Você está na página 1de 76

Breves noções de Imunologia

Vacinas

17. Abril.2018
Edna Cunha
Noções de Imunologia

o Sumário:
o Introdução
o Conceito de Imunidade
o O sistema imune
o Imunidade Inata
o Imunidade Específica
o Mecanismos de resposta do sistema imune contra
os principais agentes patogénicos
o Particularidades da imunidade no período
neonatal
2
Objectivos pedagógicos

o No fim da aula os estudantes devem ser capazes de:

o Identificar a função do sistema imune


o Reconhecer a estrutura,os componentes e a função do
sistema imune
o Identificar as particularidades da resposta imune no
período neonatal

3
Imunidade
oÉ a capacidade do organismo:
oreconhecer substâncias
oconsiderá-las estranhas
opromover uma resposta contra elas (tentando eliminá-las).

oDeriva do latim immunis - indivíduos livres de impostos,pessoas


protegidas ou beneficiadas em relação às demais.

oSubstâncias que o organismo reconhece como “estranhas”:


o microrganismos ou substâncias que não são próprias
o células envelhecidas
o células anómalas
océlulas neoplásicas 4
o A eliminação desses agentes é um mecanismo de proteção.
o Quase sempre…
o A imunidade é benéfica ao indivíduo
o Em alguns casos…
o O organismo passa a reconhecer como “estranho” :
o componentes endógenos
o ou responde de forma exacerbada contra certos
agentes exógenos
o A defesa passa a ser prejudicial…
o Imunidade nem sempre é sinónimo de “defesa benéfica” (embora
isso aconteça na maioria dos casos)

5
O Sistema Imune
o É o conjunto de órgãos, células e moléculas
responsáveis pela defesa do nosso organismo contra
doenças
o doenças infecciosas
o doenças auto-imunes
o protecção contra neoplasias

o A resposta imune pode ser classificada em:


o Inata ou natural e Específica ou adaptativa
o Activa ou Passiva

6
7
Resposta Imune

o Resposta Imune Inata ou Natural


o Conjunto de respostas que não dependem de um contacto
prévio com o agente infeccioso para ser iniciado.

o Resposta Imune Específica ou adaptativa


o Características:
o Necessidade de contacto prévio com o antigénio
o Especificidade para esse antigénio
o Formação de linfócitos de memória

8
9
Resposta Imune Específica
o Capacidade de alguns linfócitos de reconhecer elementos
estruturais do agente estranho (antigénios) activação de
mecanismos celulares ou humorais (destruição ou inactivação).

Imunidade Celular Imunidade Humoral

Linfócitos T Linfócitos B
Principal mecanismo de defesa Principal mecanismo de defesa

contra microorganismos intra-celulares, contra microorganismos extra-

vírus e algumas bactérias celulares e toxinas

10
Imunidade humoral
o Sistema de defesa mediado por anticorpos
específicos
o Activos contra agentes que circulam no sangue
o Bactérias extracelulares
o estafilococo , estreptococo
o Toxinas produzidas por bactérias
o Vírus ( antes de penetrarem nas células)

o Os efectores da imunidade humoral são os linfócitos B

11
Imunidade humoral

12
Imunidade mediada por células
o Sistema de defesa mediado por linfócitos T
o Designação de linfócito T –
o células dependentes do timo para o seu desenvolvimento
o (nele se desenvolvem e atingem a maturação)
o Actuam contra microorganismos intracelulares
(onde os anticorpos não podem alcançar)
o Exs: infecções virais, algumas infecções bacterianas como a
tuberculose, clamídia, riquétsia, micoplasma)

o Linfócitos T
o Possuem receptores de membrana específicos (TCR e CDR3)
o Reconhecem apenas antigénios apresentados por células do organismo-
moléculas identificadoras do organismo .

