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Osteomielites e Pioartrites

Ortopedia e Traumatologia – UEL/HURNP


R3 Vinicius Menegazzo
Osteomielites

 Termo cunhado no século 19 para descrever a infecção do osso (trabécula


óssea e medula)
 É bastante temida, pois a aderência bacteriana, resistência e má penetração
dos antibióticos transforma em uma infecção de difícil manejo.
 São divididas em (classificação de Waldvogel):
 Hematogênicas agudas, subagudas.
 Por contiguidade
 Pós-traumáticas
Osteomielite Hematogênica Aguda

 DOENÇA DE CRIANÇAS
 Preferência pela metáfise dos ossos longos (joelho).
 Maior patógeno é o S. aureus.
 Grande adesão ao osso e à cartilagem articular.
 Disseminação hematogênica das bactérias de sítio de infecção primário:
 IVAS, OMA, onfalite, Celulites.
 Embora até metade dos casos não se identifique porta de entrada.
 Outras bactérias envolvidas: SGB, E. coli, SGA, H. influenzae.
Osteomielite Hematogênica Aguda

 Quadro clínico típico:


 Dor profunda, febre, sinais flogísticos locais.
 NÃO HÁ BLOQUEIO ARTICULAR INICIALMENTE!
 Em crianças menores que 2 anos pode ter acometimento articular precoce.
 Até 60% dos neonatais
 Em crianças maiores que 2 anos é raro o acometimento articular.
Osteomielite Hematogênica Aguda

 Diagnóstico é feito pela história e exame clínico:


 Pesquisar IVAS, OMA ou alguma outra infecção recentemente.
 Radiografias são negativas até 2 semanas de processo infeccioso.
 TC mostra abscessos subperiosteais.
 RM mostar edema ósseo e microabscessos intraósseos.
 Na forma aguda o PCR e VHS estão alterados, o leucograma pode estar
normal.
 USG ajuda a distinguir de celulites e abscessos subcutâneos, artrites sépticas
e tumores malignos.
 Hemocultura positiva e isola o agente em até 50% dos casos.
Osteomielite Hematogênica Aguda

 Tratamento:
 Cirurgia e ATB são complementares, POREM o ATB iniciado ANTES da formação do
abscesso pode curar o paciente.
 4 principios de NADE:
 ATB é apropriado sozinho antes do aparecimento do abscesso
 ATBs não esterilizam áreas de abscesso e necrose tecidual, devendo haver limpeza
cirúrgica.
 A cirurgia não deve causar maior dano às estruturas.
 ATB deve continuar após a cirurgia.
 Após a cirurgia o tempo de antibiótico terapia é de 6 SEMANAS.
Osteomielite Hematogênica Subaguda

 Se comparada à aguda podemos dizer que os sintomas são mais insidiosos e


podem não se manifestar.
 Geralmente o diagnóstico é atrasado em 2 semanas em relação à aguda.
 Geralmente leuco e PCR/VHS são normais e hemoculturas são negativas.
 Até aspirados ósseos podem ser negativos em 40% dos casos.
 Como o quadro demora mais para gerar desconforto e busca ao atendimento
médico, a radiografia já mostra sinais claros de infecção.
Osteomielite Hematogênica Subaguda

 As principais causas do curso subagudo são:


 Hospedeiro resistente
 Bacteria de baixa virulencia
 ATB antes dos sintomas
 As vezes a lesão da radiografia assemelha-se à tumores ósseos, e a distinção
entre os dois é complicada.
 A bactéria mais comum é o S. aureus seguido pelo S. epidermidis.
 O tratamento é o mesmo da aguda.
Osteomielite por Contiguidade

 Pode ser no paciente com ou sem insuficiência vascular generalizada.


