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Estruturas Algéricas

1º Encontro Presencial

UAB/EAD/IFCE
17/08/2019
OPERAÇÕES BINÁRIAS
 Uma operação binária ∗ (ou simplesmente uma
operação ∗) sobre um conjunto A ≠ é uma função de A
× A em A que associa a cada par (x, y) ∈ A ×
A um único elemento de A que é denotado por x ∗ y.
COMUTATIVIDADE

 Uma operação ∗ sobre A é comutativa quando


x ∗y = y ∗x, ∀x, y ∈ A
Exemplos
• A adição de inteiros é comutativa, ou seja, x+y=y+
x, ∀x, y ∈
• A multiplicação de inteiros também é comutativa, ou seja,
x·y = y· x, ∀x, y ∈
• A multiplicação de matrizes não é uma operação
comutativa, isto é, existem matrizes A e B tais que AB ≠
BA.
• A composição de funções também não é uma operação
comutativa, isto é, existem funções f e g tais quef ◦ g ≠ g ◦ f.
ASSOCIATIVIDADE

 Uma operação ∗ sobre A é associativa quando


x ∗(y ∗z) = (x ∗ y) ∗ z, ∀x, y, z ∈ A
Exemplos
• A adição de números reais é associativa, ou seja, x + (y
+ z) = (x + y) + z, ∀x, y, z ∈
• A multiplicação de números reais é associativa, ou seja,
x · (y · z) = (x · y) · z, ∀x, y, z ∈
• A subtração de números reais não é uma operação
associativa. Por exemplo,
5− (2 − 1) = 5 − 1 = 4 e (5 − 2) − 1 = 3 − 1 = 2 de onde
temos que 5 − (2 − 1) (5 − 2) − 1.
ELEMENTO NEUTRO

 Um elemento e ∈ A é denominado elemento neutro para


a operação ∗ sobre A quando
x ∗ e = e ∗ x = x, ∀x ∈ A
Exemplos
• O 0 (zero) é o elemento neutro da adição de inteiros.
• O 1 (um) é o elemento neutro da multiplicação de
inteiros.
• A matriz identidade n × n é o elemento neutro da
operação de multiplicação de matrizes n × n.
ELEMENTO INVERSO
 Se uma operação ∗ sobre A possuir elemento neutro e,
então um elemento x ∈ A
é denominado invertível (ou simetrizável) quando existir
x-1 ∈ A tal que
x ∗ x-1 = x-1 ∗ x = e 
Exemplos
• Todo x ∈ š possui um inverso com relação à operação
de adição de inteiros: é o inteiro -x. Por exemplo, o
inverso (aditivo) de 3 é -3.
• Na multiplicação usual dos números racionais, todo x =
∈ possui um inverso (multiplicativo) que e o
elemento x-1 = , com exceção apenas do 0 (zero) que não
tem inverso com relação a multiplicação.
DISTRIBUTIVIDADE

 Sejam ∗ e ⊕ duas operações definidas sobre um


conjunto A ≠ ø. Dizemos que ∗ é distributiva com
relação a ⊕ quando
x ∗ (y ⊕ z) = x ∗ y ⊕ x ∗ z, ∀x, y, z ∈ A
e
(x ⊕ y) ∗ z = x ∗ z ⊕ y ∗ z, ∀x, y, z ∈ A.
 Exemplo
No conjunto dos números inteiros, a multiplicação é
distributiva com relação à adição porque:
• x · (y + z) = x · y + x · z
• (x + y) · z = x · z + y · z
para quaisquer x, y, z ∈
PARTE FECHADA

 Consideremos um conjunto A ≠ ∅, X ≠ ∅ um
subconjunto de A e ∗ uma operação
definida sobre A. Dizemos que X é parte fechada de A
com relação a operação ∗ quando
∀x, y ∈ X ⇒ x ∗ y ∈ X.

X é parte fechada de * Y não é parte fechada de *


EXERCÍCIO
1.Considere a seguinte operação ∗ definida sobre o
conjunto dos números racionais:
x∗y =x+y
2
Verifique se ∗ é comutativa, se é associativa, se tem
elemento neutro e se existem elementos invertíveis.
GRUPOS

 Um grupo e um conjunto G ≠ ∅ no qual esta definida uma


operação ∗ que satisfaz as seguintes propriedades:
• ∗ é associativa, ou seja, x ∗ (y ∗ z) = (x ∗ y) ∗ z, ∀x, y, z ∈
G
• ∗ admite elemento neutro, ou seja, ∃ e ∈ G tal que x ∗ e = e
∗ x = x, ∀x ∈ G
• Para cada elemento x ∈ G, ∃x-1 ∈ G tal que x ∗ x-1 = x-1 ∗ x
=e
Alem disso, se ∗ for comutativa, então o grupo G é
denominado comutativo ou abeliano.
 Exemplos
• O conjunto dos inteiros com a adição usual é um grupo.
• O conjunto dos números reais não nulos * com a operação
de multiplicação usual é um grupo.
GRUPOS DE CLASSES DE RESTOS

