGAMENTO DE
QUALQUER DÉBITO!
Entretanto...

Existem duas categorias de solvens:

O INTERESSADO e o
NÃO INTERESSADO

O primeiro interessado na extinção da


obrigação é o devedor, que está
diretamente “preso” na relação jurídica
com o credor.
E os terceiros???

Podem haver outros interessados, os


TERCEIROS.

Terceiros porque não figuram na relação


jurídica e Interessados porque estão
vinculados aos laços obrigacionais. Ex.:
Sublocatário, fiador...
O sublocatário tem interesse porque pode
correr o risco de ser despejado caso o
locador principal não pague o aluguel para
o dono do imóvel.

O fiador, na mesma situação tem


interesse pois caso o devedor principal
não cumpra a obrigação assumida o
fiador será responsável pelo pagamento.
E o terceiro NÃO
INTERESSADO, quem é???
Terceiro NÃO interessado é o que não está
originariamente vinculado à obrigação, ele
surge como um intruso na relação: é um
parente ou um amigo que deseja saldar o
débito por questão moral.
O pagamento feito pelo terceiro NÃO
interessado, lhe dá direito apenas à
reembolso do que pagou em seu próprio
nome – sem direito a sub-rogação.

Porém, se o terceiro não interessado pagar


a dívida em nome do devedor não tem
direito a reembolso.
Pagamento pelo NÃO
INTERESSADO!
Art. 305. O terceiro não interessado,
que paga a dívida em seu próprio
nome, tem direito a reembolsar-se do
que pagar; mas não se sub-roga nos
direitos do credor.

Parágrafo único. Se pagar antes de


vencida a dívida, só terá direito ao
reembolso no vencimento.
Oposição ao pagamento
Art. 306. O pagamento feito por terceiro, com
desconhecimento ou oposição do devedor, não obriga
a reembolsar aquele que pagou, se o devedor tinha
meios para ilidir a ação.

O devedor pode opor-se ao pagamento realizado pelo


terceiro, e se isto ocorrer, o terceiro não interessado não
terá direito à reembolso do que pagou.

Todavia o reembolso só não será possível, neste caso, se o


devedor tinha meios para cumprir a obrigação.
NORMAS QUANTO AO
RECEBEDOR
A QUEM DEVE SER FEITO O PAGAMENTO??

“Quem paga mal paga duas vezes” – em razão deste


ditado jurídico popular, é preciso que se pague
para quem realmente deva receber.

O CC no art. 308 estabelece que o pagamento


deve fazer-se ao CREDOR ou ao seu
REPRESENTANTE.
E QUEM É O CREDOR???

Por credor entende-se não só o sujeito ativo da


obrigação, mas também aqueles que o substituíram
na titularidade do crédito (herdeiro, cessionário,
sub-rogado, etc).

O pagamento, portanto, deve ser feito a quem


tenha capacidade para dar a quitação – sem a
quitação o devedor não se libera da obrigação.

Ex.: Pagar ao menor de 16 anos...Nulo é o


pagamento – mesmo que o devedor o faça de
boa-fé.
Exemplo de mau pagamento:
SEGURO. PAGAMENTO EFETUADO AO CORRETOR
E NÃO REPASSADO AO SEGURADO. RELAÇÃO
JURÍDICA ENTRE O SEGURADO E A SEGURADORA.
INADIMPLEMENTO. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 934
DO CÓDIGO CIVIL. RECURSO NÃO PROVIDO. Se o
pagamento não for feito ao credor ou a seu legítimo
representante, será invalidado e não terá força
liberatória, devendo ser ratificado". (TJ-SP; AC n. 3.400-
4, de Ribeirão Preto; Oitava Câmara de Direito Privado;
rel. Des. Antonio Carlos Debatin Cardoso, j. em
12/12/1997).

E se o pagamento for feito ao
relativamente incapaz??
Se o solvens (pagador) não tiver
conhecimento da incapacidade relativa,
estando assim de boa-fé, é válido o
pagamento – porém, para ser eficaz o
pagamento é necessário que o assistente
do menor o ratifique ou então terá que
provar o pagador que com o valor se
beneficiou o menor – Art. 310 CC.
Penhora do Crédito...
Pode ocorrer que o credor, por já dever a outrem, tenha seu
crédito por este (credor do credor) penhorado.

Se o devedor, apesar de intimado desse ato judicial, mesmo


assim realizar o pagamento ao seu credor, este pagamento não
valerá (Art. 312) podendo o devedor ter que pagar novamente,
podendo reembolsar-se do que pagou ao credor.

Isto porque, o devedor ciente de que o objeto que deveria pagar


encontrava-se penhorado mesmo assim efetuou o pagamento,
contrariando a ordem do Juiz e frustrando o terceiro, credor
deste credor.
Aparência de credor...
Há situações em que o credor, tem apenas aparência de
credor, não o sendo na realidade – é o chamado credor
putativo.

Ex.: Será considerado válido o pagamento feito de boa-fé


ao herdeiro do falecido do credor, uma vez que este
herdeiro sempre foi tido como único filho do de cujus.

Ex.2: Alguém que se intitula proprietário de uma casa e a


aluga a outrem, que paga regularmente, os alugueis, caso
fique provada a boa-fé deste, mesmo que o outro não seja
proprietário, válidos serão os pagamentos.
Nos exemplos citados, apesar do negócio
jurídico não ser válido, porém o princípio
da boa-fé é o norteador supremo do
Direito.

Pode-se ainda fazer o pagamento ao


representante do credor, a representação
pode ser de 3 tipos diferentes: LEGAL,
JUDICIAL e CONVECIONAL.
LEGAL: Decorre de dispositivo de lei.

Ex.: Art. 1.690 CC diz que os pais são


representantes legal do filho.

Massa falida é o administrador, art. 76 da


Lei n. 11.101/2005.

Aos cônjuges compete a representação


legal da família – art. 1.567 CC
JUDICIAL – Estabelece-se por determinação
judicial, como é o caso do depositário judicial.

CONVENCIONAL – É a que provem da


convenção, do mandato, podendo ser tácita ou
expressa.

Ex.: Pode o credor nomear determinado


indivíduo seu procurador, mandatário, firmando a
competente procuração, onde deverão constar
os poderes para receber e dar quitação,
principalmente.
Mandatário Tácito: Previsto no art. 311 do CC, pelo qual o
portador da quitação está autorizado a receber o
pagamento.

Ex.: O cobrador, que estiver de posse do recibo, assinado


pelo credor, e efetua a cobrança e o recebimento do valor,
entregando-o ao devedor é o procurador tácito.

Art. 311. Considera-se autorizado a receber o


pagamento o portador da quitação, salvo se as
circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante.

Naturalmente que o pagador deve se certificar se o


portador da quitação está mesmo a mando do credor.
A parte final do art. 308 diz que o pagamento
feito a terceiro, em regra não vale.

O código entretanto, nesse ponto, quer impedir o


enriquecimento indevido, mencionando que,
embora feito a terceiro, valerá ser for ratificado
pelo credor.

Outra hipótese é quando o pagamento feito a


terceiro aproveitar o credor. Se ficar comprovado
que o terceiro teve qualquer benefício, essa
vantagem será descontada do que ele tiver que
receber.
OBJETO DO PAGAMENTO. DÍVIDA
EM DINHEIRO E DE VALOR

O objeto do pagamento é o que deve ser


prestado na obrigação – assim o art. 313 do
CC destaca que o credor de determinado
objeto não pode ser obrigado a receber outro,
ainda que de maior valor.

Art. 313. O credor não é obrigado a


receber prestação diversa da que lhe é
devida, ainda que mais valiosa.
Art. 314. Ainda que a obrigação tenha
por objeto prestação divisível, não
pode o credor ser obrigado a receber,
nem o devedor a pagar, por partes, se
assim não se ajustou.

O pagamento não deve ser feito em


prestações (parceladamente) quando
assim não se pactuou, mesmo que o
objeto da obrigação seja divisível.
Conceito e diferença entre dívida em
dinheiro e de valor
Dívida em Dinheiro: É a que se representa
pela moeda considerada em seu valor
nominal, ou seja, pelo importe econômico
nela consignado – o objeto é o próprio
dinheiro.

Ex.: Empréstimo – Alguém toma emprestado


certa soma em dinheiro comprometendo-se
a devolvê-la dentro de determinado prazo.
Dívida de Valor: É paga em dinheiro, que
visa medir o real valor do objeto da
prestação – o dinheiro valora o objeto.

Ex.: Pagamento de pensão alimentícia – o


devedor deve ao credor não determinada
soma em dinheiro, mas a que for
necessária à subsistência do credor.
Art. 315. As dívidas em dinheiro
deverão ser pagas no vencimento, em
moeda corrente e pelo valor nominal,
salvo o disposto nos artigos
subseqüentes.

As dívidas em dinheiro devem ser


entregues em quantia em moeda corrente
(nacional) pelo devedor ao credor.
Uma moeda forte é pressuposto para uma
economia estável.

Dessa forma, o pagamento em moeda estrangeira


representa uma ameaça à estabilidade da moeda
nacional e um agravo à soberania do País.

Em virtude disso, no Brasil não há liberdade na


escolha da moeda cursada ou comercializada –
Art. 318 CC.

