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GESTÃO DO TEMPO E DO

ESPAÇO NA SALA DE AULA


Prof. José Barbosa 1
OBJETIVOS DESTA AULA

 Definir a área de atuação da transdisciplina psicologia da


educação dentro do contexto da pedagogia
 Estabelecer distinção entre psicologia do desenvolvimento e
psicologia da aprendizagem
 Relacionar as contribuições da psicologia da educação para
o processo didático
REFLEXÕES INICIAIS
Como era organizada a sala de aula durante sua
escolarização? Como seus professores ensinavam? Como você
aprendeu? Em que tempos e em quais espaços? Você sabe quando
a escola, tal como a conhecemos (num espaço e tempo próprios),
foi "inventada"? Quais características temporais e espaciais foram
mais marcantes em sua trajetória escolar? Você nota diferenças na
organização das escolas de hoje? Quais? E em relação à escola
onde atua como gestor (a), quais as características da organização
dos seus tempos e espaços? Enfim, o que é o tempo escolar? E o
espaço escolar?
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POR QUE ESTUDAR O TEMPO E O ESPAÇO
ESCOLAR?
A organização escolar é composta de diversos
elementos: pessoas, regras, situações, atividades,
rotinas, ambientes, linguagens etc.
Dois destes elementos são estruturantes
organizacionais tão importantes para a cultura escolar,
que alguns autores chegam a considerá-los
componentes curriculares. Estamos falando do espaço
e do tempo.

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Segundo Santos, espaço é meio
de coexistência, enquanto tempo
é meio de sucessão, um sistema
de coordenadas que toca bem de
perto nossas vidas em todos os
sentidos, mas sobretudo na
escola. Pontos no espaço-tempo
são chamados eventos. A aula,
por exemplo, é um evento
didático situado num tempo e
num espaço.
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IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DE TEMPO E
ESPAÇO

Visto que todas as ações no interior da escola ocorrem


num espaço e num tempo, a arquitetura espaço-temporal é
estruturante da cultura escolar. Sendo cultura, não é uma
propriedade natural dos indivíduos, mas uma construção,
que tanto pode condicionar como ser condicionada. Dito
de outra forma: os tempos e espaços escolares não são
neutros. Eles educam. Se educam, merecem a atenção dos
educadores.

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A ESCOLA É UMA MÁQUINA

Para David Hamilton (1999), a escola é uma máquina de ensinar e


de aprender. Sendo assim, a gestão do tempo e do espaço é decisiva
para o bom funcionamento dessa máquina. Refletir sobre o tempo e
o espaço pode ajudar a subsidiar a gestão dessas categorias sociais
de pensamento.
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O QUE É TEMPO ESCOLAR?
Tempo escolar é um sistema de referências que
organiza as práticas de professores e aluno. As
escalas temporais podem referir-se tanto ao
calendário (dias letivos ou não, interrupções de aula,
feriados, férias, recessos, turnos parciais ou integrais,
matrícula, exames etc.), quanto às rotinas (hora da
chegada, da roda de conversa, da alimentação,
higiene, repouso, brincadeira, leitura; hora do
português, da matemática, da geografia etc.). Sem
contar com a duração das etapas, fases, ciclos, séries,
aulas bem como as faixas etárias envolvidas. O
tempo escolar abrange, portanto, diversas
temporalidades. 9
TEMPO E ESPAÇO REFLETEM CONCEPÇÕES

Os tempos e espaços, porém, não são neutros. As marcas


temporais e espaciais das escolas onde atuamos refletem as
concepções de educação assumidos pelo professor e pela
escola e exercem efeito na formação dos alunos. Apesar
disso, arquitetura espaço-temporal não só condiciona a
dinâmica social e cultural, mas é também por ela
condicionada. Vale lembrar que o aluno passa, no mínimo,
20 horas por semana sentado numa carteira, num espaço
retangular da escola chamado sala de aula.