13
Imunidade mediada por células

o Funcionalmente os linfócitos T dividem-se em:


o Linfócitos T auxiliares ou helpers ( LTh)
o Linfócitos T citotóxicos (LTc)
o Linfócitos T supressores (LTs)
o Linfócitos T memória (LTm) – estado inactivo

o Cada um deles tem:


o receptores característicos (detectáveis por técnicas imunológicas),
o funções específicas

14
Linfócitos T auxiliares - Th
o Os Linfócitos Th têm receptores CD4:
o reconhecem os macrófagos activados.
o mensageiro mais importante do sistema
imunitário
o Envia mensagens para os diversos leucócitos
conflito imunológico contra o agressor.
o São o principal alvo do VIH

15
Linfócitos T supressores- LTs

o Modulam a resposta imunitária através da sua inibição.


o Inactivam os linfócitos Th e Tc, limitando a sua acção no
decurso de uma reacção imunitária.
o Participam na tolerância imunológica -
o mecanismo utilizado para impedir que os leucócitos ataquem as
células do próprio organismo
o Deficiência na produção ou activação dos LTs pode causar ataque auto-imune ao
organismo

16
Linfócitos T citotóxicos – LTc
o Os LTc têm receptores de membrana CD8:
o têm a função de reconhecer o MHC – major histocompatibility
complex- para o qual todas as células do organismo têm genes
próprios (HLA).

o Os LTc destroem as células alvo após reconhecimento dos


antigénios.
o células infectadas
o células cancerosas
o Transplantes
o enxertos

17
Particularidades da imunidade no período neonatal
o RN tem todos os mecanismos de defesa deficientes:
o Defesas físicas
o Pele e mucosas finas e fácilmente lesionadas e infectadas
o Côto umbilical – lócus de infecção
o Imunidade Celular
o nº de linfócitos T reduzido
o nº de neutrófilos reduzido
o Redução da fagocitose e da quimiotaxia
o Imunidade Humoral
o IgG – transportada activamente através da placenta a partir da 20ª
semana de gestação
o IgM- atinge valores do adulto por volta do 1º ano
o propensão a infecção por bactérias gram negativas
o Hipogamaglobulinémia transitória ou fisiológica
18
19
o Imunidade Activa
o Natural :
o conferida pela própria doença
o Arficial :
o induzida por toxóides
o ou microorganismos vivos ou atenuados ( vacinas)

o Imunidade Passiva
o Natural:
o Passagem transplacentária de anticorpos da mãe para o feto
o Artificial:
o Induzida quer pela administração de anticorpos heterólogos
( ex: soro anti-tetânico) ou
o anticorpos homólogos (gamaglobulinas de origem humana)
20
Referências Bibliográficas

o Jacob C. e Pastorino A., Aspectos gerais do sistema imune e relação parasita-


hospedeiro, Alergia e Imunologia para o Pediatra,2009,pgs 17-31.
o Grumach A., Mecanismos de Defesa contra Agentes infecciosos, Pediatria
Básica,Vol. 2,2003,pgs 10-14
o Helbert Matthew and Nairn R., Imunologia para Estudantes de Meidicina, editora
Guanabara,2002,pgs 3-39.
o Imunidade adquirida, disponível em http://www.slideshare.net, acesso 25.04.17
o Machado P. et al, Mecanismos de resposta imune ás infecções, An Bras
Dermatologia, 2004,vol. 6,79: 647-664
o Sistema imunitário,disponível em em http://www.slideshare.net, acesso a
14.04.2018

21
Vacinas
Vacinas
o Sumário:
o Introdução
o Conceitos gerais
o Aspectos biológicos das vacinas
o Recomendações gerais
o Contra-indicações à vacinação
o As vacinas do Programa Alargado de Vacinação
o Outras vacinas
o Vacinação em condições especiais
23
Vacinas
o Maior conquista da Medicina
o Erradicação da varíola
o Erradicação da poliomielite nas Américas e Europa
o Redução significativa da mortalidade por:
o Difteria
o Tétano
o Tosse convulsa
o Sarampo
o Doenças invasivas a H. influenza tipo B

