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ACÇÃO DE FORMAÇÃO

“PREVENÇÃO DE MAUS TRATOS E A PROMOÇÃO DE


BOAS PRÁTICAS NAS RESPOSTAS SOCIAIS”

Formadora: Bárbara Baptista

Miranda do Douro, 23 de Janeiro de 2018

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OBJECTIVOS
• Relembrar noções e conceitos a aplicar na atuação
institucional;
• Reforçar atitudes críticas e construtivas perante a
dinâmica das respostas, dos serviços e equipamentos
sociais para crianças, jovens e idosos;
• Partilhar instrumentos de avaliação e medida dos maus-
tratos institucionais;
• Perspectivar práticas preventivas do mau-trato
institucional.
• Aumentar a TOLERÂNCIA e a EMPATIA!

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CONCEITO DE MAU-TRATO
“USO INTENCIONAL DA FORÇA FÍSICA OU DO PODER, REAL

OU EM AMEAÇA, CONTRA SI PRÓPRIO, CONTRA OUTRA

PESSOA, OU CONTRA UM GRUPO OU UMA COMUNIDADE,

QUE RESULTE OU TENHA GRANDE POSSIBILIDADE DE

RESULTAR EM LESÃO, MORTE, DANO PSICOLÓGICO,

DEFICIÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO OU PRIVAÇÃO.”

Organização Mundial de Saúde

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TIPOS DE MAUS-TRATOS
Os maus-tratos manifestam-se de três formas principais:
• Desigualdade social provocada pela pobreza e
a discriminação expressada de múltiplas
Estrutural
formas.

• É aquela levada a efeito pelas instituições


Institucional
assistenciais de longa permanência.

• Ou familiar, refere-se às interações e relações do


quotidiano. Abusos e negligências, problemas de espaço
Interpessoal físico nas residências e por dificuldades económicas.

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EXEMPLOS DE TIPOS DE MAUS-TRATOS

Violência Física

Violência Psicológica

Violência Sexual

Exploração Material ou Financeira

Abuso do uso do medicamento

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EXEMPLOS DE TIPOS DE MAUS-TRATOS

Psicológicos e emocionais

Insultar, Fazer a pessoa Agressões verbais Obrigar a participar


em atividades
caluniar, sentir-se que visam
contra a sua
aterrorizar, aterrorizar a pessoa
rejeitada ou vontade ou sem lhe
tratar de forma em contexto
dar hipótese de
brusca ou aos pouco amada institucional,
escolha, não lhe
e manipular humilhar, restringir
gritos, permitir ter
sua liberdade e
as suas autonomia e
desrespeitar, isolá-lo da
capacidade de
humilhar. emoções convivência social.
decisão.

Consequências:

 Tristeza, baixa auto-estima, dificuldade em expressar sentimentos e afectos,

depressão; Sentimentos de falta de consideração dos outros, de desprotecção,

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insegurança, angústia, discriminação, mal-estar.
EXEMPLOS DE TIPOS DE MAUS-TRATOS

Abuso físico, maus-tratos físicos ou violência física:

Uso da força física para obrigar a pessoa em contexto


institucional fazerem o que não desejam, para feri-los,
provocando incapacidade ou morte. Agressões, recurso a
meios de contenção física inadequada.

Consequências:
 Dores, feridas, fracturas, queimaduras e outros efeitos no corpo; Medo, depressão, sentimento

de insegurança, de desprotecção, de desvalorização pessoal, de receio de expressar

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livremente os seus pensamentos e ideias, de reclamar do que considera injusto.
EXEMPLOS DE TIPOS DE MAUS-TRATOS

Sexuais

Forçar um residente a sofrer ou


praticar um ato sexual contra a sua
Ato sexual com pessoas em contexto
vontade, usando para isso ameaça,
institucional por meio de violência
coação física ou emocional, ou
física ou ameaças.
aproveitando-se da impossibilidade
de o utente oferecer resistência.