 Sejam n > 1 um inteiro e n = { }, onde =


{a+kn | k ∈ }, ∀a ∈ .
O conjunto n é denominado conjunto das classes de restos
modulo n. Definindo-se a seguinte operação de adição sobre n

então ( , +) é um grupo abeliano.


n

 Exemplo
Escolhendo n = 5, temos que em 5 são válidas as igualdades:
EXERCÍCIOS
2. Consideremos o conjunto ’com a operação ⊕ definida
por x ⊕ y = x + y - 5
para quaisquer x, y ∈ . Mostre que G = (’, ⊕) é um
grupo abeliano.

3. Consideremos o conjunto A = {a + b √3 ∈ ’ *| a, b ∈
‘}.
a) De exemplo de elementos desse conjunto;
b) Verifique se ele é fechado com relação a operação de
multiplicação usual dos números reais;
c) Verifique se A é um grupo multiplicativo abeliano.
EXERCÍCIOS
4. Seja F = { f : → ’ | f (x) = ax + b, a, b ∈ , a ≠ 0}.
Mostre que F é um grupo não abeliano com relação a
composição de funções.

5. Dê exemplo de um grupo G é elementos x, y ∈ G tais


que (xy)-1 ≠ x-1y-1.

6. Sejam a, b, c elementos de um grupo (G, ∗) com


elemento neutro e. Determine
as soluções x ∈ G das seguintes equações:
EXERCÍCIOS
a) c-1 ∗ x ∗ c = e
b) b ∗ x ∗ b-1 = b
c) c ∗ x ∗ a ∗ c = b
d) a ∗ b-1 ∗ x ∗ b ∗ a-1 = a ∗ b

7. Seja (G, ∗) um grupo para o qual (x ∗ y)2 = x2 ∗ y2, ∀x,


y ∈ G. Mostre que G é abeliano.
Observação:
Se a ∈ G, então a2 é o mesmo que a ∗ a.
EXERCÍCIOS
8. Seja (G, ∗) um grupo com elemento neutro e para o
qual x² = e, ∀x ∈ G. Mostre que G é abeliano.
SUBGRUPOS
 Seja (G, ∗) um grupo. Um subconjunto não vazio H⊂
G que seja fechado com relação a operação ∗ é denominado
um subgrupo de G quando (H, ∗) também for um grupo.
 Exemplos
• H = ( , +) é um subgrupo de G = ( , +)
• O conjunto H dos inteiros pares com a operação de adição
usual é um subgrupo de G = ( , +).
• O conjunto H = ( , •) dos números reais positivos com a
operação de multiplicação usual é um subgrupo de G =
( *, •)
• O conjunto N = ( , •) dos reais negativos com a
multiplicação não é subgrupo de G = ( *, •), porque N não
é fechado com relação à multiplicação.
EXERCÍCIOS
9. Em cada caso, verifique se H é subgrupo de G.
a) H = {x ∈ | x > 0}, G = ( *, •)
b) H = {x ∈ | x < 0}, G = ( *, •)
c) H = {7k | k ∈ }, G = ( , +)
d) H = {a + b √2 ∈ * | a, b ∈ ‘}, G = ( *, •)
e) H = {a + b√3 2 ∈ ’* | a, b ∈ ‘}, G = ( *’,•)
f) H = {a + b√3 2 ∈ ’ | a, b ∈ ‘}, G = ( ’, +)

10. Sejam H1 e H2 subgrupos de um grupo G. Mostre que a


interseção H1 ∩ H2 também é um subgrupo de G.
HOMOMORFISMO DE GRUPOS

 Uma função f de um grupo (G, ∗) em um grupo (J, ∆)


chama-se um homomorfismo quando
f (x ∗ y) = f (x) ∆ f (y), ∀x, y ∈ G.
HOMOMORFISMO DE GRUPOS
 Exemplos
• Se G = J = ( , +), então f : G → J, f (x) = 2x é um
homomorfismo de grupos porque f (x + y) =
2(x + y) = 2x + 2y = f (x) + f (y), ∀x, y ∈ G
• Se G = ( *, •) e J = ( *, •), então f : → ’, f (x) =
x2 é um homomorfismo de grupos porque f (x · y) = (x ·
y)2 = x2 · y2 = f (x) · f (y), ∀x, y ∈ .
• Sejam G = ( × , +), J = ( *, •) e g : × → *,
g(x, y) = 2x - y. Para quaisquer (a, b), (c, d) ∈
× , temos que: g((a, b)+(c, d)) = g(a+c, b+d) = 2(a + c) –
(b – d) = 2(a – b) + (c – d) = 2a – b • 2c – d = g(a, b) · g(c, d).

