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Universidade Zambeze

Faculdade de Ciências de Saúde-Tete


 Curso de Licenciatura em Nutrição
Cadeira de Bromatologia
2º Ano 
8o Grupo
Tema: Capacitação
Trabalho de pesquisa por
apresentar à disciplina de
Epidemiologia, como requisito
parcial de avaliação.
   
 
Tete, 2021
DISCENTES:
ANA PAULA AFONSO
CARLOS MORRA
IVONE JOSÉ DOS SANTOS MANTEIGA
MARIA DA CONCEIÇÃO AMÉRICO ARMANDO SOARES
MIAMI AGOSTINHO TSAMBA
MARINO JOÃO JOAQUIM SOZINHO
ODETE VASCO MARIANO MUGUERRIMA
ROGÉRIA MARIA DA CONCEIÇÃO LAISSE
MARINO JOÃO JOAQUIM SOZINHO
1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho de pesquisa tem como objectivo abordar acerca da capacitação,
incluindo a conscientização e responsabilidade, o programa de capacitação, a instrução
e a supervisão até a capacitação para actualização de conhecimentos. A fim de
incrementar os conhecimentos sobre a cadeira de Bromatologia, constante no plano
curricular do do curso de licenciatura em nutrição.

Nos dias de hoje, segundo Ferreira e Kurcgant (2009) APUD Liotto (2016), é fundamental
para as organizações capacitar os trabalhadores, por meio de uma educação reflexiva e
participativa, impulsionada por pressões sociais, como elevação da escolaridade,
crescente aumento do nível de informação das pessoas e inovações tecnológicas, bem
como motivação e expectativa das pessoas para participação nas decisões, nos
resultados e no futuro da empresa. Por mais capacitados que sejam os trabalhadores,
suas competências podem entrar em processo de obsolescência se não foram
constantemente atualizadas (Bitencourt, 2010 apud Liotto, 2016).
2. CAPACITAÇÃO

Capacitação: é um processo permanente e deliberado de aprendizagem, com o propósito de

contribuir para o desenvolvimento de competências institucionais por meio do desenvolvimento de

competências individuais. Essa visão ampliada do treinamento, aqui chamada de capacitação, é

definida em quatro elementos principais (Rosenberg, 2001 citado por Vargas; ABBAD, 2006 apud

Marcelino, 2015):

A intenção de melhorar o desempenho do profissional, derivada de um levantamento de

necessidades, e refletida nos objetivos instrucionais (de ensino-aprendizagem).

O desenho, que reflete a estratégia de ensino que melhor se ajusta à aprendizagem, bem como as

estratégias de avaliação que indicam a eficácia do treinamento (ou capacitação).

Os meios pelos quais a instrução (conteúdo) é entregue, que podem incluir sala de aula, diversas

tecnologias, estudos independentes ou a combinação de diferentes abordagens.

A avaliação, com níveis de complexidade que podem variar desde situações muito simples até

outras bem complexas, das quais pode constar a exigência de certificação .


2.1. Conscientização e Responsabilidade
A educação deveria incluir valores, capacidades, conhecimentos, responsabilidades
e aspectos que promovam o progresso das relações éticas entre as pessoas, seres
vivos e a vida no planeta (Medeiros et al, 2011). No entanto, o problema do
descuido com o meio ambiente, é uma das questões sociais que tem deixado a
humanidade preocupada, por isso talvez, seja um dos fatores, mais importante, a
ser estudado nas escolas, porque tem a ver com o futuro da humanidade e com a
existência do planeta. (UNESCO, 2005, p. 44 apud Medeiros et al, 2011).

O ambiente escolar é um dos primeiros passos para a conscientização dos futuros


cidadãos para com o meio ambiente. A escola foi um dos primeiros espaços a
absorver esse processo de “ambientalização” da sociedade, recebendo a sua cota
de responsabilidade para melhorar a qualidade de vida da população, por meio
de informação e conscientização (Medeiros et al, 2011).
Para conscientizar um grupo, primeiro é preciso delimitar o que se quer e o que deseja
alcançar. Para que o interesse desperte no participante, é necessário que o facilitador
utilize a “bagagem de conhecimentos trazidos de casa” pelos participantes, como dizia
Freire (1987) apud Medeiros et al (2011), assim levando-o a perceber que o problema
ambiental esta mais perto de todos, do que se imagina.

