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TEORIA E TERAPIA COMPORTAMENTAL

TEORIA E TERAPIA COGNITIVA

• Tânia Houck
• Neide Zanelatto
Teoria e Terapia Comportamental

Aula 3
Teoria e Terapia Comportamental
Teoria e Terapia Cognitiva
Teoria e Terapia Cognitivo Comportamental do uso de Substâncias Psicoativas

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Teoria e Terapia Comportamental

inglês behaviour -
Comportamento: reação
americano behavior
de um organismo a um
comportamento;
determinado estímulo
conduta

Comportamentalismo = Behaviorismo

teoria e método de investigação


psicológica que estuda o
comportamento humano e dos animais,
3
com ênfase nos fatos objetivos
Teoria e Terapia Comportamental

Behaviorismo é uma das grandes tradições que deram


direção à Ciência da Psicologia.

Trouxe idéias inovadoras a respeito da natureza do homem e


de como estudá-lo.

Seus preceitos básicos foram alvo de crítica indignada e


entusiasmo sectário.
Vandenbergh L , 2001

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Teoria e Terapia Comportamental

Behavioristas influentes

Ivan Pavlov
Edward C. Tolman
Clark L. Hull
Burrhus Frederic Skinner
Conwy Lloyd Morgan
J.R. Kantor
John Broadus Watson
Joseph Wolp
Albert Bandura
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Teoria e Terapia Comportamental

John Broadus Watson Burrhus Frederic Skinner


1878 —1958 1904 —1990
psicólogo autor e psicólogo
considerado o fundador do defensor do Behaviorismo 6

Comportamentalismo (Behaviorismo). Radical


Teoria e Terapia Comportamental

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Teoria e Terapia Comportamental

Behaviorismo Metodológico ou Clássico J. B Watson

John B. Watson,1913

Movimento de grande impacto no campo da Psicologia


moderna, influenciando nos setores do estudo do
comportamento humano e nas teorias de aprendizagem.

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Teoria e Terapia Comportamental

Manifesto “A Psicologia como um comportamentista a vê”

Defende que a psicologia não deveria estudar processos


internos da mente, mas sim o comportamento, pois este é
visível e, portanto, passível de observação por uma ciência
positivista.

Crê ser possível prever e controlar toda a conduta


humana, com base no estudo do comportamento humano
e a sua interação do com o meio em que vive.
Watson, P., 1913
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Teoria e Terapia Comportamental

Conceitos e idéias já existentes para a instituição do


Comportamentalismo

Principais influências:
a tradição filosófica do objetivismo (Comte) e do
mecanicismo (Descartes).

a psicologia animal - teoria de Loeb - comportamento


animal baseado em estímulos e respostas, não
necessitando consciência para tal.

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Teoria e Terapia Comportamental

Conceitos e idéias já existentes para a instituição do


Comportamentalismo

Principais influências:

psicologia funcional - visão que consiste em afirmar


que a consciência deve ser analisada no seu ambiente
natural, e não como elementos, pois a tentativa de
dividi-la em partes distintas pode distorcê-la - já que
funcionalistas como Cattel e Pillsbury estavam se
aproximando dos conceitos comportamentalistas.
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Teoria e Terapia Comportamental

Conceitos e idéias já existentes para a instituição do


Comportamentalismo

Principais influências:

estudo experimental de Pavlov - fisiologista russo


Ivan Pavlov (1849-1936), que ganhou o Prémio Nobel de
Medicina pelo seu trabalho sobre a actividade digestiva
dos cães - e outros, como: Twitmyer, Thorndike e
Pfungst.

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Teoria e Terapia Comportamental

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Pavlov, 1904
Teoria e Terapia Comportamental

Princípios do Behaviorismo Clássico:

Condicionamento clássico: o estímulo é seguido de uma resposta.

Comportamento respondente: é um tipo de interação em que


a resposta é emanada imediatamente após a apresentação do
estímulo.
Comportamento respondente condicionado: formado por
estímulos pareados que têm certa resposta.
Estímulo condicionado e estímulo não-condicionado 14
Teoria e Terapia Comportamental

Sentir e agir, assim como pensar e imaginar são igualmente produtos da


história de interações entre o indivíduo e os seus contextos materiais,
verbais e sociais. Isto significa que o ato de sentir deve ser estudado como
um comportamento e não como um estado.

As emoções são apenas respostas corporais a determinados estímulos.

Tourinho, 1997; de Rose, 1982; Eifert, 1978; Watson, 1924

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Teoria e Terapia Comportamental

Behaviorismo Radical B. F. Skinner

Burrhus Frederic Skinner


Influência teórica: Pavlov ; J. B. Watson e o Selecionismo de
Charles Darwin
1938, “O Comportamento dos Organismos”.
1953, “Ciência e Comportamento Humano” - manual básico da
psicologia comportamentalista.
Filosofia da Ciência do Comportamento
Anti-mentalista (entidades "mentais" como origem do
comportamento, sejam elas entendidas como cognição, id-ego-
superego
O homem é uma entidade única, uniforme, em oposição ao
homem "composto" de corpo e mente.
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Teoria e Terapia Comportamental

Condicionamento Operante : processo de aprendizagem na qual uma


resposta torna-se mais provável ou mais freqüente.

Quando comportamentos emitidos pelo organismo , são seguidos por


algum tipo de conseqüência e caso seja agradável – o comportamento
tende a se repetir.

Se a conseqüência for desagradável, o comportamento possui menos


probabilidade de se repetir.

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Teoria e Terapia Comportamental

O organismo apresenta:

1. Comportamento Respondente – 100% inato


2. Comportamento Operante – 100% aprendido

A Unidade básica para se estudar um comportamento é a tríplice


contingência representada por

SD= contexto em que a resposta ocorreu


R= a resposta do organismo
SR= conseqüência da resposta
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Teoria e Terapia Comportamental

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Teoria e Terapia Comportamental

princípios do behaviorismo radical:


Reforço positivo: reforço positivo aumenta a probabilidade de
um comportamento pela presença (positividade) de uma
recompensa (estímulo).

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Teoria e Terapia Comportamental

princípios do behaviorismo radical:


Reforço positivo: reforço positivo aumenta a probabilidade de
um comportamento pela presença (positividade) de uma
recompensa (estímulo).

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Teoria e Terapia Comportamental

princípios do behaviorismo:
Reforço negativo: aumenta a probabilidade de um
comportamento pela a ausência (retirada) de um estímulo aversivo
(que cause desprazer) após o organismo apresentar o
comportamento pretendido.

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Teoria e Terapia Comportamental

princípios do behaviorismo radical:

Punição: estímulo aversivo que reduz a probabilidade do


comportamento.