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FATORES INTERFERENTES NO TEMPO
Ao discutir a pluralidade e complexidade do
tempo escolar, Compère (1997) aponta fatores
que interferem na análise do tempo: a questão do
gênero, a idade dos alunos, as estações, as
tradições e a iniciativas regionais, a religião e a
condição social. O tempo apresenta ao mesmo
tempo um caráter quantitativo e qualitativo.
Quantitativo porque todos assistem à mesma aula
cronometrada de 50 minutos, mas também
qualitativo porque cada um vive e percebe o
tempo de modo distinto.

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ROTINA E COTIDIANIDADE
A rotina não é o cotidiano; mas o cotidiano
organizado. Tem grande importância na
estruturação do tempo passado na escola
(PROENÇA, 2004). Em todos os alunos –
mas sobretudo nas crianças mais pequenas
– a rotina traz como efeito colateral
positivo: segurança, tranquilidade e
controle da ansiedade, além da promoção
da autonomia e da autodisciplina.
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PRINCIPAIS TEMPOS ESCOLARES
Alguns tempos escolares mudaram ao longo do tempo:

Duração do ensino fundamental: 8 anos para 9 anos


Entrada no ensino fundamental: 7 anos para 6 anos
Duração da educação infantil: 0-6 anos para 0-5 anos
Duração da educação obrigatória: 6-14 anos para 4-17 anos
Entrada na educação obrigatória: 6 anos para 4 anos.
Tempo parcial diurno = matutino ou vespertino
Tempo parcial noturno
Tempo integral = turno e contraturno ou turno único com
jornada escolar de no mínimo de sete horas.
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QUAL O TIPO DE ROTINA?

A rotina da educação em suas diversas etapas pode ser facilitadora ou


cerceadora dos processos de desenvolvimento e aprendizagem.
Evitem-se, portanto, rotinas rígidas, inflexíveis, monótonas, repetitivas,
mecânicas e pouco participativas são contraproducentes.
Que as rotinas sejam estáveis, mas flexíveis. Que se reformule o tempo para
que haja equilíbrio entre quantidade e qualidade 14
O QUE É ESPAÇO ESCOLAR
Espaço é qualquer lugar mais ou menos delimitado. Pode ser visto
como apenas como um lugar físico, como uma caixa; ou como um
lugar onde a vida acontece (ZABALZA, 2007: 231). A escola, ela
própria uma instituição que se localiza ou se realiza num lugar
específico, possui diversos ambientes internos e externos, cada
um com seu tamanho, forma, distribuição, distâncias e
mobilidades. O espaço escolar pode ser organizado em ambientes
e ter áreas tanto internas (salas de aula, biblioteca, diretoria,
laboratório, auditório, sala dos professores) quanto externas
(fachada, pátio, quadra, parque etc.).

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ESPAÇO X AMBIENTE

ESPAÇO =
INFRAESTRUTURA
FÍSICA
AMBIENTE = ESPAÇO
FÍSICO ORGANIZADO E AS
RELAÇÕES QUE NELE SE
ESTABELECEM DE ACORDO
COM AS ATIVIDADES ALI
REALIZADAS
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ESPAÇO ESCOLAR COMO ELEMENTO
CURRICULAR
Para Zabalza (2007: 229), o espaço escolar não é só um pano de
fundo ou uma moldura, mas um elemento curricular (mobiliário,
materiais didáticos, decoração etc.), um ambiente de
aprendizagem.
Esse ambiente pode ser conservador ou inovador, um “presídio”
com “celas” onde detentos precisam ficar confinados quatro ou
sete horas por dia; ou um lugar alegre, colorido, musical, onde se
celebra a aprendizagem.
Sabe-se que a educação infantil explora mais o espaço escolar do
que o ensino fundamental e o ensino médio.
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A ORDENAÇÃO DO ESPAÇO
A ordenação do espaço, sua configuração como lugar (distribuído e
designado) consiste num aspecto significativo do currículo, seja isso
consciente ou não para quem o habita. Revela, dentre outras coisas, o
modelo de organização educativa, método de ensino ou até o clima
organizacional e seguramente funciona como estímulo para os alunos,
pois é o ambiente em que a criança permanece várias horas por dia,
espaço relativamente confinado e de alta densidade “populacional”
(Veiga-Neto).
Alguns aspectos presentes na arquitetura escolar foram construídos
meramente para garantir a disciplina e a vigilância dos professores, tais
como salas com recorte de vidro ou dotadas de câmeras de segurança.