Consequências:
 Vergonha, depressão, tristeza, auto-desvalorização, sentimentos injustificados de

culpa, sofrimento psíquico muito intenso, sentimento generalizado de

desconfiança, dificuldade de relação afectiva, isolamento, ansiedade:

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 Dores, feridas, perdas de sangue, lesões irreversíveis ou de difícil recuperação.
EXEMPLOS DE TIPOS DE MAUS-TRATOS

De efeitos patrimoniais:

É a exploração ilegal ou imprópria da


Apropriação, extorsão, exploração e/ou
pessoa em contexto institucional, ou
utilização ilegítima do dinheiro e outros
utilização não consentida por eles de
bens do residente.
seus recursos financeiros e patrimoniais.

Consequências:

 Perdas financeiras e económicas, impossibilidade ou limitação de utilização de bens

próprios na satisfação de necessidades, sentimentos de insegurança, de dependência,

de medo do futuro, depressão.

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 Violação do direito do residente ao respeito, à privacidade e à capacidade de opção.
EXEMPLOS DE TIPOS DE MAUS-TRATOS

Através do uso de medicamentos:

Uso de medicamentos sem finalidade terapêutica, com o fim de


controlar ou retrair o residente, nomeadamente através da
sobredosagem, utilização de sedativos e outras drogas semelhantes.

Consequências:
 Agravamento da saúde do residente; confusão, falta de confiança,

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sonolência, perda de concentração, desatenção e desinteresse pela vida.
BREVE RESUMO DAS TEORIAS EXPLICATIVAS DO MAU-TRATO
INSTITUCIONAL

• Os maus-tratos são um fenómeno situacional


O Modelo de que ocorre quando se gera stress nos cuidados
especificamente por incapacidade física ou
Stress situacional mental do utente ou por falta de
competências de resiliência do cuidador.
• As relações são caracterizadas pela expectativa
de reciprocidade. Quando sucedem
A teoria da troca desequilíbrios nas trocas sociais entre o
social utente e o seu cuidador, o cuidador sente
maior poder na relação, podendo resultar em
certas situações de maus-tratos.
• O abuso deve-se a uma aprendizagem ao
O Modelo da longo do desenvolvimento, dada pela
violência observação e pela experiência de mau-trato
transgeracional que se perpetuaria assim de geração em
geração

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BREVE RESUMO DAS TEORIAS EXPLICATIVAS DO MAU-TRATO
INSTITUCIONAL

O Modelo da violência bidireccional


• A violência e o abuso são um fenómeno
bidireccional praticado tanto pelo utente como
pelo cuidador.
O Modelo da psicopatologia do perpetrador
• O risco de abuso e mau-trato está relacionado com
as características do abusador, sobretudo aquelas
relacionadas com aspecto da sua saúde mental.

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1. FACTORES DE RISCO PARA OS MAUS-TRATOS INSTITUCIONAIS:

• Pessoal com pouca formação;


• Excesso de trabalho;
• Falta ou excesso de pessoal;
• Estrutura física mal adaptada ao grupo-alvo;
• Falta de recursos materiais;
• Normas de funcionamento e regulamento inadequados;
• Desresponsabilização dos funcionários;
• Falta de controlo e supervisão por parte das chefias;
• Falta de avaliação de desempenho.

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1.1. ALGUNS SINAIS DE ALERTA POR PARTE DOS UTENTES (CONT.):
• Baixa Auto-estima;
• Sinais depressivos;
• Timidez para com o funcionário;
• Relutância em fazer contacto ocular;
• Resistência não explicada ou medo de contacto físico,
de ir ao WC ou de se lavar;
• Alterações do controlo dos esfíncteres (enurese,
encoprese);
• Choro incontrolável no primeiro ano de vida;
• Perturbações no desenvolvimento e nas aquisições
sociais (linguagem, motricidade, socialização) que
não estejam a ser devidamente acompanhadas;

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1.1. ALGUNS SINAIS DE ALERTA POR PARTE DOS UTENTES:
• Atraso entre a lesão/doença e a procura de cuidados
médicos;
• Lesões em vários estados de cura;
• Explicações pouco coerentes em relação à origem das
lesões;
• Contradições entre o relato do utente e do funcionário;
• Perda de peso, má nutrição, desidratação;
• Despreocupação com a higiene;
• Verbalização da sensação de desamparo;
• Confusão, desorientação e medo;
• Agitação;

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1.2. ALGUNS SINAIS DE ALERTA POR PARTE DOS FUNCIONÁRIOS:

• Sinais de cansaço;
• Stress ou desinteresse;
• Censura infundada dos comportamentos do utente
(ex.: incontinência ou dificuldade de mobilidade);
• Agressividade, infantilização ou desumanização no
trato;
• Procura que os utentes não tenham contacto com
terceiros;
• Comportamento defensivo, agressivo ou evasivo
quando é confrontado com a suspeita de maus-
tratos.

