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Avaliação da validade de

argumentos
• Um argumento é válido se a conclusão for uma
consequência lógica das premissas.

• Um argumento é válido quando é impossível ter as


premissas todas verdadeiras e a conclusão falsa, ou, por outras
palavras, se um argumento é válido, então
não existe qualquer possibilidade ou circunstância (linha)
em que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão
falsa.

• Avaliamos a validade dos argumentos com recurso ao


inspetor de circunstâncias ou tabelas de validade.
Inspetores de Circunstância
As tabelas de verdade são diagramas lógicos que listam todas as possíveis combinações de
valores de verdade para cada variável proposicional (p, q, r, ) presente numa determinada
fórmula proposicional
e que nos mostram, além disso, se essas fórmulas proposicionais são verdadeiras ou falsas em
cada uma das possíveis combinações de valores de verdade.

Os inspetores de circunstâncias são também tabelas que nos permitem detetar a validade dos
argumentos.
Inspetor de circunstâncias (ou tabelas de validade)
• Inspetor de circunstâncias:

consiste num dispositivo gráfico com uma sequência de tabelas de verdade que mostra o valor de
verdade de cada premissa e da conclusão em todas as circunstâncias possíveis (ou, por outras
palavras, em todas as possíveis combinações de valores de verdade).

• Se existir pelo menos uma circunstância em que todas as


premissas são verdadeiras e a conclusão é falsa, então o
argumento é inválido. Caso contrário, o argumento é válido.

Exemplo da avaliação da validade de um argumento:

• Se Deus existe, não há mal no mundo. Mas há mal no mundo.


Logo, Deus não existe.
Inspetor de circunstâncias (ou tabelas de validade)
• Representação canónica:
1. Se Deus existe, então não há mal no mundo (premissa)
2. Há mal no mundo. (premissa)
3. Logo, Deus não existe. (conclusão)

• Dicionário:
p = “Deus existe”.
q = “Há mal no mundo”.

• Formalização:
 (p → ¬q)
.q
. ∴ ¬p
(p →¬q), q ∴ ¬p
p q (p →¬q), q ∴ ¬p
V V F V F

V F V F F

F V V V V

F F V F V
Será o argumento válido?

Sim, o argumento é válido pois não há qualquer circunstância em


que as premissas sejam todas verdadeiras e a conclusão falsa.
Inspetores de Dicionário /
Argumento Formalização
circunstâncias Interpretação

Se sou português,
P: Sou português. P→Q
Num inspetor de então sou conhecedor
Q: Sou conhecedor de P
circunstâncias, um de Camões.
Camões. Q
argumento válido será Sou português.
aquele no qual não existe Logo, sou conhecedor
nenhuma circunstância / de Camões.
linha que torne todas as
premissas verdadeiras e a
conclusão falsa.

Premissa 1 Premissa 2 Conclusão

P Q P → Q, P Q A primeira linha exprime a


única circunstância em que
ambas as premissas são
V V V V V verdadeiras. Ora, dado que tal
V F F V F circunstância também torna a
F V V F V conclusão verdadeira, o
argumento é considerado
F F V F F válido.
Dicionário /
Argumento Formalização
Interpretação
Atenção
Se corro, então sinto-
P→Q
me bem. P: Corro.
Q
Sinto-me bem. Q: Sinto-me bem.
P
Logo, corro.

Premissa 1 Premissa 2 Conclusão

A primeira e a terceira linhas


exprimem as únicas
P Q P → Q, Q P circunstâncias em que ambas as
premissas são verdadeiras.
Contudo, se na primeira linha a
V V V V V
circunstância torna a conclusão
V F F F V verdadeira, já na terceira linha
F V V V F a circunstância em causa torna
F F V F F a conclusão falsa. O argumento
é, por isso, inválido.
Argumento Interpretação Formalização

Se leio, aumento a minha


P: Leio.
inteligência.
Q: Aumento a minha P→Q
Se aumento a minha inteligência,
inteligência. Q→R
aumento a minha autoestima.
R: Aumento a minha  P→ R
Logo, se leio, aumento
autoestima.
a minha autoestima.