24
História da Vacinação
o 1796 Jenner inventou a primera vacina contra a varíola

o 1885 Pasteur procedeu à vacinação contra a raiva

o 1909 Desenvolvidas vacinas contra tétano, difteria e tuberculose

o 1954 Salk elaborou uma vacina contra a poliomielite

o 1970-1980 Vacinas contra a varicela, meningococo, pneumococo e


haemophilus influenzae B

o 1979 A O.M.S. Declarada a erradicação da varíola

o Finais do séc. XX - Impulso na engenharia genética


25
Conceitos Gerais
o Vacinação:
o administração de agente infeccioso (atenuado ou
inactivado) ou fracção deste, a fim de induzir resposta
imunitária no hospedeiro.
o estimula o organismo a produzir anticorpos e a deflagrar
respostas imunes celulares (mediada por linfócitos T).

o Imunização passiva artificial:


o administração de anticorpos ao hospedeiro,de modo a
que este possa responder a determinada infecção.
o confere proteção temporária.

26
Substâncias imunobiológicas (1)
o Vacina:
o suspensão de microorganismos vivos atenuados
ou inactivados, ou suas fracções
(proteínas,polissacáridos,ácidos nucleicos),que quando

administrados induzem imunidade por


mecanismos idênticos aos produzidos pela
própria doença.

27
Substâncias imunobiológicas (2)
o Toxóide:
o toxina bacteriana modificada,com perda da
toxicidade mas com capacidade para estimular a
formação de antitoxina pelo receptor.

28
Substâncias imunobiológicas (3)
o Imunoglobulina:
o Solução contendo anticorpos específicos,obtida a partir de
fraccionamento de grandes volumes de plasma humano
o imunização específica pós-exposição
ou
o terapêutica de substituição em imunodeficiências
humorais.
o Antitoxina:
o anticorpo derivado do soro humano ou animal após
estimulação com antigénios específicos
o usada para imunização passiva
o (ex: antitoxina tetânica).
29
Resposta Imune à Vacinação (1)

o Respostas à vacina :
o Primária ou inespecífica
o Secundária ou específica

o Após vacinação inicia-se a resposta primária:


o O indivíduo não tem "memória" imunológica.
o Período de latência ( duração de 1-14 dias, média - 7 a 10 dias),
caracterizado pela ausência de anticorpos circulantes.
o Antigénio está a ser modificado e preparado pelas células
apresentadoras para que ser reconhecido pelos linfócitos.
30
Resposta Imune à Vacinação (2)
o Logo em seguida…
o o período de crescimento (dura cerca de 28 dias):
o Ocorre rápido aumento nos títulos de anticorpo ( primeiro há um
pico de IgM e depois de IgG).
o É esse período que justifica um intervalo mínimo entre
duas doses de vacina de cerca de um mês.
o Após o pico de anticorpos período de declínio :
o Queda dos títulos (mas protectores para o resto da vida) ou para valores
indetectáveis (que não conferem protecção).
o Necessidade de doses de reforço.

31
Resposta Imune à Vacinação (3)
o Resposta secundária (específica):
o subpopulação de linfócitos T e B diferencia-se em linfócitos
de memória.
o 2ª dose da vacina resposta específica
o Ausência do período de latência
o período de crescimento maior e mais intenso.
o IgG é o anticorpo predominante.
o período de declínio títulos de anticorpos serão
significativamente maiores do que após a 1ª dose
(proteção por período prolongado).
32
Aspectos biológicos das vacinas (1)
oTipos de vacinas:

oVivas (atenuadas):
oMaior resposta imunogénica
oResposta parecida com a da infecção natural e muitas vezes vitalícia
oSão inibidas por anticorpos passivos (anticorpos transplacentários, imuoglobulinas,sangue
e derivados)
oFrequentemente administração única
oExcepção poliomielite

oExemplos:
oBCG
oSarampo
oPoliomielite
oRubéola
oVaricela
oParotidite
33
Aspectos biológicos das vacinas (2)
o Vacinas inactivadas ou mortas
o Possuem menor capacidade imunogénica
o Maior quantidade de antigénio
o Precisam de doses de reforço
o Não são inibidas por anticorpos passivos
o Não existe risco de doença após vacinação

o Exemplos:
o Microorganismo total inactivado (Hepatite A, pertussis, polio tipo Salk, febre tifóide)
o Exotoxina atenuada (toxóides tetânico e diftérico)
o Subunidades antigénicas
o Processo de purificação – menos efeitos secundários.

