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A TRADIÇÃO EMPIRISTA:

A EXPERIÊNCIA COMO GUIA

Prof. Me. Cleison Guimarães

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O EMPIRISMO
• O “empirismo” significa uma posição filosófica que toma a experiência como guia e
critério de validade de suas afirmações.

• Um saber derivado dos dados acumulados com base nessa experiência,
permitindo a realização de fins práticos.

• “Nada está no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos.” - todo
conhecimento resulta de uma base empírica, de percepções.

• Os empiristas rejeitam portanto a noção de ideias inatas ou de um conhecimento


anterior à experiência ou independente desta.
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O EMPIRISMO
• O empirismo constituiu-se a partir do séc. XVI – juntamente com o racionalismo (Descartes) – como
uma das principais correntes formadoras do pensamento moderno em sua fase inicial (até fins do séc.
XVIII).

• Essa corrente desenvolveu-se sobretudo na Inglaterra e entre filósofos de língua inglesa. Talvez o
desenvolvimento econômico desse país a partir de fins do séc. XVI, sua intensa atividade comercial, a
importância de uma classe burguesa já bastante influente política e economicamente e uma situação
política em que a monarquia absolutista dá lugar ao crescente papel do Parlamento possam explicar
esses fatores.

• A ciência experimental teve um grande desenvolvimento nesse período na Inglaterra. William Gilbert
(1540-1603), que estudou o magnetismo, William Harvey (1587-1657), que descreveu o sistema
circulatório, Robert Boy le (1627-91), físico e químico estudioso da mecânica dos gases, Robert Hooke
(1635-1703), físico inventor da bomba a vácuo, e sobretudo Isaac Newton (1642-1727), o físico mais
importante da época moderna.

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BACON E O MÉTODO
EXPERIMENTAL

• Francis Bacon (1561 – 1626) defende o


método experimental contra a ciência
teórica e especulativa clássica a favor
da concepção de método científico que
valoriza a experiência e a
experimentação.

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BACON E O MÉTODO
EXPERIMENTAL
• Em suas obras ele critica a concepção dedutiva
de ciência e defende a ideia do progresso da
ciência e da técnica.

• A concepção de Bacon pode ser resumida:


I. sua concepção de pensamento crítico,
contida na teoria dos ídolos;
II. sua defesa do método indutivo no
conhecimento científico e de um modelo de
ciência anti-especulativo e integrado com a
técnica.
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BACON E O MÉTODO
EXPERIMENTAL
• A filosofia de Bacon caracteriza-se por uma ruptura com à tradição medieval.
A preocupação fundamental de Bacon é com a formulação de um método que
evite o erro e coloque o homem no caminho do conhecimento correto.

• O foco no pensamento crítico seria a tarefa da filosofia enquanto a libertação


do homem de preconceitos, ilusões e superstições.

• É nesse contexto que encontramos sua teoria dos ídolos - os ídolos são ilusões
ou distorções que bloqueiam a mente humana, impedindo o verdadeiro
conhecimento. Os ídolos podem ser de quatro tipos: ídolos da tribo, ídolos da
caverna, ídolos do foro e ídolos do teatro.
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BACON E O MÉTODO
EXPERIMENTAL
• Os ídolos da tribo formam a própria natureza humana, onde o homem por natureza não tem
nenhuma relação com o universo - o homem não é um microcosmo que reflete em si as
características do macrocosmo.

• Os ídolos da caverna são consequência das características individuais de cada homem, de sua
constituição física e mental, das influências que sofre de seu meio.

• Os ídolos do foro (ou do mercado) são resultado das relações entre os homens, da comunicação e do
discurso, fazendo os homens serem arrastados a inúmeras e inúteis controvérsias e fantasias.

