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A VINDA DA CORTE PORTUGUESA PARA O BRASIL:

UM REI PORTUGUÊS É ACLAMADO NOS TRÓPICOS.

“CHEGADA DA FAMÍLIA REAL DE PORTUGAL” – PINTURA DE GEOFF HUNT - 1999


Em 1807, os planos de expansão do
imperador francês Napoleão Bonaparte
estavam em franco desenvolvimento. Em
sua pretensão de conquistar a Europa,
acabou desafiando a Inglaterra. A França
napoleônica decretou, então, o Bloqueio
Continental, que consistia em impedir os
navios ingleses de ancorar nas cidades
portuárias no continente europeu.
A partir de julho de 1807, Napoleão
ameaçou o invadir o território português
caso D. João não rompesse com a
Inglaterra. Nesse meio tempo, a Inglaterra
tentava convencer D. João a mudar a sede
do reino para o Brasil. Para alguns
conselheiros esta era a ocasião para formar
um imenso império luso-brasileiro no
Atlântico, transferindo a sede do governo
português para o Rio de Janeiro, capital do
Vice-Reinado do Brasil.
D. João VI e D. Carlota Joaquina
D. João VI com a nobreza portuguesa se prepara
para a viagem ao Brasil.

“Chegada do príncipe D. João à Igreja do Rosário”


Pintura de Armando Viana de 1937.

Com a chegada da corte ao Brasil, foram tomadas


medidas que mudaram totalmente a posição que o Brasil
ocupava no Império Português.
Ainda em Salvador em 1807, D.
João assina a Carta Régia, que
determinou a abertura dos portos
brasileiros às nações amigas, que
ordenava que todas as
mercadorias fossem admitidas nas
alfândegas do Brasil, pagando 24%
sobre o seu valor.
Essa medida rompeu o monopólio dos
portugueses sobre o comércio colonial.
Os comerciantes locais ficaram muito
satisfeitos, pois se abriu a possibilidade
de negociarem diretamente com
outros mercados. Os grandes
prejudicados foram os comerciantes de
Portugal, que perderam a exclusividade
na intermediação entre os mercados
colonial e europeu.
ASSINATURA DE DOIS TRATADOS COM A
INGLATERRA: O DE ALIANÇA E AMIZADE E O
DE COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO.
Em troca da escolta à família real, os ingleses exigiram,
entre outras coisas, ter acesso privilegiado ao mercado
consumidor do Brasil. A abertura dos portos em 1808
já tinha significado uma concessão aos ingleses. Estes
dois tratados apontavam mais privilégios para os
ingleses, já que estipulava um imposto de apenas 15%
sobre os produtos ingleses, menos que os produtos
portugueses, que foram taxados em 16% e os demais
países pagariam 24% de imposto.
Lisboa passou a receber ordens do Rio de
Janeiro e o Rio de Janeiro a comandar
administração de todas as regiões do Brasil.
Porém, a unidade dos territórios portugueses
na América era precária e cada capitania um
país em potencial. Não existia um sentimento
de “nacionalidade brasileira”. Os habitantes
sentiam-se , ao mesmo tempo, portugueses
do Brasil e paraenses,maranhenses,
pernambucanos, baianos, mineiros ou
paulistas. Mais do que um Brasil, havia Brasis.
O BRASIL É ELEVADO A CONDIÇÃO DE REINO UNIDO
A PORTUGAL E ALGARVES. (16-12-1815)

Tal medida assegurou a permanência da


corte no Rio de Janeiro e soou como uma
opção pela parte americana do império
luso-brasileiro, demonstrando que não
havia mais uma posição de subordinação
do Brasil em relação a Portugal.
AS TRANSFORMAÇÕES DO BRASIL
DURANTE O PERÍODO JOANINO.
No período joanino criou-se o Banco do Brasil e a
Casa da Moeda, fundo-se o Jardim Botânico,
organizou-se a Academia Militar, a Escola de Belas
Artes e a Biblioteca Real (futura Biblioteca Nacional).
Instalou-se também o primeiro curso superior no
Brasil: a Escola de Cirurgia da Bahia. Liberou-se a
tipografia, antes proibida, permitindo que se
criassem jornais e de editassem livros. Assim, a
Gazeta do Rio de Janeiro foi o primeiro jornal a ser
editado no Brasil, em Setembro de 1808.
“Um dia da Corte no Rio” – Caricatura do inglês A.P.D.G. de
1826
Palácio da Quinta da Boa Vista, residência de D. João no RJ.
Paço Imperial, sede do governo português durante o Período Joanino.
O BRASIL VISTO PELOS VIAJANTES
Neste momento, o período Joanino, um grupo de
artistas foi convidado para vir ao Brasil divulgar
os aspectos louváveis da cultura francesa, tida na
época como o ideal de civilização. Esta “missão
artística francesa”, como ficou conhecida, foi
constituída de artistas como Jean-Baptiste
Debret, os irmãos Taunay, Joachim Lebreton e o
arquiteto Grandjean de Montigny, que haviam
servido ao governo de Napoleão e caíram em
desgraça após a derrota do imperador.
“Uma Família Brasileira” - Aquarela de Henry Chamberlain - 1817
“O mercado de escravos” – Gravura do inglês Henry Chamberlain –
1822.
“Cena de Rua (Patrão e Escravo)”
Debret (1829)
“Quitandeira da Lapa”
Aquarela de Henry Chamberlain - 1817
Esta sociedade era ao mesmo tempo
multicultural e mestiça. Mas estava dividida
em duas metades inimigas, unidas pela
violência: os homens livres e os escravizados.
O homem livre era branco; o homem negro
era escravo. Essa dualidade não se desmentia
pelo fato de haver negros nascidos livres ou
que tenham adquirido a liberdade. Até prova
em contrário, um negro era visto como
escravo.
Mas não foram só os franceses.
Naturalistas de várias partes do
mundo estiveram aqui para estudar a
exuberante flora e fauna, deixando
abundantes registros sobre o Brasil.
Estes relatos de viagens e o material
iconográfico deixado por eles são, até
hoje, valioso para o conhecimento do
Brasil deste período.
A VOLTA DE D. JOÃO VI PARA PORTUGAL
EM 1821.

Portugal, desde a transferência da família


real para o Brasil, estava sendo governado
por um Conselho inglês que prestava contas
a D. João VI. O descontentamento começou a
crescer no país. A perda do monopólio do
comércio brasileiro e de diversos privilégios
portugueses foi desastrosa para a economia
portuguesa.
Em 1820, iniciou-se na cidade do
Porto um processo revolucionário que
apresentou duas exigências básicas: o
retorno imediato de D. João VI para a
Europa e a convocação de uma
Assembleia Nacional Constituinte. A
Assembleia teria a incumbência de
elaborar uma Constituição que
pusesse fim ao absolutismo do rei.
A Revolução do Porto representou em
Portugal o início da passagem do
absolutismo para a ordem liberal, que
acabou por interferir diretamente na
independência brasileira. Isso porque
as Cortes tentaram reduzir novamente
o território brasileiro à condição de
colônia e acabaram desencadeando o
processo que daria fim ao domínio
português na América.
Tendo em vista o que estudamos,
podemos afirmar que o
estabelecimento da Corte
portuguesa no Rio de Janeiro é o
marco inicial da emancipação
política do Brasil.
“A coroação de D. Pedro I”- Gravura de Debret de 1834.