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Fotojornalismo - História no Brasil e no Mundo

Daguerreótipo feito pelo alemão Carl


Friedrich Stelzner, de um trágico
incêndio em Hamburgo.

O incêndio foi reproduzido com base


em um original fotográfico e impresso
em half tone na revista semanal “The
Illustrated London News”.

Marco inicial do fotojornalismo na


Europa.

Daguerreótipo do incêndio em
Hamburgo em 1842, feito por Carl
Friedrisch Stelzner
Em 1844, nos Estados Unidos, um daguerreótipo de um motim contra a
imigração é considerado o ponto inicial do fotojornalismo fora do
continente europeu.

O daguerreótipo foi realizado por William e Frederick Langenheim.

A história do fotojornalismo foi marcada nos anos de 1846 e 1848 com o


primeiro registro de guerra durante o conflito americano mexicano.

O jornais enviaram correspondentes para cobrir o conflito.

A guerra se tornou um grande tema para o fotojornalismo.

Neste período também surge o documentarismo social, relatando


problemas como a fome e a miséria na África.

Também eram retratados paisagens, como por exemplo o Vale de Gisé,


no Egito.
Principais características (período inicial)

■ Fotografia de autor

■ Privilégio da imagem em detrimento do texto

■ Profundidade de campo limitada

■ Uso de tripé

■ Poucas fotos do mesmo tema: a que se conseguia, devia “falar


por si”

■ “Fotojornalismo de instante”
As dificuldades do
fotojornalismo no século
XIX eram provocadas:

Pela precariedade dos


equipamentos que eram
pesados e de difícil
transporte.

Pelos longos tempos de


exposição. Pois não
permitia aproximação
maior, entre o fotógrafo e o
objeto a ser fotografado,
principalmente nas
coberturas de guerra.
Os conflitos bélicos ocorridos nos séculos XIX e XX se incluíram como
personagens da história do fotojornalismo.

A guerra da Criméia, de 1854 à 1855, foi registrada por Roger Fenton.


O fotógrafo Alexander Gardner, cobriu a guerra civil americana
(1863). E criou a estética do horror.

Ele teria usado um mesmo cadáver em várias fotos.


Na década de 1920 a profissão de fotojornalista finalmente começa a ser
reconhecida.

O início da I Guerra Mundial estimulou os principais jornais do mundo a


enviarem equipes de reportagens.

Ainda existiam limitações técnicas.

As revistas e jornais da Alemanha tinham as maiores tiragens, por volta de


5 milhões de exemplares.

Na Alemanha as fotografias de notícia passaram a influenciar o design da


página.

Em 1925 acontecem evoluções significativas: ◦ O flash de magnésio ◦


Lançamento da câmera de 35mm LEICA.

Em 1936 surge do primeiro filme ISO 100 da Agfa. ◦ Aumento no consumo ◦


Crescimento do número de fotógrafos amadores.
A primeira revolução do fotojornalismo (Pós-Guerra) durou até os
anos de 1950, e suas principais características foram:

◦ Humanização do documentarismo.
◦ Proximidade com a cena (evolução tecnológica).
◦ Experimentação do olhar.
◦ Aperfeiçoamento dos sistemas de impressão.
◦ Surgimento das agências especializadas.

A Pioneira foi a Cooperativa Magnum, fundada em Paris em 1947


pelos míticos fotografos:

Henri Cartier-Bresson

Robert Capa

David Seymour

George Rodger
Fotojornalismo
independente surgiu na
França logo após a
Segunda Guerra Mundial.

Uma Agência de
fotografos foi formada
com o objetivo de discutir
os trabalhos realizados,
se aprofundar nas
reportagens e lutar pelos
direitos autorias.

Foto da Cooperativa Magnum


Bresson.
Robert Capa
Outros aspectos da primeira revolução:

■ Industrialização e massificação da produção jornalística

■ Crescimento em importância das agências fotográficas


– Fotojornalismo documental (de autor)
– Produção “em série” de fotos (fait-divers)
– Fotoilustração (foto institucional) – principalmente após anos 1980

■ Reuters (fotojornalismo fait-divers), Magnum (fotojornalismo de autor)

■ Anos 1950: crise nas revistas ilustradas

■ Enquanto isso, competição entre serviço de fotonotícia: United Press


International (UPI) x Associated Press

■ Guerra Fria: lutas políticas e ideológicas na mídia


■ Imprensa rosa (comportamento, cotidiano)

■ Revistas eróticas “de qualidade” (Playboy


em 1953)

■ Imprensa de escândalos (surgimento dos


paparazzi)

■ Revistas ilustradas especializadas em moda,


decoração, eletrônica e fotografia, etc.

■ O que levou a:

■ Disseminação e banalização da
fotoilustração (glamour e star system), que
veio a contaminar veículos “de qualidade”)

■ Fomento do uso da teleobjetiva

■ Técnicas de estúdio no fotojornalismo


A segunda revolução tem início nos anos 60 até a década de 80.

A fotografia disputa espaço com o rádio e a televisão.