Exceções para contratos de exportação de


mercadorias e contratos de câmbio.
DECISÃO DO STJ

CÉDULA DE CRÉDITO INDUSTRIAL. VALIDADE DE


CONTRATO CELEBRADO EM MOEDA ESTRANGEIRA.
PAGAMENTO EM MOEDA NACIONAL MEDIANTE
CONVERSÃO. CORREÇÃO CAMBIAL.

- Legítimo é o pacto celebrado em moeda estrangeira,


desde que o pagamento se efetive pela conversão em
moeda nacional. Precedentes do STJ.

- Obrigação do devedor de restituir, em moeda nacional, o


equivalente em dólares norte-americanos emprestados.
Variação cambial que não constitui, a rigor, correção
monetária, mas a expressão do principal devido.” (Recurso
Especial n. 57.581/SC, publicado no Diário da Justiça em
18.10.99).
Portanto, se duas pessoas firmam no
Brasil, um contrato de locação predial
estipulando um aluguel mensal em
dólares, em princípio nula é a cláusula.

Por outro lado, se a obrigação de pagar


em moeda estrangeira, for convertida em
moeda nacional será válido o pagamento.
CORREÇÃO DO VALOR
Art. 316. É lícito convencionar o aumento progressivo de
prestações sucessivas.

Diante da histórica perda valorativa do nosso dinheiro, aplica-


se nas obrigações a cláusula de escala móvel, corretiva do
valor do objeto da prestação.

Ex.: Se o proprietário de uma loja a alugar para um


comerciante, poderão fixar no contrato de locação comercial
que o aluguel seja, automaticamente atualizado, de acordo
com o índice escolhido pelas partes (INPC, IGPM, pelo valor
da saca de café, CUB)

O salário mínimo não pode ser usado como base de reajuste


(art. 7º, IV, da CF)
EMENTA: APELAÇÃO - CONTRATO IMOBILIÁRIO -
PRESCRIÇÃO TRIENAL QUANTO A REPETIÇÃO DE
INDÉBITO - INDEXAÇÃO PELO SALÁRIO MÍNIMO -
IMPOSSIBILIDADE - SUCUMBÊNCIA PARCIAL -
CUSTAS E HONORÁRIOS MEIO A MEIO -
COMPENSAÇÃO - POSSIBILIDADE. À repetição de
indébito aplica-se o prazo de prescrição de três anos
previsto no art. 206, §3º, IV do CC, mas não abarca a
revisão de contrato, que pode ser ampla. A utilização do
salário mínimo como indexador das parcelas do contrato é nula e
afronta disposição constitucional (art. 7º, IV, da CF).
Constatado o acolhimento parcial dos pedidos, as custas e
honorários são divididos meio a meio, nos termos do art.
21 do CPC. É possível a compensação das verbas de
sucumbência ainda que esteja uma das partes litigando
sob pálio da assistência judiciária gratuita. (TJMG -
APELAÇÃO CÍVEL N° 1.0672.07.249194-3/001 – j.
2/4/2009)
Art. 7º - São direitos dos trabalhadores urbanos e
rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
[...]
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente
unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais
básicas e às de sua família com moradia,
alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário,
higiene, transporte e previdência social, com
reajustes periódicos que lhe preservem o poder
aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para
qualquer fim;
PROVA DO PAGAMENTO

Prova-se o pagamento pela quitação – está


quitação libera o devedor do vínculo obrigacional
que o ligava ao credor.

Esta prova não pode ser negada ao devedor - o


credor deve emitir recibo de quitação, se não o
fizer o devedor pode reter o pagamento.

Art. 319. O devedor que paga tem direito a


quitação regular, e pode reter o pagamento,
enquanto não lhe seja dada.
No comprovante de quitação deve conter:

- O valor
- A espécie dá dívida (dinheiro, cheque)
- O objeto da quitação (aluguel, pensão)
- O nome do devedor ou quem pagou
- Tempo e o lugar do pagamento (local e
data)
- Assinatura do credor ou representante
RECIBO R$ 1.000,00

Recebi, nesta data e nesta cidade, de Fulano de


Tal a importância de um mil reais, em moeda
corrente nacional, à vista, relativa ao aluguel do
apartamento localizado na rua tal, nesta cidade,
vencido em 5 de abril passado, dando plena,
geral e rasa quitação ao débito.
E, por ser verdade firmo o presente recibo.
Itajaí-SC., ___/___/___

Assinatura do Credor
Quando o pagamento ocorrer em cheque
deve-se por cautela, descrever o numero
do cheque, agência, conta corrente e
titular.

Deve constar no recibo que o recibo perde


seus efeitos caso o cheque, por qualquer
motivo, não seja pago.

O recibo pode ser público ou particular –


produzindo em ambos os casos, todos os
efeitos jurídicos.
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por
instrumento particular, designará o valor e a espécie da
dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este
pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a
assinatura do credor, ou do seu representante.

Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos


neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou
das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida.

O parágrafo único admite que mesmo sem o


preenchimento dos aludidos requisitos, valerá a
quitação, se dos seus termos ficar provado que a
dívida foi paga.
Prova do Pagamento pela
Entrega do Título
Art. 321. Nos débitos, cuja quitação consista na devolução do título, perdido este, poderá
o devedor exigir, retendo o pagamento, declaração do credor que inutilize o título
desaparecido.

• Art. 324. A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento.


• Parágrafo único. Ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar, em
sessenta dias, a falta do pagamento.

Os arts. 321 e 324 do CC referem-se à prova de pagamento pela


entrega do título ao devedor.

Se o credor devolve ao devedor o título que lhe dá direito ao crédito,


presume-se realizado o pagamento. Ex.: Cheque, nota promissória,
duplicata.
Essa presunção, no entanto, admite prova
em contrário.

Suponhamos que o credor, cientificado de


que tenha sido feito depósito na sua
conta, com a apresentação do
comprovante de depósito, entrega o título
ao devedor...no entanto, vem a descobrir
posteriormente que foi uma fraude. Terá o
prazo de 60 dias para provar a falta de
pagamento.
Perda ou Extravio do Título

Se ocorrer a perda ou extravio do título, o Código


autoriza o devedor que não pague antes de
munir-se de uma declaração, que torne aquele
título sem efeito jurídico. (Art. 321 CC).

É o caso de ter o devedor confessado, por um


documento particular, uma dívida. Perdido esse
título, ao receber o objeto da prestação, o credor
é obrigado a declarar o título sem qualquer valia
jurídica.
Caso o título seja transferível, recomenda-
se que o pagamento seja feito mediante
depósito judicial para evitar que terceiros
de boa-fé tenha direito ao crédito.

Ex.: Títulos ao portador (cheque) ou a


ordem (NP).
Pagamento em Cotas Sucessivas

O pagamento pode ainda se dar em cotas sucessivas,


periódicas (mensalmente, anualmente, etc).

O Código Civil estabeleceu no art. 322 outra presunção,


segundo o qual, quitada a última cota, consideram-se pagas
as anteriores.

Imagina-se que o credor não iria receber o valor relativo a


parcela do último mês se não tivesse recebido as demais.

Todavia não se pode desconsiderar o fato de que pode o


credor, por erro consignar no recibo outro mês que não seja
o que está recebendo, ou confundir-se na sequência
numérica...isto lhe daria o direito a discussão.
Juros e a Quitação do Capital
Se o pagamento do “Capital” (valor principal) for
recebido pelo credor sem ressalvas quanto aos
juros, presumem-se estes pagos. (Art. 323 CC).

Isto porque, os juros são acessórios do capital,


devendo ser pagos em primeiro lugar.

É possível, no entanto que o credor receba parte


do capital e prove, posteriormente, que restaram
devidos determinados juros, basta que prove tal
situação.
Despesas com Pagamento e Quitação
Correm por conta de quem as despesas com o pagamento e
com a quitação??

Do devedor ou do credor?

É possível que em determinadas obrigações, haja


despesas indispensáveis a realização do pagamento ou
quitação, como por exemplo as despesas de transporte do
objeto, taxas bancárias, etc.

Art. 325. Presumem-se a cargo do devedor as despesas


com o pagamento e a quitação; se ocorrer aumento por
fato do credor, suportará este a despesa acrescida.
DO LUGAR, TEMPO E MODO DO
PAGAMENTO – Arts. 327 a 333 CC

Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor,


salvo se as partes convencionarem diversamente, ou se o
contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das
circunstâncias.

A princípio o pagamento deve ocorrer no domicílio do devedor. A


dívida neste caso será cobrada (quesível) pelo credor no domicílio
do devedor.

Ex.: Se no contrato de locação firmado entre João (proprietário) e


Otávio (inquilino), nada se estipulou acerca do pagamento, os
aluguéis devem ser cobrados no domicílio de Otávio.
Todavia, em muitos casos, consta
expressamente no contrato, a obrigação
do devedor de cumprir o débito no
domicílio do credor ou onde este indicar.

Neste caso a dívida é portável, pois o


devedor deverá portá-la à presença do
credor.