34
Vacinas atenuadas X Vacinas inactivadas

35
Diferenças entre vacinas atenuadas e inactivadas

36
Aspectos biológicos das vacinas (3)

o Vacinas de subunidades
o Polissacáridos, extratos ribossómicos
o Proteínas purificadas ou sintetizadas

o Polissacarídicas :
o Construidas a partir de polissacáridos da cápsula do agente infeccioso.
o Não induzem memória imunológica duradoura e não são eficazes em
crianças < de 2 anos.
o Polissacarídicas-conjugadas :
o Conjugam um polissacárido da cápsula com uma proteina
transportadora.
o Conjugação produz resposta imunológica mais eficaz e capaz de induzir
memória duradoura. São eficazes mesmo em < de 2 anos.
37
Aspectos biológicos das vacinas (4)

38
Vacinas conjugadas versus vacinas combinadas

39
Outros componentes das vacinas:
o Responsáveis pelo aparecimento de reacções alérgicas

o Conservantes (timerosol ou mertiolate, 2- fenoxietanol)

o Antibióticos
o Eritromicina - Febre amarela
o Estreptomicina – VPO,VPI
o Neomicina – VPO,VPI, VASPR
o Polimixina B – VPI

o Adjuvantes
o aumenta a persistência do antígeno nas células dendríticas e macrófagos e
retarda a libertação do antigénio do local de injeção
o sal de alumínio – vacinas inactivadas

o Solventes
o antigénio de ovo ( Sarampo)
o ingredientes de cultura celular
40
Recomendações gerais (1)
o Factores a considerar:
o Epidemiologia da doença
o Morbilidade e mortalidade específicas
o Imunogenicidade da vacina
o Risco de reacções adversas
o Relação custo/benefício
o Condições especiais
o Imunodeficiência
o Circunstâncias particulares de exposição

41
Recomendações gerais (2)
Intervalo mínimo entre vacinas diferentes

42
Recomendações gerais (3)

o Vacinas interrompidas

o Não é necessário recomeçar o calendário vacinal


o Basta administrar as restantes doses
o Longo intervalo entre doses não afecta a resposta
imunológica

43
Contra-indicações gerais às vacinas

o Reacção anafiláctica a uma dose prévia da mesma


vacina
o Doença moderada ou grave
o Vacinas de vírus atenuados em
imunocomprometidos
o incluindo os que recebem altas doses de corticóides
o Administração recente de sangue, plasma ou
imunoglobulinas
o Doença neurológica evolutiva
44
Falsas contra-indicações:

o Doenças benignas
o Asma, renite alérgica
o Tratamento com antibióticos
o Antecedentes familiares de convulsões
o Baixo peso no recém-nascido
o Dermatoses, eczemas ou doenças da pele localizadas
o Malnutrição
o Aleitamento materno

45
Aspectos particulares de cada vacina do P.A.V.

46
As vacinas do Programa Alargado de Vacinação
(P.A.V.)

47
Vacina BCG(1)
o Composição:
o Bacilos vivos atenuados de Mycobacterium bovis (bacilo de
Calmett e Guerin)
o Nos países em desenvolvimento
o administrada ao nascimento
o Eficácia:
o 50-80% (formas graves- meningite TB , TB miliar)
o Via de administração:
o Intradérmica (deltóide esq)

48
Vacina BCG(2)

o Contra-indicação temporária:
o RN < 2 kg
o maior incidência de complicações locais
o Lesões cutâneas activas
o Efeitos secundários:
o 4 a 6 semanas depois – nódulo local
o Conservação:
o 2 – 8° C, devendo ser protegida da luz solar directa.
o Não congelar

49
Vacina BCG(3)

o Não impede a instalação da infecção primária.


o Não interrompe a cadeia epidemiológica.
o Reduz a disseminação hematogénica
o Diminui a incidência das formas graves
o meningoencefalite e tuberculose miliar.