Logo, g é um homomorfismo de G em J.
NÚCLEO DE UM HOMOMORFISMO

 Se f : G → J for um homomorfismo de grupos, o núcleo


de f, denotado por N( f ), é o conjunto de todos os
elementos do domínio G cujas imagens através de f são
iguais ao elemento neutro de J:
N( f ) = {x ∈ G | f (x) = eJ}
EXEMPLO
 Vamos determinar o núcleo de cada um dos homomorfismos dos
exemplos anteriores.
• Seja f : ( , +) → ( , +), f (x) = 2x. O elemento neutro do
contradomínio de f é o 0 (zero).
 Se x ∈ N( f ), então f (x) = 0 ⇒ 2x = 0 ⇒ x = 0. Logo, o núcleo de f é
formado apenas pelo 0 (zero), isto é, N( f ) = {0}.
 • Sejam G = ( *, •), J = ( *, •), f : G → J, f (x) = x2. O elemento
neutro de J é o 1 (um).
 Se x ∈ N( f ), então devemos ter f (x) = 1, ou seja, x2 = 1 ⇒ x = ±1.
Logo, N( f ) = {-1, 1}.
• Sejam G = ( × , +), J = ( *, ·), g : × → *, g(x, y) = 2x
– y. Se (x, y) ∈ N(g), então g(x, y) = 1 = elemento neutro de J ⇒ 2x – y =

1 ⇒ 2x – y = 20
⇒ x - y = 0 ⇒ x = y. Logo, N(g) = {(x, y) ∈ × | x = y} = {(x, x) | x
∈ }.
ISOMORFISMO DE GRUPOS
 Um isomorfismo de um grupo G em um grupo J é um
homomorfismo de G em J que também é uma função
bijetora. Se existir um isomorfismo de G em J então
dizemos que G e J são isomorfos e denotamos isso por G
≃ J.
 
 Exemplo
A função f (x) = log(x) é um isomorfismo de G=
( ,•) em J = ( ,+) porque:
• f : → ’, f (x) = log(x) é bijetora;
• Para quaisquer x, y ∈ temos: f (x ·
y) = log(x · y) = log(x) + log(y) = f (x) + f (y).
GRUPOS CÍCLICOS

Grupo gerado por um elemento


Seja x um elemento de um grupo multiplicativo (G, ·). O grupo
gerado por x, denotado por [x] (ou por ⟨x⟩) é o conjunto de
todas as potências de expoente inteiro de x:
[x] = {xk | k ∈ } = {..., x-3, x-2, x-1, x, e, x, x2, x3, ... }
Se (J, +) for um grupo aditivo e y ∈ J, então [ y] é o conjunto
de todos os múltiplos de y:
[y] = {ky | k ∈ š} = {..., -3y, -2y, -y, 0, y, 2y, 3y, ... }
Exemplo
Em G = ( *, •), temos: [2] = {2k | k ∈ } = {. . . ,1/8, 1/4, 1/2,
1, 2, 4, 8, . . . }
GRUPOS CÍCLICOS

 Um grupo G é denominado cíclico se existir x∈G


tal que G = [x]. Neste caso, todos os elementos de G são
potências (ou múltiplos) de x que é denominado um
gerador de G.
GRUPOS CÍCLICOS
 Exemplos
• ( š, +) é um grupo cíclico porque todo inteiro é múltiplo
de 1, ou seja, = [1].
Um grupo cíclico pode ter mais de um gerador. Note que
neste caso temos tambem = [-1].
• ( š , •) é um grupo cíclico gerado por porque

• O grupo multiplicativo dos reais, ( ’*, •), não é um


grupo cíclico porque não existe um numero real x tal que
todo numero real seja igual a alguma potência de x.
EXERCÍCIOS
11.Em cada caso, verifique se f : G -→ J é um homomorfismo.
a) G = ( š , +), J = ( š, +), f (x) = 7x
b) G = ( š , +), J = ( š, +), f (x) = 7x + 1
c) G = ( š, +), J = (š , +), f (x) = 7x²
d) G = ( ’, +), J = ( ’, +), f (x) = |x|
e) G = (’ , •), J = ( ’, •), f (x) = |x|
f) G = ( ’, +), J = (’ × ’, +), f (x) = (2x, 3x)
g) G = ( ’ × ’, +), J = ( ’, +), f (x, y) = 4x - 5y
h) G = (GL2(), +), J = (Z, +), f (X) = tr(X) = traço de X
A operação de adição em × ’ dos itens f) e g) é definida da
seguinte forma: ´
(a, b) + (c, d) = (a + c, b + d) para quaisquer a, b, c, d ∈ ’.
EXERCÍCIOS
12.Descreva os seguintes grupos cíclicos:
• H = [-3] em ( š, +)
• J = [-3] em (‘ *, •)
• K = [3] em ( ,*, •)