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FATORES ASSOCIADOS ÀS MUDANÇAS NO

CONSUMO ALIMENTAR DE TRABALHADORES


DE UM CENTRO UNIVERSITÁRIO DURANTE A
QUARENTENA
Ana Paula De Limaa, Caroline Gomes De Fariasa, Cristine Bruma, Tuane Scarbonatia, Rafaela Santi
Dell’osbelb, Roziane Vicenzi Fortesa, Joana Zanottia, Cleber Cremonesec, Fernanda Pezzia, Maria Luísa De
Oliveira Gregolettoa
a) FSG – Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG);
b) Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS);
c) Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Introdução

Identificada em dezembro de De fácil transmissão, a Órgãos de saúde pública e


2019, a doença causada pelo doença já atingiu mais de governos desenvolveram
SARS-CoV-2, foi declarada 210 países, causando estratégias para a
como pandemia pela milhares de mortes e uma contingência do vírus, como
Organização Mundial da crise econômica mundial o distanciamento social, o
Saúde em março de 2020; considerável; qual ocasionou importantes
mudanças no estilo de vida
das pessoas;

(GALANAKIS, 2020; OPAS, 2020; UFRGS, 2020)


Introdução
Os impactos da COVID-19 sobre a alimentação são
heterogêneos:
Piora do prognóstico da própria infecção, devido aos fatores
de risco identificados (obesidade e outras doenças crônicas);

Prejuízos nutricionais devido ao contexto de emergência


sanitária.

(JAIME, 2020)
Objetivo

Avaliar os fatores associados às


mudanças no consumo alimentar de
trabalhadores de um centro
universitário, durante a quarentena.
Fundamentação teórica

Estudos sugerem Alimentação e Dieta e estilo de


que o excesso de estilo de vida → vida não saudáveis,
peso representa um
elementos associam-se ao
fator de risco para
fundamentais para desenvolvimento
complicações
decorrentes de
uma boa condição de doenças
infecções como a de saúde e bem- crônicas não
COVID-19. estar. transmissíveis.

(ZABETAKIS et al., 2020; WHO, 2020; CHOW et al., 2020)


Material e métodos
Dados parciais de estudo observacional transversal;

Trabalhadores de um centro universitário de Caxias do Sul/RS;

Questionário online;

Incluídos funcionários administrativos e docentes;

Ambos os sexos;

Idade ≥18 anos.


Material e métodos

“Está comendo
“Você mudou os “Está comendo
mais alimentos “Está cozinhando
seus hábitos mais frutas e/ou
industrializados? mais em casa?”
alimentares?” vegetais?”

Em relação a mudanças no consumo alimentar durante a


quarentena, questionou-se:
Material e métodos
Investigou-se ainda:

• Idade, sexo, função na instituição e prática de atividade física


semanalmente (AF);
• Estado nutricional (dados autorreferidos de peso e estatura),
categorizado em: desnutrição (< 18,5kg/m2), eutrofia (de 18,5 a
24,9kg/m2), sobrepeso (de 25,0 a 29,9kg/m2) e obesidade (≥30,0kg/m²);
• Comportamentos de risco para transtorno alimentar (CRTA) através do
Eating Attitudes Test (EAT-26), em que a presença foi identificada por
valores de escore > 21 pontos.

(DAVIES et al., 2020; OLFERT et al., 2018; BIGHETTI, 2003; GARNER et al., 1982; RIVAS et al., 2010)
Material e métodos

Utilizou-se o teste de Qui-quadrado com nível de significância estatística de 5%


(p≤0,05) para identificar as associações entre o desfecho e as variáveis
independentes.
O estudo foi aprovado por um Comitê de Ética em Pesquisa, sob parecer nº
4.115.023.
Resultados e discussões
Idade média
147 de 36,1
participantes (DP±9,2) anos

70,7% 63% docentes


mulheres
Resultados e discussões
Mudanças na qualidade da alimentação durante a pandemia:

27,2% 34,7% 29% 20,8% 77,2% dos


melhoraram pioraram a aumentaram aumentaram o indivíduos
a alimentação; o consumo consumo de declaram
alimentação; de frutas e industrializados; cozinhar
vegetais; mais em
casa.
Resultados e discussões
Quanto às associações encontradas:
A respeito dos
CRTA, 43,8%
A maioria dos
dos que tinham
trabalhadores Sobre o estado
A maioria dos 43,8% daqueles risco pioraram
de cargos nutricional,
docentes não que não a alimentação,
administrativos 55,6% dos
relataram praticavam AF em
e de gestão obesos
mudanças pioraram a contrapartida,
pioraram a pioraram a
(45,7%); alimentação; 44,3% dos que
alimentação alimentação.
não tinham
(46,3%);
risco, não a
(p=0,019) mudaram; (p=0,035)
(p=0,029) (p=0,019)
Resultados e discussões

Em recente pesquisa nacional, realizada com população adulta,


observou-se que sentimentos de ansiedade, medo e preocupação
influenciaram na alteração do padrão alimentar durante a
pandemia, levando 54% da amostra ao ganho de peso.

(VERTICCHIO & VERTICCHIO, 2020)


Conclusão

Observou-se mudanças na alimentação em decorrência da pandemia,


evidenciando associação com o cargo, AF, CRTA e estado nutricional.
Manter um adequando estado nutricional neste momento é
essencial, a fim de prevenir o desenvolvimento ou exacerbação de
DCNT e suas complicações.
Referências
BIGHETTI, F. Tradução e validação do Eating Attitudes Test (EAT-26) em adolescentes do sexo feminino na cidade de Ribeirão Preto-SP. Ribeirão Preto: USP,
2003. Dissertação (Mestrado em Enfermagem em Saúde Pública), Universidade de São Paulo, 2003.

CHOW, N.; FLEMING-DUTRA, K.; GIERKE, R.; HALL, A.; HUGHES, M.; PILISHVILI, T.; RITCHEY, M.; ROGUSKI, K.; SKOFF, T.; USSERY, E. Preliminary estimates of the
prevalence of selected underlying health conditions among patients with coronavirus disease 2019—United States, February 12–March 28, 2020. Morbidity and
Mortality Weekly Report, v. 69, n. 13, p. 382, 2020.

DAVIES, A.; WELLARD-COLE, L.; RANGAN, A.; ALLMAN-FARINELLI, M. Validity of self-reported weight and height for BMI classification: A cross-sectional study
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GALANAKIS, C. M. The Food Systems in the Era of the Coronavirus (COVID-19) Pandemic Crisis. Foods, v. 9, n. 4, p. 523, 2020.

GARNER, D. M.; OLMSTED, M. P.; BOHR, Y.; GARFINKEL, P. E. The eating attitudes test: psychometric features and clinical correlates. Psychological medicine, v. 12,
n. 4, p. 871-878, 1982.

JAIME, P. C. Pandemia de COVID19: implicações para (in) segurança alimentar e nutricional. Ciênc. Saúde Coletiva, p. 2504-2504, 2020.

MINISTÉRIO DA SAÚDE (MS). IMC Adultos: Avaliação do peso em adultos (20 a 59 anos). 2017. Disponível em: <
http://www.saude.gov.br/component/content/article/804-imc/40509-imc-em-adultos>. Acesso em: 11 ago. 2020.
Referências
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https://www.paho.org/pt/covid19>. Acesso em: 26 de out. 2020.

RIVAS, T.; BERSABÉ, R.; JIMÉNEZ, M.; BERROCAL, C. The eating attitudes test (EAT-26): reliability and validity in Spanish female samples. The Spanish journal of
psychology, v. 13, n. 2, p. 1044-1056, 2010.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS). Qual a diferença de distanciamento social, isolamento e quarentena? Disponível em: <
https://www.ufrgs.br/telessauders/posts_coronavirus/qual-a-diferenca-de-distanciamento-social-isolamento-e-quarentena/ >. Acesso em: 26 de out. 2020.

VERTICCHIO, D. F. R; VERTICCHIO, N. M. Os impactos do isolamento social sobre as mudanças no comportamento alimentar e ganho de peso durante a
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ZABETAKIS, I.; LORDAN, R.; NORTON, C.; TSOUPRAS, A. COVID-19: The Inflammation Link and the Role of Nutrition in Potential Mitigation. Nutrients, v. 12, n. 5,
p. 1466, 2020.

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