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IMPORTÂNCIA DO ESPAÇO
O espaço físico da sala de aula bem como todos os objetos nele contidos
não devem ser vistos como elementos passivos nem vazios de
significado. Paredes, móveis, a forma como estão distribuídos, os espaços
mortos, as pessoas, a decoração etc., tudo envia uma mensagem. A forma
como o ambiente é organizado, pintado, iluminado, climatizado e feitos
agrupamentos exerce profundo impacto sobre o clima psicológico da
turma.
Há uma indiscutível pedagogia na materialidade do espaço (Freire). O
ambiente constitui, na verdade, poderoso auxiliar de aprendizagem.
Trata-se de um componente curricular.

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QUALIDADE DO AMBIENTE FÍSICO ESCOLAR

O ambiente deve ser acolhedor, pedagógico, alegre, ético, afetivo,


ecológico, estético, estimulante. Não deve ser cheio demais, nem vazio
demais. Mas sempre conducentes à aprendizagem. Suficiência, qualidade,
cuidado e bom aproveitamento do ambiente físico escolar nos seguintes
quesitos: material escolar, biblioteca, laboratório de informática, acesso à
Internet, banheiros, água filtrada ou tratada, carteiras para os alunos,
mesa e cadeira para o professor, pátio escolar, espaço esportivo, recursos
didáticos para o professor, TV, Som, PC, DVDs, salas de aula suficientes,
merenda escolar, calendário letivo, plantas, árvores e flores, lixeiras, vias
de acesso para deficientes, boa aparência do prédio.

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QUALIDADE DO AMBIENTE RELACIONAL
ESCOLAR
1. Amizade, solidariedade e alegria.
2. Versatilidade
3. Segurança
4. Combate à discriminação
5. Disciplina e tratamento adequado aos conflitos que ocorrem no
dia-a-dia da escola
6. Respeito ao direito das crianças e adolescentes.
7. Respeito ao idoso
8. Estimulante
9. Congruente com os objetivos
10. Não estanque a quatro paredes. 21
QUALIDADE DO ESPAÇO E DO TEMPO
ESCOLAR
1. Seguro 1. Seguro
2. Aconchegante 2. Aconchegante
3. Acessível 3. Acessível
4. Dinâmico 4. Dinâmico
5. Flexível 5. Flexível
6. Estimulante 6. Estimulante
7. Temperado 7. Diversificado
8. Inclusivo 8. Inclusivo

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1. TEMPOS E ESPAÇOS PARA PLANEJAR
O professor como gestor de sala de aula pode ser comparado a
um arquiteto, que estrutura a vida da sala de aula, ordenando o
cotidiano numa arquitetura temporal e espacial. Isto inclui a
ordenação dos conteúdos, pela escolha dos materiais didáticos,
por atividades extraclasses, por questões disciplinares etc.
Mas é importante haver coerência no planejamento Não adianta
pôr as carteiras em círculo e ministrar a aula sem nenhuma
discussão entre os alunos e entre os alunos e os professores.
Como uma escola pode se dizer montessoriana, se as carteiras
não se ajustam à altura dos pequeninos?

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2. TEMPOS E ESPAÇOS PARA APRENDER
O professor precisa organizar atividades didáticas de sua
disciplina para encaixar no espaço e no tempo previamente
disponibilizado para isso. Precisa torna a “estada” dos alunos
em sua aula a mais agradável e enriquecedora possível. Para
alguns alunos, o melhor da escola sempre foi a hora da saída,
depois o melhor era a hora do recreio.
Ao lembrar que os alunos aprendem em tempos e ritmos
diferentes, é preciso lidar com a diversidade na sala de aula.
Alunos lentos nem sempre são os mais obtusos.

