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AULAS TEÓRICAS n° 4, 5 e 6

 
IH 902 LIBRAS – Língua de Sinais
Professor: Wagner C. dos Santos
Aluno: André Henrique da S. Santos
Curso: História
 
AULA TEÓRICA 04 - Filosofias na educação de surdos: educação bilíngue para
Surdos frente à Educação Inclusiva no Brasil

O Movimento Político Surdo já soma algumas conquistas, a mais importante delas é a Lei n° 10.436,
de 24 de abril de 2002, reconhecendo a Libras como meio legal de comunicação e expressão da comunidade
surda Brasileira, incluindo na grade de licenciatura e fonoaudiologia a disciplina de Libras.

A legislação também prevê que a Libras não pode substituir a Língua Portuguesa em sua modalidade
escrita, isso coloca a comunidade surda brasileira em uma situação de bilinguismo forçado, uma vez que
além da língua brasileiras de sinais, essa comunidade também precisa dominar o português na sua
modalidade.

A Lei de Libras foi regulamentada pelo decreto 5.626 de 22 de dezembro de 2005, uma novidade na
redação desse decreto é a definição que ele trás, o decreto descreve os Surdos como pessoas que tem
experiência visual e expressão sua cultura através da Libras, e a obrigatoriedade de intérpretes em todas as
instituições de ensino.
AULA TEÓRICA 04 - Filosofias na educação de surdos: educação bilíngue para
Surdos frente à Educação Inclusiva no Brasil

Em relação a educação de surdos, o decreto determina que da Educação Infantil até o


Fundamental I, os estudantes surdos tenham acesso à educação bilíngue com o professor também
bilíngue, que não saiba apenas língua portuguesa, mas também Libras.

Do Ensino Fundamental em diante a educação de surdos de acordo com o decreto deve ocorrer
em escolas inclusivas, porém, com professores cientes das diferenças linguísticas dos surdos.

A professora Lodi (2013) em seu artigo analisa a atual política nacional de educação e descreve
o movimento que caracteriza essa política, que é justamente a inclusão educacional, de acordo com a
qual todos os estudantes independentemente de suas diferenças étnicas e sociais, devem ser
matriculados em qualquer escola de sistema regular de ensino, uma das coisas que a política nacional
de educação também prevê é que as escolas se reorganize estrutural e culturalmente para garantir
condições igualitárias de aprendizagem a todos os estudantes.
AULA TEÓRICA 04 - Filosofias na educação de surdos: educação bilíngue para
Surdos frente à Educação Inclusiva no Brasil

Apesar das lutas da comunidade surda pelo reconhecimento de sua língua, pelo reconhecimento do fato de que
pertencem à minoria linguística, a educação de surdos no Brasil, ainda parte da Política Nacional de Educação
Especial, seguindo a Política Nacional de Educação, opondo se à educação especial como paralela à regular, e
defende um currículo comum que contemple a diversidade de necessidade.

Apesar das lutas da comunidade surda em defesa do reconhecimento de sua língua e sua cultura, a Política
Nacional de Educação Especial ainda abrange a educação de surdos, mas as escolas de surdos se encontram
ameaçadas dado que a idéia que alunos independentemente de suas diferenças linguísticas/sociais/étnicas devem
ser incluídos na escola regular, ou seja, um movimento contrário aquele pelo qual a comunidade surda vem lutando,
que e justamente o direito a uma educação bilíngue.

Lacerda (2006) realizou um pequeno estudo que envolveu estudantes, professores e intérpretes de uma escola
privada do interior de São Paulo, ela analisou estudantes da 5° Série que continham 29 ouvintes e apenas um aluno
surdo, alunos entre 10 e 12 anos, o aluno surdo apresentava surdez profunda bilateral, filho de pais ouvintes,
sabiam Libras.
AULA TEÓRICA 04 - Filosofias na educação de surdos: educação bilíngue para
Surdos frente à Educação Inclusiva no Brasil

As entrevistas duraram 1:30, foram dois professores entrevistados (Português e História) dois alunos
ouvintes, um aluno surdo e dois intérpretes.

As entrevistas com os professores apresentaram que estes tinham uma grande desinformação a respeito da
surdes e sua peculiaridade. Uma das coisas que a legislação prevê no caso de educação inclusiva para alunos
surdos, é que recebam educação de professores cientes de suas particularidades linguísticas e culturais, o que
esse estudo mostrou é que isso não estava acontecendo, além disso os professores exibiram uma falta de
planejamento de ações que levasse em conta a presença do intérprete e do aluno surdo.

Em relação aos alunos ouvintes, a análise das entrevistas mostrou que eles falam de um ambiente "feliz" e
que o aluno surdo é bem acolhido. Entretanto a análise da entrevista desses estudantes também mostrou que eles
acham a Libras difícil e no fundo esperam que seu colega aprenda a falar em algum momento ou seja a fala dos
estudantes mostrou um certo preconceito que eles têm em relação à língua de sinais e uma expectativa de
normalização de modo que essas são questões que sem dúvidas precisam ser trabalhadas com esses alunos, para
que cresça uma consciência de que eles estão convivendo com uma pessoa que usa uma língua diferente e que
não deve ser normalizada, e que deve ter a sua diferença respeitada.
AULA TEÓRICA 04 - Filosofias na educação de surdos: educação bilíngue para
Surdos frente à Educação Inclusiva no Brasil

A entrevista com o aluno surdo mostrou que ele não se relaciona diretamente com os professores, têm
apenas um interlocutor efetivo no espaço escolar, e que está sempre acompanhado de um adulto.