50
Vacina anti-poliomielite(1)
o Há dois tipos de vacinas disponíveis contra o vírus da
poliomielite:

Jonas Salk (inactivada) Albert Sabin (atenuada)

51
Vacina anti-poliomielite(2)

o VPO (vírus atenuados) - Sabin


o Induz formação de anticorpos e resistência intestinal
( competição do vírus vacinal com o selvagem no meio ambiente)

o Produz vacinação secundária dos contactos intímos


o Risco pequeno de causar doença paralítica:
o 1/3000 000 de doses no vacinado ou no contacto

52
Vacina anti-poliomielite(3)
o Doses:
o pelo menos 3, com intervalo mínimo de 4 semanas,antes
dos 9 meses, a partir da 6ª semana de vida.
o nas zonas endémicas – logo ao nascer
o Conservação:
o 0 - 8°C (durante 1 ano)
o Depois de descongelada (e mantida à temperatura de 2-8 °C)
o 1 mês

o Eficácia:
o VPO – 95% em condições óptimas de aplicação
53
Vacina Pentavalente
o Vacina combinada
o Composição:
o pertussis inactivada, toxóides tetânico e diftérico,antigénio de superfície
recombinante do vírus da hepatite B e polissacárido capsular do hemophilus
influenza tipo B conjugado ao toxóide diftérico.
o Eficácia:
o comparável à das vacinas isoladas, com menos efeitos adversos ( > 85%).
o Via de administração: I.M.
o Esquema de vacinação:
o 2,4,6 meses
o Conservação:
o Entre 2- 8 °C
o Não congelar

54
Vacina contra Pneumococo
o Composição:
o vacina de polissacárido composta por 13 serotipos
(1,3,4,5,6A,6B,7F,9V,14,18C,19ª,19F,23F),
o conjugada com variante não tóxica da toxina diftérica.

o Prevenção de doença pneumocócica invasiva


o Esquema de vacinação:
o 2,4,6 meses
o Reforço - 15-18 meses

55
Vacina contra rotavírus

o Protecção contra formas graves de diarreia causadas pelo


rotavírus.
o Composição:
o vírus atenuados
o Via de administração:
o oral
o Esquema de vacinação:
o 2 doses - intervalo mínimo de 1 mês
o 1ª dose - a partir da 6ª semana e até 3 meses e 1 semana
o 2ª dose - dos 3 meses e 1 semana aos 5 meses e meio
56
Vacina contra Sarampo
o Composição:
o Vírus vivo atenuado
o Dose única
o Idade apropriada
o depende da situação endémica do país (nos países em
desenvolvimento – 9 meses)
o Antes dos 9 meses - anticorpos maternos destroem o vírus
vacinal
o Eficácia: 90-95% (se administrada na idade apropriada)
o Conservação:
o Longa duração - -15 / -25°C.
o Curta duração - 0 a 8 °C.
57
Vacina contra a Febre amarela
o Composição:
o vírus vivos atenuados
o Via de administração: S.C.
o Dose única - a partir dos 6 meses de idade nas zonas
endémicas.
o No nosso País – 9 meses
o Anticorpos após imunização podem persistir por 30 anos.
o Revalidação da vacina a cada 10 anos.
o Conservação:
o 0-8°C
o a longo prazo -15/-25°C

