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Pesquisa em

Educação

Profª Msc. Grace Kelly da Silva


O QUE É PESQUISA?

 É procurar respostas para inquietações, ou para


um problema.

 Atividade básica das ciências na sua indagação e


descoberta da realidade. É uma atitude e uma
prática de constante busca que define um processo
intrinsecamente inacabado e permanente
(MINAYO, 1993).

 É um processo formal e sistemático de


desenvolvimento do método científico (GIL, 1999).
CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUISAS

 Do ponto de vista da sua natureza.

 Do ponto de vista da forma de abordagem do


problema.

 Do ponto de vista de seus objetivos.

 Do ponto de vista dos procedimentos técnicos


adotados.
NATUREZA DA PESQUISA

 Pesquisa Básica

Gerar conhecimentos novos úteis para o avanço da


ciência sem aplicação prática prevista. Envolve
verdades e interesses universais.

 Pesquisa Aplicada

Gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à


solução de problemas específicos. Envolve verdades e
interesses locais.
FORMA DE ABORDAGEM

 Pesquisa Quantitativa

Traduz em números, opiniões e informações para


classificá-los e organizá-los. Utiliza métodos
estatísticos.

 Pesquisa Qualitativa

Considera a existência de uma relação dinâmica entre


mundo real e sujeito. É descritiva e utiliza o método
indutivo. O processo é foco principal.
OBJETIVOS

 Pesquisa Exploratória: visa proporcionar maior


familiaridade com o problema com vistas a torná-lo
explicito ou a construir hipóteses. Pesquisas
bibliográficas e estudos de caso.

 Pesquisa Descritiva: envolve técnicas padronizadas


de coleta de dados, como questionários e observação
sistemática. Assume a forma de levantamento.

 Pesquisa Explicativa: explica o porquê das coisas,


visando identificar os fatores que determinam ou
contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Assume
a forma de Pesquisa experimental.
DIFERENTES PROCEDIMENTOS TÉCNICOS

 Pesquisa Bibliográfica: a partir de material já


publicado.

 Pesquisa Documental: a partir de material não


analisado.

 Pesquisa Experimental: variáveis de controle sobre


um objeto.
 Levantamento: interrogação direta.

 Estudo de caso: estudo profundo de um ponto para


detalhamento do conhecimento.

 Pesquisa-ação: resolução de um problema coletivo.

 Pesquisa Participante: interação entre


pesquisadores e membros da situação investigadas.
MÉTODOS CIENTÍFICOS
 Método Dedutivo: proposto pelos racionalistas com
Descartes. Só a razão é capaz de levar ao conhecimento
verdadeiro.
 Método Indutivo: proposto pelos empiristas com Bacon
e Locke. O conhecimento é fundamental na experiência,
não levando em conta princípios pré-estabelecidos.
 Método Dialético: proposto por Hegel, os fatos não
podem ser considerados fora de um contexto social,
político, econômico, etc.
 Método Fenomenológico: proposto por Husserl.
Descrição direta da experiência tal como ela é.
O MÉTODO CIENTÍFICO
A IDÉIA A PERGUNTA
A
EXPERIÊNCIA

OS
RESULTADOS
NOVAS
E
DÚVIDAS
CONCLUSÕES
ETAPAS DA PESQUISA

O projeto de pesquisa deve, fundamentalmente,


responder as seguintes perguntas (Rudio, 1986):
 O que pesquisar?
 Por que pesquisar?
 Para que pesquisar?
 Como pesquisar?
 Quando pesquisar?
 Com que recursos?
 Pesquisado por quem?
TÓPICOS BÁSICOS PARA ELABORAÇÃO DE UM
PROJETO DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO

1 - INTRODUÇÃO (tema e problema)


O tema é o assunto geral sobre o qual se pretende investigar. É uma
primeira delimitação dentro de uma área de pesquisa, de um campo de
conhecimento.
Explicitar o problema é uma questão básica da investigação, pois
pressupõe reflexão, amadurecimento do tema pela LEITURA ou pela
EXPERIÊNCIA, troca de idéias com pares. Com a problematização,
aparecem polêmicas que envolvem o tema e/ou problema.