Em seguida, explicar que os impactos ambientais existentes no mundo, atinge todos os seres
vivos. Pois o contexto social que cada indivíduo compõe deve ser por ele entendido, bem
como suas obrigações e responsabilidades.

O início do processo de conscientização, de que o meio ambiente solicita é o entendimento e


a reflexão de uma condição básica para a convivência humana. A Educação ambiental tem
muito a contribuir no sentido de construir relações e proporcionar intercâmbios entre as
diversas disciplinas. Este intercâmbio depende exclusivamente da vontade dos docentes
em participarem deste processo, e que esta vontade dificilmente acontece sem haver uma
orientação e um preparo .
CARLOS MORRA
Cont…
Os treinamentos e as atividades de conscientização buscam atender além dos requisitos da Lei,
a qual incumbe todas as instituições educativas de promover a educação ambiental,
promovendo a conscientização e o treinamento, no que se refere ao aumento da consciência
ambiental, cujo objetivo é promover a ampla consciência pública como parte indispensável
de um esforço mundial de ensino para reforçar atitudes, valores e medidas compatíveis com
o desenvolvimento sustentável (Pereira, 2005).

Os treinamentos de capacitação são divididos em três categorias (Pereira, 2005):


 Conscientização permanente: necessários à manutenção do Ambiente, com enfoque

informativo, conscientizador e motivador.


 Treinamentos operacionais: necessário para atendimento dos procedimentos operacionais

e formação de competências.
 Treinamento para facilitadores: capacitação para o pessoal que ministrará os
treinamentos.
Cont…

A conscientização é muito importante e isso tem a ver com a educação no sentido


mais amplo da palavra. (...) conhecimento em termos de consciência (...) A gente
só pode primeiro conhecer para depois aprender amar, principalmente, de respeitar o
ambiente (Medeiros et al, 2011). Para manutenção do ambiente, a comunidade (as
empresas, entidades, instituições publicas e privadas), que exercem actividades que
têm impacto directo sobre o ambiente, deve receber palestras de sensibilização, para
promover programas destinados a capacitação dos trabalhadores, visando a melhoria
e ao controlo efectivo sobre o ambiente de trabalho, bem como as repercussões do
processo produtivo no meio ambiente, as quais abordarão (Pereira, 2005):
 As funções e responsabilidades de cada um no processo, para atender a Política

Ambiental;
 Os aspectos e impactos ambientais resultantes das atividades, reais ou potenciais;
Cont…

 As penalidades e riscos, com as consequências do não-cumprimento dos

procedimentos especificados;
 Conhecimento com vistas a cumprir os objetivos e metas.

 Os benefícios resultantes, quando ocorrer um bom desempenho ambiental.

 Ampliação da conscientização e do senso de responsabilidade.

Assim, no âmbito da Educação Ambiental encarrega as organizações, públicas ou


privadas, a capacitarem seus profissionais sobre a temática ambiental,
propiciando que o desenvolvimento de suas atividades transcorra de uma
maneira mais consciente e sustentável (Pacheco e Pinto, 2017).

A necessidade de treinamentos operacionais, o público-alvo, conteúdos e


facilitadores, organizam e executam os treinamentos, assim a cada revisão do
procedimento ou nova contratação, haverá novos treinamentos.
Cont…
Os treinamentos operacionais podem ainda, serem solicitados formalmente pelos setores de
responsabilidade, quando houver a necessidade. Igualmente são considerados treinamentos
operacionais, os realizados por outros órgãos ou instituições, que garantam a competência
necessária, atendendo as exigências (Pereira, 2005).

Para manter o sistema e os treinamentos permanentes e operacionais, os profissionais


envolvidos com as atividades de treinamento e conscientização devem ser capacitados,
participando de pelo menos uma atualização ou aperfeiçoamento por ano na sua área de
atuação (Pereira, 2005).