P+: inserir no ambiente um estímulo aversivo

P-: retirar um estímulo reforçador do ambiente

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Teoria e Terapia Comportamental

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Teoria e Terapia Comportamental

reforço negativo ≠ punição

É válido enfatizar que reforço negativo, ao contrário do que o


nome pode sugerir, não é um estímulo que reduza a freqüência do
comportamento, isto é, um estímulo aversivo; reforço negativo é
um estímulo que aumenta a freqüência do comportamento que
consiste em retirar um estímulo aversivo do ambiente.

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Teoria e Terapia Comportamental

Skinner a partir das


suas observações,
sobre o
comportamento de
pombos e ratos
brancos inventou um
aparelho, que depois
de passar por
modificações, é hoje
muito conhecido e
utilizado, a Caixa de
Skinner.

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Teoria e Terapia Comportamental

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Teoria e Terapia Comportamental

“Sou livre a medida que controlo as


condições que me controlam”
B. F. Skinner

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“Sou livre a medida que controlo as
condições que me controlam”
B. F. Skinner

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Teoria e Terapia Comportamental

Os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez são


modificados pelas conseqüências de sua ação. Alguns processos que o
organismo humano compartilha com outras espécies alteram o
comportamento para que ele obtenha um intercâmbio mais útil e mais
seguro em determinado meio ambiente. Uma vez estabelecido um
comportamento apropriado, suas conseqüências agem através de processos
semelhantes para permanecerem ativas. Se, por acaso, o meio se modifica,
formas antigas de comportamento desaparecem, enquanto novas
conseqüências produzem novas formas.

Skinner, 1978
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Teoria e Terapia Comportamental

Para sua rejeição do mentalismo/cognitivismo como explicação do


comportamento, e por sua posição não reducionista diante de eventos
neurais (Skinner não aceita que eventos fisiológicos/neurológicos expliquem
o comportamento, estas são outras tantas funções biológicas a serem
explicadas. O comportamento é um campo de estudo em si mesmo.
Evidentemente que há interação entre essas funções do organismo, mas essa
relação não é de causalidade.) O behaviorismo radical é considerado um
ambientalista e acusado de esvaziar o organismo, de estudar uma caixa
preta... Não! Estas críticas se originam de uma postura pré-galileica, do que
poderíamos chamar organocentrismo em Psicologia. O homem é o
fenômeno de interesse, é a origem de todas as coisas, não sua interação com
o universo. Para Skinner, o organismo não é nem gerente nem iniciador de
ações, é o palco onde as interações Comportamento-Ambiente se dão.
Maria Amélia Matos 31
(Dept. Psicologia - USP)
Teoria e Terapia Comportamental

Análise Funcional do Comportamento

Modo científico e particular de aplicação sistemática dos princípios da


aprendizagem à mudança do comportamento, no sentido de promover formas
mais adaptativas e positivas de interação.

Visa o autoconhecimento do cliente, ensinando a observar-se, bem como a fazer


relações entre os comportamentos e seus eventos antecendentes e
consequentes, de maneira a tornar evidentes aqueles que precisam ser alterados
ou substituídos, assim como a identificar aqueles comportamentos que devem
ser mantidos.

Sénéchel-Machado, 2001
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Teoria e Terapia Comportamental

ANÁLISE FUNCIONAL NA PRÁTICA CLÍNICA

Análise do Comportamento

A análise funcional pode ser definida como a identificação de relações relevantes,


controláveis, causais e funcionais aplicáveis a um conjunto específico de
comportamentos-alvo para um cliente individual. Assim, embora um problema clínico
possa ser relatado por um indivíduo, um grupo ou uma organização, em qualquer
destes casos, o procedimento é o mesmo: decidir qual informação coletar, delinear o
problema, decidir que ações proceder e avaliar as mudanças.
Haynes; O'Brien , 1990

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Teoria e Terapia Comportamental

ANÁLISE FUNCIONAL NA PRÁTICA CLÍNICA

Análise do Comportamento

 especifica os comportamentos substitutos tomados durante a intervenção, ou seja,


os comportamentos adaptativos que podem ser efetivos em servir àquela mesma
função;
 especifica em termos funcionais as conseqüências que mantêm o comportamento
problema (podem incluir tanto reforço positivo como negativo);
 especifica as contingências que têm falhado em manter a resposta adaptativa
(pode ser que a pessoa nunca tenha aprendido o comportamento apropriado;
Guilhardi, 1992

Contingência implica a relação entre organismo e ambiente, ou entre resposta e conseqüência;


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Teoria e Terapia Comportamental

ANÁLISE FUNCIONAL NA PRÁTICA CLÍNICA


Análise do Comportamento

Contingência tríplice:

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Teoria e Terapia Comportamental

ANÁLISE FUNCIONAL NA PRÁTICA CLÍNICA


Análise do Comportamento

Uma contingência tríplice especifica

1.uma situação presente ou antecedente que pode ser descrita em termos de


estímulos chamados discriminativos pela função controladora que exercem
sobre o comportamento;

2.algum comportamento do indivíduo que, se emitido na presença de tais


estímulos discriminativos, tem como conseqüência

3.alguma alteração no ambiente, que não ocorreria se tal comportamento


fosse emitido na ausência dos referidos estímulos discriminativos ou se o 36
comportamento não ocorresse.
Teoria e Terapia Comportamental

ANÁLISE FUNCIONAL NA PRÁTICA CLÍNICA


Análise do Comportamento
4. o envolvimento natural do cliente com o processo, o que, de certa
maneira, já o prepara para conviver com a mudança produzida. No final
do processo ele é uma nova pessoa, e não a mesma pessoa com novas
respostas. Esta distinção tem grande importância na manutenção das
mudanças adquiridas e nos sentimentos e emoções envolvidos;

5. um processo de 'descoberta da realidade'. Toda teoria é um modelo


que se aproxima mais ou menos da realidade - é um guia que direciona a
ação do terapeuta, mas não determina, em detalhes, essa ação e, na
prática, a teoria não pode ser mais do que isso. Cabe ao terapeuta,
portanto, em interação com o cliente, ir além da teoria para produzir a
descoberta do que é 'real' para o cliente. 37

Guilhardi, 1992
Teoria e Terapia Comportamental

ANÁLISE FUNCIONAL NA PRÁTICA CLÍNICA


Análise do Comportamento

Técnicas comportamentais

1.Automonitoramento (registro de automonitoramento)


2.Exposição
3.Treinamento de escuta ativa
4.Programação de atividades
5.Solução de problemas
6.Treinamento de assertividade
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7.Treinamento de comunicação
Teoria e Terapia Comportamental

ANÁLISE FUNCIONAL NA PRÁTICA CLÍNICA


Análise do Comportamento

Técnicas comportamentais

7.Alvos comportamentais (metas e ações)


8.Modelagem
9.Ensaio comportamental
10.Exposição com prevenção de resposta
11.Hierarquia de respostas/estímulos (+ temidas para – temidas)
12.Auto-recompensa
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13.Treinamento de relaxamento
Teoria e Terapia Comportamental