O problema é uma pergunta ou questão específica que se pretende


investigar. Supõe uma delimitação maior do que o tema. Ao
problematizar a questão, cabe perguntar que outros aspectos da
realidade se relacionam com o problema.
2 - JUSTIFICATIVA
As questões de pesquisa devem ser relevantes, de interesse
científico, social ou cultural, e devem ser viáveis do ponto de vista do
seu estudo.
A pesquisa supõem alocação de recursos, o que torna necessário
explicitar a natureza do assunto, sua relevância ou importância para
a área de conhecimento, impactos sociais de seus resultados e
viabilidade da pesquisa.

3 - OBJETIVOS
O objetivo intrínseco de uma pesquisa é responder analiticamente a
questão ou ao problema central que foi enunciado e problematizado.
Eles são importantes porque sintetizam a discussão anterior e dão
mais clareza e visibilidade ao que se pretende conhecer com a
pesquisa.
4 - REFERENCIAL TEÓRICO

Este tópico é o mais crucial na construção de um objeto de pesquisa.


O referencial começa com as LEITURAS para a problematização,
mas ganha peso à medida que vai permitindo passar de uma proposta
de pesquisa, para um projeto com todas as etapas de elaboração.

5 - METODOLOGIA
Caminho para alcançar determinado objetivo, o que
implica uma concepção da realidade ou do fragmento
de realidade escolhido como objeto de estudo.
Enfim, deve descrever de forma detalhada como se
pretende atingir o objetivo proposto. A metodologia
pode ser organizada na forma de tópico, como por
exemplo:
5 - METODOLOGIA
População e amostra
- Incluir a descrição das características da população e da amostra.
- O processo de seleção dos sujeitos.
- O tamanho da amostra e como foi estabelecido.
Instrumentação
-Descrição dos instrumentos utilizados. Indicar as fontes a serem
utilizadas para elaboração dos instrumentos.
Coleta de dados
-Como (grupo ou individual); Quando (qual período); Onde (local);
Quem (pelo pesquisador, equipe ou correio) e A quem vai ser
aplicado o instrumento.
Tratamento dos dados
- Quando utilizar, sempre indicar o uso de tratamento estatístico.
6 - BIBLIOGRAFIA
Trata-se de expor, dentro das normas da ABNT, os livros e
documentos consultados.
Exemplos:

• Livro
AUTOR. Título. Edição. Local: Editora, data.
DEMO, Pedro. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo:
Atlas, 2000.

Documentos de até 3 autores e de vários anos devem ser separadas


por ponto e vírgula, em ordem alfabética e os anos separados por
vírgula.
COSTA, S.; CRUZ, T.; SILVA,C. O universo. 3. ed. Rio de Janeiro:
Vênus, 2000, 2001, 2002.
7 - CRONOGRAMA DE ATIVIDADES
Consiste na distribuição das diversas etapas da
pesquisa por um espaço de tempo.

8 - ORÇAMENTO
Destina-se a previsão de recursos humanos, materiais
e financeiros para o desenvolvimento do projeto.
INSTRUMENTOS NA PESQUISA QUALITATIVA

TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS

• Observação

• Entrevista

• Questionário
OBSERVAÇÃO

É uma técnica de coleta de dados para


conseguir informações e utiliza os sentidos na
obtenção de determinados aspectos da
realidade.

Não consiste apenas em ver e ouvir, mas


também em examinar fatos ou ferramentas que
se deseja estudar.

A observação ajuda o pesquisador a identificar


e a obter provas a respeito de objetivos sobre
os quais os indivíduos não tem consciência,
mas que orientam seu comportamento.
TIPOS DE OBSERVAÇÃO
Na investigação científica são empregadas várias modalidades de
observação, que variam de acordo com as circunstâncias.
Segundo os meios utilizados:

• Observação não estrutura: é a que se realiza sem planejamento e


sem controle anteriormente elaborados, como decorrência de
fenômenos que surgem de imprevisto.