Assim, apenas no silêncio da convenção


das partes é que impera o princípio geral
da dívida quesível.
Com relação a segunda parte do art. 327, é
possível ainda que pelas próprias circunstâncias
do negócio, o local do pagamento não seja o do
devedor.

Ex.: O empregador que remunera seu


empregados no local de trabalho.

A terceira hipótese de alteração do local é


quando a natureza da obrigação determinar o
local do pagamento.

Ex.: Quando o pagamento do preço é na entrega


da mercadoria e no local – Ex.: Colocação de
carpet, instalação de equipamentos, etc.
Na quarta hipótese prevista no art. 327, o lugar do
pagamento será onde a lei determinar, ou seja, é a lei que
fixa o local. Ex.: Dívidas fiscais - no respectivo
departamento.

O próprio art. 328 é um exemplo, pois ele determina o local:

Art. 328. Se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, ou


em prestações relativas a imóvel, far-se-á no lugar onde situado
o bem.

Transferências de bem imóvel e as prestações relativas a


ele, entendidas como todos os serviços, reparações,
construções, etc – o pagamento será no local onde se
localiza o imóvel.
Art. 329. Ocorrendo motivo grave para que se
não efetue o pagamento no lugar
determinado, poderá o devedor fazê-lo em
outro, sem prejuízo para o credor.

O artigo se refere à possibilidade de pagamento


em outro local, que não aquele determinado
pelas partes, desde que ocorra motivo grave. A
avaliação desta gravidade é subjetiva e pode
ficar a cargo do Juiz.
Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em
outro local faz presumir renúncia do credor
relativamente ao previsto no contrato.

Admite o CC que o local do pagamento possa


ainda ser alterado se o credor o recebeu
reiteradamente em outro lugar, levando ao
entendimento de que houve renúncia tácita pelo
credor do local escolhido no contrato.
NORMAS QUANTO AO TEMPO DO
PAGAMENTO

Obrigações sem prazo e sem condições (puras):

Há obrigações que não possuem tempo determinado,


vencimento fixo.

Quando a obrigação não possui prazo ou condição para seu


cumprimento (obrigação pura e simples), o objeto de sua
prestação é exigível imediatamente.

Art. 331. Salvo disposição legal em contrário, não tendo


sido ajustada época para o pagamento, pode o credor
exigi-lo imediatamente.
Nas obrigações, sem prazo, é preciso que
o credor dê conhecimento ao devedor de
sua pretensão por meio de interpelação
(ou notificação) para que se caracterize a
mora do devedor.

Ex.: Locação por prazo indeterminado –


obrigatoriedade da notificação do
inquilino.
Obrigações com prazo e condicionais
(impuras)

Art. 332. As obrigações condicionais cumprem-se na data


do implemento da condição, cabendo ao credor a prova
de que deste teve ciência o devedor.

Condição: Está ligada a um evento futuro e incerto. É preciso


que algo no futuro, ocorra para que o ato jurídico produza
validamente, os seus efeitos.

Ex.: Alguém que promete um prêmio para o competidor caso


ganhe a competição – O evento é incerto, poderá ele ganhar
ou não.
As obrigações condicionais, portanto,
devem ser cumpridas na data do
implemento da condição – quando se
verificar a condição.

A parte final do art. 332 atribui ao credor a


prova de que o devedor teve
conhecimento do implemento da
condição, pois este tem de cumprir a
obrigação na data desse evento.
Cobrança antecipada da dívida:

A possibilidade de cobrança antecipada


da dívida pelo credor encontra fundamento
no art. 333 do CC.

A artigo mostra que há casos em que o


credor pode exigir seu crédito antes de
vencido o prazo ajustado no contrato.
O art. 333 do CC admite três hipóteses, em seus
incisos, nesse sentido:

1. Refere-se à abertura de falência do devedor


ou de concurso de credores. Quando o devedor,
estiver falido ou quando seus bens não bastem
ao pagamento de todo o débito.

Outros credores concorrerão ao recebimento dos


seus créditos, simultaneamente, contra o mesmo
devedor. O patrimônio do devedor é dividido
entre os credores.
2. Quando os bens do devedor já
onerados por hipoteca ou penhor, forem
penhorados por outro credor.

Ex.: Se A toma emprestado de B uma


soma em dinheiro, comprometendo-se a
devolvê-la 3 (três) meses após, dando
uma coisa de seu patrimônio (um mobília)
em penhor (em garantia) e se, depois de 2
meses, essa coisa vem a ser penhorada
em execução promovida por outro credor,
restará vencido, antecipadamente o prazo
de 3 meses.
3. A lei considera vencido
antecipadamente o prazo se, tendo sido
dadas garantias do débito pelo devedor
ao credor, sejam quais forem, elas
cessarem ou se tornarem insuficientes e,
tendo sido intimado o devedor, este não
reforçá-las.

Ex.: A dá em garantia do seu pagamento


um veículo que depois vem a ser furtado.
Se ele não reforçar a garantia, indicando
outro bem, poderá o credor exigir o
pagamento antes de vencido.
Normas Quanto ao Tempo do
Pagamento
Quando ao modo, o pagamento deve fazer-se
dentro do rigor obrigacional. A obrigação deve
ser cumprida com toda a fidelidade, em seus
exatos termos, moldes e limites, sem distorções.

Ex.: Se A se compromete a entrega determinada


mercadoria parte na cidade de Itajaí e outra
parte em Blumenau, no dia xx, todas essas
situações devem ser cumpridas.
OUTROS MEIOS DE EXTINÇÃO
OBRIGACIONAL

PAGAMENTO EM
CONSIGNAÇÃO
(Arts. 334 a 345 CC)
Conceito: Consiste no depósito, pelo
devedor, da coisa devida, com o objetivo
de liberar-se da obrigação. É meio indireto
de pagamento ou pagamento especial.

Pagar é um dever, mas também um direito


do credor. Em razão de recusa
injustificada do credor em receber ou de
alguma circunstância, para não sofrer as
conseqüências da mora o devedor pode
consignar a obrigação devida.
Art. 334. Considera-se pagamento, e extingue a
obrigação, o depósito judicial ou em estabelecimento
bancário da coisa devida, nos casos e formas legais.

O pagamento pode ser feito em depósito judicial


ou através de depósito em estabelecimento
bancário.

O art. 890 do CPC acrescentou a possibilidade de


depósito bancário em estabelecimento oficial
quando a obrigação for em dinheiro.

O dinheiro será consignado pelo devedor em


conta com correção monetária em nome do
credor, cientificando-se este por carta com AR.
Ao usar a expressão coisa devida, o legislador
permitiu a consignação não só de dinheiro mas
também de bens móveis ou imóveis.

Ex: O credor que se recusa a receber móveis


encomendados só porque não está preparado
para pagar, dá ensejo ao marceneiro de
consigná-los judicialmente.

Não cabe a consignação das obrigações de fazer


e não fazer, em razão de sua natureza.
Assim, se o credor se recusa a receber, sem
justa causa, o pagamento em dinheiro poderá o
devedor optar pelo depósito extrajudicial ou pelo
ajuizamento da ação de consignação em pagamento.

A consignação em pagamento é instituto de


direito material e processual (art. 890 e ss do
CPC). O CC menciona os fatos que autorizam a
consignação e o modo de fazê-lo é previsto no
diploma processual.

É ação de natureza declaratória, podendo ser


ajuizada também quando houver dúvida sobre o
exato valor da obrigação.
Ex: Mutuários do Sistema Financeiro de
Habitação, que consignam judicialmente o
valor da prestação, que consideram
devido, diverso do pretendido pelo agente
financeiro, a ação é proposta para que se
declare o valor correto das prestações.

Fatos que autorizam a consignação: Art.


335, CC (rol não taxativo), outros são
mencionados em artigos esparsos como
nos art. 341 e 342 do CC.
A CONSIGNAÇÃO TEM LUGAR...Art. 335

I – Se o credor não puder ou, sem justo motivo, se recusar


a receber o pagamento ou a dar quitação, devidamente,
caberá consignação.

Só a recusa injusta, não fundada em motivo legítimo,


autoriza a consignatória.

Ex: Se o locador não quiser receber o aluguel porque o


locatário não incluiu aumento autorizado por lei, não haverá
lugar para a consignação.

É justo o motivo para a recusa porque ninguém é obrigado


a receber menos do que lhe é devido.
Porém, se não houvesse base legal para o
aumento pedido, a consignação seria
procedente.

Pode ser proposta também quando o


credor se recusa a dar quitação – Ex.: O
locador recusa-se a emitir o recibo de
pagamento.
O inciso II do art. 335 se refere a dívida quérable,
em que o pagamento se efetua fora do domicílio
do credor.

O credor há de ir ou mandar receber a coisa


devida, de acordo com o que se pactuou, se assim
não agir o devedor poderá pagar por consignação.

O devedor poderá se valer do depósito judicial


quando não conseguir localizar seu credor
(desconhecido no local ou ausente) – Art. 335, III.

Lugar incerto é o que não se pode precisar –


credor que muda de endereço sem avisar.
O inciso III do art. 335 prevê também a possibilidade da
consignatória quando o credor for incapaz de receber o
pagamento.

Em razão da sua condição (incapacidade) não deve receber


o pagamento, devendo receber seu representante legal,
mas se esse último se recusa a receber sem justa causa, a
solução será consigná-lo.