Premissa 1 Premissa 2 Conclusão

P Q R P → Q, Q → R  P→ R

V V V V V V
Estamos perante um
V V F V F F argumento válido, pois nas
V F V F V V circunstâncias em que ambas as
V F F F V F premissas são verdadeiras, a
conclusão também o é.
F V V V V V
F V F V F V
F F V V V V
F F F V V V
Exemplo Formalização
Algumas Modus ponens:
formas de
Se está sol, então vou à praia. P→Q
inferência afirmação do antecedente na
Está sol. P
válida segunda premissa e do
Logo, vou à praia. Q
consequente na conclusão.

Exemplo Formalização
Modus tollens:
Se está sol, então vou à praia. P→Q
negação do consequente na Não vou à praia. Q
segunda premissa e do antecedente Logo, não está sol.  P
na conclusão.

Exemplo Formalização

Se Deus existe, então o mundo é finito. P→Q


Logo, se o mundo não é finito, então  Q →  P
Deus não existe.
Contraposição
Exemplo Formalização
Se o mundo não é finito, então Deus
não existe. Q→P
Logo, se Deus existe, então o mundo é P → Q
finito.
Exemplo Formalização

Canto ou assobio. P Q
Não canto. P
Silogismo disjuntivo Logo, assobio. Q
(disjunção inclusiva) ou modus
tollendo ponens Exemplo Formalização

Canto ou assobio. P Q
Não assobio. Q
Logo, canto. P

Exemplo Formalização

Se viajar, então aprendo novas coisas.


Silogismo hipotético Se aprendo novas coisas, então torno- P→ Q
me melhor pessoa. Q→R
Logo, se viajar, então torno-me melhor P → R
pessoa.
Exemplo Formalização

Não é verdade que fumo e que tenho


 (P  Q)
saúde.
 P   Q
Logo, não fumo ou não tenho saúde.
Negação da
Leis de De Morgan: conjunção Exemplo Formalização
indicam-nos que de
uma conjunção Não fumo ou não tenho saúde.
negativa podemos PQ
Logo, não é verdade que fumo e que
 (P  Q)
inferir uma disjunção tenho saúde..
de negações, e
que de uma disjunção Exemplo Formalização
negativa podemos
inferir uma Não é verdade que há sol ou chuva.  (P  Q)
conjunção de Logo, não há sol e não há chuva.  P   Q
negações. Negação da
disjunção Exemplo Formalização

Não há sol e não há chuva.


PQ
Logo, não é verdade que há sol ou
  (P  Q)
chuva.
Formas argumentativas inválidas

Exemplo Formalização

Falácia da
afirmação do Se és meu amigo, então dizes-me sempre a verdade. P→ Q
consequente Dizes-me sempre a verdade. Q
Logo, és meu amigo. P

Comete-se quando, a partir de uma proposição condicional, se afirma o consequente na


segunda premissa, concluindo-se com a afirmação do antecedente.

Exemplo Formalização

Falácia da
negação do Se és meu amigo, então dizes-me sempre a verdade. P→ Q
antecedente Não és meu amigo. P
Logo, não me dizes sempre a verdade. Q

Comete-se quando, a partir de uma proposição condicional, se nega o antecedente na


segunda premissa, concluindo-se com a negação do consequente.
Variáveis de fórmula

Representam qualquer tipo de proposição (simples ou complexas). Usam-se


as letras iniciais do alfabeto: A, B, C, etc.

P: Tenho Exemplo 1 Formalização


livros.
Q: Estudo. Se tenho livros, então estudo. P→Q
R: Sou feliz. Não estudo. Q
Logo, não tenho livros.  P

Exemplo 2 Formalização

Se tenho livros, então estudo e sou feliz. P → (Q  R)


Não é verdade que estudo e que sou feliz.  (Q  R)
Logo, não tenho livros.  P

Exemplo 2 Formalização

Se tenho livros, então estudo e sou feliz. A→B


Não é verdade que estudo e que sou feliz. B
Logo, não tenho livros.  A
Modus ponens Modus tollens
A→ B A→B
A B
B  A
Silogismo disjuntivo Silogismo hipotético
AB AB A→B
A B B→C
B A A → C
FORMAS DE
INFERÊNCIA
Contraposição Leis de De Morgan
VÁLIDA
A→ B B→A  (A  B)  A B
 B →  A A→B
  A   B   (A  B))
O
OU A→BB→A  (A  B)   A   B
U