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TEORIA E TERAPIA COGNITIVA

• Tânia Houck
• Neide Zanelatto
Teoria e Terapia Cognitiva

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Teoria e Terapia Cognitiva

História e Precursores
Fundamentos da Terapia Cognitiva
Modelo Cognitivo P S C
Pensamentos automáticos
Distorções Cognitivas / Erros de pensamentos
Crenças intermediárias
Crenças centrais ou nucleares
Esquemas
Estrutura das Sessões
Avaliação Inicial: conceituação cognitiva
Protocolos da 1a sessão
Protocolos da 2a sessão em diante
Técnicas Cognitivas
Técnicas Comportamentais
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Teoria e Terapia Cognitiva

Os primeiros escritos importantes e as primeiras abordagens cognitivo-comportamentais


para o tratamento dos transtornos emocionais começaram a surgir nos anos 1960 e 1970
com autores como :

Aaron Beck 1963, 1967


Albert Ellis 1962
Lazarus 1966,
Meichenbaum 1973
Mahoney 1974

Knapp, 2004

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Teoria e Terapia Cognitiva

Terapia Cognitiva
Aaron Beck, 1956

Aaron Beck, psicanalista e psiquiatra


Universidade da Pensilvânia - EUA 45
Teoria e Terapia Cognitiva

Terapia Racional-Emotiva
Albert Ellis, 1955

Albert Ellis, 1913 – 2007 46


psicólogo
Teoria e Terapia Cognitiva

“A terapia racional-emotiva é uma escola de psicoterapia baseada na


suposição de que os seres humanos nascem com um potencial para o
pensamento racional e correto, assim como para o pensamento irracional e
desviante. As pessoas apresentam predisposições para a autopreservação,
a felicidade, o pensamento e a verbalização, o amor, a comunhão com os
outros, o crescimento e a auto-realização. Apresentam ainda propensão à
autodestruição, a evitar o pensamento, à procrastinação, à repetição
infindável de erros, superstição, intolerância, perfeccionismo, auto-
acusação e fuga da atualização de potenciais para o crescimento. Possuem
tendências dentro de si tanto para persistir em padrões de comportamento
antigos e disfuncionais, quanto para descobrir uma série de formas de
dedicar-se à auto-sabotagem.”
Ellis, A, 1962

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Teoria e Terapia Cognitiva

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Teoria e Terapia Cognitiva

Terapia Cognitiva
Aaron Beck, 1956

Pesquisa para verificar


pressupostos psicanalíticos acerca
da depressão:

Pessoas deprimidas apresentavam


uma “hostilidade refletida”.
Freud, 1917

49

www.prospect-magazine.co.uk Issue 123 , June 2006


Teoria e Terapia Cognitiva

Terapia Cognitiva
Aaron Beck, 1956

Achados: Tendência negativa onde a pessoa deprimida apresenta, muito


frequentemente, expectativas negativas com relação ao resultado de seus
comportamentos e uma visão negativa de si mesma.

Outros estudos – estratégias para corrigir pensamentos disfuncionais e


comportamentos maladaptativos, inclusive para outros transtornos.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Modelo Cognitivo da Depressão

51

Beck, 1963
Teoria e Terapia Cognitiva

A Terapia Cognitiva utiliza o conceito da estrutura “biopsicossocial” na


determinação e compreensão dos fenômenos relativos a psicologia
humana, no entanto, constitui-se como uma abordagem que focaliza o
trabalho sobre os fatores cognitivos da psicopatologia.

Vem demonstrando eficácia em pesquisas científicas rigorosas, além de


ser uma das primeiras a reconhecer a influência do pensamento sobre
o afeto, o comportamento, a biologia e o ambiente.

Shinohara, 1997; shaw & Segal, 1999

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Teoria e Terapia Cognitiva

Três proposições fundamentais definem as características que estão no


núcleo das terapias cognitivo-comportamentais:

1.A atividade cognitiva influencia o comportamento.

2.A atividade cognitiva pode ser monitorada e alterada.

3.O comportamento desejado pode ser influenciado mediante a mudança


cognitiva.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Princípios:

1.Busca pelo contínuo desenvolvimento do paciente e de seus problemas


com base em intervenções no seu processo cognitivo.

2.Requer uma aliança terapêutica segura: cordialidade, empatia, atenção,


respeito genuíno e competência.

3.Enfatisa a colaboraçào e participação ativa do paciente: trabalho em equipe


– objetivos.

4.Visa a identificação e solução de problemas e é orientada para metas.

5.Inicialmente, enfatisa o presente: exame de problemas no aqui-e-agora.


Beck, J.S, 1997
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Teoria e Terapia Cognitiva

Terapia Cognitiva
Princípios:

6.A terapia cognitiva é educativa, visa ensinar o paciente a ser o seu próprio
terapeuta e enfatisa a prevenção de recaída.

7.Visa ter um tempo limitado.

8.As sessões de psicoterapia são estruturadas.

9.Ensina os pacientes a identificar, avaliar e responder a seus pensamentos e


crenças disfuncionais.

10.Utiliza uma variedade de técnicas para modificar pensamentos, estados


emocionais e comportamentos.
Beck, J.S, 1997 55
Teoria e Terapia Cognitiva

Fundamentos da Terapia Cognitiva


Modelo Cognitivo P E C

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Teoria e Terapia Cognitiva

Estou me dirigindo para uma entrevista de emprego. Caminho pela calçada arborizada e um
passarinho faz cocô, justamente no momento em que estou passando, e suja a minha roupa.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Os significados são construídos pelo indivíduo, ou seja, não são componentes


preexistentes. No entanto, tais significados podem constituir-se como
corretos ou incorretos em relação a um contexto ou objetivo. Significados
ditos incorretos são denominados como “disfuncionais” ou “mal-adaptativos”
no que se refere a ativação dos sistemas. Os erros (“distorções cognitivas” e
“preconcepções”) podem acontecer tanto em relação ao conteúdo cognitivo
dito (significado) como em relação ao processo de elaboração de significado
(processamento cognitivo).

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Teoria e Terapia Cognitiva

Pensamentos disfuncionais, sem base integral na realidade, influenciam de


forma significativa o humor e o comportamento do indivíduo. É interessante
notar que a intensidade dos sentimentos depende em grande parte da forma
como a situação é avaliada. Uma análise parcial da realidade gera
sentimentos desproporcionais ou inapropriados para lidar com a situação.

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Falcone, 2000
Teoria e Terapia Cognitiva

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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

1. Catastrofizacao
Pensar que o pior de uma situação irá acontecer, sem levar em
consideração a possibilidade de outros desfechos. Acreditar que o que
aconteceu ou ira acontecer será terrível e insuportável. Eventos
negativos que podem ocorrer são tratados como catástrofes
intoleráveis, em vez de serem vistos em perspectiva.