Em geral, as obrigações são contraídas por pessoas


conhecidas, mas o accipiens (credor), por fato posterior
pode tornar-se desconhecido, como por ex.: na sucessão
decorrente da morte do credor originário – neste caso
poderá consignar o valor (IV, art. 335).
O inciso V refere-se a possibilidade da
consignatória quando pender litígio sobre
o objeto do pagamento.

Estando o credor e terceiro disputando em


juízo o objeto do pagamento, não deve o
devedor antecipar-se ao pronunciamento
judicial e entregá-lo a um deles,
assumindo o risco (344), mas sim
consigná-lo judicialmente, para ser
levantado pelo que vencer a demanda.
Requisitos de Validade do Pagamento por
Consignação

Diz o art. 336 que a consignação para


valer como pagamento deve preencher
todos os requisitos de validez deste, tendo
em vista as pessoas, o objeto, o modo e o
tempo.

Ex.: Se alguém consignar contra quem


não é o credor, ou oferecer o objeto, que
não seja o devido, não poderá valer-se da
consignatória para desobrigar-se.
Pessoas: Deve ser feito pelo devedor ao
verdadeiro credor, sob pena de não valer, salvo
se ratificado por este ou se reverter em seu
proveito sob pena de ter que restituir o que
indevidamente recebeu (art. 876).

Objeto: integralidade do depósito, porque o


credor não é obrigado a aceitar o pagamento
parcial.

Modo: convencionado, não se admitindo, por


exemplo, o pagamento em prestações quando
estipulado que deve ser à vista.

Tempo: Aquele fixado no contrato, não podendo


efetuar-se antes de vencida a dívida, se assim
for convencionado.
Regulamentação:

Foro competente: O depósito deverá se realizar


no lugar do pagamento, cessando para o
depositante, os juros da dívida e os riscos. (Art.
337).

Os juros serão exigidos se a consignatória for


julgada improcedente. (Art. 337)

Sendo quesível a dívida (no domicílio do


devedor) ou portável (no do credor) - as partes
podem eleger outro foro (foro de eleição).
Levantamento do Depósito: Art. 338

O devedor, já tendo consignado, poderá


levantar o valor depositado, pagando as
respectivas despesas, antes do credor
declarar que o aceita, ou o impugnar.

Ocorrendo o levantamento do depósito


pelo devedor, subsiste a obrigação, com
todas as suas conseqüências.
Entretanto, o art. 339 do CC, trata da
impossibilidade de levantamento do objeto
depositado, depois de julgado procedente o depósito,
mesmo havendo anuência do credor, quando
existirem na mesma obrigação outros devedores
solidários e fiadores.

Procura-se, desta forma, resguardar os direitos


de outros devedores, pois a procedência da
ação, extingue a obrigação, acarretando a
exoneração dos devedores solidários.

Se estes concordarem com o levantamento


deixará de existir o impedimento legal.
O art. 892 do CPC permite, quando se
tratar de prestações periódicas, a
continuação dos depósitos no mesmo
processo, depois de efetuado o da
primeira, desde que se realizam até cinco
dias da data do vencimento.

O § único do art. 896 do CPC, obriga o


consignatário(réu/credor), que alegar a
insuficiência do depósito a indicar o
montante que entende devido.
PAGAMENTO COM SUB-
ROGAÇÃO

Sub-rogar - significa substituir, pôr uma coisa no


lugar de outra (sub-rogação real) ou substituir
uma pessoa por outra (sub-rogação pessoal).

Dá-se a sub-rogação por exemplo quando o


fiador paga a dívida do devedor principal,
fazendo com que este se libere da obrigação.
Nasce uma nova obrigação...agora entre fiador e
devedor. O fiador passa a ser o novo credor.
CONCEITO: “Efetuado o pagamento por
outra pessoa que não o devedor, a
obrigação só se extingue em relação ao
credor satisfeito, sobrevivendo em relação
ao terceiro, interessado ou não, que pagou
a dívida. A sub-rogação é aquela
operação pela qual a dívida se transfere
ao terceiro que a pagou, com todos os
acessórios e garantias que a guarneciam.”
(Sílvio Rodrigues)
Trata-se de exceção à regra geral de que
o pagamento extingue a obrigação, pois a
dívida paga não perece, é transferida com
todos seus acessórios para as mãos do
sub-rogado.

Esses acessórios podem ser garantias


reais ou fidejussórias (cheque, NP), taxa
de juros ou outras.
Espécies de Sub-Rogação

Sub-rogação legal: Se consuma por vontade da lei


em proveito daquele que paga, sem que
nenhuma vontade, do credor ou do devedor, seja
necessária ou possa se opor. (art. 346)

Na sub-rogação legal, não há caráter


especulativo, ou seja, objetivo de lucro, não
podendo o sub-rogado reclamar do devedor a
totalidade da dívida, mas só o que houver
desembolsado, nos termos do art. 350 do CC.
Sub-Rogação Convencional

SUB-ROGAÇÃO CONVENCIONAL: Aquela que decorre da


vontade das partes.

I – Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente


lhe transfere todos os direitos. (art. 347, I)

De fato, o credor, recebendo de um terceiro o que lhe é


devido, poderá transferir-lhe todos os direitos de seu crédito,
sem que haja necessidade de qualquer anuência do devedor –
espécie de cessão de crédito.
II – quando terceira pessoa empresta ao devedor a
quantia precisa para solver a dívida, sob a condição
expressa de ficar o mutuante sub-rogado no direitos
do credor satisfeito.

Opera-se ainda a sub-rogação convencional,


devendo ser expressa, quando o devedor, que
paga seu débito com soma que lhe foi
emprestada por um terceiro, transfere a este
todos os direitos do credor a quem pagou –
necessita da concordância deste.

Em ambos os casos, iniciativa do credor ou


devedor, o ajuste da sub-rogação deve ser
anterior ao pagamento, sob pena de constituir-se
em nova obrigação.
EFEITOS – Art. 349
Art. 349. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os
direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação à
dívida, contra o devedor principal e os fiadores.
Efeitos da sub-rogação:

1) Satisfativo em relação ao credor primitivo. O credor primitivo


vai se satisfazer com o pagamento feito pelo terceiro, mas a
obrigação permanece para o devedor; a sub-rogação não
extingue a dívida;

2) Translativo: o novo credor vai receber todas as vantagens e


direitos do credor primitivo, desde que o pagamento tenha sido
feito por sub-rogação (349).
IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO
Arts. 352 a 355 CC
IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO: O normal é que entre duas
pessoas haja apenas uma obrigação. Todavia, pode
acontecer que o devedor tenha mais de uma dívida com o
mesmo credor.

Assim, se Jonas deve a Lucia cem reais decorrentes de um


empréstimo e outros cem reais decorrentes de um ato ilícito
(ex: Jonas bateu no carro de Lucia), quando Jonas for
pagar apenas uma destas dívidas precisa dizer a Lúcia qual
está quitando.

Imputar o pagamento é determinar em qual dívida o


pagamento está incidindo.
Imputação de Pagamento

CONCEITO: “Imputação em pagamento é


a operação pela qual o devedor de vários
débitos da mesma natureza, a um só
credor, declara qual deles quer extinguir.”
(Clóvis Beviláqua).

Art. 352. A pessoa obrigada por dois ou mais


débitos da mesma natureza, a um só credor,
tem o direito de indicar a qual deles oferece
pagamento, se todos forem líquidos e
vencidos.
Requisitos:
1. Dois ou mais débitos de um devedor a um só
credor, da mesma natureza;

2. Dívidas líquidas, certas e vencidas;

Não se dá imputação de pagamento se as


dívidas tiverem natureza diversa (dinheiro e
imóvel).

Também não ocorrerá a imputação se uma


dívida estiver vencida e a outra não.
Autor da Imputação:

A imputação em pagamento é um benefício


que a lei confere ao devedor.

Entretanto pode ocorrer que o devedor


efetue o pagamento sem fazer a imputação
mencionada – neste caso pode o credor
indicar na quitação qual a obrigação que
está sendo extinta com o pagamento.
Se o devedor concordar com esta
imputação feita pelo credor, não poderá
mais reclamar – salvo se o credor agir
com dolo ou violência – art. 353 CC.

Todavia, se não for imputado o


pagamento pelo devedor e nem pelo
credor, a quitação se dará primeiro nas
dívidas líquidas e vencidas, e/ou na mais
onerosa – art. 355
Imputação sobre juros:

Se as partes não convencionarem em contrário,


a imputação deverá, primeiramente recair sobre
os juros vencidos, isso se o credor não deu
quitação por conta do capital.

Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputar-


se-á primeiro nos juros vencidos, e depois no capital,
salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a
quitação por conta do capital.
DAÇÃO EM PAGAMENTO
Arts. 356 a 359 CC
Conceito: Consiste na entrega pelo devedor, a
título de pagamento, de uma outra coisa, que
não a devia, ao credor, com aceitação deste
(Azevedo, 2008 p. 158).

Não se pode falar em dação em pagamento se


não houver a concordância do credor.

