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CÓRTEX CEREBRAL I

PROFESSORA : GERSY VALENTE


OBJETIVO

 Entender a organização estrutural do córtex cerebral, com


suas fibras e seus circuitos;
 Entender as funções das diversas áreas somatotópicas do
córtex e sua divisão em áreas primárias, secundárias e
terciárias;
 Conceituar os tipos de AVC.
FIBRAS DE ASSOCIAÇÃO INTRA-HEMISFÉRICA

ANGELO, 2014
FIBRAS DE ASSOCIAÇÃO INTRA-HEMISFÉRICA

ANGELO, 2014
FIBRAS DE ASSOCIAÇÃO INTRER-HEMISFÉRICAS
FIBRAS DE ASSOCIAÇÃO INTRER-
HEMISFÉRICAS
FIBRAS DE PROJEÇÃO
Acidente Vascular Encefálico (AVE)

Lesão cerebral resultante da interrupção aguda do


fluxo sanguíneo arterial devido a uma obstrução
do vaso provocada por um êmbolo ou trombo, pela
pressão de perfusão cerebral insuficiente ou pela
ruptura da parede da artéria.

(WHO, 2006)
Acidente Vascular Encefálico (AVE)

 Epidemiologia:
 Segunda causa de morte no mundo.
 No Brasil, em 2008, foram registrados 200 mil internações devido ao AVC,
 Representando gasto de mais de R$270 milhões para os cofres públicos.

 Tipos:
 Isquêmico
 Hemorrágico

(BROUNS, 2009; LOTUFO, 2005; WHO, 2011)


AVE isquêmico
 Causas:
 Arterotrombose

 Embolia cerebral

 Sequelas mais comuns: alterações visuais, da


fala e da memória.
AVE HEMORRÁGICO

 Ruptura da parede do vaso pelo o aumento


da pressão arterial na fase de dilatação

 Causa: hipertensão arterial

 Áreas cerebrais: tálamo, núcleo lentiforme,


capsula interna, cerebelo e ponte.
CITOARQUITETURA DO CÓRTEX CEREBRAL
CITOARQUITETURA DO CÓRTEX CEREBRAL
FIBRAS E CIRCUITOS CORTICAIS:
CLASSIFICAÇÃO ESTRUTURAL
CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL
CÓRTEX CEREBRAL II
PROFESSORA : GERSY VALENTE
OBJETIVO

 Entender a organização estrutural do córtex cerebral, com


suas fibras e seus circuitos;
 Entender as funções das diversas áreas somatotópicas do
córtex e sua divisão em áreas primárias, secundárias e
terciárias;
 Conceituar os tipos de AVC.
52 áreas de Brodmann

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52 áreas de Brodmann

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Classificação das áreas corticais

 Funcional – divisão em áreas heterogêneas, com


especializações funcionais, não compartimentos isolados e
estanques (considerar plasticidade). Agrupadas em áreas:
primárias, ligadas
diretamente)
de associação de projeção

secundárias terciárias sensitivas motoras


(unimodais, geralmente c/ (supramodais)
a área primária desta
função) céls. céls. sensitiva motora
atividades granulares piramidais psíquicas
superiores

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Áreas de projeção (primárias) - sensitivas

 Somestésica – giro pós-central (1, 2 e 3 de Brodmann).


Somatotópica e desproporcional ao tamanho

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Áreas de projeção (primárias) - sensitivas

 Visual – nos lábios do sulco calcarino (17 de Brodmann)


 Auditiva – giro temporal transverso anterior (de Heschl) (41 e
42 de Brodmann)

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Localização funcional no córtex cerebral. Hemisfério
cerebral esquerdo.
Córtex Cerebral Áreas Sensitivas Primárias

Somatotopia Homúnculo sensitivo


(Penfield & Rasmussen, 1950
 Disposição anatômica de áreas corticais
especializadas do hemisfério esquerdo.
Córtex Cerebral Áreas Sensitivas Primárias
Tálamo –representações de suas
conexões com o córtex.
Área visual primária do córtex
Via visual
Via visual
Via visual
Córtex Cerebral Áreas Sensitivas Primárias
Defeitos do campo visual associados a
lesões da via óptica.
Córtex Cerebral Áreas Sensitivas Primárias
Via auditiva.
Córtex Cerebral Áreas Sensitivas Primárias
Feixe olfatório e suas terminações no
córtex cerebral. 
Córtex Cerebral Área Motora Primária
Áreas de projeção (primárias) - sensitivas

 Vestibular – lobo parietal próximo a área somestésica, mais


associada a propriocepção, p/ consciência de orientação
espacial.

 Olfatória – pequena no homem (≠ outros mamíferos), na parte


anterior do úncus e giro para-hipocampal

 Gustativa – porção inferior do giro pós-central, próximo à


ínsula, adjascente à somestesia da língua (43 de Brodmann).

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Áreas de projeção (primárias) - motoras

 Ocupa o giro pré-central (4 de Brodmann), c/ somatotopia


semelhante à somestésica.

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Áreas de associação

 S/ relação direta c/ motricidade ou sensibilidade.

diagnóstico + difícil em lesões

 Na filogênese, tornou-se maior que a de projeção no homem,


relacionada c/ funções psíquicas.
sensitiva
secundária (II)
motora
 Agrupadas em áreas

terciária (III)

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Áreas de associação secundárias- sensitivas

Somestésica II – no lóbulo parietal superior,


atrás da somestésica primária (5 e 7 de Brodmann).

3 Visual II – lobo occipital, adiante da visual


primária, e lobo temporal (18, 19, 20, 21 e 37 de Brodmann).

Auditiva II – lobo temporal, circundando a


auditiva primária (22 de Brodmann).

