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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO GRANDE DO NORTE

CAMPUS MOSSORÓ
PROCESSO SELETIVO SIMPLIFICADO – PROFESSOR SUBSTITUTO
EDITAL Nº 35/2018- DG/MO

O império brasileiro e a construção do estado nacional

Prof.: Reginaldo Carlos de Melo Souza


Proposta da aula

Compreender como se deu a vitória de um projeto político


autoritário e excludente na construção do Estado
Nacional brasileiro, por meio da ação de uma classe
social que compunha o espaço político nacional.
O império brasileiro
Por que estudar a história de um processo político que
se desenvolveu em um tempo passado, em um país que
não é mais o mesmo?

Como a construção do Estado Nacional brasileiro pode


nos ajudar a entender algumas práticas políticas de
nosso presente!
Presente x Passado

Nossa realidade é formada por elementos e condições


historicamente determinadas;

Entender que o passado esteve em construção pode nos


ajudar a perceber que as condições do presente não se
constituem em dados imutáveis e inquestionáveis, mas
sim relativas e formuladas no cotidiano dos atores
históricos.
A construção do Estado Nacional
Imperial
Observem a obra “Independência ou morte” (1888), do pintor brasileiro Pedro Américo.
O espaço político do Brasil independente
A Independência do Brasil não foi pacífica, provocou
entusiasmo e teve a participação de diferentes classes
sociais, expressas em seus projetos políticos:

O Partido Português, ligado a comerciantes saudosos


do monopólio colonial e esperançosos de uma futura
reunificação, defendia amplos poderes ao imperador;

O Partido Brasileiro, ligado aos grandes proprietários,


aceitava um executivo forte, mas com a vigilância do
legislativo, constituído pela própria elite agrária.
O espaço político do Brasil independente

Os “radicais”, inspirados na Revolução Francesa,


exigiam uma cidadania mais ampla, incluindo o direito de
voto, a liberdade de imprensa e limites para a autoridade
do imperador;

As interpretações do liberalismo no Brasil;

Repressão e reação aos “radicais”: monitoramento,


prisões, exílios e censura sobre a imprensa
Projetos em disputa
José Bonifácio de Andrada e Silva Cipriano José Barata de Almeida
O autoritarismo da constituição de 1824

Voto censitário e indireto;

No legislativo, Senadores escolhidos pelo Imperador;

No judiciário, juízes nomeados pelo Imperador;

No executivo, ministros nomeados arbitrariamente;

Poder Moderador acima dos demais poderes;


A confederação do equador
A centralidade política e fiscal do Rio de Janeiro;

A questão da nomeação do governador da Província;

Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará


tornariam-se uma só república;

Além dos latifundiários, foi formada por setores médios


inspirados na Revolução Francesa e em algumas
independências da América, pautando liberdades
democráticas reais.
“Esse é, sem dúvida, o único mérito
indiscutível das velhas classes dirigentes
brasileiras [...] Essa unidade resultou de um
processo continuado e violento de
unificação política, logrado mediante um
esforço deliberado de supressão de toda
identidade étnica discrepante e de
repressão e opressão de toda tendência
virtualmente separatista. Inclusive de
movimentos sociais que aspiravam
fundamentalmente edificar uma sociedade
mais aberta e solidária. A luta pela unificação
potencializa e reforça, nessas condições, a
repressão social e classista, castigando como
separatistas movimentos que eram
RIBEIRO. Darcy. O Povo brasileiro: a formação e o
meramente republicanos ou
sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras,
antioligárquicos”.
1995. p. 22 - 24.
 Joaquim do Amor divino foi
padre, professor, jornalista,
escritor e a grande
expressão revolucionária
da confederação do
equador;

 Os sujeitos históricos
podem nos ajudar a
pensar a dinâmica da
política imperial: os
revoltosos, assim como
os projetos políticos
concorrentes, foram
enforcados ou fuzilados;

“Execução de Frei Caneca” (1924), de Murillo la Greca.