Art. 356. O credor pode consentir em receber


prestação diversa da que lhe é devida.
Regras da Dação
Depois de determinado o preço (o valor) da coisa
dada em pagamento, as normas que regulam a
dação passam a ser idênticas as da compra e
venda.

Art. 357. Determinado o preço da coisa dada em pagamento,


as relações entre as partes regular-se-ão pelas normas do
contrato de compra e venda.

Se a dação for de bens móveis, bastará a


entrega (a tradição), se de imóveis deverá a
tradição verificar-se pela transcrição ou registro,
na matrícula do registro de imóveis.
Evicção
O art. 359 do CC, trata da EVICÇÃO DA COISA RECEBIDA
EM PAGAMENTO.

Sofre evicção o credor que após ter recebido em


pagamento uma coisa, assiste à reivindicação da mesma,
por terceira pessoa que prova ser seu dono.

Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em


pagamento, restabelecer-se-á a obrigação primitiva,
ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os
direitos de terceiros.

Evicção é a perda total ou parcial de uma coisa, em virtude


de sentença que a atribui a terceiro que não o alienante ou
o adquirente.
Destituído do domínio da coisa que lhe
havia sido entregue em pagamento, surge
o problema de saber qual a conseqüência
desse fato.

O CC, no art. 359 determina que, se o


credor for evicto da coisa recebida em
pagamento, restabelecer-se-á a obrigação
primitiva, ficando sem efeito a quitação
dada, ressalvados os direitos de terceiros.
NOVAÇÃO – Arts. 360 a 367

Conceito: É um meio de execução obrigacional


que importa a extinção da obrigação primitiva,
pelo nascimento de uma nova obrigação.

Ex.: João deve ao Banco X a importância de


50.000 através de uma NP já vencida. João faz
proposta de pagar 20.000 com a renovação do
saldo por mais 90 dias. Se o banco aceitar,
emitirá uma nova NP (novo título) incluindo os
juros e correção – neste caso ocorre a novação.
Pressupostos Existenciais:

A) Obrigação primitiva
B) Obrigação nova
C) Ânimo de novar (animus novandi)

Art. 361. Não havendo ânimo de novar, expresso ou


tácito mas inequívoco, a segunda obrigação confirma
simplesmente a primeira.
Espécies de Novação

1. Subjetiva: Substituição dos sujeitos da


relação jurídica obrigacional primitiva
(credor e devedor ou ambos)

2. Objetiva: Alteração do objeto da


prestação;

3. Mista: que congrega as duas categorias


anteriores.
A novação ativa (substituição do credor) vem
sendo substituída pela cessão de crédito, pois na
novação, deveremos ter:

1) consentimento do devedor, que contrai uma


nova obrigação perante um novo credor, ficando
liberado da antiga dívida;

2) o consentimento do antigo credor, que renuncia


o seu crédito, permitindo ao devedor que se
obrigue para com o novo credor e

3) a anuência do novo credor, que aceita a


promessa do devedor. Enquanto que na cessão
de crédito, não há necessidade de haver a
anuência do devedor.
As espécies estão previstas no
art. 360.

Art. 360. Dá-se a novação:

I - quando o devedor contrai com o credor nova dívida para


extinguir e substituir a anterior; (objetiva)

II - quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com


o credor; (subjetiva)

III - quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é


substituído ao antigo, ficando o devedor quite com este.
(subjetiva/mista)
Os arts. 362, 363 e 365 CC referem-se à novação
subjetiva:

O art. 362 autoriza a substituição do devedor sem


que haja a sua concordância.

Ocorre nesta hipótese a expromissão (substituição


do devedor) – deve o credor, neste caso
concordar – instituto pouquíssimo usado.

Art. 362. A novação por substituição do devedor pode ser


efetuada independentemente de consentimento deste.
O art. 363 diz que a novação subjetiva,
com a substituição do devedor, extingue a
obrigação primitiva, mesmo que o novo
devedor seja insolvente, sem direito a
ação de regresso ao credor contra o
primeiro devedor.

Art. 363. Se o novo devedor for insolvente, não tem o


credor, que o aceitou, ação regressiva contra o
primeiro, salvo se este obteve por má-fé a substituição.

Neste caso, mesmo que o credor aceite o novo devedor, se


ficar provado que o primitivo devedor ocultou
maliciosamente a insolvência do seu substituto, será dada
ação regressiva ao credor – princípio da boa-fé.
O art. 365 prevê a liberação dos
devedores solidários ligados à obrigação
primitiva, extinta, mostrando que só terão
a ver com a obrigação nova se dela
participarem.

Art. 365. Operada a novação entre o credor e um dos


devedores solidários, somente sobre os bens do que
contrair a nova obrigação subsistem as preferências e
garantias do crédito novado. Os outros devedores
solidários ficam por esse fato exonerados.
Os arts. 364 e 366 dispõem acerca da
extinção dos acessórios - Pela novação
como a dívida primitiva se extingue, seus
acessórios também se extinguem.

Assim, os juros avençados deixam de fluir e


as garantias que asseguravam seu resgate
não mais subsistem.
COMPENSAÇÃO
Arts. 368 a 380 CC
CONCEITO: Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor
e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem-se,
até onde se compensarem – Art. 368.

A compensação é meio de extinção das obrigações.

Opera-se pelo encontro de dois créditos recíprocos entre as


mesmas partes.

Se os créditos forem de igual valor, ambos desaparecem, se


forem de valores diferentes, o saldo deverá retornar aquele
que o fizer jus.
Ex.: A deve a B uma soma de R$
2.000,00 e B por sua vez deve a A a
importância de R$ 1.500,00. Assim:

Devedor Credor

 A--------------B R$ 2.000,00
 B -------------A R$ 1.500,00
 A--------------B R$ 500,00 (saldo a pagar)
Espécies:
Legal: estabelecida na lei.

Voluntaria: criada pela vontade das partes, pela convenção.

Judicial: que é determinada pelo Juiz em sua decisão,


quando perceber no processo a ocorrência da compensação
– pode ocorrer na reconvenção.

Ex.: A promove uma demanda contra B cobrando 50.000,00


e B por reconvenção alega ser credor de 60.000,00. Se o
Juiz julgar procedente a ação e a reconvenção, condenará o
autor a pagar ao réu a importância de R$ 10.000,00.
Requisitos Existenciais da
Compensação Legal:
Com relação a compensação legal, a lei
estabelece seus pressupostos, requisitos ou
condições existenciais, que valem para a judicial:

A) Dívidas recíprocas (art. 368)


B) Liquidez, certeza e dívida vencida (art. 369) –
exata determinação do valor
C) Dívidas da mesma natureza (art. 370)
Art. 369. A compensação efetua-se entre dívidas
líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.

Segundo o art. 369 os objetos devidos em


ambas as obrigações devem ser fungíveis
(substituíveis por outros da mesma espécie,
quantidade e qualidade – art. 85 cc)

Ex.: Se A deve para B 30 sacas de café e B


deve para A, 30 sacas de milho, impossível
é a compensação pela falta de
homogeneidade dos débitos.
Art. 370. Embora sejam do mesmo gênero as coisas
fungíveis, objeto das duas prestações, não se
compensarão, verificando-se que diferem na qualidade,
quando especificada no contrato.

Não podem, embora da mesma


espécie, ser os objetos de qualidade
diversa.

Ex.: Café tipo A


O art. 373 não coloca óbice à compensação
entre dívidas de CAUSAS diferentes.

Ex.: A deve para B, R$ 2.000,00 em razão


da aquisição de um veículo e B deve a A,
R$ 1.000,00 em razão de um empréstimo –
duas causas – dois motivos que podem ser
compensados.
Exceções estão previstas nos incisos do art. 373,
onde é negada a compensação em:

1. Quando uma das dívidas originar de esbulho,


furto ou roubo – repressão ao ato ilícito.

2. Se uma das dívidas originar de comodato,


depósito ou alimentos – comodatário e depositário
possuem obrigação de restituição ao dono e os
alimentos não se compensam porque são
essenciais a vida.
3. Se uma das dívidas for de coisa não
suscetível de penhora – a coisa que não
pode ser penhorada não é cobrável
judicialmente, sendo não exigível – bens
absolutamente impenhoráveis (art. 649
CPC).

Ex.: o vestuário, móveis de utilidade


doméstica, livros e máquinas utilizados na
profissão, etc.
Outras Regras da
Compensação:
1. A compensação não pode prejudicar direito de
terceiros. Assim, por exemplo, havendo uma
penhora sobre determinada coisa, não pode esta
coisa ser objeto de compensação – art. 380 CC.

2. Se as dívidas passíveis de compensação não


puderem ser pagas no mesmo local, as despesas
que se fizerem necessárias para tornar possível o
pagamento de uma delas, deverão ser
descontadas – art. 378 CC.
3. Se entre credores e devedores recíprocos houver
mais de uma dívida passível de compensação, o
devedor deverá indicar qual delas pretende
compensar e, caso não o faça, o credor poderá fazê-
lo.

Nesse caso, aplicam-se as normas sobre imputação


do pagamento.

4. Não haverá compensação quando as partes, em


acordo, a excluírem ou renunciarem – art. 375.
CONFUSÃO
Arts. 381 a 384 CC
A confusão, geralmente, provém da
sucessão hereditária – quando por exemplo o
pai credor do único filho vem a falecer – o
filho neste caso passa a ser credor dele
mesmo.