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2. ALGUNS INDICADORES DE RISCO DE MAU-TRATO NOS SERVIÇOS
E EQUIPAMENTOS:

A lista que se segue não tem como objectivo ser um instrumento de avaliação

sobre situações de mau-trato institucional – todos os itens são de carácter

negativo.

Tentem identificar algum ou alguns itens que reconheçam na v/instituição.

Amanhã definam uma estratégia para eliminá-lo … e já valeu a pena!

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2.1. AO NÍVEL DA ALIMENTAÇÃO:

 Não oferecer variedade na comida e bebida;

 Usar a restrição de alimentos como forma de castigo/punição;

 Servir comida mal cozinhada e/ou sem estar na temperatura adequada;

 Má apresentação e fraca higiene dos suportes alimentares;

 Não respeitar as dietas alimentares ou necessidades dietéticas;

 Servir alimentos e bebidas fora do prazo;

 Misturar bebidas sem ter em conta os gostos de cada um (ex. assumir que

todos os utentes gostam de café com leite ou de leite com chocolate);

 Na alimentação assistida, não fazer pausas e apresando o momento da

refeição;

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2.2. AO NÍVEL DO VESTUÁRIO:

Vestir os utentes com roupas e sapatos uniformizados e não

personalizada;
Vestir os utentes com roupa em más condições;

Vestir os utentes com roupas de pessoas falecidas (no caso dos

idosos);
Marcar a roupa por fora e de forma visível;

Não pedir opinião ao utente sobre a roupa a vestir.

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2.3. AO NÍVEL DO CONFINAMENTO:

• Fechar os utentes fora e dentro dos quartos ou salas;

• Não permitir que as pessoas saiam da instituição (no


caso das respostas residenciais);

• Amarrar injustificadamente utentes à cama, cadeiras,


ou outro mobiliário, etc.

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2.4. AO NÍVEL DA RESTRIÇÃO SENSORIAL:

Não mobilizar regularmente pessoas acamadas, com


dificuldade de mobilização ou crianças deficientes;
Não providenciar espaços e actividades de estímulo e alegria

ajustadas aos utentes;


Mobilizar utentes de forma brusca;

Não permitir a privacidade;

Não abrir o equipamento à comunidade e criar “guetização”.

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2.5. AO NÍVEL DA SAÚDE:
• Não informar a equipa clínica e técnica sobre alteração de estados de saúde,

nomeadamente quedas;

• Não providenciar, facilitar ou informar para a necessidade de ajudas técnicas

dentais; auditivas; visuais e outras;

• Não providenciar cuidados preventivos, (ex. cuidar da pele dos adolescentes

(acne); cuidar da pele dos idosos subitamente incontinentes; prevenir o

eritema da fralda; etc)

• Ignorar situações em que os utentes se queixam de dores;

• Não limpar as próteses dentárias, óculos e outros;

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2.5. AO NÍVEL DA SAÚDE:

• Não respeitar as medicações prescritas;

• Usar medicamentos de origem opiácea e semelhantes,


sem ordem médica;

• Utilizar medicação fora do prazo;

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2.6. AO NÍVEL DA SUPERVISÃO/PESSOAL:

• Deixar pessoas em situação de dependência a serem

acompanhadas por pessoas não qualificadas;

• Não assegurar a existência constante de pessoal para fazer face a

emergências;

• Não relembrar o pessoal dos direitos dos utentes e não controlar

situações de abuso de poder;

• Utilizar o telemóvel no horário de trabalho (aplica-se a TODAS as

categorias profissionais desde que estejam no contacto directo

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com o utente);
2.7. AO NÍVEL DAS AMENIDADES:

• Divisões frias, húmidas ou excessivamente quentes;

• Divisões sem arejamento;

• Iluminação inadequada e/ou restrição da luz natural;

• Decoração e mobílias sujas e/ou degradadas e/ou que constituam barreiras

arquitectónicas;

• Permitir que os utentes durmam em colchões molhados, sujos ou em mau

estado;

• Não permitir objectos de índole pessoal nos quartos (no caso dos idosos);

• Não permitir o uso de brinquedos pessoais e de referência (no caso das

crianças);

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2.8. AO NÍVEL DA SEGURANÇA:

• Uso de equipamento eléctrico em mau estado;

• Existência de barreiras à acessibilidade (ex. tapetes soltos, escadas sem

corrimão ou grade de segurança);

• Reduzir o pessoal ao mínimo ou não assegurá-lo;

• Não providenciar campainhas de alarme acessíveis aos utentes;

• Não existirem saídas de emergência ou haver o bloqueio destas;

• Haver portas com trincos de segurança por fora;

• Inexistência de sinalética;

• Não fazer sessões de informação aos utentes sobre a segurança (e sim,

isto inclui as crianças logo no pré-escolar);

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2.9. AO NÍVEL DA PRIVACIDADE:

• O uso de camas múltiplas por quarto sem biombos ou cortinas;

• Não fechar a porta ou as cortinas durante a higiene pessoal dos

utentes;

• Não permitir que o utente esteja a sós com os seus familiares ou

pessoas de referência;

• Relatar pormenores da vida do utente, confidenciados por este em

privado;

• Permitir ou forçar a violação do sigilo dos processos sociais e médicos;

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2.10. AO NÍVEL DA HIGIENE PESSOAL:
• Abrir material esterilizado sem ser na altura imediatamente

prévia dos cuidados;

• Banhar vários utentes com a mesma água ou ao mesmo tempo;

• Deixar os utentes sujos;

• Uso comum de toalhas, esponjas, escovas de dentes, pentes, etc.

• Não lavar utentes doentes acamados na totalidade durante

longos períodos de tempo;

• Dar banho de água fria sem perguntar ao utente se a

temperatura está ao agrado;

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2.11. AO NÍVEL DOS ASPECTOS FÍSICOS:

• Bater e empurrar os utentes;

• Arrastar utentes das cadeiras ou das camas;

• Negligencia na ajuda à alimentação;

• Não satisfazer ou apressar as solicitações para as


necessidades fisiológicas;

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2.12. AO NÍVEL DA SEXUALIDADE:

• Assédio sexual (ex. voyeurismo);

• Comentários sexistas;

• Falta de respeito pela sexualidade do utente,


nomeadamente quanto à sua orientação sexual;

• Não permitir o relacionamento sexual entre casais


institucionalizados;

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2.13. AO NÍVEL DA COMUNICAÇÃO:

• Praguejar com os utentes;


• Chamar aos utentes nomes impróprios (ex. bebé, queridinho,
miúda, “chavala”, avôzinho, etc… isto no caso dos idosos …)
• Fazer comentários racistas;

• Gritar e ameaçar utentes, familiares e visitas;


• Conversas entre o pessoal sobre os utentes, à frente deles,
ignorando-os;
• Mentir e fazer intrigas com os utentes;

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2.14. AO NÍVEL DA GESTÃO PATRIMONIAL:
• Retirar dinheiro e valores dos utentes, sem seu consentimento;
• Pôr as economias dos utentes na conta pessoal de funcionários,
proprietários ou dirigentes;
• Ser cúmplice quando os familiares gerem os recursos financeiros
dos utentes sem ordem judicial ou o consentimento destes;
• Encorajar os utentes a dar presentes e outras recompensas ao
pessoal;
• Tomar total controlo do dinheiro do utente;

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2.15. AO NÍVEL DA MEDICAÇÃO:

• Administrar sedativos e outra medicação sem ordem


médica;

• Reter medicação;

• Dar medicação de um utente a outro;

• Não dar a medicação a horas certas ou nas doses


corretas;

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3. INDICADORES GERAIS PARA A PREVENÇÃO DOS
MAUS-TRATOS INSTITUCIONAIS

Existem, pelo menos, dois níveis de responsabilidade essenciais para prevenir o mau
trato institucional:

Nível I: A INSTITUIÇÃO

Na figura dos seus dirigentes, para reduzir os riscos de abuso, poderá


usar, a título de exemplo, os seguintes princípios de gestão:

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3. INDICADORES GERAIS PARA A PREVENÇÃO DOS MAUS-
TRATOS INSTITUCIONAIS (CNT.)

