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Universidade Federal do Cariri

PRM de Pediatria

Convulsões na emergência

Médico residente: Filipe B. Macêdo

Barbalha
2015
Caso Clínico
• Criança de 8 meses e trazida ao pronto atendimento
(PA) pelos pais com quadro de tosse, coriza e febre de
ate 38, em uso de inalação com soro fisiológico e
dipirona para febre. Ha 5 minutos iniciou movimentos
nos membros superiores e inferiores, com desvio do
olhar para cima, e apresentou-se inconsciente.
• Antecedentes pessoais: criança hígida, com vacinação
básica em dia, incluindo pneumo e meningococo
• Antecedentes familiares: sem histórico convulsivo na
familiares
Convulsões
• Exame físico: criança com crise tonico-clonica generalizada,
desvio do olhar e cianose labial
• Temperatura axilar de 38,5, pressão arterial 90x60, frequência
cardíaca 180 bpm, glicemia capilar 120mg, satO2 91% em ar
ambiente, TEC 3s
• Otoscopia: discreta hiperemia marginal de membranas
timpânicas bilateralmente
• ACV: RCR 2T, BNS 2T, sem sopros
• AR: difícil ausculta pulmonar, com roncos em ambos os
hemotórax
• SNC: sem abaulamento de fontanela ou sinais meníngeos
Convulsões
• Conduta:
• ABC
• C: MOV, administrar antitérmico e
benzodiazepínico EV
– EV: Diazepam 0,3mg/kg ou Midazolam 0,2mg/kg
– Via retal: Diazepam 0,5mg/kg
– IM: midazolam 0,2mg/kg
• Intranasal 0,4mg
• bucal 0,5 a 1mg
Convulsões
• Exames? LCR?
• Pesquisa de virus respiratorios pela coleta de
secrecao de nasofaringe
Convulsões
• Apos a administração das medicações cessaram
os movimentos convulsivos da criança, que se
manteve inconsciente com respiração
espontânea, porem ruidosa, saturação de 98%
em mascara não reinalante, PA 80x50, FC 120
bpm
• Observação ate recuperação da consciência e
do estado geral
• Orientações
Convulsão febril
Convulsões
• Definição

• Convulsão que ocorre nas crianças, entre os 6


meses de vida e os 6 anos de idade, na
vigência de febre, afastados os distúrbios
metabólicos, as infecções do SNC, e a historia
previa de convulsão afebril
Convulsões
• Epidemiologia
– Acomete 2-5% crianças
– Convulsão mais comum da faixa entre 6m e 6 anos
– Geralmente ocorre nas primeiras 24h de inicio da febre
– Infecções virais
• Herpes vírus tipo 6 e influenza A
– Infecções Bacterianas
• Otite, sinusite, Pneumonia e outras 
– Vacinas
• DTP e MMR
Convulsões
• Manifestação
– Tonico-clônica generalizada ou tônica
– pode ser simples ou complexa
Convulsões
• Fisiopatologia
– Desconhecida
– Febre diminui limiar convulsivo 
– Grau de temperatura ou velocidade do aumento?
– Hiperexcitabilidade neuronal
• Interleucina 1 beta
• canais iônicos
• alcalose respiratória e PH cerebral
Convulsões
• Diagnostico 
– Exames laboratoriais, de imagem e EEG ???
– quando colher LCR?
• Sinais clínicos e sintomas sugestivos
• criança entre 6-12 meses com vacinação incompleta
para H. influenzae e S. pneumoniae ou sem
informações sobre vacinação
• Crianças em uso de antibióticos (Julgamento do medico
assistente)
Convulsões
• Tratamento
– Sequencia ABC
– Antitérmico e benzodiazepínico
• Diazepam: EV 0,3mg retal 0,5mg
• Midazolam: EV 0,1 a 0,2mg ou IM 0,1 a 0,2 mg
Pode-se repetir por 3 vezes
• Intranasal: 0,4mg Bucal: 0,5mg
• Geralmente cessam antes de 15 minutos de
duração
Convulsões
• Orientações
– manter a calma
– colocar a criança em um local seguro
– afrouxar as roupas
– adequado posicionamento (evitar aspiração)
– Não segurar língua nem restringir movimentos 
– Preferencial esperar parar crise para transporte para o
hospital
– Aconselhar o uso de diazepam via retal ( não disponível
no brasil)
Convulsões
• Antitérmicos
– melhoram mal estar da febre
– não previnem recorrência da crise
• anticonvulsivantes
– casos de crise complexa
– pesar riscos e benefícios
Convulsões
• Evolução e prognostico
– afecção benigna
– recorrência e maior quando primeira crise abaixo de 1
ano
– em ate 1 ano 70% e em ate 2 anos 90%
– fatores associados a recorrência
– menor que 12 meses
– antecedentes familiar de convulsão febril
– crise em vigência de febre abaixo de 38,5
– evolução para epilepsia maior que população geral
Convulsões
• Voltando ao caso clinico 
• Apos antitérmico e Benzodiazepínico a criança
ainda continuou com quadro de convulsão tônico
clônicas generalizadas por 50minutos, mesmo
após ter sido repetido a dose do benzodiazepínico
por mais 3 vezes com intervalo de 5 minutos cada
dose. Foi iniciado Fenitoína, porem a criança ainda
manteve-se em crise, com piora da SatO2, sendo
realizado IOT e pedido vaga de UTI.
Diagnóstico?
Convulsões
• Estado de mal epiléptico 
– crise única com duração maior que 30 min de
atividade convulsiva continua
– crises que se repetem em intervalos curtos
durante 30 min, sem que o paciente recobre a
consciência
– emergência neurológica mais frequente em UTI
– diagnostico e tratamento precoces são essenciais
Convulsões
• Conduta
Figura 1
Algoritmo de tratamento da crise epiléptica e EME na criança (para doses, veja tabela
III):

ESTABILIZAÇÃO INICIAL E MONITORIZAÇÃO

LORAZEPAN OU DIAZEPAN OU MIDAZOLAN


(repetir até 3 vezes até cessar a crise)

FENITOÍNA (DOSE DE ATAQUE)

FENOBARBITAL (DOSE DE ATAQUE)

MIDAZOLAN IV CONTÍNUO
(aumentar dose até cessar a crise, até 18 mcg/Kg/min)

TIOPENTAL (ATAQUE E MANUTENÇÃO)

PROPOFOL