CONCEITO: É a reunião em uma única pessoa e


na mesma relação jurídica, da qualidade de credor
e devedor. (Sílvio Rodrigues)
Art. 381. Extingue-se a obrigação, desde que
na mesma pessoa se confundam as
qualidades de credor e devedor.

O encontro, em um só indivíduo, dessa


dupla qualidade (credor e devedor) é
anômala, pois ninguém pode ser credor ou
devedor de si mesmo, tais qualidades são
incompatíveis, de modo que ocorrendo esta
hipótese, a obrigação se extingue.
Espécies:

1. TOTAL: Relativa a toda a dívida

2. PARCIAL: Ocorre apenas em parte da dívida.

No exemplo do herdeiro a confusão será parcial


se houver outros irmãos, neste caso A (filho)
deveria pagar à massa hereditária o restante da
dívida – compensando apenas a sua cota.
Art. 383. A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só
extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito, ou na
dívida, subsistindo quanto ao mais a solidariedade.

Quando a confusão ocorre em relação a um só dos devedores ou


credores.

Em se tratando de obrigação solidária passiva, e na pessoa de um


só dos devedores reunirem-se as qualidades de credor e devedor,
a confusão operará somente até à concorrência da quota deste.

Se for na solidariedade ativa, a confusão será também parcial,


permanecendo, quanto aos demais co-devedores ou devedores, a
solidariedade.
Diz a doutrina que a extinção na realidade
significa neutralização, pois a obrigação cumprida
não se resolveu, ela apenas deixou de ser exigida,
na prática, porque o credor não há de reclamá-la
de si mesmo.

Segundo Sílvio Rodrigues, para o legislador há


neutralização da obrigação e não extinção, tanto
que o CC, no art. 384, determinou que cessando
a confusão haverá o restabelecimento da
obrigação.

Cessando a confusão, o devedor e os fiadores


liberados da obrigação ficam novamente
vinculados por força de lei.
REMISSÃO DAS DÍVIDAS
Arts. 385 a 388 CC

A palavra remissão descende do verbo remitir


que significa perdoar, dispensar de uma
obrigação.

CONCEITO: É a liberalidade do credor,


consistente em dispensar o devedor de pagar a
dívida – é a renúncia do crédito pelo credor.
Espécies de Remissão:

A)Pode ser total ou parcial (parte da dívida ou


dispensa dos juros);

B) Pode ser expressa (por escrito) ou tácita (ex:


devolução do título de crédito);

C) Pode ser gratuita (mais comum) ou onerosa


(nesta remissão o credor perdoa a dívida
mas pede algo em troca, o que se assemelha
a uma transação).
Art. 385. A remissão da dívida, aceita pelo devedor,
extingue a obrigação, mas sem prejuízo de terceiro.

A renúncia do crédito pelo credor, beneficiando o devedor


não pode prejudicar terceiro. Os efeitos dessa renúncia não
o atingem.

Art. 386. A devolução voluntária do título da obrigação,


quando por escrito particular, prova desoneração do
devedor e seus co-obrigados, se o credor for capaz de
alienar, e o devedor capaz de adquirir.

Sendo o credor capaz de alienar e o devedor capaz de


adquirir, a transferência voluntária por aquele a este, do título
representativo da obrigação (um contrato, uma NP) desonera
do devedor e seus coobrigados.
Pode ainda ocorrer que, não existindo
documento do crédito, o credor o renuncie
enviando uma carta ao devedor perdoando a
dívida, ou pode ainda o credor perdoar por
testamento.

Art. 387. A restituição voluntária do objeto empenhado prova a


renúncia do credor à garantia real, não a extinção da dívida.

É possível também que alguém, que tenha recebido um


objeto como garantia de um débito (penhor), venha a restituí-
lo voluntariamente ao devedor – isto não importa na extinção
do débito, mas tão somente, renúncia à garantia.

Ex.: João entregou a Mário um terreno em garantia do


pagamento de um débito e posteriormente Mário devolveu o
terreno à João, dispensando-o da garantia.
Remissão à co-devedor
Art. 388. A remissão concedida a um dos co-devedores
extingue a dívida na parte a ele correspondente; de modo
que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os
outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da
parte remitida.

A remissão que se der a um dos co-devedores


extingue o débito na parte a ele relativa, sendo certo
que, ainda que se mantenha a solidariedade contra
os outros co-devedores, deve ser deduzida do
montante total a parte que foi perdoada.
PLANO DE ENSINO
UNIDADE 4

Consequência do
Inadimplemento das
Obrigações
TÍTULO IV
Do Inadimplemento das Obrigações

Descumprimento Obrigacional. Mora e


inadimplemento absoluto.

1. Generalidades: O estudo neste tema


dedica-se à discussão acerca do que ocorre
quando há o descumprimento da obrigação e
quais os efeitos desse descumprimento.
Já estudamos que é o patrimônio do devedor que
responde pela inexecução da obrigação,não sua
pessoa.

Assim, todo aquele que descumprir sua obrigação


responderá pelos prejuízos que causar.

Ex.: Se alguém se obriga a entregar determinado


objeto a outrem, e não realiza a entrega,
descumpre obrigação de dar coisa certa.

Quem se obriga a construir um muro e não o faz,


descumpre obrigação de fazer e sujeita-se os
efeitos da mora (prejuízos, juros, etc).
A conseqüência do inadimplemento da obrigação é o dever
de reparar o prejuízo, em razão da prestação não ter sido
cumprida, nem puder sê-lo, proveitosamente, para o credor.

INEXECUÇÃO VOLUNTÁRIA

A regra tem supedâneo legal no art. 389, CC (não cumprindo


a obrigação, responde o devedor por perdas e danos); e no
art. 186, CC que regula a responsabilidade delitual (atos
ilícitos).

Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor


por perdas e danos, mais juros e atualização monetária
segundo índices oficiais regularmente estabelecidos e
honorários advocatícios.
Entretanto, nos termos do art. 392, CC a
inexecução da obrigação só conduzirá ao dever
de ressarcir se houve culpa do inadimplente (culpa
em sentido amplo - dolo e culpa).

Para que alguém se torne responsável pelo


pagamento dos danos causados é preciso que
exista um nexo de causalidade entre a ação
nociva e o dano causado. (art. 395 primeira parte).

O parágrafo único do art. 395 estabelece o


princípio segundo o qual, toda vez que a
prestação, diante da mora do devedor, não
representar mais interesse ao credor, poderá este
recusá-la e exigir ressarcimento pelos prejuízos
causados.
O QUE É MORA?

Conceito de Mora: O próprio vocábulo indica o sentido:


Mora é a demora, atraso, retardamento, inexecução,
inadimplemento, descumprimento obrigacional.

O art. 394 estabelece que a MORA existe quando o


devedor não paga e o credor não recebe, por culpa
sua, o objeto da prestação jurídica, no tempo, lugar e
pelo modo convencionados.
MORA DO DEVEDOR E DO
CREDOR
No conceito de mora estão delineadas: Mora do
Devedor e Mora do Credor.

MORA DO DEVEDOR: Configura-se diante do não


cumprimento da obrigação pelo devedor.

É preciso que exista um débito perfeitamente


legítimo e exato, ou seja, é necessário que
devedor saiba quanto efetivamente deve pagar e
que a dívida esteja vencida para caracterizar a
mora. (art. 397).
MORA DO CREDOR: Materializa-se no
momento em que o credor se recusa a
receber o objeto da prestação ou a fornecer
o competente recibo comprovador do
pagamento.

Ex.: Se o proprietário de um prédio alugado


recusar a receber do seu inquilino o
aluguel, ou se recusar a emitir o recibo,
estará em mora.
A recusa do credor deve ser INJUSTIFICADA,
sem o que não haverá mora.

No exemplo citado, se o credor se recusar a


receber porque o inquilino quer lhe pagar valor
menor, não incidirá atraso no recebimento.

O art. 400 estabelece, em princípio que, não


agindo com dolo, ante a mora do credor, o
devedor se isenta de responsabilidade pela
conservação do objeto do pagamento, ficando o
credor, sempre obrigado a arcar com o
ressarcimento das despesas pela conservação.
Art. 400. A mora do credor subtrai o devedor isento de
dolo à responsabilidade pela conservação da coisa,
obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em
conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais
favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia
estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação.

Este artigo traz consideração da mais alta


relevância, pois, certo é que, se o devedor
pretendia efetuar o pagamento e foi impedido,
pode beneficiar-se inclusive com qualquer
aumento de valor que esse objeto venha a sofrer.
O parágrafo único do art. 397 destaca que não
havendo prazo, a mora se constituirá a partir da
interpelação judicial ou extrajudicial enviada ao
credor ou devedor.

Art. 398. Destaca que nas obrigações


provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor
em mora, desde o dia que o praticou – isto porque
é sua obrigação reparar o ato.

