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História da

psicopedagogia:
rumos e desafios

TEXTO 01
• Apresenta-se os conceitos básicos
sobre a avaliação psicopedagógica
clínica à luz da epistemologia
convergente de Jorge Visca.
• Uma visão sistêmica e integradora
entre a psicanálise de Sigmund
INTRODUÇÃO Freud, a epistemologia genética de
Jean Piaget e a psicologia social
de Enrique Pichon Riviêre,
influenciando decisivamente a
história da psicopedagogia clínica
no Brasil.
INTRODUÇÃO
• A avaliação psicopedagógica clínica é um processo complexo de
investigação sobre a aprendizagem de uma pessoa ou um grupo.
• Esse processo investigativo envolve não só o psicopedagogo e a
criança, mas vários atores (professores, familiares, colegas etc.),
pois, nesse caso, estamos tratando da aprendizagem informal,
como também da aprendizagem formal, ou seja, aquela que se
dá na escola.
• É importante ressaltarmos que qualquer avaliação
psicopedagógica de um indivíduo ou de um grupo dependerá
sempre dos aportes teóricos que fundamentam a investigação.
Trabalho clínico utilizando-se da
integração de três linhas da Psicologia:
Escola de Genebra (Psicogenética de
Piaget), Escola Psicanalítica (Freud) e
Psicologia Social (Enrique Pichon Riviere).
Epistemologia
convergente A epistemologia convergente de Visca é
uma teoria elaborada exclusivamente
para o desenvolvimento do trabalho
psicopedagógico clínico e reúne
importantes correntes teóricas e práticas.
Base psicanalítica
Com base em Freud e na psicanálise, surge um novo olhar
sobre o desenvolvimento e a aprendizagem humanos.

Antes, a educação era modeladora, ou seja, seu objetivo era


apenas treinar e transmitir valores, sem levar em conta o
desejo do aluno.
Com Freud, inverte-se essa ideia e surge uma nova prática
educativa, não repressiva e respeitadora do desejo do
aluno.
Para a psicanálise, portanto, a dimensão afetiva tem uma
influência decisiva na aprendizagem e no desenvolvimento
humanos.
Epistemologia genética de Jean Piaget
• Na epistemologia genética, Piaget aborda o processo de
construção do conhecimento pelo sujeito, do nascimento até a
idade adulta [...], seu enfoque principal é no desenvolvimento
infantil.
• Para Piaget, a adaptação do homem ao meio se dá mediante
constantes processos de EQUILIBRAÇÃO.
• Diante de uma situação-problema, instala-se uma situação de
desequilíbrio (ou desadaptação) que vai mobilizar uma
necessidade, uma ação.
• A assimilação é definida por Piaget como “uma
estruturação por incorporação da realidade
exterior a formas devidas à atividade do sujeito”.
• Em outras palavras, a assimilação é um dos
aspectos da atividade cognitiva que envolvem a
Equilibração incorporação de novos objetos e novas
experiências a uma estrutura mental ou a um
Majorante esquema sensório-motor.
• Já a acomodação para Piaget “é a combinação
de esquemas ou modificação de esquemas para
resolver problemas que venham de experiências
novas dentro do ambiente”, ou seja, é um dos
aspectos da atividade cognitiva que envolvem a
modificação das estruturas mentais ou dos
esquemas sensório-motores, para corresponder
aos objetos da realidade.
Epistemologia genética de Jean Piaget
• Para Piaget, o desenvolvimento da inteligência se estrutura em
quatro períodos de pensamento (sensório-motor, pré-operatório,
operacional concreto e operacional formal).
• Cada um deles é marcado por avanços intelectuais que
acompanharão a criança por todo o seu longo processo de
desenvolvimento até a juventude.
• Esses períodos foram pensados por Piaget para idades mais ou
menos aproximadas, ou seja, nem sempre irão corresponder à idade
cronológica da criança avaliada.
• Dentro de cada um dos quatro períodos e entre todos os sujeitos, os
ritmos de desenvolvimento variam consideravelmente.
1. ESTÁGIO SENSÓRIO-MOTOR
(zero a 2 anos)
• No início da vida mental do recém-nascido, podemos verificar apenas
reflexos sensório-motores hereditários e instintivos que têm a função
de satisfazer o impulso básico de nutrição.
• Em seguida, os reflexos de sucção vão se aperfeiçoando e se
tornando mais complexos “por integração nos hábitos e percepções
organizados, constituindo o ponto de partida de novas condutas,
adquiridas com ajuda da experiência” (PIAGET, 2004, p. 18).
• Essa fase é crucial e decisiva para “o curso da evolução psíquica:
representa a conquista, através da percepção e dos movimentos, de
todo o universo prático que cerca a criança” (PIAGET, 2004, p. 17).
1. ESTÁGIO SENSÓRIO-MOTOR
(zero a 2 anos)
A inteligência aparece, com efeito, bem antes da linguagem, isto
é, bem antes do pensamento interior que supõe emprego de
signos verbais (da linguagem interiorizada).
Mas é a INTELIGÊNCIA totalmente PRÁTICA, que se refere à
manipulação dos objetos e que só utiliza, em lugar de palavras e
conceitos, percepções e movimentos, organizados em
“esquemas de ação”.
Pegar uma vareta, para puxar um objeto distante, é assim um
ato de inteligência. (PIAGET, 2004, p. 18).
2. ESTÁGIO PRÉ-OPERATÓRIO
(2 aos 7 anos)

• Por meio da LINGUAGEM, que é a grande conquista desse estágio, a criança


se torna capaz de retomar o passado e “antecipar o futuro”, ou seja, ela é
capaz de “reconstituir suas ações passadas sob a forma de narrativas, de
antecipar suas ações futuras pela representação verbal” (PIAGET, 2004, p. 24).
• Três consequências essenciais para o desenvolvimento mental: uma possível
troca entre os indivíduos, ou seja, o início da socialização da ação; uma
interiorização da palavra, isto é, a aparição do pensamento propriamente dito,
que tem como base a linguagem interior e o sistema de signos, e, finalmente,
uma interiorização da ação como tal, que puramente perceptiva e motora que
era até então, pode daí em diante se reconstituir no plano intuitivo das imagens
e das “experiências mentais” (PIAGET, 2004, p. 24).
Foco na intuição (esquemas com base na percepção).

