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CONTRA A CENSURA, PELA

CULTURA:
A FORMAÇÃO DA RESISTÊNCIA CULTURAL NA
DITADURA MILITAR BRASILEIRA

Projeto de pesquisa - Unespar/Curitiba


I/Embap
Docente: Miliandre Garcia
O TEMA
• O tema da resistência cultural na ditadura militar brasileira surgiu no
desenvolvimento da tese de doutorado defendida na UFRJ em 2008.
• Em virtude do problema desenvolvido na tese, bem como em função da
quantidade de fontes sobre censura, não houve um desenvolvimento mais
sistemático.
• Entre a defesa do doutorado até atualmente, pesquisei outras coisas: as
políticas culturais do Serviço Nacional de Teatro (SNT) num pós-doutorado na
USP e as linguagens artísticas dos musicais num pós-doutorado na UFF.
• Só recentemente decidi sistematizá-lo em projeto de pesquisa.
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DO FENÔMENO AO
CONCEITO
• CONTROVÉRSIAS: Historiografia (conceito) e historiografia brasileira (resistência x cooptação)
• CONSENSO: Origem do termo ligado à oposição às forças nazifascistas na IIGM e características centrais
como reação, defesa, oposição, espontânea-voluntária, ativa-passiva (Bobbio)
• TIPOLOGIAS ATUAIS: anteriormente era muito concentrada nos movimentos militarizados, hoje procura
abarcar outras práticas e sujeitos (mulheres, judeus, intelectuais, artistas etc.)
• ENCRUZILHADA: restringir o conceito diferenciando de oposição e dissidência ou ampliá-lo correndo o
risco de dilui-lo completamente (Rollemberg)
• AMPLIAÇÃO CONCEITUAL: "fenômeno social, cultural total, geralmente político, possivelmente militar
e como um processo espalhado ao longo do tempo, que assume diferentes aspectos, dependendo da região e
do meio ambiente" (Guillon)
• PROJETO DE PESQUISA: considera a discussão conceitual buscando assimilar outras formas de
resistência, mas entende que ele não é suficiente para considerar as experiências latino-americanas e sua
relação mais próxima com países com histórico similares de colonização, subdesenvolvimento
COMO “POSSIBILIDADE CONCRETA”