Se no período da mora, tornou-se impossível o


cumprimento da obrigação, responde o devedor
mesmo que a impossibilidade tenha ocorrido por
caso fortuito ou força maior.(Art. 399)- era sua
obrigação cumprir no prazo.
PURGAÇÃO DA MORA:

Art. 401. Purga-se a mora:

I - por parte do devedor, oferecendo este a


prestação mais a importância dos prejuízos
decorrentes do dia da oferta;

II - por parte do credor, oferecendo-se este a


receber o pagamento e sujeitando-se aos
efeitos da mora até a mesma data.
Purgação da Mora

Purgar a mora, em sentido jurídico, quer dizer sanar,


purificar, limpar, fazer desaparecer o atraso verificado no
cumprimento da obrigação.

Pela purgação da mora efetua-se o pagamento da


obrigação já descumprida, procurando-se evitar efeitos
mais graves.

Para Vicente Greco Filho, purgar a mora “é o


reconhecimento jurídico do pedido com efeito de direito
material de evitar a rescisão”.
O CC em seu art. 401 estabelece duas situações,
em seus dois incisos: a primeira figurando a
purgação pelo devedor e a segunda pelo credor.

Assim, o devedor para purgar a mora, deve


cumprir a prestação atrasada, pagando o devido,
mais perdas e danos resultantes.

Já o credor em mora deve purgá-la, dispondo a


receber o pagamento que recusou, suportando os
efeitos do atraso.
Purgação da Mora nas Ações de
Despejo com base na Lei 8.245/91
Art. 62. Nas ações de despejo fundadas na falta de pagamento de aluguel e
acessórios da locação, de aluguel provisório, de diferenças de aluguéis, ou
somente de quaisquer dos acessórios da locação, observar-se-á o seguinte:

I - (...)

II - o locatário e o fiador poderão evitar a rescisão da locação efetuando, no


prazo de 15 (quinze) dias, contado da citação, o pagamento do débito
atualizado, independentemente de cálculo e mediante depósito judicial,
incluídos:

a) os aluguéis e acessórios da locação que vencerem até a sua efetivação;


b) as multas ou penalidades contratuais, quando exigíveis;
c) os juros de mora;
d) as custas e os honorários do advogado do locador, fixadas em dez por
cento sobre o montante devido, se do contrato não constar disposição
diversa;"
PERDAS E DANOS

Art. 402 a 405 a matéria


será tratada na Unidade 5
JUROS LEGAIS – Art. 406 e
407
Parafraseando SILVIO RODRIGUES, Juro
é o preço do uso do capital. É fruto civil.
Remunera o credor que fica privado de
utilizar o capital e paga-lhe o risco de não
receber o capital de volta. Conforme DINIZ,
são considerados como bem acessório
(CC, art. 92).
Espécie

Existem 2 (duas) espécies de juros:


COMPENSATÓRIOS e MORATÓRIOS.

COMPENSATÓRIOS: São devidos como


compensação pelo uso do capital de
outrem, são previstos no contrato.

Ex.: As partes convencionam os juros


pelo prazo que durar o contrato.
Pode-se assim conceituar juros
COMPENSATÓRIOS como o preço pelo uso
do capital, que remunera o credor por ficar
privado do capital, pagando o credor pelo
risco de não o receber de volta.
JUROS MORATÓRIOS: Constituem-se em pena imposta ao
devedor pelo atraso no cumprimento da obrigação, atuando
como se fosse uma indenização pelo retardamento no
adimplemento da obrigação.

Podem os juros moratórios ser convencionados pelas partes


que prevêem na avença, sua taxa em caso de
inadimplemento obrigacional, situação em que se
denominam moratórios convencionais.

Ex.: A toma emprestado de B a quantia de R$ 5.000,00 e


ambos convencionam que em caso de atraso incidirá juros
de 1% ao mês.

Se as partes apenas estabelecerem no acordo que haverá


juros em caso de atraso, sem indicar qual valor, vigorará
neste caso o que a lei estabelecer, são os juros moratórios
legais. (art. 406)
Art. 406. Quando os juros moratórios não forem
convencionados, ou o forem sem taxa
estipulada, ou quando provierem de
determinação da lei, serão fixados segundo a
taxa que estiver em vigor para a mora do
pagamento de impostos devidos à Fazenda
Nacional.

Inúmeras são as discussões acerca da deste artigo,


todavia na prática impera a limitação de juros de
12% ao ano que era prevista na CF/88 – cujo
artigo foi revogado, mas a jurisprudência continua
aplicando.
Taxa de Juros na CF/88

A Constituição Federal, no seu art. 192, § 3º


(REVOGADO), dispunha que "as taxas de juros
reais, nelas incluídas comissões e quaisquer
outras remunerações direta ou indiretamente
referidas à concessão de crédito, não poderão ser
superiores a doze por cento ao ano" e que "a
cobrança acima deste limite será conceituada
como crime de usura, punido, em todas as suas
modalidades, nos termos que a lei determinar".
Art. 407. Ainda que se não alegue prejuízo, é obrigado o
devedor aos juros da mora que se contarão assim às dívidas
em dinheiro, como às prestações de outra natureza, uma vez
que lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial,
arbitramento, ou acordo entre as partes.

Os juros moratórios são devidos desde o


retardamento culposo, ou seja, a partir da
constituição em mora independentemente de
haver fixação.

Assim, havendo fixação do valor principal a


incidência de juros é implícita em caso de atraso
no pagamento.
CLÁUSULA PENAL
Art. 408 a 416
Conceito: é obrigação acessória de fixação
contratual, por escrito, nos limites da lei, de uma
pena, ou sanção, de natureza econômica, imposta
a quem retardar ou descumprir determinada
obrigação assumida.

Ex: A concedeu um empréstimo a B e pactuou


uma cláusula penal de 10% sobre o valor do
débito em caso de inadimplemento da obrigação.
Natureza jurídica: obrigação acessória,
subsidiária - pode ser estipulada junto com
a principal ou em ato posterior, nunca
anteriormente.

Art. 409. A cláusula penal estipulada


conjuntamente com a obrigação, ou em ato
posterior, pode referir-se à inexecução
completa da obrigação, à de alguma cláusula
especial ou simplesmente à mora.
Finalidade: Reforçar a obrigação principal, compelindo o
devedor a evitar o inadimplemento parcial ou total da
obrigação e indenizar o credor pelo atraso.

Não há indenização suplementar (aumento da clausula


penal), salvo se as partes convencionarem em sentido
contrário (416, § único do CC).

Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é


necessário que o credor alegue prejuízo.

Parágrafo único. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto


na cláusula penal, não pode o credor exigir indenização
suplementar se assim não foi convencionado. Se o tiver
sido, a pena vale como mínimo da indenização,
competindo ao credor provar o prejuízo excedente.
ESPÉCIES:
Compensatória: para inexecução completa da obrigação
(vedado cumular a pena compensatória com o indenização
por perdas e danos).

Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o


caso de total inadimplemento da obrigação, esta
converter-se-á em alternativa a benefício do credor.

Moratória para inexecução de cláusula especial ou simples


Moratória:
mora (pode cobrar a prestação principal e a multa).

Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para o


caso de mora, ou em segurança especial de outra
cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a
satisfação da pena cominada, juntamente com o
desempenho da obrigação principal.
Art. 412. O valor da cominação imposta na
cláusula penal não pode exceder o da
obrigação principal.

Se a clausula penal for superior ao prejuízo ou se


a prestação foi cumprida em parte, conforme o art.
413 do CC, poderá ser reduzida judicialmente.

Art. 413. A penalidade deve ser reduzida


eqüitativamente pelo juiz se a obrigação
principal tiver sido cumprida em parte, ou se o
montante da penalidade for manifestamente
excessivo, tendo-se em vista a natureza e a
finalidade do negócio.
DIVISIBILIDADE E INDIVISIBILIDADE DA
OBRIGAÇÃO E DA CLÁUSULA PENAL

Os arts. 414 e 415 tratam dos efeitos da cláusula


penal, relativamente às obrigações indivisíveis e
divisíveis, respectivamente.

Se a obrigação principal for INDIVISÍVEL, como a


de várias pessoas, que se comprometem a
entregar um touro de raça reprodutor, a outra, e
se um desses co-devedores descumpri-la,
culposamente, todos incorrerão na pena, mas esta
só poderá ser exigida integralmente do culpado,
pois os outros co-devedores só respondem,
individualmente, pelo valor da sua cota.
Art. 414. Sendo indivisível a obrigação, todos os devedores,
caindo em falta um deles, incorrerão na pena; mas esta só se
poderá demandar integralmente do culpado, respondendo cada
um dos outros somente pela sua quota.

Quando a obrigação for DIVISÍVEL, só poderá ser


responsabilizado por seu inadimplemento, ou retardamento,
o devedor que for culpado, mesmo assim, proporcionalmente
a sua cota obrigacional .

Art. 415. Quando a obrigação for divisível, só incorre na


pena o devedor ou o herdeiro do devedor que a infringir,
e proporcionalmente à sua parte na obrigação.
ARRAS OU SINAL
Arts. 417 a 420 CC
A palavra arras é de origem semita, tendo passado ao
idioma grego com o significado de penhor, garantia.