Exemplos:
Perder emprego será o fim da minha carreira.
Eu não suportarei a separação da minha mulher.
Se eu perder o controle, será meu fim.
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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

2. Raciocínio emocional (emocionalizacao)


Presumir que sentimentos são fatos. “Sinto, logo existe”. Pensar que algo
e verdadeiro porque tem um sentimento (na verdade, um pensamento)
muito forte a respeito. Deixar os sentimentos guiarem a interpretação da
realidade. Presumir que as reações emocionais necessariamente refletem
a situação verdadeira.

Exemplos:
Eu sinto que minha mulher não gosta mais de mim.
Eu sinto que meus colegas estão rindo nas minhas costas.
Sinto que estou tendo um enfarto, então deve ser verdadeiro.
Sinto-me desesperado, portanto, a situação deve ser desesperadora.
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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

3. Polarização (pensamento tudo-ou-nada, dicotômico)


Ver a situação em duas categorias apenas, mutuamente exclusivas, em vez
de um continuum. Perceber eventos ou pessoas em termos absolutos.

Exemplos:
Deu tudo errado na festa.
Devo sempre tirar a nota máxima, ou serei um fracasso.
Ou algo é perfeito, ou não vale a pena.
Todos me rejeitam.
Tudo foi uma perda de tempo total.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

4. Abstração seletiva (visão em túnel, filtro mental, filtro negativo)


Um aspecto de uma situação complexa é o foco da atenção, enquanto
outros aspectos relevantes da situação são ignorados. Uma parte
negativa (ou mesmo neutra) de toda uma situação e realçada, enquanto
todo o restante positivo não é percebido.

Exemplos:
Veja todas as pessoas que não gostam de mim.
A avaliação do meu chefe foi ruim (focando apenas um comentário
negativo e negligenciando todos os comentários positivos).

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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

5. Adivinhação
Prever o futuro. Antecipar problemas que talvez não venham a existir.
Expectativas negativas estabelecidas como fatos.

Exemplos:
Não irei gostar da viagem.
Ela não aprovará meu trabalho.
Dará tudo errado.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

6. Leitura mental
Presumir, sem evidências, que sabe o que os outros estão pensando,
desconsiderando outras hipóteses possíveis.

Exemplos:
Ela não está gostando da minha conversa.
Ele está me achando inoportuno.
Ele não gostou do meu projeto.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

7. Rotulação
Colocar um rótulo global, rígido em si mesmo, numa pessoa ou situação,
em vez de rotular a situação ou o comportamento especifico.

Exemplos:
Sou incompetente.
Ele é uma pessoa má.
Ela é burra.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

8. Desqualificação do positivo
Experiências positivas e qualidades que conflituam com a visão negativa
são desvalorizadas porque “não contam” ou são triviais.

Exemplos:
O sucesso obtido naquela tarefa não importa, porque foi fácil.
Isso é o que esposas devem fazer, portanto, ela ser legal comigo não
conta.
Eles só estão elogiando meu trabalho porque estão com pena.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

9. Minimização e maximização
Características e experiências positivas em si mesmo, no outro ou nas
situações são minimizadas, enquanto o negativo é maximizado.

Exemplos:
Eu tenho um ótimo emprego, mas todo mundo tem.
Obter notas boas não que dizer que eu sou inteligente, os outros obtém
notas melhores do que as minhas.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

10. Personalização
Assumir a culpa ou responsabilidade por acontecimentos negativos,
falhando em ver que outras pessoas e fatores também estão envolvidos
nos acontecimentos.

Exemplos:
O chefe estava com a cara amarrada, devo ter feito algo errado.
É minha culpa.
Não consegui manter meu casamento, ele acabou por minha causa.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

11. Hipergeneralizaçao
Perceber num evento específico um padrão universal. Uma característica
especifica numa situação especifica é avaliada como acontecendo em
todas as situações.

Exemplos:
Eu sempre estrago tudo.
Eu não me dou bem com mulheres.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

12. Imperativos (“deveria” e “tenho - que”)


Interpretar eventos em termos de como as coisas deveriam ser, em vez
de simplesmente considerar como as coisas são. Afirmações
absolutistas na tentativa de prover motivação ou modificar um
comportamento. Demandas feitas a si mesmo, aos outros e ao mundo
para evitar as conseqüências do não cumprimento dessas demandas.

Exemplos:
Eu tenho que ter controle sobre todas as coisas.
Eu devo ser perfeito em tudo que faço.
Eu não deveria ficar incomodado com minha esposa.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

13. Vitimização
Considerar-se injustiçado ou não entendido. A fonte dos sentimentos
negativos é algo ou alguém, havendo recusa ou dificuldade de se
responsabilizar pelos próprios sentimentos ou comportamentos.

Exemplos:
Minha esposa não entende meus sentimentos.
Faço tudo pelos meus filhos e eles não me agradecem.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Distorções Cognitivas

14. Questionalização (E se?)


Focar o evento naquilo que poderia ter sido e não foi. Culpar-se pelas
escolhas do passado e questionar-se por escolhas futuras.

Exemplos:
Se eu tivesse aceitado o outro emprego, estaria melhor agora.
E se o novo emprego não der certo?
Se eu não tivesse viajado, isso não teria acontecido .

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Teoria e Terapia Cognitiva

Níveis de Funcionamento Cognitivo

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A TC identifica e trabalha três níveis de cognição:

pensamentos automáticos (PA’s)


pressupostos subjacentes
crenças nucleares.

Todos nós temos crenças, pressupostos e PA’s tanto


positivos quanto negativos, mas normalmente, quando
falamos nesses conceitos, estamos nos referindo aos
disfuncionais.
Teoria e Terapia Cognitiva

Níveis de Funcionamento Cognitivo

I - Pensamentos Automáticos
Fluxo de pensamento que coexiste com um fluxo de pensamento mais manifesto
características:

 privativos ou não declarados


 rápidos, involuntários
 eliciados a partir de situações corriqueiras do nosso dia-a-dia
 podem surgir em forma de sentenças ou de imagens
 é comum a presença de pensamentos automáticos distorcidos nos transtornos
psicológicos
 sustentam os transtornos psicológicos aos quais nos defrontamos
 são reconhecidos e entendidos somente se voltamos a atenção para eles
77

Rangé, 1995
Teoria e Terapia Cognitiva

Níveis de Funcionamento Cognitivo

II – Crenças Subjacentes
Regras condicionais como afirmações do tipo: “se”; “então” que influenciam a
auto-estima e a regulação emocional.

Exemplos:
Tenho de ser perfeito para ser aceito.
Se eu não agradar aos outros o tempo todo; então eles me rejeitarão.