• Observação estruturada: é a que se realiza em condições


controladas para se responder a propósitos, que foram anteriormente
definidos. Requer planejamento e necessita de operações específicas
para o seu desenvolvimento.
Segundo a participação do observador:
Participante: consiste na participação real do pesquisador
com a comunidade ou grupo.
Em geral são apontados duas formas:
 Natural - o observador pertence à mesma comunidade ou
grupo que investiga.
 Artificial - o observador integra-se ao grupo com a
finalidade de obter informações.
Não participante: o observador toma contato com a
comunidade, grupo ou realidade estudada, mas sem integrar-
se a ela - permanece de fora.
Segundo o número de observadores:

• Individual: é a técnica de observação realizada por um

pesquisador. Nesse caso, a personalidade dele se projeta sobre

o observado, fazendo algumas inferências ou distorções, pela

limitada possibilidade de controles.

• Em equipe: é a mais aconselhável, pois o grupo pode

observar a ocorrência por vários ângulos.


PONTOS À SEREM CONSIDERADOS NA
OBSERVAÇÃO ESTRUTURADA

Por que observar Para que observar Como observar

Quem observar O que observar


PRINCIPAL PROBLEMA COM A TÉCNICA DA
OBSERVAÇÃO

O principal problema é que a presença do pesquisador pode


provocar alterações no comportamento dos observados, destruindo
a espontaneidade dos mesmos e produzindo resultados pouco
confiáveis.
ENTREVISTA
É um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha
informações a respeito de determinado assunto, mediante uma
conversação de natureza profissional.

TIPOS DE ENTREVISTAS
• Estruturada: é aquela em que o entrevistador segue um roteiro
previamente estabelecido.

• Não estruturada: o entrevistado tem liberdade para desenvolver


cada situação em qualquer direção que considere adequada.
MEDIDAS EXIGIDAS PARA A PREPARAÇÃO
DA ENTREVISTA

• Planejamento da entrevista

• Conhecimento prévio do entrevistado


• Oportunidade da entrevista
• Condições favoráveis
• Contato com líderes
• Conhecimento prévio do campo
• Preparação específica
QUESTIONÁRIO
É um instrumento de coleta de dados constituído por uma série
ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e
sem a presença do entrevistador.

CUIDADOS NO PROCESSO DE ELABORAÇÃO


• Conhecer o assunto
• Cuidado na seleção das questões
• Limitado em extensão e em finalidade
• Codificadas para facilitar a tabulação
• Indicação da entidade organizadora
• Acompanhado por instruções
• Boa apresentação estética
CONSTRUÇÃO DO QUESTIONÁRIO
Consiste em traduzir os objetivos da pesquisa em perguntas
claras e objetivas.

TIPOS DE QUESTÕES
a) Aberta: são as que permitem ao informante responder livremente,
usando linguagem própria e emitir opiniões.
Entretanto, apresenta alguns inconvenientes:
 Dificulta a resposta ao próprio informante, que deverá redigi-la.
 O processo de tabulação.
 O tratamento estatístico e a interpretação.
A análise é difícil, complexa, cansativa e demorada.
TIPOS DE QUESTÕES
b) Fechada: são aquelas em que o informante escolhe sua resposta
entre duas opções. Este tipo de pergunta, embora restrinja a liberdade
das respostas, facilita o trabalho do pesquisador e também a
tabulação, pois as respostas são mais objetivas.

c) Semi-estruturada: são perguntas fechadas mas que apresentam


uma série de possíveis respostas, abrangendo várias facetas do
mesmo assunto.
A técnica da escolha múltipla é facilmente tabulável e proporciona
uma exploração em profundidade quase tão boa quanto a de
perguntas abertas.
A combinação de respostas múltiplas com as respostas abertas
possibilita mais informações sobre o assunto, sem prejudicar a
tabulação.
DOCUMENTAÇÃO INDIRETA

Toda pesquisa implica o levantamento de dados de variadas fontes,


quaisquer que sejam os métodos ou técnicas empregados.
É a fase da pesquisa realizada com intuito de recolher informações
prévias sobre o campo de interesse.
O levantamento de dados é feito de duas maneiras:
 Pesquisa documental
 Pesquisa bibliográfica
PESQUISA DOCUMENTAL
A análise documental pode se constituir numa técnica valiosa de
abordagem de dados qualitativos, seja complementando as
informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos
novos de um tema ou problema.