Conceito: Trata-se de importância em dinheiro, ou coisa


dada por um contratante a outro, por ocasião do contrato,
com a finalidade de firmar a presunção de acordo final e
tornar obrigatório o ajuste. Objetiva também assegurar que
não haja arrependimento. (Silvio Rodrigues)

Ex.: A firma um contrato com B e entrega no ato da


assinatura a quantia de R$ 10.000,00 como sinal de negócio
– trata-se de arras confirmatório de um negócio.
Espécies: Confirmatórias e Penitenciais

Arras Confirmatórias: Quando realizam a função de


tornarem concretas as negociações iniciais, pois com a
entrega do sinal, tornam-se estas obrigatórias,
definitivas.

Art. 417. Se, por ocasião da conclusão do contrato,


uma parte der à outra, a título de arras, dinheiro ou
outro bem móvel, deverão as arras, em caso de
execução, ser restituídas ou computadas na
prestação devida, se do mesmo gênero da principal.
A inexecução do contrato caracteriza o disposto no art. 418
do CC (quem deu arras, irá perde-la e quem a recebeu terá
que devolve-la com atualização monetária, juros e
honorários do advogado).

Art. 418. Se a parte que deu as arras não executar o


contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se
a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá
quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua
devolução mais o equivalente, com atualização
monetária segundo índices oficiais regularmente
estabelecidos, juros e honorários de advogado.

Art. 419. A parte inocente pode pedir indenização


suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras
como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir
a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo
as arras como o mínimo da indenização.
Arras Penitenciais: Quando as partes
contratam a possibilidade de
arrependimento do negócio principal. (art.
420).

Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de


arrependimento para qualquer das partes, as arras ou
sinal terão função unicamente indenizatória. Neste
caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra
parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o
equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a
indenização suplementar.
PLANO DE ENSINO
UNIDADE 5
RESPONSABILIDADE CIVIL

PERDAS E DANOS
Responsabilidade Civil

CONCEITO: do latim respondere (responder) -


vocábulo jurídico: responsabilizar-se, tornar-se
responsável, ser obrigado a responder –
OBRIGAÇÃO.

Descumprida Obrigação – Responde o


causador patrimonialmente – nem sempre é
possível obter o devido.
MARIA HELENA DIZ: “Poder-se-á definir a
responsabilidade civil como a aplicação de
medidas que obriguem alguém a reparar dano
moral ou patrimonial causado a terceiros em
razão de ato do próprio imputado, de pessoa
por quem ele responde, ou de fato de coisa
ou animal sob sua guarda (responsabilidade
subjetiva), ou, ainda, de simples imposição
legal (responsabilidade objetiva)".
RESPONSABILIDADE OBJETIVA E SUBJETIVA

SUBJETIVA - culpa comprovada – obrigação de indenizar.

Ex.: Acidente de trânsito por culpa do motorista.

OBJETIVA - teoria do risco – independe da culpa – deve


haver dano e nexo de causalidade - Art. 37, § 6° CF/88

Culpa Presumida - inversão do ônus – causador deve provar


que não agiu com culpa.

Ex.: Erro médico – cirurgia plástica.


PRESSUPOSTOS DA
RESPONSABILIDADE CIVIL

Ação ou omissão do agente,


Culpa
Dano experimentado pela vítima e
Nexo de causalidade (conduta e dano)

Art. 186 CC. "Aquele que, por ação ou omissão voluntária,


negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito".

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187),
causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Responsabilidade Civil
Conduta positiva (ação) ou negativa (omissão),
pode ser praticada:

a) pelo próprio agente causador do dano;

b) por terceiros (filhos, tutelados, curatelados - art.


932, I e II), empregados (art. 932, III), hóspedes e
educandos (art. 932, IV); e, ainda,

c) por fato causado por animais e coisas que


estejam sob a guarda do agente (art. 936).
DANO

Para haver responsabilidade civil é imprescindível


a comprovação do dano dela decorrente.

Sem a prova do dano, ninguém pode ser


responsabilizado.

Caio Mario da Silva Pereira, conceitua Dano como


sendo “toda ofensa a um bem jurídico”.
DANO MORAL E MATERIAL

O dano pode ser MORAL ou


MATERIAL/PATRIMONIAL.

Dano Moral afeta a personalidade - a honra -


integridade psíquica - bem estar íntimo - as virtude,
a paz social, etc.

O Dano Material – atinge o patrimônio - tem como


finalidade repor as coisas ao seu statu quo ante.
DANO MORAL
Prejuízo que não afeta o patrimônio econômico.

CF/88 (art. 5°, V) e art. 186 CC admitem a


indenização por dano exclusivamente moral. 1966
– STF 1° decisão.

É possível sua cumulação com indenização por


dano material – Súmula 37 do STJ.

A Responsabilidade Civil é independente da


Criminal (art. 935).
Dano Moral
Compensação pelo dano sofrido – lenitivo para o
credor – punição para devedor.

Indenização não pode ser tão mínima a ponto de


nada reparar, nem tão grande que possa causar o
enriquecimento ilícito.

Prova: simples - não é necessário que se prove


intensa dor física.
CLASSIFICAÇÃO DA RESP. CIVIL

A responsabilidade pode ser: Contratual ou Extracontratual.

Contratual obrigação determinada no negócio jurídico.

O art. 389 do Código Civil estabelece que: “Não cumprida a


obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e
atualização monetária segundo índices oficiais regularmente
estabelecidos, e honorários de advogado”.

Não importa se o não cumprimento foi intencional ou não – o que


importa é o descumprimento do negócio jurídico.
Requisitos da responsabilidade contratual:

Obrigação Violada
Nexo de Causalidade
Culpa – transgressão da avença
Prejuízo ao Credor

Valor da indenização: valor do bem jurídico


lesado - evitar o enriquecimento ilícito.
Responsabilidade Civil Extracontratual

Maria Helena Diniz: “decorre de violação


legal, de lesão a um direito subjetivo ou da
prática de um ato ilícito, sem que haja
nenhum vínculo contratual entre o lesado e
o lesante”.
Responsabilidade Civil Extracontratual

Baseia-se na culpa (subjetiva) - prova da


imprudência, imperícia ou negligência –
ônus da vítima.

Poderá abranger ainda a responsabilidade


sem culpa (objetiva), baseada na teoria do
risco.
INDENIZAÇÃO. PERDAS E DANOS
Art. 402 CC

INDENIZAR – reparar o dano – prejuízo –


perda – diminuição do patrimônio.

Art. 402. Salvo as exceções expressamente


previstas em lei, as perdas e danos devidas ao
credor abrangem, além do que ele
efetivamente perdeu, o que razoavelmente
deixou de lucrar.
INDENIZAÇÃO

Forma de Pagamento: dinheiro (geral)


Art. 947. Se o devedor não puder cumprir a prestação na
espécie ajustada, substituir-se-á pelo seu valor, em moeda
corrente.

Lucros Cessantes – credor deve provar a


perda - razoabilidade na fixação. Ex.: atraso de
vôo – perda de contrato de concorrência.

Dano Emergente – diminuição do


patrimônio – da fortuna. Ex.: acidente com veículo.
Privação. Aluguel de novo veículo.
Perdas e Danos - Juros e Correções

Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de


pagamento em dinheiro, serão pagas com
atualização monetária segundo índices oficiais
regularmente estabelecidos, abrangendo juros,
custas e honorários de advogado, sem prejuízo da
pena convencional.

Correção Monetária: evita premiar o mau


pagador
Dano - Quantum

Art. 944. A indenização mede-se pela extensão


do dano.
Parágrafo único. Se houver excessiva
desproporção entre a gravidade da culpa e o
dano, poderá o juiz reduzir, eqüitativamente, a
indenização.

Dano Material – mensurável (provas e perícias)

Dano Moral – Experiência do magistrado


Dano Moral - Quantum
Quantificação do dano: inexiste critério único e previsto em
lei - Magistrado deve valer-se da sua experiência e na
orientação dada pelo STJ.

[...] recomendável que o arbitramento seja feito com moderação,


proporcionalmente ao grau de culpa, ao nível sócio-econômico do
autor e, ainda, ao porte econômico do réu,réu orientando-se o juiz
pelos critérios sugeridos pela doutrina e pela jurisprudência, com
razoabilidade, valendo-se de sua experiência e do bom senso, atento
à realidade da vida e às peculiaridades de cada caso" (REsp
240.441/MG, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJU
5.6.2000, p. 172).
INDENIZAÇÃO

Prescrição

O prazo de prescrição das pretensões de


indenização derivadas de responsabilidade
civil é de 3 anos (art. 206, § 3º, V).
Obras utilizadas nestes slides
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZEVEDO, Álvaro Villaça. Teoria Geral das Obrigações. 11ª edição. São Paulo: Revista
dos Tribunais. 2008.

BITTAR, Carlos Alberto. Direito das Obrigações. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

BRASIL, Lei n. 10.406, de 10/01/2002. Código Civil. Editora Saraiva.

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: teoria geral das obrigações. 9 ed.
São Paulo: Saraiva, 2012.

DINIZ, Maria Helena. Código Civil Anotado, de acordo com o novo Código Civil. 8ª edição.
São Paulo: Saraiva, 2008

__________________. Teoria Geral das Obrigações. 2. volume. São Paulo: Saraiva

VENOSA, Silvio Salvo. Teoria Geral das Obrigações.