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CURSO TÉCNICO DE

ENFERMAGEM

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM
NA SAÚDE DO IDOSO

• SÍNDROME DE ALZHEIMER
Também conhecida como
demência senil de Alzheimer
Envolve o declínio progressivo em áreas responsáveis pela percepção
e conhecimento, significando para a pessoa prejuízo em sua
memória, na sua capacidade de julgamento, afeto, deterioração
intelectual, desorganização da personalidade e aumento da
incapacidade de exercer as atividades diárias.
Esse declínio é causado pela interrupção da
transmissão das mensagens, entre as células nervosas,
que são passadas por agentes químicos ou
neurotransmissores*.

*Neurotransmissor – É uma
substância liberada por célula
nervosa , de nervo ou músculo, que
transmite à outra célula um
impulso nervoso.
Acredita-se que nessa
doença ocorreria a
ausência de um
neurotransmissor
específico, atrofia do
córtex cerebral e
modificações nas
células nervosas.
 A prevalência do Alzheimer é mais alta do que se esperava.
 Ocorre entre 10% a 15% em pessoas com idade acima de 65 anos;
 Em pessoas com mais de 75 anos, a incidência é de 19%,
 Com idade acima de 85 anos, essa porcentagem é de 47%.
A causa de seu aparecimento é desconhecida.
Mas, vários fatores de risco podem ser considerados, como:
 Idade,
 Fatores Genéticos,
 Traumatismo Craniano, entre outros.
O exame do cérebro pós-morte é a única forma de se chegar a um
diagnóstico definitivo.
Alguns autores dividem a evolução clínica dessa doença
em 3 estágios:
Primeiro estágio - dura entre 1 a 3 anos e o distúrbio da
memória é o primeiro sinal observado; a pessoa tem
dificuldade de aprender coisas novas, além de um
comprometimento das lembranças passadas; pode
apresentar tristeza, desilusão, irritabilidade, indiferença; é
capaz de desempenhar bem suas atividades diárias no
trabalho e em casa, porém não consegue adaptar-se a
mudanças;
Segundo estágio - dura entre 2 a 10 anos, podendo-se
observar: distúrbios de linguagem, como a afasia*, e
acentuado comprometimento da memória em relação a
lembranças remotas e recentes; desorientação espacial,
indiferença em relação aos outros, inquietação motora com
marcha em ritmo compassado. Nesse estágio, a deglutição
torna-se prejudicada;

*Afasia – É a perda da
capacidade de se expressar
e/ou de compreender a
linguagem falada.
Terceiro estágio - dura
de 8 a 12 anos; as
funções intelectuais
apresentam-se
gravemente
deterioradas; há perda
das habilidades visuais e
mentais, inclusive da fala;

O movimento voluntário é mínimo e os membros tornam-


se rígidos com a postura fletida; apresenta incontinência
urinária e fecal. A pessoa perde toda a habilidade para se
auto cuidar.
Por se tratar de uma doença que não tem cura, o
tratamento medicamentoso está relacionado ao
controle de sinais e sintomas decorrentes das
alterações comportamentais, como a agitação e
confusão mental, com a utilização de haloperidol
(Haldol®).

Seus efeitos colaterais, tais como agitação


motora, sintomas parkinsonianos, hipotensão
ortostática, retenção urinária e sedação, deverão
ser monitorizados.
As ações de enfermagem estão diretamente relacionadas ao grau de demência e
dependência que o indivíduo apresenta.

Deve-se atentar para as alterações do pensamento, criando mecanismos que


ativem a memória, mantendo uma conversa simples e agradável e, se possível,
proporcionar maneiras de orientá-lo em relação ao tempo com a utilização de
calendário e relógios.
É importante cuidar da segurança em relação ao risco de queda, sendo necessário
manter as camas baixas e com grades elevadas, as luzes acessas durante a noite
e livres as áreas para a deambulação. Tais informações deverão ser repassadas aos
familiares que irão cuidar, em casa, do portador do mal de Alzheimer, pois a
hospitalização somente ocorrerá em casos de complicação do quadro clínico. É
importante orientá-los desde o momento da internação, solicitando, se possível, que
participem dos cuidados que estão sendo prestados, intensificando o treinamento no
instante em que a alta for programada.
A morte em pessoas com doenças demenciais está relacionada à pneumonia,
desnutrição e desidratação.
CURSO TÉCNICO DE ENFERMAGEM
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO IDOSO

DOENÇA DE PARKINSON
Profª T. CRISTINA - FAFIA 11
ASPECTOS GERAIS DO PARKINSON
Em 1817 James Parkinson, médico inglês, descreveu a
doença em detalhes, sendo homenageado com o nome da
doença, doença de Parkinson, conhecida como paralisia
agitante é uma patologia neurológica, crônica, idiopática,
degenerativa, lenta e progressiva.
É uma patologia que se desenvolve após os 50 anos, e é o
segundo distúrbio neurológico mais comum no idoso.
É de maior incidência entre os homens e afeta 0,3% da
população.