• Os ídolos do teatro são derivados das doutrinas filosóficas e científicas antigas e novas

• Bacon rompe com a concepção clássica e renascentista que dá ao homem um lugar privilegiado no
mundo em função de sua própria natureza e aponta para o que será uma das questões centrais do
pensamento moderno: os limites da natureza humana no processo de conhecimento do real. 7
BACON E O MÉTODO
EXPERIMENTAL
• Bacon propõe um modelo para a nova ciência. O homem deve despir-se
de seus preconceitos, tornando-se “uma criança diante da natureza.

• O novo método científico é a indução - com base em observações,


permite o conhecimento do funcionamento da natureza e, observando
a regularidade entre os fenômenos e estabelecendo relações entre
eles, permite formular leis científicas que são generalizações indutivas.

• Uma ciência aplicada, que interage com a técnica e nos possibilita o


controle da natureza para o benefício do homem - o progresso.
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A TEORIA DAS IDEIAS DE LOCKE E A CRÍTICA
AO INATISMO
• John Locke (1632-1704).

• Locke vê a filosofia como uma tarefa crítica e preparatória para a construção da ciência.

• Locke desenvolve um modelo empirista, antiespeculativo e antimetafísico de


conhecimento.

• Todas as nossas representações do real são derivadas de percepções sensíveis, não


havendo outra fonte para o conhecimento. Não existem ideias inatas, o conhecimento
não é inato, mas resulta da maneira como elaboramos os dados que nos vêm da
sensibilidade por meio da experiência.

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A TEORIA DAS IDEIAS DE LOCKE E A CRÍTICA
AO INATISMO
• A mente é uma “folha em branco” - a tabula rasa - na
qual a experiência deixa as suas marcas.

• As ideias representam as coisas em nossa mente: “Os


objetos externos fornecem à mente as ideias das
qualidades sensíveis, que são as diferentes percepções
que produzem em nós, e a mente fornece ao
entendimento as ideias de suas próprias operações.”

• Outra fonte de conhecimento é por meio da reflexão,


quando examinamos o funcionamento da própria mente
ao produzir ideias. Através de uma mente que processe
os dados da sensibilidade: “As operações de nossas
mentes consistem na outra fonte de ideias. A outra fonte
pela qual a experiência supre o entendimento com
ideias é a percepção das operações de nossa própria 11
mente, que se ocupa das ideias que já lhe pertencem.”
A TEORIA DAS IDEIAS DE LOCKE E A CRÍTICA
AO INATISMO

• As qualidades primárias – como forma, extensão, volume seriam


propriedades dos próprios objetos, ao passo que cor, odor, textura
seriam resultado da maneira como percebemos esses objetos.

• As qualidades secundárias - são características dos objetos,


resultantes do modo como os corpúsculos que os compõem se
organizam neles, afetando-nos sensorialmente de uma determinada
maneira.

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A TEORIA DAS IDEIAS DE LOCKE E A CRÍTICA
AO INATISMO

• Locke afirma que não podemos conhecer as coisas em sua essência,


portanto, ao olharmos o mundo natural temos apenas crenças ou
opiniões, mas não conhecimento verdadeiro.

• O conhecimento demonstrativo é aquele derivado de nossa


percepção da relação entre nossas ideias, ou seja, da observação do
modo de operar da mente frente ao mundo natural.

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A TEORIA DAS IDEIAS DE LOCKE E A CRÍTICA
AO INATISMO
• SEMÂNTICA IDEACIONAL

• Segundo Locke as ideias são signos mentais das coisas, as palavras são signos das ideias.

• O significado das palavras é a ideia correspondente a elas em nossa mente, e é por meio das ideias
que as palavras se referem às coisas.

• Quando falamos, nossas palavras evocam na mente do ouvinte uma ideia equivalente à ideia que
temos em nossa mente ao proferirmos as palavras, e é dessa forma que nos comunicamos e nos
fazemos entender.

• A linguagem é assim expressão de um pensamento constituído anteriormente à linguagem e


independentemente dela.

