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A angústia

existencial

Antero de
Quental
A angústia existencial
Antero de Quental

A angústia existencial “Uma alma em luta consigo mesmo”

[...] As suas páginas foram escritas com sangue e lágrimas! E dói ver a vida do
mais belo espírito consumir-se em agonias de uma alma em luta consigo mesmo!
O comum da gente, ao ler as páginas deste volume, dirá então: quantas
catástrofes, que desgraças, este homem sofreu! Que singular hostilidade do
mundo para com uma criatura humana! – E todavia o mundo nunca lhe foi
propriamente hostil, nenhuma desgraça o acabrunhou; a sua vida tem corrido
serena, plácida, e até para o geral da gente em condições de felicidade.
É que o geral da gente não sabe que as tempestades da imaginação são as mais
duras de passar! Não há dores tão agudas como as dores imaginárias. Não há
problemas mais difíceis do que os problemas do pensamento, nem crises mais
dolorosas do que as crises do sentimento.
Oliveira Martins, «Prefácio» in Antero de Quental, Sonetos, 3ª ed., Lisboa, Ulmeiro, 1994
A angústia existencial
Antero de Quental

“Uma lúcida consciência da imperfeição humana”

Se excetuarmos alguns poemas orientados num sentido francamente positivo,


legíveis como um estímulo da vontade humana e do seu poder […], o clima
prevalecente na globalidade dos Sonetos é o de uma progressiva falência dessa
mesma vontade, como que arrastada pelo […] pendor visionário, mas também
por uma espécie de tristeza congénita ao sujeito, motivada por uma lúcida
consciência da imperfeição humana […] e ao mesmo tempo pela noção de que
os factos da vida terrena não nos reservam qualquer alegria. […]
Como afirmou magistralmente Eduardo Lourenço, «[…] [o] verdadeiro timbre,
o canto das profundezas, o que impregna os Sonetos da sua tristeza
inesquecível é o da morte das esperanças, o do amargo triunfo da dor e do mal
e, recobrindo tudo, o do triunfo da morte».
Fernando Pinto do Amaral, «O arquipélago das sombras», in Antero de Quental, Poesia Completa,
Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2001, pp. 41-43.
A angústia existencial
Antero de Quental

Tópicos dos textos

 Não há problemas mais difíceis do que os


problemas do pensamento, nem crises mais
dolorosas do que as crises do sentimento.
O clima prevalecente na globalidade dos Sonetos é
o de uma progressiva falência da vontade humana e
do seu poder.
 Pendor visionário mas também uma espécie de
tristeza congénita, motivada por uma lúcida
consciência da imperfeição humana.
 Noção de que os factos da vida terrena não nos
reservam qualquer alegria.
O triunfo dos males, do sofrimento e o fim da Diego Rivera, Jovem com uma
esperança, que culmina na morte. Caneta, 1914.
A angústia existencial
Antero de Quental

Consolida

1. Com base nos textos, indica os motivos da angústia existencial de Antero


de Quental, segundo os autores referidos.

2. Relaciona esse sentimento com dados biográficos do poeta, de acordo


com os textos.