 Tenta distinguir as infecções ósseas que provém de tecidos adjacentes.
 Podem ser isolados vários microorganismos.
 S. aureus e BGN são os mais comuns.
 Até 1 mês depois da inoculação
 Dor
 Eritema
 Fistulas
 Febre baixa
Osteomielite por Contiguidade

 NO IAPC tem relação com a DM2.


 Preferência pelos pés.
 Perda da propriocepção com alteração da distribuição da carga e ulcerações
plantares (cabeça do segundo e quinto MTT).
 Classificação de Wagner.
Osteomielites Pós-Traumáticas

 Trauma espontâneo ou cirúrgico.


 Implantação direta das bactérias.
 3 principais fatores relacionados:
 Fraturas expostas Grau IIIb e Grau IIIc.
 Fraturas abaixo do joelho.
 Volume de sangue transfundido.
 Outros menores:
 Idade.
 Tempo do ferimento.
 Cirurgia e ATB.
Osteomielites Pós-Traumáticas

 Patógeno mais comuns:


 S. aureus e BGN.
 Quadro clinico:
 Febre, sinais flogísticos e drenagem purulenta.
 Tratamento é o desbridamento cirúrgico, remoção do material de síntese, se
houver; ATB e cobertura cutânea precoce.
 Início dos ATB é empírico pela sensibilidade dos patógenos locais.
Osteomielite Crônica

 Epidemiologia:
 5 – 50% das fraturas expostas.
 1% das fraturas fechadas.
 5% das OHA.
 Persistência dos patógenos no osso.
 S. aureus é o mais isolado.
 Em até 30% há mais de um patógeno.
Osteomielite crônica

 Fisiopatologia:
 Os pacientes que apresentam osteomielite crônica geralmente tem insuficiência da
imunidade mediada por células.
 Fatores de risco: DM2, Desnutrição e outras doenças crônicas.
 Sequestro ósseo é a marca registrada.
 Alterações da pele e fistulizações.
 Diagnóstico:
 Radiogradia
 Cintilografia (em ordem de especificidade: Índio > Gálio > Tecnécio)/ RM
 Padrão-OURO: Biópsia do osso infectado.
 PCR e VHS são levadas, porém o Leucograma é alterado em somente 1/3 dos casos.
Osteomielite crônica

 Tratamento:
 Curativo?
 Paliativo?
 Agressivo?
 De qualquer modo: ATB (por 6 meses) + DESBRIDAMENTO AGRESSIVO +
cobertura cutânea precoce.
Pioartrites

 Invasão articular por microorganismos, seja por:


 Disseminação Hematogênica
 Contiguidade de uma Osteomilielite ou celulite
 Inseminação direta por cirurgia ou trauma.
 Como nas outras infecções, as condições do hospedeiro somadas às características
de virulência do patógeno determinam a morbidade da doença.
 Sinovite importante que leva a dor e DESTRUIÇÃO ARTICULAR RÁPIDA.
 Mais comum em crianças
 Mais novas = Quadril
 Mais velhas = Joelho
 Até 33% dos casos de gonorréia acometem as articulações
Pioartrites

 atores de risco conhecidos:


 A.R.
 O.A.
 Pobreza
 A.T.Q.
 Usuários de drogas EV
 Diabéticos
 Alcoólatras
 Injeções intraarticulares de corticóide
 Úlceras cutâneas.
Pioartrites

 Apresentação Clínica:
 Dor
 Edema / Derrame articular
 BLOQUEIO ARTICULAR
 Diagnóstico
 Isolamento do agente etiológico através de punção articular e cultura do líquido sinovial ou
gram (não ajuda muito).
 Radiografias não são muito úteis.
 Edema periarticular
 Deslocamento muscular
 Subluxação
 USG detecta derrames articular de maneira precoce.
Pioartrites

 Tratamento
 Antibióticoterapia EV empírica até cultura (geralmente 72 horas)
 Curso de ATB é de SEIS SEMANAS (2 - 3 EV e o restante oral)
 DRENAGEM CIRURGICA
  
Obrigado.

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