Os acontecimentos ambientais negativos vão crescendo a cada dia e os


indivíduos, muitas vezes, como meros expectadores, assistem e faz de conta,
então, que nada está acontecendo e não depende dele também a mudança
para a melhoria desse problema que não é individual, mas sim, global.
IVONE JOSÉ DOS SANTOS MANTEIGA
Cont...

Fazer a parte atribuída ao homem da melhor maneira possível é responsabilidade,


principalmente em tentar mostrar aos outros que não nenhum ser vivo está
isolado e, ou melhor encontra – se acompanhados com ela e por ela, a mãe
natureza (Medeiros et al, 2011).

Além da importância da capacitação dentro do contexto legal, as instituições de


ensino superior têm um papel de destaque no desenvolvimento de uma
sociedade sustentável e justa. Contudo, para que isso possa acontecer, torna-se
indispensável que essas organizações comecem a incorporar os princípios e
práticas da sustentabilidade, para iniciar processos de conscientização em todos
os seus níveis, atingindo professores, funcionários e alunos (Tauchen; Brandli,
2006 Pacheco e Pinto, 2017).
2.2. Programa de Capacitação

As ações educacionais do Plano de Capacitação compõem um conjunto articulado


de atividades individuais e/ou grupais de ensino e aprendizagem, formação,
capacitação, treinamento e desenvolvimento de pessoas, com vistas à
socialização de conhecimentos, habilidades e atitudes consideradas primordiais
para o aperfeiçoamento e desenvolvimento do pessoal, bem como o
fortalecimento dos órgãos.

Programa de capacitação: é uma sequência de projetos de capacitação, realizada


linear ou concomitantemente, na qual os projetos são relacionados entre si,
possuem continuidade para alcançar o melhoramento sequencial, e são
coordenados de maneira articulada. Um programa de capacitação não tem,
necessariamente, caráter temporário (Marcelino, 2015).

O Programa de Capacitação é realizado em 4 etapas, nomeadamente:


Etapas do Programa de Capacitação
2.2.1. Levantamento das Necessidades de Capacitação
 O levantamento terá como objetivo identificar, no público-alvo do programa, as

competências essenciais para o desenvolvimento das atividades pelas quais são


responsáveis, na perspectiva do alcance dos objetivos e metas em que trabalha.
2.2.2. Plano de execução do Programa
 algumas questões podem ser elaboradas na etapa de programação de

treinamento, das quais devem ser o enfoque nesta etapa, as mesmas são
evidenciadas por Chiavenato (2008):
 O que deve ser ensinado?
 Quem deve aprender?
 Quando deve ser ensinado?
 Onde deve ser ensinado?
 Como se deve ensinar? e
 Quem deve ensinar?
Etapas do Programa de Capacitação

2.2.3. Implementação/ execução do Programa


Com a elaboração do programa, pode-se introduzir a terceira etapa do processo de
treinamento, denominada por Chiavenato de execução do programa, e nomeada
implementação do programa Bohlander, Sherman e Snell (2003) apud Bernardi
(2008). Para a consolidação desta etapa, o plano deve ter previsto os elementos:
 As ações propostas para atender às demandas identificadas pela fase de Levantamento

das Necessidades de Capacitação e Desenvolvimento de Competências.


 A identificação dos parceiros que contribuirão com a realização das ações;

 Especificação dos recursos destinados;

 A delimitação do público para cada ação proposta;

 Calendário para execução do Programa.


Etapas do Programa de Capacitação
2.2.4. Avaliação
Nesta fase procederá a avaliação dos resultados da capacitação segundo os seguintes critérios:

a) Avaliação do participante - os participantes serão avaliados de forma processual,


contínua e cumulativa. Ficará a critério do instrutor a escolha do método de avaliação
acordado com a Coordenação de Gestão de Pessoas. O instrutor atribuirá ao participante
um conceito, aprovado ou reprovado, à aprendizagem.

b) Avaliação de Reação - Serão avaliados pelos participantes, o conteúdo, a metodologia, a


atuação do instrutor e as condições oferecidas para a realização do curso, mediante a
aplicação de instrumento próprio, visando à melhoria do Programa de Capacitação.