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Teoria e Terapia Cognitiva

Níveis de Funcionamento Cognitivo

III – Crenças Nucleares (core beliefs):

 São as nossas idéias e conceitos mais enraizados e fundamentais acerca de


nós mesmos, das pessoas e do mundo.
 São incondicionais: independente da situação que se apresente ao indivíduo,
ele irá pensar do mesmo modo consoante com suas crenças.
 Se constroem e se formam através das experiências de aprendizado desde a
infância e se fortalecem ao longo da vida, moldando a percepção e a
interpretação dos eventos, modelando o nosso jeito psicológico de ser.
 No caso de não haver ações corretivas das crenças nucleares disfuncionais, o
indivíduo irá cristalizá-las como verdades absolutas imutáveis.
 Para alcançar mudanças duradouras na psicopatologia do indivíduo, as
crenças nucleares disfuncionais devem ser modificadas; e este é o objetivo 79
último da terapia cognitiva.
Crenças Fundamentais, Centrais ou Nucleares

Judith Beck (1995) propôs que as crenças nucleares disfuncionais


podem ser colocadas em dois grandes agrupamentos,
expandindo agora para três.
Crenças Fundamentais, Centrais ou Nucleares

 
Crenças nucleares de desamparo ( Helplessness)
Crenças sobre ser impontente, frágil, vulnerável, carente,
desamparado, necessitado.

Crenças nucleares de desamor ( Unlovability)


Crenças sobre ser indesejável, incapaz de ser gostado, incapaz de
ser amado, sem atrativos, imperfeito, rejeitado, abandonado,
sozinho.

Crenças nucleares de desvalor (Unworthiness)


Crenças sobre ser incapaz, incompetente, inadequado,
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ineficiente, falho, defeituoso, enganador, fracassado, sem valor.
Crenças Fundamentais, Centrais ou Nucleares

Sou um fracasso
Não tenho salvação
Sou defeituosa
Não tenho saída
Sou desrespeitada
Sou incompetente
Sou mau
Estou vulnerável
Sou feia
Não sou bom o suficiente
Meu destino é a rejeição
Sou fraco
Não sou querido
Sou inadequada
Ninguém cuida de mim
Não tenho valor
Não sou atraente
Sou abondonada
Ninguém me deseja 82
Não sou amado
Esquemas Cognitivos

Esquemas são estruturas cognitivas com conteúdos


(crenças). Como estruturas mentais que contêm
armazenadas as representações de significados,
esquemas são fundamentais para orientar a seleção,
codificação, organização, armazenamento e
recuperação de informações de dentro do aparato
cognitivo. Além do mais, esquemas têm uma
estrutura interna consistente que ordena novas
informações que entram no sistema nervoso
cognitivo.
( Williams, 1997) 83
Esquemas Cognitivos

 Geralmente resultantes de uma interação do temperamento inato


da criança com experiências de desenvolvimento disfuncionais com
pessoas significativas.

 São autoperpetuáveis.

 Verdades a priori acerca de si mesmo e/ou do ambiente.

 Resistentes à mudança, pois há uma crença associada de que é


impeditivo mudar.

84
Esquemas cognitivos

 Ligados a altos níveis de afeto, quando ativados.

 Freqüentemente desencadeados por alguma mudança


ambiental, como perda de um emprego ou fim de um
relacionamento.

85
Os esquemas primitivos mal-adaptativos perpetuam-se por três formas principais
( Young, Klosko, Weishaar, 2003):
 
- Manutenção do esquema: pensar e se comportar de maneiras que reforçam o
esquema. Acontece nos casos de “profecia autoconfirmatória”: a pessoa tem um
esquema relacionado com, digamos, ser abandonada; acaba agindo de uma forma que
provoca os outros a abandonarem-na, confirmando, assim, sua “profecia” de que seria
abandonada.

- Evitação do esquema: procurar maneiras de evitar a ativação dos esquemas e o


sofrimento associado. Exemplo: com o esquema de ser vulnerável, o indivíduo tente
manter controle obsessivo sobre as coisas.

- Compensação do esquema: agir aparentemente de forma a contradizer o


esquema. Exemplo: com o esquema de ser inadequado (e, portanto, incapaz de ser
amado), o indivíduo acaba se relacionando com muitas mulheres (mas com nenhuma
integralmente). 86
Crenças Fundamentais ou Centrais (young, 1993)

Estrutura dos Esquemas

Desconexão e Rejeição

Autonomia e desempenho ou performance comprometidos

Restrição da Gratificação

Comprometimento dos limites


Estrutura dos Esquemas
Esquema: Desconecção e Rejeição

Crenças de Abandono e Instabilidade


Perceber as pessoas disponíveis para apoio e relacionamento
como instáveis ou não confiáveis.

Os outros não continuarão a prover apoio, conexão, força ou


cuidados por serem emocionalmente instáveis ou
imprevisíveis, ou porque irão morrer ou irão abondonar o/a
paciente em troca de alguém melhor.
Esquema: Desconecção e Rejeição

Isolamento ou Privação Social


Desejo de pertencer ou receber apoio emocional não será
satisfeito.
Ausência de atenção, afeto, calor e companhia
Ausência de força, direção e orientação por parte dos outros
Ausência de compreensão, compartilhar , ouvir por parte dos
outros
Sensação de ser diferente e de não pertencer
Esquema: Desconecção e Rejeição

Crenças de Desconfiança ou Abuso


Os outros irão ferir, abusar, humilhar, enganar, mentir,
manipular, levar vantagem.

O ferir é intencional ou consequência de negligência extrema


ou imperdoável.

Sensação de ser sempre enganado pelos outros


Esquema: Desconecção e Rejeição

Inibição Social
Dificuldade excessiva para expressar ou discutir sentimentos
(feridas, tristezas, alegria, raiva, excitação sexual, etc).

Apresenta-se como embotado, constrito, inibido, sem


emoções, sem calor humano ou espontaneidade.
Estrutura dos Esquemas
Estrutura dos Esquemas:
Comprometimento da Autonomia ou Desempenho

Crenças de Dependência e Incompetência

Crença de que se é incapaz de lidar com as responsabilidades cotidianas


de modo competente, sem necessitar da ajuda dos outros.

Dificuldade para cuidar de si prórpio, solucionar problemas, tomar


decisões, assumir compromissos novos, etc.

Prevalência de comportamento passivo e crença de desamparo.


Estrutura dos Esquemas:
Comprometimento da Autonomia ou Desempenho

Crenças de Vulnerabilidade

Medo exagerado de que uma catástrofe acontecerá a qualquer momento


e de que não se tem recursos para lidar com ela ou preveni-la.

Medo de uma doença.

Medos emocionais (ficar louco, perder o controle).

Medos financeiros (falência, ruína).

Medos gerais (elevador, crime, avião, terremoto).


Estrutura dos Esquemas:
Comprometimento da Autonomia ou Desempenho

Crenças de Emaranhamento
Enredamento ou pouca Individuação

Envolvimento emocional ou proximidade excessivos às custas da individuação ou


desenvolvimento social normal.