A situação de inclusão cria na verdade um certo isolamento da criança surda no espaço escolar, se ela
tivesse numa escola de surdos ou numa sala com outras pessoas surdas, certamente ela se relacionaria
diretamente com os professores, colegas.

Em relação aos intérpretes, se observa uma falta de trabalho de equipe, falta de uma entendimento do
que é ter um aluno surdo em sala de aula, propondo atividades sem sentido para o surdo, porém, é de
responsabilidade dos intérpretes o ensino de aprendizagem do aluno surdo.
 
AULA TEÓRICA 05 - Visões sobre a surdez: Visão clínica versus visão
Socioantropológica

A aula 05 vai tratar de duas visões acerca da surdez, a visão clínica e a visão sócio antropológica.
De acordo com o professor Capovilla, existe diferentes causas para a surdez, uma delas é a idade, fatores
genéticos e fatores ambientais, são fatores que podem se manifestar antes quanto depois do nascimento,
segundo Capovilla existem três grandes tipos de causas ambientais: As infecções, surdez pelas drogas, e surdez
pela sequela de traumas.

A surdez pode ser classificada em relação à aquisição da fala, pessoas que nascem surdas ou adquirem
surdez antes da aquisição da fala, apresentam surdez pré-linguística.

Pessoas que desenvolvem surdez durante o período de aquisição da fala, apresentam surdez pré-linguística.

Pessoas que adquirem surdez depois da aquisição da fala, apresentam surdez pós- linguística.
 
AULA TEÓRICA 05 - Visões sobre a surdez: Visão clínica versus visão
Socioantropológica

A visão clínica da surdez tem como foco a condição audiológica das pessoas surdas, nessa visão o surdo é visto pela ótica
que ele não tem em relação à comunidade ouvinte majoritária, nessa visão e vista como uma deficiência e, portanto, uma
desvantagem. A visão clinica está assentada na falsa ideia de que a linguagem humana só pode se manifestar através da fala,
nós sabemos que a linguística já demonstrou que as línguas de sinais são línguas naturais e por essa razão a linguagem
humana pode também se manifestar por meio de um outro canal que não exclusivamente à fala.

Visão Socioantropológico da Surdez: Skliar (2001) "A comunidade surda se origina em uma atitude diferente frente ao
déficit, já que não leva em consideração o grau de perda auditiva de seus membros"

Diferentemente da visão clínica da surdez considera então que línguas de sinais são línguas de sinais e portanto a
comunidade surda não precisa se adaptar à língua da comunidade majoritária, dentro dessa perspectiva o surdo não é definido
pela falta de alguma coisa, mas sim pela sua diferença linguística e cultural, que concede a ele um estatuto de membro de uma
minoria linguística.
No que diz respeito à educação de surdos, adeptos a visão sócio antropológica da surdez defendem que a educação de
surdos deve ser exatamente como a educação de pessoas ouvintes, tendo como objetivo o desenvolvimento acadêmico, ou
seja, a escola de surdo é uma escola e não uma clínica, sendo o aluno surdo, um aluno e não um paciente.
AULA TEÓRICA 06 - Visões sobre a surdez: as diferenças linguísticas e culturais da
comunidade surda

O Português é uma língua ouro auditiva porque ela é produzida por movimentos do trato vocal e
percebida majoritariamente pela audição.
Diferentemente, a Libras é uma língua gestual visual porque é majoritariamente produzida por
movimentos da mão e percebida pela visão.

Além dessas diferenças que tem a ver com a modalidade de produção e percepção do Português
e da Libras, há também diferenças bastante grande no que diz respeito à estrutura gramatical,
essas diferenças se manifestam em todas as dimensões dessas línguas, no nível Lexical,
Morfológica e Sintática.

As expressões faciais, além das informações sobre o estado psicológico das pessoas, elas
também transmitem informações linguística, desempenham funções gramaticais.
TEXTOS BASE PARA AULA

AULA 04
SILVA, Danilo da; FERNANDES, Sueli; NASCIMENTO, Anne Caroline Silva Goyos. O decreto 5626/2005 e as
diretrizes para a inclusão social dos surdos. In: V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO DE PINHAIS -
2015. A EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI: CAMINHOS E DESAFIOS DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO, 2015.
A EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI: CAMINHOS E DESAFIOS DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO
INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO DE PINHAIS - 2015, v.1. p. 1-15.

LACERDA, Cristina. B. F. A inclusão escolar de alunos surdos: o que que dizem alunos, professores e intérpretes
sobre esta experiência. Cad. Cedes, Campinas, vol. 26, n. 69, p. 163-184. 2006.

LODI. Ana Claudia Baliero. Educação bilíngue para surdos e inclusão segundo a Política Nacional de Educação
Especial e o Decreto n° 5.626/05. Educação & Pesquisa, São Paulo, V. 39, n.1, p. 49-63, p. 49-63, jan./mar. 2013.
TEXTOS BASE PARA AULA

AULA 05
CAPOVILLA, Fernando César. O implante coclear em questão: benefícios e problemas, promessas e
riscos. In: CAPOVILLA, F. C.; RAPHAEL, W. De. Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngue: Língua
de Sinais Brasileira. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2008, p. 1-519-1.546

SKLIAR, C. B. Educação & Educação, Abordagem Sócio Antropológicas em Educação Especial. In.
SKLIAR. C. B. (Org.)
Uma perspectiva sócio-histórica sobre a psicologia e a educação dos surdos. Porto Alegre: Mediação,
2001.
TEXTOS BASE PARA AULA

AULA 06 - Texto-base: WILCOX, Sherman; WILCOX, Phyllis. Aprender a Ver. Rio de Janeiro: Arara
Azul, 2005.

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