c) Avaliação do Programa - Serão avaliados todos os aspectos favoráveis e desfavoráveis


em todas as etapas propostas para subsidiar a retroalimentação de futuros Programas de
Capacitação, assim como demais etapas descritas neste documento. Esta avaliação será
realizada pela Coordenação de Gestão de Pessoas.
ROGÉRIA MARIA DA CONCEIÇÃO LAISSE
  
2.3. Instrução e supervisão

2.3.1. Instrução

O termo instrução aparece frequentemente confinado às intervenções verbais do


professor relativas à transmissão de informação, às explicações, directivas, chamadas
de atenção, acompanhadas ou não de demonstração. Porém numa definição mais
ampla e mais compreensiva, a instrução é melhor entendida, não como uma acção
discreta, mas antes como um processo interactivo entre professores e alunos, ao
longo do tempo, em torno de um determinado conteúdo, num contexto social
concreto (Cohen, Raudenbush & Ball, 2003; Kansanen, 2003 apud Graça, 2006).

O processo instrucional tem como incumbência específica o desenvolvimento da


competência num determinado domínio de conteúdo, que se consubstancia na
apropriação de conhecimentos e habilidades e no desenvolvimento capacidades e
disposições ou atitudes relacionados com o conteúdo de instrução. a capacidade
instrucional de um programa diz respeito à capacidade de gerar aprendizagem e de
Modelos instrucionais
Os modelos instrucionais apresentam-se como propostas para a concepção e
organização dos propósitos educativos, da interacção pedagógica, da relação
didáctica professor-aluno-matéria. Metzler (2000) apud Graça (2006), enumera as
vantagens de o professor receber formação, adquirir conhecimento e desenvolver
competências na aplicação de modelos instrucionais:

Um modelo instrucional

1. Constrói-se em torno de uma ideia central para o ensino

2. Faculta um plano global coerente para o processo de instrução.

3. Clarifica as prioridades e as interacções entre os diferentes domínios de


aprendizagem

4. Permite que o professor e os alunos percebam a lógica do que está a acontecer e


do que virá a seguir.
cont…

5. apoia-se num quadro teórico consistente


6.apoia-se na investigação.

7.fornece uma linguagem técnica aos professores

8.permite tornar verificável a relação entre instrução e aprendizagem.

9.permite uma avaliação mais válida da aprendizagem.

10.facilita a tomada de decisão do professor dentro de uma estrutura de trabalho


conhecida.
 Melhores programas de ensino, mais precisas e detalhadas orientações curriculares, e

mais fundamentados e exequíveis modelos de instrução podem, porque é essa a sua


finalidade, contribuir decisivamente para a melhoria do ensino, mas não podem trazer
consigo a garantia do seu sucesso, tanto no que diz respeito aos efeitos pretendidos,
quanto à implementação dos conteúdos e processos estipulados.
ANA PAULA AFONSO
2.2.3.1 O professor
O primeiro e mais importante filtro que se coloca à viabilidade de qualquer modelo
instrucional é o professor, com as suas crenças sobre o que os alunos podem e devem
aprender, as suas concepções e preferências relacionadas com a matéria e a
pedagogia, a sua atitude profissional, o seu conhecimento e a sua capacidade
didáctica. Enquanto mediador entre os materiais curriculares e o aluno, o professor
ocupa uma posição de charneira na construção da capacidade instrucional de um
programa. O acolhimento que dá e o modo como interpreta as orientações para o
ensino prescritas nos programas oficiais ou sugeridas nos modelos instrucionais vão
influenciar o trabalho na aula, as oportunidades de aprendizagem dos alunos (Cohen
& Ball, 1999 apud Graça, 2006).