58
Outras Vacinas

59
Vacina anti-poliomielite
o VPI (vírus inactivados) – Salk

o Induz formação de anticorpos


o Não impede a infecção intestinal (embora limite a sua duração)
o Não produz vacinação “ secundária”
o Vantagem :
o não exigir congelamento

60
Outras vacinas contra Pneumococo (VPC)

o VPC 7 - (4, 6B, 9V, 14, 18C, 19F e 23F)


o VPC 10 - VPC-7 mais os serotipos 1, 5, e 7F
o VPC 13 - (1,3,4,5,6A,6B,7F,9V,14,18C,19ª,19F,23F)
o Conjugadas com variante não tóxica da toxina diftérica.
o Prevenção de doença pneumocócica invasiva e otite média
o Esquema de vacinação:
o 2,4,6 meses
o Reforço - 15-18 meses
o Vacina de polissacárido 23
o recomendada em grupos de risco:
o Anemia falciforme,asplenia funcional,insuficiência renal
crónica,HIV,sind.nefrótico, terapêutica imunossupressora
61
Vacina contra Meningococo(1)
o Tipos de vacina:
o vacinas monovalentes - A / C
o vacinas bivalentes - A e C
o vacina tetravalente - A, C, Y e W-135.

o Vacina conjugada - polissacárido do meningococo C conjugado à


proteína CRM 197 ou ao toxóide tetânico.
o a partir dos 2 meses
o excelente resposta imunológica
o longa protecção

62
Vacina contra Meningococo(2)
o Composição:
o A e C – vacina de polissacárido purificado da N. meningitidis
do grupo A e C.
o Eficácia:
o Prevenção da doença meningocócica
o Componente A – imunogénico em crianças > 3 meses
o Componente C - polissacárido - 80-100% > de 2 anos
o Vacina Conjugada (meningococo C)
o a partir dos 2 meses
o excelente resposta imunológica
o longa protecção

63
Vacina contra Meningococo(3)
o Indicações de vacinação:

o Vacina quadrivalente
o (A, C, Y e W-135)
o Grupos de risco:
o Asplenia funcional e anatómica
o Imunodeprimidos
o Epidemias
o Viajantes para áreas endémicas

64
Vacina contra rotavírus
o RotaTeq - vacina recombinante de virus bovinos e humanos
com 5 antigénios: G1, G2, G3, G4 e P1 (3 doses).
o Rotarix - G1 (2 doses)

o Composição:
o vírus atenuados
o Via de administração:
o oral
o Esquema de vacinação:
o 2 doses - intervalo mínimo de 1 mês
o 1ª dose - a partir da 6ª semana e até 3 meses e 1 semana
o 2ª dose - dos 3 meses e 1 semana aos 5 meses e meio 65
Vacina contra a Tosse convulsa acelular
o Composição:
o combinada com toxóides diftérico e tetânico (DPaT)
o a fracção pertussis contém 3 a 5 antigénios altamente purificados
o Eficácia:
o 50 a 90 % em crianças que receberam no mínimo 3 doses
o Diminuição das reacções locais e sistémicas com a DPaT
o Imunidade mínima de 3 anos
o Se tosse convulsa prévia – vacinar
o Esquema de vacinação:
o Dos 2 meses a < 7anos
o Após 7 anos - toxóide tetânico e diftérico
o vacinação primária ou de reforço

66
Vacina anti-Sarampo, Rubéola e Papeira
(VASPR)
o Composição:
o vírus vivos atenuados do sarampo,papeira e rubéola

o Esquema de vacinação:
o 1ª dose - a partir dos 12 meses
o 2ª dose - entre 4 e 6 anos
o Os que não receberam a 2ª dose:
o devem completar o esquema aos 11- 12 anos

67
Vacina contra a Raiva
o Tipos de vacinas:
o Vírus inactivado
o Vacinas de culturas de células:
o São três : vacinas de células diplóides humanas, vacina de cultura de
células purificadas de embrião de galinha e vacinas produzidas de
células fetais de macacos Rhesus.
o Esquema de vacinação:
o Dias 1,3,7,14 e 28
o A imunização passiva deve sempre acompanhar a vacinação,
(excepto se já forem decorridos 8 dias do acidente)
o imunoglobulina anti-rábica humana -20 UI/kg.
o O anticorpo bloqueia a ligação inicial do vírus às terminações nervosas.
o Imunoglobulina equina - 40 UI/kg.