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 É um distúrbio neurológico progressivo que afeta os centros
cerebrais responsáveis pelo controle e regulação dos movimentos.
 Interfere nos movimentos voluntários e automáticos em virtude
da deficiência de dopamina no Sistema Nervoso Central (SNC),
talvez por exposição a toxinas, como pó de manganês e monóxido
de carbono, que destroem as células do SNC produtoras de
dopamina.

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 Tem como característica principal a bradicinesia (lentidão
dos movimentos), e ainda se manifesta através de tremor
involuntário e contínuo mesmo quando em repouso e contração
ou rigidez da musculatura do corpo.

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Pode-se observar também uma diminuição do fluxo cerebral, o que
acarreta a demência e prejuízo significativo a qualidade de vida dos
acometidos, envolvendo a psicose, transtornos cognitivos e
depressão.
Em geral a deterioração é progressiva e culmina no óbito, habitualmente
devido a pneumonia por bronco aspiração ou alguma outra infecção.
 Pode ocorrer após encefalites, envenenamento ou intoxicação por
manganês e monóxido de carbono; pode ser induzida por drogas, como
magnésio, fenotiazina, haloperidol, reserpina, ferro, ou mesmo após
*hipóxia cerebral prolongada. *Hipóxia cerebral: É a diminuição da oferta de oxigênio no cérebro.

 A fisiopatologia está baseada na lesão resultante da perda de neurônios e na


diminuição do neurotransmissor chamado dopamina, e está associada à bradicinesia,
aos tremores e à rigidez.
 A face pode ser afetada e torna-se pouco expressiva, podendo ser comparada a
uma máscara, devido a uma limitação da musculatura facial.
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MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA DOENÇA DE PARKINSON
 Rigidez muscular progressiva;
 Acinesia;
 Dificuldade de andar;
 Tremores involuntários;
 Disartria e fala aguda e monótona;
 Pele oleosa e transpiração excessiva;
 Insônia;
 Oscilações do humor;
 Sialorréia;
 Expressão facial semelhante a uma máscara;
 Perda do controle da postura e caminha com o tronco inclinado para frente;
 Crise oculogírica (olhos fixos para cima, com movimentos involuntários);
 Demora para iniciar os movimentos necessários à realização de uma ação voluntária;
 Alterações da marcha, vira-se com dificuldades e perde facilmente o equilíbrio.
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 A fala apresenta um tom monótono e lento, com palavras
mal articuladas (disartria) e há excesso de saliva em
decorrência da falta de deglutição espontânea.
 Há perda dos reflexos posturais; a cabeça fica inclinada
para frente e a marcha prejudicada.
 A perda do equilíbrio pode ocasionar quedas frequentes.
 O diagnóstico precoce pode ser difícil, e só poderá ser
confirmado com a evidência de tremores, rigidez e movimentos
lentos.
 Assim, como no mal de Alzheimer, as complicações
decorrentes da imobilidade (pneumonia e infecção do trato
urinário) e as consequências das quedas e acidentes são as
principais causas de morte.
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DEMÊNCIA: INEVITÁVEL NO PARKINSON

Compromete não apenas o sistema motor do paciente,


mas, provoca alterações cognitivas que podem estar
presentes logo no início da doença, configurando um
quadro de demência. É altamente prevalente e causa
significativa redução da qualidade de vida.
Sabe-se que a evolução com demência é 2 a 4 vezes
mais comum em pacientes com doença de Parkinson
do que na população em geral.