• DEBATE CONCEITUAL sobre as questões de fronteira que envolvem o


tema da resistência: ética/estética, política/arte, razão/intuição,
subjetivo/objetivo, potências da práxis/potências cognitivas (Bosi)
• TIPOLOGIAS: comunistas, contracultura, nova esquerda (Napolitano)
• ENGAJAMENTO: da forma, não só do conteúdo (Bentley)
• CORAGEM CIVIL: como iniciativas individuais podem ser analisadas
como atos de resistência (Heuer)
• RADICALISMOS: importância das ações radicais/reformistas, não só
das revolucionárias (Antonio Cândido)
ESTUDOS DE CASO
• MANIFESTAÇÕES PÚBLICAS, ATOS DE PROTESTO: "Contra a
censura, pela cultura", greves de teatro, entre outros
• FEIRAS, EXPOSIÇÕES: I Feira Paulista de Opinião, desobediência civil
• LUTA NA JUSTIÇA: Musical Calabar
• CONTRADIÇÕES DO SISTEMA: Peça teatral Patética, instituições
culturais, políticas culturais
• "MÃO INVISÍVEL": organização da categoria em entidades de
representação, fé na estruturação do mercado como alternativa ao
"dirigismo cultural" via políticas culturais
OUTRAS POSSIBILIDADES
ARTES VISUAIS
• ARTISTAS: Cildo Meireles, Mário Pedrosa, Rogério Duarte (capas e cartazes), Flávio
império (pinturas, cenografias), Sérgio Ferro, Carlos Zílio, Cláudio Tozzi, Antonio Dias,
Renato da Silveira (cartazes, gravuras), Antonio Benetazzo, Sérgio Sister, Lincoln Volpini
Spolaor (apreensão da obra no IV Salão Global, 1976), Hélio Oiticica, Rubens Gerchman,
José Roberto Aguilar, Nelson Leirner, Newton Cavalcanti e Fernando Campos (curta-
metragem Grotesco e Arabesco, 6 meses retido, gravuras "imorais"), Juarez Paraíso e Genaro
Antonio Dantas de Carvalho (Bahia), Reginaldo Estêves (Recife), Antonio Manuel, Thereza
Simões, Lênio Braga, Manuel Henrique, Farnese de Andrade (premiados/participantes da II
Bienal da Bahia), Quirino Campofiorito, João Batista Vilanova Artigas (arquiteto), Abelardo
Zaluar, Lina Bo Bardi (projeto arquitetônico do Teatro Oficina), Hélio Eichbauer (cenografia,
figurinos), Carlos Vergara, Humberto Espíndola, Luiz Rodolpho, entre outros.
OUTRAS POSSIBILIDADES
ARTES VISUAIS
• PÚBLICAS, ATOS DE PROTESTO: graffites ("Abaixo a ditadura", "Viva a
guerrilha do Pará - 73"), Semana do Protesto contra a Censura (1968)
• IMPRENSA ALTERNATIVA: Pasquim, Opinião
• MOVIMENTOS/FORMAÇÕES: Cinema Novo, contracultura, Tropicália
• FEIRAS/EXPOSIÇÕES: Opinião 65 (RJ), Propostas 65 (SP), Feira Latino-
americana de Opinião (NY), Nova Objetividade Brasileira (MAM, 1967)
• INSTITUIÇÕES CULTURAIS, UNIVERSIDADES: Faap (Propostas 65),
Associação Brasileira de Críticos de Arte do Rio de Janeiro (ABCA/RJ)
OUTRAS POSSIBILIDADES
ARTES VISUAIS
• GOVERNO E SOCIEDADE: Juvêncio Façanha/DPF, DCDP, Departamento
Cultural do MRE, CCC
• MANIFESTOS, ABAIXO-ASSINADOS, CARTAS DE REPÚDIO: Dossiê Non à
La Biennale de São Paulo (Paris, 1969), Dossiê Parcial da Repressão Cultural
(Brasil, 1969)
• REPRESSÃO: fechamento da Bienal da Bahia, do Salão de Belo Horizonte,
proibição da ida da delegação brasileira à VI Bienal de Paris, IV Salão Nacional de
Arte Moderna de Brasília,
• CRÍTICA DE ARTE, CURADORES: Pedro Dantas/Prudente de Morais Neto,
Clarival Prado Valladares (ambivalências), Ceres Franco (uma das organizadoras
do Opinião 65), Walter Zanini, Mario Barata, Mário Schenberg, Niomar Moniz
Sodré Bittencourt, entre outros.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• BÉDERIDA, François. L’histoire de la Résistance: lectures d’hier, chantiers de demain, Vingtième Siècle, Paris, n. 11, jul.-set.
1986.
• BENTLEY, Eric. O teatro engajado. Tradução de Yan Michalski. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1969.
• BOBBIO, Norbert; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, Gianfranco (orgs.). Dicionário de política. 5. ed. Brasília: Editora da
Universidade de Brasília, São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004.
• BOSI, Alfredo. Narrativa e resistência. In: Literatura e resistência. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 118-135.
• BOSI, Alfredo. O ser e o tempo da poesia. São Paulo: Cultrix, Edusp, 1977.
• CAPELATO, Maria Helena. O Estado Novo: o que trouxe de novo? In: FERREIRA, Jorge; Lucilia de Almeida Neves (orgs.). O
Brasil Republicano. O tempo do nacional-estatismo: do início da década de 1930 ao apogeu do Estado Novo. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2012. Vol. 2. p. 107-143.
• FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes: ensaio de interpretação sociológica. 5. ed. São Paulo:
Globo, 2008. Vol. 1.
• FICO, Carlos. Ditadura militar: prefácios, palestras & posts. Edição Kindle, 2020.
• FICO, Carlos. O golpe de 1964: momentos decisivos. Rio de Janeiro: FGV, 2014.
• GERTZ, René E. Estado Novo: um inventário Historiográfico. In: SILVA, José Luiz Werneck da (org.). O feixe e o prisma: uma
revisão do Estado Novo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991. p. 111-131.
• GOMES, Angela de Castro. Estado Novo: ambiguidades e heranças do autoritarismo no Brasil. In: ROLLEMBERG, Denise;
QUADRAT, Samantha (orgs.). A construção social dos regimes autoritários: legitimidade e consenso no século XX: Brasil e
América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010. Vol. 1. p. 35-70.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• KNACK, Diego. Ditadura e corrupção: a Comissão Geral de Investigações e o confisco de bens de acusados de enriquecimento
ilícito no Brasil (1968-1978). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2018.
• NAPOLITANO, Marcos. 1964: história do regime militar. São Paulo: Contexto, 2014.
• NAPOLITANO, Marcos. Coração civil: a vida cultural brasileira sob o regime militar (1964-1985) – ensaio histórico. São Paulo:
Intermeios; USP – Programa de Pós-Graduação em História Social, 2017.
• NAPOLITANO, Marcos. Coração civil: arte, resistência e lutas culturais durante o regime militar brasileiro (1964-1980). 2011.
Tese (Livre-docência em História) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo,
2011. 374 f.REIS, Daniel Aarão. Ditadura militar, esquerdas e sociedade. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2000.
• RIDENTI, Marcelo. Em busca do povo brasileiro: artistas da revolução, do CPC à era da TV. Rio de Janeiro: Record, 2000.
• ROLLEMBERG, Denise. Resistência: memória da ocupação nazista na França e na Itália. São Paulo: Alameda, 2016.
• SARTRE, Jean-Paul. Conferência de Jean-Paul Sartre – Universidade Mackenzie – 1960. Trad. Maria Porto. p. 7-32.
• SARTRE, Jean-Paul. Entre quatro paredes. São Paulo: Abril, 1977.
• SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. In: Sartre. Tradução de Vergílio Ferreira. São Paulo: Abril Cultural,
1978. Coleção os Pensadores. p. 3-32.
• SARTRE, Jean-Paul. Que é literatura? Trad. Carlos Felipe Moisés. São Paulo: Ática, 1989.
• SCHOROEDER, Caroline Saut. As artes visuais sob vigilância: censura e repressão nos anos de ditadura. Modos Revista de
História da Arte, v. 3, n. 3, p. 45-59, set./dez. 2019.
• SÉMELIN, Jacques. Qu’est-ce que résister? Esprit, Paris, n. 198, jan. 1994.
• SLEMIAN, Andréa; PIMENTA, João Paulo G. O “nascimento político” do Brasil: as origens do Estado e da nação (1808-1825).

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