Crença de que pelo menos um na relação não pode sobreviver ou ser feliz
sozinho, sem o apoio constante do outro.

Sentimento de ser sufocado ou de estar fundido com o outro.

Falta de individualidade e direção interna.

Sensação de vazio.
Estrutura dos Esquemas:
Comprometimento da Autonomia ou Desempenho

Crenças de Subjugação
Entrega do controle, das próprias decisões e preferências a outro, para evitar raiva,
retaliação ou abandono.

Percepção de que os próprios desejos não são válidos ou importantes.

Raiva consequente não é expressa abertamente para evitar conflito.

Cooperação excessiva e necessidade de agradar combinados com sensação de estar


preso/a em armadilha
Estrutura dos Esquemas:
Comprometimento da Autonomia ou Desempenho

Crenças de Fracasso

Crença de que fracassou ou que fracassará.


Considera-se inadequado quando se compara aos colegas (escola,
trabalho, esportes).
Considera-se burro, incapaz, inepto, sem talento, ignorante, sem
status, mal sucedido.
Estrutura dos Esquemas
Estrutura dos Esquemas: Pouca Gratificação

Crenças de Auto-sacrifício
Procurar satisfazer as necessidades dos outros excessivamente.
Motivos: evitar sofrimento, culpa, ganhar estima, manter o relacionamento.

Sensibilidade aos sofrimentos dos outros.

Sentimento exagerado de dever e de responsabilidade.

Sensação de que as próprias necessidades não são satisfeitas.

Ressentimento de quem se está cuidando.


Estrutura dos Esquemas: Pouca Gratificação

Padrões muito elevados de conduta


Valores, escolhas, alvos muito rígidos ou não adequados às suas inclinações naturais.

Para receber aprovação, não passar vergonha, não perder o controle, ou prevenir
consequências graves.

Comprometimento do prazer, relaxamento, espontaneidade, saúde, satisfação.

Ênfase no sucesso, competição, dinheiro, aparência física, status social, autocontrole,


disciplina, perfeccionismo, ordem, atenção aos detalhes, controle e domínio do
ambiente, na moral, ética ou preceitos religiosos.
Estrutura dos Esquemas: Pouca Gratificação

Negativismo e Pessimismo
Foco nos aspectos negativos da vida (sofrimento, morte, perdas, desapontamentos,
conflitos, culpa, ressentimento, problemas não resolvidos, erros potenciais, traições,
coisas que podem dar errado.

Minimizar os aspectos positivos e otimistas.

Queixas contínuas que não se modificam diante de soluções adequadas ou melhora


objetiva das circunstâncias
Estrutura dos Esquemas
Estrutura dos Esquemas:
Comprometimento dos Limites

Padrões de Crenças:Egoísmo/ Auto-centrado

Insistência em fazer ou receber o que deseja, sem levar em conta o custo e


motivos dos outros.

Controle excessivo dos outros, exigências descabidas.

Falta de empatia pelas necessidades e sentimentos dos outros.


Estrutura dos Esquemas:
Comprometimento dos Limites

Autocontrole ou autodisciplina insuficientes

Dificuldade em manter auto-controle.

Intolerância à frustração.

Expressão excessiva de emoções e impulsos.


Crenças Fundamentais ou Centrais (young, 1993)

 privação emocional
 abandono da desconfiança / abuso
 isolamento social / alienação  
 defectividade (imperfeito) / vergonha
 indesejabilidade social
 fracasso
 dependência / incompetência
 vulnerabilidade a danos e doenças
 emaranhamento
 subjugação    
 auto-sacrifício
 inibição emocional
 padrões inflexíveis
 merecimento    
 autocontrole/indisciplina insuficientes
Crenças intermediárias

Crenças intermediárias são compostas por regras, atitudes e suposições.

São mais maleáveis do que as crenças centrais.

As suposições do paciente ligam as estratégias compensatórias às crenças


centrais.

“Se eu (me engajo na estratégia compensatória,


então (minha crença central pode não tornar-se
verdadadeira. No entanto, se eu (não me engajo na
minha estratégia compensatória, então (minha crença
central pode tornar-se verdade”.
Hierarquia de Crenças e Pensamentos Automáticos

Crença Central Eu sou inadequada

Crenças Intermediárias
1.Atitude 1. É terrível ser inadequada
2.a Se eu trabalhar muito duro, eu posso fazer
2.Suposições bem as coisas
a. Positiva 2.b Se eu não trabalhar arduamente eu
b. Negativa fracassarei
3.Regras 3. Eu deveria sempre me esforçar ao
máximo
Eu deveria ser excelente em tudo o que eu
tento fazer

Pensamentos automáticos Eu não posso fazer isso


Isso é difícil demais
quando deprimida Eu jamais aprenderei isso
Pensamentos Automáticos

São pensamentos rápidos e involuntários que passam pela cabeça do indivíduo,


particularmente relacionados a uma determinada experiência/situação
Estão presentes junto com o fluxo normal do pensamento.
Surgem espontaneamente, não resultam de reflexão ou vontade.
Em geral, estão associados a emoções e imagens;
Assumem a forma verbal de uma frase abreviada (telegráfica), que o indivíduo diz
para si mesmo.
Parecem plausíveis ou razoáveis e, em geral, são consistentes com o sistema de
crenças do indivíduo.
Pensamentos automáticos

Geralmente são aceitos como verdadeiros, sem questionamento ou avaliação.


O paciente percebe mais facilmente a emoção associada do que o pensamento que a
produz.
Nos transtornos mentais, em geral, são distorcidos, revelando uma situação negativa ou
catastrófica de situações, emoções, sensações fisiológicas, apesar de evidências objetivas em
contrário.
Geralmente não têm nenhuma utilidade; podem, entretanto, estimular a criatividade ou
dar origem à aflição.
São previsíveis em função das crenças dominantes.
Pode-se aprender avaliá-los quanto a sua validade e utilidade.
Responder racionalmente, e não emocionalmente, aos pensamentos automáticos produz
mudanças positivas no afeto (Beck, 1976, Beck et al., 1985).
Pensamentos Automáticos

Quanto a validade e a utilidade, os PA`s podem ser categorizados:

Distorcidos Acurados Acurados

E que ocorrem apesar


Com conclusão
das evidências em Mas disfuncionais
distorcida
contrário

“se eu perder o “minha mulher está com “Nosso filho adolescente


emprego, acaba a minha a cara fechada, acho que não quer mais morar
vida profissional” não gosta mais de mim” conosco; nossa casa
ficará vazia, perderá a
graça”
Pensamentos Automáticos

→ A todos nós, diariamente, ocorrem milhares de pensamentos,


sendo que a grande maioria destes pensamentos não é percebida
conscientemente, pois acontecem de forma rápida, involuntária e
automática

→ PA’s que são exagerados, distorcidos, equivocados, irrealistas


ou disfuncionais tem um papel importante na psicopatologia,
porque moldam tanto as emoções como as ações do indivíduo em
respostas aos eventos da vida.
Pensamentos Automáticos

→ Os pensamentos automáticos aparecem de forma espontânea e, muitas


vezes, podem passar totalmente despercebidos. Geralmente são aceitos
como legítimos e dificilmente merecem, por parte de quem os expôs, o
exame do seu conteúdo. A maior parte das pessoas não relaciona
sentimentos desconfortáveis com pensamentos e tampouco percebe que os
pensamentos automáticos antecedem as emoções.

