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GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA

VETERINÁRIA - PARTO

PROFESSORA: RENATA PRESTES ANTONANGELO DE


OLIVEIRA
RENATA@UDC.EDU.BR
NASCIMENTO NORMAL

� O conhecimento dos sinais clínicos demonstrados pelas fêmeas durante o parto


EUTÓCICO é essencial para avaliar parâmetros de parto DISTÓCICO

GARANTIA DE SOBREVIVÊNCIA FETAL


PRINCIPALMENTE NO
ADIANTAMENTO DO PARTO
NASCIMENTO NORMAL
� Eventos endócrinos necessários ao desencadeamento do parto:

O FETO É O RESPONSÁVEL PELO INÍCIO DO NASCIMENTO


NAS ESPÉCIES – VARIAÇÃO DAS VIAS ENDÓCRINAS
RELAXINA
NASCIMENTO NORMAL

� SINAIS CLÍNICOS:
VACAS
- 270 a 300 dias de gestação
- Queda da borda caudal dos ligamentos pélvicos (Biometria de pelve –
melhoramento genético envolvido – GARUPA)
- Liberação do tampão cervical
- Esguichamento do leite (MOJO)
- Queda da temperatura corporal 0,5 a 1•C
- Edema úbere
- Comportamento (avaliação anterior de 12h/12h)
NASCIMENTO NORMAL
� OBSERVAÇÕES:
- A PREVISÃO DA DATA PROVÁVEL DO PARTO FACILITA O PLANEJAMENTO
PARA O PARTO NORMAL, PARA O AGENDAMENTO DA CESARIANA E
AUXILIA NO RECONHECIMENTO PRECOCE DE FÊMEAS COM SUSPEITA DE
PARTO PREMATURO OU GESTAÇÃO PROLONGADA
DURAÇÃO DA PRENHEZ
 CADELAS: 57 A 70 DIAS (CONSIDERANDO A DATA DA 1ª MONTA)
- LONGO PERÍODO DE ESTRO COMPORTAMENTAL
- LONGA SOBREVIVÊNCIA DO ESPRMATOZÓIDE CANINO (6 A 7 DIAS)
- 2 A 3 DIAS PARA A MATURAÇÃO DOS OÓCITOS
NASCIMENTO NORMAL

OBSERVAÇÕES:
DURAÇÃO DA PRENHEZ
CADELAS
 Quando se considera a ovulação: 62 a 64 dias
 Obs: gestação é prolongada em cadelas a partir de 5 fetos (1 dia a mais)
 SINAIS DE PARTO IMINENTE NA CADELA
 CITOLOGIA VAGINAL: (80 PARA 40% CÉLULAS SUPERFICIAIS)
 LABORATORIAL: QUEDA DA PROGESTERONA (3 PARA 1 NG/DL) 24
HORAS ANTES DO PARTO
NASCIMENTO NORMAL

OBSERVAÇÕES:
 SINAIS DE PARTO IMINENTE NA CADELA

 PERDA DO TAMPÃO MUCOSO 1 SEMANAS ANTES


 2 A 3 DIAS ANTES: INQUIETUDE, ISOLAMENTO, ANOREXIA
 RELAXAMENTO DA MUSCULATURA PÉLVICA E ABDOMINAL
 12 A 24 HORAS ANTES: CAVAR, MASTIGAR E TAQUIPNÉIA
 QUEDA ABRUPTA DA TEMPERATURA (ALGUMAS CADELAS CHEGAM A
35 ºC
NASCIMENTO NORMAL
- OBSERVAÇÕES
- Duração da gestação:62 a 71 dias

- SINAIS DE PARTO IMINENTE NA GATA


Controle hormonal: queda da progesterona de 4 para 2 ng/mL nas 24 horas anteriores
ao parto
- Diminuição da atividade física
- Procuram locais mais calmos e silenciosos
- Mudanças de comportamento: aversão a estranhos
- Construção de ninho minutos antes do parto
- Relaxamento da musculatura pélvica e abdominal
- Algumas gatas podem recusar o alimento de 12 a 24 horas antes
NASCIMENTO NORMAL
- OBSERVAÇÕES
- DURAÇÃO DA GESTAÇÃO: 11 meses (340 dias – 320 a 360)
- Inverno: mais prolongado
- SINAIS DE PARTO IMINENTE NA ÉGUA
- Desenvolvimento do úbere
- Visualização de cera pendendo das tetas
- Relaxamento da garupa e vagina.
- Por vezes o extravazamento de leite é observado dias antes.
- No momento do parto serão observados inquietude, sudorese, dilatação dos vasos
sanguíneos, principalmente no pescoço e finalmente a ruptura da bolsa alantóide e
visualização dos membros do feto.
FONTE: M.V FRANCISCO LANÇA
NASCIMENTO NORMAL
PARTO – MUDANÇAS FÍSICAS ASSOCIADAS:
PRIMEIRO ESTÁGIO – PREPARATÓRIO OU DILATAÇÃO =
RELAXAMENTO DOS LIGAMENTOS PÉLVICOS EDILATAÇÃO DA
CÉRVIX

