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FORMAS DE CORROSÃO

A maneira de classificar a corrosão depende da


forma como ela se manifesta no material

Corrosão Pura Corrosão Associada à


Ação Mecânica

corrosão generalizada corrosão sob tensão


corrosão galvânica corrosão-fadiga
corrosão por pites corrosão erosão
corrosão em frestas corrosão-atrito
corrosão intergranular corrosão-cavitação
corrosão seletiva danos pelo hidrogênio
CORROSÃO
GENERALIZADA
• corrosão de toda a superfície do metal
exposto a um determinado meio, resultando
em uma diminuição gradativa de espessura.
• conseqüência de múltiplas células de
corrosão distribuídas na superfície do
metal, (áreas anódicas e catódicas
distribuídas aleatoriamente)
• heterogeneidade da superfície metálica,
por razões estruturais, ou pela presença de
impurezas, incrustações ou fases distintas.
Avaliação

• Através de ensaios de perda de massa


ou espessura em função do tempo de
exposição ao meio corrosivo.

mm/a ou m/a
m.d.d
Prevenção
• A corrosão generalizada, apesar de ser
responsável pela destruição de grande
parte dos metais, em termos de
toneladas de metal corroído, é a menos
problemática já que é um tipo de
corrosão que pode ser previsível e fácil
de ser identificado sendo, por esta
razão, mais simples a sua prevenção.
CORROSÃO GALVÂNICA
• normalmente atribuída a união de dois
metais distintos em um determinado
meio corrosivo.
• os dois metais tem suas próprias
taxas de corrosão isoladamente mas,
quando em contato elétrico, a
corrosão do metal mais ativo é
acelerada, reduzindo ou eliminando a
corrosão do metal mais nobre.
• haverá este tipo de corrosão sempre
que houver uma d.d.p. no sistema.
ddp  fluxo e-: mais ativo  mais nobre

ânodo (vcor) cátodo (vcor)


e’

e’
e’
M1 M1z+ M2z+ M2
Ax-
Exemplos de pares galvânicos
- dois materiais com composição química
diferente.
- metais com a mesma composição mas com
estrutura metalográfica diferente.
- metais de mesma composição mas recoberto
com filmes de óxidos.
- mesmo metal exposto a meio heterogêneo.
Fatores determinantes da corrosão
galvânica
• potenciais de corrosão dos metais
constituintes do par no meio considerado
• natureza e condutividade do meio
• reações catódicas na superfície do metal
mais nobre (catodo) e reações anódicas na
superfície do metal mais ativo (anodo);
• fatores geométricos, como área relativa
dos metais constituintes do par e distância
entre os mesmos.
Características da corrosão galvânica
• não há efeito se não houver eletrólito
• pode haver inversão de polaridade
ex: Zn-Fe /H2O T  700C

• relação entre área anódica e catódica


Aa  Ac ia  ic  corrosão no ânodo diminui e
reduz a intensidade do ataque

• corrosão do metal mais ativo age por


sacrifício, protegendo o mais nobre
Prevenção
- usar metais próximos na série galvânica,
- evitar relações desfavoráveis entre as áreas
anódica e catódica (Aa  Ac sempre),
- isolar juntas e flanges,
- adicionar inibidores de corrosão,
- instalar um terceiro metal mais ativo do que
ambos,
- aplicar revestimento protetor: (no mais nobre, deve ser
isolante, como verniz ou tinta; no mais ativo a manutenção é crítica,
pois se o anodo for pintado, algumas ranhuras que ocorram no
revestimento deixarão a área anódica muito pequena comparada com a
catódica e a corrosão será acelerada).
CORROSÃO POR PITES
• corrosão localizada que se caracteriza pelo
ataque de pequenas áreas de uma superfície
metálica a qual se mantém praticamente
intacta.
• detecção difícil, pois fica recoberta com
produtos de corrosão
• tempo para iniciar pode ser longo (difícil
predizer)
• pequenos anodos (áreas atacadas) e cátodo
com grande área  as velocidades de
corrosão são muito elevadas ocasionando
perfurações na estrutura
Condições básicas
• metal no estado passivo
• meio estagnado e metal imóvel
• meio contendo íons agressivos (Cl-, ClO-)
• superfície horizontal (preferencialmente)
(os pites se desenvolvem na direção e sentido da
força gravitacional devido ao represamento de
solução dentro da sua cavidade).
• presença de falhas no filme de óxido
Corrosão por Pites
Corrosão localizada em pontos sobre superfície de material passivo.
Taxa de corrosão dentro dos pites ~ 1 A/cm2