Beck e Rush, 1999


Pensamentos Automáticos

→ Pensamentos automáticos disfuncionais geralmente são negativos;


porém quando o indivíduo possui alterações psíquicas, emocionais ou
transtornos de personalidade; os pensamentos automáticos podem ser
positivos.

→ Avaliar a validade e/ou utilidade de pensamentos automáticos e


adaptativamente responder a eles em geral produz uma mudança positiva de
afeto.
Identificando os Pensamentos Automáticos…

Mudança ou intensificação do humor


Descrição de uma situação ocorrida
Foco nas emoções
Recriação da situação
Role-play do que foi vivenciado
Pensamento: verbal ou imagem
Hipóteses de pensamentos
Exemplos de pensamentos de outras experiências clínicas
Conversão de incerteza em possibilidade
Avaliação e Questionamento de Pensamentos Automáticos

Avaliação e questionamento de PA’s – Método Socrático


Após a identificação de um ou mais pensamentos automáticos, o terapeuta vai
auxiliar o paciente a avaliar sua veracidade, utilidade e conseqüências. Usa, para
isso, o método do questionamento socrático, guiando o paciente para chegar às
suas próprias conclusões, mas também treinando-o para realizar esse exercício
sozinho.
Método Socrático

Questionando o pensamento automático…

Questionamento sistemático, orientado para a descoberta


Estimula exame, ponderação, avaliação e síntese de diversas fontes de informação
O objetivo é a avaliação independente e racional dos problemas e de suas soluções
(raciocínio autônomo)
É utilizado para trazer informações à consciência do paciente (insight)
Não corrige respostas, pois não há “certo” ou “errado”
Se realizado corretamente, tem forte impacto sobre a organização cognitiva do paciente
Método Socrático

Questionando o pensamento automático…

Toma tempo e requer paciência


Ensina o paciente sobre “como aprender a aprender”
Converte o sofrimento psíquico do paciente em auto-exploração e em investigação da
prórpia vida psíquica
Progride do questionamento orientado para o insight para um questionamento
orientado para a mudança
Questionamento socrático

Ajudando o paciente a idenfificar os seus pensamentos automáticos …

1. O que passou pela sua mente?


2. Sobre o que você estava pensando?
3. Imaginou que algo poderia acontecer?
4. Lembrou que algo poderia acontecer?
5. O que esta situação significou para você?
6. Você estava pensando…..? (pode-se colocar um pensamento oposto ao
esperado)
Método Socrático: questionando o pensamento automático

1. Quais são as evidências?


a. Quais são as evidências que apóiam essa idéia?
b. Quais são as evidências contrárias a essa idéia?
2. Existe uma explicação alternativa?
3. Qual é o pior que poderia acontecer? Eu poderia superar isso?
a. Qual é o resultado mais realista?
b. Qual é o efeito da minha crença no pensamento automático?
4. O que de melhor poderia acontecer?
5. Qual poderia ser o efeito de mudar o meu pensamento?
6. O que eu deveria fazer em relação a isso?
7. O que eu diria (a um amigo) se ele ou ela tivesse na mesma situação?
8. O que um amigo me diria nesta situação?
9. Quais as vantagens e desvantagens de pensar desta forma?
Registro de Pensamentos Disfuncionais - Ex1 NOME:  
DATA:    

Instruções: 1- Identifique e nomine o seu estado de humor (ex.: tristeza, ansiedade, raiva, etc.) e escreva-o na coluna 3.
2- Descreva, na coluna 1, a situação/experiência que favoreceu a emoção.
3- Identifique, e descreva na coluna 2, quais pensamentos ocorreram mediante a situação/experiência : o que você pensou mediante a
situação ocorrida? Verifique perguntas no rodapé da folha para auxiliar a identificação dos pensamentos automáticos.
 
1- Situação 2- Pensamento Automático 3- Emoção

 
     
Para descrever os Pensamentos Automáticos (coluna 2), busque identificar as respostas d as perguntas abaixo:
1. Quais pensamentos me ocorrem mediante à situação (específica) que estou vivendo? O que estou pensando mediante à situação?
2. O que estou sentindo (em relação à situação específica), está sendo alimentado por quais pensamentos?
3. Quais significados estou atribuindo para esta situação (específica)?

(Adaptação: Knapp, P. e cols., 2004, p.139)


Registro de Pensamento Automático
Instruções: 1- Identifique e nomine o seu estado de humor (ex.: tristeza, ansiedade, raiva, etc.) e escreva-o na coluna 3.
2- Descreva, na coluna 1, a situação/experiência que favoreceu a emoção.
3- Identifique, e descreva na coluna 2, quais pensamentos ocorreram mediante a situação/experiência : o que você pensou mediante a
situação ocorrida? Verifique perguntas no rodapé da folha para auxiliar a identificação dos pensamentos automáticos.
 
1- Situação 2- Pensamento Automático 3- Emoção
Especifique a situação: - O que Quais pensamentos e/ou imagens Quais sentimentos ou emoções
aconteceu; onde você estava; passaram por sua cabeça naquela (tristeza, ansiedade, raiva, etc.)
fazendo o quê. quem estava situação? Sublinhe o pensamento você sentiu naquela situação. Se
envolvido. mais importante ou aquele que possível avalie a intensidade de
mais lhe incomodou. Se possível, cada emoção.
avalie quanto você acredita em (0-100%)
cada um dos pensamentos
(0-100%)
   
     
Para descrever os Pensamentos Automáticos (coluna 2), busque identificar as respostas d as perguntas abaixo:
1. Quais pensamentos me ocorrem mediante à situação (específica) que estou vivendo? O que estou pensando mediante à situação?
2. O que estou sentindo (em relação à situação específica), está sendo alimentado por quais pensamentos?
3. Quais significados estou atribuindo para esta situação (específica)?

(Adaptação: Knapp, P. e cols., 2004


Registro de Pensamentos Disfuncionais - Ex2 NOME:  
DATA:    

Instruções: 1- Identifique e nomine o seu estado de humor (ex.: tristeza, ansiedade, raiva, etc.) e escreva-o na coluna 3.
2- Descreva, na coluna 1, a situação/experiência que favoreceu a emoção.
3- Identifique, e escreva na coluna 2, quais pensamentos ocorreram mediante a situação/experiência : o que você pensou mediante a situação
ocorrida?
4- Questione os pensamentos da coluna 2 e busque outros pensamentos funcionais para a situação ocorrida. Desscreva-os na coluna 4.
5- Reavalie as colunas 2 e 3, na escala de 0 a100%, e descreva na coluna 5.
   