Nota: o símbolo  significa, no presente  (A  B)  A B


  A   B   (A  B)
contexto, que tanto se pode inferir validamente
num como noutro sentido. O
 (A  B)   A   B
U
Afirmação do consequente Negação do antecedente
FORMAS A→ B A→B
FALACIOSAS B A
A B
Tautologias e formas de inferência válida

Condicional Passagem das


ou implicação material premissas à conclusão

P Q [(P → Q)  P] → Q
V V V
V V
F F V
V F
F V
V F V
F F
V F V

Uma forma de inferência dedutiva é válida se, e somente se, a fórmula


proposicional (implicativa) que lhe corresponde for uma tautologia.
Avaliação de Fórmulas
Proposicionais
Tautologias ou verdades lógicas

Fórmulas proposicionais que são sempre verdadeiras, qualquer que


seja o valor de verdade das proposições simples que as constituem.

Exemplo Forma lógica

Se acendo e apago a luz,


(P  Q) → P
então acendo a luz.

P Q (P  Q) → P
V V V V
V F F V
F V F V
F F F V
Contradições ou falsidades lógicas

Fórmulas proposicionais que são sempre falsas, independentemente do


valor de verdade das proposições simples que as compõem.

Exemplo Forma lógica

Não penso ou não sonho se, e


( P   Q) ↔ (P  Q)
só se, penso e sonho.

P Q ( P   Q) ↔ (P  Q)

V V F F F F V
V F F V V F F
F V V V F F F
F F V V V F F
Contingências ou proposições indeterminadas

Fórmulas proposicionais que tanto podem ser verdadeiras como falsas,


consoante os valores lógicos das proposições simples que as compõem.

Exemplo Forma lógica

Se passeio ou corro, então


(P  Q) → R
mantenho a saúde.

P Q R (P  Q) → R

V V V V V
V F V V V
F V V V V
F F V F V
V V F V F
V F F V F
F V F V F
F F F F V
Avaliação das • As fórmulas proposicionais podem ser classifcadas como
fórmulas tautológicas, contraditórias, ou contingentes.
proposicionais • Tautologia (ou verdade lógica): quando a fórmula
proposicional tem o valor “V” em todas as possíveis
Tautologia, combinações de valores de verdade.
Contradição, e • contradição (falsidade lógica): quando a fórmula
Contingência proposicional tem o valor “F” em todas as possíveis
combinações de valores de verdade.
• Contingência: caso a fórmula proposicional tenha o valor

síntese “V” nalgumas circunstâncias e o valor “F” nas outras


circunstâncias.
Equivalências lógicas

Duas proposições são logicamente equivalentes se apresentarem as mesmas


condições de verdade: quando uma for verdadeira, a outra também o será e,
quando uma for falsa, a outra sê-lo-á também. Tal significa que a sua
bicondicional constitui uma verdade lógica ou uma tautologia.

Bicondicional ou
Equivalência lógica
equivalência material

Pode ser verdadeira ou falsa. É sempre verdadeira.


Exemplo: P Q P↔Q As duas proposições
complexas são
Trabalho se, e só se, tenho saúde.
V V V equivalentes, pois
apresentam as mesmas
Forma lógica
V F F condições de verdade:
F V F têm o mesmo valor de
P↔Q F F V verdade em qualquer
circunstância.

Exemplo: P Q (P → Q)  (Q → P)
Se trabalho, então tenho saúde e,
se tenho saúde, então trabalho. V V V V V
Forma lógica
V F F F V
F V V F F
(P → Q)  (Q → P) F F V V V
P Q (P ↔ Q) ↔ [(P → Q)  (Q → P)]

V V V V V V V
V F F V F F V
F V F V V F F
F F V V V V V

Tautologia

P ↔ Q  (P → Q)  (Q → P) ALGUMAS EQUIVALÊNCIAS
LÓGICAS

Símbolo de
P → Q   (P   Q)
equivalência P→QPQ
lógica P  Q   ( P   Q)
P  Q   ( P   Q)
PP
P↔QQ↔P

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