Taxa de dissolução dentro dos pites  106


Taxa de dissolução fora dos pites
Depende:
do metal (composição da liga, microestrutura, presença de inclusões,
acabamento superficial...)
do meio (composição, presença de íons agressivos ou inibidores)
de fatores operacionais (agitação, temperatura, potencial)

Em geral associada a um potencial crítico, Epite= Ep que varia com os fatores


citados
Suscetibilidade a pites
- Materiais com resistência à corrosão devido a
filmes

- Ex.: alumínio, aços inoxidáveis e ligas de titânio

- A adição de alguns elementos de liga como o Mo ,


Cr e Ni aumentam a resistência do aço inox à
corrosão por pites .
Pites em aço inoxidável
Pites em Alumínio
Pites em Zinco
Potencial de Pite
Ep - Potencial acima do qual a corrosão por pites
se instala para determinado metal em dado meio.

Ep
mVecs
- 540
Alumínio
- 650 em NaCl

-760

-3 -2 -1 0
log [Cl-], M
Influência dos Elementos de Liga: Cu, Mg, Zn
Ep
-0,32

-0,54

-0,76

0 1 2 3 4 5 %
Ligas de Alumínio
Potencial de Pite (Epite)
de Aços Inoxidáveis

Aço Ep médio (mV ecs)


Fe -18 Cr 120
Fe - 18 Cr –1 Mo 190
Fe – 18Cr – 2 Mo 280
Fe – 18 Cr –5 Mo 540
Prevenção
- agitação da solução,
- manter o potencial do metal abaixo do potencial
de pite,
- adicionar inibidores de corrosão,
- revestir com metal mais anódico (exemplo,
Zn/aço)

A corrosão por pite não é um tipo de corrosão de


fácil controle, pois sua ocorrência não pode ser
prevista com a facilidade. Sua detecção também
é dificultada devido ao seu caráter localizado e
pequenas dimensões.
Corrosão por pites  corrosão alveolar
CORROSÃO EM FRESTAS
Ataque localizado provocado:
- por fatores geométricos (em soldas, juntas,
orifícios ou cabeça de fixadores)
- por contato de metal com metal ou metal
com não metal (madeira, borracha, plástico)
- devido à deposição de areia, produtos de
corrosão permeáveis, incrustações marinhas
e outros sólidos (corrosão sob depósitos)
- devido à presença de trincas ou outros
defeitos metalúrgicos no material
Condições básicas
• Fresta larga o suficiente para permitir
entrada da solução mas estreita o
suficiente para para reter a solução (0,02
mm a 0,1 mm)

• Presença de íons agressivos


Características
Associada geralmente a
- diferença de aeração: dentro da fresta menos O2
- diferença de concentração de íons agressivos (dentro da fresta maior
concentração)
- diferença de pH (dentro da fresta maior acidez)

• interior da fresta funciona como ânodo


• exterior da fresta funciona como cátodo
M+ M+

cátodo ânodo cátodo


Suscetibilidade a frestas
O ataque em frestas pode ocorrer em
qualquer metal, mas os ativo-passivo são
mais propensos

Ex.: Fe-18Cr-8Ni-3Mo
é resistente a pites, mas não à ataque
em frestas
Prevenção
- usar juntas de baixa porosidade e não
absorventes;
- soldar juntas;
- em tanques, o desenho deve permitir
drenagem completa e deve-se remover
sólidos em suspensão e precipitados;
- evitar embalagens úmidas em contato com
metais;
- usar inibidores de corrosão.
CORROSÃO
INTERGRANULAR
ataque localizado no qual uma faixa
estreita, situada ao longo dos contornos
de grão de uma liga metálica, é corroída
preferencialmente. Este tipo de corrosão
ocorre devido à formação de microcélulas
de corrosão nas vizinhanças dos
contornos de grão.
Origem das microcélulas:
- presença de precipitados de segunda fase
nos contornos de grão;
- presença de segregações em contorno de
grão (Fe no Al);
- enriquecimento de uma fina zona
adjacente aos contornos por um dos
elementos de liga (Zn no latão);
- empobrecimento de uma fina zona
adjacente aos contornos por um dos
elementos de liga (Cr no aço inox).
• corrosão é muito nociva, pois se concentra
numa área pequena.
• corrosão de um percentual mínimo da liga
causa desintegração, pois os contornos de
grão são responsáveis pela coesão da
estrutura.