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O CETICISMO DE HUME
• David Hume (1711-76) assumiu uma posição filosófica cética e radicalmente
empirista.

• O ponto de partida de Hume é a tese segundo a qual nossas ideias sobre o real se
originam de nossa experiência sensível. A percepção é considerada como critério de
validade dessas ideias, quanto mais próximas da percepção que as originou, mais
nítidas e fortes são, ao passo que, quanto mais abstratas e remotas, menos nítidas se
tornam, empalidecendo e perdendo sua força.

• MECÂNICA MENTAL - A observação são o modo de operar de nossa mente – através


de associações entre ideias. As percepções os átomos e as associações as forças que
os unem ou separam.
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O CETICISMO DE HUME

• Segundo Hume, as ideias são sempre de natureza particular; é apenas


ao associá-las a palavras que produzimos o efeito de generalidade,
podendo assim fazer referência a inúmeras coisas particulares que
tenham natureza semelhante. O universal resulta assim desse
processo de associação e da força de nosso hábito ou costume.

• Hume irá questionar e refletir sobre dois aspectos filosóficos


importantes: a causalidade e a identidade pessoal.

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O CETICISMO DE HUME
• A noção de causalidade é a crença na existência de um
princípio causal que relaciona os fenômenos naturais, ou seja,
uma lei universal, explicando a própria racionalidade do real
em termos da relação causa-efeito produzindo um nexo, um
elo causal entre tudo o que acontece.

• Hume questiona o princípio causal. Ao observarmos o


movimento das bolas de bilhar em uma mesa, tudo o que
vemos é o impacto do taco sobre a primeira bola e, depois, o
impacto da primeira sobre a segunda, mas a causalidade não
pode ser observada.

• A experiência nos revela é uma conjunção constante entre


fenômenos e não uma conexão necessária que chamamos de
causalidade.
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O CETICISMO DE HUME
• Para Hume, a causalidade resulta apenas de
uma regularidade ou repetição em nossa
experiência de uma conjunção constante
entre fenômenos que, por força do hábito,
acabamos por projetar na realidade.

• A causalidade é uma forma de perceber o


real, uma ideia derivada da reflexão sobre
as operações de nossa própria mente, e não
uma conexão necessária entre causa e
efeito.

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O CETICISMO DE HUME
• A crítica à identidade pessoal segue a linha da
crítica a causalidade.

• Hume questiona o modelo cartesiano de mente


como substância pensante indicando que não
podemos ter nenhuma representação de nossa
mente independente de nossa experiência.

• Para Hume, jamais posso apreender a mim


mesmo sem algum tipo de percepção. O “eu”
nada mais é do que um feixe de percepções que
temos em um determinado momento e que
varia na medida em que essas percepções
variam. 20
O CETICISMO DE HUME
• Não somos agora o mesmo que fomos
algum tempo atrás, nem o mesmo que
seremos dentro em pouco, pois a cada
momento novas percepções são
acrescentadas ao feixe, e outras
empalidecem ou desaparecem.

• Tudo o que temos é força do hábito, do


costume, da memória e é apenas isso
que assegura a continuidade do que
consideramos o “eu”.
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O CETICISMO DE HUME

• Para Hume todo nosso conhecimento provém de impressões sensíveis


e da reflexão sobre nossas ideias, se essas impressões e ideias são
assim sempre variáveis, se a causalidade e a identidade do eu
resultam apenas de regularidade, repetição, costume e hábito, então,
em consequência, jamais temos um conhecimento certo e definitivo;
toda a ciência é apenas resultado da indução, e o único critério de
certeza que podemos ter é a probabilidade.

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O CETICISMO DE HUME

• Nosso conhecimento pode ser fundamentado, justificados ou


legitimados por nenhum princípio ou argumento racional.

• A maneira pela qual conhecemos e pela qual agimos no real depende


apenas de nossa natureza, de nossos costumes e de nossos hábitos.

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