Nessa etapa de pensamento, a criança permanece centrada


em si mesma, ou seja, em um PENSAMENTO EGOCÊNTRICO.
2. ESTÁGIO
PRÉ-
OPERATÓRIO A criança pré-operatória “tem uma visão da realidade que
parte do seu próprio eu, dessa forma, atribui às pessoas e
(2 aos 7 anos) ao mundo um sentido próprio de seus pensamentos e
sentimentos” (RAPPAPORT; DAVIS, 1981, p. 68).

O pensamento egocêntrico desse período dificulta em


muito a resolução dos problemas que a criança enfrenta
cotidianamente, pois a percepção que ela tem sobre o
mundo se baseia exclusivamente em seu ponto de vista.
3. ESTÁGIO OPERACIONAL CONCRETO
(7 aos 11/12 anos)

• Surgem novas formas de organização da vida psíquica, cognitiva e afetiva,


das relações individuais e das inter-relações.
• A criança passa a ser capaz de estabelecer relações entre as transformações
dos estados e das coisas, de forma que as ações podem ser executadas
mentalmente em um determinado momento, independentemente da
manipulação dos objetos.
• Há um aumento da capacidade de concentração quando a criança trabalha
sozinha; por outro lado, verifica-se também o aumento da capacidade de
trabalhar em grupo quando as crianças necessitam realizar uma tarefa
coletivamente, como no caso dos jogos com regras.
3. ESTÁGIO OPERACIONAL CONCRETO
(7 aos 11/12 anos)

• A tendência lúdica predominante no estágio anterior é substituída por uma


atitude crítica e pela necessidade de explicar logicamente suas ideias e
ações.
• Dessa forma, a criança desenvolve o pensamento lógico sobre coisas
concretas, como também desenvolve a compreensão das relações entre as
coisas e a capacidade para classificar objetos, superando o egocentrismo da
linguagem.
• Nesse período surgem as noções de permanência de substância, peso e
volume. Além de elaborar as noções de tempo, velocidade e espaço, bem
como as noções de causalidade, a criança adquire também as noções de
conservação.
• Dessa forma, a realidade deixa de ser
pensada com base na percepção e passa a
ser regida pela razão. Isso significa que a
criança se dá conta, agora no pensamento,
daquilo que já dominava no nível da ação.
3. ESTÁGIO • Com essa nova qualidade de pensamento, o
sujeito passa a ser capaz de seriações
OPERACIONAL qualitativas.
CONCRETO (7 • A criança é capaz de supor a operação
aos 11/12 anos) inversa, ou seja, de reversibilidade operatória
(aquilo que se faz no pensamento pode vir a
ser desfeito) ou, ainda, de intercalar novos
elementos depois de ter finalizado a seriação.
• A criança adquire noções gerais (iniciais) de
classificação (noções gerais de “classes”).
4. ESTÁGIO OPERACIONAL FORMAL
(12 anos em diante)
Nesse período, surge a capacidade de pensar abstratamente
(pensamento hipotético-dedutivo) sobre alguma teoria, sentimento ou
conceito e de resolver problemas matemáticos sem necessariamente
utilizar materiais concretos ou instrumentos, tais como a escrita.

O adolescente agora não pensa apenas sobre o mundo real, mas sobre
o possível. O pensamento abstrato se torna possível, “isto é, as
operações lógicas começam a ser transpostas do plano da manipulação
concreta para o das ideias, expressas em linguagem qualquer (a
linguagem ou dos símbolos matemáticos).
PSICOLOGIA SOCIAL
DE PICHON RIVIEÉRE

• Cada um de nós é singular e


aprende de maneiras diferentes
de acordo com as experiências
vividas em um determinado grupo
social no qual estamos inseridos.
• Assim, “cada um de nós tende a
aprender de múltiplas e diferentes
maneiras, construindo ativamente
os conhecimentos nas interações
com os outros ao longo de toda a
vida” (NOGUEIRA, 2009, p. 18).
EPISTEMOLOGIA
CONVERGENTE DE VISCA

• A epistemologia convergente é uma visão


que vem a superar as visões inatistas e
ambientalistas, caracterizando-se como uma
perspectiva integradora do conhecimento
que permite analisar as dificuldades de
aprendizagem como decorrentes de múltiplas
causas, cada uma delas estudada e
aprofundada por uma determinada vertente.
• Essa metodologia de trabalho apresenta
diversos instrumentos e recursos para o
desenvolvimento da avaliação
psicopedagógica clínica.
• Entre os instrumentos concretos,
EPISTEMOLOGIA encontram-se, entre outros, a entrevista
CONVERGENTE operativa centrada na aprendizagem
DE VISCA (EOCA), as técnicas projetivas
psicopedagógicas, as provas operatórias
piagetianas, a anamnese, a caixa de
trabalho e os recursos diagnósticos e
terapêuticos, individuais e grupais.

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