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Recuperaçã o

Judicial
• O que é a recuperação judicial?

• A recuperação judicial serve para evitar que uma empresa em dificuldade financeira feche as portas. É um processo pelo qual a
companhia endividada consegue um prazo para continuar operando enquanto negocia com seus credores, sob mediação da
Justiça. As dívidas ficam congeladas por 180 dias e a operação é mantida.

• A recuperação judicial foi instituída no Brasil em 2005 pela lei 11.101, que substituiu a antiga Lei das Concordatas, de 1945. A
diferença entre as duas é que, na recuperação judicial, é exigido que a empresa apresente um plano de reestruturação, que
precisa ser aprovado pelos credores. Na concordata, era concedido alongamento de prazo ou perdão das dívidas sem a
participação dos credores.

• Quem pode pedir recuperação judicial?

• Empresas privadas de qualquer porte e com mais de dois anos de operação podem recorrer à recuperação judicial. Porém, a
lei não vale para estatais e empresas de capital misto, bem como para cooperativas de crédito e planos de saúde.

• Também não podem pedir recuperação judicial as empresas que já tenham feito outro pedido há menos de cinco anos e as
comandadas por empresários que já foram condenados por crime falimentar (relacionados a processos de falência).
• Como é feito o pedido de recuperação judicial?

• O pedido é feito à Justiça por meio de uma petição inicial que contém, entre outras informações, o
balanço financeiro dos últimos três anos, as razões pelas quais entrou em crise financeira, e a lista
de credores. Depois que o pedido é aceito, a empresa tem 60 dias para apresentar o plano de
recuperação e as execuções (cobranças de dívida) contra ela são suspensas por 180 dias. A lei
determina que a assembleia de credores aconteça em até 150 dias após o deferimento do
processo pela Justiça, mas na prática, esse prazo costuma ser ultrapassado.

• Qual a diferença entre recuperação judicial e falência?

• A recuperação judicial serve para tentar evitar a falência e recuperar a empresa, o que nem sempre
acontece. Na falência, a companhia encerra completamente as atividades. Todos os seus ativos
são recolhidos pela Justiça e vendidos para o pagamento das dívidas, enquanto na recuperação
judicial há uma negociação.
• Por que uma empresa pede recuperação judicial?

• Em geral, as empresas pedem recuperação judicial quando já estão com dívidas atrasadas e
começam a ser cobradas pelos credores. Os motivos que levam uma empresa à crise financeira são
diversos.

• "Pode acontecer de [a companhia] pedir antes de ficar inadimplente, mas usualmente é quando ela vê
que não está conseguindo pagar e quer ganhar tempo para conseguir conversar com os credores sem
execuções", diz a advogada Clara Azzoni, especialista em recuperação judicial do escritório Felsberg.

• Quantas empresas estão em recuperação judicial no Brasil?

• Segundo dados da Serasa, em maio de 2018, havia 103 pedidos de recuperação judicial registrados
por empresas no país. Desse total, 88 foram deferidos pela Justiça e 69 foram aceitos pelos credores,
ou seja, entraram de fato no processo de recuperação.
• Quais os maiores pedidos de recuperação judicial do país?

• Segundo levantamento feito pelo G1 com ajuda da Felsberg Advogados e da Marcondes


Machado Advogados, os maiores pedidos de recuperação judicial da história do país são:

Odebrecht com dívidas de R$ 83,6 bilhões ,Oi R$ 64 bilhões ,Sete Brasil R$ 19,3 bilhões , OGX R$ 12
bilhões, Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial) R$ 12 bilhões, OAS R$ 11,1 bilhões , Ecovix R$ 8
bilhões, 

• Qual a fatia de empresas que de fato se recuperam?

• Segundo estudo feito pela Associação Brasileira de Jurimetria (ABJ), em parceria com a
PUC-SP, 42,2% dos processos de recuperação judicial com planos aprovados foram
concluídos sem resultar em falência.
Prazos de recebimento e desá gio

O devedor entra com o pedido de RJ, o juiz defere por despacho, e notifica os
credores para no prazo de 15 dias habilitar os créditos
(período onde conferimos as notas, o valor declarado como devido e o jurídico
apresenta o advogado responsável por nossa empresa).

No geral o processo e a concessão deveriam quando muito durar 30 meses. Isto é:


180 dias para a realização da assembleia e 24 meses para permanecer em
Recuperação Judicial (art. 61, lei 11.101/05). Porem na prática a mediana do prazo
de um plano de recuperação judicial é de dez anos. É um prazo grande para a
recuperação de um crédito, e o porcentual mediano de 50% de deságio.

Conforme a prática demonstra, em grande parte dos planos de recuperação judicial


estipula-se deságios predatórios (não raramente em torno de 60% a 80% do valor
dos créditos), com a diluição do pagamento dos créditos por vários anos (por vezes
mais de 18 anos) e inicio do pagamento dos créditos após vários meses da
aprovação do plano (não raramente após alguns anos).

Os credores acabam se vendo entre a cruz e a espada, pois se vêm obrigados ou a


aceitar a redução de seu crédito à valores ínfimos que mal acobertam os custos dos
produtos ou serviços que lastreiam tal crédito, ou levam a empresa devedora à
falência o que, na prática, significa no inadimplemento total de seu crédito, haja
vista a preferencia aos crédito de natureza alimentar e fiscal que terminam por
absorver todo o patrimônio da empresa falida. Note-se que em ambas as situações
os credores acabam enormemente prejudicados, sendo que, por tal razão, acabam
aprovando o plano proposto
Exemplos de Planos de Recuperaçã o e seus Desá gios.

O grupo Terra Forte, um dos A  Oi decidiu na proposta feita


A Livraria Cultura obteve conglomerados de café do Brasil, aos bancos para aprovar na
de seus credores até 70% conseguiu aprovar o seu plano de assembleia geral virtual de
de desconto na dívida, com recuperação judicial na tarde de credores o aditivo ao PRJ (Plano
quinta-feira, 03/12/20. O grupo de Recuperação Judicial)
até 12 anos de prazo para ajuizou pedido de recuperação apresentado pelo em agosto
pagamento, somado a uma econômica em abril de 2019, na passado. Reduziu o deságio de
carência de dois anos, Corte de Campinas (SP). As dívidas 60% para 55% para pré-
podendo esses números somam aproximadamente R$ 1,4 pagamento e avaliação
bilhão e serão pagas com desconto dos recebíveis fornecidos na
serem mais suaves de médio de 80%, no período de 10 alienação parcial da UPI InfraCo
acordo com a categoria em anos e carência de 24 meses. Entre
e ofereceu mais compromissos,
que cada credor é os principais credores estão os
além da venda da Oi Móvel,
bancos Bradesco, Banco do Brasil,
encaixado por aquela para a liquidação da dívida de
Banco Cargill e Rabobank. Os
livraria durante o período produtores rurais que entregaram os
R$ 3,327 bilhões com o
de recuperação judicial. principal banco de fomento do
grãos antes de a empresa entrar com
o pedido de recuperação judicial país, o BNDES.
receberão 100% dos créditos em 5
anos após o período de carência.

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