1- Situação 2- Pensamento Automático 3- Emoção 4- Resposta Adaptativa 5- Resultado

             
Especifique a situação: - O que Quais pensamentos e/ou imagens Quais sentimentos ou emoções Use as perguntas abaixo para Avalie quanto você acredita
aconteceu; onde você estava; passaram por sua cabeça naquela (tristeza, ansiedade, raiva, etc.) compor as respostas aos agora em seus pensamentos
fazendo o quê. quem estava situação? Sublinhe o pensamento você sentiu naquela situação. Se Pensamentos Automáticos. Se automáticos
envolvido. mais importante ou aquele que possível avalie a intensidade de possível, avalie quanto você (0-100%)
  mais lhe incomodou. Se possível, cada emoção. acredita em cada resposta e na intensidade de suas
  avalie quanto você acredita em (0-100%) alternativa. (0-100%) Quais as emoções
  cada um dos pensamentos     possíveis distorções cognitivas (0-100%)
  (0-100%)     (veja lista de Distorções  
                              cognitivas) que você fez?          
       
Para construir a Resposta Alternativa, faça as perguntas:
1. Quais são as evidências de que o pensamento automático é verdadeiro? Quais as evidências de que ele não é verdadeiro?
2. Há explicações alternativas para o evento, ou formas aternativas de enxergar a situação?

 
3. Quais são as implicações, no caso dos pensamentos serem verdadeiros? Qual é o pior da situação? O que é o mais realista? O que é possível fazer a respeito?
4. Se (..................................nome do amigo(a).) estivesse nessa situação e tivesse esse pensamento o que eu diria para ele (a).
(Knapp, P. e cols., 2004, p.139)
Teoria e Terapia Cognitiva

Conceituação Cognitiva: um processo contínuo no tratamento

Qual é o diagnóstico do paciente?

Quais são os seus problemas atuais. Como esses problemas se desenvolveram e


como eles são mantidos?

Que pensamentos e crenças disfuncionais estão associados aos problemas?

Quais reações; (emocionais, fisiológicas e comportamentais) estão associadas ao


seu pensamento?

124
Teoria e Terapia Cognitiva

DIAGRAMA DE CONCEITUAÇÃO COGNITIVA


Dados Relevantes da Infância
Quais experiências contribuíram para o desenvolvimento e manutenção da crença central?
Crença Central
Qual é a crença mais central sobre si mesma?
Suposições Condicionais/Crenças/Regras
Qual suposição positiva a ajudou a lidar com a crença central?
Qual é a contraparte negativa para essa suposição?
Estratégia(s) Compensatória (s)
Quais comportamentos o ajudam a lidar com a crença

Situação 1 Situação 2 Situação 3


Qual foi a situação problemática? Qual foi a situação problemática? Qual foi a situação problemática?
Pensamento Automático Pensamento Automático Pensamento Automático
O que passou pela sua cabeça? O que passou pela sua cabeça? O que passou pela sua cabeça?
Significado do P.A. Significado do P.A. Significado do P.A.
O que o PA significou para ele? O que o PA significou para ele? O que o PA significou para ele?
Emoção Emoção Emoção
Qual emoção está associada ao PA? Qual emoção está associada ao PA? Qual emoção está associada ao PA?
Comportamento Comportamento Comportamento 125
O que o paciente fez? O que o paciente fez? O que o paciente fez?
Teoria e Terapia Cognitiva

DIAGRAMA DE CONCEITUAÇÃO COGNITIVA HD- depressão


Dados Relevantes da Infância
Comparav a-se com irmãos mais velhos e pares / mãe crítica
Crença Central
Eu sou inadequada
Suposições Condicionais/Crenças/Regras
(+) Quando eu trabalho arduamente, eu posso fazer as coisas bem.
( - ) Se eu não faço bem as coisas, então falhei

Estratégia(s) Compensatória (s)


Desenvolver padrões altos/procurar falhas e corrigi-las/trabalhar arduamente/evitar pedir ajuda/preparar-se bem

Situação 1 Situação 2 Situação 3


Conversando com calouros sobre colocações Pensando sobre as exigências do curso Refletindo sobre dificuldade texto matematica

Pensamento Automático Pensamento Automático Pensamento Automático


Todos são mais inteligentes que eu Eu não serei capaz de fazer isso (ensaio de pesq) Eu não serei capaz de terminar o curso

Significado do P.A. Significado do P.A. Significado do P.A.


Eu sou incapaz Eu sou incapaz Eu sou inadequada
Emoção Emoção Emoção
tristeza tristeza tristeza
Comportamento Comportamento Comportamento 126
Foi embora chorou Fechou o livro; parou de estudar
Teoria e Terapia Cognitiva

Terapia Cognitiva

Estrutura da Avaliação Inicial – Conceituação Cognitiva

1. Confiança e Rapport – atenção aos problemas que o paciente apresenta; funcionamento


atual, sintomas e história
2. Socializar o paciente na terapia cognitiva
3. Conscientizar o paciente sobre o seu transtorno; educa-lo
sobre o modelo cognitivo
4. Regularizar as dificuldades do paciente e instaurar a esperança
5. Extrair (e corrigir, caso necessário) as expectativas do paciente
com a terapia.
6. Coletar informações adicionais sobre as dificuldades do
paciente.
7. Utilizar essas informações para desenvolver uma lista de metas
127
Teoria e Terapia Cognitiva

Terapia Cognitiva
Estrutura da Sessão Inicial

1- Avaliação inicial –
1. Estabelecer a agenda
2. Fazer uma checagem do humor, incluindo escores objetivos
3. Revisar brevemente o problema presente e obter uma
atualização (desde a avaliação)
4. Identificar problemas e estabelecer metas
5. Estabelecer uma tarefa de casa
6. Oferecer resumo e feedback

128
Teoria e Terapia Cognitiva

Terapia Cognitiva

Estrutura da 2a Sessão em diante:

1. Breve atualização e verificação do humor


2. Ponte com a sessão anterior
3. Estabelecer objetivos/roteiro
4. Revisar tarefa de casa
5. Discussão de tópicos do roteiro, estabelecimento de nova
tarefa e resumos periódicos.
6. Resumo final e feedback

129
Teoria e Terapia Cognitiva

Técnicas cognitivas

1. Registros de Pensamentos Automáticos


2. Questionamento socrático
3. Seta descendente
4. Role-play racional-emocional
5. Ressignificação
6. Psicoeducação

130
Teoria e Terapia Cognitiva

131
TEORIA E TERAPIA COMPORTAMENTAL

• Tânia Houck
• Neide Zanelatto