São considerados documentos, regulamentos, normas, pareceres,


cartas, memorandos, diários pessoais, autobiografias, jornais,
revistas, discursos, roteiros de programas de rádio e televisão,
estatísticas, arquivos escolares.
PESQUISA BIBLIOGRÁFICA

Abrange toda bibliografia já tornada publica em relação ao tema de

estudos, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros,

pesquisa, monografias, teses, material cartográfico, até meios de

comunicação.
DOCUMENTAÇÃO DIRETA

Constitui-se, em geral, no levantamento de dados no


próprio local onde os fenômenos ocorrem.
Esses dados podem ser obtidos de duas maneiras:
 Pesquisa de campo
 Pesquisa de laboratório
PESQUISA DE CAMPO
É aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou
conhecimentos acerca de um problema para o qual se procura uma
resposta, ou de uma hipótese que se queira comprovar, ou ainda,
descobrir fenômenos ou as relações entre eles.

As pesquisa de campo se dividem em três grandes grupos:

 Quantitativo-descritivas;

 Exploratórias;

 Experimentais.
TIPOS DE PESQUISA DE CAMPO
a) Quantitativo-descritivo: consiste em investigações de pesquisas
empíricas cuja principal finalidade é o delineamento ou análise das
características de fatos ou fenômenos, a avaliação de programas,
ou o isolamento de variáveis principais ou chave.

b) Exploratórias: são investigações de pesquisa empírica cujo


objetivo é a formulação de questões ou de problemas.

c) Experimentais: consiste em investigações de pesquisas empíricas


cujo objetivo principal é o teste de hipóteses que dizem respeito a
relações de tipo causa e efeito.
HISTÓRIA DE VIDA

É uma técnica de pesquisa social


utilizada pelos antropólogos,
sociólogos, psicólogos, educadores e
outros estudiosos, como fonte de
informação para seus trabalhos.

Ela tenta obter dados relativos à


“experiências intimas” de alguém que
tenha significado importante para o
conhecimento do objeto em estudo.
HISTÓRIA ORAL

É uma técnica para gravar não apenas lembranças do


passado, mas reflexões e opiniões daqueles cujas vidas
estão ainda comprometidas com atividades públicas.

Ela é um método de pesquisa que utiliza a técnica da


entrevista e outros procedimentos articulados entre si, no
registro de narrativas da experiência humana.
SUGESTÕES DE LEITURA

LUDKE, M. e ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação:


abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
FLICK, U. Uma introdução à pesquisa qualitativa. 2 Ed. Porto
Alegre: Bookman, 2004
MARCONI, M. de A. e LAKATOS, E. M. Técnicas de Pesquisa. 6
Ed. São Paulo: Atlas, 2006.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 21 Ed. São
Paulo: Cortez, 2000.
ALVES-MAZZOTTI, A. J. e GEWANDSZNAJDER, F. O método nas
ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2
Ed. São Paulo: Pioneira, 1999.
RICHARDSON, R.J. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3 Ed.,
São Paulo: Atlas, 2007.
RUDIO, F. V. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 32
Ed., Rio de Janeiro: Vozes, 2004.
DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo. 12 Ed., São
Paulo: Cortez, 2003.
DEMO, P. Pesquisa e informação qualitativa. Campinas: Papirus,
1ª Ed., 2001.
DEMO, P. Pesquisa participante: saber pensar e intervir. 1ª Ed.,
2005
Obrigada!
gk_ped@yahoo.com.br

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