Providenciar
• Formação regular sobre como satisfazer as necessidades e
aspirações dos utentes.
• Capacidades de resolução de conflitos e situações de crise para
todo o pessoal.
Assegurar
• Reuniões multidisciplinares para discussão dos casos mais
difíceis e encorajar o pessoal a expressar as suas frustrações;
• Rotação regular do pessoal perante as tarefas mais pesadas ou
difíceis
• …o despiste compreensivo e uma resposta pronta, logo que
existam suspeitas de ocorrência de uma situação de mau-trato;

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3. INDICADORES GERAIS PARA A PREVENÇÃO DOS MAUS-
TRATOS INSTITUCIONAIS (CNT.)

Detetar
• Eventuais situações de maus-tratos e acionar juntos
dos colaboradores os mecanismos de sanção
previstos;

Criar
• Planos relativos ao mau-trato dos utentes para com
os colaboradores;
• E fazer cumprir o regulamento interno, centrado no
utente e na qualidade dos cuidados e da vida;

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3. INDICADORES GERAIS PARA A PREVENÇÃO DOS MAUS-
TRATOS INSTITUCIONAIS (CNT.)

• Comportamento dos
Avaliação
Colaboradores
interna
• Funcionamento do
periódica
Sistema de Gestão

• Reuniões com
Satisfação os utentes e
dos familiares
• Inquéritos
Utentes

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3. INDICADORES GERAIS PARA A PREVENÇÃO DOS MAUS-
TRATOS INSTITUCIONAIS (CNT.)
Nível II: Os Funcionários da Instituição

Comunique Respeite(-se)
Discuta nas reuniões de Se o utente não quiser falar,
pessoal sobre as práticas respeite e volte a tentar mais
abusivas; tarde;
Partilhe com os colegas as Quando estiver a perder a
situações vividas; calma ou paciência, afaste-
Defina em conjunto se e faça uma pausa;
estratégias para lidar com Procure encontrar com os
elas; utentes soluções
alternativas aos seus
problemas;

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3. INDICADORES GERAIS PARA A PREVENÇÃO DOS MAUS-
TRATOS INSTITUCIONAIS (CNT.)

Pedir desculpa ao utente


se de alguma maneira o
desrespeitou ou causou
sofrimento;

Se a Instituição não tem


normas em relação ao mau-
trato sensibilizar as Mesas
Administrativas para esta
problemática;

Definir especificamente o
papel do Director Técnico
como a pessoa de referência

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para os utentes.
3. INDICADORES GERAIS PARA A PREVENÇÃO DOS MAUS-
TRATOS INSTITUCIONAIS (CNT.)
Estratégias para os cuidadores lidarem com o stress:

Encontre tempo para relaxar. Fazer


algo que goste, como ler, caminhar
ou ouvir música. Aprenda técnicas
de relaxamento, como respiração
profunda ou visualizar um lugar ou
algo positivo.

Faça exercício. O que for melhor


para você, sejam caminhadas
longas, yoga, dança, exercícios de
ginástica ou alongamentos para
aliviar a tensão.

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3. INDICADORES GERAIS PARA A PREVENÇÃO DOS MAUS-
TRATOS INSTITUCIONAIS (CNT.)

Afirmações positivas. Repita um


pensamento ou frase positiva em voz
alta ou mentalmente.

Escreva ou desenhe o seu próprio


diário pessoal. Manter um diário
pessoal pode ajudá-lo a organizar os
seus pensamentos e encontrar
soluções para situações de stress.