Provocou mudanças e também influenciou o estilo fotojornalístico:


◦ Sensacionalismo
◦ Espetacularização

O culto à imagem aumentava na mesma proporção em que crescia a


produção fotográfica.

A cobertura da Guerra do Vietnam foi responsável pela produção de


fotografias que romperam paradigmas.

◦ Fotojornalismo criativo capaz de despertar reflexões do ponto de vista de


quem lê as imagens.
Eddie Adams e sua fotografia de uma execução no Vietnã, em 1968, uma imagem
que circulou o mundo.
Outros aspectos da segunda revolução:

■ Agências e serviços fotográficos florescem: abastecem jornais diários e revistas semanais de


interesse geral (Time, Newsweek)

■ Reação da Europa ao domínio americano: agências com serviço especializado para revistas (como
a Sygma), especialmente na França

■ 1980: segmentação dos veículos – atenção maior ao design gráfico na imprensa

■ Aumento do controle dos fotojornalistas em eventos oficiais (“sessão para fotógrafos”,


credenciamento, controle sobre o equipamento, etc)

■ Aquisição de fotos de amadores, tanto por parte das agências como dos jornais

■ Fotografia mais presente nos museus, mercado de arte e ensino superior

■ Interesse teórico pela fotografia

■ Fotoilustração de impacto ganha o lugar da foto-choque (democratização do olhar)

■ Influência da TV na estética do fotojornalismo (uso da cor)

■ Industrialização do fotojornalismo – fotos começam a tender para estereótipos

■ Anos 1980: início dos retoques no computador


A popularização da TV começa a influenciar nas publicações impressas:

◦ As revistas Life e a Look faliram.


◦ No final dos anos 60 as revistas Times e Newsweek tiveram de se adptar.
◦ Utilização da cor com maior freqüência pelos fotógrafos.
◦ Pela inserção de páginas coloridas na imprensa diária, começando em 1960 e
com maior intensidade na década de 90.

O crescimento no número de fotojornalistas nos EUA e Europa fortalece e


valoriza mais ainda a profissão, que chegou a ser ameaçada pela televisão.

Inovações tecnológicas que primam pela qualidade final da imagem, a partir da


precisão da captura.

As guerras deixaram de ser o centro das atenções. Mas, anos mais tarde
voltariam ao antigo posto de preferências.

Transcendência de elementos como o discurso humanista na fotografia


documental e o esteticismo.


Anos 1990: terceira “revolução” no fotojornalismo

■ Problemas gerados pela manipulação e geração de imagens por meio de


computadores

■ Pressão da transmissão digital de fotos (satélite, telemóveis) – menos planejamento


e pré-visualização do ato fotográfico

■ Fotojornalistas crescem nos tribunais, mas são controlados em cenários de conflito;


estratégias militares programadas de acordo com as imagens geradas

■ Novas tendências gráficas: foco maior na legibilidade e apelo à leitura; fotos


meramente ilustrativas

■ Se por um lado a industrialização do jornalismo foca no imediato, ganham prestígio


as fotos de autor de agências como a Magnum (exposições, livros)

■ Crise das agências de fotojornalismo – ganham espaço as agências noticiosas e


bancos de imagem

■ Flexibilidade e polivalência dos jornalistas em geral

■ Agências fotográficas francesas são vendidas – exigências da categoria


Era Digital:

◦ Acúmulo de funções nas agências de fotografia, nas assessorias e


nas redações.

◦ “Maior quantidade de imagens / Menor qualidade.”

◦ Menos tempo para criar.

◦ Notícia em tempo real.

Era Analógica:

◦ Funções mais divididas.

◦ “Menor quantidade/Maior qualidade”.

◦ Mais Tempo para criar.

◦ Sem tempo real


Fotojornalismo no Brasil

O Fotojornalismo, começou no Brasil assim que chegou a fotografia por aqui,


em 1840.

Quando o capelão Louis Compte aportou no Rio de Janeiro de passagem


trazendo a novidade de Paris.

Apresentou o daguerreótipo para o “recém” imperador Dom Pedro II


que logo ficou encantado pela fotografia.

Tudo começou quando Compte fotografou o espaço imperial Brasileiro.


Primeira Fotografia Brasileira
Paço da Cidade – Rio de Janeiro (1840)
• Em frente havia uma tropa formada;
• No fundo a esquerda está a torre da capela imperial;
• Ao centro a sineira provisória da terceira ordem de monte do carmo;
• E a direita o Hotel de France.
Os fotógrafos mais importantes dessa época foram:

Marc Ferrez

João Gutierrez de Padilha

Augusto Malta

Luiz Terragno
Marc Ferrez 1843 - 1923
• Chegou ao Brasil ainda criança depois de
perder seu pai;
• Já adolescente começou a trabalhar na “Casa
Leuzinger” onde deu início com seu
entusiasmo fotográfico;
• Alguns anos depois abriu seu próprio
estabelecimento “Casa Marc Ferrez & Cia”;
• Fotografou a construção do arco do triunfo e do
templo da vitória no campo da aclamação;
• Fotografou festejos do término da guerra com o
Paraguai;
• Fotografou a chegada da familia imperial ao
Rio depois de uma viagem a europa;
• Recebeu menção no almanaque Leammert na
seção “Fotografos da Corte”.
• Em 1873 Perdeu tudo em um incêndio em seu
ateliê (voltou a Paris).
• Foi fotografo de uma expedição onde
fotografou indios, e percorreu todo o nordeste
Brasileiro.
• 1880 Recebeu o Título de Fotógrafo da
marinha imperial.
• 1882 Fotografou dom pedro II e sua comitiva
na inauguração do túnel da Mantiqueira.
• 1883 Fotografou a revolta armada
principalmente os estragos nos navios e
instalações da marinha.
JUAN GUTIERREZ DE PADILHA 1859 - 1897

• Em 1880 se estabeleceu no Brasil como proprietário da loja


Photographia União;

• Tornou-se fotógrafo na casa imperial em 1889 (último ano de império


no Brasil);

• 1893 Foi contratado pelo exército para documentar as tropas que


lutariam na revolta armada;

• A Série de fotos sobre o tema é considerada com sua principal


contribuilção para a fotografia no Brasil.
AUGUSTO MALTA 1864 - 1957
• Nascido no Brasil em Mata Grande/AL
• Foi um dos mais importantes fotografos
brasileiros no final do século XIX e início do
século XX.
• Fotografo Oficial da prefeitura do Rio de
janeiro entre 1900 e 1930 (Antigo distrito
federal)
• Documentou as transformações que passou
o Rio de Janeiro no início do seculo XX
AUGUSTO MALTA 1864 - 1957
• Registou:

-Demolição do morro do castelo


-Revolta da Vacina
-Inauguração da avenida central (hoje Avenida rio branco)
-Exposição Nacional de 1908
-Exposição Internacional do centenário da independência em 1922
-A inauguração do Cristo Redentor em 1931.

• Faleceu no rio de janeiro em junho de 1957


a maior parte de suas fotografias estão no acervo do Museu da
imagem e som.
• Ao todo cerca de 80 mil fotos.
Inauguração do Cristo Redentor
Revista O Cruzeiro
Recapitulando....

- Florescimento do fotojornalismo em 1930 (revistas ilustradas);

- Primeira revolução: industrialização da atividade no pós-guerra;

- Segunda revolução: consolidação da função nos anos 1960;

- Terceira revolução: advento da digitalização e suas problemáticas a


partir da década de 1990

Dias de hoje: nova “revolução” em curso?


Algumas pistas...

■ Desconfiança da fotografia;

■ Cabe ao fotojornalista as fotos mais belas esteticamente;

■ Fotos com narrativa;

■ Mais espaço para a foto de autor;

■ Estímulo ao debate e reflexão, e não apenas a reprodução de


acontecimentos .
Milton Guran: o olhar engajado da fotografia
https://tvbrasil.ebc.com.br/estudiomovel/episodio/milton-guran-o-olhar-engajado-da-f
otografia
Fotojornalismo: a história e os desafios da profissão
https://www.youtube.com/watch?v=0LpMFoP22SM
INSPIRAÇÃO – Vivian Maier
Um garoto de 26 anos
chamado John Maloof, comprou
algumas fotografias no leilão de
uma casa de penhores com a
intenção de ilustrar uma pesquisa
sobre a história de um parque e de
sua vizinhança em Chicago, cidade
onde mora nos Estados Unidos.

Essas fotografias por sua sua vez


chegaram na casa de penhores
através de um corretor, que vendeu
algumas caixas de sua inquilina —
aparentemente a própria fotógrafa
— por falta de pagamento.
Maloof ao adquirir as primeiras fotografias em 2007, recorreu a mesma ação na casa de
leilões para adquirir várias outras, incluindo rolos de filmes que nunca foram revelados. Até
então o garoto não sabia qual era o nome da fotógrafa e supunha apenas que ela era
francesa.

Em um dos últimos lotes de fotografias adquiridas, John Maloof — que aparentemente tem
sido o principal curador da obra da fotógrafa — descobriu sua identidade até então
anônima: Vivian Maier. Ao buscar na internet por seu nome, ele encontrou seu obituário
com data de falecimento de apenas alguns dias antes.

Vivian Maier, nascida dia 1 de Fevereiro de 1926 em Nova Iorque e falecida dia 21 de abril
de 2009 com a idade de 83 anos. Apesar de americana ela cresceu na França, cujo local
exato ainda é desconhecido.

O que mais chamou a atenção da mídia é que ela foi babá durante 40 anos. Ela trabalhou
também para um casal de Chicago, já identificados na pesquisa de Maloof, durante 14 anos.
A partir do acervo sabe-se que ela viajou por alguns lugares do mundo como Argentina,
Filipinas, Tailândia, China, Egito, Itália dentre vários outros.

Parte desse acervo de informações sobre ela inclui milhares de rolos de filme (mais de
100.000 mil), algumas máquinas fotográficas, objetos pessoais e fitas cassete com conversas
e algumas entrevistas com pessoas que ela fotografou. Muito desse material ainda nem teve
seu conteúdo revelado.

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