Você está na página 1de 8

4.

Epistemologia Genética de
Jean Piaget

1
CONSTRUTIVIS
CONSTRUTIVISMO DE JEAN PIAGET
Entendendo que a mente das crianças é qualitativamente
TA

diferente da dos adultos, Piaget propôs a existência de estágios


cognitivos em sua epistemologia genética ou teoria
psicogenética. Para ele, aprendizagem é um processo de inter-
relação entre fatores endógenos (sujeito cognoscente) e fatores
exógenos (o meio, a situação, o objeto cognoscível). Nesse
caso, a aprendizagem efetua-se tanto de fora para dentro como
de dentro para fora. É a partir da interação do sujeito com o
Jean Piaget (1896-
objeto que o aprendiz, pelo poder de seu raciocínio, extrai da 1980)
realidade as informações desejadas, as interpreta e as Pontos principais:
 Conhecimento prévio
reestrutura. Sendo aprender um processo ativo, o professor  Interação sujeito-
deve ser um problematizador, um desafiador, um criador de objeto
 Estágios cognitivos
conflitos, que provoque a atividade.  Equilibração
2
A METÁFORA DO
CONSTRUTIVISMO
O termo construtivismo, associado a Piaget,
tão apregoado nos anos 1990, consiste numa
metáfora para mostrar como ocorre a
aprendizagem no ser humano: por um
processo ativo de assimilação/construção. A
pessoa constrói o desenvolvimento da
própria inteligência, não sendo esta mero A CONSTRUÇÃO DA ESTRUTURA
desabrochar de características inatas nem COGNITIVA

reflexo de impressões ambientais. Note que 1. Material de construção:


conhecimentos cotidianos do aluno +
o construtivismo é uma teoria de base conhecimentos elaborados da escola
cognitivista interpretacionista. Não existe 2. Construtor: aluno
método construtivista (MOREIRA, 3. Arquiteto/Engenheiro: professor
3
CONCEITOS-CHAVE EM PIAGET

Sujeito epistêmico: Também chamado de sujeito cognoscente ou do conhecimento, o


conceito diz respeito às estruturas mentais comuns a todos os seres humanos, que
conferem ao ser humano a capacidade mental de construir relações com o objeto do
conhecimento mediante diferentes operações cognoscitivas (observar, classificar,
comparar, deduzir, organizar, analisar, sintetizar etc.).
Conhecimento prévio: O termo designa os saberes que os alunos
possuem e que são essenciais para o aprendizado. Nos anos1920,
Jean Piaget identificou as estruturas mentais como condições prévias
para aprender (pontes para saber mais). Na década de1960, David
Ausubel chamou de conhecimento prévio as ideias-âncora para
adquirir novos conhecimentos.
Esquemas de ação: Ao procurar dar sentido ao que vê, ouve etc., a
mente infantil procura organizar a realidade construindo e aplicando
esquemas (cadeias organizadas de conhecimento) comportamentais e
mentais aos objetos e eventos. Nesse processo desenvolve inteligência e
adquire conhecimento. Essa interação é diversa conforme a faixa etária e
as experiências vividas. 4
ESTÁGIO IDADE APROX. CAPACIDADES
SENSÓRIO- 0 a 2 anos Inteligência prática. Compreende o mundo de forma direta e imediata,
MOTOR por meio de esquemas de ação a partir de reflexos neurológicos básicos.
O eu está em fusão com o mundo. Movimentos e sensações.

PRÉ- 2 a 7 anos Inteligência simbólica. Começa a representar o mundo palavras e


OPERATÓRIO 2-4 Simbólico imagens. Desenvolve a linguagem. Representação do tempo e do
4-7 Intuitivo espaço. Pensamento irreversível, antropomórfico (gatos falam). Fase dos
porquês. Percepção global. Organiza e classifica objetos. Confunde
ESTÁGIOS COGNITIVOS

aparência e realidade. Imitação. Faz-de-conta. Egocentrismo. Animismo.


Reconhece-se no espelho.

OPERATÓRIO 7 a 11 anos Inteligência lógica. Capaz de raciocinar logicamente sobre a realidade


CONCRETO concreta e classificar e comparar objetos. Experiências centradas no aqui
agora. Reversibilidade e atendimento a mais de um aspecto. Raciocínio
indutivo. Empatia: descentração egocêntrica. Capaz de classificar, seriar,
multiplicar e numerar. Entende quantidade, peso, volume, superfície,
tempo e velocidade.

OPERATÓRIO 12 anos em diante Inteligência abstrata. Pensa de forma abstrata, idealística e lógica.
FORMAL Raciocínio hipotético-dedutivo, conceituações, planejamento,
teorizações, sistematizações e metacognição. Consolidação da
personalidade, autonomia, moralidade. 5
TEORIA DA EQUILIBRAÇÃO MAJORANTE
Convém confrontar a
inteligência, propondo
atividades
desafiadoras, que
provoquem
desequilibrações e
reequilibrações
sucessivas, pois só há
aprendizagem quando
o esquema de
EQUILIBRAÇÃO:
assimilação sofre
ESTABILIDADE DA ORGANIZAÇÃO acomodação
MENTAL
6
O PROCESSO DE ADAPTAÇÃO ATIVA
ASSIMILAÇÃO: Etapa ACOMODAÇÃO: Etapa
de interação com o meio de construção interna pela
pela qual o cérebro qual, ao não conseguir
incorpora/integra novas assimilar determinada
informações a esquemas situação, o cérebro
já existentes. O sujeito modifica esquemas
existentes para ajustá-los
AGE no sentido de
às novas informações e
apropriar-se do objeto de
experiências ou os cria. O
conhecimento, de sujeito AGE no sentido de
interiorizar o objeto reestruturar seus esquemas
exterior para adaptá-lo a mentais para se adaptar ao
seu universo. Processo de meio. Processo de saída. A
entrada. mente se modifica.
A mente não se modifica.

7
EXEMPLO DO PROCESSO DE ASSIMILAÇÃO: Uma criança está
aprendendo a reconhecer animais, e até o momento o único animal que ela
conhece e tem organizado esquematicamente é o cachorro. Assim, pode-se
dizer que a criança, quando obteve esse conhecimento novo, formou em sua
estrutura cognitiva um esquema de cachorro (assimilação). Quando lhe
apresentamos um outro animal que possua semelhança superficial com um
cachorro, como um gato, por exemplo, devido às quatro patas, pelo e cauda, ela
o confundirá com um cachorro. Outro exemplo: Segura o lápis.

EXEMPLO DO PROCESSO DE ACOMODAÇÃO: Quando o adulto intervém e


corrige, "não, aquilo não é um cachorro, é um gato“, ocorre um conflito cognitivo
(desequilíbrio) na mente da criança. Ao tomar consciência de que as criaturas
quadrúpedes, com pelo e com cauda, não são todas cachorro, modificará seus
esquemas para ajustar-se a nova informação (acomodação). Ao fazer esta
diferenciação, a criança tem agora, um esquema para o conceito de cachorro e outro
para o conceito de gato. Ou um esquema maior para “animais”, dentro do qual ficam
os subesquemas “cão” e “gato”. Ao solucionar o conflito, restaurou-se o equilíbrio.
Outro exemplo: usa o lápis para desenhar. 8

Você também pode gostar