No processo de instrução, o professor avalia as necessidades, os interesses e as


capacidades dos alunos; concebe, selecciona e adapta actividades, tarefas e exercícios
para concretizar os objectivos de aprendizagem.
Os alunos
No processo de instrução, os alunos não são elementos passivos no direccionamento ou no
desenvolvimento das actividades de aprendizagem; trazem consigo conhecimentos, capacidades e
disposições, expectativas e motivações que condicionam o que se pode passar e o que
efectivamente se passa na aula; interpretam e respondem às intervenções e solicitações dos
professores, às exigências das tarefas de um modo concreto que vai condicionar a acção
pedagógica e a qualidade da aula. Os alunos são também co-autores da instrução, que, em certa
medida, é uma construção conjunta de professores e alunos, na medida em que partilham
conhecimentos entre si, não dependem apenas de uma única fonte de informação, e os alunos mais
experientes modelam comportamentos e habilidades e fornecem feedback e apoio aos colegas
menos experientes (Graça, 2006).

Nos diferentes modelos curriculares os professores e os alunos desempenham de forma predominante


ou transitória diferentes papéis que conferem uma ordem e estrutura ao processo instrucional,
facilitando e inibindo diferentes possibilidades de interacção do professor com os alunos, dos
alunos entre si e de uns e de outros conteúdos e formas de ensino e aprendizagem (Graça, 2006).
Os papéis de instrução
Em termos muito esquemáticos podemos tipificar o papel de transmissor, mais
marcadamente associado ao modelo de instrução directa, no qual o professor dirige
activamente e passo a passo a actividade de instrução. Ao papel de transmissor do
professor corresponde o papel de assimilador do aluno, com especial ênfase na sua
actividade de recepção da informação, exercitação e replicação do modelo correcto
predefinido (Graça, 2006).

O papel de tutor aparece mais associado aos modelos instrucionais que favorecem a
descoberta guiada. Neste caso, o professor deixa de fornecer o conhecimento como um
dado para estimular e apoiar o processo de aquisição do conhecimento. (Graça, 2006).

O papel de orientador é preconizado em ambientes de instrução que valorizam a


aprendizagem cooperativa, que se configuram como comunidades de aprendizes e onde
o professor tem um papel de mentor e de apoio na busca de soluções para problemas
autênticos e de respostas não determinadas à partida.
MARIA DA CONCEIÇÃO AMÉRICO ARMANDO
SOARES
2.3.2. Supervisão
O termo supervisão integra dois étimos com raiz latina: “super” (com o significado de
“sobre”) e “vídeo” (com o significado de “ver”). O primeiro significado resulta da
interpretação linear “olhar de ou por cima”, admitindo a perspetiva da “visão global” e
assumiu-se vulgarmente com a integração de funções relacionadas com: inspecionar,
fiscalizar, controlar, avaliar e impor. A estas funções, associou-se, entretanto, as de regular,
orientar (reforçando, por vezes, o sentido de acompanhar) e liderar (Borges e Neves, 2012).
 o conceito de supervisão foi construindo uma base epistemológica, sustentada na

observação, acompanhamento, orientação, avaliação e liderança. As abordagens mais


recentes ao conceito de supervisão substituíram a unilateralidade tradicional, que a
identificava com a inspeção, pela multilateralidade integradora de diferentes ações
complementares permitindo encará-la na transversalidade funcional. A supervisão tende a
explicitar-se numa associação entre controlo, educação/formação, conseguida através duma
relação entre agentes diversos e decisão (Borges e Neves, 2012).
2.3.2.1. Supervisão e liderança
Os supervisores, numa escola reflexiva, assumem funções de líderes das
comunidades aprendentes em que se encontram inseridos e, nesta qualidade,
devem “… provocar a discussão, o confronto e a negociação de ideias, fomentar
e rentabilizar a reflexão e a aprendizagem colaborativas, ajudar a organizar o
pensamento e a acção do coletivo das pessoas individuais”

(Alarcão & Tavares, 2010: 149 Borges e Neves, 2012).

O supervisor poderá assumir um estilo de liderança partilhada, proporcionando


poder e conhecimento, no que respeita às características do líder necessárias aos
órgãos colegiais. Nas escolas distingue-se, vulgarmente, um órgão singular,
representativo ou não, que é o diretor. A supervisão escolar está associada a
práticas de planificação, organização, liderança, apoio, formação e avaliação,
visando a mobilização de todos os profissionais do ensino.
2.3.2.2. Supervisão e regulação
A regulação dos professores, das instituições e até dos próprios sistemas
educativos poderá ser uma das funções de supervisão. Leal e Henning (2009)
apud Borges e Neves (2012), dão um forte contributo ao entendimento da
supervisão pedagógica num contexto de regulação. Exaltam o necessário
“poder disciplinar” que tem de existir na supervisão para se poder obter os
resultados desejados, onde se incluem as análises e as eventuais correções dos
procedimentos realizados.