68
Vacina contra a Hepatite A
o Composição:
o célula inteira inactivada do vírus da Hepatite A
o Eficácia:
o níveis de Anti-HVA- 15 dias após a 1ª dose em 88% dos
vacinados
o Esquema de vacinação:
o Grupos de alto risco – trabalhadores da saúde, de creches e
asilos,manipuladores de alimentos e lixo, doentes crónicos, viajantes para
áreas de alta endemecidade
o Alguns países recomendam a todas as crianças > 1 ano
o 2 doses - intervalo de 6 a 12 meses
o Existe associação com vacina Hepatite B
69
Vacina contra Varicela
o Composição:
o Vírus vivo atenuado da cepa Oka
o Eficácia:
o 95% de protecção após 7 anos
o Esquema de vacinação:
o A partir dos 12 meses
o Dose única em < 13 anos
o 2 doses em > 13 anos com intervalo de 8 semanas
o Evitar salicilatos até 6 semanas após vacina
o ( risco de Síndrome de Reye e doença natural)

70
Vacina contra papiloma vírus
o Protecção contra cancro do colo do útero (papiloma vírus
humano tipos 16 e 18)
o Protecção cruzada contra outros HPVs (6 e 11)
o Composição:
o subunidades dos tipos 16 e 18 HPV (recombinação genética)
o Esquema de vacinação:
o > 10 – 25 anos, sexo feminino
o 3 doses – dias - 0,30 e 180
o Via de administração:
o I.M. profunda (deltóide)

71
Vacinas em condições especiais(1)
o Prematuros
o A maior parte das vacinas devem ser dadas nas doses
habituais e na idade cronológica própria
o Vacinas contra Hepatite B e BCG – esperar até atingir 2 kg

o Amamentação
o Não há contra-indicação
o A maioria das vacinas de vírus vivos não é excretada no leite
materno

o Estado imune desconhecido ou duvidoso


o Testar ou revacinar
o A vacinação de uma pessoa imune não apresenta riscos
72
Vacinas em condições especiais(2)
o Imunodeficiência
o Recomendação de vacinar varia com:
o o grau e causa de imunodeficiência
o risco de exposição à doença
o tipo de vacina

o Vacinas de bactérias e vírus vivos são contra-indicadas em


crianças com imunodepressão clínicamente significativa

o A VPO é contra-indicada em imunodeprimidos e crianças que


com eles coabitem
o devem receber a VPI
73
Novas biotecnologias ao serviço das vacinas
o Recombinação genética do ADN
o Anticorpos monoclonais específicos
o Elaboração de novas vacinas
o Aperfeiçoamento das existentes
o Vacinas
o mais seguras
o mais eficazes
o menos reactivas
o mais baratas

74
Referências Bibliográficas
o Farhat C. K. et al, Imunizações,Fundamentos e Prática,Editora Atheneu,
4ª edição;2000

o Gomes F.M., Vacinas rotineiras e vacinas em grupos de risco, A Promoção da Saúde


na Infância, Editora Manole, 1ª ed.;2009 :81-92.

o Grumach A., Mecanismos de Defesa contra Agentes infecciosos, Pediatria


Básica,2003; vol. 2:10-14

o Helbert Matthew and Nairn R., Imunologia para Estudantes de Medicina, Editora
Guanabara; 2002:3-39.

o Offit P. A.,Vaccines,Pediatric Infectious Diseases, Editora Elsevier; 2008: 371-384

o Ortqvist A. et al,Vaccination in children, A systematic review, Acta Pediatrica,2010;


99:1-192
75
Muito Obrigada!
76