A civilização nos trópicos
O território e a diversidade étnica e cultural brasileira;

Criação do IHGB e a produção de uma história nacional:


o consórcio entre elite agrária, estado, e elite intelectual;

 A nação como uma continuidade de Portugal, inspirada


nos padrões e valores civilizatórios do mundo ocidental;

A contradição entre o ideal de modernidade europeu e a


realidade social brasileira: escravismo e miscigenação;
As letras e as raças Tese sobre a História do
Paço imperial – local onde Brasil de Adolfo
funcionou o IHGB Varnhagen
Regimes de cidadania
As muitas mobilizações populares decorrentes de
expectativas de direitos civis e de igualdade efetiva entre
cidadãos;

A alforria e os direitos civis dos libertos;

Pressão jurídica contra a escravização ilegal

O Brasil moderno e a instrução exclusiva para mulheres


como mestras e alunas (leitura, escrita, as quatro
operações aritméticas, gramática, princípios de moral
cristã e prendas domésticas);
A instabilidade regencial
A classe senhorial chega ao poder;

As reformas liberais e as exigências federalistas;

A adesão das classes populares contra a situação de


miséria em que se encontravam; reivindicavam liberdade
e maior acesso ao cenário político;

Como evitar que o Brasil se dividisse em uma porção de


repúblicas como acontecera na América Espanhola?
A vitória conservadora
A classe senhorial, unida pelo ideal escravista e temerosa
da anarquia republicana apelará a uma restauração
monárquica para garantir a ordem excludente;

Retirada de autonomia das províncias, e monopólio da


força pelo poder central;

Até certo ponto, podemos pensar que foi a instabilidade


social e política que tornou possível a conciliação dos
grandes proprietários do país;
 O golpe da maioridade e a
chegada de Dom Pedro II ao
poder representa a vitória
de um projeto
conservador e excludente,
conduzido pela classe
senhorial brasileira;

A lenta conquista da
estabilidade, característica
do Segundo Reinado,
concluiria temporariamente
a organização do Estado
Nacional Brasileiro e
garantiria a ordem social,
tão cara à nossa elite.

“Dom Pedro II, Imperador do Brasil, aos dezoito anos de idade.


Conclusões
O Estado nacional brasileiro, como o de outros países, é
uma produção histórica. E está sempre sendo construído e
reconstruído;
A classe senhorial, é a grande responsável pela vitória de
um projeto político centralizador e excludente, frente a
outros projetos, na construção do Estado nacional
brasileiro após a nossa Independência;
As concepções de civilização da classe senhorial brasileira
construiriam uma sociedade com cidadania restrita à
minoria da população brasileira;
Existe uma herança autoritária e excludente no nosso
presente, que remete, em parte, ao nosso passado
imperial.
Atividade Avaliativa
• A partir de um sorteio neste momento, a nossa turma será
dividida, na próxima aula, em três grupos. Cada grupo ficará
responsável por um projeto nacional pertencente a um
espectro político identificado como de “esquerda”, “centro”, e
“direita”.

• Cada grupo da turma ficará responsável pela pesquisa,


elaboração, e apresentação para a turma e para o professor,
de um quadro que contenha as principais propostas, os
grupos sociais em que estão seus principais adeptos, e as
possíveis críticas a esse projeto em circulação em nosso
país, assim como os distanciamentos e aproximações entre
o passado estudado e o presente pesquisado.
Referências
1. COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República. Momentos
Decisivos. 4º ed. São Paulo: Brasiliense, 1987, p. 119 – 134.

2. GUIMARAES, Manoel Luís Salgado. Nação e Civilização nos trópicos:


O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Projeto de uma História
Nacional. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, nº 1, 1988, p. 5 – 27.

3. MATTOS, Ilmar Rohloff de. O tempo Saquarema. São Paulo: Hucitec,


2004.

4. SCHMIDT, Mario Furley. Nova história crítica: ensino médio. Volume


único. São Paulo: Nova Geração, 2005, p. 341 – 384.