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3.1. 1.“ COMPREENDER É PARTE DA SOLUÇÃO”
Causas comuns para os comportamentos agressivos dos utentes idosos:

Comportamento defensivo
• O utente pode sentir-se humilhado por ser forçado a aceitar
ajuda para funções íntimas, tal como ir à casa de banho e tomar
banho. A pessoa pode sentir que a sua independência e
privacidade estão ameaçadas.

Fracasso
• O utente pode sentir-se pressionado e frustrado devido à
circunstância de já não ser capaz de realizar as suas atividades de
vida diária de forma independente e autónoma.

Dificuldade na compreensão
• O facto de a pessoa já não conseguir compreender o que está a
acontecer pode fazer com que se sinta desorientada. Por outro
lado, a pessoa pode ficar angustiada devido ao declínio das suas

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capacidades.
3.1. 1.“ COMPREENDER É PARTE DA SOLUÇÃO”
Causas comuns para os comportamentos dos idosos:

Necessidade de atenção
• O utente pode estar a tentar que alguém
perceba que está a sentir-se aborrecido,
angustiado, com energia excessiva ou
doente.

Outros Motivos
• Interações medicamentosas que
necessitam reavaliação médica;
• Medicamentos desatualizados ou
administrados de forma errada;

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3.1. 1.“ COMPREENDER É PARTE DA SOLUÇÃO”
COMPORTAMENTO DISRUPTIVO CRIANÇAS E JOVENS:

Forma de alívio de
Impulsos agressivos;
tensão/ansiedade;

Dificuldade em
processar Incapacidade de
internamente as gerir a frustração;
emoções;

Incapacidade de
Comportamentos
estabelecer relação
antissociais/delinqu
com figuras de
entes.

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autoridade;
3.1. 1.“ COMPREENDER É PARTE DA SOLUÇÃO”
ALGUNS FATORES QUE O PREDETERMINAM

Exposição a Ligação
modelos de relacional fraca
comportamento com os
agressivo. progenitores.

Dificuldades
Não reconhece parentais em
autoridade. impor regras e
limites.

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3.1. 1.“ COMPREENDER É PARTE DA SOLUÇÃO”
OS DEZ MANDAMENTOS PARA LIDAR COM CRIANÇAS E JOVENS
1. Clarificar regras e instruções;
2. Empatia;
3. Aceitar qualidades e limitações;
4. Atitudes de antecipação/perímetro de Segurança;
5. Estabelecer limites;
6. Postura contentora;
7. Promover sentimento de pertença;
8. Mostrar consistência;
9. Ser assertivo perante um conflito;
10.Recuperação emocional do cuidador.

A chave do sucesso do cuidador é a sua segurança… é


importante transmitir isso à criança/jovem.

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3.1.2. “ A COMUNICAÇÃO É ESSENCIAL”

Uma comunicação para cuidar em situações como as que já referimos


significa ajudar, tornar mais fácil, escutar, respeitando atitudes e
entendimentos perante a vida.

Os tópicos que se seguem foram elaborados por Cartera e Domingo,


e poderão ser usados no quotidiano do trabalho técnico das
respostas sociais:

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3.1.2. “ A COMUNICAÇÃO É ESSENCIAL”
3.1.2.1. “A COMUNICAÇÃO DO CUIDAR”

“(…) porque
É confidencial

“o que

É pessoal
“Eu

É específica:

É sensível:
“Percebo
falaremos parece-me que seja
encontro- ter visto uma
hoje fica só difícil falar
me nódoa negra sobre as
entre nós” disponível enquanto suas
para passeava no preocupaçõe
apoiar” pátio(…)”. s (…)”

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3.1.2.1. “A COMUNICAÇÃO DO CUIDAR”
Não julga

“Gostaria de “Eu entendo “Quer falar “Qualquer

Reconhece

Respeita o ritmo
Capacita
falar comigo que estejas um pouco que seja a
sobre o que nervoso sobre as sua decisão
está a porque … várias respeitarei e
acontecer?” mas não é opções/recur leve o tempo
permitido sos para lidar que
que…” com a necessitar
situação?” (…)”

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3.1.2. “ A COMUNICAÇÃO É ESSENCIAL”
3.1.1.2. “ A ABORDAGEM ECOLÓGICA”

O prefixo ecos significa casa, meio, envolvência e ambiente.

