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Aula 03 - Karate

O que veremos nesta


aula

• O caminho das mãos vazias;


• Os estilos de Karate;
• Características;
• O Karate no Brasil;
• Filosofia
O Poeta e o Caminho
das Mãos Vazias
• Essa arte marcial japonesa – na realidade,
originária das ilhas Ryukyu, sendo a ilha da
porção sul do arquipélago, hoje conhecida
como ilha de Okinawa –, foi introduzida nas
principais ilhas do arquipélago japonês em
1922. Karate-do ou simplesmente Karate,
quer dizer o Caminho das Mãos Vazias
(BARREIRA & MASSIMI, 2002), onde kara
quer dizer vazia, te significa mão e dô... bem,
você já sabe.
Karatê é, provavelmente, a mistura de uma
arte marcial chinesa levada a Okinawa, no
século XIX, por mercadores e marinheiros
da província de Fujian com uma arte própria
de Okinawa (FKERJ, 2011). Os nativos de
Okinawa chamavam esta arte mista de
Okinawate (Mão de Okinawa). Os estilos de
Karatê de Okinawa mais antigos são o
Shurite, Nahate e Tomarite, assim chamados
de acordo com os nomes das três cidades em
que eles foram criados (Shuri, Naha e
Tomari).
Em 1820 Sokon Matsumura fundiu os três
estilos e deu o nome de Shorin – pronúncia
japonesa para a palavra chinesa Shaolin
(FKERJ, 2011). Entretanto, os próprios
estudantes de Matsumura criaram novos estilos
adicionando ou subtraindo técnicas ao estilo
original. Gishin Funakoshi, um estudante de um
dos discípulos de Matsumura, chamado Anko
Itosu,foi a pessoa que introduziu e popularizou o
Karatê como o conhecemos hoje, nas principais
ilhas do arquipélago japonês (BARREIRA &
MASSIMI, 2008).

Gishin Funakoshi
O Karatê de Funakoshi teve origem na versão de Itosu do
estilo Shorin-ryu de Matsumura que é comumente chamado
de Shorei-ryu. Anos depois, o estilo de Funakoshi foi
chamado por outros de Shotokan, em virtude de seu apelido
como poeta (FKERJ, 2011). Shoto, que quer dizer “pinheiros
ao vento”, era como Funakoshi assinava seus poemas. O
estilo Shotokan foi popularizado no Japão e introduzido nas
escolas secundárias antes da Segunda Guerra Mundial, por
conta de uma amizade entre Jigoro Kano, pai do Judô, e
Funakoshi. Jigoro Kano foi a pessoa certa para Funakoshi que
o apresentou às pessoas certas, pois era quase impossível que
um okinawano sozinho pudesse influenciar a prática das artes
marciais japonesas; os okinawanos eram vistos pelos
japoneses como seres inferiores.
O respeito dos japoneses à Funakoshi se deveu em grande
parte à Jigoro Kano, quando o Karatê foiintroduzido como
componente curricular da mais importante escola de artes
marciais do Japão: a Kodokan
Como foi adotado na moderna cultura japonesa, o Karatê está
imbuído de certos elementos do zen budismo, sendo que sua
prática algumas vezes é chamada de “zen em movimento”
(BARREIRA & MASSIMI, 2008). As aulas frequentemente
começam e terminam com curtos períodos de meditação.
Também a repetição de movimentos, como a executada no
kata, é consistente com a meditação zen, pretendendo
maximizar o autocontrole, a atenção, a força e velocidade,
mesmo em condições adversas (FUNAKOSHI, 1998 A
modernização e sistematização do Karatê no Japão também
incluiu a adoção do uniforme branco (kimono) e de faixas
coloridas indicadoras do estágio alcançado pelo aluno, ambos
criados e popularizados por Jigoro Kano).
Características

O Karatê prima pelas técnicas de


golpes de impacto, chamados atemi
waza (defesas, socos e chutes) ao
invés das técnicas de projeções e
imobilizações. O treino pode ser
dividido em três partes principais
conforme a Federação de Karatê
Tradicional do Estado do Mato
Grosso (FKTMT, 2008):
Kihon É o estudo dos movimentos básicos
(Fundamentos) Isolados ou combinados

Kata É uma espécie de luta contra um inimigo


(Forma, padrão) imaginário expressa em sequência de movimentos

Kumite
É a luta propriamente dita
(Encontro de mãos)
Em sua forma mais básica a luta é
combinada (com movimentos
predeterminados) entre os lutadores
para, posteriormente, alcançar o jyu
kumite (combate livre ou sem
regras). A forma desportiva, ou
combate com regras, é conhecida
como shiai kumite.
Karatê no Brasil

Karatê chega ao nosso país com a imigração japonesa em 1908, que


ensinava a arte das mãos vazias aos jovens japoneses que por
décadas emigraram para o Brasil e aos poucos brasileiros que se
interessavam em aprender. Somente em 1956 é que o Prof.
Mitsusuke Harada abre a primeira academia de Karatê no Brasil, em
São Paulo.
Seguindo seu exemplo, outros professores vêm de fora e se instalam
em vários locais do Brasil. O Prof. Akamine (1958), e outros mestres
de Karatê fundaram suas academias: Juichi Sagara e Okuda em São
Paulo, Yasutaka Tanaka e Sadamu Uriu no Rio de Janeiro,
Higashino em Brasília, Machida no Pará e Eisuke Oishi na Bahia
(CBK, 2010).
Com a difusão do Karatê no Brasil, é criada em 1987 a CBK
(Confederação Brasileira de Karatê), que hoje é o órgão regulador e
administrador do Karatê Esportivo no Brasil, fiscalizando
campeonatos nacionais e a outorga de faixa preta aos professores.
Filosofia

Há no Karatê um conjunto de cinco preceitos


chamados Dojo kun, que são normalmente
recitados no começo e no fim das aulas de
Karatê no dojo – o local da iluminação. Estes
preceitos representam os ideais filosóficos do
Karatê e são atribuídos a um grande mestre
chamado Tode Sakugawa.
• São estes (RODRIGUES, 2007, pp. 8-9):
Dojo kun
• Hitotsu jinkaku kansei ni tsutomeru koto
• (Esforçar-se para formação do caráter)
• Hitotsu makoto no michi o mamoru koto
• (Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão)
• Hitotsu doryoku no seishin o yashinau koto
• (Criar o espírito de esforço)
• Hitotsu reigi o omonjiru koto
• (Respeito acima de tudo)
• Hitotsu kekki no yu o imashimeru koto
• (Conter o espírito de agressão).
Da próxima vez que encontrar um
praticante de qualquer arte marcial
japonesa e quiser ser cortês com ele, faça
uma reverência com o tronco a frente e
diga OSS (pronuncia-se óss). Esse
cumprimento é a contração da expressão
“Osu shinobu”, que significa
“perseverança sob pressão”. OSS!!

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