A supervisão pode manifestar-se nas funções já atrás referidas, tais como:


orientação, avaliação, poder (no sentido da gestão ou direção), coordenação,
normalização (o normativo), autoridade, controlo e formação. Todas estas
funções, na perspetiva da eficiência e da eficácia, são abrangidas pela regulação
(Borges e Neves, 2012).
Cont…
Supervisão pedagógica é uma das dimensões profissionais do professor e integra três áreas
possíveis de desempenho funcional (Borges e Neves, 2012):
 (i) institucional (onde se toca com a direção administrativa da escola);

 (ii) instrucional (com uma base triangular: o currículo [como plano de estudos ou

conteúdo], a aprendizagem e a avaliação); e


 (iii) avaliativa (numa perspetiva de avaliação externa, ou seja, avaliação da instituição ou

dos professores).
O supervisor assenta (ou sustenta) a sua autoridade em quatro fontes: (i) burocrática (regras e
regulamentos); (ii) profissional (mais conhecimentos adquiridos, mais investigação
realizada, maior e melhor especialização e mais experiência); (iii) pessoal (caracterizado
por um estilo de liderança de propensão motivacional); e (iv) moral (relacionado com
quadros de valores, ideias e ideais) (Borges e Neves, 2012).
.
ODETE VASCO MARIANO MUGUERRIMA
Capacitação para Actualização dos Conhecimentos

Diante do atual contexto de mercado que vivemos, a informação é considerada insumo


essencial. Porém o conhecimento acumulado manifesta que, na realidade, as
organizações não existem apenas em função de quantidade e de abrangência de
informações, a qualidade da informação é requisito relevante. Não tratamos aqui da
faculdade de processamento e sofisticação de software e hardware, discorremos sobre
a capacidade de transformar a imensurável massa de dados que correm nas veias das
empresas diariamente em informações essenciais para agregar valor ao negócio
(Ferreira, 2003 apud Ruchinski, 2009).

A globalização acarretou alterações significativas no mundo do trabalho. A ideia de


emprego vem sendo paulatinamente substituída pelo conceito de trabalho. A atividade
produtiva passa a depender de conhecimentos, e o trabalhador deverá ser um sujeito
criativo, crítico e pensante, preparado para agir e se adaptar rapidamente às mudanças
dessa nova sociedade (Cunha, 2002 apud Ruchinski, 2009).
Cont…
Partindo dessa perspectiva, pudemos observar que a admissão no mercado de trabalho do
profissional da informação está intimamente ligada à qualificação pessoal; as competências
técnicas deverão estar associadas à capacidade de decisão, de adaptação a novas situações, de
comunicação oral e escrita, de trabalho em equipa (Cunha, 2002 apud Ruchinski, 2009). O
mérito dos profissionais será baseado a partir de sua capacidade de instituir ligações e
adquirir liderança. Para Drucker, (2002) apud Ruchinski (2009),"os principais grupos sociais
da sociedade do conhecimento serão os 'trabalhadores do conhecimento"', indivíduos com
habilidades de destinar conhecimentos a fim de apurar o rendimento e promover a inovação.

Na concepção do ofício desempenhado na sociedade do conhecimento, a criatividade e a


inclinação para capacitação contínua serão exigidas e valorizadas. As tecnologias de
informação e comunicação estão modificando as situações de trabalho, e as máquinas
passaram a executar tarefas rotineiras em substituição aos seres humanos (Cunha, 2002 apud
Ruchinski, 2009).
Cont…
Diante dessa realidade, na qual a modernização tecnológica é princípio básico, buscar
circunstâncias favoráveis para o sucesso profissional demanda uma estratégia divergente. O
profissional interatuará com máquinas sofisticadas e inteligentes, será o propulsor do
processo de tomada de decisão. Ademais, o seu valor no mercado de trabalho será medido de
acordo com seu espírito empreendedor, sua criatividade e sua capacidade de desenvolver
atividades voltadas para o progresso profissional (Cunha, 2002 apud Ruchinski).