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3. TEMPOS E ESPAÇOS PARA AVALIAR
No que diz respeito ao tempo, o professor precisa organizar
procedimentos avaliativos de periodicidade cada vez mais
frequente, de forma contínua e cumulativa, e não apenas nos
períodos terminais, “quando o paciente já estaria morto”
(fazendo uma analogia com a área da medicina)! Precisa dar
tempo suficiente para o aluno fazer as provas ou verificações,
sem pressão, cada um no seu ritmo.
E evitar a todo custo classificar alunos “bons” e “maus” e
distribui-los em turmas que vão de A a E. Isso acaba criando
um estigma. Os professores...
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SUGESTÕES
Historicamente, espaços e tempos escolares organizam-se tendo
em vista a ordem, a disciplina e o máximo rendimento. Mas
levados a extremos podem afastar saberes e pessoas, por sua
descontinuidade e fragmentação. É preciso substituir a rigidez
da ordem das coisas no tempo e no espaço pela flexibilidade na
criação de um ambiente educativo desafiador, encurtando ou
alongando tempos, abrindo ou partilhando espaços e sobretudo
tornando mais frágeis as fronteiras entre as disciplinas

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REFLEXÕES FINAIS
É um desafio trabalhar o espaço e o tempo, porque em muitas
escolas os espaços são improvisados, rígidos, indistintos. Projeção
de outras instituições sociais: quartel, igreja, família
A extensão do tempo: parcial e integral.

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RECAPITULANDO O QUE VOCÊ ESTUDOU
1. PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO
 Educação: Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e
moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração
individual e social.
 Pedagogia: Teoria e ciência da educação e do ensino.
 Didática: parte da pedagogia que trata dos preceitos científicos que orientam a
atividade educativa de modo a torná-la mais eficiente.
 Psicologia: Ciência que trata dos estados e processos mentais, do
comportamento do ser humano e de suas interações com um ambiente físico e
social.
 Psicologia da Educação: Conhecimento científico que busca aplicar os saberes
teóricos e práticos da psicologia à teoria e prática educativa.
2. PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO
 Objetivo da Psicologia da Educação: aplicar os saberes e fazeres da
psicologia para tornar mais eficiente o processo de ensino-aprendizagem.
 Contribuições da Psicologia da Educação à Educação:
1. Compreensão docente
2. Compreensão discente
3. Compreensão didática
 Ramos da Psicologia da Educação
1. Psicologia do desenvolvimento
2. Psicologia da aprendizagem
 Psicologia da Educação Como Ciência Auxiliar da Pedagogia: Como
disciplina-ponte, a psicologia da educação é uma ferramenta para tornar o
ensino mais eficaz.
nais de Poder. Ed. UNIJÚI,
BIBLIOGRAFIA
ALVES, Nilda. O Espaço escolar e suas marcas: O Espaço como
mágico de
Dimensão Material M.C.
do Escher.
Currículo. Rio Ed.
de Janeiro, Editora DP&A. 1998.
CACCIA, Marie-Françoise; SUE, Roger. Autres temps, autre école:
ano. A Face Oculta FRAGO, da Escola
impacts et enjeux des rythmes scolaires. Paris: Retz, 2005.
ESCOLANO, Agustín; VINÃO Antônio. -e
Currículo, espaço
subjetividade: a arquitetura como programa. Rio de Janeiro: DP&A,
mo.Tradução:
2001. Tomaz Tadeu
HAMILTON, David. The pedagogic paradox (or why no didactics in
da
s, 1989,
England?). Pedagogy, culture & society, vol. 7, nº 1, 1999, p.135-152.
MORAIS, Regis de. (org.) Sala de aula: Que espaço é esse? 22.ed. São

r e Punir - História da violência na
Paulo: Papirus, 2009.
ZABALZA, Miguel A. (org.) Qualidade em educação infantil. Porto
Alegre: Artmed, 2007. 30

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