Assim, encarar ecologicamente as vivências dos utentes é ter


uma abordagem compreensiva, tratar a pessoa como um todo.
Reforçar as suas redes funcionais e afectivas e ajudar sem

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paternalismos.
4. INSTRUMENTOS DE SUPORTE TÉCNICO
4.1. ATITUDE PARA CUIDAR

- Aceitar o utente tal qual ele é, sem juízos de


valores ou críticas;
- Atuar de forma serena e competente, amável,
humano e seguro;

Chamar os utentes pelo nome pelo qual


escolheram ser apelidados e só usar o “tu” ou
“você” conforme preferência expressa por elas (no
caso dos adultos);

Com idosos, não utilizar vocabulários infantis que


diminuem a auto-estima da pessoa idosa (a
excessiva confiança pode aumentar uma situação
de indefesa e a infantilização do idoso é um mau-

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trato!);
4. INSTRUMENTOS DE SUPORTE TÉCNICO
4.1. ATITUDE PARA CUIDAR

- Respeitar a individualidade dos utentes (i.e. no caso das


crianças compreender os diferentes ritmos de
aprendizagem)
- Mantenha o ambiente calmo e sem grandes alterações;

- Evite o confronto. Tente distrair a atenção da pessoa ou


sugerir uma atividade alternativa;
- Não considere as reações dos utentes como um ataque
pessoal;

Com crianças e jovens comunique de forma clara quais


são as regras relativamente ao seu comportamento.
Explique-lhe ainda quais as consequências desses atos e
cumpra sempre que não são cumpridas.

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4. INSTRUMENTOS DE SUPORTE TÉCNICO
4.1. ATITUDE PARA CUIDAR

- Manter o contacto visual e táctil e dirigir-se


diretamente ao utente e não apenas aos seus
acompanhantes;
- Nunca elevar a voz a não ser que o utente tenha
um défice auditivo;

- O profissional deve identificar-se (nome e


categoria) especialmente se os utentes
tiverem problemas visuais;

- Nas respostas da infância e juventude em


perigo, nas saídas da instituição os
profissionais não devem ir identificados ou

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com batas;
4. INSTRUMENTOS DE SUPORTE TÉCNICO
4.1. ATITUDE PARA CUIDAR

- Especial atenção ao momento do acolhimento na


instituição;
- Ter e transmitir um realismo otimista;

Se ficar frustrado ou perder o controlo da situação,


não se sinta culpado. No entanto, considere esta
situação como um sinal de que precisa de apoio.
Converse com o diretor técnico ou um colega;

Não confunda estados clínicos com características


pessoais (ex. uma pessoa com demência moderada
tem tendência a confundir episódios de vida não é
“mentirosa” nem está “totó”;

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5. A PREVENÇÃO DENTRO DAS INSTITUIÇÕES:

5.1. PREVENÇÃO PRIMÁRIA


Atos destinados a evitar o aparecimento de maus tratos,
através do controlo das causas e dos factores de risco.
 
Por exemplo:
• Informação;
• Acções de sensibilização;
• Formação;
• Prevenção do envelhecimento activo;
• Programas de educação sexual.

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5. A PREVENÇÃO DENTRO DAS INSTITUIÇÕES:

5.2. PREVENÇÃO SECUNDÁRIA


Atos destinados a diminuir a prevalência de maus tratos
mediante a detecção e a intervenção precoce de forma a evitar
as consequências mais graves e a reincidência.

Por exemplo:
• Detecção de maus tratos;
• Identificação e detecção de factores de risco dos utentes e dos
cuidadores formais;
• Apoio aos cuidadores formais;
• Formação continuada aos cuidadores formais.

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5. A PREVENÇÃO DENTRO DAS INSTITUIÇÕES:

5.3. PREVENÇÃO TERCIÁRIA


Atos destinados a diminuir as consequências de uma
situação de maus tratos já produzidos, minorando as
sequelas e proporcionando qualidade de vida aos
utentes.

Por exemplo:
Tratamento e reabilitação dos utentes, através de
apoio médico, psicológico, social, jurídico e económico.

57
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Bárbara Baptista
E-mail: accao.social@ump.pt
Telefone: 218110556

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