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O quadro demencial instala-se em fases mais adiantadas
da evolução e tem como principais características a
lentificação do processo cognitivo, a apatia, o
comprometimento da memória e das funções executivas
frontais.
Alguns pacientes podem
apresentar-se com perda da
memória como a principal
alteração cognitiva. Nesses
casos, presume-se que está
associada com a doença de
Alzheimer. Profª T. CRISTINA - FAFIA 19
ENFRENTAMENTO DA DEPRESSÃO NO PARKINSON
Os sintomas depressivos são manifestações não motoras
mais frequentes e precisam ser identificados para que se
desenvolvam práticas direcionadas ao tratamento da
depressão e melhora na qualidade de vida.
A musicoterapia é o mais essencial dos processos
terapêuticos, pois proporciona melhor convívio com a
doença, minimizando o sofrimento. É fundamental para
integrar, funcionando como medicamento não químico (CORTE;
LODOVICI NETO, 2009). Recomenda-se estimular a comunicação
aberta, discussão dos sentimentos e troca de informações
sobre a doença de Parkinson (NETTINA, 2003).
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O tratamento da doença de Parkinson
baseia-se em facilitar a transmissão da
dopamina e inclui drogas anti-
histamínicas, que possuem discreto
efeito sedativo e podem auxiliar na
diminuição dos tremores.
Administrar drogas anticolinérgicas,
que são eficazes para o controle dos
tremores e rigidez.
A Levodopa® é o agente mais eficaz
para o tratamento do mal de Parkinson.

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A assistência de enfermagem tem como objetivos:

 Orientar a realização de exercícios para aumentar a força


muscular, melhorar a coordenação, a destreza e diminuir a
rigidez muscular;

 Incentivar ingestão hídrica e a dieta à base de fibras para


reduzir os problemas de constipação, decorrentes da debilidade
da musculatura intestinal e da utilização de algumas drogas no
tratamento;

Atentar para o risco de aspiração brônquica, devido à


diminuição do reflexo de tosse;
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 Orientar a pessoa para se alimentar em posição ereta, com dieta
de consistência semissólida e os líquidos mais espessos.
 O controle de peso, semanalmente, é importante para avaliar se
a alimentação tem sido suficiente.
O estímulo ao autocuidado, certamente, reduzirá sua
dependência na realização de atividades diárias, sendo necessário
algumas adaptações em casa, tais como: Manter espaços livres para
deambulação; colocar grades na cama e adaptar um acessório (por
ex. um lençol amarrado no pé da cama), permitindo que a pessoa o
utilize como apoio para se levantar.
Também é fundamental encorajá-la a participar de atividades
recreativas e sociais, como medida de combate à depressão.
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PRINCIPAIS CUIDADOS DE ENFERMAGEM NA ASSISTÊNCIA AO PARKINSONIANO
● Proporcionar apoio e estímulo emocional e psicológico ao paciente e familiares
(Escute suas preocupações específicas e responda às suas frequentes perguntas);
● Estimular a usar habilidades de resolução (Ajude a identificar as atividades sociais
que pode realizar; estimule a participação, para melhorar a autoestima e evitar a
depressão);
● Verificar o peso corporal e avaliar o estado nutricional (observe as condições que
podem impedir a ingestão nutricional adequada e a dificuldade de deglutir devido aos
tremores ou depressão);
● Observar sinais de depressão e conversar com o médico, que pode prescrever
antidepressivos, e observar alterações na depressão, para verificar a eficácia do
medicamento;
● Recomendar o uso de roupas fechadas com velcro ou zíperes, em vez de botões,
para ajudar a vestir-se;
● Estimular o uso de música tranquila, para diminuir a dor e a depressão;
● Orientar acerca da doença, dos estágios progressivos e dos tratamentos. Explique
os efeitos dos fármacos prescritos e as possíveis reações adversas.
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ASPECTOS RELEVANTES PARA O TÉCNICO DE ENFERMAGEM
De fato, o mal de Parkinson é uma doença grave, que atua degradando não
apenas a saúde, mas também a qualidade de vida da pessoa.
O declínio da capacidade de gestão motora, a evolução da demência e a
ocorrência da depressão são manifestações que requerem a atenção e o
cuidado do Técnico de Enfermagem.
A musicoterapia é um importante recurso para o tratamento de pacientes
com depressão e tem alcançado êxito em estimulá-los a uma atitude de
resiliência diante das dificuldades e gerência da própria vida. Ajudando
também a minimizar a sintomatologia motora.
As intervenções do Técnico de Enfermagem que proporcionem apoio
emocional e psicológico, estímulos a atividades intelectuais, motoras e
sociais, e orientações sobre a doença e o tratamento são de grande
auxílio para a promoção da qualidade de vida para o paciente,
entretanto trata-se de um desafio a ser implementado.
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