Ex.: aços inoxidáveis austeníticos devido a


precipitação de carbonetos ricos em cromo
nos contornos de grão. Ocorre muito em
soldas, o que é chamado de sensitização por
soldagem.
Prevenção

- solubilização dos carbonetos a temperaturas


entre 1065 e 1121 C seguido de resfriamento
rápido em água (os carbonetos de cromo
precipitam entre 500 e 800 C);
- usar aço inox estabilizados com Nb ou Ti
(estes elementos tem mais afinidade com o
carbono que o Cr);
- reduzir o teor de C da liga (< 0,03%) Ex.:
(AISI316L)
Corrosão Seletiva
Características

• dissolução seletiva de um dos componentes


de uma liga metálica

• Casos mais conhecidos:


- dezincificação (ou dezincagem) do latão
- grafitização do ferro fundido
Exemplos de corrosão pura
Corrosão sob tensão
É o fenômeno pelo qual um material metálico
rompe em um ambiente corrosivo com nível de
tensão menor do que a que o faz romper ao ar.
Corrosão na ausência de tensão – pouca
Tensão na ausência de corrosão – não rompe
Corrosão + tensão + sinergismo:
Fratura catastrófica

Velocidade de propagação da trinca é menor que a da ruptura mecânica


(propagação sub-crítica):
10-9 m/s < v < var
Corrosão sob Tensão
 mo
Tensão m

Corrosão Corrosão Meio


sob tensão sob tensão inerte

 o

Deformação, 
Parâmetros Importantes
MECÂNICOS
-TENSÃO - natureza, intensidade
-VELOCIDADE DE DEFORMAÇÃO
-GEOMETRIA

AMBIENTAIS
-COMPOSIÇÃO do ELETRÓLITO
-POTENCIAL de ELETRODO
-VELOCIDADE de FLUXO

METALÚRGICOS
-MICROESTRUTURA (FASES)
-TAMANHO de GRÃO
-DEFEITOS CRISTALINOS vacâncias, discordâncias, intersticiais
-INCLUSÕES - tamanho,forma,natureza
Espectro de Corrosão sob Tensão
Ausên- Ausên-
cia CORROSÃO SOB TENSÃO cia
de de
tensão Governada por corrosão Governada por tensão corro-
são

Corro- Ligas de Aço- Latão Aços Ti em Aços Fratura


são Al-Cu carbono em inoxidá metanol ARBL frágil
intergra- em em meio -veis com em de aços
nular de cloretos nitratos amonia- em cloretos água do ao
soldas a cal cloretos mar carbono
em aço quente
inox
Caminhos pré- Caminhos ge- Adsorção especí-
existentes rados por defor- fica em zonas
mação de tensão
Corpos de Prova Lisos
para Corrosão sob tensão

Corpo de prova Corpo de prova Apoio em 2 pontos


em U em C

Corpo de prova de tração


Apoio em 3 pontos
Corrosão sob Tensão
Aço P110
Ruptura Ductil
Aço P110
Corrosão sob Tensão
Morfologia de Trincas
Corrosão sob Tensão
Morfologia de Trincas
Corrosão-Fadiga
Corrosão associada sinergicamente
com esforços mecânicos cíclicos
Modo de detectar:

Ensaios de fadiga comparativos na solução agressiva e em meio neutro


ou ao ar:
-ensaios em diversos intervalos de tensão (fadiga de alto ciclo e
de baixo ciclo)
comparação do tempo de vida

-ensaios em diversas freqüências: a corrosão fadiga pode ser


bastante sensível à freqüência. Ex.: f ~ 0,3 Hz para aços de alta
resistência em água do mar
-ensaios com diversos tipos de tensão (tração-tração, tração-
compressão, torção, flexão rotativa, etc.)
Estrias por Fadiga