43
Áreas de associação secundárias

(a.
somestésica)

(a. visual) 44

(a. auditiva)
Considerações sobre as áreas de associação
secundárias sensitivas

 Estas têm af. das áreas primárias (que detectam sensação:


características do objeto), fazem a interpretação (gnosis:
comparação c/ aspectos de sua existência) e repassam estas
informações p/ áreas supramodais.

lesões = agnosias específicas (os pacientes não


reconhecem o estímulo somente com esta aferência)

 Não são simétricas (≠ das primárias). Ex.: lesão na área


auditiva secundária E = afasia, D = amusia.

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Áreas de associação secundárias - motoras

 Adjascentes e relacionadas à área motora primária.

lesões = apraxias (análogas às agnosias sensoriais;


o paciente é incapaz de executar determinados atos
voluntários como uma sequência de movimentos, s/ déficit
motor, por falha no “planejamento”)

 São consideradas 3 áreas:


+ motora suplementar – movs. aprendidos
+ pré-motora – movs. novos
+ de Broca – fala

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Áreas de associação secundárias: motoras

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Áreas de associação secundárias: motoras

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Áreas de associação terciárias

 Supramodais (s/ relação específica c/ as modalidades), recebem e


integram todas as sensibilidades já elaboradas pelas outras
áreas e elaboram estratégias comportamentais.

 São descritas as áreas:


+ pré-frontal
+ temporoparietal
+ límbicas

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Áreas de associação terciárias:
área pré-frontal
 Porção anterior não motora do lobo frontal, desenvolvida nos
humanos (1/4 do córtex), c/ conexões complexas.
 Funções:

controle do comportamento emocional junto ao


hipotálamo e s. límbico.

manutenção da atenção junto à FR (lesão dificulta


concentração e a fixação voluntária da atenção).

escolha de opções e estratégias + adequadas


às situações físicas e sociais do indivíduo e a
capacidade de alterá-las se necessário.

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Áreas de associação terciárias:
área temporoparietal
 Compreende o lóbulo parietal inferior, c/ os giros angular e
supra-marginal (39 e 40 de Brodmann).

 Entre as áreas secundárias auditiva, visual e somestésica


integra estas funções proporcionando percepção espacial e
imagem corporal

lesões = desorientação espacial e síndrome da negligência


(lesões hemisf. D - em relação ao seu corpo ou ao espaço exterior)

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Áreas de associação terciárias:
áreas límbicas

 Compreendem o giro do cíngulo, o giro para-hipocampal e o


hipocampo (além das áreas pré-frontal e septal, e áreas subcorticais
como o corpo amigdalóide, corpos mamilares, tálamo, hipotálamo e
nervos cranianos, que exercem a expressam a emoção).

 Relacionadas principalmente c/ memória, comportamento


emocional, processos motivacionais e regulação endócrina via
SNA.

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Áreas de associação terciárias:
áreas límbicas

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Áreas límbicas

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Assimetria das funções corticais
 “Nous parlons avec l’hemisphère gauche!” Broca (1864).
Os hemisférios são dominantes p/ cada função nas áreas de
associação (≠ áreas de projeção), evidenciando a importância do
corpo caloso.

 96% dos destros têm a


linguagem no hemisf. “E”
(70% dos canhotos têm à “D”),
correlação importante p/
neurocirurgiões evitarem
afasias, detectando o lado
da fala, ou pelo procedimento
de Wada (barbitúrico c/ efeito
anestésico repentino e duração de 10min)
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Vascularização do SNC
 Suprimento permanente e abundante de glicose e O2

 Falta ≥ 7s = inconsciência; ≥ 5min. = lesão irreversível

 Não há circulação linfática, mas há a liquórica, sem


correspondência funcional ou anatômica.

 Fluxo maior na subst. cinzenta (+


sinapses, + atividade metabólica).

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Vascularização do SNC
 2 sistemas exclusivos p/ o encéfalo (s/ ramos importantes no
pescoço).

 Anastomose em polígono

 Paredes finas, propensas a hemorragias


(túnica média c/ poucas fibras musculares).

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Vascularização do SNC

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Vascularização do SNC

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Drenagem do SNC
 Não acompanha a arterial (é maior e mais calibrosa).

 Drenam p/ os seios da dura-máter (bem como as


extracranianas por meios das v. emissárias) de onde o sangue
converge p/ as v. jugulares internas.

 Paredes finas (s/ musculatura).

 Sem válvulas (à favor da gravidade).

 2 sistemas (superficial e profundo) unidos


por muitas anastomoses.

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Paciente do sexo feminino, 39 anos, parda, com diagnóstico prévio de vasculite de
sistema nervoso central por doença de Behçet foi encaminhada ao serviço de
Neuroftalmologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo -
FMUSP por apresentar, em olho direito, quadrantopsia temporal com a mira V/4e e
hemianopsia temporal com as demais miras, sem uma lesão neuro-radiológica que
explicasse tal achado campimétrico. Assinale abaixo a alternativa composta por
estrutura acometida no sistema visual, área de brodmann, 17.
 
a) Corpo geniculado medial
b) Sistema límbico e córtex
c) Corpo mamilar e córtex
d) Corpo geniculado lateral
e) Córtex temporal primário
Paciente com afasia de Broca, Lesões da área 44 e 45 de
Brodmann apresenta a seguinte alteração no exame
neurológico:
 
a) Dificuldade para falar, mas não para compreender a
linguagem falada.
b) Dificuldade para falar e compreender a linguagem falada.
c) Somente dificuldade para compreender a linguagem falada.
d) Dificuldade para nomear objetos e habilidades motora.
e) Dificuldade para realizar cálculos matemáticos.
Referência
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