Na mesma linha, De Mais (1999), defende que há princípios emergentes nesta nova sociedade
que devem ser observados ao levarmos em consideração a formação e a educação
profissional. Dentre eles temos a intelectualidade, a importância concedida às faculdades
cerebrais diante às atividades braçais; a criatividade, as atividades simples serão
desenvolvidas pelas máquinas; e a estética, ante a valorização do design. Para este autor, a
subjetividade, a emotividade, a desestruturação e a descontinuidade são pontos a serem
considerados e, portanto, deverão constar na pauta dos processos educativos futuros.
MIAMI AGOSTINHO TSAMBA
Cont…
O profissional da actualidade encontra-se em um ponto no presente entre o
passado e o futuro. Convive com atividades e técnicas tradicionais de sua
profissão, porém precisa atravessar para outra realidade, para onde estão
indo seus usuários, e aprender a conviver com o novo e o inusitado, numa
constante renovação de seus conhecimentos e do seu agir no trabalho.

Neste início de século e devido a sua interação com uma tecnologia intensa,
a Ciência da Informação redefine o conteúdo e a prioridade de seus
objetivos continuamente. De acordo com Edson Pinheiro Lima (s.d.) apud
Ruchinski (2009), “Profissionais da era do conhecimento necessitam
reunir não somente aptidões técnicas, mas necessita igualmente aptidões
emocionais, cognitivas e comportamentais”.
Cont…

As destrezas no uso das tecnologias de informação e comunicação devem


ser aprendidas com o apoio de programas institucionais, bem como os
processos de determinação das necessidades de informação, sua análise
e sua reelaboração e disseminação à comunidade com a finalidade de
produção de novo conhecimento – eis o grande desafio para a
capacitação em serviço enquanto mediadores desse aprendizado.

A construção em educação pode ser entendido como o conteúdo que é


passado pelo ensino, já pronto e definido embora sempre passível de
modificações, e cada um vai apreendê-lo de modo semelhante mas não
idêntico.
CONCLUSÃO
 Acerca da conscientização e responsabilidade, conclui—se que actividades que têm impacto directo
sobre o ambiente, deve receber palestras de sensibilização, para promover programas destinados a
capacitação dos trabalhadores, visando a melhoria e ao controlo efectivo sobre o ambiente de trabalho,
bem como as repercussões do processo produtivo no meio ambiente.
 A instrução refere às intervenções verbais do professor relativas à transmissão de informação, às
explicações, directivas, chamadas de atenção, acompanhadas ou não de demonstração, num processo
interactivo. O processo instrucional tem como incumbência específica o desenvolvimento da
competência num determinado domínio de conteúdo, que se consubstancia na apropriação de
conhecimentos e habilidades e no desenvolvimento capacidades e disposições ou atitudes relacionados
com o conteúdo de instrução.
 Já a supervisão tende a explicitar-se numa associação entre controlo (instrumento de regulação),
educação/formação, conseguida através duma relação entre agentes diversos (intervenientes em
processos de observação, avaliação e orientação) e decisão (com implicações na liderança). A
supervisão pode manifestar-se nas funções já atrás referidas, tais como: orientação, avaliação, poder
(no sentido da gestão ou direção), coordenação, normalização (o normativo), autoridade, controlo e
formação. Todas estas funções, na perspetiva da eficiência e da eficácia, são abrangidas pela regulação.
O atual contexto de mercado que vivemos, a informação é considerada insumo essencial. Porém o
conhecimento acumulado manifesta que, na realidade, as organizações não existem apenas em função
de quantidade e de abrangência de informações, a qualidade da informação é requisito relevante. Na
concepção do ofício desempenhado na sociedade do conhecimento, a criatividade e a inclinação para
capacitação contínua são cada vez exigidas e valorizadas.
Referências bibliográficas
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Versão: 01. Aprovação: COMA.

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