SEGUNDO ESTÁGIO – EXPULSÃO DO FETO = POR MEIO DO


CANAL PÉLVICO

TERCEIRO ESTÁGIO = EXPULSÃO DOS ENVOLTÓRIOS FETAIS


NASCIMENTO NORMAL
CONTRAÇÕES

- As contrações ocorrem da seguinte maneira:


- Inicialmente a cada 25 50 segundos
- 50 a 90 segundos
- Não há contrações da musculatura abdominal
- Invaginação do alantocórion no assoalho vaginal
- Duração média de 6 a 12 horas, chegando a 36 horas (s/comprometimento fetal) -
primeira fase!!!!
PARTO PREMATURO
- DIFÍCILMENTE DETECTADO QUANDO A DATA DA OVULAÇÃO NÃO É
CONHECIDA!!!
- PACIENTES DE ALTO RISCO
- HISTÓRICO DE ABORTOS RECORRENTES
- SINAIS CLÍNICOS INCOMUNS COMO CORRIMENTO
- PARÂMETROS VITAIS ALTERADOS
PACIENTES DEVEM SER MONITORADAS COM AUXÍLIO DE UM
TOCODINAMÔMETRO, US E SE POSSÍVEL, CONFORME O
DESENVOLVIMENTO OBSERVADO, SUPLEMETAÇÃO A BASE DE P4

SE DETECTADO O PARTO PREMATURO, O TRATAMENTO DEVE SER


REALIZADO A BASE DE SUBSTÂNCIAS TOCOLÍTICAS, QUE EVITAM AS
CONTRAÇÕES: TERBUTALINA 0,01 MG/KG QOD
DISTOCIA

Dificuldade ou a
incapacidade de expelir os
fetos do útero

- Origem materna ou fetal


- Ligadas a fatores:
- Raciais
- Funcionais ou obstrutivos
DISTOCIA
AMBAS FALHAM
EM RESPOSTA A
ORIGEM MATERNA - FATORES OCITOCINA
DISTOCIA FUNCIONAL

- INÉRCIA UTERINA 1ª: é caracterizada pela falha em expulsar fetos de


tamanho normal pelo canal do parto, o qual não apresenta irregularidades,
exceto pela incompleta dilatação da cérvix.
- INÉRCIA 2ª: ocorre depois de prolongada contração uterina sem êxito
em expulsar um feto que obstrui o canal do parto, ou todos os fetos ainda
retidos no útero face à obstrução - FADIGA
DISTOCIA
ORIGEM MATERNA - FATORES
DISTOCIA OBSTRUTIVA:
- PODE ESTAR ASSOCIADA AO FETO, DEPENDENDO DE SUA
APRESENTAÇÃO (NORMAL) E (ANORMAL – TAMANHO)

- PODE ESTAR ASSOCIADA À FÊMEA:


- MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS
- ALTERAÇÕES ANATÔMICAS DO CANAL DO PARTO
- GESTAÇÃO ECTÓPICA
- FRATURA PÉLVICA
- NEOPLASIAS (TVT, LEIOMIOMAS)
DISTOCIA
ORIGEM MATERNA - FATORES
DISTOCIA GENÉTICA

- VERIFICADA EM RAÇAS BRAQUIOCEFÁLICAS, TERRIERS,


PINCHERS E CHIHUAHUAS POR DESPROPORÇÕES MATERNO-
FETAL
- CANAL DO PARTO ESTREITO – CONFORMAÇÃO DO SISTEMA
GENITAL
- PROLAPSO VAGINAL E PERMANÊNCIA DO HÍMEN
- CABEÇAS GRANDES DOS FETOS
DISTOCIA
ORIGEM MATERNA - FATORES
- DISTOCIA POR TÔNUS MUSCULAR ABDOMINAL REDUZIDO
CADELAS IDOSAS OU OBESAS PODEM TER DIFICULDADE EM
PRODUZIR CONTRAÇÕES UTERINAS, PRINCIPALMENTE NO 2º
ESTÁGIO DO PARTO

- TORÇÃO OU RUPTURA UTERINA


TORÇÕES UTERINAS DE DIFERENTES GRAUS PODEM OCORRER,
PREDISPONDO À DISTOCIA. OS CASOS DE RUPTURA UTERINA SÃO MAIS
FREQÜENTES APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE OCITOCINA EM DOSE
EXCESSIVA, FEITA POR LEIGOS, SEM PRESCRIÇÃO MÉDICA
DISTOCIA
ORIGEM FETAL - FATORES
- ESTÁTICA FETAL ANÔMALA:
ALTERAÇÕES NA APRESENTAÇÃO (PÉLVICA / CEFÁLICA), POSIÇÃO
E/OU NA POSTURA DO FETO DURANTE O PARTO PODEM PREDISPOR À
DISTOCIA

- DESENVOLVIMENTO FETAL ANORMAL:


MONSTROS FETAIS: FETOS COM HIDROCEFALIA, SCHISTOSOMUS
REFLEXUS OU FETOS EDEMATOSOS PODEM RESULTAR EM DISTOCIA
OBSTRUTIVA
DISTOCIA
OUTROS FATORES

- AUSÊNCIA DE DESENCADEAMENTO DO PARTO:

- USO INDEVIDO DE PROGESTÁGENOS

- MALFORMAÇÕES HIPOFISÁRIAS OU DAS GLÂNDULAS


ADRENAIS, E NAS GESTAÇÕES NAS QUAIS HÁ POUCOS
FETOS, OU PRINCIPALMENTE QUANDO HÁ APENAS UM
(SÍNDROME DO FILHOTE ÚNICO) OU DOIS, POSSIVELMENTE
POR DEFICIÊNCIA NA PRODUÇÃO DE ACTH E CORTISOL.
DISTOCIA
EXAME DA PACIENTE EM DISTOCIA

- HISTÓRICO (gestações anteriores – nº filhotes – tamanho –


aplicação de progestágenos ou outros abortivos – data do cio...)
- EXAME FÍSICO
- Confirmação da prenhez (palpação abdominal, US, RX...)
- Viabilidade fetal e saúde geral da mãe (comprometimento
sistêmico)
DISTOCIA
EXAME DA PACIENTE EM DISTOCIA

- EXAME RADIOLÓGICO – VD / LL
- Estática anômala
- Nº total de fetos
- Presença de gás no útero
(PIOMETRAENFISEMATOSA)
- Morte fetal – SINAL DE SPALDING
(sobreposição de ossos do crânio fetal)
DISTOCIA
EXAME DA PACIENTE EM DISTOCIA

- EXAME POR ULTRASSONOGRAFIA


- Mensuração da idade fetal (tamanho das vesículas, diâmetro
biparietal e abdominal fetal – acurácia diminui ao redor do dia 39 de
gestação) – diferenciar por raças!!
- Viabilidade fetal
- Batimentos cardíacos e peristaltismo
- ACIMA DE 220 BPM
- 180 A 220 BPM (DISCRETO SOFRIMENTO)
- ABAIXO DE 180 BPM (SEVERO SOFRIMENTO)
Johnston et al., 2001
DISTOCIA
EXAME DA PACIENTE EM DISTOCIA

- OUTROS EXAMES COMPLEMENTARES:


- Hemograma
- Glicemia
- Cálcio
- Fósforo
- Uréia + Creatinina (comprometimento sistêmico)

VÍDEO
DISTOCIA - TRATAMENTOS
TRATAMENTO
MANIPULATIVO

- Manobras obstétricas
digitais

- Não indicado o uso de


fórceps e outras pinças a
não ser na morte fetal!!!
DISTOCIA - TRATAMENTOS
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO

- Indicado para fêmeas em boas condições físicas, com dilatação


normal do canal do parto e tamanho de fetos proporcionais.

- A fêmea deve responder ao estímulo caso contrário, CESÁREA!!!!

- OCITOCINA (5 – 20 UI a cada 30 a 40 minutos)


DISTOCIA - TRATAMENTOS
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO

- OCITOCINA
- Pode levar à diminuição da resposta (menor intervalo de doses)
- Ruptura uterina – tetania uterina
- Constrição dos vasos umbilicais – morte fetal pelo
comprometimento da oxigenação
- Descolamento precoce de placenta e hipertensão arterial pelo seu
efeito constritor
DISTOCIA - TRATAMENTOS
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO

- GLUCONATO DE CÁLCIO 10%


- Promove o aumento da força de contração uterina
- Pode ser usado junto ou isolado à ocitocina
- 0,2 mL / kg PV / IV lento (1mL por min) ou 1 – 5 mL SC por
cadela
- Dose varia de 2 a 20 mL por cadela (empírico)
- Monitoração cardíaca constante – leva a taquicardia,
alterações de frequência e ritmo – suspender!!!
DISTOCIA - TRATAMENTOS
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO

- GLICOSE – Usar em casos de HIPOGLICEMIA OU TOXEMIA DA


PRENHÊZ)

- TRANQUILIZANTES E SEDATIVOS
- DERIVADOS FENOTIAZÍNICOS (Acepramomazina) somente quando a
cadela estiver extremamente agitada, com doses reduzidas de 30 – 50 %, por
causarem intensa hipotenção

- OPIÓIDES (MEPERIDINA)
DISTOCIA - TRATAMENTOS
TRATAMENTO CIRÚRGICO

- Indicada para casos de inércia, estática fetal, fetos grandes, má formação,


seguida ou não de OSH

- OSH: em casos de comprometimento da integridade uterina (maceração fetal,


piometra enfisematosa ou opção pela castração)

COMPLICAÇÕES:
- Agalactia transitória
- Tratamento: Metoclopramida 0,2 – 0,5 mg / kG PV (TID)
DISTOCIA - TRATAMENTOS
COMPLICAÇÕES
OBRIGADA PELA ATENÇÃO!!

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